Cobertura Minuto HM – Accept em SP – parte 3: resenha

Para o incauto leitor que agora passa vistas nas parcas linhas as quais eu me proponho a escrever, eu gostaria de começar dizendo: o show do Accept de 08/abril/2016 em São Paulo foi de lavar a alma! Um show excelente, eletrizante, com muita energia, pegada, peso, repertório – quase – certeiro e uma aula de Metal de uma autêntica banda representante do estilo NWOBHM. Músicos de primeira qualidade e um carisma com o público extraordinário. Os fronts feitos por Wolf Hoffman e Peter Baltes são perfeitos e muito cativantes. Com um palco pequeno, eles dominaram a cena totalmente. Levam todos junto com eles nas entoações aos hinos que remetem as frases melódicos de boa parte das composições da banda e executam com perfeição.

A banda entrou pontualmente às 19h00. O lugar comportou bem o público que compareceu em peso. Não chegou a lotar, mas a casa estava cheia. O som estava bom mas poderia estar melhor. Ao longo do show o som pareceu melhorar. Embolou menos e o baixo ficou muito pronunciado. Wolf trocou de guitarras duas vezes. A mais bonita é a Framus Fishmann. Abaixo a foto de ambos instrumentos usados e menção tirada do site:

Hey guys, check out this latest creation from Framus. My brand new signature series guitar. Carbon fiber finish, Fishmann Fluence pickups and Floyd Upgrade parts.

O repertório foi quase perfeito. Eu acho que o Accept tinha que rever esse aspecto dos clássicos deles. Eles possuem muita qualidade de composição ao longo de décadas e nos últimos 3 registros eles elevaram a barra de músicas boas razoalmente. Tem muita música boa para entrar e ficar nas mesmas é algo que as bandas em geral deveriam rever.

Três questões que não foram 100% no show:

1 – não tocar Fall of the Empire do CD novo Blind Rage que vinha sendo tocada e que aqui, na ordem, foi substituída por uma música de andamento mais rápido que a Dark Side of my Heart. Uma pena. Essa prática das bandas de ficar na mesma tecla de tocar músicas “porrada” é um saco! Metal não precisa disso! Metal pesado é metal cadenciado. Mais uma aí para as frases do blog! [NOTA POR EDUARDO: ok, Rolf, seu desejo é uma ordem!]

2 – a voz de Mark no final visivelmente estava irregular – sendo bastante bacana com ele. Se o show durasse mais duas músicas, é provável que ele tivesse problemas.

3 – o calor no lugar era forte. Mark Tornillo inclusive brincou com isso e foi light. Estava quente.

Eu gravei a introdução de Dying Breed porque ela cita várias bandas de Metal. A música é um tributo aos monstros do metal e enfatiza em uma das estrofes o imortal Lemmy. Tá aí uma boa dica. Vamos ver quem consegue decifrar as bandas mencionadas sem consultar a internet, hein?

Once upon a midnight, the metal flag was raised
Long ago a sabbath black cut through the purple haze
Upon a silver mountain a message loud and clear
Screaming with a vengeance that we will forever hear

They’re the pride of our ages
In their anthems we trust
Like denim and leather
And diamonds and rust

Here’s to…the rocking warriors
Here’s to…our heroes and friends
And those who’ve gone before us
We’re loyal straight ’til the end

They’re The Last of a Dying Breed
And we salute you
The Last of a Dying Breed

The zeppelin led it’s voyage thru skies of purple deep
The guillotine come crashing down and heads rolled in the streets
And in a land down under highway to hell was paved
An iron fist cut the deck and drew the ace of spades

They’re the pride of our ages
In their anthems we trust
It’s metal to metal
And dust to dust

 

O setlist funcionou muito bem. Eles não tocaram Fall of the Empire do Blind Rage do que tinha sido na internet. Outra coisa que eu não percebi comparando o setlist do Minuto HM com os da internet em geral é ignorar a música Bound to Fail que é a última do lado B do Metal Heart. Essa música é muito som e ninguém a mencionou em informações pela internet, mas aqui ela será colocada e deve ser muito celebrada. [NOTA POR EDUARDO: adicionada no setlist.fm também]

Comentários gerais sobre o setlist:

  • Midnight Mover – do disco Metal Heart – para mim, o melhor da era Udo.
  • Dying Breed – essa música fala de várias bandas de metal.
  • No Shelter – Blood of the Nations duelo entre Peter e Wolf Prince of the Dawn.
  • Pandemic – segundo meu amigo Marcelo Pisani, foi um pedido do Ricardo Batalha.
  • Metal heart – final solo de bateria.
  • Bound to Fail – introdução – playback nos agradecimentos da banda com o público. Tocada no final do show enquanto eles se despedem (playback).

Compilado de trechos de músicas do show [Stampede, Stalingrad, London Leatherboys, Restless and Wild, Midnight Mover, (Apresentação) + Dying Breed, Metal Heart, Balls To The Wall e (Final de show): Bound To Fail (Playback)]:

Galeria de fotos do show:

Sobre o Accept

O Accept é de uma segunda geração de bandas mas que mantém um legado e um presente em mesma sintonia de grandiosidade. Por ter uma cultura européia, os elementos que eles colocam na música são geniais. Ouçam Metal Heart, por exemplo, e vejam como há uma proximidade com elementos claros de culturas do leste europeu mesclados com o nosso bom e velho Heavy metal. É genial! A banda definitivamente não vive do passado – coisa rara nos dia de hoje – e está cada vez mais buscando evoluir no presente. Foi uma experiência incrível!

Obrigado a todos que chegaram até aqui e se interessam em ler sobre essa extraordinária banda de Heavy Metal tradicional.

Accept ganhou um espaço no carro agora. Me conscientizei que sou um grande fã da banda.

Accept ganhou um espaço no carro agora. Me conscientizei que sou um grande fã da banda.

Wolf/Rolf Accept/Dio.

Colaborou: Eduardo.



Categories: Accept, Cada show é um show..., Curiosidades, Instrumentos, Letras, Músicas, Motörhead, Resenhas, Setlists

6 replies

  1. Rolf, eu que infelizmente não fui ao show mas pude ajudar nas 3 partes e estar envolvido diretamente na publicação dos posts, revisão dos materiais, montagem de tudo e de ter tido “acesso” a estas informações ao vivo, me senti realmente como se tivesse ido ao show.

    Mas claro que faltou eu efetivamente ir e também ter a alma lavada… aliás, talvez valesse a pena colocar por aqui nas Expressões algo do tipo “Accept lava a alma”… que tal?

    Tenho que começar falando pelo final do post, que é o fato do carro ter recebido ao lado do DIO e Sabbath um adesivo do Accept. Te conhecendo como conheço e sabendo da sua história com as outras bandas já “adesivadas”, ver você colocando o adesivo do Accept mostra a tal “ficha” que caiu e a relevância da banda para você, mesmo depois de tantos e tantos anos de você ter o vinil da banda, não é mesmo? O Accept “efetivo” um velho fã mas de uma forma diferente agora, um fã que agora elevou a banda ao Olimpo, e isso é marcante demais, talvez seja uma das coisas mais marcantes suas do blog, e do próprio blog…

    Isso comentado, fica até desnecessário prosseguir. O Carioca Club é um local bem localizado, próximo ao metrô (apesar de eu ter lido relatos de pessoas que tiveram problema porque o metrô, ao que parece, teve problemas um pouco antes do horário do show), mas é extremamente pequeno para a QUALIDADE da banda. Uma pena que eles não tocaram em um lugar maior, tipo Espaço das Américas ou Citibank Hall, pois mereciam – inclusive para ter um camarim melhor, já que nós 2 tivemos a chance de conferir como são os camarins e acessos do Carioca…

    Já o show trouxe um setlist bastante forte, com o privilégios dos 3 discos mais recentes da banda serem assim, então ficou tudo jogo ganho. Gosto muito do vocalista atual da banda e o resto – guitarras, baixo e batera – no mais convencional que o metal pode ser, pesado, marcado, CADENCIADO… sim, foi a frase para as Expressões… e eu, assim como você, sou outro que levanto a bandeira do metal tradicional acima de tudo… e viva a NWOBHM, viva a década de 1980 e tudo que ali foi produzido.

    São muitas as bandas homenageadas, e sem Google todos que acompanham o mundo do metal podem sacar rapidamente… cito algumas, como Sabbath, Hendrix, DIO, Judas, AC/DC, Led, Purple, Motörhead, Scorpions… o Anthrax recentemente também fez música que homenageia bandas e artistas, e o metal como um todo… acho isso fantástico.

    Lamento não poder estar no show, é isso que posso dizer. Mas fico feliz em ter participado por aqui da cobertura. Espero que tenha gostado – o vídeo deu certa trabalheira. Como disse na parte 1 da cobertura, quem sabe no próximo não estejamos juntos, e também juntos com mais gente do blog? Seria sensacional, afinal, é metal tradicional, é cadenciado, é nossa religião, nossa vida.

    Que o Accept continue nesta linha, pois a fórmula vem dando bastante certo. E tem tudo para continuarem assim!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Rolim, meu irmao. excelente os seus comentários. o final vale uma epígrafe “afinal, é metal tradicional, é cadenciado, é nossa religião, nossa vida” excelente isso aqui

    muito obrigado por transformas coisas que eu escrevo em algo editável
    a edição do video ficou muito boa. deu pra imaginar o trabalho que deu

    grande abraço

    Like

  3. Olá, li todo o texto e espero que não interprete mal meus comentários, de forma alguma pense que sou mais um destes que ficam em sites, escrevendo coisas apenas para criticar, coisa que está bem na moda nestes tempos de internet, mas gostaria de fazer alguns comentários sobre seu texto, coisas que julgo pertinentes serem comentadas.

    Pra começar vou concordar com você sobre a falta da Fall Of The Empire, muitos esperavam ouvir esse som nos shows aqui no Brasil, já que ela vinha sendo tocadas nos shows da tour, mas acontece que ela não foi substituída pela Dark Side of My Heart, esta já estava sendo tocada nos shows da tour, eles apenas tiraram do set uma música, pois vinham tocando 22 músicas e aqui no Brasil tocaram 21. Outro ponto a comentar é que a banda não me parece ter tantos problemas ao escolher o repertório, se pegarmos o DVD do Chile e o set do Wacken onde tocaram ano passado, veremos músicas que variam de tour para tour, Breaker, Flash Rockin Man, Losers And Winners, Burning, Ahead the Pack, Amamos La Vida, Monsterman, Up to the Limit, vários sons que não tocaram no Brasil e tocaram recentemente, o que mostra que a banda não se prende muito ao mesmo repertório, com exceção das clássicas, Metal Heart, Balls, Fast, Princess etc…que se não tocarem seria um sacrilégio com os fãs que não puderam vê-las ao vivo ainda.

    Quanto ao fato de citar o estilo NWOBHM, entendi que você comentou que é uma banda que tem seu estilo semelhante ao das bandas da NWOBHM, bem de certa forma sim, mas não vamos nos esquecer que ela não pertence ao NWOBHM, e nunca pertenceu. Apesar de ter surgido na mesma época do movimento britânico.

    Na No Shelter, no duelo entre baixo e guitarra foi escrito Paul, na verdade sei que você queria escrever Peter, se corrigir ficará ótimo.

    E só para acrescentar, seria legal citar o Uwe Lulis na segunda guitarra, já que é uma cara que já fez história no Metal alemão como guitarrista do Grave Digger e depois Rebellion, e hoje integra mais uma lenda do metal germânico.

    No mais, parabéns, passou uma boa sensação no texto de quem de fato esteve lá e continue o bom trabalho, e desculpe se a minha franqueza possa ter parecido rudeza da minha parte.

    Abraço

    Art Snow

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    • Olá Art Snow, primeiramente queria dar as boas vindas ao Minuto HM, inclusive em nome do Rolf, autor do post e o cara que esteve no show.

      Por favor, não se preocupe com nada em relação ao comentário, que mostrou vir de quem conhece, e a ideia aqui é justamente essa, trocarmos esse tipo de experiência e um comentário como este só agrega ao post.

      Quanto à correção do Paul x Peter, foi feita, valeu!

      Quanto ao NWOBHM, exatamente, tenho certeza que foi no sentido da sonoridade, a banda não fez parte do movimento. No mais, excelente comentário em geral, quero agradecer e lhe convidar a continuar a participar por aqui.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Oi Eduardo, desculpe a demora em responder, estive fora alguns dias e só hoje voltei a olhar aqui, agradeço as boas vindas, vou fazer o possível para aparecer nem que seja de vez em quando. Abraço a vocês todos e ao alexandrebside que me citou aí também.

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  4. A parte final fechou com chave de ouro a trilogia referente a presença do Accept em São Paulo. Não é de se surpreender, mas sim de se elogiar a presença maciça do público paulistano, como observei pelas fotos e compilado de vídeos ( o Eduardo sempre ajudando todos nós).
    No mais, um texto do Rolf e comentários do Eduardo e do Art Show que como sempre dão uma aula de metal pra muitos de nós.

    Eu daqui só agradeço

    Alexandre

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