Cobertura Minuto HM – Dream Theater em SP – 22/jun/2016 – resenha

Por Kelsei BiralIntrodução e revisão por Eduardo.

Mais que nada, é agradecer ao Kelsei Biral (e ao Rolf pelo incentivo) por nos brindar com uma resenha (excelente, por sinal) do show do DT em São Paulo, complementando o que já vimos no exterior, bem como dar as mais que boas vindas ao Kelsei aos posts no Minuto HM!

Aproveitem!

[ ] ‘ s,

Eduardo.

____________________________

Dream Theater – “The Astonishing” – Espaço das Américas – 22/Junho/2016

Na fria noite de quarta-feira, 22 de junho de 2016, o Dream Theater desembarcou em São Paulo, no Espaço das Américas, para apresentar seu mais recente trabalho, The Astonishing, na íntegra. A apresentação tinha a expectativa de ser na forma de uma ópera-rock teatral, com cadeiras para o público, e com a promessa da banda trazer todo um aparato que suportasse a produção do espetáculo.

Com o início do show planejado para 2h:30, chego na casa às 21h10 (moro bem perto do local – fui a pé). Logo na entrada ganho um pequeno folheto apresentando The Astonishing, contendo um descritivo da história, dos personagens e o setlist que seria apresentado.

Entrando no hall da casa, temos a loja oficial da banda, com camisetas variando de R$ 80,00 até R$ 120,00. Particularmente, nunca fico olhando o conteúdo das lojas oficiais em shows, pois acho os preços extremamente salgados para o vestuário. Mais a frente, próximo ao bar, há a réplica de um NOMAC (o “robô vigilante” que aparece no encarte). Como havia uma grande fila para tirar fotos, passo batido e vou procurar meu assento, pensando em tirar uma foto do NOMAC no intervalo entre os atos.

Meu ingresso é no Setor L – Fila 03 – C04. Sim, na última fileira do último setor, por dois  motivos básicos:

I. Meu bolso estava com limitações (e o ingresso mais barato – o meu – custou R$ 350,00);

II. Dá para ficar em pé atrás da cadeira, que não atrapalha ninguém ☺.

As cadeiras foram armadas sobre estruturas que deixavam os setores mais afastados do palco mais altos que os da frente, não prejudicando, assim, a visão de quem estava mais atrás (que era o meu caso). Assim que encontro minha cadeira, vejo que não poderia ficar em pé atrás dela, pois logo após a última fila colocam um delimitador de metal para que ninguém ficasse transitando atrás do último setor, com exceção da equipe de segurança.

Mesmo da última fila é possível ver o palco com detalhes, o qual é montado com base na história de The Astonishing. Cinco colunas levemente separadas umas das outras formam um telão, mostrando o mapa do “novo Estados Unidos” (para quem tem o CD, é a primeira imagem do encarte). O mapa é animado – é possível ver a água do oceano mexer, nuvens passar e algumas outras animações.

Ao fundo, quatro bandeiras com o símbolo da banda podem ser vistas. Nos cantos do palco, temos quatro postes (dois de cada lado) que simbolizam a praça de Ravenskill, onde o personagem principal da história, Gabriel, toca música para a população. Em cada poste há duas bandeiras (não consigo ver direito o conteúdo dos brasões). Cada poste possui luz própria.

Dez minutos antes do show, uma gravação em inglês informa que, ao iniciar o espetáculo, o uso de celulares, pagers e câmeras fotográficas ficam expressamente proibidas. A mesma mensagem é repetida em português, logo em seguida.

Pontualmente às 21h30, as luzes da casa vão se apagando em sequência, das mais distantes para as mais próximas do palco. Quando a escuridão total chega, os gritos da plateia se iniciam. Nesse momento, todos começam a entender o que tanto seria a produção que o Dream Theater trazia junto do show e o porquê de tanto segredo envolvido.

Ato I

A entrada do Ato I é levemente diferente do início do primeiro CD. A medida que o telão vai tomando vida, podemos ver diversos NOMACS voando pelo céu, quando um deles liga seus holofotes diretamente na plateia. Em voz robótica, ele informa que devemos total obediência as NOMACs e qualquer conduta fora dos padrões terá punição severa. ”Descent of the NOMACS” se inicia a partir daí.

Ao término da introdução, volta-se a escuridão total e, segundos depois, os quatro virtuosos instrumentistas iniciam ”Dystopian Overture”, em um som extremamente alto (após uma breve pesquisa que fiz, somente um show que fui do Torture Squad ganhou em termos de altura do som). A patada sonora é somada ao segundo diferencial do show: o telão, e as luzes que o acompanham, ganham vida! Não dá para descrever em palavras o que é aquela produção! É de ficar de queixo caído! Simplesmente sensacional!

Com ”The Gift of Music”, LaBrie entra no palco e temos o primeiro erro da noite (de um total de dois). Ao começar a cantar, a voz de LaBrie não aparece – o microfone estava mudo! Em segundos isso é corrigido, mas a primeira frase da letra é perdida.

As músicas do Ato I vão evoluindo, tocadas de forma mais pesada que a gravação original. Algumas canções têm a parte orquestrada com playback (outras o teclado de Jordan consegue preencher a falta da orquestra). O telão vai contando com animações e imagens a história por trás de The Astonishing. Em todas as canções, sempre que LaBrie canta as falas de um personagem, a animação desse personagem entra no telão. Inclusive algumas partes da história são esclarecidas com as animações.

Apesar da performace de todos os músicos, Jordan Rudess rouba a cena no Ato I. Isso porque várias músicas iniciam ou terminam somente com o teclado, o que acaba dando um maior destaque ao tecladista. Em ”Act of Faythe”, enquanto o holofote está somente sobre Jordan, ele brinca de apagar a luz com a mão enquanto toca a nota de encerramento da música.

Depois de ”A Life Left Behind” e “Ravenskill”, que para mim são destaques desse Ato, o show prossegue até seu climax em ”A New Beginning”, onde, aí sim, os quatro virtuosos improvisam o final da música e apresentam à plateia o que de melhor um fã do Dream Theater gosta: complexidade, quebras de tempo e velocidade. Nessa última, John Petrucci faz um solo de mais de 2 minutos onde ele frita sua guitarra e Mike Mangini abusa das viradas com as mãos trocadas na bateria.

John Petrucci_22jun2016_SP

(Fonte da foto)

O Ato I termina com a execução de ”The Road to Revolution” e o grupo se despedindo da plateia. São 22h55.

Intervalo

Com os ouvidos zunindo, volto ao Hall do Espaço das Américas para tirar aquela foto do NOMAC logo na entrada, mas a equipe do espetáculo já havia recolhido-o. Nem tão chateado assim (a câmera do meu celular é uma porcaria), volto para minha cadeira.

Após 5 minutos de intervalo, o telão se acende novamente, apresentando diversas pessoas atrás de uma névoa verde. Provavelmente são os profissionais que trabalharam no projeto The Astonishing, sendo nas animações do telão, seja de equipe de som e por aí vai. Não reconheci ninguém. Após 10 minutos, o telão se apaga novamente.

O intervalo tem uma duração total de 20 minutos.

Ato II

Pontualmente, às 23h15, as luzes da casa voltam a se apagar da mesma maneira antes do início do primeiro Ato. Segundos depois, uma nova explosão sonora inicia ”2285 Entr’acte” e conseguimos ver, então, o segundo erro da noite: o suporte onde estava colocada a bateria também era parte do telão, que não funcionou durante o Ato I.

Na sequência, começa ”Moment of Betrayal” (na minha opinião a melhor das 34 músicas aprensentadas e uma das poucas de The Astonishing que o grupo poderá tocar em setlists futuros). Mesmo com LaBrie pedindo para todos cantar o refrão, não dava para ouvir o pessoal. O som continuava em um volume absurdo. Se você tampasse seus ouvidos com as mãos e cantasse, não dava para ouvir a própria voz.

O segundo ato segue, com o telão e o show de luzes sempre surpreendendo com algo novo. Esse ato passou muito rápido, talvez porque a trama da história sendo mostrada no telão entreteve tanto que deu essa impressão. Mesmo com os avisos de gravação proibida, várias pessoas tiraram fotos e fizeram vídeos. Mesmo a minha câmera sendo uma porcaria, não deve ser difícil encontrar fotos e vídeos do evento.

Ao iniciar ”Hymn of a Thousand Voices”, LaBrie pede para que todos se levantem: “Levantem-se! Temos mais de 1000 vozes aqui! Quero todos cantando conosco!”. A partir daí ninguém mais sentou. Após ”Our New World”, o Ato II tem uma pequena pausa. Pouco tempo depois, o playback de ”Power Down” toma vida e o espetáculo se encerra com “Astonishing”.

A banda se despede prometendo voltar em breve (já é figurinha carimbada no Brasil em suas últimas turnês). Os telões mostram os créditos da peça, com todas as pessoas que trabalharam em The Astonishing. Ao final, o palco é apagado (não antes de um último NOMAC tentar retornar à vida, sem sucesso, pifando de vez) e a plateia começa a ir embora.

Tudo o que é novo, muitas vezes, incomoda. The Astonishing incomodou (para o bem ou para o mal – cada um que decida isso). Mesmo assim, a apresentação foi ímpar, superando qualquer expectativa dos presentes devido sua produção surpreendente e seu som extremamente alto. Os ouvidos zunindo da plateia que deixou o Espaço das Américas que o digam…

Kelsei Biral


Categories: Cada show é um show..., Curiosidades, Dream Theater, Músicas, Resenhas, Setlists

5 replies

  1. Kelsei, novamente agradeço pelo post excelente e por nos colocar dentro do show com seu texto! Tomei a liberdade de mexer uma coisinha aqui e ali no texto, colocar uma foto e um vídeo, links, etc., espero que esteja a contento.

    Uma banda que se propõe a fazer o que o DT está fazendo agora – tocar na íntegra um disco, e um disco “novo”, não um “clássico” – por si só já requer muita coragem. Ainda mais considerando que há divisões claras entre os fãs das banda, especialmente quem escuta-os já há praticamente 30 anos – sobre a questão dos setlists adotados x Portnoy e tudo mais.

    Esse show parece ter atendido a proposta “operística” e ao que entendi, vem agradando a muitos.

    Queria lhe perguntar – quando LaBrie disse: “temos mais de mil pessoas aqui” – quantas pessoas crê que estavam no show? Porque 1000 me parece pouco e talvez seja o reflexo do que comentei acima, da tal divisão – além de, claro, o próprio preço do show, os tantos outros shows que estão vindo ainda este ano e a própria situação horrorosa do país. Mesmo com tudo, imagino que o número seja baixo e com uma produção destas, talvez nem esteja compen$$$ando tanto à banda.

    O Espaço das Américas realmente tem um som excelente, eu acabo de voltar de lá com um show bem diferente – do Roberto Carlos, um presente de filho para mãe – e muito bom em termos de qualidade e volume também. Já vi outros shows por lá também e sempre com elogios. É uma casa ao lado do metrô, além de tudo, o que é um diferencial, ainda mais em SP.

    Muito bom sair com os ouvidos zunindo, não é mesmo? Poxa, faz tempo que isso não acontece comigo – talvez nem volte a acontecer, já estou meio surdo… graças ao heavy metal, e aqui nós agradecemos pela graça alcançada! Amém.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Fico feliz que o resultado tenha agradado!

      Realmente, tocar um álbum novo em uma turnê requer muita coragem (e dinheiro). Pensando rápido aqui, só conheço uma banda que fez algo similar: o Iron Maiden, com o “A matter of life and death”.

      Tinha bem mais de 1000 pessoas, o LaBrie falou ‘mil’ para brincar com o nome da música que era anunciada: o Hino das 1000 vozes. Foram vendidos cerca de 4400 ingressos mas alguns poucos setores não estavam completos. Coloco cerca de 4000 pessoas naquela noite.

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  2. excelente post
    Conta de forma roteirizada , bastante detalhada e com propriedade a produção do que foi esse show. Eu não fazia ideia di que o DT traria pra essa turnê
    O que mais me impressionou foi o volume do som que o Kelsei citou. Converso com o Kelsei e ele possui experiência em shows. Se ele comenta sobre isso eu imagino o que não foi esse volume.
    Excelente post.

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  3. Kelsei, traga mais posts e coberturas como esta, eu peço!!!
    Um conteúdo que nos transporta para o show e muito rico em detalhes. O minuto Hm ganhou mais um que poderia perfeitamente contribuir mais aqui com novas matérias como essa.
    Em relação ao Dream Theater e essa sua nova fase, antes de tudo eu preciso concordar que eles saíram de uma certa zona de conforto na busca ambiciosa por esse album/tour totalmente conceitual e voltado unicamente para as músicas do projeto. Algo a se ressaltar e elogiar, independente de gostar ou não do álbum.
    E trazendo para a questão pessoal, ainda não tive motivação pra ouvir o álbum com a atenção que até agora não consegui ter sempre que tentei. Confesso, não foram muitas as vezes. Concordo, ver o show, que deve trazer mais peso e sempre aliado à parte visual de indiscutível qualidade talvez melhorasse essa minha falta de vontade de conhecer melhor o projeto atual da banda. Não foi dessa vez, acabei por não querer acompanhá-los no Brasil.
    Acho que esse momento ainda vai chegar, não sei bem quando.
    Por enquanto sou mais um a concordar que Moment of Betrayal é o que se salva do álbum, e que talvez tenha uma sobrevida nas futuras tours da banda.

    Parabéns pela cobertura!

    Rolf e Eduardo, sem dúvida, valeu o incentivo!

    Alexandre

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