Iron Maiden – Legacy Of The Beast Tour: um grande set e um resgate ao Piece Of Mind

Não é “normal” fazer um post por aqui apenas para falar de um setlist… mas como, pelo menos para mim, este não é um set “normal” do Iron Maiden, levemos à mão direita ao peito por um momento para celebrarmos um grande acerto da banda!

Já faz certo tempo que critico os sets da banda – o tal “reloginho do Iron Maiden”. Bom, na verdade, o Iron Maiden achou uma forma de colocar “variação dentro do reloginho”. Me explico: a banda, desde talvez a Somewhere Back In Time Tour, achou uma forma de verdadeiramente “resgatar” músicas que os fãs com mais quilometragem tanto desejam, intercalando uma “tour especial” como esta na “entressafra” (aquele momento como agora, onde a banda terminou a tour “tradicional e reloginho” do último álbum de estúdio e fica, literalmente, aberta a ter o Bruce vindo aqui para mais uma keynote e lançando livro, enquanto Steve e seu British Lion confirma tour no Brasil. Nicko tem o restaurante e nova loja para cuidar. Os guitarristas são mais discretos, mas imagino Gers viajando, Adrian pescando e Murray… tomando uma, ou duas.

Com Bruce de volta de seus compromissos off-band, a banda iniciou ontem a Legacy Of The Beast European Tour, que aproveita os grandes festivais de verão (e o próprio verão) pelo Velho Continente. Bruce já havia falado ali e aqui que o show traria “algumas surpresas”. O próprio “banner” da tour já indicava isso, aos mais atentos…

E, claro, apesar de cada um ter seu conceito de “surpresa” e “setlist perfeito”, realmente a tour resgatou algumas músicas de força da banda, de diferentes fases, mas depois de resgatar o Seventh Son Of A Seventh Son (Maiden England), Somewhere In Time e Powerslave (com a Somewhere Back In Time Tour), a banda continua sua “voltando no tempo” e chegou ao que imagino que seja a “celebração máxima” que a banda ainda fará do Piece Of Mind.

O set executado foi:

Então trago abaixo alguns comentários

  • 5 músicas-base (~ 1/3 do show): The Trooper (ao que parece, o “walking Eddie” desta tour, fantástico, por sinal), Fear Of The Dark, The Number Of The Beast, Iron Maiden e o retorno do hino do heavy metal após o fim do processo, Hallowed Be Thy Name.

E agora aos outros 2/3 do show:

  • Abertura com Aces High: hors concours. Não consigo imaginar coisa melhor a ser feita em uma abertura de show do Iron Maiden. E a excepcional réplica do Spitfire voando? Que momento!
  • Where Eagles Dare: seguindo com outra música de abertura, do melhor álbum para mim e a primeira das quatro do Piece. Poderia até ter sido a primeira, mas como “reclamar”? A alegria de ver WED de volta a um set do Maiden é indescritível – eu confesso que não apostaria nisso. A música não era executada desde set/2005. A abertura da música ficou fantástica, a la “One” do MetallicA, que acerto da banda! Obrigado, Nicko, por ter apresentado esse “cartão de visita” quando entrou na banda e obrigado, Steve, por deixar este fabuloso resgate acontecer.
  • 23:58: tudo certo.
  • The Clasman: uma das melhores músicas do fase Blaze, a melhor do Virtual XI para mim que, na voz do Bruce, fica AINDA melhor (video performance no Rock in Rio 3). Voltou ao set depois de praticamente 15 anos (ago/2003). Um bom resgate para sair da “mesmice”.
  • Revelations: ahhh, o Piece of Mind. Para mim, música que faria parte do meu set dos sonhos de sempre. Ótimo ver que a banda ainda pensa nela. Consigo ouvir até gente respirando por aí… 🙂
  • For The Greater Good Of God: representante do álbum A Matter Of Life And Death, tour que de maneira rara não passou pelo Brasil, e um resgate importante de uma ótima faixa de um disco muito bom disco. Quem sabe, não a vejamos por aqui também… a esperança renasceu! Música que não era executada desde junho/2007, basicamente desde que a tour do álbum dela acabou.
  • The Wicker Man: faixa curta, que o Maiden vem sempre colocando no meio dos sets, bom resgate depois da última execução em ago/2011 da única representante do Brave New World, outro bom disco.
  • Sign Of The Cross: outro excelente resgate da talvez melhor faixa da fase Blaze (para mim). A última execução dela tem (tinha) uma relação especial com o Brasil, já que a data em questão é aquele fantástico 19/jan/2001, data do Rock in Rio 3. Uma música que o Nicko considera uma das mais difíceis (ele diz ser a mais difícil) da banda para ele (eu não a vejo assim, nem de perto, mas ok). Na voz do Bruce, a música ganha muito. Boa, boa.
  • Flight Of Icarus: para tudo! O grande destaque do set em minha opinião com Where Eagles Dare! Sabem desde quando a banda não a tocava? Desde 17/setembro/1986. Isso mesmo, 1986. Poucos, como eu, tiveram o privilégio de ouvir o Dickinson cantando a música (eu vi a música em carreira solo do Bruce). Mas agora o Iron Maiden fez esse grande resgate, com Bruce com um lança-chamas em um palco que dispensa elogios! Notem ainda que Gers ficou no canto/mundo dele e que parece que estamos vendo “apenas” a formação clássica da banda. É isso que vale: FLIGHT OF ICARUS!!
  • The Evil That Men Do e Run To The Hills: (ótimas) figurinhas carimbadas que alternam presença nos sets e são sempre bem-vindas. Aliás, excelente forma de fechar o show.

Em resumo: 16 músicas, 56% do set composto pela trinca sagrada Number-Piece-Power ; 4 músicas do Piece, o álbum mais tocado (25% do total show), 2 bons resgates da fase Blaze e uma surpresa que vale a pena do A Matter Of Life And Death.

Será que ainda podemos continuar sonhando com outras músicas, como Alexander The Great, talvez a mais esperada da HISTÓRIA da banda? Eu diria que sim, quem sabe depois desta tour, do novo álbum, da tour do novo álbum, dos keynotes do Bruce, da segunda parte do biografia dele, de mais shows do British Lion, de mais peixes pescados pelo Adrian… quem sabe quando vier a próxima tour especial de verão?

Up The Irons! E, quem sabe, não vejamos isso em 2019? ALÔ, PRODUTORES… ALÔ, MEDINA…

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categorias:Instrumentos, Iron Maiden, Músicas, Resenhas, Setlists

4 respostas

  1. Eduardo, antes de tudo obrigado por trazer isso por aqui com a sempre espetacular riqueza de detalhes e pelo para mim em primeira mão.
    O comentário precisa se dividir em duas partes

    1) O visual de um atual show do Iron Maiden – Eles estão cada vez melhor nisso. O avião, as cenas no telão, as chamadas das diversas canções, por aí vai. Sempre foram bons, hoje estão num top 3 pelo menos. A luta entre Bruce e Eddie em The Trooper é sensacional.

    2) As músicas : Aqui vamos aos gostos pessoais e tem os gostei e os não gostei:

    Gostei – Antes de tudo de Where Eagles Dare ( como está cantando Dickison, alias, nessa versão), mas também da volta de Flight of Icarus e de se preocupar em trazer faixas que mostrem todas as fases. Senti falta de uma do Somewhere in Time, mas The Evil that Men Do pode ser considerada da fase, já que é do álbum subsequente.

    Não Gostei – È um preciosismo, mas lá vá meu lado rabugento :
    -As clássicas , são pelo menos 4. Poderiam ser 3? Dá pra botar outra do Fear of the Dark , que tal Be Quick or Be Dead, para ser até óbvio ?
    -Ele vão revezar os repertórios ou é esse até o fim da tour? Se vão, ponto a favor. Se não, podia ser melhor , hein…..
    -Faltou músicas nunca tocadas antes nesse repertório. Uma e eu tava feliz. Com três guitarristas no palco, que tal The Duelists? E eu botava outra no lugar de The Greater Good of God. Questão pessoal mesmo.

    Mas isso é rabugice. O show tá ótimo!!! Sr Medina, olha isso aí!!!!!

    Alexandre

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  2. Obrigado por trazer essa surpresa
    Antes de perguntar sobre o Powerslave nos vitrais numa clara referencia as grandes catedrais europeias como Notre Dame, queria dizer que essa iniciativa da banda foi espetacular e que isso sempre se repita pra todos nós fans

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  3. Estou triste por que nesta turnê nova do Maiden não vai ter “Rime of the Ancient Mariner”, “Powerslave”, “To Tame a Land”, “Heaven can Wait”, “Wasted Years”, “Alexander the Great” (o sonho de todo fã da Donzela hoje é vê-la sendo tocada ao vivo), “Strange in a Strange Land”, “Can i Play With Madness”, “Die With Your Boots On”, “The Clairvoyant”, “The Duellists”, etc. Bem, espero que esta turnê seja, de uma vez por todas, a ÚLTIMA que a banda está planejando hoje (por que a última, era para ter sido, na verdade, a de The Final Frontier, álbum de 2010). No mais, fico contente pelo fato deles resgatarem boa parte do Piece of Mind (o disco que fez minha mãe gostar do Maiden recentemente, após anos em que ela só desvalorizava o grupo).

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  4. Nicko falando do kit que está sendo usado nesta tour especial com direto a marchan no final:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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