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Bom, depois da catarse da premièrè londrina nesta última terça, o novo documentário SOBRE (e não “do”) “Iron Maiden: Burning Ambition” fez sua estreia por cinemas por todo mundo – inclusive ali no Cinemark do Shopping Santa Cruz. O clima na praça de alimentação e na entrada das salas era praticamente de show, com direito a ver o grande baterista Eric, atual The Beast Experience, ali no canto esperando a sala abrir.
Minha ideia não é aprofundar em uma resenha detalhada – afinal, o documentário é meio como minha relação com a banda, bastante emocional, e não exatamente focada na discografia, ordem dos fatos, etc. E, claro, não existe contar a história de um Iron Maiden em menos de duas horas – o Get Back dos Beatles, para mim, redefiniu o conceito de documentário com duas 9 horas contando apenas o mês de janeiro/1969 da banda, e sei que tem coisa de fora mesmo assim. E o documentário, por ser sobre a banda, traz os membros da banda falando apenas, então não há aparições recentes deles.
Com uma abertura com o símbolo máximo “The Trooper”, do Piece of Mind (aqui é só para brincar com a galera na velha rivalidade com o Powerslave), o documentário já começa trazendo o que se vê por ele inteiro: fãs de todo mundo trazendo suas histórias e envolvimento com a banda em seus diferentes momentos, cruzando com cada background, cada cultura, cada momento da vida. Tem brasileiro também contando suas histórias – inclusive um executivo do mercado financeiro. E, claro, há os convidados ilustres como Lars Ulrich, Scott Ian e Gene Simmons dando seus pitacos sobre a banda.
Apesar do foco não ser sequencial e na discografia, até o início das gravações do Number, há bastante foco na construção e alterações do lineup, ainda que o foco em membros como Dennis Stratton não aconteça. Di’Anno tem rápido protagonismo, assim como o Clive, mas há uma certa “pressa” em chegar-se à formação clássica.
O documentário vai então misturando a trajetória da banda pelos golden years, com direito à parada especial para o Rock in Rio 1985, aclamado como o maior show da banda até hoje, com grandes e importantes momentos da história do mundo em países como Polônia (1984) – a famosa e fundamental Behind The Iron Curtains – bem como trazendo fãs de lugares com muita depressao, como Líbia. Há menções deles tocando Smoke on the Water no casamento, a conversa de Bruce com o fã que pedia guitarras sintetizadas e Bruce dizendo que não dava para fazer isso no heavy metal, e também a fase dos fanáticos religiosos queimando os “satânicos” álbuns da banda – entre outros momentos que quem conhece mais profundamente a história da banda, já viu tudo. Aliás, há pouco material 100% inédito – a gente que já viu tanta coisa da banda acaba nem sabendo mais se realmente é inédito ou não… mas, de novo, entende-se que não é este o propósito do documentário.
Pouco se fala da fase 1986-1992, e até mesmo do lançamento do Fear, que é rapidamente trazido por uma fã. Mas as saídas de Adrian e Bruce, com as entradas do Gers e Blaze são bem cobertas em todas suas etapas – melhor que a saída do Clive, onde nem o motivo foi trazido.
O documentário aborda bem a questão da fase Blaze e os shows esvaziados / pequenos, com direito ao show no qual aquele imbecil cospe no Blaze. O documentário parte então para os triunfais retornos de Bruce e Adrian, trazendo a voz de Nicko dando suas entrevistas decepcionado com o Bruce antes e desconfiado na volta dele.
Começa então o que o documentário chama de segunda conquista do mundo, e temos de forma a banda no Rock in Rio, agora em 2001. Há breves citações dos álbuns (e não de todos) pós Brave New World, e vem à tona o câncer de garganta de Bruce (e a superação) e a doença de Nicko, trazendo necessariamente o Brasil de volta com os últimos shows dele com a banda em São Paulo no fim de 2024.
O documentário aborda rapidamente a banda com a tour 2025, a entrada de alguém “mais jovem” na bateria (Simon) e coloca o alfinete para marcação dos 50 anos da banda no show já histórico em Londres.
Os depoimentos dos fãs são o elemento principal do documentário, com eles se revezando e misturando suas histórias pessoais, das suas origens, e como o Iron Maiden este presente em cada fase de suas vidas. Lars, Gene e Scott também trazem seus elogios, com um Gene elogiando muito o poder da banda e sua força – o grunge? Se foi. E aí está o Iron Maiden.
Por fim, Eddie é outro tema central no documentário- sua história e relevância para a banda nestes anos como símbolo máximo de identificação da banda para os “tímidos” músicos que não gostavam das câmeras. Já ainda animações da fase Powerslave / Live After Death, do Piece e dos primeiros três. E Steve falando que a banda vai parar quando eles não conseguirem mais e “drop dead”, aquela coisa toda.
Como disse, não há nada muito inédito, mas é mais um material bem produzido sobre essa instituição do heavy metal. Eu entendo que todo material bem feito sobre eles deve ser sempre celebrado e ressaltado, e esse é mais um deles, ganhando uma salva de palmas ao final da sala de cinema lotada.
Up the Irons!
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Eduardo.
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