Bati mais um recorde de atraso do post…
Mas já diria o poeta: antes tarde do que mais tarde!
30 de Setembro de 2026, cidade de Montevideo, Uruguai. A banda finlandesa Sonata Arctica solta uma nova em seus canais oficiais informando do cancelamento do show naquela noite, por problemas de saúde. Nos comentários, relatos de que Tony Kakko, vocalista, está com laringite. No show antecessor, na Argentina, muitos relatos de que Tony fez a apresentação com muita tosse.
As horas que se sucederam desde o comunicado foram tensas, meus amigos. Após o Uruguai, o destino final de encerramento da turnê comemorativa de 30 anos da banda era no Brasil, com duas apresentações, respectivamente sexta e sábado, nas cidades de Limeira e São Paulo. O vocalista com laringite! Haveria mais cancelamentos? Os boatos só acabariam quando a banda postara um novo vídeo informando que estavam no Brasil e os shows estavam de pé. Ainda bem que, no interim, nosso presidente conseguiu a proeza de estar à trabalho no México hospedado no MESMO HOTEL do Iron Maiden e nos brindou com relatos e fotos daqueles que qualquer fã sonharia ter, tirando um pouco o foco deste que vos escreve da expectativa de confirmação ou não do show do Sonata em São Paulo.
No sábado, 3 de Outubro, chegando por volta das 20:00 para ver a Noturnall, já tínhamos uma Audio Club muito cheia. A banda brasileira capitaneada pelo vocalista Thiago Bianchi já estava no palco executando sua primeira faixa. Deram um show de técnica e velocidade, dois alicerces da banda. Não tem como não deixar ao menos uma frase dedicada ao guitarrista Guilherme Torres: técnica, precisão e limpeza ímpares. Esse cara sozinho tocou, em cerca de 50 minutos de apresentação, mais notas que em todo o show do Sonata.
Às 21:15, exatamente como no comunicado, os finlandeses subiram ao palco para comemorar 30 anos de existência abrindo com … I Have a Right?! Sério mesmo?! Bem, para todos os que estavam lá presentes MENOS para mim, foi uma animação total. Já escrevi isso em outras resenhas da banda aqui no blog e repito: I Have a Right é uma das piores coisas que o Sonata Arctica já criou em toda a sua carreira e eu não entendo como eles mantém essa música no repertório. E dessa vez, foram longe demais: abriram o show com ela.
Black Sheep redimiu a abertura. Tony estava cansado (aparentava mais cansaço da turnê em si do que o fato de problemas de saúde alguns dias antes, mas com certeza isso contribuiu), mas segurou os vocais de maneira inteligente. Fez simples e funcionou, evitou aqueles berros agudos dos anos em que os cabelos ainda eram pretos. Também não cantou na tonalidade original – bem, pelo menos para mim, com esse ouvido musical pífio que tenho, deu para notar que ele estava cantando mais baixo. Paid in Full fechou a trinca inicial e, assim, tivemos três músicas das três diferentes fases da banda (o chororô melancólico da primeira, o speed metal ultrassônico da segunda e uma das músicas de “transição” do que um dia soara melódico – Paid in Full é do Unia, o álbum que marcou a transição da banda para um diferente tipo de som sem os elementos arroz com feijão do Power Metal Europeu).
Antes de continuar, queria colocar um detalhe que, para que vocês o entendam, devemos vamos voltar no tempo, quando a banda fazia sua turnê de 15 anos de existência. Lembro-me que estava começando a namorar a mulher que hoje é minha esposa e eu comentei com ela, assim como comentei com todo mundo que conhecia, que no set de quinze anos eles iriam tocar uma tal de White Pearls, Black Oceans… eu me lembro de estar em estado de catarse por semanas antes daquele show. Eu não costumo ver setlists dos shows que vou, mas não sei dizer o que aconteceu que acabei vendo o set daquela turnê…Naquele ano, o show foi no Carioca Club e eu tenho essa música filmada em algum local obscuro aqui em casa.
Agora, voltando para 2026, eu até tinha pensando no dia, antes do show, algo do tipo, “caramba, se eles tocassem White Pearls, Black Oceans… de novo, por mim eles poderiam tocar todo o Stones Grow Her Name que eu aceitava” (para quem não conhece, esse aí é nome do pior álbum do Sonata, que tem a tal da I Have a Right).
E não é que tocaram White Pearls, Black Oceans…?!?!?!?!!!!
Então meus amigos, estou nem aí que abriram com I Have a Right. Não estou nem ai que achei o setlist curto. Não estou nem ai se faltaram músicas rápidas, já que tivemos quatro baladas no set. Realmente, não estou nem aí! Porque simplesmente colocaram o ápice do que eles já criaram de épico, uma obra-prima melódica do Reckoning Night, que para mim foi o alge da banda, antes de lançarem o Unia e começarem uma descida brutal no estilo de som que faziam.
Olhando o repertório como um todo, a apresentação em si foi bem equilibrada, com mais músicas antigas do que novas. Mas, sim, eu achei um set muito curto. Foram só 13 músicas, sendo que tivemos I Have a Right (argh!!) e QUATRO baladas! Sério, uma banda de Power Metal, fazendo aniversário de 30 anos, colocar Last Drop Falls, Tallulah, Letter to Dana e Shy no mesmo set precisaria colocar alguns adicionais ultrassônicos para dar uma compensada. Tudo bem que dessas quatro ai que eu mencionei, três são “velharias”, sendo que Letter to Dana, por exemplo, foi a primeira composição da banda antes deles terem o nome que tem, então tinha que tocar mesmo. Mas, se não desse para colocar mais canções, ao menos Shy poderia ter sido substituída (na argentina tocaram Victoria’s Secret – poxa vida, essa aí no lugar de Shy teria dado uma boa chacoalhada no set).
Vale também comentar que Tony Kakko fez muitas músicas sentado (ou parcialmente sentado), sinal claro de recuperação dos problemas recentes de saúde. Mas todos, mesmo cansados, estavam sorrindo e fazendo o seu melhor. Bem, menos o guitarrista, o Elias (lá vai o chatão do fã aqui de novo), mas eu devo deixar registrado aqui que em todos (sim, todos!) os shows que eu vi da banda desde que ele entrou, sempre que tocaram 8th Commandment (baita som, diga-se de passagem!), o cara nunca acerta a limpeza do riff. É uma frase em 175 bpm que exige muita limpeza para dar o efeito necessário e esse cara simplesmente não acerta! Mas quer saber também?! Não estou nem ai, porque tocaram White Pearls, Black Oceans…
Outro ponto alto do show foi com FullMoon, clássico absoluto que funciona muito bem ao vivo. Essa eu filmei tentando filmar meu rosto cantando, que nem o Rolim faz, mas eu sou muito sem noção para acertar a mira da câmera! Para mim, o show começou quando tocaram essa ai, quase no final! Foi quando eu aqueci de verdade…
Mas enfim, estou feliz que a banda tenha chegado aos trinta anos de existência. Acho que isso é o mais importante de tudo. No final, tivemos a brincadeira com a musiquinha da Vodka, sempre muito divertida e também tivemos anúncia de mais um álbum de estúdio que sairá do forno. Confesso que fiquei mais animado na brincadeira da Vodka do que de um novo álbum.
Mas, daqui dez anos, se na turnê de quarenta anos da banda eles encherem o set de melancolia e power chord choroso sem bumbo duplo, mas tocarem White Pearls, Black Oceans… de novo, eu não estarei nem aí! rs
Noturnall é:
Thiago Bianchi (vocal), Henrique Pucci (bateria), Saulo Xakol (baixo) e Guilherme Torres (guitarra)
Sonata Arctica é:
Tony Kakko (vocal), Elias Vijanen (guitarra), Henrik Klingerberg (teclados), Tommy Portino (bateria) e Pasi Kauppinen (baixo)
Beijo nas crianças,
IA, aqui, é só o verbo “ir” no passado.
Kelsei Biral
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Kelsei, de Sonata Arctica sabia tanto quanto de como lançar um foguete em direção à Marte. Nadica de nada, traduzindo.
E pelos vídeos, desculpe a franqueza, vou continuar na obscuridade quase total.
Os vídeos acima são o que fizeram eu agora saber um pouco mais de Sonata Arctica do que de como lançar o foguete para Marte.
Pelo jeito, vai ser o único diferencial. Estamos tratando, pelo jeito, do supra sumo do metal espadinha, versão mais radical, impossível. Me corrija, e me perdoe pela ignorância, caso seja a questão.
O texto, no entanto, é excelente. As tiradas de humor, as referências, a provocação ao IA.
Vale cada segundo e minuto(hm) passados aqui.
hahahahahaha … eu te garanto que consigo “espadinha” para mais de metro com muita banda por aí … mas sim, o Sonata bebe muito da fonte.