Kiss discografia 15a parte – Álbum: Unmasked

Galera,

Neste capítulo, mostraremos a banda entrando nos anos 80 com a primeira mudança na formação original, a saída de Peter Criss e a entrada de um novo membro.

ÁLBUM: UNMASKED

A capa do vinil brasileiro - uma edição simples - sem encartes ou posters

A capa do vinil brasileiro - uma edição simples - sem encartes ou posters

Lançamento: 20/05/80

Produtores: Vini Poncia

Primeiro Single: “Shandi” – em 07/80

Segundo Single: “Tomorrow” – em 11/80

RIAA Gold Certification em 30/07/80

Atingiu #35 nas paradas

Faixas:

1- Is That You? – 3:58 6- Tomorrow – 3:17
2- Shandi – 3:36 7- Two Sides Of The Coin  – 3:16
3- Talk To Me– 4:02 8- She’s So European – 3:32
4- Naked City – 3:52 9- Easy As It Seems – 3:25
5- What Makes The World Go ´Round – 4:15 10- Torpedo Girl – 3:45
11- You´re All That I Want – 3:05
A capa do cd remaster que contém uma resenha em inglês;

A capa do cd remaster que contém uma resenha em inglês.

Depois do fim da turnê de DYNASTY em Dezembro de 1979, a banda entraria no Estúdio Record Plant em Nova Iorque para gravar o próximo álbum que seria lançado no início de 1980. Peter, que já havia anunciado que sairia da banda, não participa deste processo, se concentrando em fazer seu primeiro álbum solo, fora da banda. Neste momento, a informação da saída de Peter não é divulgada, e a banda (talvez ainda na esperança de manutenção do seu baterista original) resolve seguir adiante nas gravações de UNMASKED com o mesmo baterista convidado que havia gravado 8 das 9 músicas do álbum anterior:  Anton Fig, que mantém o trabalho de qualidade das gravações de DYNASTY, inclusive utilizando até de dois bumbos na gravação de Torpedo Girl, algo completamente diferente do estilo de Criss. O resultado é que desta vez Peter não gravaria nenhuma nota do álbum e apenas participaria do clip de Shandi, devido a obrigações contratuais. Além deste fato, novamente a banda utilizaria os membros em separado nas gravações das suas músicas, tocando os instrumentos que os conviessem.  Desta forma, Paul Stanley toca baixo em Tomorrow e Easy As It Seems e faz os solos de guitarra em Is That You?, Shandi, What Makes the World Go ‘Round e Easy As It Seems; Ace Frehley assumiu o baixo em Talk To Me, Two Sides Of The Coin e Torpedo Girl;

Gene Simmons toca guitarra em You’re All That I Want; o convidado Bob Kulick (novamente) gravou todas as guitarras de Naked City e, para fechar, Shandi, onde o Roadie de Gene Simmons, Tom Harper, seria responsável pelo baixo, devido a ausência de Gene Simmons neste momento da gravação. Outros músicos participantes de UNMASKED seriam o próprio produtor Vini Poncia, que tocaria teclados, percussão e backing vocals e Holy Knight também contribuiria nos teclados do álbum. O resultado não agrada nem ao membros da banda, Gene e Paul dão apenas uma estrela pro trabalho  (numa escala de até 5) e Ace avalia como 3,5/5.

A contracapa e a bolacha da edição remaster do cd

A contracapa e a bolacha da edição remaster do cd

Em maio de 1980, UNMASKED é lançado, e é recebido de forma morna pelos fãs da banda, ainda que tenha atingido o status de disco de ouro quase instantaneamente.  Este fato é  provavelmente devido ao desvio original do som do KISS, que a produção limpa e pasteurizada impõe no álbum todo. No mês seguinte, o single Shandi  é lançado e atinge o pífio 47º lugar nas paradas americanas. Ainda sustentando o fato de que Peter Criss era membro da banda, embora já não mais fosse, o single Shandi é acompanhado de seu vídeo clip (disponível no Kissology Vol 2) onde Peter participa.

Como a situação de Peter se mantém definitiva em sair da banda, não há como lançar materiais promocionais da banda (com Peter) ou agendar shows enquanto não houvesse um novo membro que substituísse o baterista original.

A banda, enfim, resolve promover audições para a entrada de um novo baterista. Os outros membros da banda sustentam a versão de que Criss foi demitido, algo que até hoje se mantém incerto.  Há uma entrevista de Peter desta época onde ele reafirma sua decisão de ter saído da banda (disponível também no Kissology Vol 2). Uma grande quantidade de bateristas (conhecidos e desconhecidos) se candidata a vaga existente. Paul Caravello é o último a se inscrever – um dia após o final das inscrições. Em junho de 1980, ele realiza entrevistas com Bill Aucoin e faz um teste tocando 5 músicas com Gene, Paul e Ace – Black Diamond (que iria cantar, se aprovado), Firehouse, Strutter, Is That You? e Detroit Rock City (músicas que seriam incluídas na turnê de UNMASKED). Finalmente, em 1º de julho de 1980, o então desconhecido Caravello é aceito como novo baterista do Kiss, trocando seu nome por Eric Carr. Perto do fim do mês, o grupo anuncia Carr como novo baterista do Kiss e em 25/07/1980 faz sua estréia no New York´s Palladium (antigo Academy Of Music, onde o Kiss fez sua estréia em 1973), com a primeira maquiagem (O Falcão), que foi a seguir substituída pela Raposa (Fox). Alguns anos antes, o Palladium seria pequeno para acolher o KISS, o que comprova a falta de prestígio do conjunto nos Estados Unidos. A estreia de Eric traz algumas curiosidades: não houve rejeição alguma da platéia, que o acolheu entusiasticamente e seria o único show de Eric Carr com Ace Frehley nos Estados Unidos, onde a banda somente iria tocar quase 2 anos e meio depois.

A contracapa do vinil mostra o logotipo colorido do Kiss - um visual adequado para o momento pop da banda.

A contracapa do vinil mostra o logotipo colorido do Kiss - um visual adequado para o momento pop da banda.

O resto dos meses de julho e agosto é tomado para os preparativos de uma turnê européia (a primeira, desde 1976). A turnê européia, porém, é reduzida, para diminuir as perdas financeiras. Ainda assim, o Kiss toca 31 vezes entre 25/08 (Portugal) a 13/10 (Oslo), com as bandas da New Wave Of Britsh Heavy Metal fazendo os opening-acts, tais como Girl e Iron Maiden. Há uma aparição em um programa de TV Europeu disponível também no Kissology Vol 2, onde a banda faz playback de duas músicas: Talk To Me e She’s So European.

A seguir, a banda se dirige a Oceania, onde realiza shows em estádios com públicos estimados entre 40 a 70 mil pessoas. São onze shows da Austrália a Nova Zelândia, onde o último show realizado em 03/12/1980 marcava o último show de Ace com a banda, até o seu retorno em 1996.

O repertório traz 4 músicas do novo álbum (Is That You?, Shandi ,Talk To me e  You’re All That I Want) inseridas num repertório que continua dando espaço a Frehley, que também canta New York Groove, 2000 Man e Cold Gin (dividindo os vocais com Simmons e Stanley). Há um documentário e um show praticamente na íntegra desta turnê em Sydney, Austrália, no Kissology Vol 2.

O poster que vem com a edição remaster mostrando a brincadeira em que a banda tira as máscaras (Unmasked = Desmascarados)

O poster que vem com a edição remaster mostrando a brincadeira em que a banda tira as máscaras (Unmasked = Desmascarados)

Mesmo com o grande sucesso da turnê da Austrália, onde o single Shandi atingiu o 5º lugar nas paradas durante 23 semanas seguidas, e o razoável para bom desempenho na turnê européia, era claro que a banda havia se perdido no apelo pop de UNMASKED. Paul Stanley, em setembro de 1980, chega a afirmar que o próximo álbum seria o retorno ao rock pesado, um puro álbum de Heavy Metal, estilo revitalizado pelo nascimento do estilo na famosa New Wave Of Britsh Heavy Metal, que trouxe Iron Maiden, Saxon e fez renascer as bandas tradicionais de Heavy Metal, tais como Judas Priest.

O vinil da edição brasileira.

O vinil da edição brasileira.

N.R: UNMASKED é um álbum onde a banda, forçada por contrato a se manter com a produção de Vini Poncia, se descaracteriza totalmente e se afasta definitivamente de suas raízes do Rock ´n´ Roll.  A produção pop exagera no uso de sintetizadores (em especial nas músicas What Makes The World Go Round,  She’s So European e Easy As It Seems), o que afugenta os fãs tradicionais, trazendo uma platéia mais jovem (crianças) e menos roqueira para os shows. Há pouco a se destacar no álbum, um lampejo de qualidade pode ser verificado na música Naked City, onde Gene Simmons mostra um pouco de sua influência dos Beatles, em especial na parte após o solo. Nenhuma das músicas do álbum seria tocada posteriormente à turnê de 1980 – apenas Shandi anos mais tarde nos shows acústicos e também na turnê sinfônica, ambas na Austrália. O álbum chama mais atenção pelo nome e pela brincadeira feita nos quadrinhos da capa, onde os membros tiram as máscaras que já estavam sobrepostas às mascaras pintadas originais, do que propriamente pelo conteúdo musical. Eric Carr entraria na banda num momento crítico: a perda de um membro original, o distanciamento entre os membros da banda, o apelo pop dos últimos dois álbuns (estimulados pelo sucesso “disco” da época) afastou grande parte dos fãs da banda, principalmente nos Estados Unidos, onde não houve turnê, devido ao fracasso do álbum nas paradas. A banda parece em melhor forma na turnê que abrangeu a Europa e a Oceania do que na do álbum anterior, muito pela presença de Carr, ainda que o novo repertório não ajudasse muito. Eric traz em seu background uma influência muito mais de rock pesado – uma referência clássica a John Bonhan – Led Zeppelin – que se mostrava adequada ao resgate da banda às suas origens. O caminho parecia traçado: o retorno ao bom e velho Rock and Roll, com um estilo mais pesado e moderno da levada de Eric Carr. Porém algo iria desviar este caminho, sendo este assunto tratado a seguir no nosso próximo capítulo com THE ELDER, mas isso fica para a próxima semana, até!

Flávio Remote e Alexandre Bside.



Categories: Curiosidades, Discografias, Iron Maiden, Kiss, Resenhas, Saxon, The Beatles

29 replies

  1. foi meu segundo disco de rock (o primeiro foi o ‘Creatures’) , e mesmo sendo muito criticado eu gosto muito dele, e shandi sempre foi uma das minhas favoritas . . .

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  2. Bill, obrigado pelo comentário. Meu primeiro foi o Creatures também. O Unmasked veio bem depois. O álbum não é tão ruim, é talvez muito descaracterizado do som original da banda e para uma banda como o Kiss sempre se espera um grande álbum. Naked city é uma música que gosto muito. Lembremos que nesta época o HM estava retornando… A vinda do Creatures resolveu o problema da falta de peso….
    Abraços
    Flavio

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  3. Primeiramente, minhas sinceras desculpas, ainda estou pondo a leitura / revisão final da discografia do Kiss …

    Conheço pouco do disco, apenas Shandi que posso dizer que curto mesmo, e mesmo assim aprendi a gostar depois do show mais recente orquestrado com a sinfônica de Melbourne…

    Uma curiosidade adicional que pesquisei sobre nosso Paul Charles Caravello: antes do auditition com a banda, ele estava trabalhando com consertos de fornos (fogão) para o pai dele (além de tocar bateria, claro, em várias bandas)…

    E justo hoje saiu o post do Revenge (mas não li profundamente, vou ver na ordem) que traz, infelizmente, a derrota desse excelente músico para o maldito cancer… aliás, vocês notaram que a data do falecimento dele é a mesma que a de outro gênio – Freddie Mercury? Pois é… no dia 24 de novembro, ambas mortes completarão 18 anos!

    Vou me segurar e ir na ordem – devagar, eu vou chegando. Nem preciso dizer “excelente post”, né? As usual…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Eduardo,

    Seus comentarios são sempre bem vindos – mas você ta longe, hein? Da uma acelerada, para quando terminarmos com o sonic boom, lancamos o desafio nos Top 5 da banda…
    Ah, aproveita e baixa Naked City do Unmasked – é uma das que vale…
    Abraços
    Flavio

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  5. Naked city é legal sim, mas acho Talk to me e 2 sides of the coin do Ace legais, essas 3 mais Shandi são as que gosto.

    Alvaro

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  6. ‘Ad’ clássico do Unmasked:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. Raro vídeo de show do Kiss em Melbourne, Austrália, em 1980:

    Fonte:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. Curiosidade…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  9. Vejam reportagem de 1981 e como o Kiss conseguiu mesmo preservar sua identidade ao longo dos anos… quando finalmente “mostrou as caras”, nem a famosa “mídia especializada” conseguia identificar quem era quem ainda… pena que falta a origem (fonte) desta reportagem (qual publicação):

    Fonte: http://whiplash.net/materias/curiosidades/121352-kiss.html

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Olha Eduardo,
      A coisa é um pouco pior, pelo que percebo na reportagem. As fotos sem máscara estão alinhadas com as fotos com máscara (uma acima da outra). Então, por exemplo o Paul Stanley mascarado – o Star Man, está acima do Paul Stanley sem máscara e assim por diante. Parece então que novamente a reportagem foi feita por uma “crítica especializada” que não sabia quem era quem nem com máscara, nem sem. O mesmo “tipo” de “crítica especializada” no Brasil, por exemplo afirmou que Paul Stanley era canhoto – no review do show.

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  10. Isso, exato.. me lembro a Ana Maria Bahiana, uma suposta crítica especializada da pré-história do Heavy Metal em nosso país…Lamentável…

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  11. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  12. agora q eu vou ouvir este disco eu preciso ler esta resenha ..

    muito obrigado pelo otimo trabalhao já feito e pelo que continuam a fazer com o Dio…

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    • Fernando,
      Muito legal o interesse duplo: Ler resenha – obrigado pelos elogios – e vasculhar o álbum de 80. Se prepare para se deparar com um lado Pop, com os sintetizadores saltando da bolacha….
      FR

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  13. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  14. Me parece, re-ouvindo o disco enquanto leio a resenha e vos escrevo, que o clímax do disco é mesmo o ‘space moment’ “Two Sides of the Coin”.
    Mas a banda já havia engatilhado o quesito creatividade-composição.
    No saldo final, mais um disco bem-vindo

    Um abraço e

    I believe in Rock n’ Roll!

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  15. Caros… esse foi um dos últimos álbuns que eu conheci quando estava compondo a coleção. Realmente deixa muito a desejar considerando ser um trabalho do Kiss.
    Mais uma vez o troca troca de instrumentos é impressionante! Que zona! Existe uma explicação para isso? Outras bandas fazem dessas?
    Considero um álbum que pouco ou nada soma na carreira da banda, parecendo mais um trabalho feito para cumprir contrato.

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    • Claudio, realmente poucos destaques num disco muito cheio de sintetizadores, fugindo da linha que consagrou a banda. Sobre o troca troca, é uma boa pergunta. Sei que nos Beatles havia um revezamento entre os músicos nas gravações, nada muito anormal, mas desse jeito, com um monte de extras-banda, realmente não sei dizer.
      Um disco para se ouvir num dia de ótimo humor apenas.
      Abraços
      Flavio

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  16. Dá para encaixar nas festas de família

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