
Estar com os gêmeos, seja por 1 minuto (hm) ou mais tempo, é sempre uma oportunidade de aprendizado da fonte infinita deles de conhecimento do mundo do metal. Como disse o Rolf recentemente, são inalcançáveis!
Tendo o privilégio da companhia do Remote neste último feriado com Rock in Rio, uma hora estava ali “surrupiando” os canais de YouTube que ele assina. Entre muita coisa legal, saiu o AudioMover, que de cara já tinha gostado bastante e lembrava de ter visto uma coisa aqui e ali, mas sem fazer o subscription. Dessa vez, o fiz e aí ontem me deparei com este recente vídeo publicado ali, que traz um ótimo ponto de vista do que seria a mensagem do Judas no talvez ano mais prolífero, fecundo, fértil, produtivo, fod* do heavy metal: 1984.
Sem entrar no detalhe do que é praticamente desnecessário dizer, o Judas vinha ali com uma mensagem de defender o movimento. Rob Halford, o Metal God, sempre teve esse cuidado em tratar o heavy metal como um filho único, e isso permanece até hoje. O vídeo, que vale muito a pena ser conferido, traz então uma boa análise do período do Judas, focando no que o Judas entregou em 4 anos com British Steel, a tal “bola fora” com o Point of Entry, o “intocável” Screaming For Vengeance e finalmente o Defenders Of The Faith.
E é ali neste vídeo que Robert John Hadfield traz uma das duas coisas que me motivou a escrever aqui: o raríssimo (talvez único) fato da banda atingir (para muitos) o possível auge após NOVE álbuns de estúdio. Auge ali ou não, temos inegavelmente a banda entregando a partir do seu sexto álbum até este nono o “néctar” dela do heavy metal oitentista, com a tríade Britista-Screaming-Defenders.
Então fica a dúvida: qual outra banda atinge seu auge somente depois do sexto, oitavo, ou nono álbum, ou apenas 10 anos depois de ter começado, do que o Judas? Talvez aqui o Remote não concorde – será que foi antes mesmo, nos anos 1970 que temos o melhor? Eu acho que não, fico com este tríade, mas fica o questionamento mais amplo…
E após o término do vídeo, fiz uma segunda reflexão que trago por aqui e que não foi abordado no vídeo: qual outra banda que verdadeiramente entregou consistentemente álbuns de qualidade altíssima ao longo das 5 décadas de existência? Bom, já é difícil termos uma banda que dure isso, mas trarei então meu ponto de vista dos álbuns que entendo serem de qualidade inquestionável ao longo das décadas:
- 1970: Sad Wings Of Destiny / Sin After Sin.
- 1980: (nem precisava falar nada, mas vamos lá): British Steel, Screaming For Vengeance, Defenders Of The Faith.
- 1990: Painkiller, obviamente e de maneira suficiente a representar a década deles, e aqui o choque da saída do Halford e a banda entregando o Jugulator – aqui não é unanimidade, ainda que eu ache a agressividade ali intocável para o heavy metal.
- 2000: Demolition (na linha acima do Jugulator), Angel Of Retribution (pronto, já “resolveu” a década aos que não quiserem considerar a fase Ripper – a qual eu lamento se você estiver neste grupo).
- 2010: Firepower.
- 2020: Invincible Shield. E estamos aqui esperando por mais!
Eu realmente não consigo pensar em outra banda que entregou tanta qualidade nas décadas. Veja, aqui estou tentando considerar qualidade absoluta, e não sucesso comercial (década de 1990 com o Fear of the Dark, por exemplo).
Seria então o Judas o único a ter essas duas façanhas na história, desse jeito?
[ ] ‘ s,
Eduardo.
Categorias:Curiosidades, Discografias, Judas Priest
Bom, acabei de pensar no meu favorito do Kiss, o Creatures, que é o 10° de estúdio da banda (não contando os solos) – mas o Kiss tem tantos “motivos” para ter feito isso… o Judas avançava mais “naturalmente”; o Kiss, bem, apontava mais para a “moda” do momento…
Mas, independentemente, o Kiss é uma que cairia no primeiro critério, para mim. No segundo, acho que não…
Cartas / pedras para a redação…
[ ] ‘ s,
Eduardo.
Bem, Eduardo, esses dois diferenciais podem serem considerados como quase únicos quando estamos falando de Judas, mas me permita colocar uma azeitona de qualidade discutível em cima desta empada….
Se considerarmos o critério banda que esteve no auge somente depois do sexto, oitavo, ou nono álbum, ou apenas 10 anos depois de ter começado, eu também incluiria os Scorpions, pois eles só chegaram ao auge ( auge é o álbum mais vendido e reconhecido, pra mim) em 1984 ( olha aí o ano de novo….) com o Love At First Sting, nono álbum da banda, e certamente lançado mais de dez anos após a formação do grupo. No sétimo álbum eles conseguiram um belo reconhecimento (Animal Magnetism) , a banda já vinha crescendo desde o sexto (Lovedrive) e chegou muito perto do auge no Blackout (o oitavo). E tudo ali, entre 1979 e 1984 , mais ou menos no mesmo período que o Judas. A banda lançou o seu primeiro álbum em 1972, portanto o critério de 10 anos para chegar no auge também foi contemplado.
Já em relação ao fato de ter álbuns relevantes décadas após décadas, eu acho o critério um tanto subjetivo, pois não entendo como relevantes os álbuns do Judas após o Painkiller ( que aliás saiu no mesmo ano que o Crazy World , dos Scorpions , talvez o último álbum de relevância indiscutível dos alemães) embora eu reconheça que eles fazem bons trabalhos, assim como os alemães. Seguindo esse critério que eu julgo meio questionável do ponto de vista de relevância, portanto, eu acho que posso incluir o Scorpions também, senão vejamos:
70 – aqui não há discussão, até por que artisticamente é o período que eu considero mais fantástico – In Trance (75), Virgin Killer (76) , Taken By Force ( 77) sem falar no espetacular álbum duplo ao vivo Tokyo Tapes (e ainda leva de lambuja o primeiro com a mudança de guitarristas ,que aliás tem o Michael Schenker de brinde na formação de sexteto) -o Lovedrive de 1979
-80 – é o auge , pelo menos pelos outros três discos acima citados – Animal Magnetism, Blackout e Love At First Sting.
-90 – Crazy World é um baita álbum e tem a balada que rivaliza com Still Lovin You – Wind of Change – o álbum é dupla platina nos EUA
-2000 – daqui pra frente eu entro na subjetividade que apontei para o Judas , mas acho o álbum de 2007 – (Humanity Hour 1) excelente – quem quiser citar o Unbreakable de 2004 não estará de todo errado também.
-2010 – Sting of the Tail e Return to Forever pra mim estão no mesmo patamar do Firepower do Judas – que pra mim é uma banda jogando seguro entregando um álbum ou dois competentes
-2020 – Rock Believer de 2022 é um ótimo álbum, ainda melhor que os álbuns de 2010 e pra mim vários pontos à frente do Invincible Shield.
Vamos trazer mais um ponto que coloca as duas bandas no mesmo patamar:
Invincible Shield é o décimo nono álbum de estúdio do Judas Priest…
Qual é o décimo nono álbum dos Scorpions ?
Rock Believer, o último até agora….assim como o Invincible Shield…
Acho que encontrei um rival para o Judas Priest nestes critérios, hein???
Mestre – nada como mais uma aula aqui. Bem lembrado e indiscutível argumentação!
[ ] ‘ s,
Eduardo.