Discografia Scorpions – [CAPÍTULO 12]

{ Savage Amusement – álbum e tour: 1988 }

Após fechar o ano de 1985 com estrondoso sucesso, os SCORPIONS se planejam para um extensivo período de apresentações ao vivo, buscando todos os cantos do planeta.

Dieter Dierks trabalha arduamente para prover aos alemães uma variada lista de localidades a serem visitadas, difundindo as apresentações da banda.

Uma delas merece especial atenção, quando em 1986 os alemães de Hanover participam de uma edição do lendário Monsters of Rock, realizada em Budapeste, capital da Hungria. Esta seria a primeira aparição dos SCORPIONS em um país do bloco leste europeu.

Pouco comentada pela imprensa mundial, esta apresentação deixou os alemães ainda mais distantes de pisarem do outro lado do muro de Berlim, na Alemanha Oriental. Interpretando o show da Hungria como uma forma de desafiá-los, os políticos do regime socialista alemão – representados mais uma vez por Erich Honecker – emitem nota pública repudiando a ação da banda classificada como ‘desafiadora à paz e à ordem do socialismo’. Expedem ordem de prisão, válida em todo território socialista alemão, a todos de alguma forma ligados à banda.

Os integrantes dos SCORPIONS se sentem completamente indignados, injustiçados e malogrados pelo estado socialista. De qualquer forma, o sonho de rever velhos amigos(as) e realizar shows na parte negra (ou melhor, vermelha) de Berlim parecia cada vez mais longe.

Mas eles não se dão por vencidos. Dieter Dierks (também ferido sentimentalmente) começa a negociar com alguns de seus contatos na União Soviética a possibilidade de uma apresentação por estas terras. Rarebell adota então postura muito mais conservadora, discordando das ações ‘desafiadoras’ a qual a banda vinha adotando.

Mas a vida continua e assim sendo os alemães de Hannover continuaram a turnê do disco anterior, World Wide Live por anos a fio, sendo que ao término de 1987 todos vão ao estúdio, afinal já se passaram quatro anos desde a última obra equivalente, para a gravação da nova empreitada, lançada no ano seguinte: Savage Amusement (diversão selvagem).

Lineup:

Klaus Meine: Vocal

Matthias Jabs: Guitarra, backing vocal

Rudolph Schenker: Guitarra-base, backing vocal

Francis Buchholz: Baixo, backing vocal

Herman Rarebell: Bateria, percussão

Tracklist:

Faixa Título Compositor Duração
1 Don’t Stop at the Top Meine, Rarebell, Schenker 4:03
2 Rhythm of Love Meine, Schenker 3:48
3 Passion Rules the Game Meine, Rarebell 3:59
4 Media Overkill Meine, Schenker 3:33
5 Walking on the Edge Meine, Schenker 5:09
6 We Let it Rock…You Let it Roll Meine, Schenker 3:39
7 Every Minute Every Day Meine, Schenker 4:22
8 Love on the Run Meine, Rarebell, Schenker 3:38
9 Believe in Love Meine, Schenker 5:22

Como em alguns outros trabalhos, desta vez a capa do álbum não polemizava por sua figura, trazendo apenas claras referências à banda.

Tour:

Logo após o lançamento do disco, a banda já se preparava para uma turnê mundial quando para surpresa de todos (e desespero de Rarebell) Dieter Dierks anuncia que havia conseguido algo de precedência única…

Como prelúdio da turnê Savage Amusement, em 1988, os SCORPIONS realizam dez (10) shows em Leningrado, extinta União Soviética. O heavy rock alemão penetrava na Cortina de Ferro do socialismo, de forma completamente legal e aprovada pelo regime da União. Estas apresentações também reuníram cerca de 350 mil fãs soviéticos!!

Os SCORPIONS explodiram na mídia internacional como a primeira banda de hard rock a tocar no berço do comunismo! Apesar de ser creditado de forma errônea, pois Uriah Heep, banda inglesa de hard rock, já havia se apresentado em Dezembro de 1987, porém sem expressividade internacional.

A Alemanha Oriental e seus líderes políticos ferveram com este achievement dos co-compatriotas. Os fiéis seguidores da política da União Soviética estavam culturalmente descordando das ações de seu maior comando e inspiração. Foi um tapa de pelica magistral em Erich Honecker e seus discípulos.

Posteriormente, a turnê do Savage Amusement girou por todo o mundo divulgando o mais recente trabalho dos alemães.

Avaliação:

Um pouco decepcionante! Esta é a frase que melhor define o Savage. Não que o disco seja ruim, longe disso, mas para quem vinha emplacando trabalhos como Blackout, Love at First Sting e WWL (World Wide Live), esperava-se mais deste novo capítulo do saga. Seria o suficiente para compensar o tempo de espera de alguns anos.

E o principal motivo: o som estava diferente. As músicas do Savage Amusement são muito mais pop, divergindo da forte tendência Van Halen que vinha se apresentando constantemente nos últimos trabalhos. Apesar de conter algumas músicas boas, definitivamente é uma peça de cor distinta no quebra-cabeça composto pelas obras dos SCORPIONS.

Premiações:

O Savage conquistou a 5a. posição do Billboard 200 da América do Norte, e Rythm of Love e Believe in Love ficam respectivamente com 6a. e 12a. posições no Billboard Hot 100 anual de 1988.

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 3 estrelas ( * * * )

Ouça: Rythm of Love; Passion Rules the Game e Believe in Love.

[ ]’s

Julio



Categories: Curiosidades, Discografias, Resenhas, Scorpions, Uriah Heep, Van Halen

4 replies

  1. Mais um excelente post, talvez um dos melhores da ótima discografia que tenho lido, desta vez de um trabalho que realmente me decepcionou. Não há quase nada que me entusiasme no álbum, as que menos me decepcionam são justamente os singles citados.
    O post é muito melhor que o álbum, achei muito interessante o contexto político da época

    Super parabéns,

    Alexandre Bside

    Like

  2. Um album realmente fraco, quase nada para se destacar. Na verdade a fase áurea realmente havia passado, mas boas composições viriam ainda em sequencia.
    O post é excelente – aliás é ótimo poder acompanhar esta discografia de uma banda consagrada como o Scorpions,
    Parabens Júlio.

    Like

  3. Concordo fortemente com os comentários do B-Side em relação ao post e como você, Julio, consegue contextualizar de maneira brilhante o momento histórico da banda vs o momento histórico com relação aos regimes políticos da época!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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