Dimensões do Heavy Metal: “…a volta” (o milagre do retorno)

Para o incauto leitor que inicia a leitura destas parcas linhas do nosso blog da família da metal, eu gostaria primeiramente de citar um salmo segundo São Roque – santo protetor do hard rock e marca de um vinho homônimo amplamente consumidos por adolescentes delinquentes sem dinheiro – capítulo 25, versículo 5: “she’s my cherry pie, cool drink of water such a sweet surprise, taste so good, make grown man cry, sweet cherry pie”. Amém!

Bom, agora, podemos voltar a liturgia da palavra e antes de tentar alcançar o significado completo do que seria uma “dimensão do heavy metal” é preciso, primeiramente, contextualizar o incauto leitor destas parcas linhas sobre o significado do que seria em uma música com “…a volta”. Bom, isto talvez seja um pouco mais fácil se você já é um amante do heavy metal. Creio que se você já é um experiente ouvinte do gênero não será difícil tentar entender este conceito.

Falando mais objetivamente, “…a volta” trata-se de um determinado momento em uma determinada música qualquer onde existem vários andamentos diferentes sendo executados e a banda executora se preocupa em criar um momento de “voltar” para algum tempo/compasso/sequência/andamento de notas de onde a música estava e que não deveria ter saído de tão maneira que era!!! Mas que graças a genialidade de alguns músicos deste gênero, alguns conseguiram essa proeza de criar e tocar um determinado andamento em algumas música, sair para um outro andamento muito bom e retornar para o andamento já previamente executado.

Este breve e mágico momento ao qual a música retorna é exatamente a dimensão da qual estamos falando. Se o incauto leitor ainda não conseguir alinhar o que nós (…”nós” é brincadeira…) do blog da família queremos dizer, talvez trazendo alguns exemplos mais práticos isso se torne fácil de ilustrar.

Vamos começar usando como exemplo um dos grande clássico das músicas com “a volta”. Trata-se de Powerslave do Iron Maiden. A música – e o disco – são verdadeiras obras-primas do metal e o Iron (…desculpem, mas eu não chamo o Iron Maiden de Maiden. Eu chamo de Iron… e Powerslave é a segunda do lado B que só tem 3 músicas!!!) é uma banda que criou e recriou talvez as melhores “voltas” do metal. Seja pela dedicação da banda nesta dimensão ou pelo ponto de vista técnico – onde a banda realmente dedica uma parte da música para realizar uma “volta”.

Nesta música que vamos usar como exemplo, houve claramente um empenho e uma dedicação especial em fazer com que aquele momento de “volta” fosse muito bem marcado e dedicado a este ponto da execução da música. Aí vai! Sigam-me os bons ao exemplo, e no segundo parágrafo eu falo um pouco mais detalhadamente: Powerslave inicia sua execução com um riff avassalador que depois deságua em uma uma passagem mais acelerada. Após 2 compassos, aos 2:37, a música enfim pára com esta sequência pra entrar então em um momento instrumental dos mais bonitos do metal. Daí seguem-se com monumentais passagens de solos alternados de guitarra (para o incauto leitor, é preciso prestar um serviço de informação aos mais novos que o Iron na década de 80 possuía “apenas” dois guitarristas: Murray e Smith) e as linhas duplas de guitarra bem característica da banda – com aquela tradicional brecha para que Steve Harris mostre um pouco mais de acentuação ao seu virtuosismo – bom, aí, aos 4:40 a banda se debruça literalmente em criar uma rápida passagem em que os tempos são marcados e Nicko a faz marcando e usando todo o seu kit.

Ao chegar nesta etapa da música pela primeira vez você presta atenção nos detalhes e dá para imaginar a quantidade de pratos que existem a disposição de Nicko McBrain, e, aí, se vão 10 segundos. A passagem vai até os 4:51 – literalmente 10 segundos – para então ter primorosamente executada, aos 4:52, uma das melhores dimensões do heavy metal “…volta”… a música “volta” – é o milagre do retorno. Ela “volta” inesperadamente e realmente é um momento mágico pois nos milésimos de segundos que se transcorrem, você, incauto leitor, se depara com a convenção do início da música, com a volta do primoroso riff perfeitamente conectado e que a música nunca deveria ter saído…mas saiu e… ”voltou” de forma espetacular e perfeita!

Neste momento, incauto leitor, ao ouvir isso da primeira vez aos 12 anos de idade, todos os pêlos do seu corpo já estão arrepiados – os do saco foram os primeiros, com certeza – e você se depara com uma obra prima das voltas do metal. Você percebe que a banda preparou aquele momento com maestria. Percebe que a banda vislumbrou ali algo que deveria ser trabalhado claramente em forma de “volta”… o riff inicial era perfeito demais para ser executado de forma única então me arrisco a dizer que o restante da música possui andamento diferenciado do início justamente para que no momento da “volta” a percepção de retorno ficasse ainda mais aparente e impactante para nós, privilegiados por existirmos na mesma época da fase áurea da banda. Só os deuses do metal sabem fazer. Só quem possui compromisso com o heavy metal é capaz de fazer “a volta”.

Agora que o incauto leitor já se situou – caso não, por favor, desista de ler o resto do post – ainda dentro desta dimensão, não posso deixar de citar aquela que considero a obra-prima das “voltas”. Trata-se 2 Minutes to Midnight – também do disco Powerslave – segunda do lado A, para ser mais exato. Esta música eu considero como a melhor volta de todas já realizadas no gênero. A melhor nos detalhes que antecedem a chegada da “volta”, no caso.

Repare como a banda se prepara para este momento. Se prepara para que uma “volta” de peso seja feita. Aos 3:04 ,o solo já é realizado em uma base diferenciada e mais lenta. O que vem a seguir é uma sequência de mudança de andamento para justamente preparar o momento. Repare que a música em alguns pontos torna-se menos agressiva e sem convenções muito desafiadoras – em se tratando de Iron.

Veja que aos 3:29, o solo acaba e essa convenção nada desafiadora é iniciada. Repare na tentativa de torná-la diferenciada nesta etapa para que o impacto de “volta” fique ainda mais aparente… agora, vá até os 3:55 da música onde  a banda começa a se entregar totalmente, praticamente parando a música, trazendo todos os músicos para uma convenção juntos – coisa rara no Iron – e a partir daí, todos estão comprometidos com as próximas sequências de notas para que a “volta” seja executada com primor… todos abrem mão dos seus virtuosismos para fazer a preparação perfeita… a cama perfeita para a “volta’ se deitar… aos 04:05 o primeiro acorde é desferido para preparar a passagem próxima e, aos 04:07, o segundo acorde da passagem é realizado para que então , aos 04:10, a música “volta”………ela…. ela “volta” ………… plena, pesada, direta e perfeita… perfeita… incrivelmente perfeita…é, incauto leitor, neste momento, os pelos do seu  saco, aos 12 anos de idade, já até caíram… neste momento, você seguramente se emociona e a vida fica repleta de sentido. Até a convocação do Zé do Carmo pra Seleção Brasileira e o imposto predial neste momento fazem todo sentido… tudo se faz, mister… a sua vida faz sentido na terra…

Bom, esta aí… esta é uma das Dimensões do Heavy Metal. Se você chegou até aqui, faça um favor a todos nós da  família do heavy metal e nos conte com  a riqueza – ou não – de detalhes qual a sua música preferida que contenha uma “volta”. Não esqueça de dizer o por que da escolha dessa música. Existem dezenas de sons que poderíamos elencar aqui, mas deixo agora com vocês para citarem quais as “voltas” que vocês acham que são as melhores.

Sigam em frente e comentem aí, por favor… eu tenho certeza que muitos entenderam o conceito e podem colaborar! Sabbath, Rush e Dream Theater estão aí, com certeza…

É isso, amigos… For those about to rock… I salute you…

Rolf.

Colaborou: Eduardo.



Categories: Anthrax, Artistas, Black Sabbath, Curiosidades, Deep Purple, DIO, Dream Theater, Entrevistas, Iron Maiden, Músicas, MetallicA, Pantera, Rainbow, Rush

48 replies

  1. Rolf, fico muito feliz de finalmente conseguirmos botar por aqui este seu artigo, que tanto conversamos, que tanto brincamos por aí ao longo destes (anos?).

    O texto está em nível superior ao que eu esperava, e olha que já era “Aces High”, só para ficar no mesmo disco das músicas que você brilhantemente trouxe. Me lembro da gente ouvindo Powerslave, estávamos no carro indo para algum show no Credicard Hall, quando você me disse: “olha aí, o milagre do retorno, a volta”. Powerslave nunca mais foi a mesma para mim…

    Realmente há vários exemplos e quero deixar a galera tentar contribuir por aqui, e eu vou trazendo com o tempo… mas como sou meio afobadão, segue mais um caso clássico abaixo, desta vez, do Rush:

    Ah… quando ela volta aos 3:33 para aquele início tão matador… ahhh… realmente aquilo não deveria ficar apenas no começo da música…

    A partir daí, é um tal de vai e volta lascado… alternando com reggae… e aquele último suspiro aos 4:49 … hahahaha.

    Vamos que vamos… este post será muito “alimentado”, tenho certeza.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Eu certamente vou voltar (!!!!!) por aqui para trazer, quem sabe, algum exemplo que se encaixe nesta categoria “… a volta “, mas ainda não vai ser neste momento.
    Por que neste momento eu preciso de forma muito enfática escrever por aqui que este talvez tenha sido o melhor post que eu li no Minuto HM. O motivo principal, é claro, é o fato da maestria das linhas que acabei de ler, escritas por aquele que justamente não acredita nos maestros, e cuja a honra de conhecê-lo há quase três decadas precisa ser trazida agora neste comentário.
    As descrições das (maravilhosas) obras-primas Powerslave e Two Minutes to Midnight do (pra mim) insuperável álbum Powerslave chegaram aqui à perfeição
    e eu nem precisei ouvi-las para atestar isso. Powerslave ( aliás, Rolf, como você mesmo escreveu acima, a segunda música do Lado B – isso fica para um entendimento nosso) é pra mim também a melhor música do Iron Maiden, mas sem dúvida preciso concordar que “…a volta” da Two Minutes to Midnight é ainda melhor. Não considero melhor canção, mas sua “…a volta” superou a da obra-prima que dá nome a este disco.
    E como se isso já não fosse o bastante, no texto há diversas pérolas que eu preciso trazer de volta daqui:
    “…eu gostaria primeiramente de citar um salmo segundo São Roque – santo protetor do hard rock e marca de um vinho homônimo amplamente consumidos por adolescentes delinquentes sem dinheiro – capítulo 25, versículo 5: “she’s my cherry pie, cool drink of water such a sweet surprise, taste so good, make grown man cry, sweet cherry pie”. Amém!”
    “… ao ouvir isso da primeira vez aos 12 anos de idade, todos os pêlos do seu corpo já estão arrepiados – os do saco foram os primeiros, com certeza..”
    “…… o riff inicial era perfeito demais para ser executado de forma única então me arrisco a dizer que o restante da música possui andamento diferenciado do início justamente para que no momento da “volta” a percepção de retorno ficasse ainda mais aparente e impactante para nós, privilegiados por existirmos na mesma época da fase áurea da banda. Só os deuses do metal sabem fazer. Só quem possui compromisso com o heavy metal é capaz de fazer “a volta”….”
    “…trazendo todos os músicos para uma convenção juntos – coisa rara no Iron – e a partir daí, todos estão comprometidos com as próximas sequências de notas para que a “volta” seja executada com primor… todos abrem mão dos seus virtuosismos para fazer a preparação perfeita… a cama perfeita para a “volta’ se deitar… aos 04:05 o primeiro acorde é desferido para preparar a passagem próxima e, aos 04:07, o segundo acorde da passagem é realizado para que então , aos 04:10, a música “volta”………ela…. ela “volta” ………… plena, pesada, direta e perfeita… perfeita… incrivelmente perfeita…é, incauto leitor, neste momento, os pelos do seu saco, aos 12 anos de idade, já até caíram… neste momento, você seguramente se emociona e a vida fica repleta de sentido. Até a convocação do Zé do Carmo pra Seleção Brasileira e o imposto predial neste momento fazem todo sentido… tudo se faz, mister… a sua vida faz sentido na terra…”

    Rolf, desde o vinho São Roque ( de cujo teor eu já tive a ingrata experiência de não só experimentar, mas sobreviver em especial ao dia seguinte) `a convocação do Zé do Carmo, tudo isso que peço permissão, mesmo que entre aspas, para novamente acima reproduzir,para mim, em três palavras(e uma importante e necessária exclamação)tem a seguinte definiçao: COISA DE GÊNIO!
    Quem sabe um dia , quando eu crescer, eu vou saber escrever algo próximo dos seus textos, amigo…
    Um grande abraço e obrigado! ( depois eu volto tentando trazer alguma coisa para acrescentar por aqui…)

    Alexandre Bside

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    • Já que estamos aqui parafraseando as coisas do post, eu também quero deste comentário: Rolf, “COISA DE GÊNIO!”.

      Só isso… obrigado pelo “top post” do blog … atemporal, incrível… será muitas vezes mencionado por nós ao longo dos anos e para sempre será alimentado com mais e mais músicas…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Adrian Smith escreveu três obras-primas no álbum Somewhere in Time : Wasted Years , Stranger in a Strange Land e Sea of Madness. As duas primeiras tornaram-se singles do álbuns, e foram muito votadas quando da volta de Dickinson e Smith para a tournê da ED-HUNTER. A terceira, infelizmente, talvez não tenha tido o reconhecido merecido, na minha opinião. Isso por que a música, além de magnífica, traz uma parte instrumental após um solo inspiradíssimo de Smith aos 2:56, precisamente, que é de cair o queixo. Seguem-se então outro inspirado momento, desta vez no vocal de Dickinson. E quando se pensa que a música vai acabar, eis que surge “…a volta”, aos 3.47, quando o riff inicial da música retorna, até de forma inesperada, no meu entendimento. Assim, segue abaixo a minha primeira contribuição a este sensacional post :

    Alexandre Bside

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    • Sou suspeito para falar de Iron Maiden, né? Então só vou aqui concordar com as palavras do B-Side e não me surpreende, vindo dele, trazer uma música mais… mais B-Side do disco, que eu adoro também. E aqui “…a volta”, o retorno, acontece mesmo.

      Obrigado, Adrian Smith…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. Olha Rolf, eu vou comentar (muito) melhor este post depois – mas a tal cherry pie foi fenomenal – aliás o que mais há do Warrant? Alguém destaca, alguém sabe?
    No mais é o que o Ale falou – eu já li muita coisa boa aqui, mas a introdutória preliminar já se faz um clássico da literatura brasileira – em pensar que eu andei lendo até uma P.rra de Tom Leão, que lástima, que tempo perdido… e Pra que ficar lendo Ana Maria Bost..nia, ouvindo abobrinhas de Nelson (me) m(o)ata, se temos no blog sabedoria verdadeira no nosso universo.

    Sobre a volta – ah tem voltas pacas que eu me lembro, mas vou colocar para aumentar a já consagrada até pelo nosso blog – Revelations (novamente).
    Depois do sangue do Dickinson, no Rock in Rio I, da suspirada na gravação do álbum, da coincidência (não plagiada) com aquela do Metallica (ah, quem não sabe que va ler o post dos plágios….)
    Vamos a volta de Revelations (do melhor album do Iron – não é Eduardo?)
    A volta se dá notoriamente (novamente depois do solo) no video abaixo em 05:20, mas antes com uma pequena variação há uma talvez chamada de pseudo volta em 02:00 (a mesma parte da similaridade com Metallica) – que deixo para vocês avaliarem se entra como volta ou não.

    Depois lembro de outras, mas não poderia deixar de incluir a Revelations em mais uma curiosidade.

    Ah o post com os plágios – o link ta aí abaixo:
    https://minutohm.com/2010/12/12/estranhas-ou-simples-coincidencias-inegaveis-influencias-consagrados-plagios-parte-2/

    FR

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  5. Rolf, texto de primeiríssima qualidade, em se tratando do Iron, Maiden, Donzela…, não importa a forma carinhosa que cada fã trate, vou ter que rever volta que mais me toca pois gosto de todas. No momento estou me embriagando, não desvinho matador, mas da nova cachaça que ecoa dia e noite nos meus ouvidos depois da noite de 28 de março no HSBC, que tem como título: When the Wild Wind Blows. Agora depois deste post, estou pensando e revendo quantas bandas fazem esta “volta” com tamanha competência, e estou lembrando do Deep Purple e algumas músicas que me fizeram viajar no tempo, como por exemplo, Child in Time, Fireball……E agora vou começar a catalogar as minhas favoritas e volto.
    Até breve e parabéns pelo texto!

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  6. Cara, acho que ninguém neste mundo conseguiria expressar de maneira tão precisa e, porque não, didática este conceito!!!
    Quando li o post, a primeira música que me veio à mente, talvez até não se encaixe como Heavy Metal, foi o Yes – “Roundabout”.
    Acho que foi a primeira música que ouvi, que mesmo não entendo o conceito, senti esta precisão da “a volta”.

    Lembro que ouvi essa música pela primeira vez através do meu walkman (daqueles “tijolões” com toca-fitas), ouvindo a antiga 89 “A rádio rock”, esperando o “busão” às 6:00 da matina para ir ao colégio. E ouvir essa música e sentir o poder dessa “a volta”, foi algo fantástico.
    Rolf, parabéns pelo brilhante e elucidante post!!!

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    • Excelente exemplo, Fernando! Aliás, o clipe do youtube é uma viagem maior até que a música do Yes…E “… a volta” aqui, aos 5.04, é algo lindo de se ouvir, com a classe dos harmônicos tirados do violão de Steve Howe.
      Ótima contribuição, sem dúvida.

      Alexandre Bside

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    • Fernando, o exemplo é ótimo mesmo e gostaria aqui de fazer um adendo… até o nome da música sugere isso mesmo… “Roundabout” … hehehehe…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  7. Vamos incluir outra do Rush ?
    Desde o inicio do segundo minuto até quase 5 minutos de duração o que se ouve nesta canção é algo que deve ter deixado a galera do Led Zeppelin feliz de ter visto que a semente foi plantada nas terras frias do Canadá e germinou,brilhantemente…. Segue uma jóia do primeiro álbum da banda, Working Man :

    Depois dos 5:20, podemos então presenciar uma “..a volta” que mais demorou para aparecer , mas está lá, clara que nem água .
    O Rush depois seguiu para uma característica própria, certamente com a adesão do fantástico Neil Peart ( aqui a bateria ainda estava a cargo de John Rutsey) .
    Mas o primeiro álbum com cara de Led Zeppelin Canadense também deixou muita coisa de qualidade…e um ótimo exemplo da “…a volta”

    Alexandre Bside

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  8. Gente! Mas é claro! A volta! Aquele momento incrivel em que é como se a música estivesse voltando pro início, que arrepia os pêlos… da nuca 🙂
    Como conseguir viver esses anos todos sem saber o nome correto pra este momento lindo??
    Valeu Rolf!! Muito obrigada! 🙂

    De primeira o que me veio logo à mente foi a minha música preferida (junto com Revelatios, claro), INFINITE DREAMS.
    Uma música tão linda que me deixa até com vontade de chorar!!

    Por favor, confirmem pra mim, no momento 5:27, após uma série de solos fantásticos, quando Bruce começa a cantar “There’s got to be just more to it than this or tell me why do we exist…” é uma incrível volta, como se Infinite Dreams estivesse voltando lá pro momento 1:43 “Even though its reached new heights,I rather like the restless nights” ???

    Essa volta nos 5:27 é o momento mais emocionante da música, aquele em que a gente canta com toda a força do nosso ser hahaha
    Por causa de músicas como essa que eu amo Iron Maiden

    E esse blog, sensacional! Ouvir música nunca mais foi a mesma coisa depois que eu comecei a frequentar aqui.
    Depois de eu ter ficado por muito tempo “achando” plágio em todas as músicas que eu ouvia, agora eu vou ficar procurando “voltas” hahahaha

    Ja tenho um monte de “voltas” aqui na memória. Depois eu volto pra postar.

    abraços,

    Su

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    • Infinite Dreams é também a minha predileta do álbum, e a tal volta é neste momento mesmo que vc destaca.
      Aliás o Iron é especialista em voltas mesmo e haja musica boa por aqui e Revelations também se encaixou, não é?
      Aliás respondendo aqui também ao Fernando – Roundabout é a musica que me fez gostar do Yes – é um classico em todos os estilos, nem estou me preocupando em qual se encaixa. A volta com os harmônicos de Howe tb é sensacional.
      E vamos a Iron Man que volta em 04:19, não é – e haja peso…

      Acho que volto com mais voltas…
      FR

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  9. Aqui vai mais uma …volta. Talvez um dos mais lindos milagres do retorno da história do metal.

    Estamos falando do melhor disco do Black Sabbath, em minha humilde opinião (Remote, não é?): Mob Rules.

    A música é The Sign Of The Southern Cross. Após aquela linda introdução, com melodia e vocais da maior qualidade que se pode encontrar na música, a música se transforma. Ela “desce” para um nível que, em vida na terra, talvez seja o máximo que você poderá ficar mais perto do “patrãozinho”. É uma força indescritível liderada pelo vocal do Dio que vai se alterando no 1:17. A banda se prepara, vai fazendo a “cama”, para Iommi disparar de forma absoluta um maravilhoso riff aos 2:27.

    A música continua com aquele trabalho sem precedentes no baixo. A banda deixa em stand-by esse riff acima e deixa a música seguir seu caminho. Aos 3:57, a música vai embora de vez… ela… ela muda. Mas continua brilhante, cheia de detalhes, mantendo-se aquela distorção única. Aos 4:47, Iommi encaixa outro riff brilhante. A cama está pronta e, BRILHANTEMENTE, aos 5:03 … aos 5:03 … aos 5:03 ……. A VOLTA… o milagre do retorno.

    A música continua. O riff vai embora. Mas é tempo ainda dele voltar a nos agraciar. E isso acontece novamente aos 6:13, com a competência de uma banda sem igual, com o trabalho da cozinha de maneiramente brilhante, além da voz magistral de Dio. A música não perde mais este riff até o seu fim e ganha elementos maravilhosos de todos os instrumentos até o final, já preparando terreno para a emenda igualmente formidável de E5150 (EVIL!).

    Que música, que disco, que formação… tenho dó de pessoas que acham que ninguém é insubstituível… em qualquer atividade… certas pessoas SÃO SIM INSUBSTITUÍVEIS…

    Boa volta / retorno a todos:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  10. B-side, numa boa, bicho, dada toda a admiração que eu tenho por você, pelo Rolim e pelo Remote, eu realmente fico emocionado. Ter esse feedback não tem preço….muito obrigado…preciso entrar no show do canecão ….to chegando lá.

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  11. Suellen, obrigado pelo comentário. Revelations sem dúvida se enquadra em um claro exemplo do milagre

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  12. Fernando, eu não conheço esse som do Yes e assim que acabar os DVDs da minha filha eu tento ouvir. Valeu pelo comentário e achei muito legal o seu post

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  13. Mirian, estamos esperando a sua volta aqui, conforme você prometeu. Muito obrigado pelo feedback do post. Um grande abraço

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  14. Bem, o texto original cita em seu final três bandas que teriam vários exemplos da “..a volta”. Já foram citados com facilidade tanto o Rush quanto o Sabbath, e certamente outros exemplos destas duas bandas existem aos borbotões, mas fiquei motivado a contribuir com algo do Dream Theater, e, por incrível que pareça , tive uma certa dificuldade em encontrar um exemplo genuíno. Encontrava em músicas de maior duração, como Octavarium, mas fica dificil incluir para apreciação por aqui uma faixa de 24 minutos(!!!!!!). Mas o talvez único single de sucesso da banda se encaixa perfeitamente na categoria: Estou falando de Pull Me Under , que traz ,aos exatos 5:37min traz um clássico exemplo de “..a volta” ao trazer , como apertivo para o ótimo solo de John Petrucci, o riff inicial da canção de maior repercussão da banda até hoje.

    Algo interessante na banda são outros exemplos que não sei ao certo se encaixariam na definição ” Ipsis litteris ” do conteúdo deste post. Isto porque existem trechos de canções que “voltam” em outras na sequência do mesmo álbum,
    ou, o que é ainda mais extraordinário , trechos que “voltam” antes de terem “ido”!!!!!!
    Isto por que teoricamente o trecho que é referência principal de uma canção que ainda não foi tocada na ordem concebida pelo cd em questão já aparece brevemente em outra música anterior.
    Será que me fiz entender ? Senão, posso trazer os exemplos por aqui, ainda que talvez estes não se encaixem perfeitamente nesta categoria..
    Ou então deixemos que eu enlouqueça sozinho…

    Alexandre Bside

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    • Oi Bside … eu até comecei a procurar estes exemplos nas músicas do Dream Theater, e realmente me deparei com essas situações … partes que são tocadas em uma faixa e depois são tocadas ao final do álbum … Não achei uma tarefa das mais fáceis já que a Banda é virtuosa ao extremo!

      Não tinha chegado à esse vislumbre de entender trechos que “voltam” antes de ter “ido” … mas em se tratando de DT, é totalmente plausível!!! HEHEHE

      Parabéns!!!!

      Abraços

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      • Chris:

        A questão da “volta dos que não foram”, ou seja dos trechos que ” voltam” antes de terem “ido” tem a seguinte explicação : Entendo que riffs definem determinada música, e no caso do DT existem riffs principais que permeiam a quase totalidade de determinadas canções que são tocados brevemente em outras. Até aí, tudo bem… Só que essas outras estão antes na ordem do cd , ou seja daí esse meu vislumbre de citar trechos que “voltam” sem terem “ido”. Você conseguiu entender agora o que eu quis dizer ?
        Se quiser , posso tentar um exemplo.

        Alexandre Bside

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    • Caro “Lado B”,

      como não sou grande conhecedor da banda, recorri ao Chris, que também não conseguiu matar uma dúvida minha… então, recorro a você ou a algum outro mestre por aqui: a capa deste disco tem algum significado? Essa garotinha representa alguma coisa? Acho ela meio macabra… 🙂

      Valeu!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Eduardo, eu não sou um especialista em capas de álbum, então vou ficar devendo essa. Posso tentar uma pesquisa, mas no momento eu não faço a mínima idéia … Aliás, no último Black Clouds and Silver Linnings tem uma estátua de um elefante e um pequeno rato nas proximidades …vai saber o porquê….

        Lado B

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  15. Vou variar de banda para trazer talvez a música do Deep Purple que mais gosto, e que tem um exemplo “purinho, caído do pé ” de “…a volta “.
    Vou citar por aqui a canção Woman from Tokyo, um dos últimos grandes momentos da formação mais clássica da banda, com Gillan e Glover, antes de sua dissolução na década de 70.

    O riff inicial da música é tão clássico , chego a dizer que é comparável ao de Smoke on the Water, mas não teve o mesmo reconhecimento, infelizmente . E lá está ele bem no começo da música, por volta dos 10 segundos, após a introdução dos pratos de Ian Paice. A música segue evoluindo sobre o mesmo riff, para depois alternar com as estrofes cantadas por Gillan. Por volta dos dois minutos, a música dá uma “rodopiada” radical, após o extraodrdinário cantor em sua melhor fase vocal da banda cantar ” But I’m at home and I just don’t belong …” … O que se segue é pura magia que só mestres como os desta formação podem fazer, ainda que já estivem em rota de colisão e se separassem menos de um ano depois. Desde os sons do orgão Hammond de Jon Lord acompanhados de um não menos genial piano, a sutileza do uso dos pratos e contratempos de Ian Paice e um breve e simples solo de baixo de Glover , a música tem um lindo trecho mais lento que segue até os exatos 3.29 minutos . O que se segue é um clássico exemplo da “…a volta”, que trago aqui para a apreciação de todos .

    Agradeço ao Mark II, a formação mais clássica do Deep Purple, por mais essa excelente música e genuíno exemplo de “…a volta ”

    Saudações ,

    Bside

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    • B-Side, excelente, mas excelente exemplo do milagre do retorno, ou “…a volta”! Também sou grande apreciador desta música e concordo que o riff dela é algo mágico… aliás, Deep Purple é uma banda especialista neste tipo de coisa, não?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  16. Olha… o MetallicA, apesar de as vezes sem a “clara intenção / preocupação” de fazer “…a volta”, é uma banda que possui várias permeadas em sua excepcional discografia… e eu, como fã, não poderia deixar de trazer um exemplozinho…

    Vamos de Disposable Heroes?

    A musica começa e já fala para o que veio: aquele riff matador, fantástico, acompanhado de ótimo trabalho de Kirk por cima, além de uns inspiradíssimo trabalho da cozinha. A música tem um trabalho brilhante de todos, na verdade, lembrando que ainda tínhamos Cliff Burton no grupo (apesar do vídeo deste comentário já mostrar Newsted na banda).

    A música ganha uma incrível velocidade aos 1:19 e ganha mais um momento “cavalgante” aos 1:30, que me faz sair pulando como um maluco.

    Acompanhada de uma letra fantástica, a música se desenvolve sob a óptica dos pensamentos, ações e experiências de soldados, exceto no seu refrão, onde as palavras refletem ordens do comando do exército.

    O solo de Kirk é outro feliz momento da banda neste impecável álbum de 1986. Aos 5:28, a banda parece iniciar a preparação do terreno para “… a volta”, preparação esta confirmada em exatos 20 segundos depois, aos 5:48, para a triunfal, brilhante, incrível “… volta” aos 5:53. É O MILAGRE DO RETORNO. Não satisfeita, a banda ainda, aos 7:41, não desperdiça aquele brilhante riff e joga-o novamente na nossa cara, como um murro direto no nariz até os 08:01, quando ela acha espaço ainda para, aos 8:10, acabar de vez com a nossa raça!

    Nossa, arrepiou tudo por aqui…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  17. O Master of Puppets é realmente um excelente álbum, assim como o excelente exemplo de “…a volta” que foi trazido por aqui. O melhor momento é o último, pois não se esperava mais uma repetição do riff e ele veio, complementando e fechando a ótima canção.
    Quando penso neste álbum, lembro que poderíamos ter uma discografia desta banda aqui no Minuto Hm, algo que já foi pedido há algum tempo…..

    Bside

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    • B-Side, exatamente… ninguém esperava pela última repetição e ela acontece. A música está longe de ser inédita para mim (para nós) mas sempre que escuto, me surpreendo com o final… é realmente incrível.

      Agora, sobre o comentário final… bom, deixa para lá… hahahahaha! Já disse que tenho dificuldade em sintetizar algo assim, se eu fizesse isso, cada capítulo teria 50 páginas… hahaha (estou ficando sem desculpas).

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  18. Rolf, eu prometi e estou aqui; rapaz é muito sério essa coisa de “volta”! Tenho viajado nos momentos musicais que já me fizeram sonhar em busca de uma favorita, mas é duro…..Fui parar longe e cheguei em Pink Floyd, aí fiquei mais enrrolada do que já estava agora tomei uma decisão; todas quantas ouvi bem como as já aqui citadas são obras primas, mas vou tirar meu chapéu para Shine On you Crazy Diamond.

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  19. O milagre do retorno no disco novo do Anthrax na música In The End, faixa esta em homenagem à Dimebag Darrel e Ronnie James Dio.

    Detalhe que o retorno foi cuidadosamente planejado, conforme comentado pelo guitarrista (e um dos produtores do disco) Rob Caggiano aqui http://www.guitarworld.com/anthrax-guitarist-rob-caggiano-talks-worship-music-track-track

    “At one point that riff was gone and I called up Charlie and said, ‘Dude, we have to put that riff back in.’ So he went back in and re-did the drums and the song came out awesome. I love it.”‘

    Retorno por volta do momento 5:15

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    • Su, olha, primeiramente, esta música é DO BARALHO!!!! É como você diz: parece que toda música que tem sino nasce para ser demais!

      Ela é boa por inteira, para mim, nas primeiras audições, com destaque para o cavalgante segundo riff, me faz imediatamente o pescoço se mexer como nunca. Apesar de não ser nada que possa ser considerado “novidade” no thrash / heavy metal, é impressionante como, quando bem encaixado como neste caso, este tipo de riff sempre muda a cara de uma música.

      E sim, a volta… o milagre do retorno… ele está aí, e ainda adicionado que existe mais um retorno, mais ao final da música, deste mesmo riff que comento acima… apesar dele estar presente em grande parte da música, me parece que há também uma preocupação dele voltar para terminar em grande estilo essa grande música.

      Sobre as homenagens que esta música faz, creio que não caiba nenhum comentário adicional – os nomes do músicos já dizem tudo…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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