Cobertura Minuto HM – Slayer em SP – parte 2 (resenha)

A quinta-feira amanheceu da pior forma em São Paulo para um show: frio e chuva. Sorte que a chuva desistiu no final da tarde de cair e a situação melhorou.

Como já foi falado um pouco da situação pré-show, vamos de uma vez ao lado de dentro do Via Funchal!

A casa recebeu um ótimo público, pois os (poucos) ingressos que ainda estava sendo vendidos no dia do show se esgotaram. Entretanto, a casa demorou para liberar a entrada da galera, já aglomerada nas filas, o que fez com que muita gente perdesse parte do show de abertura da noite, do Korzus – inclusive nós.

Entretanto, ao finalmente entrarmos, a Suellen (que não conhecia o Via Funchal, mas conhece “n” outras) e o Eduardo, que já frequenta a casa há 12 anos, surpreenderam-se com o VOLUME do som do Korzus. Estava EXCELENTE, estava fazendo os ouvidos SANGRAREM. Ficamos, claro, muito felizes com isso, mal conseguíamos nos fazer ouvir. Logo pensamos: “se está assim na abertura, quando o Slaaaaayyyeeeerrrr entrar, os ouvidos derreterão”. Ledo engano que será detalhado ao longo da resenha.

O Via Funchal recebeu um grande público!

O Via Funchal recebeu um grande público!

A banda brasileira, pelo pouco que vimos, mostrou estar em grande forma e foi muito aplaudida pelos presentes, deixando o palco ovacionada, algo raro hoje em dia para bandas de aberturas – mas mostra o carisma que eles conseguiram ao longo dos anos na cena.

Era hora de nos prepararmos, afinal, nunca havíamos visto a banda ao-vivo. A Suellen resolveu se preparar comprando algumas cervejas Itaipava por “módicos” R$ 7,00. Na boa, isso deveria ser proibido – é muita exploração.

Tivemos também a chegada do Rolfístico Personagem no meio disso tudo!

De verdade, estávamos um pouco tensos pois era um show sem divisão de pistas e não sabíamos direito o que esperar – outro engano que será detalhado no texto.

Eis que surge a grande bandeira ao fundo do palco, ainda sem iluminação:

Com poucos minutos (hm) de atraso, veio o apagar das luzes. Aquele maravilhoso apagar das luzes que faz com que todo o sacrifício, toda a grana investida, problemas do dia, entre outras coisas, deixem de ser relevantes. A introdução de World Painted Blood, música do último trabalho dos caras e da respectiva tour é dada, a bandeira da banda é iluminada. Vai começar! Vê-se algumas rodas se abrindo em alguns pontos da pista e o público saudando a banda gritando SLAYER! SLAYER! SLAYER! Maravilhoso. Era um Big Four que estaria por ali.

A banda toma o palco e começa. Vale lembrar neste momento da ausência do guitarrista Jeff Hanneman na noite, sendo substituído por Gary Holt, do Exodus – que, por sinal, fez um excelente trabalho.

O show tem início com a já citada World Painted Blood, uma excelente música de abertura, aliás, seguida de Hate Worldwide, também do último trabalho da banda. Muito legal a participação dos fãs nestas canções mais recentes, berrando os refrões de forma empolgada – ainda que World Painted Blood nem seja um trabalho tão recente assim uma vez que foi lançado em 2009.

Até aí, tudo certo. Mas, ué, cadê aquele espetacular som? A banda começa a tocar e parece que dormiram na mesa de som com o botão VOLUME DOWN apertado. O som estava muito mais baixo do que a instantes atrás com o Korzus e, apesar de uma leve melhora na segunda música, continuou baixo, frustrando estes que vos escrevem.

Primeira pausa do show, Tom Araya agradece os gritos de “Slayer, Slayer” e pergunta para a platéia “Are you ready?” seguido de um grito de “Waaaaaaaaaar”. É a deixa para o riff matador de War Ensemble, música que abre o clássico de 1990, Seasons In The Abyss. Neste momento é uma pena o som não estar tão matador quanto à música.

No ápice do solo final, o som do Via Funchal simplesmente desaparece! Porém a banda permanece tocando, totalmente alheios ao acontecimento. E mesmo nesta situação em que não há som nenhum é impressionante ser possível ouvir de onde estávamos (quase nas últimas fileiras) Dave Lombardo espancando seu kit de bateria. E ouvir com clareza!!! É possível ouvir até mesmo Kerry King arregaçando as cordas de sua guitarra!

No último refrão, o público mostra o porquê de São Paulo ser a capital do Heavy Metal no Brasil, cantando em uníssono “Sport the waaaar…. War suppooooort…” deixando os quatro integrantes da banda bastante emocionados. Enfim, vejam o vídeo e comprovem este momento único:

Pausa para uma tentativa de ajuste no som e o Slayer volta com mais um clássico, Postmortem do aclamadíssimo – pela crítica e fãs – Reign Blood de 1986. Kerry King e Gary Holt conseguem tornar a música ainda mais pesada ao-vivo. E no final, quando Postmortem “pede” por Raining Blood (quem conhece bem o Reign In Blood sabe do que estamos falando), a banda surpreende e emenda com a empolgante Temptation, que, por sinal, “casou” perfeitamente com Postmortem.

A banda prossegue com uma sequência de músicas englobando a fase em que Dave Lombardo esteve fora do Slayer começando com Dittohead e Stain Of Mind, do Divine Intervention e Diabolus in Musica, respectivamente, e Disciple e Bloodline, de God Hates Us All.

Voltando aos clássicos, Tom Araya anuncia “This next song is about love”, e fala a palavra “amor” em português mesmo, seguido de um sorrisinho sarcástico e puxando, à capela, o refrão de Dead Skin Mask, música sobre o serial killer Ed Gein, que matava suas vítimas, sempre mulheres, e usava as peles dos seus corpos para confecção de roupas e outras coisas úteis como capas para sofá. Meigo, um docinho 🙂 .

E que música maravilhosa!!! Ao mesmo tempo em que amedronta, empolga!

Mais uma “porrada” do Season In The Abyss, Hallowed Point, logo na sequência de Dead Skin Mask, assim como elas aparecem no álbum. Que lindo! Obrigado Slayer!!

E pra mostrar que não estava de brincadeira, a banda busca uma lá do primeiro álbum Show No Mercy, The Antichrist, época em que a banda estava surgindo na Bay Area de San Francisco, muito celebrada pelos fãs!

Voltando ao tempo atual, Americon de World Painted Blood e Payback de God Hates Us All, mostram como o Slayer consegue ser uma banda versátil, que consegue modernizar seu som, sem deixar de ser fiel ao estilo.

Em Mandatory Suicide, no momento final da música em que são relatados os horrores por quais passam os soldados enviados à guerra, Tom Araya mostra que talvez não possa mais “bangear” devido as suas lesões na coluna, mas certamente ainda pode gritar bastante. E imediatamente na sequência, sem pausa nenhuma, outro clássico sempre presente nos shows: Chemical Warfare. Sensacional!

A essa altura, com os fãs em êxtase, para que enrolar? Então toma mais clássico. A sensacional Ghost Of War, com seus riffs e solos maravilhosos, seguida da empolgante e clássico absoluto na carreira da banda, Seasons In The Abyss.

Antes da pausa para o bis, mais uma “nova”, Snuff.

E no intervalo de um piscar de olhos os quatro integrantes voltam para o palco e retomam seus instrumento para tocar aquela que talvez seja o mais próximo de uma balada já composta pelo Slayer, South Of Heaven.

Mas é após South Of Heaven que chega o grande momento, talvez o mais esperado por todos. Nos poucos minutos (hm) em que Dave Lombardo espanca sua bateria, acompanhado da distorção na guitarra de Kerry King, as luzes vermelhas no palco, todos na plateia já sabem o que vem a seguir. Quando finalmente surge o primeiro riff de Raining Blood, o Via Funchal parece a ponto de explodir, apesar de o som continuar baixo. Sim! O som ainda não estava ideal!

Aqui vale uma observação geral da iluminação: a banda não trouxe nenhum “artefato espalhafatoso”. No palco, tínhamos a banda e o pano de fundo, como vimos acima. Mas tínhamos um show de iluminação! Antes de iniciar a música mais conhecida da banda, ouvia-se a “porrada” na bateria, guitarras distorcidas e aquela luz vermela, que dava todo o clima e, ao mesmo tempo, deixava um enorme suspense no ar. Não dava para saber quando a música efetivamente começaria. A iluminação fez toda a diferença neste momento, assim como fez ao longo do show, principalmente ao final de cada música, onde fortes luzes amarelas deixavam os músicos como sombras no palco. Realmente não é algo que é normalmente destacado, mas nesta noite, é merecido.

Mas voltando ao que importa, a música, a execução de Raining Blood, para ficar mais perfeita, só faltava o banho de sangue no final como no DVD Still Reigning, talvez o grande sonho de todo fã do Slayer presenciar um momento como este.

Voltando as raízes de Show No Mercy, mais riffs matadores com Black Magic.

E, para fechar com chave de ouro, aquela que talvez seja a música mais polêmica de toda a carreira da banda, Angel Of Death, que relata as atrocidades cometidas pelo médico nazista Josef Mengele e pela qual a banda já teve que, diversas vezes, se defender das acusações de ser anti-semita.

Não poderia haver jeito melhor para encerrar o show. Esta, que foi composta por Jeff Hanneman, infelizmente ausente esta noite por motivos de saúde e substituído brilhante e agressivamente por Gary Holt, como dito no começo do texto, serviu quase como uma homenagem a Hanneman, ao modo Slayer de homenagear, claro. E que grito maravilhoso de Tom Araya no início da canção! Perfeito!

O Slayer em São Paulo provou o que não precisava ser provado para ninguém, porque ninguém tinha dúvidas disso: que eles ainda tem muito gás pra queimar.

“In the beginning, when there were no blueprints, no set paths, no boundaries or steps to follow, SLAYER assaulted the world (…)”. É, agora deu para entender. Uma noite fantástica para celebração do thrash metal – e, para nós, mais um Big4 para a conta!

Que venha o Anthrax!

Setlist da noite – 09/junho/2011:

01. World Painted Blood
02. Hate Worldwide
03. War Ensemble
04. Postmortem
05. Temptation
06. Dittohead
07. Stain of Mind
08. Disciple
09. Bloodline
10. Dead Skin Mask
11. Hallowed Point
12. The Antichrist
13. Americon
14. Payback
15. Mandatory Suicide
16. Chemical Warfare
17. Ghosts of War
18. Seasons in the Abyss
19. Snuff

Bis:
20. South of Heaven
21. Raining Blood
22. Black Magic
23. Angel of Death

[ ] ‘ s,

Suellen e Eduardo.



Categories: Artistas, Cada show é um show..., Curiosidades, Exodus, Músicas, Resenhas, Setlists, Slayer

13 replies

  1. Ótima a cobertura, como sempre. Não sou dos mais assíduos da banda, conheço pouco, mas tenho como carta da manga ter assistido o show deles após o Sabbath e antes do KISS, no Monsters em São Paulo, 1994, alías o Rolf e o meu irmão Flávio estavam lá . E respeito demais os caras, o show deles é realmente muito bom.
    Ficou apenas uma dúvida : O som não melhorou em hora nenhuma?

    Alexandre Bside

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  2. Black Sabbath abrindo pro Slayer? Que situação estranha de se ler hehe

    E não, o som em nenhum momento ficou excelente como no Korzus.
    Melhorou em algumas faixas mas ficou oscilando durante todo o show. Em Dead Skin Mask, por exemplo (minha preferida), dalí de onde estávamos, era preciso fazer um certo esforço pra ouvir o fantástico riff desta música tocado por Kerry King.

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    • Obrigado pelos elogios, B-Side!

      Isso mesmo: em nenhum momento o som ficou nem perto de como estava na abertura, apesar de ter tido uma leve melhora após o problema no começo. Aliás, isso é muito estranho… ultimamente, tenho notado que o som na abertura fica melhor do que para o headliner (por mais maluco que isso possa soar). Até o show de abertura do Iron Maiden em Curitiba estava mais baixo que a (boa) banda de abertura…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Eu também sou um que votei na Catch The Rainbow ser “limada” na final…

      É verdade… cadê a galera que votou em Temple? Hehehehe…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Amigos bangers,

      vendo a enchurrada de resenhas destacando o excelente show do slayer, eu estava me sentindo isolado pelo fato de achar que o som estava ruim. Mas encontrei aqui alguem com a mesma opinião.
      Apesar de não me arrepender de ter ido ao show do Slayer, eu não cheguei a me empolgar muito devido ao som baixo. As três primeiras musicas estavam sofríveis. No inicio, na W Painted inBlood deu pane na guitarra do Gary Holt e tb não dava pra ouvir o KK. Após War ensemble, melhorou um pouco, mas mal se ouvia o kerry king. O som ficou baixo. Esse foi um dos raros shows em que fui e não fiquei com “reflexos auditivos pós-show”.

      abrx

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      • Li em algum lugar por aí que o Via Funchal anunciou no telão após o show que a responsabilidade pelo som do Slayer era do próprio staff da banda.

        Foi um pouco frustrante sim o som não ter ficado nota 10 durante todo o show mas que bom que o Slayer é uma banda com anos de estrada e segurou a onda e não parou de tocar em War Ensemble na hora que o som falhou. Aquele momento da platéia cantando o refrão mesmo sem som, que pode ser visto no vídeo que está no post, foi uma das coisas mais linda e emocionante que eu já presenciei em shows de metal em toda minha vida.

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        • Sim, saíram algumas notas por aí, inclusive no Whiplash, da casa não se responsabilizando.

          De qualquer forma, foi mesmo lindo tanto a banda ter continuado tocando quanto o público ter cantado a música. Neste ponto, nós brasileiros somos realmente diferenciados.

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

          Like

      • Olá luciferase, seja bem-vindo ao Minuto HM. Aproveite o espaço e obrigado pelo comentário.

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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    • O som no Korzus estava insuportável de alto, estava horrível e ensurdecedor.
      O do Slayer estava bem melhor, (ficou bom só de Postmortem pra frente na verdade) no volume certo, pena q com oscilações na guitarra do Kerry Mesmo.

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      • Olá Rogener, seja bem-vindo ao Minuto HM. Aproveite o espaço.

        Realmente o som na abertura estava mais alto do que o normal e, dependendo da onde você estava na pista, a sensação deveria estar ainda mais, digamos, intensa.

        Eu sou sempre a favor do som no máximo possível, desde que este máximo não distorça / estoure. Mas estes itens respeitados, quanto mais alto, sempre melhor! Hehehe.

        Continue conosco!

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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