A crítica especializada na pré história do heavy metal tupiniquim

Folks:

Movido pelo texto que foi quase neste momento resgatado pelo Eduardo nos comentários da discografia do KISS – Creatures of the night, a respeito  do show de São Paulo, em 1983, resolvi procurar o texto da Ana Maria Bahiana, que sempre falei horrores, afinal ela disse que o Paul Stanley era CANHOTO.

E não é que eu achei ? Procurei, impressionante, aliás, a internet tem tudo mesmo…

Tá aí, a crítica da Ana Maria Bahiana, meus amigos. Achei que quase trinta anos depois eu poderia ter ficado gagá e não ser verdade…

Mas era, tá lá no texto : o solo de guitarra de Paul Stanley é quase igual ao de Vinnie Vincent (aliás, isso também já é uma aberração…) mas executado canhestramente

Tá de sacanagem, Ana Maria Bahiana?….

Segue o link, para o devido crédito da fonte, e abaixo, o texto, com as devidas aspas. Parabéns ao blog Tarati Taraguá pelo resgate do texto…

Mas não dá para perdoar a Ana Maria Bahiana, jornalista super conceituada da tal mídia especializada, por isso.

E vejam, nas entrelinhas, ela até fala bem do espetáculo…em alguns momentos, vá lá…

Mas a questão, na verdade, não é falar bem ou mal… a questão é que era essa a nossa ” mídia especializada”, que já vimos aqui no blog algumas menções, como esta aqui, coincidentemente do Kiss.

Sem mais delongas, segue o texto:

Show do Kiss no Maracanã – Junho de 83

Em 18 de junho de 1983, a banda Kiss deu um show histórico no Maracanã. A banda estava completando 10 anos de estrada, e para comemorar realizou uma turnê mundial, que incluiu o Brasil, para delírio de seus fãs brasileiros. A revista Mixtura Moderna fez uma ampla matéria sobre esse show. Se não estou enganado, esse foi o primeiro show de rock acontecido no estádio do Maracanã. Que eu me lembre, antes só Frank Sinatra havia cantado antes no mesmo local.
A revista, dava destaque ao show, e trazia na capa o guitarrista Paul Stanley. Acompanhava a edição um encarte em formato tablóide trazendo fotos e comentários do show.

A jornalista Ana Maria Bahiana comentava:

“O som estava muito baixo,tímido e embolado para um show de rock, ainda mais de heavy metal. O Kiss entrou em cena uma hora atrasado, os canas não deixaram ninguém no gramado em paz, a cusparada de sangue de Gene Simmons em ‘God of Thunder’ foi vista só por meia dúzia nas primeiras filas e depois, bem tipo nada-a-ver, ele deu de gritar ‘Mengô! Mengô!’ com o linguão de fora, todo ensanguentado. Para culminar, um bando de crentes enchia o saco da galera, distribuindo folhetos, fazendo pregações aos berros e agarrando as pessoas pelo braço para impedi-las de entrar naquele ‘antro de perdição’, onde se iria celebrar um ‘culto a Satanás’, dos ‘Kids in Service of Satan’, aliás Kiss.

Mas para quem gosta, que noite a de 18 de junho!

O som vem rugindo baixo, mas dá pra sacar que é ‘Criatures of the Night’ a música de abertura. As luzes estão belíssimas sobre a fumaça e os quatro, assim de longe e com as roupas em full regalia, nem parecem tão gordos quanto na vida real. Tocam, numa enfiada só, ‘Creatures’, ‘Detroit Rock City’ e ‘Cold Gin’, com brevíssimos intervalos para as adulações de praxe ‘Helo Rio de Janeiro, we love you’, etc, etc. Paul Stanley balança um rabinho de pele preso ao seu macacão de lycra e provoca o público: ‘Precisamos do Doutor…(ninguém responde, a princípio), do Doutor… (Love!,a galera urra). DOCTOR LOVE!’ – pronto, mais uma música.

O que se passa no palco agora? Ah, sim, começaram os solos, esse ritual imprenscindível ao heavy metal. Vinnie Vincent na guitarra é o primeiro. Bom. O melhor de todos. Acordes rápidos, à maneira de Eddie Van Hallen. Limpo, pouca distorção. Paul Stanley é o seguinte. Faz charme à beça, as meninas deliram, mas é fraquinho demais. Quase o mesmo solo de Vinnie, só que executado canhestramente.

Apoteose final: fogos de artifício por todos os lados, luzes, fumaça e um bis para arrasar com os maiores sucessos da banda, ‘I Was Made For Loving You’ e ‘Rock And Roll All Nite’. Poder, poder! Arquibancadas em pé, dançando” Muita luz, delírio!

Fim de festa, a galera suada apesar do frio, eu me lembro de uma reportagem de Charles M. Young sobre o Kiss não prometerem esclarecer a origem do universo nem o sentido da vida, mas funcionam. Como funcionam.

Isso, meus caros, é um exemplo purinho da Pré história do Heavy Metal neste país !!!!!!!

Acreditem, isso aconteceu !!!

Lembrando que o Minuto HM possui um review deste histórico show – um review MESMO, não esta “coisa” aí de cima!

Saudações

Alexandre Bside

Contribuiu: Eduardo.



Categories: Cada show é um show..., Curiosidades, Kiss, Resenhas, Tá de Sacanagem!, Van Halen

17 replies

  1. B-Side, atesto como você já comentou em diversas oportunidades sobre esse, esse… sei lá, esse LIXO aí.

    Muito legal o texto ter te inspirado a procurar, resgatar e publicar esse… LIXO. Hahahaha.

    Vamos lá:

    – a capa da revista tem Stanley segurando a guitarra – com o braço direito;
    – alguém avisa ela que não é “Criatures”, mas “Creatures” ; “Helo” seria um nome próprio? Já existiam escolas de inglês na época – e ela poderia ver no LP a grafia correta da música, em último caso. E o “Eddie Van Hallen”, quem seria este “Hallen”? Uma mescla com o cometa Halley? Ela poderia pegar o cometa e ir para outra galáxia, isso sim…

    E o Paul Stanley fraquinho? Hahaha, é sensacional.

    Termino com esta máxima: “Paul Stanley é tão canhoto como Paul McCartney é destro”. Por Eduardo.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Coitada – alguém deve ter mandado- faz a cobertura – e ela pegou umas revistas, umas fotos invertidas sem reparar , bateu papo com a coleguinha do lado, talvez tenha ido de graça no show, tomou uns tragos, flertou com algum imbecil por perto, não entendeu nada e escreveu esse LIXO aí.
      Que vergonha – era melhor ter tentado falar algo do que viu, na verdade nem sei…
      Aliás era melhor não ter escrito nada mesmo…
      FR

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  2. alias …esse foi meu primeiro grande show ,tinha 17 anos e ouvia o ‘criatures’ direto,fiquei maravilhado com todo o aparato tecnologico que os caras trouxeram ,foi canhao estourando as caixas de som pendurada,muita gente de cara pintada,erva do capitroto a vontade muita lóló, shom do erva doce …foi d++++++ alias aconteceu um lance maneirante `maneiro e marcante´ pensei vou jogar minha blusa para eles,tava encharcada de suor era atoalhada e ficou pesada tava tipo 10 m dos malucos naquele muvucao e joguei e o paul canhoto pegou e colocou sobre o mic da pra ver na filmagem … foi pho** depois fiquei de cara… valeu saudaçoes metalmaniacas

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  3. O significado da palavra Canhestro é desengonçado, desajeitado, descoordenado…e não canhoto!!

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  4. È verdade, Captain Hawdy, você tem inteira razão. Queria então pedir desculpas à Ana Maria Bahiana pela minha má interpretação da palavra , e lhe agradecer por elucidar algo que estava na minha mente há quase trinta anos . Ainda que o solo de guitarra do Paul Stanley não fosse ” quase igual ao de Vinnie” e que o deste não fosse ” limpo, quase sem distorção” , o que sempre reclamei da Ana Maria Bahiana era justamente este erro , que na verdade era meu, de interpretação da palavra. O que me consola é que acredito que a grande maioria dos leitores tiveram a mesma interpretação, pois a palavra do jeito que foi colocada , me traiu , e pelo jeito, eu não fui o único.
    Agradeço sua informação, que corrigiu um engano histórico de quase 30 anos

    Alexandre Bside

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    • … apenas um complemento: isso não invalida, de qualquer forma, o péssimo texto dela em relação ao show – curto e grosso: o texto dela é um absurdo e continua sendo, para mim, uma falta de respeito com a banda.

      De qualquer forma, obrigado ao Captain Hawdy pela explicação e seja bem-vindo ao Minuto HM! Aproveite o espaço.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Um programa mostra o que estava em volta do show do Kiss em 1983 – SP, o publico da época, que era bem variado – alguns não sabiam nada, alguns sofriam com a falta de informação e estrutura (que como vimos recentemente no HSBC arena, continua problemática). Mesmo o público que conhecia de alguma forma as músicas não sabia nada do que estava sendo cantado – a letra, nomes das musicas, dos músicos – apesar de parecer interessado pelo evento. Eram os roqueiros sobreviventes, ainda numa epoca de ditadura militar.
    O teor do programa traz muito pouco de informação da banda, apenas na terceira parte temos entrevistas – nada muito técnico – perguntas gerais a qualquer artista, mas é divertido ver o que rolava na época principalmente proximo ao estádio, entre os roqueiros estavam os ambulantes, os cambistas os mendigos, bebados e drogados – um retrato mais fiel dos bastidores do show.
    E há, claro ainda nesta 3a parte, um “critico” de rock que tenta explicar o que era o Kiss….. Deve ser mais um dos inúmeros músicos frustrados…

    FR

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  6. Nos anos 80 tudo era muito complicado. Desde conseguir um disco importando, até uma simples informação. Nas revistas posters da ‘Som Tres’ os erros eram comuns – nomes de integrantes de bandas, datas, discografias etc..
    Não existia a midia especializada.
    A única forma de saber MESMO o andava acontecendo c/ as bandas, era recorrendo as pessoas que realmente saiam em busca de informações lá fora.
    Como o Toninho da ‘Rock Brigade’, Calanca da ‘Baratos Afins’ e o grande Walcir da ‘Woodstock Discos’, entre outros.
    O resto que se metia a escrever sem conhecimento, ‘produzia’ textos como esse que a Ana Maria Bahiana escreveu.
    Mas tudo faz parte da coisa… foi bem legal ver a capa dessa revista no site … pensei que só eu tinha guardado uma cópia, haha.

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    • Paulo, agradeço por registrar aqui este comentário. Realmente quem ainda está por aqui após 30 ou mais anos de heavy metal nas costas sabe bem como as coisas são mais fáceis hoje em dia.

      E guarde a revista com o devido carinho, pois é histórica…

      Continue participando!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  7. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  8. Eduardo, esse comentário seu tem dois lados :

    1) O ruim, é óbvio, de que o fanatismo, aliado a ignorância que normalmente o acompanha e o cega, visto aqui é lamentável e ridículo….

    2)Eu sempre ouvi falar disso, mas nunca tinha visto. Não deixa de ser algo ,aqui documentado, histórico. Desta forma eu agradeço e continuo pasmo ao ver que pessoas como a que redigiu esta ” obra-prima” poderiam ter concentrado seus esforços em fazer algo realmente útil…

    Alexandre

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  1. Kiss e o Brasil na década de 1980 | Minuto HM

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