Discografia Iron Maiden – Episódio 07: 1986 – Somewhere In Time

Os sintetizadores são meus e eu faço o que eu quiser!

No capítulo anterior (que você poder ler aqui), vimos o Iron Maiden atingir o topo de sua senóide oitentista, lançando a maior turnê até hoje de sua história após o lançamento de Powerslave, um disco memorável, que fecha a tríplice “mão no peito”. Nesse momento do tempo, a banda está em seu momento mais popular e exposto. A expectativa pelo próximo trabalho era grande.

Em 1986, surge Somewhere in Time, uma aposta de Steve Harris em um caminho que a banda não vinha seguindo, com um clima menos calcado no heavy metal criado nos últimos álbuns para um som de interpretação mais futurista, recheado de sintetizadores. Eu, particularmente, gosto quando uma banda tenta fazer algo diferente de sua zona de conforto – e aqui não é só na questão de Iron Maiden, mas de qualquer banda. Muito fã não aceita uma troca de direção e, em certos casos, realmente uma banda não acerta a mão. Eu conheço gente que classifica Somewhere in Time como o melhor da Donzela. Para mim, é exagero; mas ainda estamos a passear pela fase áurea da banda.

The Entire Population of Hackeney

O título dessa sessão é um nome de um “grupo”. E entender esse “grupo” é pré-requisito para entender os singles dessa fase. A palavra está entre aspas porque seus membros nunca quiseram formar uma banda, mas sim, se divertir.

Durante a pausa da mega turnê do Powerslave, Nicko McBrain alugou um estúdio para ficar tocando bateria, já que os longos meses de pausa deixaram ele sem paciência. O baterista chamou seus amigos Martin Connolly e Adrian Smith para se divertirem; e o guitarrista, por sua vez, levou junto Dave Colwell e Andy Barnett, amigos da época que existia a Urchin. Estava formada a Entire Population of Hackney.

Hackney

Já que não teve foto oficial, eu fiz uma.
The Entire Population of Hackney: Adrian Smith (guitarra e vocal), Dave Colwell (guitarra), Andy Barnett (guitarra), Martin Connolly (baixo) e Nicko McBrain (bateria)

Em capítulos futuros, veremos que o tiro saiu pela culatra, porque com a saída de Adrian Smith da banda, a base do Entire Population of Hackney foi o que gerou o projeto ASAP (Adrian Smith And Project).

Os amigos chegaram até a fazer alguns shows (três ou quatro), sendo que na apresentação final eles mudaram o nome da banda para The Sherman Tankers. O setlist era composto por uma mescla de covers e canções das bandas antigas de seus integrantes, incluindo participações de Steve Harris, Bruce Dickinson e Dave Murray no BIS final, que incluíam as performances de Losfer Words (Big ‘Orra) e 2 Minutes to Midnight.

The Sherman Tankers

Um dos poucos registros do Sherman Tanks ao vivo, já no encore quando entram Bruce, Dave e Steve.

Tem até um bootleg com a gravação de um desses shows, no Marquee Club em Londres, que é vendido como sendo da Donzela:

Singles de Somewhere in Time

Wasted Years

Lançado em 06 de setembro de 1986, o single retratava a capa de uma máquina do tempo, onde as telas ao redor do painel retratavam os “Wasted Years” (começando na esquerda seguindo sentido anti-horário: a visão do Inferno em The Number of the Beast, as pirâmides de Powerslave, um campo de futebol – aqui sem relação com outros álbuns, mas com relação ao fanatismo da banda por futebol – e um cemitério, de Live After Death), além de, no painel, podermos encontram o número 666, os dois minutos para meia-noite e o valor de PI na matemática (3,14159).

Acima do painel, onde está a viagem do tempo em si, é possível ver uma TARDIS (Time And Relative Dimension In Space), do seriado de TV inglês, Dr. Who, que discorre sobre o tema da viagem no tempo, uma brincadeira que a máquina do tempo do Iron Maiden encontrou a Tardis no mesmo “túnel” de viagem.

Continha três faixas:

  1. Wasted Years: mesma faixa do álbum Somewhere in Time. Vale ressaltar que é o primeiro single da banda escrito totalmente por Adrian Smith.
  2. Reach Out: essa faixa é um cover da banda Entire Population of Hackney. Foi previamente escrita por Dave Colwell em uma de suas bandas antigas e adaptada.
  3. Sheriff of Huddersfield: uma zueira com Rod Smallwood que a banda criou e manteve em segredo do próprio Rod e da EMI, até gravarem e lançarem o single. Fala sobre as reclamações constantes de Rod em morar em Los Angeles e da falta que ele tinha de seus hobbies ingleses. Rod soltou a seguinte nota ao comentar da faixa no Best of the B-Sides: “Obviously the lyrics are totally untrue and unjust and still pending a major legal action for yours truly. It must be said though that Huddersfield is a wonderful place”.
Single WY

O single e a localização do símbolo de Derek Riggs

Stranger in a Strange Land

Lançado em 22 de Novembro de 1986, após o lançamento de Somewhere in Time. A imagem da capa não tem nada a ver com a faixa título do single, mostrando um Eddie androide em um cenário que lembra Star Wars. Contém as seguintes faixas:

  1. Stranger in a Strange Land: mesma faixa do álbum Somewhere in Time.
  2. That Girl: canção escrita por Andy Barnett na época que ele tocava em uma banda chamada FM, que foi adaptada pela The Entire Population of Hackney. Para o single, todo o instrumental foi gravado por Nicko e Adrian, dado que, segundo o Listening with Nicko, Dave e Steve não quiseram aprender a música.
  3. Juanita: essa música é um cover da banda inglesa Marshall Fury, cujo baixista era o Martin Connolly, do The Entire Population of Hackney. Ela foi gravada nos mesmos moldes de That Girl, com instrumental gravado somente por Nicko e Adrian.
Single SSL

O single e a localização do símbolo de Derek Riggs

“Somewhere in time” (1986)

Steve e sua turma resolveram fazer a produção do álbum em mais de um país, sendo que vocais e guitarras foram gravadas na Holanda e bateria e baixo nas Bahamas.

Coisas que ninguém presta atenção Ficha Técnica:

  • Produtor, engenheiro de som e mixagem: Martin Birch
  • Engenheiros de som auxiliares na Holanda: Albert Boekholt e Ronald Prent
  • Engenheiro de som auxiliar nas Bahamas: Sean Burrows
  • Masterização: George Marino
  • Capa: Derek Riggs
  • Gravação no estúdio Wisseloord (Holanda) e Compass Point (Bahamas)
  • Mixado no estúdio Electric Ladyland, Nova Iorque
  • Masterizado no Sterling Sound, Nova Iorque

Vamos confessar: os caras estavam esgotados. Após vivenciarem a maior turnê que o Iron Maiden teve até os dias de hoje, todos ganharam seis meses de férias. E isso logo caiu para quatro. O trabalho precisava continuar e a pressão era grande: como criar um álbum que acompanhasse o ritmo dos três últimos lançamentos de estúdio?

Foi durante os trabalhos dessas novas composições que tivemos os primeiros desencontros. Steve não tinha suspeitas de que o próximo álbum deveria seguir as mesmas fórmulas musicais que a banda sempre fez, enquanto que Bruce Dickinson queria evoluir musicalmente, propondo inovações na maneira de fazer música.

A inovação proposta era tanta que as músicas tinham uma pegada soft, mais voltado para o acústico que para a cartilha do heavy metal. O restante da banda e Derek Riggs não tiveram dúvidas: Bruce precisava ser rejeitado. E foi. Nenhuma de suas composições foi inserida em Somewhere in Time, cujo tracklist ficou assim:

  1. Caught Somewhere in Time (Harris) – 7:25
  2. Wasted Years (Smith) – 5:07
  3. Sea of Madness (Smith) – 5:42
  4. Heaven Can Wait (Harris) – 7:21
  5. The Loneliness of the Long Distance Runner (Harris) – 6:31
  6. Stranger in a Strange Land (Smith) – 5:44
  7. Deja Vu (Harris / Murray) – 4:56
  8. Alexander the Great (Harris) – 8:37
1986-somewhere-in-time

O lineup de Somewhere in time – esq. para dir.: Adrian Smith (guitarra), Dave Murray (guitarra), Bruce Dickinson (vocal), Nicko McBrain (bateria) e Steve Harris (baixo). Me desculpem o pôster amador (até com dobra no papel), mas é para lembrar como é que não se tira uma foto profissional de uma banda de Heavy Metal.

O álbum, lançado em 29 de setembro de 1986, traz um tema futurista, tanto em seu som como em sua capa, essa com influências claras do filme Blade Runner e outros elementos que vamos relembrar.

E se na capa de Powerslave Derek Riggs brincou com pequenos detalhes escondidos, em Somewhere in Time isso passou dos limites, com uma capa muito detalhista, recheada de peculiaridades dos mais diversos tipos e referências da banda, além de uma brincadeira aqui outra ali – tem alguma que você não conhecia?!

Nota: por favor, pegue sua capa do LP e uma lupa para seguir todas as curiosidades. A imagem abaixo é uma referência, extraída da imagem do CD, que não dá para ver tudo, sem contar que é uma sofrência…

Detalhes da capa

    1. Ícaro, caindo em chamas, referencia Flight of Icarus. De acordo com Riggs, o Icarus é para parecer com o logo da Swan Song Records, um label fundado pelo Led Zeppelin;
    2. O nome do bar é Aces High;
    3. Um avião de guerra, também referência à Aces High;
    4. Referência ao Hammerjacks Night, um bar em Baltimore, Estados Unidos, que Steve e sua turma iam muito. O bar está em processo de reforma em um novo local, leia mais aqui;
    5. Long Beach Arena: local onde o Live After Death foi imortalizado;
    6. Três pirâmides egípcias fazem referência à Powerslave;
    7. Marquee Club é um bar em Londres que lançou inúmeras bandas da região para o mundo, incluindo a Donzela. Infelizmente, ele não existe mais;
    8. Tehe’s Bar é o local onde a banda recrutou uma galera para cantar em coro o conhecido “oh-oh-oh” de Heaven Can Wait;
    9. The Sand Dune Grill: referência à To Tame a Land (baseada no romance “Dune”);
    10. A silhueta da Dona Morte: Derek Riggs coloca essa imagem em várias de suas obras;
    11. Imagem egípcia, também referência à Powerslave;
    12. Letras japonesas, referência ao Live in Japan;
    13. Rainbow: referência ao Rainbow Theatre, onde a Donzela gravou seu primeiro VHS ao vivo.
    14. Nossa, o Batman! Claro que não, né! É o personagem de O Fantasma da Ópera! Olhe direito:Batman
    15. Nessa plaquinha minúscula está escrito Upton Park. É o nome do estádio do West Ham, time do Steve Harris;Upton Park
    16. Bradbury Towers: referência ao Bradbury Building, onde Blade Runner teve várias de suas cenas filmadas;
    17. Esse desenho é o parafuso que tem na parte frontal da cabeça do Eddie, que iniciou com a lobotomia em Piece of Mind.
    18. Maggies Revenge (Vingança da Maggie): referência à “vingança” de Margaret Thatcher, que foi morta por Eddie na capa do Single Running Free, mas que estava pronta para dar uma surra em Eddie na capa do single Women in Uniform;
    19. Está escrito “Kephir”: essa palavra é “Iogurte”, em russo (e sim, está digitado errado, porque não tenho um teclado Russo);
    20. Tyrell Corp.: referência ao filme Blade Runner, que inspirou a capa;
    21. West Ham 7×3 Arsenal: porque só assim para um time da terceira divisão do campeonato inglês ganhar de goleada de um dos principais times da liga principal;
    22. Ancient Mariner Seafood Restaurant: referência clara à The Rime of the Ancient Mariner;
    23. Herbert Ails: essa é uma brincadeira genial que pouca gente conhece. O verbo “to ail” significa algo como “incomodar / causar problemas”. Esse ‘nome falso’ (Herbert Ails) é uma referência ao escritor Frank Herbert, autor de Dune, que não permitiu ao Iron Maiden colocar o nome de seu romance na música que acabou virando To Tame a Land. Assim, por ter causados problemas à banda, Frank ganhou um pseudônimo.
    24. Dois minutos (HM) para a meia-noite!
    25. Nicko McBrain está vestido como piloto, porque ele é piloto também (o Bruce tem brevê e o escambau, mas isso não desmerece o Nicko)! Além disso, sua camiseta diz “Iron What?”;
    26. Esse item é mais um “achismo”. A pessoa sentada seria Charlot the Harlot, devido às luzes vermelhas do aposento. Não há qualquer outra relação no desenho que indique isso;
    27. Tonight Gypsy’s Kiss: referência à primeira banda de Steve Harris;
    28. Tem gente que fala que o carro voando é o Delorian do filme “De Volta para o Futuro”. Apesar de fazer sentido, até porque o desenho parece, eu acho que o carro é a primeira versão da máquina do tempo criada pelo próprio Derek, cujo painel podemos ver no single de Wasted Years e que também fez parte do cartaz de divulgação da turnê do Somewhere on Tour.
    29. Ruskin Arms: pub inglês que o Maiden tocou muito nos seus primeiros anos;
    30. Phantom Opera House: referência à canção The Phantom of the Opera;
    31. Bruce segura um cérebro em suas mãos. Referência ao álbum Piece of Mind;
    32. The Philip K. Dick cinema: Philip é autor do livro “Do Androids Dream of Eletric Sheep?”. O filme Blade Runner é baseado nele;
    33. Ali temos um cinema, onde estão em cartaz “Live After Death” e, mais abaixo, “Blade Runner”;
    34. Temos uma placa indicando que a rua que Eddie se encontra é “Acacia”, referência à 22 Acacia Avenue, quarta faixa do The Number of the Beast;
    35. Ali no céu, as nuvens, a lua e o fundo do espaço formam o pedaço direito do rosto de Eddie. Se você não consegue vê-lo, lembre-se da capa de Brave New World, que a semelhança é instantânea.Olho de Eddie
    36. Cartaz na parede referenciando o álbum Iron Maiden;
    37. Essa você nunca pensou: a mira de raio laser no rosto de Eddie está no mesmo olho que está enfaixado na capa do single de Two Minutes to Midnight (onde suspostamente ele perdeu o olho); Portanto, após Eddie morrer e reviver como androide, o local do olho teve que ser substituído.
    38. Letreiro do Olho de Horus, referência à Powerslave;
    39. O símbolo de Derek Riggs
    40. Eddie, teoricamente, acabou de atirar em outro androide. Essa mão robótica não é só uma referência à Blade Runner, mas também uma referência a The Trooper. Na capa do single do Piece of Mind, um dos solados no chão tem exatamente a mesma mão, mas desenhada de maneira espelhada;
    41. Mais letras japonesas que referenciam o Live in Japan;
    42. Aqui é mais uma curiosidade das firulas de Derek: o emblema do elemento radioativo;
    43. Lá dentro da loja tem uma faixa pendurada no teto, que você consegue ler, de trás para frente, o seguinte: this is a very boring painting. Abaixo imagem invertida para facilitar:Boring Paint
    44. A lixeira da capa do primeiro álbum da Donzela;
    45. Olha ali mais um gatinho com auréola (que vai ser assunto de um dos apêndices da discografia, que finalizará a Deus Dará);
    46. Aquela cabine azul é a TARDIS (que também aparece na capa do single de Wasted Years), a nave espacial e máquina do tempo do seriado londrino de ficção científica Dr. Who;
    47. Webster’s: referência à Charlie Webster, diretor artístico da EMI na época do lançamento do álbum;
    48. Referência ao Club L’Amour, localizado no Brooklin, NY, legendário bar de heavy metal onde a banda já tocou, inclusive;Tem algumas brincadeiras de Derek que não dá para ver na arte do CD (que é a imagem acima), mas só no álbum e na pintura original. Vamos a elas:
    49. Próximo ao cinema, é possível ler o logo “Sanctuary Music Shop”Sancturary
    50. Ainda perto do mesmo local, há uma referência à EMI:EMI
    51. E bem próximo à EMI, como foi feito em Powerslave, insistiu-se na piada da palavra “bollocks”, dessa vez com “bollocks again & again”:bollocks
    52. Abaixo das pirâmides é possível ler a inscrição “Azimov Foundation”, referência ao escritor de ficção científica Isaac Azimov.Azimov
    53. E, por último, uma imagem que dá para ver também do CD, mas que eu descobri pouco depois de fechar o post e fiquei com preguiça de mudar a imagem das numerações (o que significa que eu também não sabia e aprendi recentemente). As letras abaixo, que podem ser vistas no canto esquerdo da arte de Derek, formam a palavra “Deus” em Hebreu, que passando para nosso alfabeto fica “yhvh” e cuja pronúncia é “Yahveh” (hebreu antigo tem pronúncia de vogal, mas sem que elas sejam escritas – legal, né?!).Yahveh

Para efeito de mais curiosidade ainda, eu montei um quadro para quantificar as referências que existem na capa com cada um dos álbuns da Donzela (o item 33 eu dei o voto para o Live After Death, para dar um apoio moral frente à pontuação do Blade Runner):

Tabela de Referencias

[NOTA POR EDUARDO] Mais um item, mais óbvio: abaixo do # 36 e acima do # 40, no muro, um grafite de “Eddie Lives”].

Faixa a faixa

Somewhere in Time passeia por diversas músicas que abordam um tema central: o tempo. São interpretações diferentes do mesmo conceito: domínio do tempo em Caught Somewhere in Time, o tempo perdido em Wasted Years, o tempo errado para algo acontecer em Heaven Can Wait, o tempo que parece não ter fim em The Loneliness of the Long Distance Runner, o tempo que se repete em Deja Vu e o tempo de um domínio único em Alexander the Great. Obviamente que a intenção da banda não era criar um álbum conceitual (e se algum amigo mané seu defende essa tese, informe-o que o próprio Steve Harris oficializou que a produção das músicas com o tema foi mera coincidência).

Os primeiros segundos de Caught Somewhere in Time já denotam a nova sonoridade proposta e o choque inicial com os sintetizadores das guitarras é notório, com timbres que se repetem álbum adentro. A faixa de abertura tem um galope forte e acelerado, contando a história de alguém que possui o domínio do tempo e oferece que os demais vendam sua alma para o personagem cantado por Bruce. Está entre as minhas favoritas.

Wasted Years, primeiro single do álbum e nossa faixa dois, é uma das músicas com refrão mais grudento acessível, com elementos pop que contribuíram para a popularização do Iron Maiden. Particularmente, eu piro no solo dessa música e considero um dos melhores solos do Maiden. A mensagem da canção é muito direta: o tempo perdido não volta mais e você não deve ficar procurando por glórias passadas – sua vida é o agora e você deve vivê-la intensamente ao invés de se lamentar pelos “bons tempos que não voltam mais”. O vídeo-clipe, inclusive, é recheado de fotos antigas da banda (incluindo a visita de Dave Murray e Steve Harris ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro) e pequenas vinhetas com descontrações:

Na terceira posição, “Sea of Madness” é a canção mais interpretativa do álbum, demonstrando um estado de loucura que eu, você ou qualquer um (ou, porque não, todos juntos – a canção pode ser uma metáfora para a civilização humana) pode ter, quando tudo o que olhamos em nossa volta não nos traz esperança e nos alimenta de tristeza.

Na quarta posição, Heaven Can Wait relata uma experiência de quase-morte, onde nosso personagem relata, durante a canção, os questionamentos e anseios do porquê de sua morte e porque ele deveria voltar à vida. Com uma parte dedicada ao famoso “oh-oh-oh”, é uma fórmula certeira para ser executada ao vivo e cantada em plenos pulmões pelas multidões.

Baseado em um romance homônimo de Allan Sillitoe, que também virou filme em 1962, The Loneliness of the Long Distance Runner detém a quinta faixa. A história original relata um jovem britânico delinquente, que é enviado a um reformatório e, lá, tem a chance de conseguir a liberdade se ganhar uma corrida. No decorrer da corrida, ele começa a se auto questionar de certas coisas em sua vida e tenta encontrar seu próprio caminho. A canção chega, meio que indiretamente, a contar o final do livro / filme, que eu não vou dizer para não ser o estraga-prazer.

Faixa 5

O segundo single do álbum, a sexta faixa Stranger in a Strange Land, é uma composição cuja história discorre sobre um explorador que está preso no Ártico e que acaba congelado. Seu corpo é encontrado 100 anos depois, intacto no gelo. Adrian Smith conversou com um explorador que vivenciou a experiência de encontrar um corpo no gelo e daí partiu a ideia da canção. Essa faixa foi a segunda a virar vídeo-clipe, dessa vez uma performance ao vivo da banda. Apesar do pulsante baixo de Steve e sucesso entre os fãs, eu a considero uma das mais fracas do álbum (atenção xiitas de plantão: eu não escrevi que ela é ruim).

Na penúltima posição do álbum temos, além de ser a única contribuição de Dave Murray, um excelente lado-B injustiçado: Deja Vu, cuja letra claramente descreve sensações de Deja Vu, expressão francesa, cuja tradução literal é “Eu já vi”, que descreve um fenômeno psicológico quando temos a impressão de já ter presenciado um determinado fato ou estado antes em algum lugar.

E fechando o álbum, Alexander The Great, a mais que espetacular, épica, mão-no-peito, estupenda, sensacional, , canção que a Donzela criou nesse álbum. Com uma harmonia bem ímpar em relação às estruturas das outras canções, ela sumariza a vida do rei militar Alexandre, o Grande, que governou o império antigo da Macedônia. A letra contém algumas falhas com relação à real história de Alexandre (por “real história” aqui estou me referindo ao conteúdo dos livros didáticos). Eu vou deixar aqui uma deixa para um futuro link que usaremos quando tivermos um post dissecando essa canção (pois se eu for colocar isso nesse post, teremos o dobro do tamanho e fugiremos da proposta do capítulo).

E se por acaso você nunca tenha ouvido Somewhere in Time, nunca é tarde:

A turnê do álbum se chamou Somewhere on Tour, englobando 155 shows entre as datas de 10 de setembro de 1986 até 21 de maio de 1987. Para conseguir criar o ambiente do álbum, Steve, além de levar seus sintetizadores de guitarra e baixo, também começou a incluir seu técnico de baixo, Michael Kenney, como tecladista, ficando nos bastidores do palco. Essa prática foi usada por muito tempo, em turnês além dessa aqui.

Somewhere on tour

Além disso, tivemos o Maiden executando pela primeira vez um solo de guitarra entre canções (uma prática pouco adotada pela banda e que eu, particularmente, acho um saco em qualquer show que vou). O solo não era improviso, mas uma criação de Adrian Smith junto com seu “grupo” The Entire Population of Hackney, como vimos nos singles de Somewhere in Time, junto com algumas frases de solos de outras canções da Donzela.

Durante o final da turnê, no Hammersmith Odeon, a banda fez uma apresentação extra para a N.S.P.C.C. (que, em português, é a Sociedade Nacional de Prevenção aos Maus Tratos Infantis), onde a banda de “rock paródia” Bad News também fez parte da apresentação. E agora você sabe quem são esses caras das fotos abaixo, que ninguém conhece, que inclusive está no set de fotos do mega encarte do Best of the Beast:

Iron Maiden e Bad News

Na foto da esquerda também estão Brian May (Queen) e Jimmy Page (Led Zeppelin) que estavam nos camarins do Hammersmith Odeon

Infelizmente não houve registro oficial dessa turnê, o que faz com que sejam poucas filmagens amadoras e alguns poucos bootlegs que deixaram as canções dessa turnê registradas.

Documentário “12 Wasted Years”

Em outubro de 1987, a banda lançou um VHS com um documentário de 90 minutos contando a trajetória da Donzela, com entrevistas e várias performances ao vivo. Esse VHS, intitulado 12 Wasted Years, tem um bootleg que é brazuca. Você já deve ter topado com uma versão em DVD desse documentário (eu já topei), vendido só no Brasil. O legal é o DVD oferecer várias opções de áudio e quando você coloca o play, dá para perceber que foi uma cópia do VHS.

12 wasted years

As duas capas lançadas para o VHS e a capa do bootleg brasileiro

De todas as coisas legais que o documentário mostra, fica aqui um registro mais que espetacular de Wasted Years, quando o Iron Maiden foi convidado a tocar em um programa alemão de televisão com playback (depois de muita birra da banda se opondo). Como não teve jeito, os caras resolveram se divertir. E o melhor de tudo foi quando a EMI falou ao Steve Harris que eles nunca mais tocariam em programas de TV e a resposta foi algo como “Que bom, porque não fazemos playback!”.

Setlist tocado na Somewhere on Tour

  1. Blade Runner Movie Theme (versão da New American Orchestra)
  2. Caught Somewhere in Time
  3. Two Minutes to Midnight
  4. Sea of Madness
  5. Children of the Damned
  6. Stranger in a Strange Land
  7. Wasted Years
  8. Rime of the Ancient Mariner
  9. Where Eagles Dare
  10. Solo de guitarra (Walking on Glass)
  11. Heaven Can Wait
  12. Phantom of the Opera
  13. Hallowed Be Thy Name
  14. Iron Maiden
  15. The Number of the Beast
  16. Run to the Hills
  17. Running Free
  18. Sanctuary

No próximo capítulo, o bicho pega. Teremos a missão de conseguir contar em detalhes a história do sétimo filho do sétimo filho. Melhor eu abrir uma Trooper…

Até mais! Beijo nas crianças!

Kelsei Biral

Revisou e contribuiu: Eduardo



Categorias:Bootlegs, Covers / Tributos, Curiosidades, Discografias, Iron Maiden, Led Zeppelin, Músicas, Queen, Resenhas

13 respostas

  1. Fantástico !!!!!!! Sensacional artigo, parabéns, aprendi muita coisa aqui !!!!! Melhor texto sobre SIT que li até hoje.

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  2. Voltando no tempo… tenho muitas lembranças dessa época. Em 86 não tínhamos informações sobre o cenário Rock/Metal, alguma coisinha pipocava aqui e ali. Em 86 o Iron Maiden já era minha banda favorita, também sabíamos que Bruce Dickinson tinha vindo de uma banda chamada Samson, coincidentemente neste mesmo ano a Capitol lança Head Tactics com Bruce no vocal. Pronto, “Fake News” armado, Dickinson havia saído do Maiden e voltado pro Samson. Aproveitando… esse e’ um excelente álbum!!!
    Ate que chega nas lojas da cidade onde nasci o Somewhere In Time, Bruce continuava no Maiden, mas não havia nenhuma composição dele, então outro “Fake News” Dickinson não saiu, mas vai sair em breve… Olhando pra trás, como éramos ingênuos, imagine Dickinson abandonando o Iron em seu auge pra voltar ao Samson, que “capengava” com o seu Joint Forces, totalmente improvável.
    Voltando a realidade, Kelsei, eu nunca tinha pensado que esse Somewhere In Time poderia ter tanta ligação com o Entire Population of Hackney, penso que vc deva estar certo mais uma vez. Também acho que o embrião deste projeto foi o Urchin, porem acredito que a espinha dorsal deste projeto acabaria se tornando o A.S.A.P. e um pouquinho mais tarde o que se tornaria a banda britânica de Hard Rock FM, com os músicos citados pelo Kelsei mais o Pete Jupp (ex-Samson) na bateria e como vocalista Steve Overland.
    Segue abaixo os guitarristas mencionados no The Entire Population of Hackney: Dave Colwell, Andy Barnett e o vocalista Steve Overland .

    Ah, apenas para contar, posteriormente Dave Colwell entraria no Bad Company. Em minha opinião, o melhor e’ cada um na sua, Barnett e Overland no FM e Cowell no Bad Company, para eles, Iron Maiden fica muito distante.
    Mas voltando ao Somewhere, gostaria de dizer que mais uma vez o kelsei foi brilhante!!! Excelente post, recheado de detalhes, por mais que eu achasse que poderia saber de tudo sobre o Maiden sempre me surpreendo! E principalmente me faz voltar no tempo, trazendo junto ótimas lembranças.
    Um abraço a todos.

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    • JP, mas a banda “FM” é de antes do Somewhere in Time (e também do Entire Population of Hackney). Ela existia já fazia uns anos e That Girl tinha uma versão já pronta quando eles adaptaram o que seria o “cover” do Maiden:

      Aos curiosos:

      E sim, esse som é bem mais a cara do Hard Rock do que do Maiden. Como você mesmo disse, “cada um na sua”.

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      • Bem lembrado Kelsei, o FM foi mesmo formado antes do Somewhere in Time, pelo vocalista Steve Overland e a “cozinha” do Samson: Merv Goldsworthy e Pete Jupp. Porem penso que a banda realmente encorpou após a entrada do Andy Barnett, depois que ele saiu do A.S.A.P. Guardada as devidas proporções, acho que e’ mais ou menos o que aconteceu com o Stratovarius a partir do Fourth Dimension ou o Kamelot do Siége Perilous pra frente. O vídeo que você postou e’ a primeira musica do disco de estreia (86), Barnett compôs essa musica junto com os caras da banda, mas ele só foi entrar oficialmente no Takin’ It To The Streets (91).

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  3. Pode-se dizer que aqui começa a fase mais “experimental” do Maiden (depois do sucesso enorme que o disco Powerslave e sua monstruosa turnê proporcionaram a banda), com um de seus álbuns mais desvalorizados á época, mas que hoje em dia as pessoas tem demonstrado grande apreço pelo mesmo, chegando até mesmo a aclama-lo como um dos melhores discos da Donzela de Ferro, e é exatamente isso que Somewhere in Time é!

    Destaco dele as músicas “Wasted Years” e seu videoclipe “autobiográfico” que conta toda a história do Iron até este ponto; “Stranger in a Strange Land” que não repercutiu tanto quanto a anterior faixa citada, mas mesmo assim é uma ótima música; e “Heaven can Wait” minha favorita do disco, aquela que quando tocada nos shows, era o momento em que vários fãs subiam ao palco e faziam a festa junto da banda, na sua parte central, em que a música saía da velocidade inicial para um andamento mais cadenciado, de onde saiu os famosos coros “oh, oh, oh” típicos da banda (novamente reclamo a ausência desta música no repertório de “En Vivo!” – aquele famigerado disco ao vivo que o Maiden fez no Chile, durante a turnê de The Final Frontier, em 2010-2011, mais ou menos). E sobre “Alexander the Great”, acho que dificilmente o Maiden irá conseguir toca-la ao vivo em sua turnê recente (Legacy of the Beast, 2018), assim como várias outras músicas do Somewhere in Time, mesmo com toda essa insistência dos fãs que sempre acompanham a Donzela em todo o mundo.

    E sobre essas “experimentações e experimentos” com sintetizadores e teclados que o Maiden começou a fazer a partir de 1986, acho que o resultado de Somewhere in Time foi bem mais moderado, mais bem dosado, ao contrário de seu sucessor (Seventh Son of a Seventh Son, de 1988), na minha opinião o mais controverso, polêmico, exagerado e incompreendido disco da banda, que brevemente será destrinchado aqui no Minuto HM. Mais pra frente explicarei o porquê dessas minhas afirmações a respeito dessa história esquisita do “Sétimo Filho do Sétimo Filho” transformada em música pelo Maiden em seu sétimo disco. Por enquanto, vamos curtir o Somewhere in Time” e viajar para o infinito ouvindo esta obra-prima tão subestimada pela própria banda e pelos fãs também.

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  4. Novamente um excelente texto, descontraído, inspirado e repleto de informações muito interessantes. Assim como nos comentários do JP é impossível não lembrar a época do lançamento do “disco”. Lembro também dos EPs made in Argentina que desembarcaram por aqui com aquelas capas moles e traduzidas para o espanhol. Melhor que não ter!
    A mudança foi marcante e positiva. Minha expectativa não era bem encontrar um som mais leve, mas agradou. Sempre gostei do álbum. Aliás gosto de todos.
    Quanto a capa, qual deve ter sido o tamanho original da arte para ter tantos detalhes? Nunca vi tanto detalhe em outra capa quanto nessa. Esse é um dos álbuns que eu gostaria de ter em vinil.
    Obrigado por compartilhar tanta informação!
    Valeu Kelsei !!!

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  5. Mais um post primoroso do Kelsei. Sei que é repetir o já sabido pr todos, mas azar. Parabéns.
    Lembro muito bem da época do lançamento do álbum, quando o Iron Maiden já fazia parte da minha tríade favorita (com Purple e Sabbath). Ao entrar na loja Pop Som da Galeria Chaves aqui em Porto Alegre e colocar a bolacha num dos pratos a disposição na loja para ouvir seus discos (sem antes prometer escrutinar a capa do álbum em detalhes após levá-lo pra casa), confesso que me surpreendi, e muito, com os primeiros acordes das guitarras sintetizadas de “Caught Somewhere in Time”. Pra mim Somewhere in Time, anda que seja um álbum inovador pro Maiden e com algumas canções fortes, já não faz parte da era do ouro do Maiden. Já se passaram 32 anos e não absorvi bem o extensivo uso de guitarras sintetizadas no disco.
    Me parece claro uma “popização” das músicas do álbum. Não vejo como músicas como Wasted Years, Heaven Can Wait (e seu chatíssimo coro ooh ooh) e Stranger in A Stranger Land pudessem “entrar” em qualquer álbum do Maiden desde a entrada de Bruce Dickinson. Stranger poderia ser chamada de uma balada. Uma boa balada e com um excelente solo, verdade, mas ainda sim uma balada.
    Sou daqueles que torce pra que “Alexander” entre no set list de uma turnê por considerá-la a mais forte do álbum. Sea of Madness deu uma “crescida” pra mim mais recentemente com sue riff incomum e as quebradas de tempo que alguém com melhor conhecimento técnico saberá explicar melhor “Loneliness” tem um clima perfeito para o tema que representa. Repito, é um álbum forte, mas que em comparação a Powerslave ou Live after Death, representou, pra mim uma certas queda. Afinal o auge não pode durar pra sempre!

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  6. Ainda, sobre os detalhes da capa:

    Sobre os detalhes já destacados:
    19. alguém sabe porque o Derek resolveu fazer menção a iogurte?
    21. Aí há um equívoco. Ja faz alguns anos que o West Ham disputa a Premier League inglesa. E inclusive acaba de ganhar do Manchester United. Go Hammers!!!
    48) Nesse tal de L’Amours o iron tocou várias vezes, inclusive um show secreto em 1988 com o nome de “Charlotte and The Harlots”

    Outras referências que (acho que) encontrei:
    Abaixo do 42)tem um “Pizza Hot” As letras cirílicas acima significam leite coalhado em russo
    Abaixo das pirâmides e da “Morte” tem uma espaçonave que lembra muito a Enterprise-D, do seriado “Jornada nas Estrelas”

    Para uma imagem um pouco maior da capa:

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    • Hahaha .. boa Schmitt …. atualmente nem o “curintia” eu estou acompanhando, que diria eu da liga inglesa!

      Quanto ao “leite coalhado” essa eu não conhecia, mas se estava em russo então Derek ou na época fazia aulas de russo (ou “conhecia” uma russa). Uma palavra em russo é uma brincadeira, duas se torna uma conspiração. E com essa, temos um total de 55 curiosidades (53 do post, 1 do Rolim, 1 do Schimtt). #continuamosContando

      Quanto à Enterprise-D, lembra um pouco mesmo. Agora não sei dizer se essa foi proposital ou uma influência indireta.

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  7. Mais uma vez ( já virou rotina), desculpe a demora em comentar. Eu preciso sempre acompanhar a discografia botando o álbum para tocar e assim poder dedicar um tempo minimamente justo para a excelência desta (e das demais) resenhas.

    O post está talvez ainda melhor que as partes anteriores da discografia, essa dissecação da capa não tem preço, é espetacular . E quando chega a parte da explicação das letras vem a cereja do bolo. É muita informação que eu nunca tinha conhecimento sequer próximo.

    E quanto ao álbum? Pra mim é tão ou mais espetacular que o post, pois considero-o em terceiro entre os meus favoritos. Ele perde por pouquíssimo para o Piece of Mind e só encontra um rival inacessível no Powerslave. Adoro o clima do álbum, adoro a sonoridade inovadora, o som dos instrumentos está incrível, o uso das synth-guitars e synth-bass é soberbo. Gosto de todas as músicas, um pouco menos de Heaven Can Wait e Deja Vu, mas acho que mesmo essas entrariam em 90% dos álbuns do Maiden , com facilidade
    .
    Bruce não compôs, mas canta de forma impecável, na minha opinião pela última vez nesse nível de categoria. Ainda que ele seja um dos melhores vocalistas de todos os tempos e cante muito bem em todos os álbuns, acho que seu auge vocal chegou aqui em seu final.

    Steve também chegou em seu momento final de maestria do instrumento, ainda que eu goste bastante do que ele faz no próximo álbum. Adrian é o grande protagonista do álbum, mas Dave também faz ótimos solos, a introdução de Deja Vu é linda demais. E o som indefectível de Nicko está lá, mesmo cercado de tanta inovação de sonoridade.

    Kelsei, sou obrigado a discordar de sua avaliação acerca de Stranger in a Strange Land, que está entre as minhas favoritas, junto com Sea of Madness e Alexander The Great. As três faixas tem em comum um trecho instrumental no meio que é extraordinário, em especial pelo baixo e as intervenções de Smith.

    Em verdade , Somewhere in Time é o último grande álbum da banda , pra mim, um álbum perfeito. E a tour quase não utilizou as guitarras synth, segundo o que me consta, pela dificuldade de utilizar a captação MIDI em conjunto com o sistema sem fio. Assim, sobrou apenas a (linda) Walking on Glass.

    Kelsei, mais uma vez muito obrigado e até o sétimo filho, o próximo capítulo !

    Alexandre

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  1. [Discografia Iron Maiden – Apêndice A] Desvendando “Alexander The Great” – Minuto HM

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