Por que o Blu-Ray não venceu no Brasil?

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O espaço Minuto HM é profícuo para o uso da imaginação. Explico. Aqui você vê narrada aventuras (shows), herois (bandas/artistas), vilões (órgãos públicos/organizadores), florestas (cenários) e loucuras, estas sem parênteses. A turma não tem preguiça de contar, com riqueza de detalhes, as venturas que molduram um momento único na vida da gente: a hora que o grito na garganta de um refrão, demorou um “tempão” pra chegar até ali. Na prestação do cartão, no atendimento lixo do hotel, no atraso do avião, no dejá-vu dos shows e ocasiões, os reencontros, as amizades feitas pelo caminho; essas coisas que roteiro de cinema tenta imitar: a vida da gente.

A “turma do Dudu” não escolhe país, artista e nem faz distinção das pessoas. Aqui no Minuto HM você pode encontrar medalhões do rock ou gente apenas querendo se divertir, sem cobrar do público o ônus da fama; as vezes, só um copo de Brahma, um aplauso, um reconhecimento. Desce a página da gente e divirta-se. Quando não são os shows, são os meandros de um disco, de uma carreira, de uma vida interessante por trás de um microfone, de uma guitarra, de um baixo ou de uma batera. Olha, se você estiver em busca de saber sobre uns malucos que se aventuram a ver seus ídolos e escutar seus discos sem preguiça de “ouvir”, manda ver! Aqui o que não falta é assunto. Nem te falo dos nossos podcasts

O que isso tem a ver com o título?

Eu gosto de rock. Mais do que toda a população do meu bloco. Mais do que qualquer um que trabalha comigo. Mais do que toda mobília que me serviu a vida toda. Eu gosto de rock mais do que todos os discos que tive/tenho e terei. Gosto de ser entendido como um perito do áudio metal. Classifico rock como música clássica, como concertos cheios de trompas, metais, cordas, piano… não desqualifico o estilo, só valorizo parte da minha formação por conta das guitarras que escutei desde novo. Neste post falo um pouco sobre isso.

… Mas quase não vou para shows.

Por que?

Porque sou extremamente inseguro e chato. Chato porque não consigo gozar do momento com a necessário desprendimento . Não escutar a linha de baixo de uma música que eu reconheci a vida toda como a parte mais bonita de uma canção porque o PA tá “estourado”, me deixa put*, como se o dinheiro que eu paguei tivesse que me dedicar a experiência do álbum, onde tudo está devidamente (opa! Quase sempre) mixado, equalizado, no seu lugar. Onde os vocais não estão superiores ao vocal principal e claro, onde eu consigo entender tudo que está sendo cantado. Inseguro porque sair de casa, pagar um absurdo, para ser empurrado de um lado, do outro e, pior do que isso, não ouvir todas as canções que eu QUERO, definitivamente, não é meu programa preferido.

Por isso sou um aliado importante do tecnologia. Quando os vídeos de alta definição invadiram as lojas de Paul Torrent (e também os originais, óbvio), tratei logo de procurar um player de blu-ray, uma televisão que atendesse minhas expectativas de “realidade” e um home theater, que se não é top de linha, responde plenamente a sensação absurda de estar ali. E melhor: sem um errinho sequer (obrigado overdubs!).

Lógico, por vezes troco a opção do sofá por um lugar em alguma casa de show fedorenta. Afinal de contas, existem experiências que nenhum tipo de avanço técnico irá alcançar. Coisas que guardamos no coração, lembranças que a irrealidade não transformará em tangente. São quando as luzes do palco ficam vibrando com som quando você sai daquele ambiente e o grito da galera ainda está ali, reverberando no seu peito. Quem não saiu com o ouvido zunindo com a canção saindo e entrando…?

Vejo o mesmo show dezenas de vezes. Em casa. Faço isso direto. Reparo nos acordes, nas caixas, no palco, no público, nos microfones, se o arranjo é igual ao disco, no mesmo tempo, na mesma cadência, se o “cara” errou a letra, se trocou, se os músicos de apoio estavam no dvd/blu-ray anterior, se gravaram o disco…

Agora se a gente tem hoje facilmente à disposição uma emulação do que mais perfeito em termos de áudio e vídeo, por que o blu-ray não vingou?

Bem, primeiramente é preciso deixar bem claro que me parece que a indústria brasileira não “quer” que o blu-disc vingue. E essa impressão fica muito clara quando nos deparamos com a quantidade de publicidade em cima das famosas TVs de 32”, 40”, 42”, 46”, 50”, 55” polegadas. Começaram sob a absurda diferença das televisões de plasma, chegaram às TVs de led – que se mostraram mais baratas e de manutenção razoável e agora não somente de plasma como de led, temos também as smarts. O brasileiro pode, após uma semana de intenso curso em frente ao televisor, assistindo comerciais, saber tudo sobre os recursos da televisão mas o que sabem sobre blu-rays?

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Até bem pouco tempo atrás, falando das minhas aquisições em blu-disc com alguns chegados, encontrei pessoas que NÃO SABIAM o que era um blu-ray, que o aparelho também reproduzia DVD e que a qualidade era muito superior à antiga tecnologia. Outros até estranharam, em um primeiro momento ao conhecerem minha sala, o brilho da tela, a sensação estranha de que o show fora filmado para “tv”.

Bem, temos motivos. O primeiro, recapitulando: o comércio varejista nunca fez questão de difundir o conceito do blu-ray. Essa foi uma BOA razão para pouca gente ainda conhecer as maravilhas da imagem em alta definição. Um outro motivo, associada à mesma indústria, é que desde que chegou às lojas brasileiras, nunca teve um preço atraente. Lá pelos idos de 2009/2010, só era possível comprar um aparelho blu-ray de uma marca confiável, em média, por quatrocentos reais. Salgado para um público consumidor habituado a “entender” que o que havia de melhor em termos de qualidade lhe custaria no máximo 200 reais (metade do valor) e que era possível comprar uma mídia com o show do Sorriso Maroto por módicos 12/14 reais. Hoje em dia é possível comprar um aparelho blu-ray, com entrada USB e cheio de recursos, como comprar filmes pelo Netflix, por menos de 180 reais! E mesmo assim, nada!

Um outro motivo econômico pelo qual o blu-ray não venceu é que para curtir um show ou um filme bacana ninguém desembolsa menos de 50 reais. Com sorte você acha promoções de alguns blu-discs custando pouco menos de 40 reais. Mas desconfie: os encartes devem ser um lixo e nada de detalhes sobre a produção em mãos. As mega stores para que haja absoluta coerência com o termo “mega”, mantém os preços muito longe do consumidor médio, que pode estar disposto a dar uma chance ao que ele entende como novidade mas que está por aí já faz um tempinho.

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Blu-Ray Celebration Day (nesta versão além do blu-disc + 2 cds) por noventa e cinco reais e noventa centavos em um loja de grande porte no Brasil. Nos Estados Unidos em março custou 29 dólares

Pessoalmente acho que uma outra razão para qual o blu-ray não ter vingado em terra brasilis é o fato de que brasileiro não se importa muito com qualidade (juízo de valor meu). Sei que isso é discussão que dá pano pra manga, mas impressiona a quantidade de gente que ainda opta por uma qualidade inferior havendo uma alternativa superior no mercado. Muito superior. Para não ficar apenas em achismos: a possibilidade 5.1 surround (já existente na tecnologia anterior mas melhor explorada nos produtos de alta definição) trazem uma outra experiência sonora. Aquela incômoda saturação nos graves que o DVD apresentou desde sua origem praticamente não existem na versão blu-disc. Existem exceções, especialmente se o dvd for importado, mas isto é assunto para outro post.

Poderíamos enumerar dezenas de atributos correlatos para que uma tecnologia de altíssima qualidade (e vem aí o 4k) não seja absorvida. Um outro exemplo é a categoria 3D que não foi capaz de seduzir o público brasileiro. E olha que os preços já foram bem mais altos! Sem contar que os principais canais de entretenimento brasileiro não oferecem programação de linha tridimensional, reduzindo as possibilidades de diversão. Se o consumidor nacional não abraçou o High Definition, vai meter uns óculos pesados no rosto para experimentar uma sensação nem sempre tão agradável?

E você? Acha tudo isso uma baboseira e nem se importa com as nomenclaturas usadas? Já testou o tal do blu-ray e se apaixonou? Ou o seu negócio é mais áudio do que vídeo ? Ou você discorda de tudo que está aí em cima? Opine!

See U!

Daniel Junior



Categories: Off-topic / Misc

25 replies

  1. Daniel, confesso que este é talvez meu assunto predileto de falar – talvez até mais que música, veja só. É mesmo um tema que sempre gostei, a vida inteira mesmo. Eu poderia aqui ficar horas falando e contando “causos”, mas para tentar não viajar muito e não me prolongar demais no blog (pode rir já), tentarei permanecer aos temas principais do post… aí a gente vê onde podemos ir parar…

    Para começar, obrigado pela introdução do seu artigo, que traz mais uma vez para quem chega ao Minuto HM um pouco do que somos por aqui – “uma turma da pesada, que apronta de montão”, como se pode ouvir em um certo canal global antes dos filmes da tarde. O mix aqui é importante e contribuiu à riqueza que vemos de material por aqui.

    Cara, eu sou um viciado em tecnologia, então eu me empolgo. Como disse, vou pegar leve. Então seu post traz pontos interessantes de se refletir, a maioria eu concordo, outros talvez eu tenha uma visão um pouco diferente. Como estamos falando de Brasil, vou falar apenas BRASIL, ok? Porque se adicionarmos o mercado americano, por exemplo, o papo é outro. Então, foquemos por aqui, ok? Vamos lá.

    Não vou voltar no tempo muito, nos tempos de receivers valvulados ou das lindas fitinhas Beta da Sony. Em 1999 (faz tempo já?), quando passei no vestibular e decidi fazer Mackenzie, lembro de ter ido visitar um lab da faculdade chamado “multimídia”. Chegando lá, me deparei com uma TV de Plasma que nunca tinha visto ao-vivo até então. Olhei a “finura” daquela TV e pensei, no auge dos meus 17 anos: “eu NUNCA terei isso. Isso não existe!”. Fiquei maravilhado com aquilo. Na época, eu já brincava de projetor em casa, estava estudando uma forma de juntar dinheiro para trocar caixas do meu quadrifônico valvulado de 1979 (com meu pai) e queria mais era ver aquela TV do Mackenzie funcionando sempre…

    Vamos lembrar que, em 1999 / 2000, ninguém sabia nem o que era MP3 direito no país! Quem dirá o concorrente da época, o ótimo formato VQF, da Yamaha. Falo isso com a maior tranquilidade do mundo pois eu tinha lá meus MP3s e ficava espantado como uma música ficava em menos de 4 MB enquanto antes 1 música ocupava quase meu HDD inteiro, convertendo de CDR. Não enchia UMA MÃO as pessoas que conheciam MP3, gravar um vídeo em CD ou coisa que o valha – e estou falando da tal “elite” aqui.

    Um dos meus primeiros amigos do Mackenzie tinha um mp3 player da Gradiente, o primeirão de todos do Brasil, com 16 MB (!), e ele tinha expandido para 32 MB (!!!). Fiquei tão maravilhado com aquilo que o comprei – e tenho até hoje. Cabiam cerca de 8 músicas antes da expansão e, claro, 16. A qualidade do MP3, 128 kpbs, era tida como ótima para mim na época. Enquanto isso, o povo no Brasil lutava para entender como um CD-player poderia tocar um CD gravado com o tal MP3.

    Em 2003, comprei meu primeiro home theater, um Sony STR-DE897, que é o que eu uso até hoje! Foi o primeiro Sony que tinha som 7.1 em uma época que “nego” nem sabia o que era multicanal e o assunto ainda queria aparecer. Eu resolvi me adiantar com este modelo, achando que a industria do DVD logo cairia na real que 7.1 é melhor que 5.1 – e como é melhor – e isso é algo que, NO BRASIL, não aconteceu ATÉ HOJE. No mundo NACIONAL, eu tenho UM, isso, UM (!) filme 6.1, que é o Premonicação 2, um lixo, mas que comprei SOMENTE pela segunda cena do filme que tem um som ESPETACULAR até hoje para testar homes. Sabe quantos DVDs originais eu tenho? Uns 500, entre filmes e shows, e SOMENTE este nacional que tem 6.1. Sabe quantos 7.1 eu tenho? NENHUM! Porque quando a industria foi para isso, o blu-ray chegou, juntamente com seus novos certificados de som e imagem (aliás, quem no Brasil entende de certificados? Quem foi na loja na época dos DVDs e perguntou sobre DTS-ES e DTS Neo:6? Quem vai hoje em tempos de blu-ray discutir se é melhor Dolby True HD ou DTS-HD Master? Aliás, quem SABE o que isso no país? Eu fiz um post em 2009 aqui no blog, do Flight 666 (já se vão mais de 4 anos deste post!) e já comentei alguns detalhes técnicos que me espantei na época: https://minutohm.com/2009/06/14/review-flight-666-cd-e-blu-ray/

    Estou falando tudo isso para confirmar que, salvas as exceções, o povo não estuda o que compra. Não sabe o que tem levar. Se deixa levar sempre por coisas como “esse é mais bonitinho, olha” e acaba levando para casa esses kit integrados que mal tem saída HDMI hoje em dia, ou subwoofer passivo. Não me imagino tendo um sub passivo nem se fosse em 1970, oras! Percebeu que nem de imagem comecei a falar ainda?

    Aí entramos em outro ponto: a mudança do mercado. Nos tempos do DVD, a internet não tinha capacidade para os streamings que temos hoje. A coisa mudou de figura quando aqueles 3 malucos criaram um tal de YouTube e uma empresinha chamada Google resolveu investir naquilo. E no Brasil? O povo começou a fazer sua coleção de DVDs pois o preço começava a abaixar… e você acha que alguém até hoje sabe o que é MESMO um DVD e o que ele oferece?

    Tem mais um agravante: chama-se manual de instruções. O brasileiro, historicamente, é preguiçoso. Chega em casa, liga e se está funcionando, que bom. Não lê o que pode explorar dos recursos que tem! Não sabe a diferença entre RCA, super-vídeo, coaxial, coaxial digital, vídeo-componente, HDMI. “O HDMI é um cabo só, então melhor que fica menos fio”. Trazendo ao mundo atual, temos os serviços por streaming: Apple, Amazon e Netflix, apenas para ficar entre estes. Os assinantes atuais de Netflix não configuram o serviço! Saem usando em qualidade “standard”, sendo que tem lá o “best quality” disponível, com qualidade MUITO superior e pelo mesmo preço!!!

    Disse isso TUDO porque aqui minha opinião é essa: não é que o brasileiro não goste ou não se importe com qualidade: o brasileiro é, em geral, preguiçoso e enxerga tudo como oportunidade de se ter vantagem financeira. Ele não sabe que a Samsung, por exemplo, emenda telas LCDs, diferente da Sony. “Ah, Sony é caro demais – é a mesma coisa!”. Não tem milagre.

    Sobre o blu-ray não vingar no Brasil, aí depende de que classe estamos falando. Hoje em dia vejo finalmente as pessoas comprando os “avatares”. Mas, de novo: comprando sem saber o que está efetivamente comprando. E como você bem disse, a galera compra estas edições nacionais totalmente sem graça, sem encarte ou com aquele papelzinho mixuruca. Mas isso existe, na verdade, desde sempre por aqui. O exemplo do blu-ray do Led que você trouxe é uma raridade no Brasil, mas é caro, como você disse.

    Deixa eu escrever algo por aqui antes que me joguem pedras: “ah, mas você então é rico”. Cara, nunca fui e infelizmente continuo não sendo – quisera eu ser. Mas mesmo acordando as 4h40 da manhã e dormindo a 1h00 nos tempos de Mackenzie, eu já sabia que aquela TV de Plasma era. Convido todos a irem a uma loja de eletrônicos e observar 10 minutos do comportamento das pessoas – olhando se o “pé da TV” é bonito.

    Então, o mercado que você diz que “não vingou” só vinga aqui quando o fator preço entra em ação. Só que, até isso acontecer por aqui, um novo formato chega…

    Vou terminar pelo começo, senão não paro nunca: os shows! Os shows, cara, são uma capítulo a parte na discussão aqui. Eu vou falar por mim: após ver, em 2010, 3 shows do Paul Macca, 2 de pista VIP e um de arquibancada (Morumbi), lhe digo: show de arquibancada, a não ser que seja totalmente descompromissado, NUNCA MAIS. Para isso, você matou a pau: por R$ 40,00, sem pagar estacionamento / condução, passar sufoco, tomar chuva, passar perrengue na saída, pagar R$ 8,00 em um Hot Pocket, pegar fila, ver a boca do cara abrir para ele cantar e o som chegar quase 2 segundos depois, etc., fico no meu sofá mesmo, obrigado… agora, eu não troco a emoção de ver Paul Macca em uma pista VIP por sofá algum… e farei isso até quando puder, financeiramente, fisicamente… sempre o mais perto possível.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Mais uma vez os comentários complementam os textos aqui publicados. Não posso deixar de agradecer por enriquecer o debate (a ideia é sempre esta) e você tocou em uma questão fundamental não abordada pelo texto: a total falta de preparo dos vendedores em atender os consumidores. Por sua vez, os consumidores, principais interessados nas informações que valorizam o custo-benefício, fazem as perguntas “erradas” e apelam para estética como fator decisivo. Obrigado, Dudu!

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      • Daniel, um prazer poder falar deste assunto. O assunto é sem fim – estava aqui pensando que não comentei também que, na época dos DVDs, como comentei do YouTube, a concorrência por se ter algo de qualidade de imagem na internet não era justa. Hoje, com os streamings em 1080p e as conexões banda largas por aí – inclusive YouTube e outros serviços fazendo streaming AO VIVO – a industria do blu-ray sofre uma dura queda…

        Ainda, os extras dos discos, que poderiam diferenciá-los, são normalmente encontrados com facilidade nos canais eletrônicos…

        Mas eu disse aqui que sou fã do disquinho azul? Não? Eu sou :-).

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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  2. Eduardo e Daniel, aqui é o Franco, de Belo Horizonte. Concordo em gênero, número e grau com os seus relatos. Desde o início dos anos 90, quando eu comecei a trabalhar e ganhar meu rico dinheirinho, sempre fui antenado com som e vídeo, principalmente com som, já que escutava fitas k7 e vinil desde os anos 80 e era e ainda sou tarado por rock. toda hora procurava trocar o equipamento de som quando podia e lembro que esperei quem ganhava a batalha VHS x BETA para comprar o meu primeiro vídeo-cassete e as fitas. o duro foi passar tudo para DVD e comprar tudo de novo anos depois. Mas valeu a pena.
    Hoje eu vejo sim as pessoas comprando as coisas pela capa, aparência, preço baixo (aqui, a pirataria faz a festa!) sem se informarem direito e a internet está aí pra isso. Os vendedores e balconistas também não ajudam, pois às vezes estão desinformados ou têm preguiça de explicar os detalhes técnicos dos produtos e até mentem em alguns casos para ludibriar o cliente pra fazê-lo comprar o produto Y, sendo empurrado, quando, na verdade, o cliente queria o produto X. Isso acontece comigo mas na hora eu vou embora da loja e falo na cara, na tora: “MENTIRA!” Tem pessoas que ainda confundem HDMI com USB, rede com telefone, e RCA com COAXIAL, etc. Isso é fundamental porque depois a loja não quer nem saber se você comprou errado ou não gostou ou ficou insatisfeito. Se não tiver com defeito, “senta e chora!”.
    Quanto ao BR não ter vingado no Brasil ainda, é isso mesmo. O DVD ainda é mais difundido, mais barato, mais vendido, mais copiado, mais fácil de encontrar e de usar, nem todo mundo conhece ou pode comprar um aparelho de blu-ray e seus discos, pois pra maioria das pessoas, “é a mesma coisa…” e por aí vai. Se baratearem os preços dos discos originais de BR, aí pode ser que faça mais sucesso que o DVD, mas nesse país nosso, eu duvido muito. Aqui as coisas demoram a chegar e são muito caras.
    Oura coisa: voltei a comprar os discos de vinil, pois comprei uma vitrola USB e estou adorando, pois agora posso ouvir os discos antigos e novos e ainda converter para MP3 ou CDA, uma maravilha mesmo.
    Agora com licença que vou comprar um aparelho de som antigo dos saudosos anos 80, daqueles completos com rack de porta de vidro e chave, que com equalizador, caixas, vitrola e tudo!

    UP THE IRONS!

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    • Franco, bom te ver por aqui, cara – fazia tempo que não aparecia. Muito legal seu comentário, trazendo sua experiência. Realmente os vendedores são hoje cada vez mais vendedores e menos conhecedores, sejam de maneira proposital ou não. Eu, por exemplo, nunca compro nada sem chegar sabendo exatamente o que quero – e não só para eletrônicos, isso vale para mim para tudo – é até uma forma de valorizar o investimento do suado dinheiro.

      Então você é mais um que está voltando ao velho vinil? Aqui temos o Flavio Remote que também está nessa mais intensamente. Eu tenho problema com espaço físico, mas morro de vontade…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Franco, bom tê-lo por aqui! Assim como o Eduardo, você contribuiu muito com seu know how sobre o assunto e, assim como o próprio Eduardo, demonstrou ser fã do assunto. Aliás, este é um subject que muito me assombra. Os aspectos levantados por vocês sempre me remetem a um problema profundo, diagnosticado faz tempo: falta EDUCAÇÃO ao brasileiro. Isso lhe afeta em vários sentidos. Desde os mais “teoricamente” irrelevantes, como entender o rótulo dos alimentos industrializados, como usar o título de eleitor de maneira isenta e sábia. Tomara que mais gente participe com suas experiências, agregando sempre!

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  3. A discussão é de ótimo nível, e com ótimos comentários. Não me considero a pessoa mais indicada para tecer algum acréscimo por aqui, pois gosto de tudo que considero valioso,e a qualidade dependendo da raridade importa pouco, pois o que me importa é encontrar tais preciosidades ainda que esta seja em gravação de celular ou até as antigas fitinhas K7 bootlegs.
    Mas entendo que o blue ray tem um público ainda mais restrito no país já que tudo é bastante difundido na internet e o disquinho azul está num preço razoavelmente proibitivo para o padrão nacional.
    E enquanto isso lá fora o preço é bem mais convidativo…..

    Alexandre Bside

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  4. Um dos motivos, em minha opinião, aliados ao preço, é claro, que é um absurdo e eu realmente acho que NÃO VALE a pena; se for pra pagar 60~80 reais em um filme, no mínimo a opção é alugar (mas locadoras é uma expecie em extinção) é que o salto de qualidade não é tãaao grande assim, e muitas pessoas, MUITAS, nem percebem a diferença! Um dvd decente, em um aparelho hdmi com upscaling com uma boa televisão dá pro gasto.Como disse, não compro blu-ray, mas sou bastante familiarizado com filmes em alta pois minha TV suporta FLV e hd externo. Não assisto mais filmes abaixo de 720p quando há opção. Mas já cansei de ver gente rica, que tem uma sala super equipada, preferir comprar um filme em dvd por que não acha que valha a pena mesmo.
    *comentario extra sobre DVD de shows; raramente gosto de um pois a mudança de cameras costuma ser muito frenética; o recorde neste aspecto deve ser do ultimo bluray do Halford, insuportável. Show bom em dvd, recomendo o Jethro Tull no madison square garden, só importado, som de primeira, repertório pequeno mas a banda em sua melhor forma.

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    • Leonardo, muito bom seu comentário e seu ponto de vista, interessante. Eu acho que você está certo no que tange a muita gente não perceber diferença mesmo, principalmente em um aparelho de DVD mais moderno e de boa marca, HDMI com upscaling, ainda que não se passe dos 720p – mas aí entra o que você fala, dependendo da fonte, uma comparação com bluray é imperceptível aos olhos e ouvidos mais leigos.

      Agora, quando se trata de um novo material, aí creio que em geral o público percebe.

      Sobre o comentário de shows, novamente concordo – e muito. A coisa anda insana mesmo neste sentido, e eu confesso que também não gosto de tantas e tantas variações de câmeras. Anda se confundindo TER tecnologia com o abuso mesmo. Os lançamentos recentes do MetallicA e Iron Maiden são assim – uma loucura de câmeras, divisões desnecessárias a todo instante, que mais deixam a gente alucinado tentando acompanhar tudo do que uma diversão ou possibilidade de olhar algum detalhe – tipo um solo de guitarra.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Eduardo e caros colegas da lista,

        Que legal participar de novo e concordo com as opiniões acima. Já cansei de discutir com parentes e alguns amigos sobre os benefícios do BR mais o equipamento correto, incluindo a tv, um HT e um bom cabo HDMI.

        Quanto à essa questão, tenho uma dúvida que me atormenta há sete meses, desde que comprei a minha Samsung HDTV FULL 1080P, SERIES 5000 de 40pol.: Mesmo trocando o cabo HDMI de fábrica por um de pontas folheadas a ouro, apesar da grande melhora da imagem, a mesma NUNCA fica como na loja ou em alguns consultórios clínicos que vou e até em bancas piratas de dvd/BR, mesmo configurando o máximo que a tv e o aparelho de BR pelo manual físico e pelo e-manual, onde a imagem se apresenta mais “viva” em cenas de ação e movimentos de objetos, pessoas, etc. Algum especialista aí sabe o que está faltando fazer? NINGUÉM soube me dizer, nem os funcionários que vendem os produtos, apenas escuto: “ah, eu só tirei da caixa, motei e liguei…”. Como é que é???
        Se alguém puder ajudar, pois estou consultando a Samsung pela internet e nada até agora. Já tentei todas as configurações possíveis que conheço, mas pode ser que eu esteja deixando passar alguma coisa.

        Um abraço a todos!

        UP THE IRONS!

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        • Franco, bom te ter por aqui. Pela sua descrição, isso tem a ver com o recurso “MotionFlow”, que está diretamente relacionado aos Hz. Você mexeu em configurações assim?

          Outra dica geral é tentar realizar uma configuração padrão – talvez a conclusão deste artigo ajude: http://www.displaycalibrationonline.com/reviews_samsung_lcd_2010.asp

          De resto, você já trocou o HDMI, qual imagem você está insatisfeito? Blu-ray? NET HD? Play 3? Já mexeu nas configs – ou aparelhos – das “origens”?

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

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          • Francon70, cara eu já tive a mesma sensação – principalmente com o xbox hahaha – a imagem na rua é sempre melhor que em casa. Daí cheguei à uma conclusão meio babaca; somos bem mais minunciosos quando observamos uma imagem em casa, sem estimulos externos, testando as diferentes configurações, do que em uma loja, um display, sob o qual ficamos apenas alguns minutos na frente.

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            • Isso sem dúvidas, Leonardo. Não é uma conclusão babaca… as lojas (as boas, pelo menos) criam condições para se ter o melhor ambiente possível em termos de luminosidade, posição, etc., além dos fatores indiretos – se você está, por exemplo, em um dia “feliz”, tudo tende a contribuir com isso… em casa, tudo é diferente, não tem jeito.

              Agora uma opinião minha, que confesso ser forte e polêmica – mas é o que eu acho: o Xbox, em termos de imagem principalmente, “segurou” o desenvolvimento dos jogos e prejudicou um pouco a industria. A razão é simples: não adianta, seja o milagre que for, que não cabe em um DVD dual layer o que cabe em um blu-ray. A industria, portanto, teve que “se rebaixar por baixo”. Isso sem contar o hardware do Playstation 3, superior ao Xbox 360 em termos gerais, como a arquitetura de processadores.

              Paro por aqui, pois agora vem a nova geração de ambos e a Microsoft – confirmando minha tese acima – trocou o leitor para blu ray, claro… então, as chances do Xbox One equilibrar o jogo – ou até superar a Sony – agora existem.

              [ ] ‘ s,

              Eduardo.

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          • Eduardo, valeu mesmo cara! Vou conferir a questão da frequência, pois ouvi dizer que as tv`s de 60 Hz não possuem a qualidade de imagem de uma tv de 120 Hz ou 240 Hz. O que pode ser a causa de tudo. Mas acho que a minha tv não possui tal recurso.

            Um abraço.

            UP THE IRONS!

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            • Franco, não precisa agradecer. A questão dos Hz é mais para a transição das imagens. Quanto mais, mais quadros você vê, mais detalhes e, portanto, mais qualidade. Para imagens “still”(“paradas”), aí o que vale são os pixels mesmo (quanto mais, melhor).

              Existem marcas que abusam desta questão de Hz, vendo TVs com supostos números altíssimos de Hz que, na verdade, fazendo um paralelo, é como aqueles aparelhos de som com uma “baita potência” não-real quando se traz para a verdadeira (PMPO x RMS).

              Vale a análise para seu caso e boa sorte!

              [ ] ‘ s,

              Eduardo.

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    • Oi Leonardo.

      Acho que as diferenças não são tão perceptíveis especialmente se observadas as formas com que o material foi produzido. Fato: há maneiras de uma gravação ser levado a público e, por incrível que pareça, até a proposta da banda, de como quer ser percebida (áudio e vídeo) muda muito a opinião estética do show. Em suma: não dá para pontuar a questão como definitiva mas, como disse no texto, tendo a concordar que a “grande maioria” (odeio este pleonasmo) não consegue perceber.

      See U!

      Daniel Junior

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  5. Para mim não vale a pena comprar mais blu-rays, aliás, voltei a comprar os DVDs. Isto porque:

    1) Bem mais caro que o DVD.

    2) com uma boa marca de aparelho Blu-ray e TV, os DVDs são reproduzidos com ótima qualidade (funções de melhoria) e não me interessa ficar procurando rugas na cara dos atores.

    3) Percebo que os discos Blu produzidos no Brasil não são de qualidade (vide séries com menos discos que nos EUA – ex. Walking Dead -, compactações, muito wide, uns sem dublagem – ex. Na Natureza Selvagem -, uns com mesmos extras dos DVD, já troquei dois novinhos com defeito…).

    4) Não posso emprestar pra amigos que não tenham o aparelho, no carro e em outros comodos tenho DVD player e nem mesmo dá pra copiar para os amigos curtirem o filme e debatermos.

    5) Por fim, realmente não vejo taaanta superioridade assim que muitos dizem, aliás a maioria dos filmes não foi e nem está sendo filmado em HD!!!! Gosto de qualidade, mas até agora esta qualidade diferenciada parece ter parado no Avatar 3D, rs!

    6) Muuuuuito mais títulos ainda se concentram no formato DVD, e parecem que nem vão migrar.

    7) Por fim, depois de comprar e assistir uns blu 3d, parei, parece que estão mendigando efeito 3D! Enjoa assistir um filme usando um óculos que não é confortável, na expectativa, e só tem meia dúzia de efeitinho! É bobagem pouca.

    Abraço.

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    • Fabio, obrigado por postar sua opinião por aqui e bem-vindo ao Minuto HM.

      Dos seus 7 argumentos, há alguns que concordo, outros nem tanto…

      1) Isso no Brasil é verdade. Mas, convenhamos, isso se deu justamente pela atualização da tecnologia, como foi do VHS para o DVD.

      2) Aqui não posso concordar. Não é só uma questão de rugas, mas sim de profundidade, hertz, codecs de som, etc. Para mim, a diferença é grande e favorável ao azul.

      3) Verdade também. Aliás, isso serve também para DVDs, cara… CDs, vinis, VHS… serve para tudo…

      4) Acho que isso vem aos poucos mudando, mas lentamente mesmo, pois os aparelhos de blu-ray são mais acessíveis, hoje em dia. Mas fica a ausência de players baratos portáteis, ou para o carro. Sobre gravação, já há gravadores também mais acessíveis, inclusive para computadores. Tem que procurar. Mas tem. E olhe este exemplo de preço de hoje:

      5) Bom, os filmes novos saem em alta definição, enquanto os antigos são remasterizados até certo ponto, como foi também na transição do VHS para o DVD. Há alguns bons títulos já, não só o Avatar (claro que coisas como Avatar e desenhos animados são diferentes). Procure pelo Flight 666, do Iron Maiden, e veja a imagem comparada com o mesmo título em DVD, apenas para dar um exemplo. Ou ainda o show do MetallicA na França.

      6) Isso faz parte do mercado. Lá fora, a diferença já diminuiu, aqui, continua mesmo muito grande. E sim, muitos nem migrarão, pois ou fica caro demais, ou realmente não tem milagre e não dá para melhorar, dada a fonte.

      7) 3D é outra coisa. Eu não sou tão fã, mas a tecnologia 3D evoluiu nos melhores estúdios. O Spider Man novo é um exemplo que não me deu dor de cabeça e valeu a pena ver em 3D. Mas, em geral, ainda concordo com você.

      Continue participando.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. Compro muitos blu-rays e adoro tecnologia, sou meio assimilado pelos Borg. Mas preço, me desculpem, não é empecilho: já comprei diversos bds por menos de 30. Exemplo: Avatar (James Cameron’s) triplo por 30 reais com desconto por ter sido pago em boleto deu 27 e uns quebrados. É só acompanhar frequentemente lojas virtuais como Submarino, Saraiva e Americanas. Aqui na minha cidade de Rio Grande – RS, a lojas Americanas disponibilizou filmes bons por 19,90 como Footloose (Kevin Bacon), A Ira de Khan, Grease, Os Embalos de Sábado a Noite…
    O bd de Mary Poppins por 16,90…comprei sem pensar twice na supracitada loja da minha town. Nisso a Americanas nos trouxe de bom: posso comprar aqui pelos preços de rede, sem passar pelos lances da compra virtual, de ter que sair para pagar o boleto, aprovação do pagamento, rastrear, esperar chegar, ter alguém em casa para receber…lembrem-se: a maioria destas lojas são de SP, e eu moro “no-sul-do-sul-do-Rio-Grande-do-Sul”…
    Mas o piores do BD para mim:

    1 – títulos que deixam esgotar no fornecedor (Homem de Ferro 1 duplo),
    2 – títulos que lançam aqui (por descaso com colecionadores e/ou a obra “não tem casa brasileira”, como Jesus of Nazareth), e aí filmes essenciais, principalmente para nostálgicos e colecionadores, são lançados por distribuidoras pequenas (FlashStar) e até picaretas (Continental),
    3 – o fato do Brasil não ter autoração própria e aí ficamos a mercê da autoração dos outros e o resultado em alguns casos é deplorável até em casos de distribuidoras majors como a Fox para filmes majors do seu gênero (O Predador, de 1987, e a remasterização infestada do nefasto filtro dnr). Sobre este, segue link de um site extremamente recomendável para quem quer análise de bds:
    http://scoretracknews.wordpress.com/2010/07/24/resenha-o-predador-blu-ray/

    Até. Depois lembro de mais 1 trilhão de coisas para se falar sobre este universo no qual sou envolvido e sobre o qual gosto de ser informado.

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    • Boa matéria, melhor ainda a entrevista com a melhor revista brasileira do segmento.

      Passado um tempo do post e vendo o mercado atual, vemos que o streaming / cloud explodiram, aliados a conexões de internet cada vez mais rápidas e conteúdos cada vez mais fáceis online – soma-se a tudo isso a preguiça das pessoas, que só aumenta, com relação a tecnologia em geral.

      Dado tudo isso, fica mais fácil entender o cenário…

      A coisa fica mesmo para os colecionadores e apreciadores da coisa física mesmo – meu caso, eu gosto de ter o produto, e não o serviço, especialmente para as coisas que eu realmente gosto. Quem não liga para a parte física, acaba indo para o digital.

      Há espaço para os dois, mas as empresas caminham para onde o faturamento maior está. Já o vinil, que voltou com tudo, confirma isso que há espaço para todos e que quem gosta da parte física, gosta mesmo…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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