Cobertura Minuto HM – The Winery Dogs no RJ (24/07/2013) – resenha

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Quarta-feira à noite, Rio de Janeiro, uma chuvinha chata que não para… a cidade está “invadida” por todos os países do mundo, pelo evento que envolve o Papa. Várias ruas estão fechadas, e o desafio é me deslocar da Zona Norte para o Centro, uma vez que as notícias informam que a Tijuca está toda mobilizada para mais um evento do Pontífice, desta vez nessa específica região. São 19h10, a abertura da casa está marcada para às 19h30, e o show, sem banda para fazer a ” preliminar “, previsto para as 20h30 (será, me pergunto, não é muito cedo???). Entro no meu carro, sem saber ao certo onde deixá-lo (pois no meu bolso não vai caber) e procuro alguma rota alternativa. Este é o prólogo do primeiro show do The Winery Dogs, banda recém formada por Mike Portnoy, Bily Sheehan e Ritchie Kotzen, no Brasil.

Chego por volta da Cinelândia, local do Teatro Rival, até cedo, em torno das 20h00, após uma sucessão de boas decisões a respeito do trânsito. Alguma coisinha mais enrolada ali perto de quem foge do Rio nesse feriado de 4 dias e acredita na mudança do tempo ou resolve curtir o friozinho em alguma cidade de serra. Agora é deixar o veículo, e a primeira opção é por “módicos” R$ 60,00, a qual eu declino. Deixo o carro depois da Lapa, preciso andar bem uns 15 minutinhos na chuva e sem qualquer proteção disponível, mas pelo menos economizei R$ 40,00. Enfim entro no Teatro Rival às 20h20, e já dou de cara com um conhecido do meu irmão, que pergunta por ele e me diz: “sempre te encontro nos shows, mas como você não parece me conhecer, pelo jeito é o irmão do Flávio, não?”
… Rio de Janeiro é assim mesmo, são sempre as mesmas “caras”…

Ingresso_TheWineryDogs_RiodeJaneiro_24julho2013

Esse amigo de colégio do meu irmão está no lado esquerdo do palco, onde eu já havia decidido ficar, pois é ali que vai se apresentar um tal de Bily Sheehan, baixista que nunca tinha visto ao vivo. É verdade que eu nunca vi o guitarrista Richie Kotzen também, mas vou confessar minha sincera ignorância em dizer que deste eu pouco conheço, alguma coisa do Mr. Big e olhe lá. Da “cozinha ” a história é outra, mas o músico que me é mais familiar é o eterno ex-senhor do Dream Theater. Troco uma conversa simpática com o amigo de colégio do Flávio, que dura cerca de 10 minutos, pois as luzes se apagam e com míseros 5 minutos de atraso a banda invade o palco, com a primeira faixa do álbum homônimo, chamada Elevate.

Bily está ali, três filas à minha frente e o desempenho do músico é de babar mesmo. O Teatro Rival me pareceu uma boa escolha para eventos menores e passou no teste com facilidade, inclusive em relação ao som, que está ótimo. Portnoy traz um kit de bateria pra lá de econômico, em especial se lembrarmos das monstruosidades que usava no Dream Theater. O músico parece feliz e interage bastante com o público. O show se segue com várias canções do álbum de estréia, entre elas Criminal,a minha preferida do trabalho, que é tocada logo no ínicio. Pouco familiar com o estilo de Kotzen, me surpreendo muito positivamente com a maneira bem fora do padrão de tocar, sem o uso de palhetas e optando por guitarras de som teoricamente mais “magro”. Fortemente calcado em blues, Kotzen é espetacular por desenvolver um estilo de rapidez impressionante, ainda mais sem o uso das palhetas. Percebo que o captador mais próximo do corpo da Fender Telecaster que usa é um ” falso ” captador simples, na verdade se trata captador duplo (que é mais característico dos sons mais pesados) ” disfarçado ” de simples, como usa também, por exemplo, o Janick Gers no Iron Maiden.

Dimarzio

Após 5 ou 6 faixas do novo álbum, a banda toca Six Feet Deeper, com seu final cadenciado em versão consideravelmente aumentada, o que traz virtuosismo para as perfomances de todos os músicos. É a deixa para Portnoy atacar um solo de bateria, incrivelmente curto, mas sem deixar à desejar em sua costumeira habilidade. O músico parece viver um outro momento, onde busca muito mais se divertir do que ter de provar à todo o custo o quão é virtuoso. Ele chega a errar (??!!?!?) o andamento na segunda faixa do show, We Are One, mas o detalhe é praticamente imperceptível, e só traz sorrisos em sua face e na de Sheehan. O grupo segue com a ótima The Other Side, e aí é a vez de Bily Sheehan ficar sozinho no palco, no maior momento de habilidade do show. Combinando velocidade com o uso da técnica ” two-hands” , o músico esbanja carisma e traz um solo bem maior que o de Portnoy, combinando harmônicos e fazendo uso de outro de seus truques de seu baixo Yamaha signature, ao trocar a afinação da corda mais grave (de Mi para Ré) várias vezes, em simples uso de uma espécie de alavanca situada na tarraxa da tal corda mais grave , apetrecho conhecido como Hipshot tuner.

Hipshot Turner

O solo de Bily termina na introdução da balada You Saved Me (cuja letra é de Portnoy, composta para sua esposa), onde o baixista novamente faz uso da técnica ” two-hands”. Os vocais de Kotzen aqui me lembram os de Coverdale, mais para o início da carreira. O vocal está um pouco baixo onde me situo, e tanto Portnoy quanto Sheehan ajudam Richie nos backings. Ao ouvir previamente o álbum, achava que Kotzen poderia ter problemas em concatenar vocais e guitarras, mas ele se sai muito bem nas duas funções, exceto por alguns breves momentos onde deixa a encrenca unicamente nas mãos de Bily, mas esse tira de letra e não deixa a peteca cair. O show segue com Not Hopeless, cuja parte instrumental traz um duelo de virtuosismo entre Bily e Richie, lembrando bastante o estilo do Mr. Big, onde ambos estiveram juntos, e por um breve momento até o Dream Theater.

Nesse momento Kotzen fica sozinho no palco e lembra três momentos de suas outras fases como músico. Primeiro traz um violão para executar com a participação vigorosa da plateia a faixa Stand, do Poison.

Aliás, esperava uma audiência com mais fãs do Dream Theater, mas acabei por observar que dos três, talvez Richie seja o que contava com mais seguidores. Ele troca o violão pela guitarra e toca uma faixa-solo, You Can’t Save Me, com boa participação da plateia. Nesse instante, Portnoy e Bily retornam ao palco e agora tocam Shine , do Mr. Big.

O show vai chegando ao fim, e são tocadas três baladas, a começar pelo single I’m No Angel, novamente com boa participação dos cariocas. A banda demonstra muita satisfação com a interação do público, elogiando muito os presentes. Novamente a banda me surpreende ao fechar o show com a última faixa do álbum homônimo, chamada Regret. A música tem muitos teclados e imaginava ser impossível executá-la sem alguém convidado. Um teclado está colocado estrategicamente ao lado de Kotzen, que demonstra bastante desenvoltura no instrumento. Os sons de teclados se seguem durante o resto da música, mas como Richie trocou o instrumento pela guitarra, agora é Bily Sheehan quem toca com os pés a base de fundo até o fim da música, utilizando-se de um foot-pedal, instrumento cujo uso já foi demonstrado pelo Minuto HM neste post do Rush.

O instrumento de Sheehan tem uma espécie de adaptação para favorecer o músico, e pode ser visto em detalhes nas fotos que Portnoy disponibilizou em seu Facebook nesta manhã (foto 48). Há 105 fotos tiradas pelo fotógrafo Daniel Croce, todas de ótima qualidade.

O bis é uma exigência do público e após uma cover chamada Fooled Around And Fell In Love, o grupo encerra enfim a apresentação novamente contando com boa participação da plateia na forte faixa Desire.

The Winery Dogs Setlist Teatro Rival BR, Rio de Janeiro, Brazil 2013

São menos de 23 horas, e ainda chego em casa em tempo de ver mais um clube brasileiro ser campeão da Copa Libertadores. A banda segue amanhã para São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre para shows até domingo. O resultado é para lá de positivo, fui ao show para ver Bily e vi uma banda entregar um ótimo trabalho, ainda mais considerando que são apenas três músicos no palco. Mas pensando que estou falando de Portnoy, Bily e Richie Kotzen, consideremos, a coisa fica mais fácil, sem dúvida… quem ainda estiver pensando em ver o show, eu recomendo não perder tempo!

Saudações

Alexandre Bside



Categories: Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Dire Straits, Instrumentos, Letras, Músicas, Resenhas, Setlists, The Winery Dogs, Van Halen

43 replies

  1. Bside,

    mais uma ótima descrição de um show de rock. Detalhes que passariam ‘batidos’, ficaram sob luzes escaldantes. Fato: reunião de três monstros em seus respectivos instrumentos só poderia resultar em um excelente show.

    Ainda estou escutando o disco (entre tantos a produzir, aqui e acolá), mas acho que, pelo que li aqui, irei gostar.

    See U!

    Daniel Junior

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    • Daniel, uma pena que você acabou não indo, na verdade eu não tinha lidos os tweets onde você estava pensando na possibilidade. Se tivesse, ia tentar te convencer, seria muito bom assistir um show ao seu lado, um dia a gente vai resolver essa pendência, assim espero…
      O show foi interessante pelo fato de não ser a banda tão conhecida ( pelo menos aqui no Rio) e desta forma ter sido possível assistir sem aquela distância quilométrica que os megaeventos acabam por nos deixar.
      Ainda assim, a platéia que lá esteve ( se a capacidade era para 500 pessoas, arrisco dizer que havia pelo menos 400) sabia bem do traçado e correspondeu à expectativa do trio. Foi notório ver a satisfação de Sheehan ( bem pertinho de mim) e do Portnoy, que tradicionalmente já tem a incumbência de agitar o público.
      O cd não tem aquele “q” de algo que nunca tenha sido ouvido, entendo que a pegada vai na linha do Mr Big mesmo, em especial com o Kotzen, que traz a questão do blues, enquanto que a banda com o Paul Gilbert tinha mais hard rock na essência.
      Mas acho que sem dúvida vale uma conferida!

      Saudações

      Alexandre

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  2. Sou um privilegiado que pude ler a resenha antes da publicação, e voltarei aqui para falar mais depois. Mas já adianto que a resenha é um show à parte mesmo, parabéns, mestre B-Side.

    Enquanto isso, a banda dará uma entrevista na Kiss FM hoje, das 18h00 as 20h00. O Terra também transmitirá. Mais informações: https://www.facebook.com/TheWineryDogs/posts/509345435804261

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. B-Side, interações de fora via Twitter sobre o post:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Mais via Twitter, B-Side:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  5. Uma resenha do mestre B-Side de show, quando acontece por aqui, é sempre um espetáculo à parte. Vamos lá…

    Primeiro, o normal, que é o sufoco “atender” a um espetáculo no Brasil, seja aí no Rio, aqui em SP ou em outra grande capital. É problema para chegar, problema para estacionar, preços irregulares e aproveitadores e benefício / segurança / comodidade zero. Mais 15 minutos de caminhada, na chuva. Tudo bem que o Papa está na cidade, realmente há de se considerar, porém sabemos que nem ele resolve estes problemas por aqui no dia-a-dia…

    O texto traz detalhes do show que, além de fazerem querer ouvir mais do power trio, que já vi gente falando que é o melhor trio desde o Rush (!!!), me deixa com vontade até de ir ao show amanhã em SP, algo que não estou programado. Dos vídeos, tudo que eu vi, gostei, inclusive do vocal, coisa difícil para um ser enjoado como eu. A bateria de Portnoy, assim como foi a bateria do V. Appice por aqui, realmente não é sombra do que estamos acostumados, mas como bem falado, parece que ele não está preocupado com isso neste momento – aliás, para o tipo de som em questão, realmente não é necessário. Mas não deixa de ser, pelo menos, curioso.

    Os detalhes trazidos por você, B-Side, especialmente quanto ao instrumento que domina, são a cereja do bolo – aliás, um monte de cerejas para cobrir esta massa tão boa de ser apreciada. Faz toda a diferença ler algo de alguém que, além de conhecer o normal, que é o trabalho, ainda pode falar com tanta propriedade de instrumentos, afinações e detalhes que o ouvido leigo não consegue. E como é raro ler algo desta qualidade por aí… é inclusive tranquilo afirmar que mal se vê…

    Por fim, pelo que pude ver, a banda estava bem feliz, todos bem à vontade, tocando com muita vontade. Muitas brincadeiras sem deixar o principal de lado. Parece que mesmo após 36 horas de avião, chegando da terra do sol nascente, a banda entregou uma grande noite.

    Parabéns, B-Side, e que as coberturas do seu lado continuem… e eu adiciono o trio como mais um TO DO meu – com todo o prazer.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Eduardo, em relação ao estacionamento, o local que cobrava o tal preço módico de 60 reais é um onde a estrutura é muito boa e esse preço é o final, dependendo do tempo que ficasse poderia pagar menos, embora esse menos não seria nada abaixo de rs 40,00, eu imagino. O problema é que quando se vai num show, nunca se sabe quanto tempo pode haver de atraso, e aí eu não quis arriscar . Ainda assim, para o padrão do Rio de Janeiro, considero um preço alto. E aí, considerando que o show talvez não atrasasse ( o que acabou acontecendo). eu resolvi não perder tempo procurando um local mais próximo,fui onde sabia ter vaga. O problema é que precisei andar um pouco mais, sem dúvida. Certo mesmo era usar o metrô, há uma estação muito próximo do teatro, mas aí a questão era largar o carro em algum outro lugar. E voltar seria outra história, pelo horário de fechamento do Metrô. No fim, ainda bem que tudo deu certo..
      Em relação ao power trio, comparar ao Rush pra mim é um pouco demais, pela história do trio canadense. E não podemos esquecer outros power trios fantásticos, como a banda do Hendrix ou o próprio Cream. Deixando as comparações de lado, a banda segura muito bem a onda , e muito se deve ao Sheehan, que ” enche ” muito os espaços . Quem conduz é o Richie, pois o som tem muito da ” marca” dele, mas sem a cozinha fantástica, a coisa ia ficar mais difícil de rolar. O interessante deste power trio é que a idéia inicial era ter o John Sykes como guitarrista, esse projeto foi divulgado pelo Portnoy há algum tempo no That Metal Show. E foi o próprio Eddie Trunk quem sugeriu o Kotzen, quando a idéia com Sykes não decolou.
      Vejo Portnoy muito feliz neste projeto, assim como ele pareceu também no Adrenaline Mob,que teve uma resenha muito bem trazida por aqui pelo Daniel. E apesar da bateria ser de dimensões reduzidas, Mike continua esbanjando categoria, só que agora ( e também pelo tipo de som) ele procura dosar mais, e reveza entre curtir o som e mostrar virtuosimo.
      Os detalhes técnicos são interessantes, mas o ideal é que não haja um exagero na informação, e que essas sejam dispostas de forma a que todos entendam. Se não , vira baboseira e algo dispensável. Kotzen tem um estilo muito próprio e precisa de um instrumento que consiga traduzir seu jeito para o som da banda. Acho realmente impressionante que o guitarrista consiga ser tão rápido e ao mesmo tempo executar tudo com muita clareza, sem palhetas. É algo muito fora da curva.
      Quanto a Bily, aí os detalhes até existem, mas o que o baixista mostra ao vivo é espetacular até para o mais desatento dos espectadores.
      Eduardo, acho sim que você deve considerar a idéia de comparecer ao show em São Paulo amanhã ( na verdade já é hoje) . E acho que a platéia da capital paulista tem tudo para corresponder a expectativa do trio, que ficou muito agradecido à reação da platéia aqui do Rio. Pra mim, a melhor do show foi a Regret, por não esperar que o conjunto conseguisse incluir os teclados gravados em estúdio na versão ao vivo. E é mais um ponto para Richie, que toca muito bem os teclados e ainda esbanjou feeling no vocal da música.
      Eu recomendo o show à todos que puderem assistir. E se você for, presidente, traga uma resenha por aqui também,

      Alexandre Bside

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      • B-Side, neste caso há de se considerar também que a cidade estava recebendo o Papa e, com isso, os preços de tudo relacionado a “serviço” estavam longe de ser “divinos” por aí, imagino. O metrô por aí, pelo que sei, parece que anda tendo problemas durante esta semana, além da lotação pelo enorme número de pessoas do JMJ. Creio que sua decisão foi boa, dadas as variáveis.

        Sim, não acho também que caiba comparações com uma banda como o Rush (aliás, eu cada vez acho que não devemos comparar nada com nada em termos de música). Me recordo desta sua ótima lembrança de ter Eddie Trunk sugerindo o nome de Kotzen no melhor programa de metal da TV mundial (isso até o lançamento do Minuto HM Television, ou algo do gênero, hehehehe).

        Pelos vídeos, foi possível notar essa dosagem que você menciona, com ele tocando segurando a onda muitas vezes e em outras oportunidades, fazendo viradas, rodando baqueta, levantando-se para curtir com a galera, como nos acostumamos a ver durante os anos de carreira dele no DT. Falando em dosagem, fique tranquilo que você também conseguiu o efeito com os detalhes técnicos, que do jeito que você os retratou, foram os diferenciais do texto. É como um baterista quem tem trocentas coisas: não precisa usar tudo toda hora, e sim saber o momento certo de usar – como você fez com tais detalhes. O lance de não usar palhetas é realmente algo impressionante, temos outros exemplos que você poderia citar?

        Ficou muito difícil eu conseguir ir ao show, infelizmente não me programei para isso. Mas agradeço a dica e o incentivo, que o post realmente me fez pensar com muito mais carinho. Mas acho que eu precisava inclusive conhecer melhor o material para poder escrever algo por aqui, ainda mais depois da sua resenha. Deve ficar para uma próxima oportunidade…

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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        • Não conheço muito bem outros exemplos de guitarrista no hard rock que usam os dedos da mão direita para tocar ( o chamada fingerstyle picking). Os exemplos mais comuns são oriundos do blues, ainda que sejam usados em outro estilo. Acho inclusive que é o caso de Richie, mas no hard eu não conheço outro guitarrista, inclusive com a rapidez dele, que como falei, não deixa a sonoridade embolada, é muito precisa a condução durante os solos .

          Posso citar outros guitarristas de blues e rock em geral que usam o fingerstyle picking.

          O mais conhecido deve ser Mark Knofler , imagino:

          Johnny Winter, bem calcado em blues, às vezes aplicável ao rock:

          Jeff Beck, que originalmente usava palheta , e mudou para o tal estilo com dedos:

          E Joe Bonamassa, mas o uso deste é mais específico e voltado totalmente para o blues, em sua grande maioria de utilizações. O guitarrista faz muito uso de palhetas também.

          E continuo concluindo que não conheço um uso mais voltado para o hard rock, com tecnicas voltadas para maior velocidade como o que vi Kotzen anteontem. Quem sabe as enciclopédias aqui do Minuto HM podem trazer algum exemplo mais próximo?

          Alexandre

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          • B-Side, obrigado por mais uma aula grátis e pelos vídeos, todos espetaculares e clássicos que gosto. O vídeo com Brothers In Arms em Berlim é maravilhoso.

            Um artigo que me pareceu interessante sobre a técnica: http://www.guitarhabits.com/16-legendary-fingerpicking-patterns/

            E você, se incluiria nesta lista? Claro que você responderá que não pela infinita humildade, mas estou perguntando apenas se gosta de praticar a técnica… 🙂

            [ ] ‘ s,

            Eduardo.

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            • Eduardo,
              São duas coisas distintas ;
              – O artigo sobre a técnica , bastante interessante, funciona como aula e vai ajudar quem toca principalmente violão a desenvolver diversos tipos de dedilhados . São 16 tipos diferentes de sequências de dedilhados usando quase todos os dedos da mão direita ( não vi o uso do dedo mínimo). Alguns destes exemplos são super clássicos , a começar, logicamente , pelo primeiro.
              Trocando-se os acordes do exemplo citado por outros de músicas conhecidas, consegui enxergar o exemplo três como o aplicável em Nothing Else Matters ( você sabe de quem) e no exemplo oito a base principal de Fluff ( Black Sabbath). Aqui eu consigo ” passear ” , em alguns exemplos com mais facilidade e em outros com menos.

              -Em relação a usar o fingerpicking para solos, aí a coisa é outra.
              Não levo o menor jeito para isso , ou seja tentar tocar qualquer das faixas dos guitarristas acima terá sempre uma dificuldade extra. E vou precisar adaptar ( certamente sem a mesma desenvoltura e resultado final) para o uso com palhetas..
              Compartilho o gosto pela Brothers in Arms, um exemplo de sensibilidade de Knofler!

              Lembrei de um outro uso , no hard rock, mas a música é dividida entre o uso tradicional com palhetas e um trecho específico, para uma específica base ( dá uma olhada em 2:52 ) . O detalhe é que não há solo na concepção da canção. Aliás, o vídeo é de uma certa banda em um certo país , país este que a banda não visitou mais , isso já se passando mais de 30 anos…

              Ou seja, será que Eddie também tem dificuldades com o fingerpicking nos solos ?

              Alexandre Bside

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              • B-Side, obrigado novamente por mais uma aula grátis por aqui. Aliás, ainda bem que é grátis (é grátis, né?), caso contrário, estaria tendo que pedir empréstimos por aí…

                Ver este vídeo é quase uma tortura, no sentido de pensar que só falta o VH para eu me considerar satisfeito. É claro que essa performance acima não se repete mais, com Eddie se jogando no chão, o vocal sobrando e tudo mais. Mas o sonho continua…

                Será que esse cara tem ALGUMA dificuldade? Com a palavra, você mesmo, Remote, o Julio, JP ou outro especialista, eu que não sei mesmo…

                [ ] ‘ s,

                Eduardo.

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  6. Valeu velho, voce como sempre escrevendo todos os detalhes e fazendo-nos viver o show, que aliás se não fosse o mau tempo e não ter desembarcado, iria com voce como era o combinado. Sei o que perdi e na próxima estaremos juntos.

    Em se tratando dos tres genios que se apresentaram, voce já disse tudo, inclusive do meu mestre Portina, que está mais dosado. Já tinha percebido isso e penso que é legal para o músico alternar momentos como esse nas músicas, principalmente para ele que todo ano levava o premio da Modern Drummer entre outros.

    Abraços e digo que valeu mesmo ler mais essa tua resenha, não pare de nos presentear…

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  7. Valeu, Bruno, uma pena mesmo você não poder ter ido ao show. Acho que ia gostar muito de ver o Sheehan, lembro de como foi para você ter visto o Geezer na última tour do Sabbath com o Dio. Estava pertinho de Bily e o desempenho do cara é fabuloso mesmo, uma rapidez como quase nenhum.

    Alexandre

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  8. Bside, parabéns pela resenha e por ter ido ao show. Pelo pouco que ouvi (alguns videos no You Tube) a banda é realmente sensacional e merece mais da nossa atenção, até porque de todos os trabalhos do Portnoy após o DT este foi que ate agora mais me agradou, embora o Adrenaline Mob tambem seja bem legal.

    Também gosto muito do Teatro Rival como opção para shows de menor porte. Vi o Viper por lá e o som e a visualização do palco são muito boas. E mesmo com toda dificuldade causada pela chuva e peregrinos por toda a cidade, que bom que deu tudo certo. Li por aí que este show estava sold-out. Confere?

    Abraços,

    Su

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    • Oi Su,

      informação correta. Liguei pela manhã e me disseram que fazia um tempo já não havia ingressos.

      Abraço,

      Daniel Junior

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    • Suellen, que bom que o Daniel já respondeu, eu não teria certeza, o óbvio é que estava pelo menos muito perto da lotação toda. Ainda assim, não era difícil transitar, pelo jeito a casa não exagera na ocupação dos espaços, outro ponto positivo para eles, pois nos dá mais conforto.
      Em relação à localização , é um espaço que entendo ser muito bom de acesso, visto que há metrô e várias linhas de ônibus nas proximidades. O problema é que eu estava trabalhando e de carro. Fiquei receoso de deixar o carro em casa e pegar um ônibus, por exemplo, pela questão do tempo. E lá chegando, tive a tal dificuldade com o estacionamento. A minha primeira experiência com o Rival não tinha sido boa, pois tentei comprar o ingresso pro Viper no sábado e a bilheteria estava fechada no horário estipulado pelo site. A segunda também não foi interessante, pois não achava o ingresso do The Winery Dogs à venda pela internet.
      Mas tudo mudou com as instalações e som do local, realmente é um lugar ideal para pequenos públicos .

      Obrigado pelos elogios à resenha

      Alexandre Bside

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  9. B-side, excelente resenha. Muitos detalhes que só um músico poderia trazer……….coisa que a gente sente falta na mídia especializada e que encontramos por aqui…
    Fiquei feliz em saber que deu um bom público. O Teatro Rival é um excelente espaço pra shows. Assisti só MPB como Lô Borges, 14 Bis, Oswaldo Montenegro e Roupa Nova lá quando a Henriqueta Brieba era paraquita….
    alias uma grande surpresa saber que o B-Side teve um estreito interesse em ver o BS……..a parte é claro do MP ……
    eu não conhecia a banda e vou tentar ouvir algo

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  10. Rolf, legal vocâ aparecer por aqui…

    A opção pelo Sheehan é pela admiração desde os tempos de Dave Lee Roth solo, em especial o Eat’em’Smile, onde o músico só não faz chover ( aliás eu acho que faz também) . Eu nunca tinha visto o talento de Bily ao vivo, e foi de estarrecer mesmo. Era o esperado. De Portnoy o que chamou mais minha atenção foi a felicidade do músico. A surpresa mesmo foi o Kotzen, não esperava a forma pouco usual de tocar com tamanha rapidez e clareza nas notas . A desenvoltura no teclado ( com sons de piano) também foi algo além da minha expectativa. Tava lá o teclado e tal, bem, pensei, ele vai tocar a última faixa do álbum ( o suficiente para ela ” sair”) . Não esperava vê-lo tão à vontade com o instrumento e cantando ( e muito bem, achei a música do melhor vocal da noite) ao mesmo tempo.

    As críticas referente ao álbum são excelentes, muito vem considerando o melhor do ano até o momento. Eu recomendo pra quem gosta do Mr.Big, a linha é muito parecida, pois o vocal de Eric Martin sempre teve muita influência de blues e a banda levava sempre um hard super bem tocado e com vários momentos de virtuosismo concatenado entre a seção de cordas. Aqui no Winery a gente pode colocar também o Portnoy no bolo, mas como falei, e doses mais homeopáticas que as que conhecemos do super baterista.

    Obrigado pelos elogios e pela frase da Henriqueta Brieba, impagável mesmo!!

    Alexandre Bside

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  11. Não me empolguei para ver esse show, não gostei do disco e tenho uma ligeira “raiva” desse grupo. Hhahaha. Sou muito fã do Billy e do Mr. Big, principalmente depois do último disco What If…. O kotzen não sou familiarizado com o trabalho dele e achei a voz enjoada e as composições muito genéricas, como uma versão piorada do Mr. Big. Não teve um refrão, um riff que tenha me dado vontade de ouvir de novo.

    Mas o que me incomoda mesmo é o Portnoy ter largado o Adrenaline Mob, uma das bandas que mais curti ano passado. Eu esperava que a banda decolasse pro nível de sucesso de um Avenged Sevenfold ou Five Finger Death Punch nos estados únidos. Isso não aconteceu no primeiro disco e talvez o Portnoy tenha “desistido” do projeto. Uma pena. Sem ele um possível segundo album não vai ter o mesmo impacto. Acho muito escroto um mês depois do Portnoy fazer o “ultimo” show do Adrenaline ele já estar de volta à mesma cidade com a bandinha nova.

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    • Oi Leonardo,

      ainda não escutei atentamente o debut do TWD (não confundir com The Walking Dead, hehe) mas compartilho do mesmo sentimento que você. Ainda não engoli esse desvencilhamento do ‘Portina’ do Adrenaline Mob, mas, ao mesmo tempo, não me surpreendo. Por mais que o músico diga em várias ocasiões que hoje se sente livre, parece que ficou “escravo da sua própria liberdade”, se é que você me entende. Me parece que isso paga as contas do talentoso baterista, mas até quando a relação de prazer está proporcionalmente relacionado às finanças? MP era uma das almas do DT e o fio condutor do AM, assim como é um dos responsáveis pelo som do Transatlantic, do Flying Colours, dos projetos com MacCalpine… Acho que no fim das contas ainda busca um lugar e este lugar NÃO É nenhum dos que ele até agora abriu a porta. Por outro lado, não acho que Petrucci e companhia estariam abertos ao retorno do mesmo, desejo este que eu acho que ainda não foi em nenhum momento desfigurado do coração deste nobre novaiorquino. Torço para que ele se sinta feliz e, principalmente não retorne ao AA, por motivos que ele avalize como “emocionais”. Vamos torcer.

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      • Leonardo, eu vejo o momento do Portnoy como o bem detalhado pelo Daniel. Explorando alguns caminhos que não havia feito e também fazendo tudo ao mesmo tempo. Ele hoje está no The Winery Dogs, mas já está pensando em um novo trabalho com o Transatlantic. É a forma que ele encontrou para tocar sua vida fora do Dream Theater e ainda muito ligado à música.
        Em relação a esse seu novo powertrio, gostei muito do que vi, como fica evidente na resenha, mas também não é uma banda que eu não parei de ouvir desde que comecei, não é a melhor maravilha de todos os tempos, é lógico. Os músicos esbanjam competência e para o meu gosto eles passaram no teste do primeiro álbum, que se não é uma obra-prima, é uma agradável surpresa, ainda que não entregue nada do que já não tenha sido ouvido antes.
        É lógico que eu vou respeitar demais a sua opinião, mas justamente a voz do Kotzen é que chamou mais atenção no trabalho, às vezes parecendo o Chris Cornell na fase Audioslave ( na Elevate, por exemplo), às vezes parecendo o Coverdale no início de carreira ( na Desire, a segunda faixa) ; Eu também quase nada conhecia do músico , me agradou bastante .
        Eu gosto bastante de Mr Big, em especial a primeira fase, com Paul Gilbert. Mas acho que o The Winery Dogs tem pelo menos uma vantagem , que é o trabalho do Portnoy. Ainda que considere Pat Torpey um ótimo instrumentista, entendo que Mike contribui mais na banda que Pat no Mr Big.
        E bem, eu não consigo entender um álbum apenas ouvindo uma vez, isso é um defeito meu, precisei ouví-lo várias vezes para ter uma boa impressão do mesmo, mas tanto isso como o gosto particular de um álbum ou outro é muito pessoal de cada um, assim entendo sua opção por não gostar do mesmo.
        Sobre o Adrenaline Mob, sem dúvida vai perder muito sem o Portnoy. Vai depender muito da qualidade das próximas composições, vamos torcer para que eles entreguem um trabalho bem legal!

        Saudações

        Alexandre Bside

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  12. Posso complementar o excelente post do Bside. Assisti ao show o TWD em porto Alegre.
    Aqui a casa escolhida para a apresentação foi o tradicionalíssimo “Opinião” situado no bairro Cidade Baixa. Bem em frente à casa há um estacionamento que cobra R$ 20,00, vantagem de uma metrópole nem tão metrópole assim.
    Quanto ao show, inversamente ao que costumo fazer, não ouvi o disco antes da apresentação. Fui com os ouvidos virgens de The Winery Dogs. Resumo minhas impressões do show dizendo que saí do show decidido a adquirir o álbum homônimo.
    A verdade é que desconheço a carreira de Kotzen e quanto a Billy Sheehan, mesmo sendo um baixista que sempre respeitei muitíssimo, não acompanhei de perto sua carreira no Mr. Big. Minhas lembranças mais vivas dele encontram-se no LP de estreia da carreira solo de Dave Lee Roth, “Eat’em and Smile”. O personagem mais conhecido para mim era mesmo Mr. Portnoy.
    Esperava então apresentações técnicas impressionantes de Portnoy e Sheehan, mas fui surpreendido pelo ótimo trabalho de Kotzen. Sua técnica fingerstyle picking tão bem abordada acima, os solos alternando variações de escalas bluesísticas e trechos mais dissonantes, quase jazzísticos e seu trabalho vocal que me impressionou muito. Não sei se o Bside vai concordar mas o timbre e estilo me lembrou bastante o de Glenn Hughes.
    Aliás, a banda toda me parece percorrer um espaço semelhante a da falecida (será) Black Country Communion.
    Não descreverei mais detalhes do show, uma vez que o mesmo pareceu ser bem semelhante ao ocorrido no RJ. Concordo que os músicos demonstraram estar se divertindo muito no palco e Sheehan e Portnoy mostraram sofrer de um caso sério de hiperatividade, não parando um segundo, o que chama a atenção no caso de Sheehan, um “provecto” senhor que completou 60 anos no último mês de março.
    O único senão que poderia mencionar seriam as composições que, em boa parte, me pareceram um tanto genéricas, ainda que tenham servido de plataforma para exibição da maestria destes excelentes músicos. Seria um campo a desenvolver pela banda que, espero, tenha um longo futuro pela frente.

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    • Olá Edu,

      especialmente no que diz respeito às composições é exatamente a mesma impressão que eu tenho.

      See U,

      Daniel Junior

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    • Schmitt, excelente complemento realmente. Eu, que desta vez estou aqui no camarote apenas do blog, estou me esbaldando…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Xara do blog, quase tudo do que você viu , eu também vi. Da surpresa pelo talento e modo pouco usual de tocar de Kotzen ao caso de hiperatividade envolvendo os outros dois senhores.
      Eu não sabia que Bily já chegou aos sessenta, eu mal dava cinquentinha pra ele, tal a forma que ele se encontra . FIquei surpreso com a informação, confesso.
      Concordo também com a banda estar tentando percorrer o espaço do BCC,mas também acho que o trabalho desses é melhor, em especial o primeiro album, que é excelente mesmo.
      Existem algumas discordâncias, em especial pelo vocal de Kotzen. O estilo parece o de Hughes, já o timbre me lembrou até o Coverdale ( na faixa do Bis, Desire) . Se você puder, ouça a versão do cd, alias,ouça as baladas também. Tem algo do Coverdale, fase Deep Purple ali. E a primeira faixa me lembrou o vocal do Chris Cornell.
      E como somos praticamente da mesma safra, as minhas lembranças de Sheehan também vão para o Eat and Smile, do Lee Roth, que é uma maravilha, diga-se de passagem.

      Saudações

      Alexandre Bside

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      • Pois é, colega de safra, não ouvi o cd ainda. Mas irei fazê-lo em breve. O do D.L. Roth é uma maravilha mas percebi que grafamos o título dele de uma maneira diferente a cada vez que tentamos, heheheh.

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