Cobertura Minuto HM – Steve Vai em SP – parte 2 – resenha

Foto: UOL

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Quem tem mais de 40 anos e não se lembra do filme “A Encruzilhada” (Crossroads) da década de 80 em que o nosso “Karatê Kid” Ralph Macchio enfrentava em um duelo nervoso de guitarras com o então “guitarrista do inferno” Steve Vai? É claro que sua grandiosidade como artista foi  –  e Vai com perdão do trocadilho – muito além dessa participação. Como nunca fui fã de Zappa e Alcatraz, digo com certeza que minhas passagens preferidas foram suas participações nos headliners com Dave “Diamond” Lee Roth ao lado de Greg Bissonette e Billy Sheehan e a sua multiplatinada participação na formação do Whitesnake e sua guitarra em formato de coração com double neck. Pois ele mesmo, em carne e osso  – e uns passinhos de dança  – esteve neste último domingo no palco do então rebatizado Citibank Hall para mais uma apresentação em solo paulistano mostrando por que ainda é um dos melhores de sua geração, apresentando a turnê do seu novo trabalho, “The Story of Light”.

Como foi falado, a disponibilidade de lugares para o show mudou na casa e a pista, outrora generosa, estava abrigando cadeiras numeradas que foram muito bem ocupadas pelo público presente – a disposição de pista e cadeiras muda de acordo com o tipo de show. Eram 19h49 – 10 minutes antes do início previsto do show – e a pista, que estava configurada pela metade, não estava nem pela metade ocupada. Mas os 15 minutos que se seguiram foram um alívio: a casa encheu suficiente para fazer bonito ao visitante com um público repleto de pessoas com camisas de Rush, Jimi Hendrix e Dream Theater.

Vai entrou no palco às 20h10 trazendo um lineup extremamente competente como era de se esperar:  Philip Bynoe no baixo – aliás me lembrou o Remote tocando na maior parte do show com um Music Man de 6 cordas – Dave Weiner na guitarra (base?) que fez um solo de violão alternando entre batidas e levadas muito bem elaborado em sua apresentação solo no show, com direito ao Steve Vai anunciando o seu material solo nas mesas de merchandising, e Jeremy Colson na bateria, que mostrou muita garra, disposição e precisão. Em uma determinada parte do show, Colson trouxe pro palco uma proposta de bateria-percurssão feita de materiais  pouco convencionais como cones de sinalização, sinalização de limpeza “cuidado” e o que pareciam ser latas dispostas em um rack que é empurrado para o palco feito uma alegoria de escola de samba. Não me empolgou muito  e tão pouco o público presente. Colson toca com um kit de bateria “mínimo”, digamos assim, e foi, de longe, o mais simples dos músicos, não demonstrando um virtuosismo diferenciado comparado ao resto da banda. Sem dúvida fez muito bonito, ainda mais se tratando de um público mais atento aos instrumentos de cordas.

Vai falou bastante com o público que foi bastante receptivo. Após executar Tender Surrender, o equipamento de Vai apresentou um problema e disse ao público “vocês me fizeram tocar de forma tão louca, que meu equipamento quebrou”. Foram 5 minutos a 8 minutos aproximadamente de espera até que os roadies resolvessem algum problema em seus, digamos assim, “pedais de efeito”. Acho que esse termo “pedal” deve ter ficado pejorativo, dado a evolução tecnológica que os efeitos sofreram ao longo de décadas, mas acho que para os coroas como eu, isso nunca vai deixar de ser “pedaleira”.

O show teve um set acústico grande e espero que o público tenha gostado. Para mim, foi grande demais e poderia ser sido facilmente reduzido pela metade. Vai cantou e mostrou o que se esperava com o violão e encheu um pouco os meus pacovas, incitando alguns a gritar “toca Raul” algumas vezes! No mais, no decorrer de mais de horas de show, Vai desfilou suas guitarras signatures – grande destaque fica para a guitarra “Mojo” com efeitos visuais com leds azuis que, após seu set acústico, compôs bem seu visual “Kraftwerk” com uma roupa repleta de leds e efeitos visuais de dar inveja a qualquer artista Techno – e destruiu trazendo composições extremamente elaboradas, riffs pesados, blues, uma catarse de solos absurdos, bends inalcançáveis, alavancas pra todo lado – amo muito!!! –  e um carisma natural como poucos demonstraram.

No mais, o resto é chover no molhado: Vai é um músico extraordinário e esperamos poder vê-lo mais vezes por aqui. A julgar pela resposta do  público brasileiro, fica quase uma certeza de que ele estará sempre por aqui nos prestigiando com seu virtuosismo e talento no instrumento que é o topo da cadeia alimentar do nosso Heavy Metal de cada dia.

Ah… e que fique registrado nos autos que, cada vez que eu vejo mais guitarristas dessa estirpe, mais aumenta a minha certeza de que o B-side continua sendo para mim um dos melhores guitarristas que eu já vi tocar pessoalmente em toda a minha vida. Ele nada  deve em absoluto para  músicos da categoria de Steve Vai. Vai por mim!!!!!

Steve Vai Setlist Citibank Hall, São Paulo, Brazil 2013, The Story of Light Tour

Rolf.

Contribuiu: Eduardo.



Categories: Artistas, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Instrumentos, Músicas, Resenhas, Setlists, Trilhas Sonoras, Whitesnake

15 replies

  1. Ótima resenha, Rolf!

    Realmente, quem viveu os 80 lembra bem do Karatê Kid. Eu mesmo gastei a VHS na hora que o Vai aparece no papel de Jack Butler – o campeão do “patrãozinho” – e toca a maravilhosa “5th Caprice” do Pagannini, e a decepção sempre era enorme ao ver que o Ralph Macchio “ganhava” dele no final (Vai nessa, só em filme mesmo…)

    Muito legal a sua experiência, e mais ainda a sua sempre bem humorada narrativa; e também agora me deixou na vontade de ver o Bside tocando… (e mais ainda de fazermos um som juntos!)

    keep rockin’!

    Abilio

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  2. Rolf, repetindo o que te disse, um dia, quando eu crescer, quero escrever resenhas assim, com esta fantástica capacidade de síntese sem perder a essência do show!

    Já vi alguns shows do Vai na vida (solo e com o G3) e sempre o associo com minha fase de faculdade, onde ouvia bastante com os amigos, um deles o conhecido (e sempre sumido daqui) Marcus Batera. Em um destes shows que fui com o Marcus, no extinto Olympia em dezembro/2000 (eita, TREZE anos atrás), eu me lembro de estar com uma dor de barriga terrível. Me segurei bem até a metade do show, mas depois eu ouvi o show “reinando”. Por sorte, as condições do banheiro estavam até aceitáveis…

    Vai está mesmo bem acompanhado e sobre a duração do show, realmente é sempre assim, os shows são longos e realmente há momentos que podem chegar a saturar os “não guitarristas” presentes (minoria, hehehe). De resto, é como você disse: uma avalanche de alancas, bends, casas inexistentes na guitarra que são descobertas e muito feeling, sempre com For The Love Of God, mesmo mais batida, sendo para mim o GRANDE momento, e Fire Garden, que eu gosto bastante, sendop uma ótima pedida para fechar a noite.

    Sobre o B-Side na guitarra, eu atesto: é isso mesmo. Quem viu, sabe. E agora temos o Abilio também, esta dupla precisa mesmo fazer um som com você e o (outro) mestre Remote no baixo!

    Eu? Eu fico aqui apreciando o post e vocês tocando…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Bem , eu vou precisar obrigatoriamente dividir este comentário sobre o post em 2:

    – 1) Preciso dizer que nunca fui muito chegado à fase solo de Vai, e também nunca vi um show dele . Acho , no entanto, que apesar de não ser familiarizado com o seu material, talvez achasse interessante o show,embora eu não me entusiasme tanto com essa fase solo. Que ele é um grande guitarrista e grande influenciador da muitos e muitos guitarristas de sua geração, não há o menor questionamento. Eu acho porém que falta boas composições em seu repertório, Exceto por For the Love of God, uma pérola do seu material, o resto pouco conheço e do que conheço não gosto. É até inusitado essa opinião sair de um pretenso guitarrista, mas é a pura verdade. Em contrapartida, seu trabalho com o Whitesnake é bem legal, embora descaracterizando o som da banda e com a controvérsia de ter todas as guitarras gravadas unicamente por ele, enquanto Adrian VAndemberg teoricamente teve um problema de saúde( algo que eu não acredito). E com Dave Lee , aí não há qualquer senão, é um trabalho fantástico, em especial no primeirão do então ex e atual vocalista do Van Halen
    O post do Rolf é uma maravilha de ler, em especial na abordagem dos bends, alavancas e etc….Ainda na questão , também nunca vi Malmsteen ou Satriani, mas confesso que Vai estaria por último entre a minha preferência tanto para ver quanto para ouvir qualquer material.

    – 2) Alguém precisa internar urgentemente tanto o Rolf quanto o Eduardo. Não tem o menor cabimento este tipo de comparação e chega a ser uma heresia como nunca vi igual, alguém sequer cogitar me comparar a qualquer destes guitar-heroes . Rolf e Eduardo, quando voltarem de Júpiter, me avisem, por favor… A semelhança mais próxima minha ao Sr Vai pode ter referência à quantidade de equipamento que o mesmo acumulou durante sua vida. Neste quesito , eu devo chegar a um milésimo do que ele possue. Nos demais quesitos, nem próximo deste reles milésimo eu chego. Segue um vídeo auto explicativo sobre o leviatã que o tal Steve costuma guardar em seu habitat.

    Alexandre

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  4. A resenha do Rolf é sempre imperdível mesmo – isso aqui (MHM) é uma surra nas “publicações especializadas” – não dá para comparar quem conhece HM como o Rolf, com um “pseudo” cronista da Rolling Stone – é uma piada, um abismo….
    Lendo a resenha e a gente entra no show, e com muito humor… Vai – dos três que o Ale falou é o único que eu não vi ao vivo – Satriani e Malmsteen já vi no RJ e gostei muito. Mas tb dos três Vai é o que menos me empolga e talvez (tecnicamente) o melhor deles. Vou concordar com o Ale – o repertório – as musicas não me ganharam e apenas tecnicismo não causa o tal “estalo”.
    Fica a curiosidade, mas talvez precise de mais atrativos para ir ao show de Vai. É um gênio, não há duvidas, mas vou concordar com o Rolf e prefiro ver/ouvir meu irmão tocando, aliás prefiro também Tony Iommi, JImmy Page, Eric Clapton, A dupla do Judas, Iron. David Gilmour e por aí – se é que me entendem…
    Quanto ao baixo de 6 – há algum tempo deixei ele como 4a opção dos 4 que tenho. Eu saí do de 4, passei para o de 5, fui para o de 6 e voltei para um outro de 5 cordas – o ganho da corda grave é mais interessante que a aguda, mas fiquei interessado neste Music Man de 6. vamos conferir.
    Remote

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  5. Sabem que é preferível colar a boca com superbonder, grampear e por silver-tape em cima do que falar “mal” do Steve Vai, mas já que Bside e Remote deiram a deixa, quero registrar minha relação com o FENOMENAL e INCOMPARÁVEL guitarrista.

    Não vou querer dar uma de “cool” e dizer que curto Frank Zappa. Pelo contrário, não suporto ouvir nem um minuto.. . Desculpem-me, mas “avant garde” não é pra meu ouvido. Então, não conheço o trabalho de Steve Vai no Zappa, mas diz a lenda que Vai foi convidado a tocar com Zappa após escrever e enviar por correio ao autor as partituras de músicas declaradas como “impartituráveis” pelo próprio Zappa.

    A primeira vez que vi o nome Steve Vai, foi numa revista nacional sobre o Eddie Van Halen, na qual tinha a partitura e tablatura de “Eruption” (um dos maiores solos de guitarra já gravados em estúdio), obviamente transcrita por Vai. O nome ficou marcado, pois é realmente impressionante alguem conseguir “tirar” e escrever “Eruption” do VH. E me fez aprender o solo (claro que meio matado…) mas mostrou que a transcrição estava perfeita…

    Daí veio o citado filme “Crossroads” em 1986 e a saída do Dave Lee Roth do VH, culminando com o lançamento do “Eat em’ Smile” no mesmo ano, que explodiu (pelo menos no meu playlist e de todos os guitarristas que conheço) como uma bomba atômica, Vai e Sheehan destruindo tudo completamente! Aqui liguei o nome ao artista que já se via fazendo a guitarra falar literalmente no clip de “Yankee Rose”.

    Em 1989, em circunstâncias esquisitas como realçou Bside, Vai entra no Whitesnake e sai o “Slip of the Tongue”, que foi o primeiro CD (quando saiu a nova mídia) que comprei na vida e, como os CDs eram caros demais naquele tempo, fiquei ouvindo sem parar durante meses, estupefato com a qualidade da gravação digital que estava ainda em seu início.

    Logo após, em 1990, vem o “Passion and Warfare”, ainda no hype do “Eat em’ Smile” e “Skyscraper” (de 1988) e do “Slip of the Tongue”, e novamente este disco foi consumido milhares de vezes por este que aqui escreve.

    O “Flexable” de 1984 me foi disponiblizado depois, e já achei meio “viajão” demais, mas tudo bem, ele era o cara do Zappa…

    Em 1995, teve o show dele no Aeroanta de Curitiba, estivemos lá à tarde, falamos com ele, pegamos nas guitarras, muito gente fina. E, se me lembro bem, ele começou o show de olhos vendados tocando “Greasy Kid’s Stuff” e detonou muito o show todo, atingindo o auge com “For the Love of God” (música que se quebrasse no auto-play ouviria tranquilamente por toda a eternidade… uma das maiores obras já gravadas na história do rock). Então o show foi mesmo uma ótima experiência…

    Aí vem o resto da discografia… Quase nada mais me agrada… Apesar de respeitá-lo muito e o fato de que certamente seria ótimo vê-lo ao vivo infinitas vezes, não consigo ouvir os Cds dele… Talvez ele não seja realmente um bom compositor, pois tocar bem não significa nada quando a coisa é criar…

    E, na real, ainda prefiro aquele bend monstruoso, cheio de feeling, do David Gilmour às 1.897.865 notas por segundo que qualquer um possa fazer…

    keep rockin’!

    Abilio

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    • Caramba, Abilio… história impressionante nestas quase 3 décadas… muito legal mesmo, ainda mais a questão de ser o primeiro CD da vida…

      Perguntar não ofende: você tem algo da época (além dos prováveis CDs)? Autógrafo, foto, algo? Se tiver, seria legal ver por aqui um dia…

      Aula de comentário…

      [ ] ‘s,

      Eduardo.

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  6. internação: ai vou eu!
    Júpiter: nada disso! eu e o Rolim estamos ai de testemunha. B-side não deve nada
    Abílio: po bicho, o Abílio manja demais! cara excelente seus comentários! Eruption transcrito pra partitura! o que será isso….
    Remote: muito bom ver ‘ “cronologia das cordas”
    Panaca: cara, perto do que vocês escrevem aqui eu sou um panaca!
    Rolim dead or alive: ainda bem que o Rolim comprou ingressos extras do metallica ….senão eu vou chamar uns amigos meus lá da favela do rato molhado pra ensaboar a cara desse malandro de bolacha!!!!
    obrigado: pessoal obrigado a todos pelos comentários. Rolim, obrigado pleo ingresso! precisamos acertar o Sabbath

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