Cobertura Minuto HM – Keynote do Bruce Dickinson na Campus Party Brasil 2014 – SP – parte 2 – resenha

CampusParty2014_credencialComo comentei aqui, a entrada na Campus Party foi, para mim, desorganizada. De qualquer forma, o restante do evento mostrou itens importantes, como pontualidade no início das palestras, uma boa quantidade de banheiros e restaurantes, postos d’água, etc.

Como pontos negativos, o famoso problema do Anhembi com o intenso calor e um problema mais sério e inadmissível: muitos cabos de rede sem funcionarem. E a tal internet de 40 Gbps, dividida, fica 1/10 da velocidade que tenho em casa ou mesmo no meu smartphone 4G. E, a noite, a queda de luz – algo inadmissível em um evento de tecnologia, apesar de não ser algo de controle do evento, e sim da dupla Anhembi / AES/Eletropaulo.

Aproveitei a chegada cedo para já garantir um lugar próximo ao palco. Estando sozinho, foi mais fácil e consegui um lugar na segunda fileira. Depois de um tempo, notei que em minha frente estavam Igor, do Iron Maiden 666, que estava com Cris McBrain, do IMB. As camisetas de Iron Maiden aumentavam a cada minuto (hm) e o local encheu faltando 1 hora para o início da keynote. Muita gente assistia a palestra anterior para guardar lugar para ver Bruce, comportamento que foi percebido pelos palestrantes anteriores e pelo apresentador do Palco Principal.

O tradutor da biografia do Bruce Dickinson, Eliel Vieira, estava logo atrás de mim e foi convidado ao palco, comentando um pouco da experiência de tradução e algumas curiosidades sobre o Bruce que podem ser conferidas na obra – entre elas, que o baixinho sofria “bullying” na escola. Depois, ele comentou as conversas com o Igor ainda antes da realização do trabalho, sendo que este também subiu ao palco para contar a experiência de ter o blog de Iron Maiden mais acessado do país.

Com a intro de Aces High e com a pontualidade britânica de sempre, Bruce, bem-humorado novamente de cabelos curtos, entrou no palco e foi, obviamente, muito aplaudido.

Logo na abertura, ele já chegou comentando sobre como ele “odeia” os consumidores, pois ele tem opções. Fazendo todo um racional para suportar sua tese, ele dava sua primeira dica: tornar seus consumidores seus fãs. As analogias usadas foram, claro, com o que o Iron Maiden fez e faz ainda. Citou fãs de futebol, que torcem para um time, não importando o resultado, e disse que se um fã compra uma camiseta da banda e a camiseta fica ruim após uma lavagem, ele vira um consumidor apenas daquele produto. Fez a analogia que os consumidores são como a vida no mar, onde o ponto foi a facilidade com que as empresas de perdem e são “engolidas” se se acomodarem.

Trouxe ainda um exemplo de um consumidor que compra um carro e, por exemplo, a porta cai. O consumidor volta para a loja e o vendedor o informa que o carro pode ser substituído. E termina: “você ficaria feliz em saber que seu carro na garantia será trocado?”. Aí ele usa como ponte para citar a importância de que, hoje em dia, a confiança e o relacionamento são, mais do que nunca, fundamentais para um negócio. Afinal, se hoje foi a porta, e amanhã, vai ser o motor?

Ainda nesta linha de fã, Bruce comentou sobre a Apple. Comentou que comprou um “Mac Portable” na época, mas que era muito pesado, mas que os fãs da marca tinha orgulho em ter aquilo. Ele pegou uma almofada do sofá do palco para demostrar isso:

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O ponto que ele fez com o Mac Portable era novamente sobre o orgulho das pessoas com o produto – você não comprava um produto, você se “juntava a um culto” – a uma religião, criando, assim, um relacionamento. Ele continuou fazendo referência ao mundo da tecnologia da época e que Bill Gates era o “evil” (com direito a falar “evil empire” com aquela característica voz que só ele consegue fazer). Voltou a falar das opções que o mercado ganhou com a popularização do PC, e que ele finalmente trocaria seu Mac pelo Windows. E que, hoje, a Apple possui um grande problema em manter o império dela, após as invenções de Steve Jobs, pois os concorrentes são fortes e que impérios vem e vão… e que uma vez que você “dorme com o inimigo”, você pode ganhar uma opção. Citou como exemplo de falha os mapas da Apple [nota do redator: um verdadeiro fiasco mesmo].

A tradicional parte do keynote onde ele fala do antigo e tradicional celular Nokia não ficou de fora, ocm ele comentando que “a Nokia inventou a Finlândia pois, antes disso, ninguém sabia o que era o país”. Abordou a questão da bateria atual dos smartphones não durarem e que o celular “dele” (apesar dele não ter apenas um Nokia) dura dias, desafiando a galera presente a monitorar o nível de bateria de seus smartphones.

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Bruce tocou no delicado assunto dos downloads e o mercado das gravadoras. Ele foi duro nas críticas às bandas que acusam os fãs de terem destruído o mercado da música. Apesar de concordar que os downloads foram responsáveis pela mudança do mercado e de que as bandas, inclusive o Iron Maiden, não ganham mais spread com a venda de álbuns, ele não concorda com as bandas que não procuram se reinventar.

Disse que este não é o ponto e que as bandas devem continuar procurando gravar músicas inéditas, para não viraram um “karaokê” – um “empty product”. Bruce comentou que a diferença entre as bandas e as gravadoras é justamente a relação fãs x consumidores: enquanto a primeira possui fãs, a segunda possui consumidores – ninguém fica “triste” quando uma gravadora sai do mercado. Mas também que as gravadoras as vezes não agem para acompanhar o mercado, como oferecer downloads diferenciados a seus fãs, uma experiência digital legal, para se estabelecer um relacionamento. Quando as gravadoras dizem que seus consumidores estão tentando matá-los e eles querem mandá-los para a cadeia, Bruce foi direto ao definir a atitude como uma enorme burrice. A crítica teve, sim, um tom indireto também a grandes nomes do mercado que usam apenas a questão do download para culpar a queda nas vendas. [nota do redator: uma crítica indireta a pelo menos dois nomes importantes: Gene Simmons, que manda “prender todo mundo” e, claro, ao Lars / MetallicA / Napster]. Bruce arrancou aplausos da plateia neste momento.

Outra argumentação dele é que as pessoas não mudam. O que mudam são coisas como smartphones, materiais – que ele classificou como “evil-lution”. Enquanto a tecnologia evolui, há algo que temos em comum e que não muda: humanidade. Uma coisa que não mudamos é o tal “olho no olho”, que é importante – deu o exemplo de ser social em shows quando ele olha alguém 200 metros e a pessoa se sente importante.

Bruce deu ainda um conselho para a galera: não tentar aprender tudo de todos na vida, nas palestras da semana, e sim descobrir algo que pode ser uma boa ideia nesta semana – o que ele chama de “creative mosquito”, que é o 1%, aquilo que vai é o tal pernilongo que vai mordê-lo para você explorar.

Dickinson mencionou que criar letra de música é parecido com idéias de negócio. Citou Einstein -” imagination is greater than knowledge”, no lugar do comum “ir a escola, estudar”. Comentou que podemos achar um monte de gente com conhecimento e diplomas – mas sem imaginação e paixão, nada adianta.

O gancho foi para entrar no assunto de criatividade, citando Isaac Newton, que não “inventou” a gravidade, ele fez a pergunta certa: “o que é isso?” – e observou o fenômeno. Bruce trouxe a importância da observação como chave para estímulo da criatividade e deixar a imaginação fluir a partir daí – as coisas estão aí, já [nota do redator: Steve Jobs, da Apple, é para mim o maior exemplo de observação de coisas que já existiam e uso da criatividade para criação de coisas fantásticas, que as pessoas mal sabiam o que poderiam querer. Mas como achar um nicho e ser criativo?

Ele apresenta então um exemplo com o Iron Maiden, mostrando uma foto de Jimi Hendrix. Quando a carreira dele começou, o manager dele inventou algo criativo para que ele pudesse ir de um lugar para outro: o Jimi podia tocar onde houvesse condições de um avião voar para, rapidamente. E este, segundo Bruce, foi o grande “insight” dele, como piloto, para o Eddie Force One: o problema da banda era que muitos lugares do mundo queriam ver a banda, mas que, em termos logísticos, os contadores da banda diziam que era impossível em termos financeiros, para ir, por exemplo, para a Austrália, Coréia, Índia. Foi ali que ele, sabendo que há uma ociosidade de 30% nas companhia áreas no hemisfério norte, e que seria fácil conseguir ter uma aeronave disponível, para que eles pudesse viajar para os lugares que os contadores diziam não trariam ROI e ainda em um curto espaço de tempo.

O resultado, como sabemos, foi muito bom para todos os envolvidos: para a banda, que repetiu a fórmula 3 vezes ; para a companhia, que tinha seu avião trabalhando e mais que isso: quando a tour acabou, Bruce questionou a companhia aérea se queriam manter a pintura personalizada, pois o avião voltaria a ser comercial – o avião voltaria a funcionar para voos regulares, mas todos que viam o avião, achavam que o Iron Maiden tocaria na cidade – e isso causou um tumulto na internet, com rumores de que a banda tocaria em determinado local, mesmo a tour já estando finalizada – eles acharam isso divertido e incrivelmente funcional.

Por fim, Bruce apresentou o mais recente sucesso comercial com a marca da banda, que nada tem a ver com música: a cerveja Trooper. Comentou que, infelizmente, a banda não vende mais tantos discos, mas que acha outras formas para continuar lucrando. Uma delas é fazendo tours, onde a música que foi “baixada” de graça vira uma camiseta que um fã compra por 50,00. Contou do cenário anterior, que era o contrário, quando as tours não se pagavam por si só, mas que eram uma forma de divulgação do material de estúdio, mas que agora todos querem ver música ao vivo. Aproveitou o ensejo para mencionar que as pessoas querem ir a shows, e não ficarem em casa ouvindo música digital de péssima qualidade – ou mesmo CDs, que também são para ele ruins (citando o vinil como a melhor coisa que se possa ter em termos de experiência com música, ainda que não seja prático), costurando o ponto ainda com seu raciocínio da atualização do que as pessoas querem no momento.

Voltando ao ponto da cerveja, ele comenta que as pessoas são criaturas sociáveis e que, apesar de verem o Rock in Rio no YouTube, ninguém prefere isso do que a experiência ao vivo, com outras pessoas – “the real thing”. Houve uma proposta para a banda fazer um vinho tinto, já que muitas bandas estavam fazendo isso. Mas se a banda fosse fazer algo, a sugestão seria por uma tradicional cerveja britânica. A proposta em colocar o label em um produto já existente também foi recusada – a banda optou, assim, por ter sua própria cerveja mesmo, algo que fosse inédito, e não apenas uma cópia de algo. O resultado das vendas da cerveja é algo impressionante mesmo, sendo agora inclusive um produto regular no mercado. A sacada foi: o que as pessoas fazem ouvindo música (fazendo novamente uma ponte que não se pode apenas criticar os downloads)? A resposta era: bebem cerveja. Quantas vezes você ouve um CD, e quantas vezes você pode beber uma cerveja? Muitas. E As pessoas terão que comprar várias, diferente do download – e não é possível fazer download de cerveja…

Abrindo para as questões, Bruce terminou com uma frase de impacto, comentando que não há necessidade da concorrência querer crucificar, matar seus concorrentes, mencionando que o mundo é pequeno e que há espaço para os negócios sejam bons para todos os lados (nota do redator: o manjadíssimo win-win).

Bruce se despediu e rapidamente saiu do palco enquanto The Trooper rolava na PA.

Galeria de fotos (obrigado Cris McBrain por algumas destas):

Palestra na íntegra:

Conclusão:

A keynote do Bruce foi baseada em diversos aspectos, onde ele abordou tangíveis e intangíveis. Considerando a plateia esperada (jovens buscando dicas de empreendedorismo, e não fãs de Iron Maiden apenas), Bruce focou especialmente em temas sociais que, apesar de não serem novos aos que estudam administração, ou possuem experiência especialmente em grandes empresas, são mesmo importantes para reflexão.

Relacionamento ; consumidores que não apenas compram, mas se identificam com a marca e, assim, se estabelece confiança e fidelidade ; não ficar parado culpando uma atual situação do mercado, mas sim ficar atento com as oportunidades que existem no meio – como fazer mais tours, a cerveja ; ter coragem de fazer diferente, mas também usar doses de realidade para não afundar ; pensar nos custos quando se cria algo e não se o móvel do seu escritório será da cor x ou y. Bruce mostrou muita habilidade em “navegar” por temas que são parte do dia-a-dia de quem está se arriscando entrar no mercado ou mesmo quem está lá, mesmo em situação favorável.

Assim como nos shows, Bruce possui uma incrível capacidade de prender a atenção do público, pelo jeito de falar, de se expressar e de conectar os assuntos. Sempre com comentários rápidos, as vezes parecendo desconexos, ele conseguia complementar o temas e exemplificá-los de forma a facilitar a compreensão dos presentes. É mesmo um “showman” – ou seja, se fosse outra pessoa qualquer, mesmo extremamente qualificada, falando dos mesmos temas, dificilmente seria a mesma coisa. Usando o Iron Maiden como ponte para muitos destes exemplos, ele procurou transportar seu raciocínio para o mercado em geral. Mas não nos enganemos: hoje temos a cerveja sendo mais rentável à banda que os discos – e isso, quer queira, quer não, influencia no dia-a-dia da banda que, sim, passa a direcionar foco e esforços para este produto também. O sucesso é tanto que a cerveja já é a número 2 de importadas na Suécia, por exemplo. E isso, obviamente, gera uma mudança de estratégia em uma máquina que é marca Iron Maiden hoje em dia.

Os exemplos do mundo de tecnologia – Apple, Microsoft e Samsung, foram bem encaixados no sentido de passar a mensagem sobre ser fã de uma marca, de como a competição dá opção e como o mercado não para e um grande player pode ser rapidamente destronado. Apesar dos exemplos dados não serem exatamente o que o mercado de tecnologia está passando no momento, para fins de argumentação, os pontos foram válidos.

Achei também importante a forma como ele passou para os presentes pensarem sempre em empreender, em arriscar, mas para as startups (este tema está em evidência na administração desde que o desenvolvimento de apps mudou o destino de muitas empresas e pessoas físicas), uma boa ideia de baixo custo é o que atrai investidores, e não querer logo de cara se preocupar com a imagem e com os móveis da empresa. E ainda foi explícito ao comentar que “não é sobre qualificação, mas sobre ter uma boa ideia. Você pode ensinar macacos a terem MBA”.

Como crítica, Bruce relatou apenas casos de sucesso relacionados ao seu mundo – banda, negócios na aviação, cerveja. Para um público que supostamente está procurando por lições, as vezes compartilhar também os fracassos, insucessos ou lessons learned são até mais importante que os conhecidos casos de sucesso. Era essa linha que eu adotaria em uma pergunta que quis fazer ao final, durante o Q&A, mas infelizmente não fui um dos escolhidos. Eu faria um paralelo com os anos 80 dele, onde a maturidade ainda não era como hoje, para ajudar a dar exemplos também de coisas que poderiam ser diferentes, pois a idade dele nos anos 80 era compatível com a maior parte do público presente.

Além de ver um ídolo de tão perto, é sempre bom ver um cara como o Bruce, que se destaca em tantas áreas, disponibilizando seu tempo para compartilhar experiências e características como dedicação, persistência e o olhar “out of the box” que, apesar de serem temas “batidos”, devem mesmo sempre serem ressaltados – bons exemplos nunca são demais. E ele nunca para: em dois dias, estará na Nokia Finlândia, dando outra keynote…

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Eduardo.



Categories: Cada show é um show..., Curiosidades, Iron Maiden, Jimi Hendrix, Motörhead, Off-topic / Misc, Resenhas

22 replies

  1. Parabéns, cara!

    Fantástico! Parece que eu assisti a palestra com você! Amanhã comento no blog também…

    Abraço!

    Sent from my iPhone

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  2. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Cara o post sensacional, muito bem coberta a vinda de Mr. Bruce que é aquilo mesmo – está com tudo, e tem uma facilidade para discorrer sobre qualquer assunto mesmo. Claro que tem pontos mais interessantes que outros e pontos para se concordar ou discordar, mas é incrivel a versatilidade e inteligência de Mr Air Siren.
    Não consegui entender quando ele fala que o cd tem qualidade ruim e que o LP seria melhor. Apesar de gostar muito dos vinis, até hoje não consegui perceber que o som do vinil é melhor que o cd e muito menos que o som do cd seria ruim. Quanto ao encarte, capa, até cheiro e o que remete as sensações de outrora, nem discuto.
    Algum comentário sobre isso?
    Quanto a Falta de Luz – sem comentários – um evento desse sem um gerador? Ta doido? Só no Brasil.
    E uma brecha, nem deu para dar uma conversadinha com o Bruce não?

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    • Remote, legal que tenha gostado. Foi realmente um dia muito legal e diferente. Vou confessar aqui: eu estava normal, pois o clima de algo assim é outro, não é como show.

      Mas quando a PA com Aces High aumentou de volume e ele entrou, me segurei… os olhos arderam… ídolo é ídolo!

      É curioso que quando o som acabou e a palestra começou, passou essa emoção. Consegui assistir numa boa, claro que consciente que não era um “qualquer” que estava ali, mas assistindo de forma tranquila.

      O ponto que o Bruce fez quanto a CD e download foi sobre a qualidade. Ele deixou claro que não gosta da qualidade dos downloads e só depois enfiou o CD no bolo, dizendo que a experiência com áudio em vinil é, para ele, “the real thing”.

      Para mim, isso também é um sinal de incômodo com o aumento da pirataria que esses meios proporcionaram, e a redução natural na qualidade quando isso acontece, principalmente nos downloads. Mas o ponto dele era sobre se reinventar, e isso é interessante do ponto de vista de negócios, como o caso com a cerveja que vende mais que o The Final Frontier, por exemplo, mas não necessariamente significa que as bandas devam pensar nisso apenas – afinal, ok, o mercado mudou, mas a música tem que continuar – e se o foco passa a ser em cerveja ou outros produtos, a chance de comprometer o lado musical é maior…

      Quanto a falta de luz: a luz do teto que acabou. Os pontos das baias continuaram energizados, bem como o mini Datacenter. A rede não caiu – ou melhor, o que funcionava deles, pois vários pontos de rede estavam “mortos”, principalmente os que ficavam nas cadeiras dos palcos. E a velocidade, que eu esperava ser de outro mundo, não estava melhor nem que meu celular com todos compartilhando. Enfim…

      Sobre a conversadinha com Bruce, o melhor que tenho é aquela foto que pedi para um cara tirar de mim com ele ao fundo no palco… eu até tinha uma informação privilegiada para o fim da palestra, mas ele saiu correndo e tinha voo para a Finlândia, onde ele faria a apresentação 2 dias depois (no caso, hoje). Esse é o Bruce…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. Eduardo, excelente a cobertura, ótimos temas na palestra, e mais fã ainda de Dickinson ficamos pela sua inteligência e visão do mundo.
    A organização, pelo jeito, deixou a desejar em especial naquilo que seria o mais importante. Velocidade de rede. Isso não tem desculpa, pelo que o evento propõe. Faltar luz acontece, poderia ter sido pensada uma forma de que tudo funcionasse mesmo com este senão.
    A questão do cd foi bem explicada por você , e eu volto a dizer que ouvir cd em laptops ou um mp3 / Itreco player pra mim tem pior qualidade em relação a ouvir um Lp em um aparelho decente. A fonte pode ser melhor, mas as novas ferramentas de reprodução são muito convenientes para todos, mas deixam de lado a qualidade sonora.
    Eu ainda vou ver esta palestra toda, e se algo me agradar por ali, retorno, sem dúvida.
    Parabéns pela cobertura !

    Alexandre

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    • B-Side, legal que gostou e obrigado pelos elogios da cobertura – espero que tenha trazido um pouco de como foi mesmo.

      Sobre a internet, eu particularmente não acho aceitável e falo mesmo. O impressionante é que não vejo ninguém reclamando de nada, não sei se as pessoas ficam com vergonha, preguiça, ambos… enfim, você ter diversos pontos de rede sem sinal é uma lástima e uma velocidade que até pelo meu celular estava melhor é igualmente decepcionante.

      A falta de luz não é culpa primária da Campus Party, mas eu imagino que tenha algo no contrato de locação sobre isso, não é possível aceitar isso em um evento de tecnologia – e ver as luzes de emergência também apagando foi a gota d’água para eu ir embora.

      Sobre a palestra, que é o que interessa, eu também acho que nada supera uma pesada (literalmente) aparelhagem de som, com um receiver de qualidade. Agora, eu acho que os PRIMEIROS iPods (não os atuais) e o iPod classic atual têm uma qualidade de som incrível para um aparelho portátil – claro, desde que o MP3 contribua também, com 320 kpbs.

      O vídeo da palestra está aí e vale a pena – eu também fiz 2 vídeos por minha conta pelo celular, mas com o vídeo completo, achei desnecessário, pelo menos neste momento, colocá-los por aqui.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Eduardo, este post está realmente sensacional!

    Em primeiro lugar, nos explique melhor como elaborou um texto tão excelente em tão pouco tempo, já que tudo estava pronto e publicado na noite que seguiu o evento.

    Quanto aos problemas de infra-estrutura, só posso fazer o mesmo comentário que sempre faço com relação à maioria dos shows que ocorrem no Brasil: lamentável…

    Já quanto ao que Bruce falou, muito legal, principalmente no que tange ao “download x venda de cds”. Eu mesmo já pensei isso, que a banda até perde dinheiro não vendendo discos, mas quem faz o download vai de uma forma ou de outra acabar divulgando a banda na base do boca-a-boca, e certamente algum ou alguns desses amigos podem acabar comprando o CD, indo aos shows e até consumindo outros materiais da banda, como camisetas e demais produtos, que muitas vezes são baratos para manufaturar e acabam compensando no custo-benefício.

    Se a indústria não quisesse que nada fosse copiado, porque então liberaram já há vários anos a venda de gravadores de Cd e Cds virgens a preço de banana? Claro que há algum ganho pro trás disso, mas a matéria realmente é complicada e controversa, e de toda forma, sou ainda adepto a comprar o material das bandas que gosto, para que elas ainda tenham o suporte de suas gravadoras e não acabem por se tornarem comercialmente inviáveis.

    Já o lance da cerveja é realmente fantástico, toda a relação da “cerveja x ouvir música” e o fato de (quem sabe o que o futuro nos reserva?) ainda não podermos baixar a cerveja pela net.

    Tudo aqui é de bastante proveito e preciso ler mais algumas vezes para assimilar melhor o conteúdo. Interessante também ver o Air Siren vestido de calça e camisa social (apesar de estar meio avacalhado), talvez por isso o clima ficou mais sério, ou “menos Maiden”…

    De toda forma, parabéns, e, como disse ao declarar na primeira parte da cobertura que “jogaram o sapo n’água”, afirmo novamente que não havia pessoa melhor para estar lá presente e nos trazer toda esta informação tão bem compilada.

    keep bloggin’

    UP THE MINUTOS!

    Abilio Abreu

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    • Abilio, muito obrigado a você também pelo comentário e pelos elogios.

      Cara, nesta cobertura eu estava bem preparado e posicionado. Como estava perto e SENTADO, fica tudo mais fácil… em uma mão, eu tinha uma máquina fotográfica convencional (responsável pela maioria das fotos) e, na outra, meu celular, com apps de anotações e câmera em uma ordem que eu nem olhava para ele para alternar. Dentro do possível, eu anotava algumas palavras-chave sobre do conteúdo da palestra, na ordem, para depois poder escrever sobre. E, sem querer ser metido, mas talvez sendo um pouco neste caso, eu acho que acostumei com o Bruce falando (parece que estou ouvindo um “velho amigo” – bom, não deixa de ser isso), então para mim foi tranquilo poder fazer estas rápidas anotações. Depois, no final da tarde, me sentei em uma bancada e escrevi o esqueleto do post, terminando e publicando em casa com as fotos e outros ajustes.

      Os problemas de infra, bom, já disse no texto e nos comentários e, apesar de entender que problemas acontecem, há coisas que não são mais aceitáveis – falta de luz é uma delas.

      O assunto do CD x download é um assunto que não imaginei que ele abordaria, e acabou se tornando o tema favorito de todos. O que você coloca é exatamente a lógica, tanto para a venda de itens em shows, quanto da cerveja. São os “compensatórios” se tornando “core”. Mas, ao mesmo tempo, como disse no post, para mim isso é triste, pois temos que lembrar que o Iron Maiden é música, é o que ouvimos, não apenas coisas de prateleira… mas como o assunto não era música, e sim empreendedorismo / business, a mensagem passada faz todo sentido…

      Sim, o clima era menos Maiden, tanto pela roupa, mas pela forma como ele conduziu tudo. Alguns momentos de brincadeiras parecidas com o que ele faz no palco quando com a banda, e uma ou outra entonação que parecia que ele ia introduzir “The Evil That Men Do”, mas a missão foi atingida – e o público também entendeu isso e merece um elogio, pois se comportou muito bem – como nota apenas, haviam alguns seguranças na frente do palco, caso houvesse alguma situação (foi o único dos palestrantes que vi que teve isso, mas é óbvio o motivo).

      Obrigado novamente!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. A banda lançou um copo da cerveja – que, convenhamos, não é nada demais e parece, pela foto, até amador – só é vendido online (por enquanto) e custa caríssimas 12 libras: http://www.ironmaiden.com/trooper-ale-glass.html

    Eu tentei tomar uma cerveja, mas não é mesmo minha praia… apesar de não ser conhecedor, ela me pareceu muito encorpada e para os apreciadores de cervejas importadas, deve ser uma ótima opção.

    Já a banda, que prolongou a clássica Maiden England até alguns dias atrás, agora entra no processo de recesso, mantendo o “reloginho” e tirando o Steve tocando com a banda solo, Bruce voando por aí, Nicko em seu restaurante, Adrian pescando e Murray bebendo ou jogando golf, além da cerveja, devemos ter poucas notícias da banda neste segundo semestre de 2014.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  9. Copo da cerveja Trooper

    A post shared by Minuto HM (@minutohm) on

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  10. Mais uma edição da Trooper, desta vez sendo lançada como limitada: http://loudwire.com/bruce-dickinson-limited-edition-iron-maiden-beer-by-end-2016/

    Business is good, thank you very much…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  11. Cara, você escreve um post milhões de vezes melhor que o Bruce faz uma palestra.

    Coloco aqui o que eu disse pro Rolf: “O Bruce como palestrante é um excelente vocalista de heavy metal”. Eu estava lá e achei a palestra fraquíssima em termos de estratégia empresarial.

    Tudo bem que foi a primeira aparição do Bruce em público após o lance do câncer, Tudo bem que era um dos melhores e mais influentes músicos da atualidade. Tudo bem que é um cara que se reinventa e busca ramos além de ser vocalista do Iron Maiden …. eu sou fã do Bruce e do Maiden desde criança e não tiro nem um pingo do respeito que tenho pelo cara.

    A palestra foi engraçada, foi animada, foi com o Bruce na minha frente! Mas agora, falar que um empresário ou um empreendedor aprendeu alguma coisa diferencial com aquela palestra, me desculpem as pessoas aqui … mas não!

    Excelente palestra para um fã do Maiden ver o Bruce de perto, contando situações como a ideia da criação da cerveja ou situações que ocorreram com ele em voôs, mas para um bancário ou empreendedor que queira colocar algum ponto que o Bruce disse na prática, esquece!

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    • Olá Kelsei, tudo bem?

      Pelo que vi do seu comentário, por você ter citado a questão do câncer, você viu a palestra no evento da Febraban de 2015, correto? Esta aqui: https://minutohm.com/2015/06/27/cobertura-minuto-hm-keynote-do-bruce-dickinson-na-ciab-febraban-2015-parte-2-resenha/

      Esta palestra da Campus Party (a primeira, um ano antes), para mim, em termos gerais, foi melhor em termos estratégicos. A da Febraban foi mais rápida, alguns exemplos iguais (slides idem). Eu acho que realmente de novidade não há muita coisa, especialmente para pessoas acostumadas com conceitos de administração e que já trabalham em corporações multinacionais.

      O que vale mesmo, para mim, é a repetição de conceitos que sabemos mas não aplicamos: trabalho efetivo em equipe, atenção com detalhes, parcerias com áreas internas estratégicas, etc. Também trabalhei em bancos por muitos anos e sei que na prática não é assim que funciona, mas de qualquer maneira, os conceitos não deixam de ser válidos.

      Como disse, achei a palestra de 2014 mais interessante que a de 2015. Mas concordo, não há nada revolucionário ou que nos faz efetivamente refletir, além de exemplos que são mais para entretenimento (como o do celular clássico Nokia) do que lição corporativa estratégica.

      E obrigado pelos elogios ao post!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  12. O Maiden, em passagem pelo Brasil, vai também valorizando seu outro “ganha pão”, ou melhor, “ganha cevada”, lançando variações do rótulo da cerveja Trooper, desta vez com a Trooper Red ‘N’ Black, música do chefe Steve Harris do disco em tour.

    Mais informações desta que será bem “encorpada”: http://ironmaiden.com/news/article/trooper-red-n-black

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  13. Bruce novamente na Campus Party, desta vez na edição dos nossos “hermanos”: http://www.blabbermouth.net/news/iron-maiden-bruce-dickinson-speaks-at-argentinas-campus-party-technology-festival-video/

    Bruce usa realmente seu tempo ao máximo – poderia aproveitar e atualizar o material e respectivos exemplos um pouco :-).

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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