Discografia MetallicA – parte 9: nascimento do Thrash Metal

O objetivo deste capítulo é fazer uma “ponte” para o efetivo início da Discografia MetallicA por aqui.

Nele, veremos um pouco de como o mundo ganharia uma nova cena que popularmente ficaria conhecida como “thrash metal” e quais foram as outras bandas que também desempenharam papéis fundamentais para o nascimento e principalmente para a consolidação deste novo gênero do metal, além do próprio MetallicA.

ThrashMetalLogo

Para tudo há um ponto de partida, mesmo que por muitas vezes e especialmente no mundo da música o início de algo possa ter diversas vertentes e teorias. Mas para o thrash metal, é ponto comum entre os admiradores do gênero que a principal influência das bandas viria da New Wave Of British Heavy Metal (NWoBHM), representada por muitas bandas, mas em especial o Iron Maiden e mesmo por nomes que surgiram antes deste próprio movimento existir, casos do Judas Priest e Motörhead (esta última uma das mais citadas bandas de referência ao MetallicA).

A região que lideraria o movimento seria a americana Bay Area, ainda que do outro lado do país, em NY, o movimento também ganharia alguns adeptos. Mas há também bandas importantes de outros locais, como Canadá, México, Alemanha, Polônia, Japão, Austrália e no próprio Reino Unido – além do Brasil, com o Stress. A banda de Belém é popularmente considerada a primeira banda de metal do nosso país. Roosevelt “Bala” (baixo e vocais), inclusive, diz que o Stress (nome que nasceu em 1977, apesar da banda existir desde 1974) é a verdadeira primeira banda de thrash metal do mundo, já que o primeiro disco homônimo da banda sairia antes do Kill ‘Em All (gravado no Rio de Janeiro em agosto de 1982) e já possuía os tais elementos do estilo.

Ainda sobre o Stress, é importante ainda destacar o período político do país – como não existia a liberdade de expressão, as letras da banda, assim como tantos outros artistas do país, também eram censuradas. André Chamon, entretanto, usava a criatividade para trocar palavras e termos considerados subversivos por outras de pronúncia parecida, como “lixo humano” por “lixo mano” na música “O Lixo”. O Stress teve papel fundamental no nascimento do movimento no país, inclusive abrindo portas para os novos garotos abrirem seus shows – entre eles, os garotos de Minas Gerais, fãs da banda, do Sepultura.

Mas voltando a falar do estilo como um todo no cenário mundial, o Thrash Metal possui características de diversos gêneros do metal que existiam até então e que influenciaram diretamente as bandas que começavam a aparecer. Algumas músicas setentistas também já apresentavam algumas destas características, como o Queen com Stone Cold Crazy, de 1974 (que futuramente seria largamente coverizada pelo MetallicA) e o Sabbath com Symptom Of The Universe (1975), que faria parte do repertório do Sepultura também para o Nativity In Black. A faixa do Sabbath também seria uma clara influência para o caminho do MetallicA e os músicos que consolidariam o thrash: Diamond Head e sua Am I Evil? (outra que seria regravada pelo MetallicA).

Lars, até então, um fã sempre antenado com a cena européia de heavy metal e da NWoBHM, trouxe uma cópia do álbum Welcome To Hell (Venom). O impacto do disco de black metal também foi relevante não necessariamente pelas faixas, mas sim pelos “valores” ali presentes, como a ausência das características anti-sistema, acompanhados de um som veloz e agressivo. O Venom, em seguida, lançaria o álbum Black Metal e começaria a unir grupos que até então não se misturavam, como punks e skinheads, trazendo shows pirotécnicos “a la Kiss” com com letras influenciadas pelo Black Sabbath.

Até então a terminologia não havia efetivamente “nascido”. O MetallicA estava fazendo seus primeiros shows pela Califórnia e Lars e James entendiam que o som em que estavam envolvidos era algo não aceitável, especialmente em Los Angeles, por serem músicas muito rápidas, pesadas e “sujas”. A cena na segunda maior cidade americana estava envolvida com os sons do Van Halen, Mötley Crüe e Ratt, com refrões pegajosos e sonoridade muito diferente. O som que vinha do MetallicA era definido até então como power metal ou speed metal por Hetfield.

Com a consolidação do gênero a partir da década de 1980, surgiram expoentes do estilo ao longo das décadas. Abaixo uma listagem destes expoentes separada por região:

  • Bay Area (EUA) com MetallicA, Megadeth, Testament, Slayer, Exodus, Vio-Lence, Death Angel, Heathen, Possessed e Forbidden;
  • East Coast (EUA) – centralizada em New York, com influência no hardcore punk – velocidade ao invés de técnica. Anthrax, Nuclear Assault, Overkill, Toxik e Whiplash são os principais exemplos;
  • Britânicos – a cena britânica trazia um estilo mais parecido com o metal tradicional, ou seja, com menos agressividade e mais peso – Xentrix, Onslaught e Sabbat são os nomes que surgiram à época;
  • Brasileiros – consolidando-se especialmente a partir de 1990: Sepultura, Executer, MX, Violator, Korzus e Sarcófago;
  • Teutonic (Alemanha, Suíça e países nórdicos): especialmente a partir da metade da década de 1980, com Kreator, Destruction, Sodom, Tankard, Coroner, Holy Moses e Exumer.

Entretanto, foi Malcolm Dome, jornalista da revista inglesa Kerrang!, que usaria o termo “thrash metal” pela primeira vez apenas em fevereiro de 1984, fazendo referência à música Metal Thrashing Mad, do Anthrax.

Mas independentemente da nomenclatura usada, as bandas já estavam envolvidas com esta nova sonoridade, cujo estilo se consolidaria com o lançamento de uma série chamada “Metal Massacre”, que veremos no próximo capítulo desta série. Mas antes disso, este post trará um pouco do nascimento de outras bandas que foram fundamentais para a consolidação do thrash metal.

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ANTHRAX

Para falar da banda nova-iorquina, o Minuto HM convidou o Anthrax Brazilian Army, o fã clube brasileiro da banda e que conta com o Gabriel Souza (que conhecemos quando Rudy Sarzo esteve no Manifesto Bar) como um dos principais membros. Abaixo o texto-base do Gabriel, com alguns grifos e edições meus:

Tudo começou em 1981 com o pequeno e determinado garoto judeu Scott Rosenfeld, que hoje mudou seu nome legalmente para Scott Ian Rosenfeld. Scott e seu irmão Jason nasceram em NY e moravam no violento bairro do Queens. Por conta disso sua mãe não os deixava sair na rua e ambos ficavam em casa ouvindo rádio e logo se apaixonaram pelo Kiss, a banda do momento. Scott estudava na Bayside High School, mesma escola de Neil Turbin e Dan Lilker – este último o acompanhava todos os dia no caminho de ida e volta para escola.

Dan estava um ano atrás de Scott e Neil, um certo dia após uma aula de biologia sobre doenças, ele se empolgou e no caminho de volta para casa não parava de tagarelar com Scott sobre uma bactéria, Bacillusanthracis, mais conhecida como Anthrax. Scott então se virou para Dan e disse: “no dia que sua atual banda acabar, você e eu teremos uma banda chamada Anthrax”.

Scott então começou o projeto Anthrax sem Dan Lilker. Dave Weiss era o baterista, Kenny Kushner guitarrista e John Connely (que tempos depois formaria o Nuclear Assault com Lilker) foi o vocalista até Neil Turbin finalmente ceder e aceitar se juntar a banda em agosto de 1982. Pouco tempo depois, Lilker rompe com sua banda e se junta a Scott, Neil Turbin (vocal), Greg D‘ Angelo (bateria) e Greg Walls (guitarra). Após alguns conflitos, Greg deixa a banda.

É recomendado a Neil Turbin um “pequeno“ guitarrista. Seu nome era Dan Spitz e ele tocava em uma promissora banda chamada Overkill. Dan prontamente aceita o convite, tudo parecia correr bem e o Anthrax parecia finalmente ter estabelecido uma formação, correto? Não…

Greg D’Angelo recebe uma proposta de um grupo chamado White Lion, que segundo ele fazia mais o seu estilo, e o Anthrax então fica parado por algumas semanas. Até que, um dia, durante as férias de inverno, Scott conhece Charlie, um garoto que tocava bateria desde os 5 anos de idade e que era um aficionado por Kiss. Scott o convida para se juntar ao grupo, que agora finalmente estabeleceu uma formação (Scott, Lilker,Turbin, Spitz e Charlie). A banda começa a se apresentar regularmente por pequenos clubes da Big Apple.

O dinheiro do cachê era utilizado na gravação de algumas demos, porém como o dinheiro era escasso, as gravações logicamente eram de baixíssima qualidade. Determinados, Scott & Cia. começam a criar um laço com Jon Zazula (presidente da gravadora Megaforce) e Eddie Trunk (vice-presidente). Zazula tinha acabado de assinar com um grupo de São Francicso e conseguiu convencer os garotos a virem morar um tempo em NY para gravar. O grupo em questão era o MetallicA.

Zazula não gostou das primeiras demos do Anthrax e se recusou a assinar com a banda por diversas vezes, porém Eddie Trunk viu potencial no grupo e os orientou para que trouxessem uma gravação decente, e que compusessem músicas mais rápidas, algo parecido com o que a Megaforce estava produzindo na época. Scott e seus companheiros de banda decidem acompanhar as gravações do Kill ‘Em All para se envolverem mais sobre o som que a gravadora procurava. Ao se depararem com a situação precária de Lars e Cia. naquele momento (segundo Scott, eles estavam literalmente tendo que pedir dinheiro na rua para ter o que comer), o Anthrax decide ajudar e doa para o MetallicA uma geladeira, uma torradeira e algumas latas de sopa para que eles pudessem pelo menos comer uma vez por dia.

Por fim, Scott usa o dinheiro de sua Bar Mitzva para gravar uma demo de melhor qualidade, a faixa escolhida foi “Soldiers Of Metal“. Após entregar a faixa para Trunk e Zazula, a banda finalmente assina com a Megaforce o contrato para a gravação do primeiro álbum, “Fistful Of Metal“.

Neil Turbin carregando James Hetfield durante a tour do Fistful Of Metal, em um show em NY, 1983. Foto  do acervo pessoal de Neil Turbin

Neil Turbin carregando James Hetfield durante a tour do Fistful Of Metal, em um show em NY, 1983 (foto do acervo pessoal de Neil Turbin)

Logo após o lançamento do álbum, sob muitos conflitos, Neil Turbin dispensa Dan Lilker da banda e em seguida ele mesmo deixa o grupo. Charlie chama seu sobrinho que até então era roadie do grupo, Frank Bello, de apenas 16 anos, para assumir o baixo. Já para os vocais, Eddie Trunk indica a Scott um vocalista que ele havia ouvido cantar há pouco tempo em um pub de NY. Seu nome era Joeseph Bellardini, mais conhecido como Joey Belladonna.

A banda então lança seu primeiro EP, “Armed And Dangerous“ e embarca para sua primeira tour europeia, ao lado de Agent Steel e Overkill.

Como curiosidades finais, em entrevista em agosto/2014 ao podcast The Metal Voice, Neil Turbin disse ter recebido um convite durante as gravações do primeiro disco do Anthrax, Fistful Of Metal, para se juntar ao MetallicA. “Johnny Z. (fundador da Megaforce Records) estava no estúdio ouvindo as músicas. Ele era manager do MetallicA à época, e disse que talvez eu devesse fazer um teste para a banda. Agradeci, mas recusei”.

E como já publicado por aqui no blog, há também um nome que se mistura na história do Anthrax e Armored Saint envolvido com o MetallicA: John Bush também foi um dos nomes a ser convidado por Hetfield para assumir os vocais do MetallicA, mas preferiu ficar no Armored Saint por fidelidade aos amigos de banda, que eram inclusive amigos de infância. John Bush assumiria os vocais do Anthrax pela primeira vez apenas em 1992, substituindo Belladonna.

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SLAYER

Proveniente de Huntington Park (subúrbio de Los Angeles), Califórnia, o Slayer nasceu em 1981. A banda foi fundada pelos guitarristas Jeff Hanneman (RiP) e Kerry King. A sonoridade da banda traz características únicas e sempre fiéis (e são responsáveis pelo desenvolvimento do thrash e death) sempre envolvendo complexos solos de guitarra, uso extremo de bumbo duplo e vocais predominantemente guturais. A banda usa em suas letras interpretações de temas extremamente fortes e polêmicos, totalmente foram de qualquer mainstream ou do sistema, com satanismos, religião, guerra e criminosos, como serial killers.

King, tentando formar uma banda, fez uma audição para uma banda e não gostou. No mesmo local onde rolou esta audição, viu Jeff Hanneman com sua guitarra e amplificador e, após ver o talento do guitarrista, perguntou-lhe se queria formar uma banda. O baterista Dave Lombardo foi recrutado quando ele conheceu King entregando pizza. Dave perguntou a King se ele era o cara que tinha mesmo todas aquelas guitarras que ele havia visto…

Já a dupla Jeff e Kerry recrutou o baixista e vocalista Tom Araya, que já havia tocado com King em bandas menores, sem grande expressão e, antes de se juntar ao Slayer, trabalhava em um hospital. Tom aprendeu algumas músicas pedidas e os primeiros ensaios aconteceram na sequência, cerca de uma semana depois, com bons resultados.

Como muitos na época, a banda tocou versões covers do Iron Maiden e do Judas Priest em clubes e festas no sul da Califórnia. Estas bandas eram as mais ouvidas pelos membros da banda, assim como o Black Sabbath, mas foi Jeff Hanneman o responsável por apresentar aos colegas bandas com estilos mais rápidos, calcados no punk e hardcore. O Slayer também usava em suas primeiras apresentações muitas representações satânicas, como pentagramas, maquiagem pesada, espículas e cruzes invertidas.

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17/junho/1981: “Haunting The Chapel” tour – Hollywood Palladium

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Existe um grande rumor que a banda era originalmente conhecida como Dragonslayer, cuja inspiração teria sido um fantasioso filme americano de mesmo nome do ano de 1981 com um roteiro onde um rei teria feito um pacto com um horripilante dragão para deixar seu reino em paz em troca de sacrifício de virgens (rumor desmentido por King).

A banda foi convidada para abrir o show da banda “Bitch” no Woodstock Club em Anaheim (Califórnia), tocando oito músicas — sendo seis covers. Enquanto tocava Phantom of the Opera, do Iron Maiden, a banda foi vista por Brian Slagel, fundador da Metal Blade Records, que, impressionado com o desempenho da banda, reuniu-se com a banda no backstage e pediu-lhes para gravar uma canção original. A música seria “Aggressive Perfector” (com uma sonoridade similar ao que o MetallicA fez em suas primeiras composições) e sairia no Metal Massacre III.

Slagel, então, ofereceu a eles um contrato de gravação com a Metal Blade Records e assim a banda teria suas primeiras experiências profissionais, em um estúdio de verdade, de onde sairia seu primeiro trabalho, Show No Mercy, um álbum com características da sonoridade do Judas Priest misturado com Iron Maiden, mas tudo em uma velocidade característica do novo estilo. O disco foi gravado ainda sem patrocínios ou qualquer ajuda, sendo que os membros da banda usaram suas economias e pediram dinheiro a familiares na aposta pelo trabalho.

Uma curiosidade do álbum debut da banda é que Lombardo não usou pratos em seu kit de bateria durante a gravação original por uma influência direta de Slagel, que achava que o som ficaria melhor. Os pratos foram editados e adicionados posteriormente, por isso soam estranhos em alguns momentos. O próprio Dave Lombardo explicou como foi o processo em um workshop / workshow realizado em São Paulo, no dia 03/set/2014:

Obs.: a rápida passagem de Kerry King no Megadeth será abordada mais abaixo neste post, na parte que cobre a banda de Dave Mustaine/

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OVERKILL

Mais um expoente americano do lado leste, o Overkill foi formado em 1980 em New Jersey a partir do fim de uma banda punk chamada The Lubricunts, que possuía Rat Skates e D.D. Verni. A dupla colocou um anúncio procurando por um vocalista e um guitarrista para criar uma nova banda, e tal busca foi preenchida por Bobby “Blitz” Ellsworth (que ganhou o apelido “Blitz” de Verni pelo seu alucinante estilo de vida) nos vocais e Robert Pisarek para as seis cordas.

Em seu início e sem o nome final “Overkill” definido, a banda gravou basicamente, usando o nome “Virgin Killers” (uma referência ao álbum do Scorpions de 1976, “Virgin Killer”), diversos covers de punk, como The Ramones, Connor Neeson, The Dead Boys e Aron mc Garrigle. Um pouco mais para frente neste início de anos 1980, a banda começou a adotar em seus setlists nomes como Judas Priest (Tyrant), Riot e Motörhead, com diversas músicas do então fresco Ace Of Spades e uma faixa de um “certo” álbum homônimo anterior, Overkill.

A partir de 1981, a banda passou por instabilidades em seu lineup, com grande variação na posição da guitarra. Robert Pisarek saiu e, em seu lugar, Dan Spitz foi chamado. Dan ficaria muito tempo no cargo e logo sairia para uma banda chamada Thrasher que, por sua vez, tinha em seu lineup ninguém mais, ninguém menos que o baixista nova-iorquino Billy Sheehan. Eles chegaram a gravar duas faixas de um esperado disco homônimo que, até o momento, ainda não viu a luz do dia.

Dan Spitz, então, se juntaria ao Anthrax, onde ficaria como guitarrista (e ocasionalmente backing vocals) de 1983 a 1995, ou seja, aparecendo desde o Fistful Of Metal. Dan só voltaria ao lineup do Anthrax rapidamente entre 2005 e 2007 durante a reunião do Among The Living.

Mas de volta ao Overkill, após a rápida passagem de Spitz, Anthony Ammendola, Rich Conte e Mike Sherry passariam pelo cargo de guitarristas, até finalmente o Overkill se estabelecer com Bobby Gustafson no final de 1982 / início de 1983. Nesta época, a banda já estava gravando mais material próprio, como Grave Robbers (renomeada depois para Raise The Dead), Overkill e Unleash The Beast (Within), que se juntariam a Death Rider (1981) e Rotten To The Core (1982).

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Bobby Gustafson

O Overkill passaria a tocar em algumas casas em New Jersey e New York, também com apresentações estilo teatrais e com maquiagem, sendo uma figura constante na L’Amour, uma casa no Brooklyn que abriu em 1978 para a demanda disco da época, mas que passou a contar com apresentações de gêneros do rock a partir de 1981 e contou com basicamente todos os grandes nomes do rock se apresentando, inclusive estas bandas thrash que iniciavam suas atividades à época.

Em 1983, a banda lançaria a demo Power In Black, que faria barulho no meio underground juntamente com nomes como Exodus e Testament. A demo proporcionou ao grupo duas aparições: a faixa Feel The Fire foi incluída na New York Metal ’84 e Death Rider apareceria no volume V da legendária série Metal Massacre. A banda também conseguiria seu primeiro contrato com a Azra/Metal Storm Records, que resultaria em seu primeiro e vendável EP, Overkill, de 1984, colocando-os em posição de destaque no movimento thrash daquele momento e chamando a atenção de Zazula, da Megaforce Records. Também passariam a abrir shows para o Anvil e para o MetallicA.

DiscMet_9_Overkill_PowerInBlack_demo

Brain Damage Zine #1 (California, USA) - 1984. Editores: Vadim Rubin and Ron Nieto

Brain Damage Zine #1 (California, USA) – 1984. Editores: Vadim Rubin and Ron Nieto

A banda então assinaria com a Megaforce, para ter seu primeiro álbum de duração completa lançado, Feel The Fire (1985). Com o disco e a repercussão, a banda gastou boa parte de 1985 e 1986 fazendo a tour do álbum e atuando como banda de abertura para o Megadeth (que estava na tour americana do Peace Sells) e depois na Europa abrindo para o Anthrax e Agent Steel.

Assim como o Megadeth e principalmente o Iron Maiden, o Overkill também possui um mascote: Chaly, a “caveirinha voadora”, aparece na maioria das capas dos álbuns e materiais da banda e que, classicamente, é da cor verde, como o logo da banda.

DiscMet_9_Overkill_Chaly01

 

É interessante notar a questão do “timing” no caso do Overkill, já que eles foram a única banda que conseguiria um contrato com um label gigante (Atlantic Records, em 1986), mas não “estourou” comercialmente até a popularização das outras bandas do gênero, como o Anthrax, Exodus, Slayer, Megadeth, Testament e, claro, o MetallicA. Entretanto, conseguiu tardiamente números comerciais expressivos, mesmo assim.

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EXODUS

A história do Exodus se mistura com a do início do MetallicA, e o motivo disso (bem como um pouco da história da banda) já foi apresentado em detalhes no capítulo do Kirk Hammett desta discografia.

Uma curiosidade recente é que Gary Holt também faz parte do lineup fixo do Slayer desde 2012, após a triste morte de Jeff Hanneman, apesar de já ter substituído o saudoso Jeff desde 2011. Holt também deverá participar, inclusive, em futuros álbuns de estúdio do Slayer, apesar de não estar previsto que ele poderá contribuir e ser creditado por isso em termos de novas composições.

Gary era o técnico de Kirk Hammett e lembra que uma das primeiras coisas que aprendeu com Kirk com foi uma música dos Rolling Stones na guitarra. O resto da história é mais que conhecido por quem acompanha metal: Garry assumiria o posto deixado pelo guitarrista, sendo o principal membro da banda desde que Kirk que foi para o MetallicA que, por sua vez, estava substituindo Dave Mustaine, que fundaria o Megadeth na sequência…

A importância de Holt é tanta para o Exodus que Rick Hunolt, também guitarrista, apelidou a banda de “H-Team”…

O Exodus lançaria seu primeiro álbum de estúdio, o clássico Bonded By Blood, apenas em abril/1985, apesar dele já estar pronto desde julho do ano anterior (com a fita circulando e sendo bem aceita no underground). O motivo da demora, e que prejudicou inclusive a banda comercialmente no “timing” da explosão do gênero, foram problemas com a gravadora. Este primeiro álbum é o único que conta, em termos de discos tradicionais de estúdio, com Paul Baloff nos vocais (apesar dele estar presente na demo de 1982 também). Baloff foi demitido pelos seus excessos com bebidas logo após a tour do Bonded By Blood, e seu lugar foi preenchido então por Steve “Zetro” Souza, do Legacy (Testament) .

Ainda sobre o primeiro álbum, a sonoridade, especialmente com os solos deste álbum, bem como sua agressividade em termos de letras e riffs, viraram referências para o thrash e death metal. “A Lesson In Violence” e “Deliver Us To Evil” são formas de se definir este debut da banda, que contava ainda com Tom Hunting na bateria e Rob McKillop no baixo. Para os garotos que ouviam thrash na época, e para os mais radicais e fiéis ao novo estilo, o álbum era constantemente comparado com o Ride The Lightning, sendo considerado mais “puro” ao estilo que o segundo álbum do MetallicA, rivalizando apenas com o Kill ‘Em All.

Paul Baloff faleceu em 02/fevereiro/2002, aos 41 anos, após um AVC que lhe deixou em coma, seguido da retirada dos equipamentos de suporte pelos médicos. Steve Souza foi chamado para preenchimento dos compromissos assumidos da banda e muitas homenagens passaram a acontecer, inclusive com a participação de Kirk Hammett.

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TESTAMENT

Uma das maiores autoridades no estilo desde seu nascimento, o Testament vem de Berkeley, Califórnia. A banda apareceu em 1983 com outro nome, Legacy, que viria a ser o nome do primeiro álbum da banda. Eric Peterson e seu primo, Derrick Ramirez, ambos guitarristas, recrutaram para o Legacy o baixista Greg Christian e Mike Ronchette para as baquetas.

Derrick Ramirez, entretanto, logo passaria suas atribuições a um jovem adolescente guitarrista que, assim como Kirk Hammett (e Steve Vai, Larry LaLonde, Rick Hunolt, Andy Timmons, Charlie Hunter, Kevin Cadogan), estudou o instrumento com Joe Satriani: Alex Skolnick. Alex, mesmo jovem, já chegou com influências importantes: além de seu professor ser Satriani, ele admirava Eddie Van Halen, Jeff Beck, Jimi Hendrix, Eric Clapton, Johnny Winter, Randy Rhoads e Yngwie Malmsteen, além de Scorpions.

Bem diferente da história da maioria dos músicos de metal e se seus próprios colegas de sua nova banda, Alex viria de uma família mais que culta: seus pais, Jerome Skolnick e Arlene eram ambos Ph.D da Yale University e lecionaram sociologia na UC Berkeley e na New York University.

Ramirez logo deixaria o grupo e a função de cantar para a entrada do vocal Steve “Zetro” Souza, antes da banda soltar sua primeiro demo homônima com quatro faixas em 1985.

As mudanças no lineup continuaram, com Ronchette saindo após a gravação da demo e substituído por Louie Clemente. Zetro também deixaria o cargo para entrar no Exodus e, para seu lugar, sugeriu Chuck Billy.

Para a gravação de seu primeiro álbum, o grupo foi forçado a alterar seu nome, já que uma outra banda, de jazz, já usava o nome “The Legacy”. Mesmo assim, a banda usou o nome original para seu primeiro álbum, que saiu apenas em abril de 1987 pela Megaforce Records, seguindo os passos das bandas do gênero. O lançamento deste primeiro álbum foi um sucesso no círculo thrash e comparações especialmente com a sonoridade do MetallicA foram feitas. Até hoje, é, mais que merecidamente, uma das referências ao estilo:

Uma segunda opção de nome que surgia à época para a banda era New Order, que também acabou sendo aproveitado para ser o título do segundo disco da banda. Por fim, Testament foi o nome final adotado. Com o primeiro álbum já os colocando com certo destaque e prestígio, a banda focou em apresentar-se ao vivo para consolidar-se, abrindo para o Anthrax (tour do Among The Living) em solos americanos e europeus. Desta tour, sairia o material para o EP de cinco faixas do show holandês no The Dynamo Fest, Live At Eindhoven, lançado em junho deste mesmo ano.

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MEGADETH

A história do nascimento do Megadeth é a única totalmente dependente do MetallicA. E os motivos foram mostrados no capítulo desta discografia dedicado a Dave Mustaine.

Foi em abril de 1983 que Dave Mustaine foi demitido do MetallicA, tendo Kirk Hammett, do Exodus, como seu substituto em definitivo. Após a conturbada saída e retorno de Dave para Los Angeles para a casa de sua mãe, Mustaine forma uma nova banda, chamada Fallen Angels, que dura muito pouco.

Mustaine escuta a linha inicial de baixo de Runnin’ With The Devil, do Van Halen, vindo do apartamento de baixo. Neste outro apartamento, estava Dave Ellefson e o guitarrista Greg Handevidt. De ressaca, Mustaine gritou para que parassem de tocar e depois jogou um vaso de planta pela janela, acertando o ar condicionado do apartamento de Ellefson. Ambos subiram para o apartamento de Mustaine, pediram cigarros, e tiveram a seguinte resposta: “Tem uma loja na esquina”. Algum tempo depois, eles novamente bateram na porta de Mustaine, desta vez perguntando se ele poderia comprar cerveja. A resposta, desta vez, foi diferente: “Ok, now you’re talking”.

O trio passou a noite bebendo e conversando sobre música, além de Mustaine ter tocado a demo de No Life ‘Til Leather para Ellefson, que gostou muito do material, e foi assim que eles se uniram para tocarem juntos e formar uma banda onde Megadeth pudesse se vingar do MetallicA.

Ainda sem confiança para cantar, Mustaine adicionaria um ex-companheiro de Fallen Angels, Lawrence Renna (“Lor” Kane), que pouco ficou com o trio original. “Lor” Kane, entretanto, possui o crédito de ter falado a eles que deveriam se chamar Megadeth, nome então de uma música escrita por Mustaine.

Já a origem “oficial” do nome vem de quando Dave pegou um panfleto de um senador da Califórnia no chão do ônibus, logo após ter sido despedido do MetallicA. O papel era de um protesto contra as armas nucleares, cujo título era Megadeath (um milhão de mortes por uma explosão nuclear) e dizia “The arsenal of megadeath can’t be rid no matter what the peace treaties come to”. Dave achou esse termo um bom nome de decidiu tirar o “a” da palavra death, então para qualquer um não iria parecer que estava se referindo a morte.

Existem muitas definições para o termo Megadeth, ou normalmente chamado pela mídia, MegadeAth, com “a”. Dave Mustaine sempre fala que “o nome Megadeth representa a aniquilação do poder. O nome é pronunciado fonéticamente porque para nós o sentido é o mesmo. Se você pegar o dicionário verá que é uma hipérbole fonética (…) e nós queremos levar essa intenção de chocar, para onde nós formos”.

Após a saída de Kane, Dijon Carruthers assumiria a bateria, fechando o primeiro lineup da novata banda, apesar das constantes variações no instrumento que seguiriam a partir dali (Mustaine e Ellefson testaram 15 bateristas para a banda nesta fase). Em 1984, o Megadeth gravaria uma demo já com Lee Rausch na bateria no lugar de Carruthers, e Mustaine, após uma série de tentativas com outros vocalistas durante 6 meses, resolve assumir os vocais no último dia do ano de 1983. O episódio da saída de Carruthers foi bastante “peculiar”, sendo apontado como falta de confiança de Mustaine e Ellefson após o Carruthers querer esconder deles sua cor (negra) e se passar por espanhol. A dupla não entendeu o motivo desta tentativa de Carruthers em enganá-los, já que não haviam problemas relacionados a racismo.

No início de 1984, o Megadeth gravou uma demo com três faixas. Antes disso, o guitarrista Greg Handevidt saiu da banda para formar o grupo Kublai Khan, então as demos apresentaram somente Mustaine, Ellefson e Rausch, que continham as canções Last Rites/Loved To Death (grafada Loved To “Deth”), Mechanix e The Skull Beneath. E após alguns shows, Lee Rausch foi substituído pelo baterista Gar Samuelson.

A fita de Brian Lew com as 3 demos do Megadeth

A fita de Brian Lew com as 3 demos do Megadeth

Nos shows de apresentação das demos, o Megadeth contou com o guitarrista Kerry King. O guitarrista da também novata Slayer “saiu” de sua banda em plena primeira tour de origem e tocou com Mustaine por 5 shows, mas após estas apresentações, retornou ao Slayer, tranquilizando o restante dos membros do grupo de origem que já se questionavam se teriam que achar um substituto.

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Megadeth ao vivo com Kerry King – 19/fevereiro/1984

Mustaine assina com a Combat Records em novembro de 1984, um selo independente de New York que ofereceu o maior orçamento inicial para gravação e tour da banda. Killing Is My Business… And Business Is Good! é o primeiro álbum de estúdio do Megadeth, gravado em Malibu (Califórnia) entre dezembro de 1984 e janeiro de 1985, mas sendo lançado apenas em 12/junho/1985. Apesar de já ter contado com a ideia de seu mascote Vic Rattlehead na arte de capa original, ela foi perdida pelo estúdio. A capa para a edição da Combat Records foi, na verdade, uma versão de baixíssimo custo, deixando Mustaine e colegas de banda furiosos.

Capa da Combat Records para Killing Is My Business... and Business Is Good!

Capa da Combat Records para Killing Is My Business… and Business Is Good!

Para completar o lineup da banda, Chris Poland, que era colega de banda de Gar Samuelson na banda anterior chamada New Yorkers, conseguiu acesso ao backstage depois de um dos shows e “se ofereceu” para um audition com a banda, sendo contratado em dezembro de 1984, mês que o Megadeth faria seus primeiros shows “oficiais” em New York com o Slayer.

Ellefson, Mustaine, Poland e Samuelson

Ellefson, Mustaine, Poland e Samuelson

No verão de 1985, o Megadeth também faria tour no Canadá com o Exciter, com Mike Albert rapidamente substituindo Chris Poland. Para a festa da virada deste ano, o Megadeth tocaria em San Francisco com o MetallicA, Exodus e Metal Church.

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A Discografia MetallicA voltará com o capítulo dedicado à compilação Metal Massacre, especialmente focando em seu início com a aparição da faixa Hit The Lights, de um tal “Mettalica”. Até lá!

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Eduardo.

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CAPÍTULO ANTERIOR: Discografia MetallicA – parte 8: Prólogo / Early Years (1980 – 1982)



Categories: Accept, Anthrax, Armored Saint, Artistas, Black Sabbath, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Discografias, Entrevistas, Exodus, Iron Maiden, Jimi Hendrix, Judas Priest, Kiss, Mötley Crüe, Músicas, Megadeth, MetallicA, Motörhead, Queen, Resenhas, Rolling Stones, Saxon, Scorpions, Sepultura, Slayer, Testament, Van Halen, Yngwie Malmsteen

30 replies

  1. comecei a ler……ainda nao terminei….uma catarse….nossa quanta coisa, quanta informação………..muito bom o aprendizado nunca para

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    • Rolf, agradeço, como sempre… elogios de você são mais que especiais…

      Sobre o post, realmente, é um post de “ponte”, como disse no início, e também uma singela forma de homenagear as bandas que, com o MetallicA, deram as cartas do thrash metal.

      Assim como no caso do “metal clássico” como Black Sabbath, Deep Purple, DIO, Rainbow, Whitesnake, Ozzy, etc., no thrash metal também tivemos (e ainda temos) uma grande vai-e-volta de membros entre as bandas, e este foi outro detalhe que procurei trazer.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Eduardo, imagino o trabalho de pesquisa neste capítulo!!! Ficou fenomenal, pra dizer algo até de forma simplória.
    E o conteúdo acima me faz pensar que a discografia MetallicA poderia ter algumas pernas para a continuidade das demais bandas que estão no post, que tal ? Teríamos a discografia Megadeth, Slayer, Anthrax, Overkill, Testament, isso seria tentador demais, não ?
    Bem, eu ainda vou demorar bastante para ouvir tudo que o post traz de exemplos musicais nas formações da banda, assim pretendo voltar por aqui com mais considerações.
    Independente disso, li, na verdade devorei o texto riquíssimo em informações e misturas entre os diversos membros das bandas.
    Por fim fica aqui a tristeza de ver uma banda como o Slayer ter nascido praticamente com a formação que por tanto tempo se tornou clássica ter chegado ao ponto atual, em especial pela saída de Lombardo.
    Voltando ao post, eu agradeço pela verdadeira aula do Trash em todas as suas vertentes iniciais, como eu aprendi por aqui…

    Alexandre

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    • B-Side, primeiramente agradeço pelas sempre gentis palavras e sim, a trabalheira foi enorme, muito mais que eu imaginava lá quando planejei ter um capítulo assim para a discografia.

      A internet é realmente um mar de informação, e um mar não tão claro assim, aliás, um mar de confusões e desencontros. Para chegar neste versão, tive de recorrer a diversas fontes e realizar muitas confirmações, pois é incrível como as coisas não batem.

      Tive, para este capítulo, a intenção original de convidar os fãs clubes das bandas para escrever, como fiz facilmente com o Gabriel para o Anthrax, mas infelizmente não foi tão fácil como planejado, portanto, abortei a ideia original. Fica difícil quando você lê em um site oficial uma coisa, e vai para um livro e há outra, e outro site fala outra… realmente, uma bela confusão. No final, procurei ser o mais assertivo possível, usando algum conhecimento próprio que tinha também.

      Falando nisso, veja, eu disse “algum conhecimento próprio”… sua ideia é mais do que legal, mas eu sou incapaz de manter a qualidade mínima para falar destas outras bandas na profundidade que este blog e seus leitores merecem. Mas o espaço, como sempre, está aberto a candidatos… já me basta o MetalliCA, hehehe…

      Sobre o Slayer, é triste mesmo a situação, e Dave Lombardo, que está no Brasil fazendo workshops neste exato momento por diversas cidades, mal quer abordar o assunto. A coisa é delicada e o resultado final é ruim para os fãs, infelizmente.

      Espero seu retorno e obrigado novamente.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Caramba, o que é isso aqui? Uma análise mais do aprofundada dos subterfúgios do movimento trash – aonde isso vai parar. E por falar em parar, eu vou parar pois preciso reler e com muita calma para poder comentar alguma coisa condizente com essa bíblia..

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  4. Bem, aos poucos vou ouvindo o material de áudio deste completíssimo post-aula sobre o Thrash e já dei uma sacada no Venon e no Stress.
    Em relação ao Stress, a grande virtude é o pioneirismo da coisa, pois em 82 ainda tendo até problemas com a abertura política, gravar algo de metal é um ato de heroísmo. O material sofre com a precariedade da gravação da época, ninguém sabia como produzir algo do gênero . Sobre o estilo, me pareceu mais voltado ao metal e nem tanto para o Thrash. Eu não citaria a banda como precursora do estilo, acho que o lance foi fazer metal que por si só já era um grande desafio. Imagino com que equipamento o álbum foi gravado, pois muita coisa era “from Brasil” mesmo, e ainda engatinhando a nível de qualidade.
    Quanto ao Venon, aí sim me parece algo que traz as características do estilo, em especial algo mais voltado ao Slayer, principalmente o vocal. Eu lembro que a banda esteve no Brasil em 1986 junto do Exciter e fez um show no maracanâzinho. Nunca foi meu estilo de preferência , mas conheço gente que foi. A opinião , que me lembre, fez mais elogios ao Exciter e considerou o Venon meio bola fora, que , se não engano, veio sem o guitarrista mais conhecido, Mantas. Assim como o Stress, não é algo que me agrada, mas entendo a importância para o surgimento do estilo, considerando a época em que a banda começou suas atividades.
    Bem, tem muita coisa pra ouvir ainda, eu vou comentando quando der por aqui

    Alexandre

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    • B-Side, quanto ao Stress, concordo com você. O mais importante ali não foi nem o estilo, mas sim a bravura por conseguir fazer algo do gênero com tanta precariedade em termos gerais no país, mas principalmente pelo momento político. Pela influência da banda e também por ser o início de tudo, eles pareciam já estar buscando uma sonoridade mais rápida, mas sem dúvidas as influências deles ainda eram a bandas mais clássicas de metal tradicional.

      Essas pessoas que foram no Venom, seria possível registrarem algo por aqui? Seria sensacional, mas somente se for possível, claro.

      E B-Side, muito legal a forma que você está comentando no post, em partes, analisando cada caso. Como sempre, suas contribuições são sempre geniais e acabam elevando muitíssimo o nível do post.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Eduardo, hoje ouvi o Overkill , o Slayer e o Anthrax.
    O começo da carreira do Slayer tem obvias semelhanças com o que era feito pelo MetallicA na época, o que me surpreendeu foi um vocal mais limpo e agudo do Tom Araya. A versão demo inserida na coletânea Metal Massacre também sofre com a qualidade da gravação.
    O Overkill vai na mesma linha, de soar veloz, com o vocal mais grave, mas que também utiliza vez ou outra linhas mais agudas. Assim como o Slayer, não me agradou o som, muito embrionário.
    Já o Anthrax chama a atenção mesmo com o primeiro vocalista, que me lembrou o Eric Adams , do Manowar. O Ep , já com Belladona, é muito legal, e com ótima gravação.
    FIco devendo ainda o Testament e a fase inicial do Megadeth, já que o Exodus já foi extensamente avaliado para um podcast mais antigo.

    Alexandre

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    • B-Side, é verdade. O vocal mais agudo é bem diferente do Araya que viria a se consagrar. Era uma linha muito parecida com o som do MetallicA mesmo, especialmente Kill ‘Em All.

      Também não curti tanto o Overkill, o som realmente parece “menos encaixado”, apesar de ter ali os tais elementos, o que é um grande mérito. O Anthrax, vindo do outro lado do país, já mostrava uma força grande e mais maturidade musical.

      Aguardo seu retorno para continuarmos o papo, excelente, por sinal.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. O americano James Evans, um fã de Exodus de 31 anos de Kentucky, foi preso na semana passada por ter postado um trecho da letra de Class Dismissed (A Hate Primer) – http://wikimetal.uol.com.br/site/fa-e-preso-por-postar-letra-do-exodus-no-facebook/

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. Termino por aqui minhas impressões sobre a verdadeira ” aula ” dos principais expoentes do thrash metal em suas origens trazendo opiniões sobre o testament e a fase embrionária do Megadeth.
    -Sobre o Testament, evidente que também vai pela linha super acelerada de riffs que é a base do Trash Metal inicial, com poucos momentos mais suaves , mas o grande destaque é a qualidade técnica indiscutível de Alex Skolnick. Os solos durante todas as músicas apontam para o que viria a ser procurado mais tarde dentro do gênero, especialistas ( os chamados super guitarristas) para atacar e acrescentar tecnicamente ao Trash Metal. Eu, que não sou um especialista, fico tendendo a acreditar a escolha de Marty Friedman para o Megadeth anos depois relacionado a essa categoria de Alex, que salta aos olhos. No mais, não me agrada, como quase tudo por aqui, o estilo, o vocal e demais características do trabalho da banda, mas é preciso respeitar , independente de gostar ou não.
    – A primeira fase do Megadeth também não tem minha predileção, em especial pelo vocal de Mustaine, que viria a se desenvolver para chegar em algo mais aceitável daí pra frente. No entanto, Mustaine se encontra em plena forma como solista naquele momento, algo que pude reparar em especial no vídeo do show com Kerry King, que declinaria do Megadeth para manter-se no Slayer. É uma pena que King aqui esteja numa função especificamente rítmica, já que não pude ver qualquer solo do mesmo durante o show inteiro. Mustaine me surpreendeu por vários momentos, mostrando uma técnica provavelmente vinda de algum estudo mais aprofundado que ele viria a declinar , oferecendo a tarefa aos guitarristas que vieram a compor o Megadeth desde então, onde para mim, Friedman é imbatível , até por que também trouxe muito a nível de composições para a banda.

    Quando teremos a próxima etapa ?

    Alexandre

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  9. Abaixo um comentário do Cláudio feito via WhatsApp e que acredito que vale a pena ser registrado após falarmos dos primórdios do metal no Brasil:

    “Agora pesou. kkkkk. Pois é. Vivenciei o nascimento do thrash. Lembro de ler na revista Metal uma matéria sobre uma nova banda que prometia. Metallica. Na seqüência já veio Megadeth, Anthrax, Slayer, Testament, etc.
    Mas o delay de informações era gigantesco. Comprar os LPs era um verdadeiro garimpo no Rio. Não tínhamos a galeria.”.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  10. Oi,

    um trabalho primoroso de pesquisa e dedicação.

    Várias “terças” de estudo e busca. Parabéns, Eduardo.

    Daniel

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  11. Grande matéria!

    Esse seria um ótimo post para estar como fixo no Whiplash ou qualquer outro site de heavy metal, para os que visitam os mesmos não postarem tanta besteira!

    Abraços e esperando ansioso a próxima parte!

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  12. Olha, a cada post, nosso presidente se supera. Precisei vários dias, vários momentos livres, para atravessar este mar de informações que, fácil, fácil, daria um curso de uma 15 horas aula sobre o início do thrash metal. É tanta informação que demora um pouco a se digerir tudo.
    Fazia muito tempo que não ouvia Venom e me chamou a atenção como algumas da músicas aqui apresentadas guardam semelhança com elemento thrash metal. Eu tinha a impressão que o som deles era mais pesado, mais lúgubre, ao estilo “black metal”. Não sei se alguém sabe se no decorrer da carreira eles evoluíram para este sub-gênero.
    Outra retorno ao passado foi a menção ao disco Show No Mercy. Lembro de ouvir bastante este disco, logo de seu lançamento. Preciso revisitá-lo. Não lembro de ter som parecido com Iron Miden e Judas Priest. O detalhe da ausência de pratos é incrível.
    Depois comento outros aspectos.
    Parabéns ao autor!

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  13. Um outro ponto importante que acho importante sobre influências, principalmente o Metallica: o punk.

    Vocês não acham que o punk tenha influência no som dos primeiros álbuns do Metallica e até de outras bandas do início do movimento (como relatado neste post)?

    Hit the Lights tem muito de punk e até a versão de Battery no último show do Metallica no Morumbi, de tão rápida, tem muito de punk lá. Meu entendimento de leigo, de ouvido mesmo!

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    • Tem sim, muita influência do punk. O Iron também, fica claro no inicio da carreira deles.
      É o tipo de influência positiva, ao meu ver.
      Eu acho o gênero muito básico, mas é inegável esta contribuição.

      Alexandre

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  14. Excelente texto Eduardo, afinal de contas como sempre tem muita informação ai e também nos faz tirar a poeira dos nossos velhos lps, como agora ouvindo o Overkill. Mais uma grande contribuição sua para nossos ouvidos!
    Bem, apenas para constar, haviam dois Overkill’s, coincidentemente os dois americanos, mas um era de Los Angeles e outro de NY. Costumávamos dizer que tinha o Overkill bom (NY) e o ruim (L.A.).
    Particularmente gosto muito da banda, ate acho que na vida ouvi muito mais Overkill que Anthrax, Testament, Exodus… Mas pelos comentários, acho que sou exceção por aqui, pois pelo que parece o pessoal não apreciou muito.
    No inicio o grupo me lembrava muito mais um Power Metal na linha de um Savage Grace ou Metal Church do que um Thrash tipo Exodus ou Slayer. Mas com o tempo e a evolução musical dos integrantes o som foi se tornando mais Thrash e menos Power. Penso que a melhor época da banda foi do Feel the Fire ate o Horrorscope.

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    • Engrosso daqueles que etão vendo o acontecido no wikepedia como um desencadear lógico do conteúdo sem igual que estamos acompanhando nesta discografia MetallicA. Isso é uma coerente sensação de justiça acompanhada, também,de uma ótima sensação de realização. Surpreender até surpreende, não pelo merecimento, que é óbvio, mas pelo inusitado da coisa.
      Viva o Minuto HM e Hats off para o Sr Presidente deste blog.

      Alexandre

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  15. Eduardo e Galera,
    Eu não me surpreendo com nada por aqui. Ainda mais se tratando de uma bíblia que é esse post. É referência para qualquer publicação e que bom estar sendo de alguma forma reconhecido.
    Parabens!
    Aonde isso vai parar?

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  16. Caraca! Isso é um mestrado da história do Thrash Metal. Muito bom mesmo! Parabéns Eduardo!
    A sensação que dá com essa troca de membros das bandas entre si é que estão todos no mesmo colégio em que todo mundo se conhece.
    Valeu!

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    • Obrigado, Claudio, pelas palavras elogiosas, talvez um pouco exageradas apenas…

      Pois é, é o clima californiano e a época que tudo estava acontecendo que dá essa clara sensação, afinal, estavam todos “brotando” praticamente nos mesmos lugares, sendo um movimento também surgindo na costa leste norte-americana principalmente com o Anthrax…

      Ahhh, a Discografia MetallicA, que enorme buraco que estou… é tanta pendência aqui que se tivesse “nome sujo”, com certeza eu estaria na pior…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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