Colaborações entre diferentes mundos: ideologia, fama / dinheiro ou (nobre) tentativa?

diferentes_aquarios_peixesQuando vemos colaborações entre artistas ou bandas de uma maneira geral, uma coisa é inegável: há minimamente um mínimo de repercussão envolvido. Claro que tudo depende de uma série de variáveis, momentos e até mesmo do tamanho da colaboração – além do tamanho dos envolvidos. E quando uma colaboração é com um mundo diferente, normalmente a repercussão ganha ainda mais exposição.

O assunto é grande e se pensarmos em grandes contribuições de mundos diferentes (para focarmos na proposta do post), temos muitos exemplos. Mas a motivação deste post foi dada por duas recentes notícias envolvendo Paul McCartney e colaborações, digamos, não dentro exatamente do mesmo mundo.

Por mais que eu entenda – e chegue a concordar em muitos momentos – que Beatles e depois a carreira solo de Macca possa ser considera por muitos mais perto do pop do que do rock, um exemplo que podemos pegar é a junção de Macca com Michael Jackson para trabalhem em Say, Say Say, lançada 1983. Considero este um caso de sucesso absoluto independente do quesito que olhemos, mencionado ou não na pergunta que traz o título deste post.

Mas os mundos são mais “distantes” quando pegamos ainda Michael Jackson convidando Eddie Van Halen para o emblemático trabalho em Beat It. É um outro exemplo bem sucedido, independente do prisma.

Entretanto, o foco do post é falarmos de outras situações. Situações mais inusitadas ainda onde vemos, por exemplo, Paul McCartney sendo convidado (e aceitando) participar em uma música com (confesso, tive que consultar os nomes) Kanye West (um rapper) e Rhianna (cantora pop, que foi headliner em uma noite do Rock in Rio 2011, em minha opinião injustamente tendo Sir Elton John abrindo para ela).

No caso acima, eu fiquei com uma pergunta na mente: PARA QUE? Independente da qualidade da música, qual o objetivo? Como neste espaço é desnecessário comentarmos sobre o que Paul McCartney representa para a música e para o mundo, pensemos nos outros 2: novamente independente de questões de gosto, são artistas famosos, ricos, bem sucedidos, com sua base de fãs (que naturalmente são menos fiéis que normalmente vemos no rock, hard e metal)… então, para que?

Minha conclusão vai para a ideologia. Pode não ser a correta, mas dinheiro / fama estaria sempre à frente mesmo, até em casos como este? Se pensamos que o single FourFiveSeconds fica em destaque na iTunes e vende bem, será então que é este mesmo o objetivo?

Eu penso em ideologia pois Macca pode deixar sua marca inclusive para artistas que não precisam “de ajuda” em termos financeiros e de fama, mas que podem “beber de uma fonte” como a de Macca. Afinal, tem o lance da idade, da continuidade, da mensagem. A ideologia é muito bonita em se pensar e gostaria de realmente ir para este caminho. A participação de Macca é mínima, no violão.

Já a música, infelizmente, achei uma verdadeira porcaria – longe da qualidade que se espera quando se pensa em Paul McCartney / Beatles:

McCartney já havia gravado com o rapper em questão e novamente rolou uma colaboração. Foi engraçado (triste, na verdade) pois nesta última colaboração, a internet foi inundada de mensagens de fãs dos outros 2 artistas, especialmente do rapper, dizendo coisas como “Eu não sei quem é Paul McCartney, mas Kanye dará uma carreira a este cara com esta canção!” ; “Quem é Paul McCartney? Por isso eu amo o Kanye, por dar uma chance para artistas desconhecidos”; “Kanye tem um ótimo ouvido para talentos. Este Paul McCartney vai ficar muito famoso”. Pior de tudo: não é piada – tornou-se, mas não nasceu como piada.

E agora temos a notícia que Lady Gaga e Macca estão em estúdio em uma colaboração e que, ao que se noticia, o convite partiu do Sir. Além de Macca, temos Mike McCready, do Pearl Jam, além de outros membros da banda de Paul, como o batera Abe Laboriel.

É neste ponto que quero abrir a discussão nos comentários: PARA QUE? É dinheiro “apenas”? É pela fama / aumento dela? É diversão? Ou seria uma tentativa de realmente se criar algo? Quando vemos Kiss com Lady Gaga, a gente já sabe a re$po$ta, mas é sempre assim?

E se formos falar “apenas” de dinheiro, algumas perguntas seriam:

  • a contribuição é necessária – se justifica?
  • os artistas vendem mais quando fazem single independentes ou colaborativos?
  • os fãs de cada um dos “mundos” querem isso? Ou prefeririam ter material independente?
  • o que vende mais? Uma colaboração de diferentes mundos ou um single independente?
  • sem falarmos de qualquer preconceito, o fã DEIXA de um dos mundos deixa de comprar quando vê uma colaboração de um mundo que ele não gosta?
  • o colecionador “coleciona apenas por colecionar”?
  • cada um na sua é melhor que “correr riscos”?
  • ainda existe algum tipo de “ingenuidade” de uma tentativa de dar certo, musicalmente falando?

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Aerosmith, Agenda do Patrãozinho, Artistas, Curiosidades, Def Leppard, Led Zeppelin, Músicas, MetallicA, Pearl Jam, The Beatles

17 replies

  1. Oi Eduardo.

    Que bom trazer mais um tema interessante aqui pra casa. Precisei de uma leitura do seu texto para ter uma opinião e ela vai ‘de encontro’ ao que você manifestou. Penso completamente diferente. Não que sua ideia mereça ser cunhada de errada ou certa, não é isso. É que em minha opinião só há um prisma sendo envolvido: business.

    As pessoas trazidas em seu mote, antes de serem assessoradas por chefões de marketing, que visam interesses de mercado, como em qualquer negócio, são artistas. Os três, de primeiro escalão, dada às devidas proporções da nossa admiração.

    Paul McCartney, Rihanna e Kanye West são gigantes nos seus segmentos. Macca dispensa comentários meus. Rihanna é uma excelente cantora e Kanye West um dos maiores produtores de r&b.

    Não consigo ter um olhar apenas mercantilista sob a reunião de pessoas. Esses caras se admiram mutuamente e se não quiserem se encontrar em estúdio não se encontrarão. Quantos convites o velho baixista recebe por hora para participar aqui e ali? Quantos “não”? Muitos maiores do que os “sim”.

    Rihanna, nesta faixa e quando tiramos os olhares e ouvidos preconceituosos, é uma baita intérprete. Vivendo o auge da carreira há pelo menos 3 anos, é elogiada por sua técnica, postura de palco e por não ter em seu repertório (ou em uma pequena parcela), a música pasteurizada de artistas como Britney Spears e Justin Bieber.

    Kanye West produz, canta e toca não só em seus discos, como em álbuns de vários artistas para as quais é convidado produzir. West tem uma carreira recente – se for compararmos com o beatle – mas é uma celebridade não apenas porque é esposo de Kim Kardashian, mas porque é talentoso e primoroso no que faz.

    Eu faço a pergunta: você acha que só eles admiram Paul e Paul não os respeita? O motivo pelas quais pessoas talentosas de mundo distintos se reunirem é apenas o vil metal? Não são mais capazes de se divertir e colocar a arte em primeiro plano? Artistas deste porte precisam de conluios de gravadora para uma maior exposição? Nenhum dos três, eu mesmo respondo.

    Quando o desafio de tangenciar realidades muito distintas e apresentar aos seus pares uma nova canção, o artista se renova e coloca seu repertório no player de quem pouco lhe deu atenção nos últimos meses e anos. Já foi-se o tempo em que a ideologia burra e proselitista de subir em um palco apenas com artistas do seu estilo foi primazia no meio musical. Faz tempo que namoram, saem juntos, transam e de vez em quando, trazem filhos (músicas) para conhecermos.

    Com relação a Lady Gaga os que a conhecem com mais profundidade dizem que é uma excelente artista. A mais controversa que surgiu nos últimos 20 anos e que colocou fogo no chato mundo pop construído e deixado por Michael Jackson (in memoriam) e Madonna, esta que deixou sua verve de compositora expirar para dar lugar a uma música que não se parece nada com o que produzira especialmente em meados dos anos 80.

    Isso não me incomoda. Sendo eu músico e compositor, gostaria que minha forma de ver o mundo através da música chegasse ao maior número de pessoas. Não temeria que minha carreira sofresse algum tipo de desgaste por conta destes encontros. A questão do fã é a que menos me interesso e prometo ser mais econômico pra explicar.

    O artista existe por causa do fã? Não é bem assim. O artista certamente vê em seu fã uma grande sustentação para sua profissão e sem ele os estádios estarão vazios, o Itunes não vende, as pessoas não ouvem e etc. No entanto ele – artista, insisto – veio primeiro com sua arte, antes que qualquer criatura pudesse admirá-lo e o primeiro viés de felicidade parte do peito de quem faz e não de quem ouve. Ele ficará (muito) feliz se eu e você admirarmos o que ele nos disse através da música, mas não mudará uma nota se nós odiarmos. O artista vem antes do fã. Só quem já perdeu este romantismo é que liga primeiro para os sinais do mercado para depois partir para os acordes e eu não acredito que McCartney esteja ligando apenas para seu passado, mesmo aos 72 anos de idade.

    De modo que termino meu “ensaio” dizendo que nenhum destes artistas correm riscos uns com os outros, especialmente nestes casos. São estrelas de nível altíssimo, onde só arriscam se fazem algo que não seja música, metiér a qual não possam pertencer.

    Tudo em termos artísticos é válido. Mesmo que a gente não curta. Eles estão satisfeitíssimos.

    Abraço,

    Daniel

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    • Daniel, muito bom seu comentário, no final eu vejo que há de qualquer forma muito a ser explorado do assunto.

      Em resumo, seu comentário vai pela ideologia, pela música… você praticamente ficou bem no termo de ideologia, flertando um pouco (bem pouco) com nobre tentativa, e quase sem dinheiro envolvido.

      Mas minhas perguntas meio que insistem em continuar…

      – a contribuição é necessária – se justifica?
      – os artistas vendem mais quando fazem single independentes ou colaborativos?
      – os fãs de cada um dos “mundos” querem isso? Ou prefeririam ter material independente?
      – o que vende mais? Uma colaboração de diferentes mundos ou um single independente?
      – sem falarmos de qualquer preconceito, o fã DEIXA de um dos mundos deixa de comprar quando vê uma colaboração de um mundo que ele não gosta?
      – o colecionador “coleciona apenas por colecionar”?
      – ainda existe algum tipo de “ingenuidade” de uma tentativa de dar certo, musicalmente falando?

      Já respondidas:

      cada um na sua é melhor que “correr riscos”?

      Por fim: cara, nem UM POUCO o dinheiro aparece como um vértice para você?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Vamos lá, Eduardo.

        – a contribuição é necessária – se justifica?
        Do meu ponto de vista de fã, não. Se justifica, também não. Mesmo assim não me sinto confortável para encher a boca dizendo isso. Neste mundo aí o que amplamente se justifica?

        – os artistas vendem mais quando fazem single independentes ou colaborativos?
        Talvez os gêmeos com seus posts precisos e técnicos possam responder isso com mais clareza… Mas eu “chutaria” que os singles ainda vendem mais.

        – os fãs de cada um dos “mundos” querem isso? Ou prefeririam ter material independente?
        Não, os fãs de cada um dos “mundos” não querem isso. Prefeririam ter material independente. Mas… E daí?

        – o que vende mais? Uma colaboração de diferentes mundos ou um single independente?
        Um single independente, especialmente se um das vértices desta colaboração não for tão famosa assim…

        – sem falarmos de qualquer preconceito, o fã DEIXA de um dos mundos deixa de comprar quando vê uma colaboração de um mundo que ele não gosta?
        O fã-nático compra. Seja o que for que seu artista tiver envolvido. Você tem o Lulu? rsrsrsrsrs

        – o colecionador “coleciona apenas por colecionar”?
        Depende. Eu e você curtimos o Metallica quase como um ‘modo de vida’, dada às devidas proporções. Você estuda bateria, tem interesse técnico, estuda, se interessa, busca informações e não gosta só do que vê no palco, se identifica com a biografia dos caras. Meu caso é semelhante. Existe o colecionador vaidoso (tipo colecionador de cartoon/hq) que usa de informações idiotas para manter sua patologia: “você sabia que o Lars só tocou de cueca amarela em 1994, numa apresentação em Arkansas?”

        – ainda existe algum tipo de “ingenuidade” de uma tentativa de dar certo, musicalmente falando?
        Para o músico, sim. No caso de Rihanna, Paul e West, não sei se era pontual esta tentativa. Acredito que não.

        Já respondidas:

        cada um na sua é melhor que “correr riscos”?
        É difícil responder isso… Porque como disse acima, não há riscos para estes caras. E não me lembro na história recente da música pop alguém que sofreu algum tipo de mutilação artística por ter visto seu nome vinculado a um artista de um universo diferente. O exemplo mais forte que sempre conversamos é Lou Reed + Metallica e acredito que esta parceria fez com que muita gente fosse prestar atenção na carreira do ex-Velvet Underground. Só por conta disso daria a parceria como extremamente positiva.

        Por fim: cara, nem UM POUCO o dinheiro aparece como um vértice para você?
        Sou de humanas, formado em Letras, músico de formação e envolvido até o talo em uma família musical. Sou ingênuo para caramba. Demais. Sei que o dinheiro deve participar da base destes featurings. Só não acho que seja o caso desta tríade que é milionária.

        Abraço,

        Daniel

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  2. Concordo com o Daniel.

    O xingamento, o “deixar de lado”, ofensa, só acontece com os fãs chatos, tr00es, que não conseguem ver além de um palmo além do velho disco lançado em 1986.

    Os grandes músicos tem em seu player uma variedade muito maior de estilos que o segmento em que eles se inserem. Será que Paul curte Poker Face rs?

    E também tem o sentimento de longevidade, tentar tocar uma nova geração, que os velhos músicos, como o Paul, devem ter. Quantos meninos e meninas de 15 anos vão ouvir uma nova música do Paul por causa de Lady Gaga? Quantos vão a um próximo show?

    Eu gosto de músicos que tentam misturas, pisam na areia movediça e esperam o resultado. Eddie Vedder e seus ukeleles, Metallica com Lou Reed, Aerosmith com Run DMC, entre outros. Deram certo? Depende ponto de vista. Mas com certeza os músicos desamarraram os nós que os prendiam a um mesmo canto.

    Abraços!

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    • Glaysson, beleza?

      A proposta do post não traz em discussão diferentes estilos ou os tais fãs chatos e tal. Estamos falando unicamente de contribuições entre mundos distintos.

      Quantos meninos e meninas de 15 vão ouvir Macca por causa da Lady Gaga? Será que são mesmo muitos? Eu honestamente acho que não – aliás, eu diria que esse número deve ser baixíssimo.

      Ir ao próximo show? O mundo do pop é liderado por modas e tendências, tirando alguns raros exemplos absolutos. Mesmo a Madonna não anda enchendo shows. Lady Gaga e afins vieram uma vez com sold out, e a partir da segunda, já não enchem estádios. E este público, que é extremamente mais sensível à moda, iria ver um Macca só por causa de uma música com Lady Gaga, ou Rhianna, ou quem quer que seja? Não acho, nem de perto!

      Concordo finalmente com seu último parágrafo, mas minhas dúvidas continuam… você também foi pelo lado da ideologia / nobres tentativas. E a grana??

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Presidente,

    Já tendo pensado muito no assunto, desde a vez que Sting se apresentou num Grammy com Puff Daddy (ou Diddy? sei lá…) assassinando a clássica “Every Breath You Take”, também fico um tanto chateado de ver nossos “heróis” se “renderendo” ao fazerem estas parcerias um tanto inusitadas.

    De toda forma, concordo bastante com o que disseram Daniel e Glaysson. A gente não está lá, no olho do furacão do showbiz para poder avaliar. Já assisti ao Kanye na TV ao vivo e achei o mesmo bem incompetente “cantando” (murmurando), mas aparentemente ele é um ótimo produtor, e está em voga. Tenho uma péssima impressão do mesmo desde o dia em que ele interrompeu a premiação da Taylor Swift no Grammy, levantando de sua cadeira na plateia e gritando: “O clip da Beyonce é bem melhor!” Foi uma atitude de prepotência e inconveniência, como se ele estivesse acima dos membros julgadores da famosa premiação. O cara parece ser um grande a**hole mesmo…

    Já a Lady Gaga, eu estranhamente a odeio, mas gosto ao mesmo tempo… Apesar do péssimo gosto estético preponderante em tudo o que faz, sua competência musical não pode ser questionada, já viu ela tocando piano e cantando? Fiquei impressionado com o que vi num video de um show dela…

    Assim sendo, acredito que Macca não deixa a bola cair e está antenado naquilo que está rolando de “maior”, apesar de nós, pensantes e atuantes, aqui refutarmos estes estilos de música que dominam a decadente cena pop de hoje em dia (lembrando que esta um dia já foi dominada – por muito tempo por sinal – pelos Beatles; acredito que muita gente também os considerava “lixo” na época, levando-se em consideração que antes deles a música pop era dominada por artistas como Ray Charles, Louis Armstrong, Aretha Franklin, etc…).

    É um assunto pra se refletir bastante…

    keep parterenin’ (or not…)

    Abilio Abreu

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    • Não sou nenhum profeta, mas eu bem que falei que esse Kanye West era um grande ba**ca. ONtem, no Grammys 2015, ele causou constrangimento ao falar que Beck deveria “respeitar o talento artístico e dar seu prêmio para a Beyonce”. Pode isso? Não morro por nenhum deles, mas se me dessem a opção de ouvir Beck ou Beyonce pro resto da vida, claro que escolheria o primeiro… Tá tudo do avesso mesmo nesse mundo pop atual…

      http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2015/02/09/beck-deveria-dar-seu-premio-para-beyonce-critica-kanye-west-apos-grammy.htm

      keep real

      Abilio Abreu

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      • Abilio, aqui devemos separar duas coisas apenas:

        1) realmente essas premiações merecem este tipo de “conclusão”, ou seja, que são falsas, injustas, marketeiras, enfim, tudo menos o que deveriam ser. Enfim, grandes babaquices que nada acrescentam, salvo quando temos as reuniões, que são os momentos que temos o que interessa: música. Isso ok.

        2) a segunda é isso que você falou, e aí entra um pouco da temática do post: Macca precisa estar relacionado com um cara destes? Esta atitude combina com algo? Essa atitude é “rock and roll” ou uma falta de respeito sem tamanho? É tudo armado, combinado, e a intenção é aparecer, a qualquer custo? Faz QUALQUER sentido desrespeitar um cara com Beck (ou qualquer um, na verdade)?

        Enfim… para que Macca fez uma colaboração com um ser destes? Qual o resultado final de bom?

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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    • Abilio, outro comentário excelente (todos estão!), especialmente o parágrafo final. Realmente tem este lance de estar “antenado” com o que está “hot” – o Kiss é especialista nisso, vide a tal contribuição com as meninas japonesas.

      Excelente mesmo este parágrafo final, mas veja, o intuito do post não é compararmos quem é bom ou ruim, se estamos ou não decadentes de boa música, se os Beatles quando surgiram eram considerados “lixo” por muitos (e eram mesmo). Estamos aqui falando das contribuições entre diferentes mundos! Não é para falarmos isoladamente de ninguém, e sim das contribuições entre os tais diferentes mundos…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. Folks, excelente o assunto, excelente o post, excelentes comentários.
    Isso aqui é uma aula, agradeço a todos por isso.
    Bem, eu lembrei de uma frase do Rolf quando me deparei com isso aí embaixo ( o que me causou um asco maior que o Abílio vendo o Sting mal acompanhado…)

    Nosso ” working man ” do blog deu a seguinte opinião :

    “Tem hora que o artista tem necessidade de deixar o pijama em casa e fazer algo novo” , referindo-se obviamente a Page.

    Eu hoje acho que é uma hipótese, assim como imagino que a idéia do Metallica em gravar com o Lou Reed era de buscar a tal experimentação.

    Não há dúvidas que no caso de Page a repercussão e sucesso , no momento em questão, seria inevitável. E vejam bem, eu imaginava que isso iria acontecer também ao Loutallica, mas vejam as vendas….

    Chega a existir uma série nos States que junta artistas não em um projeto fonográfico, mas num encontro que vira até eventualmente um home vídeo . É o tal Crossroads , da CMT, que teve entre seus encontros os Leopardos com a loura Taylor.

    Assim, eu não consigo chegar a conclusão definitiva nenhuma, mas inicialmente não acredito
    que nenhum dos artistas em questão gostaria de buscar tais caminhos imaginando perder dinheiro e outros fatores associados ( imagem, credibilidade, reputação, tudo muito próximo, diga-se de passagem) .

    Então vou pela seguinte conclusão : Em 99 % business mesmo… Sad but true.

    Mas nada é pior do que esta coisa que o KISS inventou agora, com as japonesas pré-adolescentes da moda no país do sol nascente …Aí sim, é levar o risco a caminho fiel das palavras do sábio Simmons : Falem mal, mas não deixem de falar de mim…

    Alexandre

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    • B-Side, outro excelente comentário, como sempre.

      Seu comentário encaixa perfeitamente com as dúvidas do post e no final, é triste concluir, mas eu também acho que a maioria – não sei sei 99%, mas sei lá, algo próximo disso mesmo – é bufunfa mesmo que vale – exposição, free marketing, tudo que vem associado…

      Não conhecia o encontro dos leopardos com a Taylor… como diria o “working man” (excelente definição), eu usaria o “vamos dar uma força”…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Um tema no mínimo intrigante e também de difícil conclusão. Eu acho que cada caso é um caso, e temos desde o oportunismo puro, à tentativa estritamente artística.
    Não sei da repercussão de Michael Jackson com Paul McCartney lá nos anos 80, talvez os fãs mais radicais dos Beatles devem ter ficados muitos contrariados, como eu na época conhecia pouco de Beatles (só o ieieiê) e não tinha a dimensão do gênio que era McCartney (talvez só My Love e Live or Let Die), achei interessante e gostei da musica. Meu gosto se modificou com o tempo, mas consigo facilmente pinçar mais de 10 musicas de Michael e seus irmãos que me agradam. Paul se enveredou em outras misturas como Ebony and Ivory (Stevie Wonder) e The Girl is mine (novamente com Jackson) em 1982 (ambas). Gostei e gosto disso tudo.

    Mas tentando sair do gosto e voltando ao aspecto é uma forma de fazer conhecer um artista de outro segmento, lá nos anos 80 acredito que uma boa parcela conheceu Mr McCartney com auxilio dessas três musicas. Talvez em função disso, alguns procuraram conhecer mais da sua obra, e aí temos um novo fã em potencial…
    Independente do talento artistico de Rihanna e Kanye West, essa musica, que traz uma participação pequena de McCartney no violão (pelo menos é o que parece), não me agradou em nada, talvez pq falta McCartney e sobra Rihanna e West..
    Para aqueles não conheciam e que gostaram (apesar da pequena participação), resta a pequena esperança que venham a conhecer e gostar do verdadeiro e tal McCartney, o que por si só já vale qualquer empreitada.
    Fico sempre com a curiosidade de o que vai sair disso aí, e normalmente no fim vou acabar esquecendo do que foi feito, pois o resultado tende a desagradar numa grande parcela dos casos.
    No mais, acredito que, vide Kiss e outros casos (Sting e o tal rapper que o Abílio mencionou), o oportunismo contribui com 99% e o lado artístico é o que menos importa.
    Respondi alguma coisa?

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    • Respondeu sim, Remote, e muito bem adicionados os outros exemplos de Macca com Stevie Wonder e a outra com Michael Jackson, que inclusive veio antes do exemplo que usei.

      Sobre o comentário dos anos 80 terem conhecido muito de Macca através das 3 músicas, eu realmente me surpreendo um pouco com isso. Foi mesmo? Muito interessante.

      Com relação ao comentário do esquecimento: se é algo que realmente é momentâneo, e o que é momentâneo tende a ser pelo aspecto de um aproveitamento de cena e, portanto, financeiro, chegamos a conclusão que a maioria destas empreitadas não vale muito a pena do ponto de vista musical? Esta é uma das perguntas que deixei em aberto mesmo para debate.

      O post está rendendo ótimos comentários e análises, mas ainda há muito a falar…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. Bem, noto um certo amargor em algumas opiniões, heheheh.
    Na verdade a música, principalmente em sua versão “mainstream” é um negócio acima de tudo. Exceções a parte, creio que a maioria destas colaborações tenta fazer aquilo que o remote comentou aí em cima. Mostrar ao público de um artista, o outro músico que está colaborando, tentando ampliar o mercado consumidor de cada artista. Se isso dá certo, tem que ser visto caso a caso.
    Uma coisa que, penso deve contar, é a distância dos “universos artísticos” dos dois músicos. Nas colaborações McCartney x M. Jackson e x S. Wonder as distâncias não eram tão significativas assim. Muitas músicas do Sir Macca se aproximam do mundo Pop/soul dos outros dois artistas. Assim, me parece mais fácil uma esta troca de públicos.
    Quanto a nova música da Riahanna/West/McCartney, confesso que foi uma surpresa positiva. Antes de ouvir, esperava algo que passasse longe de ser música do jeito que a considero de valor. E é uma música de verdade. Tá certo, é uma música meio simplória, sem maiores ambições artísticas e a participação de Sir Macca é secundária. Mas sou capaz de apostar que se eu escutasse (coisa que não farei) toda a discografia da Rihanna ou deste Mr. West, eu escolheria como melhor música esta colaboração chamada Four Five Seconds. E ao menos, não foi assassinado um clássico como os exemplos citados pelo Abílio

    Gostaria de adicionar um novo exemplo de colaboração. Aerosmith e Run DMC na música “Walk This Way”. O que vocês acharam dista tentativa?

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    • Xará, começando pelo final, não é do meu gosto, mas não achei tão ruim Walk This Way con Run DMC, apesar de nem saber quem são os caras ou mal conhecer. Mas claro que prefiro a original, pelo menos não achei que houve assassinato.

      Nesta contribuição / versão, qual será o objetivo principal para cada lado? Para o Aero e para o Run DMC?

      Sobre o restante do comentário, vejo também que você está mas na linha da ideologia / nobre tentativa.

      Eu realmente devo estar mais amargo quando ao assunto, confesso, pois o dinheiro para mim sempre aparece mais. Claro que o dinheiro sempre aparece, mas quando o artista de qualquer mundo está sozinho, é mais compreensível e direto. Quando se junta a outro de outro mundo, ficam as dúvidas das intenções reais…

      Ótimo comentário, a propósito.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Eduardos,

        Gostei muito da lembrança da colaboração entre Run DMC e Aerosmith.

        Só pra vocês terem ideia de como isso realmente foi válido, eu conheci o Aerosmith por causa dessa parceria!

        Nos anos 80, um amigo meu retornou dos EUA com um skate na mão e um LP do Run DMC e outtro do Beastie Boys na outra, nos contando sobre esse novo som que rolava por lá, o hip hop… A gente ouvia direto esses discos, e realmente piravamos com o riff emblemático da “Walk this Way”, que eu fiquei por anos a fio pensando que era uma composição do Run DMC e não do Aerosmith…

        Do pouco que sei, o Run DMC é um dos percussores do estilo, trazendo o rap do underground dos subúrbios Nova-iorquinos para o mainstream das paradas americanas e mundiais – bem antes dos oportunistas e charlatões dominarem este estilo a partir dos anos 90. Então a validade artística dos mesmos é incontestável, e o Daniel que entende bastante desse desenvolvimento da música pop através dos tempos poderá talvez nos contar mais algo sobre eles e sua importância.

        Em suma, acredito que essa parceria foi uma das mais válidas de todos os tempos, pois trouxe o Aerosmith novamente para o “front” mercadológico (a música alcançou 4º lugar na billboard americana), alavancando a carreira deles num momento difícil, culminando no lançamento da dobradinha “Permanent Vacation” e “Pump”.

        keep rappin’

        Abilio Abreu

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  7. Fui convocado pelo amigo AA, honrado com o elogio, mas muito aquém da informação…

    Talvez o que eu possa dizer é que nestes idos deste encontro, o discurso proselitista, de ambas as partes (r&b, rapper e rock) era muito grande. As tribos não se misturavam. Se pegarmos as edições e publicações da época encontraremos até pequenos ’embates’ ideológicos, cada um vendendo seu peixe, o que era absolutamente normal, natural por assim dizer.

    Run DMC junto com Chaka Khan (no universo funk), são nomes importantes para o estadunidense. É bom lembrar (ou informar) que os caras vieram do gueto do Queen, quando “preto” (com toda a permissão da expressão jocosa e preconceituosa que a ela dão) só era reverenciado nos esportes ou quando fazia música para ‘branco dançar’. Há uma reviravolta, ali mesmo nos anos 70, com o crescimento do movimento funk associado ao hip-hop.

    Socialmente falando, cada um tinha seu discurso e retórica. O funk era o groove para a sociedade “dancing queen” (com o perdão da citação), com letras melosas e que acentuavam, o punch rítmico e sublinhava não só a música, mas a questão da moda, do comportamento. Algo semelhante que o Grunge foi realizar lá nos 90.

    O hip-hop casou-se com o rapper e ainda não tinha sua áurea de contestação, mas se mobilizava pelo discurso pesado contra os “poderosos” e pelas letras REPLETAS de trocadilhos maliciosos, ora com cunho sexual, ora brincando com uma expressão dos guetos.

    O rock era “festa a noite inteira” sem muito se importar com algum tipo de mensagem. Logo a junção destes mundos trouxe um diálogo até então inexistente entre as vertentes, que até ideologicamente, não se batiam.

    Obviamente que não tem relação com o post, que é melhor que o comentário, mas considero que este trabalho do hoje ator Ice-T (excelente na série Law & Order) junto ao Body Count foi inspirado nesta conversa entre hip-hop e rock americano. E olha, lembro-me bem que não foram poucos os elogios.

    Abaixo trago um clip mais recente da banda que une um pouco do ressentimento do discurso do hip-hop, unido aos riffs simples do punk rock.

    Em minha opinião, tudo tem a ver com o namoro Run DMC e Aerosmith.

    Abraço,

    Daniel

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