Qual a influência de um produtor?

mesa_somEsta sempre foi uma questão que me deixou curioso. Qual o poder de influência de um produtor na gravação de um álbum de uma determinada banda? Em até que ponto a mudança de um produtor pode alterar a sonoridade de um banda?

Geralmente a alteração de um produtor dá-se no período “entre-álbuns” e sempre ficou a dúvida se uma eventual alteração da sonoridade de uma banda teria se dado por uma evolução natural da banda.

Me deparei com este caso da banda “The Cult”. Depois do sucesso do álbum “Love” (1985) e sua pegada um tanto gothic rock, a banda voltou aos estúdios para gravação do novo LP, chamando o mesmo produtor, chamado Steve Brown. Eles chegaram a gravar o álbum inteiro no verão de 1986 no Manor Studios que seguia, como vocês poderão perceber, uma linha musical semelhante ao seu antecessor e que seria chamado “Peace” (depois do álbum, “Love”, o álbum “Peace” – mais flower power fora de hora impossível, hehe). Abaixo temos um exemplo destas sessões, que foram lançadas como “The Manor Sessions” lançado após o álbum original, em 1988:

Só que a banda não teria gostado do resultado e contratou o produtor Rick Rubin (na época conhecido por seus trabalhos com Public Enenmy, Run DMC, Beastie boys e Slayer (Reign in Blood) que mudou completamente o som e até o nome do álbum (alterado para Electric). O resultado, todos nós conhecemos, com um som mais direto, mais pesado e mais cru e, diria eu, um dos melhores álbuns da década de 80. Aqui, a mesma música, Peace Dog:

Electric foi um sucesso comercial. Depois de “Love” ter atingido a posição 4 nas paradas britânicas, “Electric” chegou a 3º lugar. Obteve, também, disco de platina nos EUA.

Termino com uma pergunta: alguém saberia de outros exemplos como este acima, ou seja, do efeito do produtor em uma banda, numa mesma música?



Categories: Artistas, Curiosidades, Discografias, Iron Maiden, Kiss, Músicas, Megadeth, MetallicA, Resenhas, Slayer, The Beatles, The Cult

29 replies

  1. Bela estreia Edu²!

    Com ótimo tema, diga-se de passagem.

    O trabalho de produção dentro de um estúdio fonográfico (o papel dele vai mudar de acordo com a pasta que ele escolher, como cinema, teatro, exposição de artesanatos, tv e etc) em sucinta e delicada participação é: encolher o que está grande ou alargar o que está curto.

    As músicas chegam brutas ou são confeccionadas em seu estado primário e parte deste profissional as ideias que farão com que aquele material tem características de um artista referente ou referendado. Exemplo: já ouvi de profissionais de estúdio que artistas/bandas levam cds de suas preferências ou músicas que estejam ouvindo no momento para buscarem seus sons, seus timbres e influências. É papel do produtor colaborar nesta busca seja estética ou seja de estilo.

    Um bom exemplo disso é o produtor Phil Spector que trabalhou com os Beatles em um período difícil da carreira do Fab Four. Foi responsável por arranjos ‘adocicados’ como em “The Long And Winding Road”, que tem coro e cordas. Em meu gosto pessoal, prefiro a versão de Spector, sem o solo sem graça de Billy Preston. Ao mesmo tempo é bom ouvir a ‘banda’ acompanhando. No arranjo do produtor eles ficam atrás da parede de cordas. Repare nas marcações dos acordes que Lennon dá a música. Bem simples. Os olhares não se encontram. O clima não era legal nesta época. E os caras pareciam não muito convencidos da obra que estavam fazendo. Dá uma olhada.

    Já a versão que chegou ao disco condiz com a tendência de tornar toda canção do McCartney uma obra que merece um acompanhamento de luxo, especialmente as baladas. George Martin teria feito algo semelhante por sua conhecida competência e tendência orquestral.

    A medida em que eu encontrar outros exemplos fortes do papel destes carinhas atrás das carrapetas vou exemplificando como creio que toda a turma irá fazer.

    Abraço e mais uma vez parabéns.

    Daniel

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  2. Excelente tema, e excelente esta contribuição por aqui, Schmitt. Eu conheço alguns exemplos de produtores que ficaram no meio do caminho, mas não sei se consigo exemplificar ” musicalmente”. O exemplo do Daniel virou até um cd, quando das versões em estado bruto deste álbum Let it Be, dos Beatles. É o Let it Be Naked, que no meu entender , perde disparado para a versão original lançada tanto tempo atrás. E o Daniel foi muito feliz em trazer estas amostras de The Long and Winding Road, talvez o que tenha ficado mais latente de uma para a outra versão.
    Parece inclusive que o Macca preferiu na época a versão Naked, não ficando nada satisfeito com o que saiu em vinil.
    Se eu achar algo na rede que sirva de maiores exemplos, trago por aqui.

    Alexandre

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  3. Realmente uma ótima ideia este tópico!! Quando o li, o único disco que me veio a memoria foi o Let It Be, como bem lembrou o Daniel. Creio que esse seja o exemplo mais clássico.
    Não sei dizer com precisão, mas parece que o MD45 projeto de Dave Mustaine de 1996, teve duas versões e lançamentos, duas formações, um com Max Norman comandando e outro com o próprio Mustaine, alguém poderia dar mais informações? Eu só tenho o lançamento original.
    Também não sei se estou fora do tópico, mas a edição dupla do Mispliced Childhood do Marillion tem a versão oficial e a demo, que alias tem varias modificações nos arranjos e letras.

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    • JP, acho que a versão demo do Marillion Misplaced Childhood tem apenas versões embrionárias na chamada pré-produção do álbum, assim como também a versão dupla do Cluchting at Straws. Não sei se há interferência do produtor para que aquelas primeiras versões se transformassem nas definitivas.
      Mas valeu mencionar, embora não saiba se exista alguma informação mais precisa.

      Alexandre

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    • Não conheço esta versão do Misplaced Childhood (baita álbum, aliás), mas se for, como o bside fala, somente uma “demo”, não seria exatemente o que eu buscava com este post. Mas também mostra a influência do trabalho do produtor

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  4. O tópico é mais que interessante e, para mim, a influência depende de vários fatores, eu diria que as variáveis são realmente inúmeras, mas passam principalmente entre alguns pilares. Talvez no passado as coisas fossem um pouco mais diretas, ou não se tivesse tanta “maturidade comercial” como há hoje, mas vejo assim:

    – objetivo musical do álbum / carreira banda;
    – objetivo financeiro do álbum / carreira da banda;
    – público que se pretende atingir;
    – liberdade * / criatividade / confiança / carisma / poder / histórico que o produtor tem em relação à banda e gravadora;

    – e liberdade especialmente NO ESTÚDIO…

    Peguemos o MetallicA e Bob Rock. O que a banda atingiu com esse cara foi um rompimento de barreiras que transformaram a banda efetivamente conhecida no globo, não “apenas” no meio, mas jogou-os como uma potência mundial da música. Há um preço disso, que sabemos bem qual é, e isso divide opiniões até hoje – de um lado, há gente que considera que a banda “se vendeu”. De outro, que era a continuação da carreira e possibilitou o mundo a conhecer o metal finalmente, pois o que o álbum vendeu realmente impactou o mundo (https://minutohm.com/2010/01/07/metallica-do-metallica-aka-black-album-e-o-disco-mais-vendido-da-era-soundscan/). Houve impacto generalizado no formato, sucesso e até mesmo no dia a dia da banda e Bob Rock é indiscutivelmente parte fundamental disso – ainda mais depois que a banda estava sendo “guiada” por Lars e Hetfield no álbum anterior, tal por qual mal se ouve o baixo no … And Justice For All com o então novato de banda Jason Newsted.

    Outro exemplo é o Nirvana e seu Nevermind com Butch Vig. O álbum mudou a vida do produtor, mas ele pouco conseguia exercer poder com Kurt. Foram ideias e ideias, tentativas de alterar a voz de Kurt… e os tais famosos overdubs… mas no final, a decisão acaba sendo da banda – ou da gravadora – e aí quem prevaleceu no final foi Kurt e o álbum é um sucesso total, independente da questão do gosto…

    Enfim, quase tudo depende da liberdade e interesses – musicais e/ou comerciais – para se determinar a influência ou adaptação de um produtor ao som.

    Deixo o comentário para fomentarmos ainda mais o assunto na sequência com 2 perguntinhas:

    – seria a Yoko uma “produtora” em certo ponto em determinados momentos dos Beatles e carreira-solo de Lennon?

    – o que seria do Iron Maiden no passado / hoje se houvesse um produtor, de alguma forma (imaginemos que é viável isso), que deixasse Steve Harris em um plano não prioritário?

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Respondendo as perguntas :

      -Na carreira solo provavelmente, nos Beatles os outros não deixaram, thanks god…Até por que talento para coisa acho que ela não tem…

      -O que seria do Iron Maiden ? Não seria o Iron Maiden.E é exatamente por isso que Martin Birch está no Olimpo dos produtores. Aliás, por isso e por mais um montão de coisa…

      Alexandre

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      • B-Side, ainda do Iron Maiden: um produtor mais maluco conseguiria tirar a fórmula que eles adotaram de refrões repetitivos e tudo mais? Suponhamos que sim, para análise apenas… isso faria os álbuns da banda melhores?

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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        • Resposta um : Nos primeiros tempos, acho que sim e acho que Birch o fez, já hoje acho que não, pois entendo que seria um exercício razoável de negociação alterar qualquer segundo composto por Harris.
          Resposta dois : No meu entendimento sim, sem dúvida,o Iron anda pecando pela repetitititititititiititititividade de várias canções.

          Fica a campanha : Harris, deixe alguém de fora produzir o Iron Maiden !

          Alexandre

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          • Claro, a “provocação foi para ver uma mudança nos discos, digamos, fora do tal Olimpo…

            Olha, estamos falando de uma banda que também tem algumas fases… os 2 primeiros discos são diferentes do que tivemos do Number até o Seventh Son… que mudam de qualidade no No Prayer e Fear Of The Dark… que mudam de vocalista e a luz vai apagando… que volta o vocalista e entra a fórmula que já vinha sendo experimenta se solidifica, mas o vocalista e um tal Adrian Smith ajudam a segurar bem o brinquedo…

            Quem, B-Side? Quem para produzir o Iron Maiden hoje?

            [ ] ‘ s,

            Eduardo.

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            • Eu faria mais uma divisão, presidente. Nos discos “Somewhere” e “Seventh Son” já há uma clara modificação no direcionamento musical da banda, inclinando para um som mais “progressivo” e “moderno”. E ainda com Martin Birch no comando, que ficou até “Fear…”

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              • Interessante a questão , Schmitt. Mas fica claro até onde vai o dedo de Birch no direcionamento da banda, por exemplo, para incluir teclados e guitarras ( e baixos) sintetizados nos álbuns citados ( Somewhere e Seven Son)? Partiu dele a idéia ? Ou veio da cabeça de Harris ?
                Eu apostaria no baixista dono da banda.

                Alexandre

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      • Não tem talento, B-Side? Tadinha… como não? E aqueles agradáveis gritinhos que ela consegue dar? Bom, chega de ironia… 🙂

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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    • Interessante este exemplo do Metallica. São claras as modificações causadas pelo novo produtor, Bob Rock. Neste caso fica a dúvida de se a banda já queria este direcionamento para o novo álbum, ou foi uma ideia da gravadora, que “impôs” esta linha através do produtor. Gostaria de saber como ficariam as músicas do black álbum, sem Bob Rock…

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  5. Xará ilustre do blog :

    Lembrei agora de um exemplo, que vai totalmente de encontro ao que você exemplifica:

    God of Thunder foi composta por Paul Stanley para o álbum Destroyer. Quando iriam gravá-la, Bob Ezrin, lendário produtor de álbuns também do Alice Cooper, Pink Floyd entre tantos outros, bateu o martelo:
    A música fica, mas quem vai cantar é o Gene Simmons.

    Bem Paul Stanley ficou danado ( respeitando as normas acerca dos palavrões no conteúdo do blog, diga-se de passagem, pois a palavra não era bem esta..) da vida, mas teve de ceder.. E como existe a versão demo pré-Destroyer , que também está no box set do KISS , seguem ambas as gravações para análise de todos, embora eu ache difícil alguém preferir a intenção original…

    Alexandre

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  6. From the top of my Head….e vem mais por aí….

    Ace Frehley, doidão não aparecia ou não fez um bom solo em Sweet Pain.. Dedo da produção: Bob Ezrin pôs Dick Wagner para fazer o solo do disco.

    Na discografia do MHM: https://minutohm.com/2009/07/05/kiss-discografia-5a-parte-%E2%80%93-album-destroyer/

    “Já Ace e seu envolvimento com bebidas alcoólicas trazem, durante as gravações, um problema para a banda: Sweet Pain precisava ser finalizada para atendimento do cronograma, e Ace desaparece em meio às suas costumeiras festas. Bob Ezrin toma uma atitude que viria a ser constante nos próximos álbuns da banda e convoca um outro guitarrista – Dick Wagner (que havia tocado com Ezrin nos álbuns de Alice Cooper) para fazer o solo. Dick também participa nos solos de Flaming Youth e nos violões de Beth”

    Com Ace

    Original

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  7. Uma boa maneira de conhecer o papel dos produtores é escutando as versões demos de faixas (conhecidas ou não). Lá está o material assim que ele chegou ao estúdio, inacabado, esperando às vezes um verso ou um gancho para o climax ou anti-climax.

    O post do Edu² é muito bom porque levanta questões que são muito particulares dependendo do universo que estamos trabalhando.

    O presidente foi muito feliz quando levantou a bola quanto ao “público que se pretende atingir”. Isso na música popular – de uma maneira geral – acontece normalmente e realmente tem o ‘dedo’ do profissional que vai buscar todas as referências de sucesso necessárias para que aquela faixa possa ser tão bem recebida nos ambientes para as quais ela foi escolhida.

    “Mas Daniel ela pode alcançar outros locais, certo?”

    Sim, óbvio. Quando a gente fala de arte, aprisionar, é como manter um gato solto em meio ao novelo de lã: tudo pode acontecer. Mas essa simbiose produção-direção de arte é que vai, ao menos, tentar, este espaço em um segmento.

    No mercado gospel isso acontece de ‘montão’. Acompanho a música evangélica de maneira ‘emocional’ há mais de 30 anos e como observador e parte dele há pouco mais de 20 e vejo, com tristeza, o quanto se faz no mercado, quando um mesmo produtor (digo-o de maneira genérica) assume a produção de várias bandas e artistas, o que faz com que esta galera soe IGUAL a várias outras bandas. No chamado mercado secular algo similar aconteceu nos idos de 2000 quando Rick Bonadio (após ‘descobrir’ os Mamonas produziu muita gente… CPM22, NXZero, Restart, Fresno, CBJr, Tihuana…) passou ser o preferido dos que insurgiam seu som.

    Hoje acontece o fenômeno da ‘coldplaytização’, que é a estrutura harmônica ou mesmo a estética de dinâmica de tempo, de formatação do som (guitarras ora suja/ora limpa, piano com muito reverb, bateria marcial), cantores cantando em falsete… O que faz com que as bandas novas não tenha personalidade musical e pior, cultura de si mesma e como eu sempre gosto de destacar DNA.

    Alguns deles são tão importantes que acabam se tornando o ‘quinto beatle’ (especialmente nos primeiros discos), fazendo solos, trabalhando nas harmonias, escrevendo versos e trazendo o próprio conceito para a canção. Cito como exemplo Marcelo Sussekind e Liminha, duas lendas do rock nacional, que sempre tiveram as mais variadas propostas, especialmente do movimento BRock nos anos 80.

    Depois dos anos 90, a ousadia por produções menos pasteurizadas e com características próprias trouxe gente nova no pedaço e com mais disposição de acreditar em novos formatos.

    A título de exemplificação, Cabeça Dinossauro é o disco mais cultuado do grupo paulista Titãs. O álbum foi responsável por rotular os então 8 rapazes como uma audaciosa banda de rock. Reconheço no disco a mudança de paradigma, mas o meu disco preferido de rock dos Titãs chama-se Titanomaquia. Isso é um papo para outro post que escrevo há alguns meses para falar da carreira discográfica da banda. No entanto, quero trazer uma faixa de um álbum que a própria banda produziu e depois uma faixa do Titanomaquia produzida por Jack Endino, um dos assistentes de produção do Nervemind.

    Com uma proposta de punk rock, a banda em “Filantrópico” tem um riff rápido, trabalhado, mas muito puído. O som soa fraco perto de uma timbragem para o estilo, que quase sempre é gordo (o som), cheio e demarcando as notas de uma frase musical. Ouça como a banda soa:

    Em “Estados Alterados da Mente” do Titanomaquia parece que temos “outra” banda. Um riff no refrão destruidor, entre colcheias e semi-colcheias, uma bateria embora simples mas com a firmeza que se pede do rock; outra guitarra fazendo contra-canto ao próprio vocal (e não a primeira guitarra), baixo no talo e um reverb indefectível no vocal meia-boca de Branco Mello. Atenção às guitarras do refrão e o contra-tempo de bateria:

    Como a banda irá se perceber é papel do produtor, puxar aqui e acolá, o fator “não-preguiça”, para que o artista soe cada vez identificável – ou seja não perca suas características – mas ao mesmo tempo “nova” para aquele ouvinte. Escolhi discos com diferença de 2 anos para que ficasse claro onde a proposta sonora parece um hiatus.

    Para terminar: ao vivo, com o artista cru e sem os overdubs de estúdio, podemos perceber como uma música pode soar tão diferente, especialmente em termos de tempo/cadência.

    Daniel

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    • Interessantíssimo teu exemplo. A diferença do timbre da guitarra é mastodôntico (para manter a proximidade temática com os dinossauros). Mas como as duas músicas pertencem a discos diferentes, poderia se teorizar que a mudança sonora foi em função de uma decisão da banda, que sei, muitas vezes acontece em consonância com a contratação e posição do novo produtor. Detalhe: bem chatinho o vocal em “Filantrópico”.

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  8. Acho que um exemplo “recente” (caramba, não tão RECENTE assim mais) e ainda sobre o MetallicA no conceito de influência no som da banda é a entrada do Rick Rubin para produção do Death Magnetic.

    Bob Rock estava 15 anos no MetallicA e sem dúvidas a entrada de Rick Rubin trouxe uma sonoridade diferente do que eles estavam fazendo… melhor, pior, diferente, não vem ao caso, mas a influência foi grande, afinal, Rick Rubin não é daqueles que não deixa sua marca e não entraria no barco se não tivesse uma voz mais ativa (dinheiro e fama à parte também, claro)…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  9. Realmente acho que é consenso entre a maioria de nós, que um produtor é escolhido principalmente pela forma como a banda quer/pretende soar no disco que esta sendo trabalhado. Mas isso é quando o grupo tem o privilegio de poder escolher, afinal de contas, não acredito que Will Malone tenha sido escolhido por Steve Harris para produzir o primeiro LP do Maiden pelo seu currículo de trabalhos anteriores.
    Além disso, tem aqueles produtores da moda, me lembro, que na década passada tivemos uma enxurrada de grupos sendo produzidos por Andy Sneap e Roy Z (esses dois caras devem ter faturado horrores) todas soando parecido, desde Blaze e Halford ate Kreator, Exodus, Nevermore, etc…
    Já o tema levantado pelo Alexandre é bastante pertinente: “Harris, deixe alguém de fora produzir o Iron Maiden !” Alexandre, poderia ser pior… imagine se aparece o tal de Roy Z… então dá-lhe Balls to Picasso? O Nicko McBrain tocando um “pandeirinho” no fundo, o Murray com cordas de baixo na Stratocaster preta,etc…
    Mas falando serio agora, eu acredito que Martin Birch foi o que de melhor apareceu para o Maiden, Sabbath e Rainbow e Purple.

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    • Vou concordar sobre o Martin Birch, como produtor e engenheiro de som participa dos melhores das bandas Rainbow, Purple, Maiden e Sabbath. Lembrando que a fase Birch no Sabbath são os dois primeiros com Dio, entre eles o meu predileto Mob Rules. No Purple Matin Birch foi menos produtor e mais engenheiro de som, sendo apenas considerado como produtor nos ultimos dois com Coverdale/Hughes. No Rainbow é toda a fase Dio, que é a melhor e com Iron vai tudo desde Killers até Fear of The Dark. Sobre o Roy -Z restrições a parte, o trabalho com Dickinson em Accident of Birth e Chemical Wedding me agrada muito.

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      • Pois é, J.P., estava consultando o nem sempre confiável, Wikipedia (ainda que em inglês) e ali é informado que o produtor do disco “Balls to Picasso” seria um tal “Shay Baby”. Estaria certo isso. Roy Z consta, na mesma fonte, como produtor de Accident of Birth e Chemical Wedding, discos que também gosto muito. Aliás, por estes dois discos, indicaria Roy Z para produtor do Iron Maiden.

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        • Realmente Shimitt você esta certo, Balls to Picasso foi produzido por esse tal de Shay Baby!!! Foi uma surpresa pra mim, assim que li seu comentário corri para pegar o CD pra ter certeza. Bem, particularmente continuo achando o som horrível e o disco bem “meia boca”. Acho que foi por esse motivo que acabei me enganando. Flavio, quanto a Accident of Birth e The Chemical Wedding, acho esses dos discos fantásticos! Principalmente o Accident…!!! Mas penso que a produção ficou muito aquém do que mereciam trabalhos como os acima citados.
          Tentei refletir mais sobre o assunto, quem sabe eu não poderia estar sendo demasiadamente critico, então antes de escrever coloquei pra tocar o Angel of Retribuition do Judas Priest, afinal esse cd foi o culpado de eu ter comprado o Nostradamus e não ter ouvido ate agora (6 anos) e nem ter passado perto do Redeemer of Souls. Mas realmente não da, trabalho realmente decepcionante, produção/gravação com cara de Roy Z, então tiro o CD do aparelho na metade da quarta faixa e coloco o Tattoed Millionarie do Dickinson… Magnifico!!! Grande disco, idem produção, volume 20% mais alto e sem incomodar como o anterior!!! Chris Tsangarides é o cara!

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          • Puxa, de cabeça (sem ter escutado com atenção a questão da produção), devo dizer que gosto de “Angel Of Retribution”. Lembro de, à época, ter ficado agradavelmente surpreso com o álbum. E não lembro de ter me incomodado com a produção… As vezes é uma questão de gosto.

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  10. Schimitt,

    Excelente a ideia e o formato do post. Já são muitos os comentários acima, e deixarei para lê-los depois, para que não me influenciem no que tenho a colocar aqui.

    O produtor é uma peça fundamental na confecção de um álbum: ele é o profissional que está ligado no que há de mais moderno em termos musicais e tecnológicos, e tem o poder de lapidar o diamante bruto trazido pelos músicos quando adentram uma sessão de gravação.

    Cabe a ele direcionar o clima de um álbum, buscar timbres novos para os instrumentos, dirigir o vocalista, muitas vezes opinando na interpretação de certas frases ou palavras, na adição de um grito ou um refrão mais pegajoso (os famosos Ooooo Aaaaas da vida), na resolução de becos-sem-saída que algumas músicas em sua forma bruta às vezes se encontram, na adição de efeitos especiais, reverbs e tudo o mais.

    Sempre citando o Rush, mas sem querer muito adiantar o que ainda escreverei na discografia que está em andamento aqui no MHM, a banda teve uma parceria de muito sucesso no início da carreira com o produtor Terrry Brown. Ele era considerado o “quarto mosqueteiro”, responsável pela sonoridade da banda que atingiu seu auge no clássico “Moving Pictures”. Porém, como o álbum subsequente, “Signals” acabou não tendo o resultado que a banda esperava em termos de sonoridade, uma vez que os teclados nesta fase já estavam preponderando, a banda buscou um produtor mais moderno, Peter Henderson, que já havia trabalhado com nomes como o Supertramp, Frank Zappa e King Crimson, o qual com sucesso consegui gravar as diferentes camadas de teclados e as guitarras com timbre futurista que pontuam o LP Grace Under Pressure.

    Dai em diante, a banda variou de produtores, tendo Peter Collins no “Power Windows” e “Hold Your Fire”, Rupert Hine no “Presto” e “Roll the Bones”, retornando ao Peter Collins em “Counterparts” e “Test for Echo”, e Paul Northfield no retorno da banda nos anos 2000 com “Vapor Trails”, que por sinal, é alvo de críticas pelos audiófilos por ter sido masterizado “no talo”, distorcido – um típico erro de produção. O EP-CD de covers “Feedback” foi produzido por David Leonard”, e os dois CDs mais recentes tiveram o jovem produtor Nick Raskulinecz, responsável por discos dos Foo Fighters, Mastodon, Velvet Revolver, Danzig, Apocalyptica, entre outros nomes do rock atual. Gosto muito do trabalho de Raskulinecz e espero que a banda continue com essa parceria no que pode ainda vir pela frente.

    Assim sendo, nota-se que o produtor, mesmo com o Rush (os maiores nerds do rock conforme já colocaram os gêmeos aqui no blog) realmente faz com que o som da banda mude, e bastante.

    Outra história interessante envolvendo produtor é a do LP “Fugazi” do Mariliion. De acordo com relatos, o produtor Nick Tauber, que já havia trabalhado com o Thin Lizzy, é um profissional extremamente perfeccionista e metódico, e levou a banda à completa exaustão durante a gravação para que tudo que fosse gravado na fita estivesse minuciosamente perfeito.

    Ainda lembrarei de mais alguma coisa, assim espero, para contribuir mais aqui neste post de grande valor!

    keep producin’

    Abilio Abreu

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