Hora de redescobrirmos o rock – Episódio 2: Revolution Saints

revolutionsaints

Revolution Saints:

Deen Castronovo – Vocal principal e bateria
Doug Aldrich – Guitarra
Jack Blades – Vocal de apoio e baixo

Discografia:

Revolution Saints (2015)

Muito bem-vindo ao segundo episódio da série “Hora de Redescobrirmos o Rock”. Se você não acompanhou o primeiro episódio, clicando aqui você terá informações sobre a banda portuguesa Moonspell. No episódio de hoje vamos falar sobre uma banda que abraçou o estilo de som AOR ou também como ficou bastante conhecida, o rock de arena.

Com integrantes experientes no seu cast (Castronovo, baterista do Journey e Aldrich, guitarrista do Whitesnake), o Revolution Saints optou por fazer um som bastante leve, com bastante apelo comercial e optando por um som que lembra uma das bandas de origem de seus integrantes, o Journey.

Encantado com as capacidades vocais de Deen Castronovo – que é vocalista do projeto e também assumiu alguns vocais em faixas de discos da sua banda principal – o presidente da Frontier Records, o italiano Serafino Perugino, apostou que no trabalho destas três feras, boa coisa sair daí.

Se não há nenhuma revolução (como o nome sugere), realmente a junção de um trio de qualidade (Blades tocou no desconhecido Night Ranger) trouxe um som muito agradável, com uma pegada de trilha de Sessão da Tarde. Até aí nenhum problema. Pode ser que os fãs do gênero torçam o nariz e vão em busca dos originais (Journey e Toto, por exemplo), mas é interessante ver como o trabalho foi bem feito, sem que eles pareçam cópias das suas referências.

A maior característica do AOR é não ter medo de adocicar as melodias e querer todo mundo cantando junto. Sumida das rádios e datada por assim dizer, o rock de arena já teve maiores fãs e com alguma insistência ainda faz muita gente frequentar estádios ao redor do mundo para assistir seus maiores representantes. Em seu disco de estreia está tudo lá: a balada que pode tocar no rádio, as canções com ponte para os solos de Aldrich, o piano adocicado para fazer cama para outros instrumentos e as letras fáceis de cantar.

Impressiona o fato de ser possível fazer um trabalho artístico de qualidade em pouco tempo e longe dos holofotes dos grandes produtores. Aqui temos o “famoso quem” Alessandro Del Vecchio responsável pelas tarraquetas. Cheio de boas canções, com destaque para “You´re Not Alone”, que traz o filipino Arnel Pineda, do Journey, dividindo os vocais com Castronovo e também a canção “Way To The Sun”, que traz outro integrante da banda setentista, o guitarrista Neal Schon.

Para quem curte um som calcado nas guitarras, o disco de estreia do Revolution Saints tem muita qualidade musical e ótimo punch. Difícil não se imaginar pegando o caminho da praia ou vendo o entardecer se despedindo no horizonte. Devaneios a parte, o som quase pasteurizado dos santos pouco revolucionários, não machuca, não prejudica em excesso e não precisa de prontuário médico, portanto, consuma sem moderação.

Te espero em um novo episódio.

Daniel

Observação: no dia 4 de julho de 2015, o Journey, banda a qual pertence Deen Castronovo, inicia uma pequena turnê em algumas cidades canadenses e americanas. Infelizmente o talentoso baterista não poderá participar da tour pois está respondendo processo por agressão em uma discussão doméstica. Sem remarcar shows e afiada com seus fãs, a banda tratou de achar um substituto para o músico; quem assume as baquetas durante a mini-tour é o baterista Omar Hakim. O cara tem no currículo trabalhos com Milles Davis, Madonna e Michael Jackson. Esperamos ter novidades em breve sobre um destes shows da tour.



Categories: Agenda do Patrãozinho, Artistas, Curiosidades, Journey, Resenhas, Whitesnake

14 replies

  1. Nunca mais me esqueço dessa cena……..Madonna no Brasil, todo mundo esperando ela sair…de repente sai o Omar Hakin andando, sem nenhum segurança, nem sequer alguém para fotográfá-lo no meio daquele mar de imbecis e paparazzis……..sai o cara que é um dos melhores bateristas de jazz de todos os tempos, senão um dos melhores da sua geração……..sai o cara andando e ai grito pra minha mulher “Rosana, caralh*, olha ali o Omar Hakin saindo do hotel…..” ……….”quem?” ………….só aqui no minutoHM pra ler uma referência dele

    Daniel, muito obrigado pro mais essa dica………valeu mesmo

    Rolf

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    • Grande Rolf!

      Esta falta de reconhecimento com Omar, infelizmente, é mais recorrente do que se imagina. Estes grandes “invisíveis” que acompanham os astros são apenas reconhecidos por quem AMA e CONHECE música, seu caso, de maneira inegável.

      Fico imaginando o groove que Hakin dará ao Journey nestas apresentações e confesso que gostaria de ver a banda, mas acho que tá muito em cima. O show deles na minha cidade é dia 8 e tá muito em cima.

      Obrigado por comentar,

      Daniel

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    • Inclusive Omar Hakin estará no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival 2015, em agosto – mais informações na agenda do blog :-).

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Daniel, achei curiosa a junção dos músicos . Tanto Doug quanto Castronovo são exímios em suas funções, se encontram na lista dos tops , eu diria, facilmente. Já Jack Blade tem como principal fato em minha opinião, ter participado do Night Ranger, banda de qual nunca ouvi nada , mas que já deu ao mundo músicos do gabarito de Joel Hoesktra ( atual WS) e Brad Gillis ( que gravou o Speak of the Devil com o Ozzy, substituindo Randy Rhoads no resto da turnê onde o saudoso guitarrista faleceu).
    O som no entanto, não me entusiasmou, pelo menos essa faixa do vídeo acima, Exceto pelos bons vocais de Dean, cujo talento neste outro campo eu não conhecia, o restante ficou num lugar comum que não me motivou a seguir em busca de outros sons. Qual outra canção você me indicaria como um plano B?
    Por fim, tão legal quanto a história principal é o Journey com Omar, ainda que provisoriamente. Aliás, a banda vem caprichando na escolha dos bateras , pelo jeito. Me motivou a buscar nos youtubes da vida algum resultado dessa substituição.

    Obrigado por nos atualizar sobre os caminhos dos músicos e da banda Journey, Daniel!

    Alexandre

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    • Olá, Bside.

      Sim, Castronovo é um ótimo vocalista como pode se ver em seu novo projeto. Surpreendente até, uma vez que não sabia deste outro lado do ótimo baterista que ele já é.

      Com relação a outro exemplo, sim, eu posso te passar uma nova canção, apenas lembrando que o estilo AOR está “carimbado” em todas as faixas, logo, se você não curtiu “Turn Back Time”, acredito que também não vai gostar, por exemplo, de “Way To The Sun”, mas aí está:

      Abraço,

      Daniel

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  3. Post legal, Daniel, para dar um refresh na trajetória dos músicos – eu que gosto muito de Aldrich fico feliz em vê-lo na ativa ao lado de músicas de gabarito.

    Mas na linha do B-Side, também não me entusiasmei com essa faixa, achei ela bem simples e repetitiva, parece que não se desenvolve, ainda que o solo e o final tenham sido para mim os pontos altos. E gostei do vocal, o que pelo menos para mim já é um caminho para tentar mais.

    Concordo ainda com seu comentário pontual “Sessão da Tarde”, mas ainda seria para usar apenas um ou outro riff em alguma cena :-).

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Olá, Eduardo

      quando os caras vão por este estilo é até “normal” que as faixas sejam mais do mesmo. O AoR ou mesmo o “rock de arena” tem como característica o refrão pegajoso e uma certa urgência nos vocais, que tendem a saturar a audição. Um disco todo, muitas vezes, é difícil de digerir, mas fica a dica para se não o álbum todo de estreia, pincelar uma faixa aqui e ali de mais uma super banda.

      Não são muitas as faixas disponíveis do debut dos caras, mas ouve aí uma das baladas que compõe o disco:

      Abraço,

      Daniel

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  4. Daniel, gostei mais dos dois outros exemplos que você pinçou do que a primeira faixa contida no conteúdo do post. Ainda que não tenha ficado “aquela” vontade de ouvir de novo, e que as faixas sejam bem comuns ao estilo, ambas me agradaram mais. Um pouco melhor, a Way to the Sun.
    E não há como não linkar as duas ao Journey, primeiro por que Castronovo faz bonito nos vocais, e segundo, pela presença de músicos dessa banda nas duas faixas.
    Piñeda, por ser vocal, carrega ainda mais na comparação, nesta You’re not alone.

    Torço pelo sucesso da banda, mas acho que ela vai ficar para os fãs mais ortodoxos dos membros em suas bandas originais.

    Vamos ver…

    Alexandre

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    • Daniel, assim como o B-Side, gostei um pouco mais das duas faixas indicadas no comentário do que a própria no post… o que é bom…

      Não sei o que isso vai gerar de frutos ainda, não sei se será “marcante”, mas aguardemos, pois está cedo…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Uma grata surpresa este seu post Daniel!!! Confesso que não sabia da existência desta banda e talvez, se não fosse por você, haveria uma boa chance de não conhecer este trabalho.
    Pois bem, a primeira grande surpresa foi saber que Deen Castronovo era responsável pelos vocais principais, já que Jack Blades faz parte da line-up, pois em seu projeto (Night Ranger) ele além de baixista também e’ o vocalista, coincidentemente dividindo o posto com o baterista Kelly Keagy. Outro ponto que me chamou mais atenção ainda nesse trio, e’ que todos são músicos experientes e “rodados” no meio hard, são da mesma geração e começaram mais ou menos na mesma época: Blades no Night Ranger, Castronovo na “pedrada” que era o Wild Dogs, e o Doug Aldrich no excelente Lion.
    Porem em relação ao post, apenas discordo sobre o Night Ranger, realmente a banda nunca conseguiu alcançar o mesmo patamar de sucesso de um Bon Jovi ou Motley Crue, por exemplo, mas nos anos 80’s obteve uma boa popularidade, talvez no mesmo nível de um Dokken ou Quiet Riot. Se não me engano vendendo mais de 10 milhões de discos. Como o Alexandre lembrou bem, o Night Ranger ainda revelou ao mundo, além do Jack Blades que também tocou no Damn Yankees ao lado do Ted Nugent. Brad Gillis que substituiu o Bernie Torme (que por sua vez havia substituído o Randy Rhoads) na banda do Ozzy e tambem gravou com o Vicious Rumors. O outro guitarrista dos Rangers, Jeff Watson, gravou com o Mothers Army supergrupo capitaneado por Bob Daisley e que contou com Joe Lynn Turner, Carmine Appice e Aynsley Dunbar (Whitesnake, UFO, Journey, Starship, etc…). O batera Kelly Keagy esteve em outro supergrupo, o The Mob: Dough Pinnick (Kings X), Kip Winger (Alice Cooper, Winger), Reb Beach (Winger, Whitesnake), Timothy Drury (Whitesnake).
    Por falar em supergrupo, Jack Blades gravou o primeiro disco solo do guitarrista japonês do BZ’s, particularmente nunca gostei muito dessa banda (o BZ’s), mas Tak Matsumoto (guitarrista) em sua carreira-solo montou um time de estrelas: Eric Martin (Mr. Big), Brian Tichy (Whitesnake, MSG, Pride and Glory, Foreigner, etc…) na bateria e Blades no baixo/vocal. O cd e’ muito bom!!! E os duetos entre Martin/Blades lembram, “guardados as devidas proporções”, Coverdale/Hughes.
    Bem, musicalmente o Revolution Saints me lembrou outro projeto em que Castronovo participava como coadjuvante, o Bad English. Mas como ultimamente estou muito mais para o lado ARO/Hard do que o Metal, essa foi uma ótima sugestão!
    PS. Para terminar, apenas para citar… este post acabou me fazendo adquirir um cd que ha muito tempo pensava em adquirir e não o encontrava com facilidade, o primeiro lançamento do Colin Blades, filho do Ranger Jack Blades. Mas com a ajuda do “Famigerado post dos vinis” do Remote, fiz a compra pelo Discogs e estou na expectativa de recebe-lo… Espero que em breve!

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  6. JP, espero que o cd chegue em boas condições. Em relação ao restante do conteúdo do comentário, é uma aula quase sem igual aqui no blog.
    Eu daqui só aprendo…

    Alexandre

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  7. Hoje recebi o citado CD do Colin Blades, na verdade foi uma grata surpresa, achei que chegou bem rápido, comparando com outros que continuam enrolados, já que foi o ultimo que pedi pela discogs.
    Quanto ao trabalho em si, assim que comecei a ouvi-lo e ler os créditos, me surpreendi com alguns detalhes… o disco e’ de 2003 e conta com o Colin Blades nos vocais e guitarras, no baixo o seu pai Jack Blades e na bateria o Deen Castronovo, provando assim que a parceria entre Blades/Castronovo e’ muito mais antiga que o Revolution Saints.
    Musicalmente, o trabalho me lembrou dos momentos mais calmos da carreira-solo do guitarrista/vocalista Ty Tabor do Kings X, principalmente do fantástico CD Safety. E de outro guitarrista/vocalista, o Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X) em seus discos-solo, porem mais acústico e tranquilo que este ultimo, além de bem menos virtuoso.

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