Minuto HM em NY: School of Rock – The Musical (Broadway)

Ingresso - School of Rock - The Musical_20ago2016

Ter o privilégio de visitar a incrível cidade de NY é pedir para ficar totalmente “confuso” sobre “o que ter tempo de fazer x tempo x orçamento”. São tantas opções, mas tantas, que de verdade uma simples pesquisa pode deixar qualquer um meio maluco – bom, pelo menos aqueles que, como eu, quer aproveitar literalmente cada segundo no primeiro mundo.

Fui rapidamente a trabalho para a cidade, então o tempo era limitado. De qualquer maneira, consegui ficar um sábado e ainda aproveitar boa parte de um domingo. Como não foi minha primeira visita à cidade, procurei fazer ainda inéditas, apesar de ter chegado à conclusão que muitas coisas são impossíveis não repetir. Uma delas foi visitar a ONU – passeio este que recomendo também aos que possuírem tempo – e a outra era algo que queria ter feito da última vez, mas o tempo não permitiu: ver o School of Rock – The Musical.

A título de curiosidade, fiz a compra do ticket sem qualquer problema, porém pelos compromissos profissionais, tive que cancelar a compra e comprar para outro dia. Segui o processo no site e, dado a urgência, fiz uma (desnecessária) ligação gratuita via Skype para o Call Center deles. Em 3 minutos, tive o ingresso eletrônico cancelado e o pedido do reembolso no meu cartão de crédito realizado. Isso é Estados Unidos da América, amigos – para eventos, eles são imbatíveis.

O WGT (Winter Garden Theatre) é o local que desde dezembro de 2015 recebe o espetáculo. É um teatro famoso, que recentemente tinha o Cats, outro clássico da Broadway que foi para outra casa, em seu palco. Eu estava em um hotel relativamente próximo, tanto que cheguei a passar umas duas vezes pelo WTG ao passar “automaticamente” pela Times Square, mas como passei um final de semana na cidade, ao trocar de hotel, acabei escolhendo uma outra localização – antes de pensar em ir no musical. Quando fui ver, meu hotel era a PASSOS do teatro, o que rendeu a foto panorâmica abaixo:

Lado esquerdo: fundos do teatro na 7th Ave. Lado direito: o hotel que fiquei

Lado esquerdo: fundos do teatro na 7th Ave. Lado direito: o hotel que fiquei

O dia era justamente “conflitante” com a final do futebol masculino, um Brasil x Alemanha. Com uma hora de fuso, eu assisti parte do jogo no hotel, parte na rua, e os penalties foram vistos já em frente ao teatro. Quando o Neymar bateu o último penalty, comemorei o primeiro título olímpico do nosso futebol que, pelos últimos 3 jogos, foi merecido em minha opinião (B-SIDE, BOTA NO TEASER – O BRASIL JÁ É CAMPEÃO – EU TE DISSE, EU TE DISSE). Vi mais uns brasileiros comemorando pela Broadway, uma cena engraçada. E corri para dentro, pois o espetáculo já ia começar!

Teatro na 7th Ave (parte de trás):

Entrada do teatro (Broadway):

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O teatro é muito bonito – algo que creio ser desnecessário comentar ao se tratar de Broadway. Mas é um teatro pequeno e mais simples em todos os aspectos ao se comparar com outros medalhões da rua, principalmente os que sediam The Phantom of the Opera bem que podia ser algo do Iron Maiden e especialmente o The Lion King.

Merchandise (como sempre)

Merchandise (como sempre)

 

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Escadas para o mezanino – no espelho, a camiseta edição Rock in Rio 2011 do Minuto HM

De qualquer maneira, mesmo no setor que fiquei – última fileira do mezanino (pior que isso, só nas laterais do mezanino), a visão era bastante satisfatória:

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Aquela organização exemplar de sempre para entrar e achar seu lugar. De negativo, o espetáculo começou com 4 minutos de atraso, o que não é realmente normal. Eu não havia lido NADA de como era a peça, então esperava que seria algo muito próximo ao filme de 2003 e que conta como protagonista o ótimo e engraçado californiano Jack Black. A intenção aqui não é falar do filme – que aliás é uma pendência por aqui, pois merece ter um post dedicado – mas sim da peça e já partindo do assumption que o leitor por aqui já assistiu ao filme.

No apagar das luzes, entra uma primeira voz algo como: “a primeira e principal pergunta que recebemos é: ‘as crianças realmente tocam?’ E temos muito orgulho em dizer que sim, todas elas estão tocando ao vivo”. Isso já de cara arrancou aplausos de um público mesclado – poucos “do meio”, diga-se de passagem (vi uma camiseta do AC/DC e outra do MetallicA), e muitos turistas indo no espetáculo claramente por ser Broadway e tudo mais… afinal, registro aqui que este é o espetáculo com o maior número de propagandas que vi no aeroporto, nos ônibus, trens, enfim, na cidade como um todo.

O espetáculo é dividido em dois atos de 60 minutos cada, com 15 de clássico intermission. Fazendo o Dewey, está o enérgico Alex Brightman. É chover no molhado em dizer que ele e o restante do cast são de qualidade irreparável. A peça, logo no isso, já demonstra que não seguirá à risca o filme, e que é baseada no filme – ou, no termo que talvez seja mais apropriado, é uma adaptação do filme. Mas “a alma” do filme é o que se vê, ou seja, todo o lance do perfil do protagonista e seu amor incondicional ao rock and roll e especialmente ao estilo de vida ; o não pagamento do aluguel ; e a frustração por ter sido chutado de sua banda e não ter podido entrar na Battle of the Bands…

Muitas das cenas clássicas do filme foram reproduzidas. Quando a cena começava, era muito fácil para quem já viu o filme logo reconhecer os detalhes e esperar pela “cópia”. E há coisas que são realmente idênticas ao filme ; outras, fortemente inspiradas ; mas a maioria, adaptadas. Diferente do filme, a coisa já anda em ritmo acelerado para Dewey virar o fraudulento professor substituto e, ao chegar na escola, a parte de interação com as crianças que ele pode conferir o potencial musical também é acelerada – a famosa cena “You’re in the Band”:

Logo é possível conferir todo o talento destas crianças mais que especiais e que não são selecionadas se não forem realmente prodígios. O garoto que faz o guitarrista Zack, que no filme é chamado de “próximo Hendrix”, no teatro é também é e até fisicamente parece mais com o lendário guitarrista, com cabelo enrolado, jeitão descolado e caras, vou falar: que moleque sensacional! Efetivamente, um talento a ser acompanhado – gravemos o nome: Brandon Niederaue.

A baixista também com uma pegada excelente. O baterista, “menos” fenomenal, mas com um tempo impressionante. As backing vocals e tecladista também ótimos, mas os grandes destaques para mim, além do garoto guitarrista, ficam para duas crianças: a que faz o papel da tímida backing vocal negra, que tem uma voz de cair o queixo ; e a Summer, a manager, tão talentosa – ou mais – que a original do filme. Os autores que fazem o Ned e sua chatíssima namorada também são excelentes. E tem um detalhe: além de tocar, todos cantam, e muito – afinal, é Broadway…

Entre as cenas que destaco: aquela das influências musicais que, apesar de não ser igual, é muito engraçada também no teatro ; as cenas de ensaios “escondidos” ; a reunião de pais da escola ; a saída da diretora com o protagonista no bar para tomarem uma cerveja ; a cena que eles vão buscar o protagonista para o show ; a cena da diretora com os pais quando eles notam que o professor era uma fraude e ficam desesperados quando a diretora desencana de vez e diz que os alunos “sumiram”…

Pausa para falar das músicas. Talvez por um tema de direitos autorais, as músicas que são tocadas no filme e que não são proprietárias não estão no espetáculo, sendo substituídas por outras que remetem às originais. Ou seja, não há como não sentir muita falta de It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll). Ela é trocada por Stick It To The Man que, se vocês repararem, é a música “de trabalho” dessa banda do teatro e que está no “merchan” das fotos acima e permeia várias cenas da peça.

É importante destacar que o script da peça também está “atualizado” com situações atuais, ou seja, há piadas sobre o Donald Trump, por exemplo. Esse “refresh” é legal pois tira o público de um estado mais “passivo” e automaticamente gera mais atenção mesmo em cenas mais conhecidas em relação ao filme original.

Já o grand finale, já com os pais no local do show, eles tocam Teacher’s Pet e Stick It To The Man (reprise).

O final da peça também é bastante diferente do filme, com o Ned aparecendo todo maquiado no estilo Misfits e assim a dupla é convidada pela (apaixonada) diretora – e pelo protagonista, não pelo vocalista da ex-banda, a ficarem na escola (diferente do filme, que eles criam a School of Rock).

Já há muita coisa de NY trazida no blog – basta relembrar aqui – e ainda há muito que se falar, mas o tal tempo é o principal inimigo. Então, a primeira coisa a responder neste post, antes de tudo, é: “Vale a pena investir tempo / dinheiro no School of Rock – The Musical”? A melhor resposta, ao melhor estilo consultoria, é: “Depende!”. Se for uma primeira experiência na Broadway, talvez valha a pena investir em outra. Do contrário, é uma diversão sem compromisso para todas as idades, gostos e mesmo para quem não curte tanto nosso amado rock and roll, não há como não se divertir na peça.

Particularmente, eu gostei demais. O palco não é gigantesco mas é mais que suficiente. Os cenários e toda aquela “mágica” dos espetáculos mais modernos estão lá, e as transições são aquele show à parte.

Sobre o desenrolar do script, se fosse exatamente igual ao filme, creio que perderia essa sensação de adaptação teatral. Com as adaptações, senti que tudo deu um “refresh” e força o cast a se manter sempre “vivo” – a essência de uma peça de teatro.

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Palco ao final da peça

Stick It To The Man… and It’s A looooong way, to the top, if you wannaaaaa rock anndddd… ROOOOLLLLL!

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: AC/DC, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Jimi Hendrix, Músicas, Resenhas, Setlists

5 replies

  1. Muito legal
    Sem dúvida imperdível
    A sua comparação entre a peça e o filme ficou excelente. Não fazia ideia qe você havia cravado tantas cenas do filme
    Ver uma peça sobre rock and roll and NY é sensacional

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    • Fala, Rolf. Já assisti o filme algumas vezes, sem contar algumas que o pego passando e acabo vendo algum trecho…

      Sim, é verdade. É muito interessante ver os turistas assistindo a peça, muitos não conhecem o filme, por incrível que pareça – pelo menos para nós.

      E sim, para nós, vale a pena…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  2. Que post magnífico. Deixa tudo bem claro. Começo, meio e fim.
    Confesso que nunca tive interesse em ir numa peça da Broadway. Só de falar a palavra musical, já começo a bocejar. Detestei os poucos musicais transformados em filmes, como Chicago e Moulin Rouge, mas School of Rock, pode se transformar numa exceção.
    Parabéns, presidente!

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    • Xará, muito obrigado pelas palavras e esse blog é o que é não é a toa, mesmo… essa parte que você falar de musical dar sono, somos 2… muito raro eu conseguir me concentrar por muito tempo, exceções entretanto se aplicam a alguns clássicos.

      Aqui a coisa é diferente. Eles todos cantam mas não é “chato” em nenhum momento. Eu creio que você iria gostar bastante – se for para a Big Apple, está aí algo para se fazer em uma tarde ou noite.

      Como dica adicional, o teatro no sábado a noite estava lotado, mas há sessões de dia de semana e a tarde que talvez dê até para arriscar a compra no “last minute”, salvando importantes “Obamas” no budget.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

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  1. Cobertura Minuto HM – Hollywood Vampires no Coney Island Amphitheater – Minuto HM

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