Discografia-homenagem DIO – parte 21 – o prólogo tardio – capítulo 1

É com imenso prazer que anuncio que os gêmeos decidiram fazer o prólogo da Discografia-homenagem a Ronnie James Dio trazendo um pouco de como a carreira do baixinho de grande voz começou.

É algo que desejávamos muito por aqui – eu, pelo menos, bastante – e que, acima de tudo, é mais uma forma que o blog relembra e presta tributo – com muito saudosismo – dessa voz que continua fazendo parte de nossas vidas, como sempre fará.

Boa leitura a todos.

[ ] ‘ s,

Eduardo.


O Minuto HM volta a comparecer no espaço das discografias para pagar outra das inúmeras dívidas e trazer um pouco da vida do baixinho de grande voz em sua fase anterior à primeira banda de repercussão, o Rainbow, que foi o assunto da discografia-homenagem principal (a partir da parte 1). Em dois capítulos, teremos uma espécie de prólogo tardio a esta discografia, a partir deste momento. Sem mais delongas, vamos à primeira parte deste prólogo.

Ronnie James Dio (Ronald James Padavona) nasceu em Cortland, NY, no dia 10 de julho de 1942. Seus pais eram imigrantes vindos da Itália, sendo Ronnie partícipe da primeira geração de ítalos-americanos da família. Até hoje Cortland é uma cidade conhecida pela grande presença de imigrantes italianos. A rua onde Dio cresceu foi postumamente nomeada Dio Way. Os interesses de Ronnie na juventude, além da música, incluíam literatura de estilos românticos e de fantasia.

O primeiro instrumento musical de Ronnie foi o trompete, o qual começou os estudos aos cinco anos. Ele ficou tão bom no trompete que lhe foi oferecida uma bolsa de estudos para a prestigiada Escola Juilliard de Música. Durante esse tempo, Ronnie tocou no Cortland High Jazz Band. Ele sempre creditou parte de sua habilidade vocal para as técnicas corretas de respiração que ele aprendeu enquanto tocava trompete. Mais tarde, ele passou a tocar baixo.

Aparentemente, Ronnie acreditava muito em si mesmo quando criança e sua auto-estima corroborou para que ele tivesse suas primeiras experiências musicais ainda na escola, sempre tendo a si como o nome principal dos projetos. Os Vegas Kings, os Rumblers e os Red Caps, conjuntos da época, foram formados com o propósito de tocar canções do estilo mais comum aos anos 1950 e 1960.

O primeiro grupo, Ronnie and The Vegas Kings, tinha a seguinte formação em 1957: Ronnie – voz, baixo, trompete; Nick Pantas – guitarra e Tom Rogers – bateria. Ainda em 1957 com a entrada de Jack Musci (sax), a banda mudou o nome para Ronnie and The Rumblers. Eles escolheram o nome Rumblers a partir de uma canção chamada Dwane Eddy’s Rumble. Nessa época, as bandas tocavam basicamente nos fins de semana. Em 1958, houve a chance de tocar em um local maior em Johnson City (Nova York), mas eles tiveram de mudar o nome por que os organizadores não queriam arriscar em ter um nome associado a brigas (rumble). A partir de então a banda mudou para Ronnie and the Red Caps, nome esse que permaneceu até 1961. Conta a história que o conjunto era bastante requisitado nos bailes da época e que bandas mais antigas começaram a ter dificuldade de competir pelos espaços com os Red Caps.

Em 1958, a banda chegou a contar por pouco tempo com outro vocal, Billy De Wolf. Este não chegou a ter um grande papel na banda, entrando e saindo rotineiramente, mas esteve na banda na gravação do primeiro registro fonográfico na banda, algo entre 1958 e 1959. É ele o vocalista da faixa “Lover”, no lado A do compacto. O lado B traz um instrumental onde Dio toca também o trompete, além do baixo. Billy, depois de deixar a banda, acabou na prisão na Califórnia, e esteve lá por mais de metade de sua vida. Em 1960, Jack Musci deixou a banda, por pressões familiares. Jack atualmente trabalha na área escolar de Cortland.   

A saída de Jack proporcionou uma mudança na estrutura instrumental da banda, que contaria a partir de então com mais um guitarrista, mas ainda fazendo e tocando canções no estilo comum das décadas de 1950 e 1960. O guitarrista Dick Bottoff entra por volta de 1960, época em que a banda continuava apenas fazendo shows nos fins de semana. Em 1961, foi registrada a segunda gravação dos Redcaps, contendo pela primeira vez a voz de Dio nos dois lados do compacto. É também a primeira vez que Ronnie incluiu o nome Dio em seus créditos. Há algumas fontes que indicam que a gravação é de 1959, fato não esclarecido. A origem da inserção do nome Dio em seu sobrenome tem duas hipóteses vigentes: a primeira cita o fato de Ronnie escolher o nome baseado na tradução de Deus do italiano. Outra vertente é que ele teria se apossado do sobrenome baseado em um membro da máfia chamado Johnny Dio. Depois desta gravação, a banda passa a usar o nome Ronnie and the Prophets.

Com o nome The Prophets, o conjunto passa a ter mais reconhecimento e, no período entre 1962 e 1967, grava uma série de singles. Há um álbum ao vivo gravado em 1963, onde há regravações das famosas canções I Left My Heart in San Francisco e Great Balls of Fire, que se alternam entre as composições próprias do grupo e uma regravação do single da época dos Red Caps, An Angel is Missing:

Aqui a versão de Great Balls of Fire, destacada do álbum no Domino’s:

Há disponível para “streaming” uma espécie de compilação dos singles gravados durante os anos em que a banda manteve-se com formação estabilizada:

Não houve propriamente um fim para o conjunto e um começo para o projeto subsequente de Dio, chamado The Eletric Elves. Há uma importante mudança da formação do Ronnie and The Prophets ainda em 1965 – a troca do baterista Tommy Rogers por Gary Driscoll.

No mais, a banda simplesmente foi trocando o nome (e o estilo, mais calcado inicialmente nas bandas britânicas surgidas no pós-Beatles). No entanto, também a entrada de um tecladista em 1967 (Doug Thaler) é tida como fundamental à mudança do propósito musical do conjunto, voltado a um som mais contemporâneo. Um acidente em 1968 é considerado o marco do fim definitivo de Ronnie and The Prophets, ainda que eles já estivessem utilizando o nome The Eletric Elves anteriormente. Neste acidente, praticamente todos os membros da banda se machucam e o guitarrista Nick Pantas acaba por falecer.

Recentemente, imagens raras foram disponibilizadas pelo filho de Nick Pantas na internet. São vídeos da banda, com áudio alterado, que Jim Pantas encontrou em um filme de 8mm que lhe foi entregue por sua avó:

Dio seguiria com o The Eletric Elves, logo depois alterado para Elves, o projeto embrionário da banda Elf. Os nomes do Elf (The Eletric Elves, The Elves e propriamente Elf) surgiriam da relativa altura dos membros da banda, todos considerados baixos. Os detalhes do Elf e suas etapas anteriores são assuntos para a segunda e última etapa deste prólogo tardio da discografia-homenagem a Dio.

N.R.: um talento sempre à frente de seus projetos, desde o início. A etapa inicial da carreira de Ronnie James Dio mostra sua precocidade (a primeira banda traz o baixinho de grande voz aos 15 anos) e por que não dizer, uma qualidade até inesperada nos trabalhos desenvolvidos, ainda que em um estilo que não o consagrou. E o mais incrível é que a voz (ainda que menos grave) sempre esteve em altíssimo nível. O material que se apresenta nesta primeira parte do prólogo é um tanto genérico, mas compatível com a grande maioria das canções desenvolvidas nos anos 1950 e início dos anos 1960. Se o gênero em si puder vir a agradar algum dos leitores desta etapa, acreditamos que este leitor vai gostar do que aqui foi trazido.  Mais do que apreciar as canções da época, o importante deste capítulo é sem dúvida entender como Ronnie Dio foi traçando seus caminhos até chegar aos momentos mais importantes de sua carreira e que a transição para o Elf (dentro de seus momentos embrionários) vai incorporar todo o cenário musical que foi brotando a partir da segunda metade dos anos 1960. Pode-se perceber também pela mudança do estilo visual que há uma grande diferença de proposta desta primeira etapa do prólogo para a que vem a seguir. Os caminhos propostos pelo nosso ídolo durante o início dos anos 1970 até chegar ao Rainbow serão trazidos na última etapa deste prólogo, até lá!

Saudações,

Alexandre B-side e Flávio Remote

Contribuiu: Eduardo.



Categories: Artistas, Covers / Tributos, Curiosidades, DIO, Discografias, Músicas, Resenhas, The Beatles

3 replies

  1. E como o baixinho faz falta…

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  1. Discografia-homenagem DIO – parte 22 – o prólogo tardio – capítulo 2 – Minuto HM

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