Revivendo velhos hábitos

É muito interessante reviver velhos hábitos (os bons, é claro!) A coisa mais natural do mundo para mim na adolescência era comprar um disco, lançamento ou não e degustá-lo detalhadamente, música após música, com a capa na mão (no vinil era bem melhor!). Às vezes dava sorte de vir um encarte com as letras. No entanto, a vida se tornou mais acelerada, o MP3 apareceu e o bom e velho hábito foi acabando até a completa extinção. Passei a ouvir música enquanto fazia outras coisas chegando ao ponto de nem perceber que haviam passado 2 ou 3 faixas sem que eu percebesse, principalmente ao dirigir. 

Mas depois de tantos anos me permiti reviver tão prazeroso hábito. 

O escolhido foi o álbum Monster, do Kiss. Já havia comprado o Hardwired… to Self-Destruct há poucos meses atrás, porém não executei o velho ritual de folhear o encarte, acompanhar as letras, apreciar os solos, bases, vocais. Diga-se de passagem que a produção do Monster nacional é muito boa. O CD é pintado, a qualidade da gravação é excelente assim como a do encarte com as letras, fotos e as especificações técnicas.

Percebi que não sabia o nome das músicas, coisa que em poucos dias já estava decorado quando poucas eram as coisas que ocupavam minhas preocupações. Bons tempos que podia gastar o dinheiro do mês inteiro em álbuns sem nenhum remorso. Muito pelo contrário!! Todo sacrifício era válido para adquirir as bolachas. Mas convenhamos que o preço dos CDs não incentivam muito. Paguei um preço que considero justo – R$23,90 – e confesso que era o mais barato da loja. Os do Metallica estavam 50% mais caros! Absurdo! Vou ter que pedir de presente de aniversário, Natal ou Dia dos Pais! Ainda faltam alguns na coleção tímida de CDs. 

Mas vamos aproveitar o ensejo para contar porquê comprei o Hardwired… já que estou reclamando do preço. Já estava coçando o bolso querendo comprar este álbum, já que gostei bastante dele. Mas a falta de coragem se desembolsar quase 50 contos me impedia. Só que o universo conspirou a meu favor e a nota de R$ 50,00 estava no chão do supermercado querendo virar um CD. Ainda olhei em volta para não ser injusto. E já se fazia anos que não gastava la plata com CD. 

Aliás… não foi a primeira vez que fui agraciado com o dinheirinho fácil achado no chão. Quando morei em  Brasília em 1989, achei 10 ‘pila’ e não pensei em comprar outra coisa que não fosse um álbum. Naquela oportunidade, adquiri o No Rest For The Wicked, do Ozzy. 

É isso aí, pessoal! Queria dividir um pouco das minhas sensações com vocês em uma escrita sem revisões para não perder a espontaneidade. 

Forte abraço e Long Live Rock and Roll.

Claudio.

(Revisou antes de ler o último parágrafo – Eduardo [dutecnic] – hehehe).



Categories: Kiss, MetallicA, Off-topic / Misc, Resenhas

11 replies

  1. É Cláudio, suas palavras me fazem refletir nesse domingo e me deixam mais saudoso do que nunca dos “velhos tempos”….

    A praticidade do mp3 nos deixou mais desatentos ao que ouvimos (não que ouçamos toda porcaria que toca por aí pois o rock é nossa tábua de salvação) pois não temos mais aquele gosto de pegar um cd como você falou e apreciar capa, faixa a faixa, encarte e tudo mais… Na minha adolescência comprávamos um vinil, juntávamos os amigos e ouvíamos tudo, era uma festa (muitas vezes regada a bebida hehehe), era quase um ritual escutarmos um disco discutindo as faixas,apreciando mesmo…. Lembro-me de um amigo em Brasília que dava uma festa a cada lançamento do Titãs …

    Hoje a música pra muita gente se tornou um item de uma playlist, o cara baixa coloca no celular ou seleciona no Spotity, ouve e passa pra outra sem conhecer o albúm. (ok também faço isso).

    Pra mim nunca vai acabar aquela magia de ouvir o som, pegar o encarte, comparar com a discografia da banda/cantor, teorizar, sei lá … mesmo que depois (claro) você só ouça aquelas que mais gostou porém aquele disco entrou pra sua preferência, pra sua bagagem…

    Fica claro o choque de gerações (algo que não discuto mais) porém me sinto orgulhoso de ser dessa geração que “pirava” quando comprava um vinil do Sabbath porque não tinha mp3 nem internet e era um achado, vivíamos nas lojas de disco procurando algo e quando encontrávamos era um tesouro.

    Enfim “…old habits are hard to break…”

    Abraços

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    • Hábitos bons que a vida cada vez mais corrida tem me limitado cada vez mais. Ainda tenho e compro cds, mas dificilmente consigo ouvi-los de forma mais constante. Me forço a ouví-los, mas às vezes de noite e tão cansado chego a conclusão que o tempo tem sido meio implacável.
      O texto é de um saudosismo quando penso nos vinis. Aqui não os tenho, mas sem dúvida era um ritual fantástico. Perdia as contas de quantas vezes ouvia e ouvia o mesmo trabalho, os encartes ficando amassados de tanto manusear.
      Muito bom ler isso aqui. Preciso tentar me ” forçar ” um pouco mais. Preciso desacelerar as coisas. Obrigado por me fazer refletir novamente, Cláudio,quem sabe um dia eu tomo vergonha.

      Alexandre

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      • Pois é Alexandre. A vida muda… Antes o acesso era difícil e tínhamos muito mais tempo, hoje o acesso é muito mais fácil mas não dispomos mais do tempo. Sempre me lembro de quando levamos 3 horas entre ida e volta entre Vila Isabel e Ipanema para comprar o Master of Puppets que havia sido encomendado semanas antes. Sem contar que era um tiro no escuro. Comprávamos álbuns na fé. Já tive álbuns que definitivamente nunca consegui gostar muito.

        Realmente… ouvir CD é raro. Geralmente ouço musica pelo smartphone, ipod ou computador. Cheguei até a ficar um bom tempo sem ter um equipamento para ouvir CDs.

        Tirar uma horinha sem nenhuma distração e curtir o Monster foi muito legal. Eu recomendo. Vale a pena! Claro que em vinil seria melhor, mas não tenho mais essas aspiraçõe$$$

        De repente esses aqui em baixo possam inspirar…apesar da seleção questionável desse Rock de Kiss

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        • Que lembrança legal… qual o contexto das fotos?

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

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          • Estivem com a familia no Rio no começo desse mês e consegui marcar o encontro, trocar algumas idéias, matar um pouco da saudade. Foi muito bom reencontrar o caríssimo amigo.
            Espero que em breve eu consiga me organizar e comparecer em algum encontro que vocês fazem. Poder conhecer pessoalmente a galera do blog seria excelente!
            Valeu!
            Claudio

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            • A coletânea do Cidinho Cambalhota é um “random” total, concordo inteiramente. O post vale pelo excelente conteúdo e pra mim em muito por esses poucos (infelizmente) momentos onde podemos nos encontrar de novo, matar um pouco a saudade. Foi um encontro numa noite pós jornada de trabalho, que me tirou do deslocamento habitual em pelo menos umas duas horas, mas que valeu cada segundo. Muito bom ter revisto o grande amigo e sua linda família. Muito legal trocar novas ideias e rever momentos mais antigos.
              Cláudio, ficou a foto ( que por bem não foi tirada por mim) e a certeza de que encontros como esse precisam ser renovados sempre que possível ( e impossível também, por que não)
              Um grande abraço, amigo

              Alexandre

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    • Isso aí Luiz… hoje o acesso a musica é muito fácil e instantâneo. A musica ficou meio que descartável. Mas como tudo na vida tem pelo menos 2 lados, o positivo é poder assistir vários shows que antes da internet era quase impossível por aqui. Albuns raros puderam ser conhecidos. Também vivenciei encontros na casa dos amigos para ouvir uma nova aquisição e até levava uma fita cassete para fazer uma cópia sem que nos rotulassem de “criminosos piratas”.
      Valeu pelo comentário!
      Abraço!

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  2. Fala, Claudio. Já falamos tanto do post “por fora”, mas deixo registrado um comentário por aqui também.

    Creio que a sua sorte dos 50 mangos meio que roubou o título do post que inventei. A foto do Mercury também foi um achado, não? Hahahaha…

    Sorte à parte (preciso andar olhando mais para o chão, raramente acho algo e quando acho, não compra nem uma bala de café que gruda nos dentes), é sensacional o sentimento do post. Realmente estamos “presos” a uma realidade conflitando: o acesso está aí, mas o prazer nem sempre. Se de um lado conseguimos ter tudo na mão agora – e grátis muitas vezes – perdemos o “contato humano” da coisa.

    Então, reviver esses hábitos aos apreciados de músicas como nós é algo que temos que nos policiar a fazer, pois senão a rotina engole o tempo. Eu que o diga…

    Levar um CD para o carro hoje parece impossível para mim. É engraçado isso. Eu comprei um pen drive de 128 GB que cabe, claro, bastante da minha discografia da vida em qualidade 320kpbs do MP3. Mas o prazer nem sempre está aí. Está em, como você disse, como o Remote faz com vinil, e o B-Side com os CDs hoje em dia, em curtir aquilo. Curtir a fase da banda, o momento, o álbum. O assunto vai longe aqui, algo que sempre falamos, mas o post vai pelo lado do sentimento e isso é que é o válido.

    Fico perguntando o que vem para frente. Hoje em dia, espaço virtual não é quase um problema mais. A coisa está virando uma commodity daquelas. Será que as próximas gerações entenderão o que era isso? Será que conseguiremos “passar” isso a elas, “ensinar a sentir” aquilo que tanto guardamos e que temos que REVIVER nos dias atuais?

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Olha só Eduardo. A galera que só consome musica via internet e nunca comprou um CD (tem um monte de gente assim!) infelizmente não faz idéia do que é PARAR para ouvir musica. Como você comentou, tanto faz ser um vinil ou um CD. A expectativa do lançamento de um álbum, o deslocamento até a loja e a simples ação de sentar em frente ao equipamento é quase um flerte.
    Muitos de nós se lembra até o dia em que comprou determinado álbum. E aí vai uma história….

    Eu lembro quando comprei o Kiss e o Hotter Than Hell. Uma verdadeira aventura. Na época (se não me engano 1984 ou 1985) esses álbuns estavam fora de catálogo e era uma raridade achar para comprar (pelo menos no Rio de Janeiro). Então um belo dia achei o Kiss numa loja que eu frequentava numa galeria da praça Saenz Peña. O preço estava caro já que era importado e iria deixar minha mesada inteira nessa aquisição. Reservei o álbum com o dono da loja para comprar no dia seguinte, pois não tinha dinheiro na hora. Fui para a aula (à tarde) e comentei com um colega (fdp). Fui apunhalado pelas costas! Cheguei lá na loja conforme combinado e o disco já havia sido vendido. Fiquei furioso, é claro. Mas não sabia que havia sido traído. Porém a loja não estava vazia e um camarada estava ouvindo meu diálogo com o dono. Foi então que ele comentou que um amigo estava se desfazendo desses dois primeiros álbuns do Kiss e se ofereceu para me levar lá. Meu coração disparou. Já era umas 18:30 e eu tinha que ir para casa. Detalhe… eu tinha 13 anos. Mas aquilo para mim era o santo graal dos discos. Nada mais importava! Lembro que peguei um ônibus com o cara da Tijuca para o bairro Lins. Chegamos a casa do cidadão e lá estavam os dois álbuns. Peguei os alguns e não acreditava que aquilo estava acontecendo. Era muita emoção! Cheguei em casa (super atrasado), inventei alguma desculpa para justificar para o meu pai e fui direto para o meu quarto para ouvir, apreciar, sorver, degustar aqueles dois maravilhos álbuns.
    No dia seguinte o traidor confessou o crime com ar cínico. Mas para mim eu estava no lucro pois havia comprado os 2 pelo preço de um, já que eram nacionais.

    Experiências como essa me fizeram dar muito valor a OUVIR música. Pensando assim eu consigo entender os apreciadores de vinhos que usam traças especificas e utilizam todo aquele ritual para precisar sua bebida.

    Nessa época eu ainda não achava dinheiro no chão! hehehehe A ilustração ficou muito maneira!!

    É isso aí….
    Abraço!

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    • Ótimo texto Cláudio, e que falta fazem esses momentos “sem pressa”. É como está dito aqui, temos toda a informação do mundo e talvez não consigamos processar com mais qualidade. Eu prefiro conhecer a fundo um álbum, do que conhecer mal um milhão de músicas. Mas há uso para todas as formas de informação musical e para o carro, eu vou com o mp3 também como o Eduardo. Os vinis atuais tem também história e só para ver o paradoxo, nesse momento estou com 2 repetidos, por causa das confusões do processo de importação brasileira (de novo).
      As fotos com o Ale estão ótimas (é claro que ele não as fez) e que cd é o da segunda foto? Explica melhor aí….

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      • Pois é Flavio… Procuro ter musica sempre a mão também em qualquer dispositivo disponível.
        No passado o acesso era bem menor e a variedade também, consequentemente concentrávamos mais nosso tempo em menos álbuns.
        O CD da segunda foto é do show do Kiss no Rio em 83 e pertence ao Alexandre.
        Abraço.
        Claudio

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