Cobertura Minuto HM – Ultraje a Rigor em SP – resenha

São Paulo, 04 de Agosto de 2018. Um sábado (muito) frio. Enquanto milhares de pessoas saiam do Allianz Park de um daqueles eventos de duplas sertanejas mais insossas que isopor molhado, essa pessoa que vos escreve se dirigia no contra fluxo, junto de sua esposa, para o Teatro Bradesco, localizado no Shopping Bourbon, para presenciar uma das poucas bandas remanescentes do Rock Brasileiro oitentista: o Ultraje a Rigor.

A banda, sempre liderada pelo mais que conhecido Roger, hoje sobrevive como sendo a banda de palco do programa The Noite, do humorista Danilo Gentili (até por uma opção do próprio Roger & Cia). Isso só faz a apresentação ainda ser mais especial para quem gosta do som dos caras, até porque me arrisco a dizer que shows do Ultraje não serão vistos com tanta frequência.

Com apresentação marcada para as 21:00, o show começou com 15 minutos de atraso. O abrir das cortinas revelou Marco Aurélio “Bacalhau” (bateria), Rinaldo Amaral “Mingau” (baixo), Ricardo (vocal de apoio e agitador de plateia), Marcos Kleine (guitarra) e Roger Moreira (vocais e guitarras) já no palco, preparados em suas posições. Foram 90 minutos initerruptos de rock bem alto, em um desfile de clássicos e alguns covers, sem faltar aquele humor escrachado e crítico bem típico dos caras.

E se não tem falha, não é ao vivo de verdade. Foram 3 canções executadas para que o pessoal conseguisse acertar o volume da captação da bateria, que fora engolida pelos instrumentos de corda em “Independente Futebol Clube”, um cover dos Ramones (odeio Ramones!) e “Inútil”. Uma grande parte do show, inclusive, foi feita com um dos roadies praticamente ao lado esquerdo de Bacalhau, segurando parte do apoio do chimbau e caixa, arrumando daqui, mexendo dali e ficando de alerta. Lá pela metade do show, inclusive, a caixa foi trocada.

A apresentação teve participação do primeiro baixista da banda (o primeiro a gravar com o Ultraje), Mairicio Defendi, chamado para tocar “Sexo” e “Zoraide”.

E como não dá para ver show de rock sentado (a gente senta pela boa educação), após a saída de Maurício, algumas pessoas começaram a ficar de pé nos corredores do Teatro. Durante “Ciúme”, aí o povo todo ficou de pé e não sentou mais. Até a minha mulher com dores nas costas saiu pulando.

Tocaram quatro covers. Não esperava tanto cover assim: Ramones, Little Richard, Black Sabbath e Plebe Rude (o clássico da banda de Brasília foi cantado por Mingau). Confesso que quando Roger anunciou “Essa aqui se chama Paranoid” o dedo foi automático no botão de filmar, pois nunca tinha visto os caras tocando Sabbath.

Em “O chiclete” tivemos a apresentação dos integrantes, cada um cantando sua parte do famoso “bum bum bundão …” quando era introduzido por um dos outros integrantes. A banda não saiu do palco para o famoso BIS – “a gente até ia sair e vocês iam ficar de nhem nhem nhem então a gente fica direto que dá menos trabalho”. Tinha dado 1 hora de show quando Roger falou isso e eu pensei que teríamos mais duas ou três músicas, mas teve meia hora mais.

Por diversas vezes, em várias músicas, Roger cantou fora do microfone para prestar atenção na guitarra. A movimentação dos integrantes também era bastante limitada – só mais para o final do show é que Klein e Mingau se movimentaram para além do lado do palco que cada um fica. E nas músicas finais, até o fotógrafo entrou no palco e lá ficou, ao lado do vocalista de suporte. A festa rolou solta em todo o teatro e convenhamos que descontração sempre foi um dos pontos fortes das apresentações do Ultraje.

Durante os finalmentes, Roger se voltou para o pessoal e pediu “E aí? O que vocês querem ouvir?”. E pelos gritos da plateia, Roger escolheu “Eu me amo” e “Ah se eu fosse homem” – essa última com direito a ter que lembrar o riff inicial antes de começar a música e uma lambança no solo que virou improviso: “Se estivesse valendo nota, acho que a gente tirava 6”, mencionou o vocalista quando a canção acabou, que teve um “muito menos” respondido por Mingau.

O show acabou com “Terceiro” (uma das minhas favoritas junto a “Pelado”) e, no final, foto da banda no palco com a plateia de fundo. Roger ficou com aquela cara de inconformado e comentou um “Geração Instagram” ao microfone antes da foto. Concluiu com um genial “Desculpe” após a foto finalizar e a banda deixar o palco.

Foi uma noite divertida e com um som bem alto (deve ter entrado no meu Top 10 “shows mais altos”), o que deve ter ganhado um boost, com certeza, devido à acústica do teatro. Na saída, ouvi alguns comentários do pessoal sobre os erros de execução, mas sempre em um tom de brincadeira e descontração. Que o Ultraje a Rigor resolva sair um pouco mais dos palcos da televisão!

Nota do dia da publicação: o setlist que eu extrai do site setlist.fm, que você pode ver acima, tem coisa errada. A faixa 8, Sexo, foi seguida por Zoraide, que foi quando Maurício tocou com o pessoal. Pelado, se não me engano, foi depois do cover de Little Richard. O outro erro que eu peguei foi que, ao contrário do que diz a faixa 7, Maximillian Sheldon não foi executada.

 



Categorias:Artistas, Black Sabbath, Covers / Tributos, Curiosidades, Músicas, Resenhas, Setlists

11 respostas

  1. O Ultraje só está na ativa ainda porque se tornaram banda de animar o palco do pseudo humorista de quinta categoria Danilo Gentili. Acho que não fosse por isso o coxinha Roger já teria se aposentado. Uma pena que nos tempos livres dele ao invés dele se empenhar em compor composições novas para a banda dele, ele se preste no papelão de discutir política sem entender nada sobre o assunto já que é um analfabeto político. Impressionante como ele não tem mais capacidade compor material inédito e seja um asno opinando sobre política se gabe do seu Q.I. alto. Isso não quer dizer nada! Toma vergonha na cara Roger Moreira!

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    • Olá anônimo!

      O presidente me procurou para ver se seu comentário deveria ser aprovado e eu concordei. Demorei para vir responder ao post, mas não acho certo você sair disparando ofensa e nem sequer dizer seu nome. Pelo seu comentário, acho que você está mais preocupado com diretriz política do que com o show em si …

      A falta do “se empenhar em compor novas composições” não é uma exclusividade de um ou outro artista … Fique à vontade para comentar meu post sobre o show do Eduardo Falaschi, que está fazendo uma turnê sobre suas músicas do Angra, lotando muito mais as casas de show do que ele faria com sua banda Almah (que é excelente)…

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    • Engraçado que o fulaninho aí sabe tudo da vida do Roger!
      O show foi do c*r*io os caras tocam muito. Imaginem se no Brasil existissem mais Roger com Q.I alto e menos fulaninho macho para caramba que nem se identifica!
      Fulaninho, vai curtir suas bandinhas de [EDITADO] com três palavrinhas no refrão, [EDITADO]!

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  2. Quero registrar um comentário acerca do conteúdo musical que vi e ouvi acima, pois questões de política, religião, clubes e entre outros assuntos normalmente não são o foco do blog, faço a ousadia de me pronunciar pelo administrador Eduardo. E antes que isso vire um motivo para preferência política, deixo claro que não faço a mínima idéia do que o Roger tem como avaliador da questão.

    Voltando ao que interessa, nem conheço também assim o Ultraje, bem como as outras bandas do BROCK, mas considero o primeiro álbum certeiro em atingir o público, com praticamente todas as músicas tornando-se, à epoca, muito conhecidas. Some-se a uma inteligência nas letras e um bom humor que veríamos de forma maior alguns anos depois com o Mamonas, posso considerar sim uma das bandas mais interessantes da cena. Além disso, tanto o Maurício , que apareceu no show, quanto ( e principalmente) o Carlinhos ( primeiro guitarrista) , eram músicos muito competentes. A questão que envolve o humor pode tornar o decorrer da carreira um pouco cansativo, mas acho que nem foi o caso, o declínio da banda tem sim outros motivos.

    De lá para cá, que eu saiba, a banda mudou muito em sua formação e hoje ficou realmente só o dono da bola. Eles tiveram dificuldades com o advento da internet, caída da preferência no mainstream do público mais voltado ao rock, com a mídia, com ocorrências em shows, festivais ( vide o assunto com o Pete Gabriel no Lolapalooza), enfim, se estão aí até hoje, fazendo as vezes de banda de apoio de um programa de humor, é por que são sobreviventes. E com dois ótimos músicos, Bacalhau ( bateria) e Marcos ( guitarra.) O cenário fonográfico já é muito ruim visto vários desses fatores acima, ainda mais em um país onde cada vez mais cai o nível do que se ouve atualmente. E isto posto, entendo ser importante valorizar os bons músicos que estão por aí , fazendo o que podem para poderem tocar.

    De resto, achei o post muito legal, o som e as imagens estão bem legais, mas acho que a gente podia passar sem o lugar comum que é Paranoid. O solo é bem legal, mas é isso. E Roger, que sempre foi um músico limitado (os solos dele que pude perceber em alguns dos vídeos acima são sofríveis) mostrou sua dificuldade até para cantar faixas super batidas cujo vocal nunca primou pela excelência ( Ozzy). Essa, honestamente, não deu pra entender. Pra mim, Roger é a marca da banda, pelas composições e irreverência, deveria tomar mais cuidado com as escolhas de cover.

    Bem, eu nunca vi a banda ao vivo, confesso que se houvesse uma possibilidade por um preço acessível no Rio de Janeiro, provavelmente eu iria.Esse post reforçou a idéia.

    Kelsei, muito legal essa nova cobertura “live”, estão cada vez melhores.

    Valeu

    Alexandre

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    • Bom vou corroborar com o comentário do Ale, com a excelente cobertura do show, com a marca Kelsei de qualidade. A banda é uma das boas sobreviventes do 80´s Brock, mantendo o bom desempenho de outrora. Vi recentemente em uma entrevista que Roger considera que a participação no programa do Danilo Gentili vem inclusive ajudando na melhora do desempenho do Grupo, e realmente não há nada melhor do que se manter tocando. Gostei de ver a participação do Maurício, usando o próprio baixo do canhoto mingau, que praticidade foi inverter o instrumento que o mingau toca com as graves embaixo das agudas, saída inteligente. O repertório muito legal, mas eu apostaria em focar somente no repertorio da banda, afinal com tantos anos e discos, fazer 90 min de show autoral não era difícil,´portanto desnecessária a inclusão de covers, principalmente a desafinada Paranoid.
      No mais reforço a ideia do Ale: Se eles passarem por aqui, e os ingressos estiverem com valores “normais”, cabe uma conferida.

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    • Realmente, B-Side… obrigado pelo comentário e sem dúvidas entrar em um tema político aqui no blog não é e nem será o foco, afinal, não é de hoje que os músicos se manifestam, cada um com sua visão, certa ou não…

      Mas o detalhe é que quando esses caras se manifestam – certo ou não – eles colocam seu nome e rosto ao público.

      Sobre o post, também ressalto a qualidade do Kelsei em trazer de forma tão sumarizada, algo tão completo. Um grande parabéns pela cobertura, aliás, cada vez melhor.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Eu toco o que gosto de tocar. E é por isso que toco. Vc entende nada de música. Música é mais do que número de notas em sequência.

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      • Apesar de nunca dar uma de “fã histérico”, isso é uma honra! Nunca na minha vida que eu acharia que Roger Moreira estaria por aqui e dou mais que boas-vindas, em nome de todos da Minuto HM.

        E sim, aqui o assunto é música! Roger, se possível, comente sobre o show! Como foi que surgiu o convite com o Mauricio para essa apresentação?

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  3. Kelsei obrigado pelo post
    Obrigado por ter trazido aqui como foi o show do Ultraje a Rigor uma das grandes bandas do rock nacional.

    Muito ruim o comentário acima do B Side
    Concordo com todos vocês que aqui não temos nenhuma intenção de discutir aspectos políticos e acima de tudo respeitar as pessoas
    Também reitero o pedido de retirar o comentário pois é agressivo e nada agrega ao excelente post do Kelsei

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