Momento Daniel de Cinema – The Dirt (Mötley Crüe)

Assista. Mas sem compromisso.

Se eu parasse de falar com a frase acima, imagino que tirando os fãs mais dedicados da banda, seria suficiente para um bom número de pessoas.

Os assinantes do serviço Netflix já possuem disponível há alguns dias o filme “The Dirt – The unbelievable story of the world’s most notorious band Mötley Crüe“. Lançado exclusivamente na plataforma de streaming em 22/mar/2019, o filme possui 1h47 de “puro creme do milho verde” em termos do que foram os anos 1980 para o Mötley: sexo, rock and roll e drogas. E haja drogas. Vale lembrar que o filme em si não é “novo”: trata-se de uma adaptação do livro The Dirt: Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band, de 2001, e já era para ter saído como filme há muitos anos.

 

O filme é dirigido por Jeff Tremaine e tem como foco a vida de Frank Carlton Serafino Feranna, Jr., ou melhor, de Nikki Sixx, desde sua infância mais do que problemática e violenta, especialmente a familiar. Quem assume o papel de trazer a vida do baixista (“baixista” – os entendedores, entenderão) é Douglas Booth. O filme é basicamente “centrado” na vida de Nikki e é muita sob a óptica dele que vemos o filme e o surgimento da banda. Trace Masters e Vince Robert também fazem “canjas” no filme para mostrar Frank ainda criança, com 8 e 14 anos, respectivamente. Frank era uma criança inserida em um ambiente de prostituição, drogas e crime, e tornou-se um “membro” disso.

Iwan Rheon, que está em evidência no seriado “Game of Thrones”, fazendo o papel de Ramsay Bolton, assume o difícil papel de fazer Mick Mars, o guitarrista que já aparece e deixa claro sua doença degenerativa. Tommy Lee é o “alegrão” feito por Colson Baker, e é realmente o espírito que vemos do baterista na tela. Como curiosidade, Ashton Kutcher foi considerado no início para fazer o baterista. Tommy Lee chega a fazer uma rápida aparição no filme, mas lá no final / créditos, mas não é nada demais. Por fim, Daniel Webber é Vince Neil, o “bonitão” vocalista que é convidado a entrar na banda após Lee insistir com Nikki e Mars para o conhecerem.

Ainda que seja difícil “caracterizar” estes malucos, entendo que todo o cast fez um bom papel e destaco as performances como atores de todos. Há, claro, mais drama e caracterizações, necessários para um filme ter “emoção”, do que propriamente como deve ter sido a vida deles – afinal, as drogas eram tantas que é difícil imaginar como realmente foi aquilo tudo. O filme traz também uma certa (muito boa) nostalgia: basta você ter nascido nos anos 1980 ou antes – ou pelo menos ter o espírito da época – e pensar no mundo como está hoje, e logo isso se tornará verdade. Vou parar por aqui…

Em minha opinião, o filme tem uma dinâmica que deixa o público atento o tempo todo – falo isso pois eu, que acabo me distraindo rápido quando não rola uma “conexão” com o que estou fazendo – não me distrai. O filme, como já disse, faz questão de colocar as drogas e também o álcool no centro e não alivia em assuntos polêmicos para uma sociedade mais conservadora, como também não deixa de trazer um arcabouço de palavrões contextualizados. Gostei bastante disso. O filme aborda claramente a direção que Nikki queria dar a banda, de ser diferente de tudo, o extremo de tudo, de chamar a atenção a qualquer custo, e traz por diversas vezes o clima dos lendários lugares da Califórnia, como o Rainbow Bar e o Whisky A Go Go. E ainda a importante aparição da Elektra Records na trajetória da discografia da banda.

Entre outros, há um outro bom momento no filme, que é o encontro com o Ozzy, interpretado por Tony Cavalero, em uma atuação que faz até a gente pensar que é um Ozzy mais real que o próprio. A cena em si, e a parte da brincadeira com a urina, deixo para vocês assistirem – mas Ozzy faz questão de mostrar que o Mötley é um bando de garotos perto dele.

As caracterizações vão bem, inclusive com os atores fazendo um ótimo trabalho em regravar os clipes, conforme a carreira da banda vai avançando e o sucesso aparecendo.

Da metade para frente do filme, temos o “início” dos reais problemas na carreira da banda e especialmente na vida de cada um deles. Sixx já não tem noção do que está acontecendo dado seus vícios, chegando inclusive a ser declarado morto com uma overdose em 1987, mas volta à vida – bom momento de caracterização no filme. Há também a saída de Vince na banda e seus dramas sendo preso, mas especialmente com a saúde de sua filha, em um momento bem pesado do filme, que talvez tenha faltado um pouco de performance do ator dado que o drama é muito mais forte do que a cena gravada traz, em minha opinião, a um pai – mas nada que desabone a atuação, entretanto. O casamento de Lee tendo Nikki como padrinho também é abordado, dada a importância do evento para o baterista, em outro momento do que a heroína fazia com o baixista.

Há também que comentar que nem tudo no filme é o que é de verdade, ou seja, os fãs poderão entregar isso. Eu confesso que me incomodei mais em Bohemian Rhapsody, mas imagino que é porque eu gosto e conheço mais Queen que MC. Há também o tema de Corabi praticamente não fazer parte da história da banda no filme. Assim, depois de ver o filme, assista isso:

O filme rendeu o lançamento de uma trilha sonora e a banda voltando à ativa após sua aposentadoria (ainda que continue prometendo não fazer mais tours). No soundtrack, há três novas gravações, todas com a colaboração de Bob Rock: “Ride With The Devil”, “Crash And Burn” e um cover do hit absoluto da Madonna, Like A Virgin. Há ainda uma versão de The Dirt com a participação do próprio Colson Baker, que fez o Lee no filme –  o rapper conhecido como Machine Gun Kelly.

Então, de novo – assista, mas assista sem compromisso. E traga seus comentários por aqui.

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categorias:Covers / Tributos, Curiosidades, Guns N' Roses, Mötley Crüe, Músicas, Resenhas, Trilhas Sonoras

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4 respostas

  1. essa foi a primeira resenha positiva do filme
    ainda nao assisti
    vamos ver no que dá…..

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    • Pois é Rolf …. acho que o ponto da “resenha positiva” ou “resenha negativa” se dará ao fato do nível do fã que vai ver o filme.

      Eu, por exemplo, não conheço uma música sequer do MC e o melhor integrante dessa banda é a Pamela Anderson (entendedores entenderão). Pra mim, se o filme for legal, a resenha já vai ser positiva… ainda não vi e devo tardar a ver. Um dia volto aqui.

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  2. O filme traz estereótipos e pelo que ouvi falar ( também não conheço tão bem a banda) alguns erros. Pra uma diversão sem expectativas, ele vale. Pra quem gosta de música e quer entender a cena dos anos 80, acho que vale também. Pra o fã ardoroso dos Motleys, onde mesmo os erros são tolerados , vale também.
    Eu fui pela primeira opção e serve como entretenimento. Não podemos levá-lo tão à sério, vai…..

    Alexandre

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  3. Confesso que fui bem fã do som da banda no meados dos anos 80 e ainda curto a música dos caras. Quanto a história e as besteiras que fizeram não me aprofundei muito na época. Mas achei o filme bem direto, focando mais vida do Nikki Sixx e o estrago que os pais podem fazer na cabeça dos filhos.
    Gostei.

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