Kiss discografia 13a parte – Álbum: Peter Criss

No post desta semana completaremos as resenhas dos álbuns solos de 1978, com o de Peter Criss.

Álbum: PETER CRISS

A capa do Vinil Brasileiro de Peter Criss

A capa do Vinil Brasileiro de Peter Criss

Lançamento: 18/09/1978

Produtores: Vini Poncia, Sean Delaney & Peter Criss

Primeiro Single: “Don’t You Let Me Down”

Segundo Single: “You Matter To Me”

RIAA Gold Certification em 18/09/78 (Data de Lançamento)

RIAA Platinum Certification em 18/09/78 (Data de Lançamento)

Atingiu 43º lugar nas paradas americanas.

Faixas:

1- I´m Gonna Love You – 3:19 6-Easy Thing – 3:54
2- You Matter To Me – 3:17 7-Rock Me Baby – 2:53
3- Tossin’ And Turnin´ – 4:01 8- Kiss The Girl Goodbye – 2:46
4- Don´t You Let Me Down – 3:43 9- Hooked On Rock ´N´ Roll – 3:37
5- That’s The King Of Sugar Papa Likes – 3:01 10- I Can´t Stop The Rain – 4:26
Na capa de edição remaster de Peter Criss mantem se o padrão dos outros solos, só que com a cor verde.

A edição do cd de Peter Criss segue o padrão dos solos, este na cor verde.

Peter Criss nunca concordou com a feitura dos álbuns solos como uma forma de amenizar os atritos internos da banda. A ideia de Peter era que os quatro álbuns iriam gerar uma competição interna entre os membros, ao invés de lhes dar liberdade necessária para um retorno de convívio amistoso. Na prática foi isso que aconteceu, houve um distanciamento maior entre os membros, com crescimento da participação individual de Ace na banda, e um esmorecimento ainda maior da participação de Peter.

Peter passava por problemas pessoais (além do envolvimento com drogas) em rumo para divórcio do seu primeiro casamento e descreve seu momento da feitura do álbum solo como um estado de absoluta falta de controle emocional. Neste tempo em que a banda era um grande sucesso, as coisas eram fáceis demais. Gene estava namorando Cher, e Peter havia conhecido uma Playmate (Debra Svensk) durante as filmagens de Kiss Meets The Phantom Of The Park, havia também comprado uma grande casa em Connecticut (uma área extremamente valorizada) no mesmo dia que ao passar num revendedor, teve a vontade e a seguir comprou um Mercedes. Então quem era Peter? Uma pessoa que veio do Brooklyn, do gueto, das gangues, que ia de lugar a outro de limusine, com um guarda-costas? O projeto do filme talvez tenha sido a gota d´água: Peter não se enquadra em nenhum momento no filme e dali surge a vontade de sair da banda. Peter se sentia num carrossel, sendo movido em todas as direções e dando voltas, queria sair, não se encontrava mais, enfim estava totalmente perdido. Mas havia o projeto do disco solo, que tinha data marcada para lançamento.

A poster de Peter Criss na edição remaster (cd)

A poster de Peter Criss na edição remaster (cd)

Coube então a Peter Criss fazer o álbum solo mais distanciado do estilo que o Kiss havia apresentando; nada mais natural, devido ao fato que entre os membros do grupo, Peter era o que tinha como suas influências musicais mais tendenciadas para R&B, baladas e jazz, do que o rock. Para os fãs do Kiss, é um álbum difícil de aceitar e entender, já que é completamente diverso do estilo da banda. Peter traz uma série de músicas da era pré-Kiss, da época de sua ex-banda Lips, para o álbum : “I’m Gonna Love You”, “Don’t You Let Me Down”, “That’s The Kind Of Sugar Papa Likes” e “Hooked On Rock And Roll” eram músicas que Peter sempre quis colocar nos álbuns do Kiss e aproveita para gravar no seu disco solo.Eis abaixo a versão demo do Lips para I’m gonna love you, bem diferente da lançada no álbum

A contracapa do cd mostra os outros solos - uma forma de manter a unidade do grupo.

A contracapa do cd mostra os outros solos - uma forma de manter a unidade do grupo.

As sessões de gravação iniciam-se em Nova York e são caóticas, produzidas por Sean Delaney, que teve a permissão de Gene Simmons (pois já havia se comprometido a produzir o solo dele) para fazer o projeto avançar. Peter havia tentado o produtor Glyn Johns (Rod Stewart e Faces), que se negou a trabalhar no projeto, ao ouvir as demos gravadas com o auxílio de Stan Pendrigde, pois as considerou muito ruins. Delaney então ajudou em “I Can’t Stop The Rain “ (onde parte do vocal é dele), “Rock Me Baby” e “Easy Thing”. Peter, em determinado momento, cancelou tudo que havia feito com Sean, e passou a produção para Vini Poncia. Peter escolhe a cover “Tossin´ And Turnin´” de Bobby Lewis para o álbum; uma música que ele gostava muito por retratar um pouco da insônia que andava pertubando o catman e Vini endossa a escolha. A cover seria a música escolhida do álbum a ser tocada ao vivo na turnê de Dynasty, posteriormente em 1979. Durante as gravações do álbum, Peter sofre um grave acidente de carro (um Porsche 928), que o staff do Kiss consegue manter fora das manchetes. As consequências do acidente fazem com que Peter não grave toda a bateria do seu disco solo, e uma parte seria gravada por Allan Schwartzberg. Embora uma grande parte do álbum tenha sido feita depois em Los Angeles, Peter tentou trazer sua essência Nova-Iorquina para a bolacha, e o produtor Poncia foi o responsável por manter o estilo mais íntimo e confortável no estúdio, muitas vezes não se colocando atrás das mesas de som e sim dentro do estúdio próximos aos músicos, quase como num velho estilo de se gravar um álbum. Deve-se dar muito crédito a Vini Poncia por ter conseguido que o projeto saísse. Ainda assim, como álbum não foi completado, a opção foi usar o que já havia sido gravado por Sean Delaney para finalizá-lo, já que todos os álbuns solos tinham de sair juntos. Sean, inclusive, ficou muito chateado em ter o material por ele gravado no disco, uma vez que Peter havia cancelado tudo, mas não pode ir contra o desejo da gravadora, que precisava daquele material para não empacar o projeto que envolvia milhões de dólares, afinal tratavam-se de quatro álbuns simultâneos.

Na contracapa do vinil, além dos integrantes que participam de cada música, há a dedicatória aos outros membros da banda e a Michael Bevenga (

No vinil (contracapa) além dos integrantes que participam de cada música, há a dedicatória aos outros membros da banda e a Michael Bevenga (baixista e vocalista da ex-banda de Peter - Chelsea)

A experiências pessoais de Peter também transparecem no álbum, principalmente na balada “Kiss The Girl Goodbye” que é sobre a sua primeira esposa (Lydia) e “I Can’t Stop The Rain” que representa muito para ele.

Apesar de não concordar com os projetos solos, o fato de Peter ter tido algum tipo de controle do processo de feitura do álbum, deu um gosto de ter mais do que uma participação de apenas uma música por álbum, e faz Peter questionar ainda mais sua presença na banda. Os outros membros do KISS não gostam do disco, Paul e Gene avaliam com nota zero, apenas Ace é um pouco mais benevolente é avalia com 3/5. Peter, logicamente, dá nota máxima para seu projeto.

O álbum alcança platina no lançamento (assim como todos os outros) refletindo o tremendo sucesso da banda no momento, mas atinge o pior resultado entre todos, apenas 43º nas paradas. Há a tentativa de lançamento de dois singles do álbum que fracassam totalmente.

A edição do vinil brasileiro é bem simples não contendo nenhum encarte.

A edição do vinil brasileiro é simples e não contém nenhum encarte.

N.R : Peter Criss notadamente faz o mais fraco álbum solo, onde somente algumas baladas se salvam, e ainda assim fugindo ao estilo do Kiss. É um álbum para se completar a coleção ou para aqueles que gostam dos estilos adocicados das baladas da banda.

Não sobra mais nada para ressaltar e talvez tenha sido o disco que menos ouvimos entre todos. Neste momento da história da banda o inevitável viria a acontecer, uma comparação desonrosa com os outros álbuns solos, o que aceleraria o processo de desgaste de Peter e o rompimento com a banda, apesar do momento de sucesso que o Kiss passava. Na verdade o excesso de sucesso acabaria sendo um inimigo da banda, afastava a banda do seu verdadeiro talento (rock and roll) e o que se veria posteriormente seria o caminho inverso de tudo que havia se construído; uma mudança de estilos com conseqüências danosas. Mas isso começa a se consolidar no próximo capítulo da discografia: Dynasty. Até a próxima semana.

Flávio Remote e Alexandre Bside



Categories: Artistas, Curiosidades, Discografias, Kiss, Resenhas

8 replies

  1. BSide e Remote, parabéns novamente pela qualidade e nível de detalhes do post. Um mês de posts dos discos solos e estamos de volta para os discos da banda como um todo.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Peter Criss vai publicar suas “memoires” – lançamento previsto para 2012:

    http://www.kissopolis.com/2011/02/peter-criss-to-publish-memoir.html

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  3. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

    • E na teórica despedida dos palcos, duas desse álbum solo,que eu tenha conhecimento nunca antes tocada:

      Don’t Let me Down :

      I Can’t Stop the Rain – com uma errada de Peter no início , que a banda teve de se virar…

      A voz ainda é bem legal, diga-se de passagem…

      Alexandre

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