Cobertura Minuto HM – Roxette em São Paulo (14/abril/2011)

Sim, vocês leram corretamente. Cheguei a consultar o Eduardo se faria sentido (ou mesmo se valeria a pena) adentrar estas bandas por aqui, no Minuto HM. Eu mesmo não tive ímpeto de comprar os ingressos, quando começou a venda, ainda em 2010, mas para acompanhar alguém que é super fã, decidi aproveitar a oportunidade.

E por falar em ímpeto: “Você pegou os ingressos ?”… “Ingressos de que ???”

Foi assim que o 14 de Abril começou, logo cedinho pra mim. De tão empolgado para o evento, saí de casa e como deveria ir direto do trabalho para o show no Credicard Hall, em São Paulo, nem me lembrei de nada. Foi um choque. Esqueci completamente.

Contornada a situação, chegamos a um Credicard Hall parcialmente lotado. Os estacionamentos não estavam abarrotados, a circulação não estava impossível. Na minha cabeça, estas variáveis estavam apenas apimentando o dantesco evento que se aproximava.

A entrada foi super tranquila, fila de cerca de 10 pessoas para a Platéia 1, quase na última fileira (K). Algo como 50 metros de distância diagonal do palco. Até aí, melhor assim.

A banda sueca de pop (rock ?) formada nos anos 80 por Marie Frederiksson e Per Gessle atrasou cerca de vinte minutos, enquanto os presentes puderam ouvir diversos clássicos de The Ventures, Dick Dale e até Radiohead, acompanhando a casa terminar de lotar. Aliás, não imagina que iria lotar.

Apagam-se as luzes e começa um som muito conhecido. A banda entrou de forma repentina no palco e começou a tocar. Curiosamente o Credicard inteiro levantou, jogo de luzes coloridas saindo do palco em direção à platéia e pista. Era Dressed for Success.

Começou incrivelmente bem, pensei. Me surpreendeu.

A banda estava composta por sete integrantes: os dois da ‘formação original’, se é que podemos chamar desta forma, e mais uma backing vocal, um baterista, um guitarrista, um tecladista e um baixista. O som estava muito bom, nítido, e tive tempo para prestar atenção em cada um deles, todos muito competentes.

A segunda música manteve a alegria e o contágio da platéia, parecia uma imensa danceteria. O público era variado entre vinte e poucos anos a sessenta e poucos. Sem distinção, qualquer um dos que ali estavam esbanjava empolgação. O que para mim a princípio seria dantesco estava mudando um pouco de cara. Acho até que já ouvi algumas vezes esta segunda música… Sleeping in My Car

Pois é. E assim foi noite adentro. Roxette tem muitos sucessos na carreira, com letras fáceis de se memorizar e cantar. Creio que por isso, todo mundo ali se divertiu deveras com estes hits sendo executados.

Mas nem tudo são flores. Já havia notado que a presença de palco de Frederiksson deixava muito a desejar. Pouco movimentação, para não dizer nenhuma, sem entrar no clima, muito gelada para as músicas que ela mesmo estava cantando muito bem. Diametralmente o oposto de Gessle, que brincava com a platéia praticamente em todas as músicas. Fiquei curioso com isso. “Quando fizer o post da cobertura vou ser extremamente ácido com eles”, pensei comigo mesmo.

E o show assim transcorreu. Porém, para infelicidade de muitos, a maneira como foram alternados os hits memoráveis com as músicas novas e até mesmo as muito velhas (e desconhecidas à maioria), a platéia foi se distanciando do grupo. O melhor termômetro são as pessoas voltando a sentar (só perceptível para quem está no setor platéia), mal acompanhando a música, o show virando um filme, o Credicard Hall virando um cinema.

Associado à frieza da vocalista, durante cerca de 40% do show, o clima não foi legal. Mesmo o grupo tendo sucessos mundiais para preencher mais de hora de apresentação.

Ainda tentaram se enrolar em uma faixa escrito Brasil… solo de guitarra com chorinhos brasileiros… Solos de batera à Kiss… Um banner surpresa que aparece no fundo do palco com grafismo anos 80 clássico…

“Essa falta de ânimo está matando o show”, mais uma vez pensei comigo.

Depois de cerca de 1h40min e duas saídas do palco, estava encerrada a noite. A sensação era de que algo poderia ter sido melhor, mas não estava muito convicto disso. De qualquer forma, o resultado final me surpreendeu deveras. Só até aqui já ficava a lição de “não ser preconceituoso com estilos musicais um pouco diferente”.

Confesso que me diverti. Em vários momentos me peguei cantando e acompanhando os hits. Fiquei contente. Entrei no espírito da coisa por puro mérito da banda.

E agora, escrevendo fui pesquisar um pouco. O que encontrei quase me fez mudar o título do post. Não o fiz para manter o padrão das coberturas de shows. Caso contrário o título deste texto seria “A Cura pelo Rock!”:

Em 11 de setembro de 2002, Marie desmaiou no banheiro de sua casa, batendo a cabeça e sofrendo uma concussão. Exames indicaram que ela tinha um tumor cerebral na parte de trás de sua cabeça. Depois de esperar várias semanas até se recuperar da concussão, passou por uma cirurgia bem-sucedida para remover o tumor, identificado como maligno. Em seguida, ela resistiu por meses de quimioterapia e radioterapia. Marie sofreu alguns danos permanentes no cérebro, perdeu a capacidade de ler e contar, a visão no olho direito e teve os movimentos do lado direito de seu corpo ligeiramente afetados. Ela retirou-se da vida pública por mais de dois anos, mas depois, contrariando prescrições médicas que indicavam que nunca se recuperaria, começou a trabalhar em álbum solo. A cura foi questão de tempo. Fonte: Wikipedia.

Imediatamente me lembrei de Klaus Meine, Dinho Ouro Preto e tantos outros que por meio da música mostraram a força da perseverança humana, o quanto é possível superar obstáculos, por maior e mais horríveis que sejam…

Também me senti como um ignorante que estava prestes a criticar sem saber, sem conhecer.

E agora que conheço e já assisti ao Roxette: foi um ótimo show!!!

  1. Dressed for Success
  2. Sleeping in My Car
  3. The Big L.
  4. Wish I Could Fly
  5. Only When I Dream
  6. She’s Got Nothing On (But the Radio)
  7. Perfect Day
  8. Things Will Never Be The Same
  9. It Must Have Been Love
  10. Opportunity Nox
  11. 7Twenty7
  12. Fading Like a Flower (Every Time You Leave)
  13. Silver Blue
  14. How Do You Do!
  15. Dangerous
  16. Joyride

Encore:

  1. Watercolours in the Rain
  2. Spending My Time
  3. The Look

Encore 2:

  1. Way Out
  2. Listen to Your Heart
  3. Church of Your Heart

Em breve algumas fotos e vídeos serão postados.

[ ]’s

Julio.



Categorias:Artistas, Cada show é um show..., Curiosidades, Resenhas, Setlists

20 respostas

  1. Julio e Du, Parabens pela iniciativa! Me surpreendi com o post! Sou fa de carteirinha do Roxette e assisti de camarote esse exemplo de Superacao! Acho que vale a pena adicionar aqui o motivo para o fato de os fas estarem sentados na execucao de algumas musicas… Certeza que nao era desanimo e sim, contemplacao! Tudo aquilo era tao surreal que so sentando mesmo para poder contemplar e reviver muitos bons momentos que estas cancoes nos remetem! Amei o show! Abs Lu

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    • Oi Lu, posso aqui dar todos os créditos ao amigo Julio. Ele realmente falou comigo e posso afirmar que é um prazer abrir o espaço aqui para ele, ainda mais depois desta resenha tão legal.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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    • Também fui ao show do Roxette! Foi uma banda que (em menor escala quando comparada a MetallicA, Guns, Maiden, etc.) também fez parte da minha adolescência. Portanto, quando soube do show não pensei duas vezes em garantir minha presença, assim como o Fernando (fegarcia80), que também escreve aqui no Minuto HM.
      Não sei se me considero fã de Roxette, pois não conheço nem metade da obra da banda, mas gosto do que eu conheço. E foi “apenas” para ver sete ou oito músicas que eu fui ao show, sendo que todas estas foram executadas. Sendo assim, eu gostei muito do show. Sempre é lembrar e, se possível, REVIVER momentos marcantes na nossa vida. É por isso que nos emocionamos tanto em shows dos nossos ídolos. Mesmo não sendo uma das minhas bandas de cabeceira, este show não foi diferente! Muito devido ao drama vivido por Marie Frederiksson, já devidamente relatado pelo Julio.
      Na pista comum, setor que estávamos, não percebi nenhum momento sequer de desânimo do público. Muito pelo contrário. A grande maioria conhecia pelo menos 90% do que foi tocado no show, e estava bastante empolgado.
      Quanto à Marie, não tenho nada a acrescentar ao que foi relatado pelo Julio. É sem dúvida nenhuma (mais) um grande exemplo de superação através da música. Mas realmente é muito triste ver uma voz tão marcante, como foi a dela, sofrer muito mais dos que os já IMPETUOSOS e INVENCÍVEIS efeitos do tempo. Uma pena…

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  2. Não sou fã do Roxette e nos ultimos (vários) anos tenho passado longe de qualquer coisa que se rotule como pop ou pop-rock.
    Mas no final dos anos 80 gostava gostava muito de hard rock (que muita gente critica mas me arrastou lentamente pro metal) e algumas coisas pop entre elas Roxette, confesso que se fosse num show deles me divertiria muito.
    Sobre a resenha do show gostei porque foi isenta, feita por alguém que não é fã , soube ser crítico com as falhas mas não se negou a admirar o que foi bom.Acho muito legal esse tipo de postura, por essas e outras coisas gosto do Minuto HM!!
    Parabéns!!

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    • Luiz, acho que todos nós temos nosso lado de músicas fora do eixo do heavy metal ou rock tradicional, mas de qualidade e que gostamos. Acho que este show é uma das provas e, sem dúvida, foi um acerto do Julio trazer um pouco dele por aqui.

      Agradeço também pelas palavras ao Minuto HM, o espírito é esse mesmo por aqui.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Julião,

    primeiramente, parabéns pelo post. Uma resenha fantástica e emocionante, ainda mais, como você costuma fazer brilhantemente, foi colocada dentro do contexto dos infelizes, mas exemplares no sentido de recuperação, luta, perseverança, etc., problemas da/com a Marie.

    Muito legal da sua parte admitir que desconhecia o fato e que, antes de criticar, foi atrás, viu o que aconteceu e mudou de opinião. Isso foi realmente sensacional.

    Eu gosto também de Roxette e, se não fosse a “avalanche” de shows neste período, aliás, nos últimos anos, seria um que eu provavelmente iria. Infelizmente, estou tendo que dizer “não” para muitos shows.

    Não sei se todos daqui sabem, mas sou um cara que ouvi (ouço quando estou com FM por perto) MUITA, mas MUITA rádios que tocam músicas do estilo, ou seja, Antena 1 e Alpha FM. Nasci neste meio e trago isso comigo até hoje, portanto, posso dizer que praticamente todas as músicas que tocam nestas rádios eu canto de “trás para frente”. É o meu lado não-rock / não-metal que eu gosto e que me sinto bem ouvindo, sem qualquer problema ou preconceito.

    Fico feliz que tenha se divertido, aprendido (assim como eu também aprendi agora com sua resenha fantástica) e ter trazido essa emoção aqui para o Minuto HM. Obrigado!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Julio,
    o Show demorou muito para comecar? Esta marcado amanha para as 21h30. Devo chegarno horario?
    Obrigada

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    • Paula,
      O show marcado para começar às 21h30 começou efetivamente 22h15.
      Porém, em se tratando de Credicard Hall, recomendo chegar com antecedência para evitar surpresas tais como estacionamentos travados, a própria imprevisibilidade da Marginal e etc.
      Enjoy it!
      [ ]’s
      Julio

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  5. Tive um sentimento parecido ao ir a shows como A-Ha e Simply Red. Foram, no fim das contas, shows sensacionais, com uma platéia muito variada e empolgada. Um amigo este no Human League e disse o mesmo! O único show deste… “tipo”… que me decepcionou foi o B-52’s (e pensar que eu perdi o Motorhead para poder ir)…

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    • Lembro de você ter comentado comigo sobre o B-52’s, cara… mas, na época, você tomou a decisão correta, que era assistir algo inédito em relação a uma banda que temos muito mais chances de ver. A análise é essa, pois a diversão em um show do Motörhead é SEMPRE garantida…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. Uma pena não poder ter ido para esse show. Mas realmente ver e ouvir a Marie hoje em dia é uma coisa surreal. E quem quiser conferir é só ouvir o disco novo, Charm School. Muito boa a cobertura. Parabéns

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  7. Fui ao show em Saõ Paulo dia 14 de abril e amei, simplismente demais, sou fã e estava ansiosa para ver a banda de pertinho. Moro em Imperatriz – Maranhão e valeu ter ir até São Paulo só para assistir o show.

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  8. Eu não entendi quando vc disse que seu ingresso era para quase a ultima fileira, mas que só tinha 10 pessoas, que estranho!

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    • Oi, Aline. Primeiramente, seja bem-vinda ao Minuto HM.

      Não sou o autor do texto mas, pelo que entendi, ele comentou das 10 pessoas no momento da fila para entrar no setor. A idéia foi comentar que a entrada não estava tumultuada, como costuma ficar este setor em algumas oportunidades.

      Continue conosco, participando.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Curtir

  9. [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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