[EXCLUSIVO] Cobertura Minuto HM nos EUA – gravação do That Metal Show (parte 2/5)

Após a emoção de visitar o túmulo de Ronnie James Dio, dei um tremendo golpe de sorte ao encontrar na mesma ocasião com Eddie Trunk e Don Jamieson (apresentadores do programa That Metal Show). Durante este coincidente encontro, tive a oportunidade de conversar com os dois, tirar fotos e isso me rendeu um convite para estar presente na gravação do show que desta vez estaria ocorrendo em Los Angeles, nos estúdios da Sony Pictures, mais precisamente na Sony Pictures Studios – Stage 25, 3982 Overland Avenue (Overland Gate and Parking Structure), Culver City, California. A gravação do show ocorreria na terça-feira, 26/julho/2011, na parte da tarde e mais um golpe de sorte me arrematou, pois eu iria partir dos EUA na quarta-feira. Realmente foi uma grande sequência de grandes emoções.

Na terça-feira do dia da gravação, cheguei as 14:00 onde encontrava-se uma recepção improvisada no térreo do prédio com organizadores do show conferindo na lista as pessoas que já teriam seus nomes na lista para serem a platéia do show. Entrei junto com umas 50 pessoas e fomos direcionados para o estúdio 25 em uma fila indiana muito bem organizada e com todos muito respeitosos. O show teria as entrevistas de nada menos que Lars Ulrich e Sammy Hagar. Curioso que quando eu estava em Las Vegas, eu fiz questão de “forçar” o grupo de pessoas que eu estava a entrarmos, conhecermos e almoçarmos no Cabo Wabo Restaurant. Trata-se de uma franquia do Sammy “The Red Rocker” Hagar que além de possuir este restaurante, ainda era responsável por gerir um negócio de fabricação de Tequila, mas que durante a entrevista no That Metal Show deixou claro que não era mais responsável pelo negócio. O restaurante é bem bacana e possui um painel com fotos dele com celebridades da música, além de umas guitarras dele emolduradas na parede – trataremos isso em outro post.

Recepção e fila

Recepção e fila

Antes de entrar no estúdio, Steven Adler (ex-baterista do Guns N’ Roses), figurinha fácil em Los Angeles, estava por lá e foi bastante solícito, tirando fotos e conversando com todos os que estavam na fila.

Steven Adler e Rolf

Steven Adler e Rolf

Ao entrar no estúdio com orientações dos organizadores do show, todos são acomodados nas pequenas “arquibancadas” da plateia. Existe um DJ convidado para colocar os sons até o início do show e ficou claro que a proposta era: nenhum clássico deveria ser tocado! Para não dizer que nenhum rolou, o DJ executou “Territory” do Sepultura que sem dúvida é um clássico da banda (Chaos A.D.) e dois headbangers que se sentavam nas posições acima, ao perceberem que eu conhecia a música, trataram de me perguntar de quem era aquele som poderoso. Após uns 15 minutos de espera, um diretor de palco entra e passa as instruções básicas sobre celulares e filmagens. Em seguida são gravados os aplausos. Sim, todos os aplausos são editados. É solicitado que tipos de aplausos sejam gravados para as edições de entrada e saída de bloco. São 30 minutos bem divertidos com um carismático diretor de palco diversificando pedidos de tipos de aplausos da platéia e mais orientações básicas.

Diretor de palco, produtora e Eddie Trunk

Diretor de palco, produtora e Eddie Trunk

Em seguida Eddie Trunk, Jim Florentine e Don Jamieson adentram o estúdio e as chamadas com a câmera vindo da grua são gravadas. Em seguida, são feitas as mesmas chamadas com os mesmos sentados. Tudo corre muito bem, sem erros e sem retornos. Em seguida o guitarrista do Testament, Alex Skolnick, é anunciado como o músico convidado do dia e rapidamente se posiciona para então começarem a gravar as saídas e entradas dos blocos com algum solo. O cara mandou muito bem e foi bastante solícito ao ser interpelado pela audiência que estava literalmente ao lado.

Eddie Trunk então inicia o show de forma muito boa: tecendo comentários bastante positivos sobre o novo material do Queensrÿche e sobre a carreira da banda como um todo. Foi mundo bom ouvir dele tais elogios, afinal, trata-se de um grande formador de opinião no meio, algo tão positivo.

Em seguida, Lars é anunciado e entra de forma bem distante da galera, frustrando alguns fãs ensandecidos que esperavam ansiosamente por, ao menos, um rápido cumprimento ou algo um pouco mais próximo. Lars entra, se senta e a equipe de maquiadores dá o último retoque em sua avançada testa calva – e o show começa.

Lars comenta do material novo, das composições com Lou Reed, do setlist de 10 músicas onde ele cita como “Easier Heavy Metal Songs” e no melhor estilo “Jamie Songs” com letras dark e sem uma formatação básica geral. Lars adianta também que confirmou que participará de um filme estrelado por Nicole Kidman em 2012 em um papel pequeno, mas que lhe trouxe uma alegria muito grande em estar próximo da sétima arte novamente.

Ao comentar sobre o material novo, todos estão bastante a vontade e o clima é o mais descontraído possível até que Jim Florentine desfere uma pergunta para Lars sobre um tema muito polêmico: o Napster!!! Sim, amigos, o clima visivelmente ficou tenso e o desconforto do convidado fica evidente. O clima pesou um pouco no estúdio e logo que o assunto começa, Lars muda seu semblante.

Decorrem-se pontos de um lado e do outro, mas acho que de tudo que se falou nesta entrevista, o mais relevante foi o que Lars reforçou – e que de fato é preciso dar a mão a palmatória – que dizia mais ou menos assim: “Na época, a classe artística soava uníssona para que os artistas tomassem uma posição contrária ao que estava acontecendo. Estávamos todos vendo o produto de nosso trabalho saindo de nossas mãos de uma forma que não concordávamos e ninguém fazia nada. Todos os artistas na época queriam tomar uma atitude, mas na hora que eu fui a público lutar pelos nossos direitos, todos aqueles que me apoiavam simplesmente se esconderam e lá fui sozinho dizer o que todos ali gostariam de dizer e fazer. Depois de todos esses, sou eu que ainda respondo por isso…”. Realmente, é algo a se pensar. Muitos criticam Lars por sua atitude nada democrática quanto ao ponto, mas acho que os que de fato o fazem, se esquecem de que ele não estava ali sozinho. De jeito nenhum!!! Muitos, se tivessem tido a coragem que ele teve, teriam feito a mesma coisa, mas infelizmente, coube a ele levar o fardo de se posicionado contra algo que mudaria a industria fonográfica para sempre. Algo que mudou tudo. Algo feito por um garoto de 16 anos na época. Ninguém poderia prever que isso de fato se consolidaria da forma como foi… e hoje, esse ranço, ainda permanece na figura pequenina de Lars Ulrich.

Na pausa da primeira parte da entrevista com Lars, o clima não é dos melhores e eu sempre tive muita curiosidade de ver como seria a dinâmica de um programa de entrevistas nestas circunstâncias. Lembrou muito a dinâmica de debates políticos. Entram pessoas de apoio do show e de Lars e estes ficam falando com seus “clientes”, retocando maquiagem e esperando a equipe se reposicionar para a entrevista recomeçar. Não houve nenhuma interação entre Lars e os apresentadores do TMS – ao contrário do que ocorreu com Sammy Hagar, onde a descontração foi total com a câmera acionada ou não, conforme será detalhado na próxima etapa desta série.

Após isso, veio o quadro do programa The Throwdown que trata-se de colocar duas opções de discussão de alguma artista ou banda e segue-se uma votação para eleição do melhor, segundo os apresentadores, convidados e público). Neste dia, a tarefa foi eleger qual o melhor disco na opinião de Lars e dos apresentadores: Kill ‘Em All ou Ride The Lightning?

Após uma discussão não tão calorosa – eu diria que foi barbada para o ganhador – o disco de 1984 (o ano do heavy metal – assunto para um futuro post também), Ride The Lightning, foi o grande ganhador. O voto de Lars inclusive foi para ele sob a prerrogativa de que neste disco “a composição do grupo esteve mais presente”, o que pesou bastante para que este disco ganhasse. Foi interessante ver uma opinião do próprio artista em decidir algo sobre a própria obra dele. Em geral esse quadro busca ouvir um posicionamento do convidado sobre outros artistas e, neste caso, foi fácil para Lars Ulrich opinar. Após isso, o clima voltou a melhorar entre as partes e ao final Eddie Trunk deu uma nota sobre King Diamond que passou por uma cirurgia nas costas que o afastou dos palcos por um tempo, mas que na última vez em que foi visto, sua performance continuava sensacional, de acordo com as próprias palavras de Lars.

Para o quadro “Detone o Trunk” (Stump The Trunk), a produção se dirige a plateia nas pequenas arquibancadas e pergunta quem gostaria de desafiar Eddie Trunk com alguma pergunta. Nos programas em que o Minuto HM estava (Lars e Sammy), poucos se voluntariaram a perguntar algo, afinal, trata-se de um momentode exposição para o desafiador. Não só por estar perguntando mas por ter aturar as gracinhas de Jim Florentine. Ao perceberem que haviam poucos se voluntariando a fazer as perguntas, a produção do programa puxa algumas fichas com perguntas previamente preparadas e pede para que as pessoas apenas as leiam. Para esta tarefa, visivilmente mais fácil, mais pessoas se voluntariam e estas são previamente sacadas das arquibancadas para o backstage. Engana-se quem achaque as respostas são acordadas com Trunk. Não, definitivamente as perguntas não são acordadas com ele e tudo o que se passa ao reverter a pergunta para ele é a mais pura forma de concentração para que sejam respondidas. Lars brinca com Eddie Trunk sobre isso, pois as mesmas não são fáceis. Esse foi uma outra dismistificada situação de backstage.

Ao final, Lars se levantou, cumprimentou algumas pessoas rapidamente – apenas um High Five – tudo muito controlado pela produção do programa – conversou um pouco com os apresentadores e partiu feroz!!

Lars e TMS

Lars e TMS (1)

Lars e TMS (2)

Lars e TMS (2)

Ao final do programa, todo o público convidado ganha uma camisa do programa:

Na próxima parte desta série, traremos mais uma gravação do programa neste mesmo dia.

Rolf.

Colaborou: Eduardo.



Categories: Artistas, Backstage, Chickenfoot, Curiosidades, DIO, Entrevistas, Guns N' Roses, MetallicA, Off-topic / Misc, Queensrÿche, Sepultura, Testament, Van Halen

20 replies

  1. Rolf, começam a chegar os merecidos parabéns / comentários:

    http://twitter.com/_Petrucchio/statuses/110881879552569344

    Na nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/pages/Minuto-HM/159799187367114), a galera vai curtindo o post e comentando que aguardava por esta sequência…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Rolf, é difícil até comentar alguma coisa aqui sem uma carga emocional forte…

    Desde o primeiro e emocionante (não disse?) post, esta sequência era aguardada com grande expectativa.

    Fico feliz por estas felizes (haja felicidade) coincidências de datas e horários tenham permitido que você pudesse assistir a gravação do programa, justamente contando com um trio de muito respeito na história da música que tanta apreciamos.

    Só tenho que ficar feliz (vicioso já) e emocionado (hahaha) com seu texto e por tudo que você trouxe por aqui nestas duas primeiras etapas.

    De quebra, uma fotinho com Steven Adler, afinal, ninguém é de ferro, né? Excelente mesmo…

    Agora, o Lars está INTEIRO careca. Nossa… é aquilo que conversamos: ele com “inveja” da cabelereira de Steve Harris e outros do Iron Maiden pois, realmente, a “carequice” chegou forte ali.

    Muito legal ainda o lance e reflexão sobre o Napster – fazendo apenas um paralelo de outro que lutou sozinho, lembrei de Dee Snider no final dos anos 80. Mas sim, Lars fez o que muitos queriam fazer em uma época que se considerava irreversível o crescimento do P2P “ilegal”. Será que se ele não tivesse feito isso, teríamos a Apple Store reinando absoluta hoje, vendendo músicas a USD 0,99 e sendo a maior rede de distribuição de música digital no mundo, com contratos com as maiores gravadoras e selos?

    Cara, você merece, de verdade, tudo que passou nestes maravilhosos e já saudosos dias na gringolândia. Só posso ficar honrado de ter este material aqui no blog da família do heavy metal…

    Ah… mandei o post pelo Twitter aos 3 apresentadores…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Muito, muito, muito legal. Ainda desmistifica e desmitifica algumas coisas sobre TV. A gente quase não vê matérias da tv que falam do behind the scenes da tv! Mais uma vez, parabéns!

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  4. Parabens galera, muito bom o post!
    Imagino como pra vocês essa viagem foi inesquecível, emocionante e incrivel. Apenas lendo o post, a gente já pode ter uma noção de como foi lá. Como falaram, impossivel não comentar algo sem uma certa carga de emoção!
    Parabéns mais uma vez!

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  5. Rolf, meu amigo, quase nada tenho pra escrever…Só parabenizá-lo por ter tido esta fantástica experiência. E o Minuto HM ganha definitivamente um ótimo correspondente internacional, é um luxo!!

    Alexandre Bside

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  6. Rolf e pessoal, o excelente Wikimetal entrevistou Eddie Trunk! Bati um papo com eles pelo Twitter e talvez esse post do Minuto HM seja mencionado na segunda parte do programa!

    Imperdível! Não deixem de conferir e vamos acompanhando.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Pessoal, saiu o novo episódio do pessoal do Wikimetal. A parte que fala do Dio começa ali nos 15 minutos e vale muito a pena ser conferida. Eddie comenta muito do baixinho de grande voz, de como ele era especialmente carinhoso com os fãs e que o próprio Eddie aprendeu a interagir com os fãs dele com o melhor, ou seja, inspirado pela forma como Dio fez ao longo de toda a carreira.

      Sobre o Minuto HM, eles comentam em torno dos 38 minutos e pouco. “Imperdível pra quem gosta de heavy metal, passem lá umas duas vezes por semana pra ler o que o Eduardo e os colaboradores postam, que é muito legal”.

      Há várias opções para ouvir o excelente podcast do Wikimetal, que podem ser vistas neste post deles: http://wikimetal.blogspot.com.br/2012/06/078-that-metal-show-parte-final-no.html

      Ao pessoal do Wikimetal, deixo meu agradecimento mais do que especial, em meu nome e em nome do Minuto HM. Muito obrigado mesmo.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  7. Eduardo, meu irmão. Excelente! sensacional saber que uma pessoa do quilate de Eddie Trunk coloca esse tipo de comentário em qualquer entrevista que seja sobre o nosso blog.

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    • Rolfístico, na verdade fomos mencionados na segunda parte da entrevista do Wikimetal com o Eddie Trunk “apenas”, não houve nenhuma interação do blog ou desse post diretamente com Eddie.

      De qualquer forma, foi bem legal fazer parte do podcast deles, os elogios ao Minuto HM foram excelentes!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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