MetallicA tocando “Prowler” ; Lars nos vocais em “Am I Evil?” – São Paulo, 07/outubro/1989

Veremos abaixo raridades que a internet proporciona: no segundo show em São Paulo (o de sábado) da tour Damaged Justice (uma tour “fraquinha” onde o MetallicA tocava até seu então último trabalho de estúdio, um tal de …And Justice For All), a banda tocou, entre outros covers, Prowler – como eu costumo chamar, “a música 1 do disco 1 do Iron Maiden”.

Que o MetallicA sempre foi fã da banda inglesa, creio que não seja segredo a ninguém que acompanha a trajetória dos “King Of The Roads” (o inverso, no entanto e como também sabemos, não é verdadeiro). O MetallicA já tocou pequenos trechos de várias músicas do Maiden ao longo dos anos, entre elas Run To The Hills (que pode ser conferida, por exemplo, ao final de Last Caress / Green Hell do Garage, Inc). Mais recentemente, gravou “Remember Tomorrow” no tributo da revista “Kerrang!”:

Mas voltando ao assunto principal do post, diretamente da “master tape”, curtam este grande momento da primeira tour da banda pelas nossas terras – este show foi para 10.000 pessoas no Ginásio do Ibirapuera.

Hetfield não canta a letra de maneira “as is”, fazendo suas famosas mudanças – em uma época da banda que não dava para saber se de propósito ou não – na parte “all there legs and lashes”, que ele muda o final para para “metal”. Ele também canta duas vezes “got me talking but feel like walking around”, sendo que a primeira parte seria “got me feeling myself and reeling around”.

Por fim, a banda ainda “brinca” com Run To The Hills da mesma forma que se ouve no Garage acima mencionado (engraçado ouvir um cara gritando “mais uma do Iron” ao final) e termina com um trechinho também brincando de Ride The Lightning:

Já durante outro cover, este bem mais tradicional e que todos os fãs já estão acostumados, os músicos invertem seus instrumentos para tocarem “Am I Evil?”: Lars troca com James (mas não toca guitarra) e Kirk com Jason. A coisa é uma “doideira” só, com um Lars descontrolado, inclusive passando por cima da bateria em determinado momento – o cabo do microfone fica enroscado na bateria… Hetfield, dentro do de sempre (já que há vários exemplos onde ele vai para a bateria – fato que aconteceu muito na tour seguinte, do Black Album), segura as pontas arriscando até usar o bumbo duplo mais para o final e Jason é aparentemente o que mais leva a sério a coisa na guitarra. Enfim, é mais fácil mesmo ver esta loucura do que tentar comentar:

É sempre um enorme prazer ver material do MetallicA desta época áurea e é impossível ficar indiferente com a energia geral da banda, principalmente do Het e do Lars.

Por fim, confiram o set da banda nesta oportunidade:

Metallica Setlist Estádio do Ibirapuera, São Paulo, Brazil 1989, Damaged Justice

Alguém aí esteve presente neste histórico show ou outro desta tour? Sei que Rolf, B-Side e Remote viram a banda no Rio de Janeiro nesta tour – a vocês e todos que eventualmente estivem presentes, o MetallicA fez o mesmo na cidade maravilhosa?

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Iron Maiden, Músicas, MetallicA, Setlists

14 replies

  1. Fui no primeiro show que ocorreu no dia anterior, se não me engano uma sexta-feira. Foi um show mágico, pois foi meu primeiro grande show internacional. Tinha 16 anos na época e não m esquecerei daquele show jamais,

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  2. Muito legal os videos! Realmente a banda tinha uma outra energia no palco. Embora os shows de hoje em dia ainda sejam empolgantes, a energia era diferente mesmo naquela época, coisa mais de moleques mesmo. Hoje são senhores no palco, até um pouco burocrático, ainda que continue sendo um show imperdível.

    Sobre a Het trocar a letra de Prowler, acho que foi só uma confusão mesmo, nada proposital. E gostei bastante da brincadeira mas prefiro a versão com o Bruce, sempre, hehehe

    A jam no final, a banda se divertindo bastante, com Lars até um pouco mala com suas trapalhadas hahaha

    Muito bom post. Posts sobre Iron e Metallica por aqui são sempre de ótima qualidade 🙂

    Abraços,

    Su

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    • Concordo, Su. Hoje em dia, apesar da energia ainda estar muito presente, é algo mais “mecânico”, mais previsível, como as famosas frases que Hetfield vai soltando, como “Do you feel what I feel?”, no final do “Did you have fun tonight? So did we… follow me…”, por exemplo.

      E sim, Lars totalmente “maluco”, com tentativas de movimentos “a la Bruce”… uma verdadeira bagunça.

      Legal que tenha curtido o post e obrigado pelos costumeiros elogios.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Post publicado nos blogs de Iron Maiden do Brasil:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  4. Eu também achei muito clara a associação da perfomance de palco como vocalista de Lars à de Bruce Dickinson. È lógico que não dá pra comparar o vocal . A brincadeira é muito legal de ver e deve ter agradado à todos , banda e público , na ocasião .
    A versão de Prowler é uma justa homenagem a uma das bandas que devem ter inspirado o Metallica em especial nessa fase da carreira, onde eram poucas as concessões .
    Sim, foi uma felicidade ver o show no Rio, guardo poucos momentos na mémória, mas era nítido ver a banda com tamanha vontade no palco, e com um repertório não menos que espetacular . Lembro que erraram ( e riram bastante do erro) , na intro de …And Justice for All, a canção. Lembro também de Blackened que abriu o show, e de alguns efeitos visuais no solo de baixo de Jason. Não lembro da inversão de instrumentos ou da cover no Rio, não acho que tenha acontecido, mas peço considerações face ao tempo que já passou desde então.
    Foi um show para ficar certamente entre os meus “tops all time ” . E apesar do grande show que eles entregaram ano passado, é preciso reconhecer que em 89 a entrega foi melhor .
    O post é fantástico, magistralmente bem escrito, com detalhes que só poucos conhecedores trazem, como a intrigante troca de letras em Prowler, o qual também credito à uma confusão por parte de Hetfield .
    E melhor ainda por trazer uma fase maravilhosa da banda , que dificilmente voltará, ainda que a banda venha vivendo hoje um ótimo momento!

    Saudações

    Alexandre

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    • Valeu, B-Side. Confesso que o post tomou uma proporção um pouco diferente da original – a ideia era postar o vídeo de Prowler. Mas sabe como é… um assunto puxa o outro, que puxa mais um, e acabei falando de outras coisas, colocando outros 2 vídeos… um exemplo real de como não consigo ter a maestria que você e seu irmão possuem de sintetizar as coisas, hehehehe…

      Se tem um show do MetallicA que gostaria de ter visto aqui no Brasil, é este. Ou o seguinte, da tour do Black Album. Infelizmente nasci na época errada e não tive este privilégio que, concordo com você, claro, não volta mais…

      Obs.: Blackened abrindo um show = não dá para ser melhor. É minha favorita para abertura de shows da banda desde sempre – mas só de ter tido a chance de vê-la ao-vivo, mesmo que não nesta época mágica, me faz muito feliz. E, quem sabe, no RiR 2013 não tenhamos todos mais uma chance?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Grande post!

    Este parece ter sido um ótimo show. E tenho uma pergunta: alguém tem os shows do Metallica de 89/99? Não encontro por nada…. Fui apenas no de 99 e gostaria de muito de ter esse registro. Aliás, nesse dia fui batizado pelo Deus Metal: No último encore, James – ainda na fase beberrão – jogou cerveja no parte do público onde eu estava! Fiquei com os óculos molhados, mas foi como se Jesus tivesse derramado água benta.

    E Blackened é uma ótima música de abertura. A de Nimes-França é sensacional, a galera começa a pular antes dos acordes. Tomara que no RiR se repita, apesar que acho que deve rolar Hit the Lights…

    E vcs, como maiores conhecedores de shows de heavy: é impressão minha os shows de heay metal hoje são mais engessados, como os do Metalilca e Iron (com essa com todas as mesmas músicas durante toda a turnê)? Dou muito desconto às duas pois são bandas de cinquentões, mas por exemplo, o Pearl Jam, que não é heavy, tem shows com maiores mudanças em músicas, etc.

    Isso não altera nada a qualidade dos shows (se Deus quiser irei ao meu primeiro show do Iron em 2013), pois são ótimos músicos. Mas eu adoro ir a shows do Pearl Jam pq nunca sei qual sera a próxima música. Seria ótimo se no show do Met pudesse ter uma surpresa de músicas pouco ou nunca tocadas , como “King Nothing”, “Until it Sleeps” “Trapped… ” ou qq outra… Do Iron a mesma coisa, o improvável sempre é bom!
    Abç!

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    • Glaysson, valeu pelos elogios e quanto as suas ótimas perguntas, vamos por parte:

      – uma dica para os shows faltantes é o YouTube + ferramentas de conversão para áudio. Não é o melhor dos mundos, mas funciona… 🙂 ;
      – o show de 1999 foi bem legal mesmo. Me recordo que, na época, havia uma grande preocupação de todos por aqui da banda tocar apenas material cover do recém-lançado Garage – você se lembra disso? Depois o negócio acabou não se confirmando, para nossa sorte, creio;
      – Blackened no DVD/blu-ray da França é sensacional mesmo – aliás, naquele lindo e histórico local, ficou ainda mais espetacular. Também creio que não será a abertura no Rio em 2013, e sua aposta é bastante plausível – ou mesmo Creeping Death de novo…
      – sua impressão, pelo menos para mim, está mais do que correta. Os shows de hoje são mesmo bem mais burocráticos, um pouco disso pela tecnologia envolvida (a quantidade de mudanças tecnológicas é enorme e o backstage pode não funcionar se a banda começasse a tocar músicas “do nada”. Um pouco disso também é um certo “conforto” que isso passa a todos da equipe – mas não deveria ser a única desculpa… afinal, tecnologia tem que ser alto a favor, e não contra, certo? De qualquer forma, o Iron Maiden é o que chamo de “relógio”, então, se o que formos ver em 2013 for mesmo o Maiden England, eu posso te adiantar o show inteiro se você quiser (coisa que farei por aqui em breve, pois vi 3 shows nos EUA este ano). Já o MetallicA tem a variação por “blocos”, algo que já postei em detalhes por aqui (https://minutohm.com/2010/02/04/cobertura-mhm-world-magnetic-tour-setlists-porto-alegre-e-sao-paulo-analises/), e são coisas que a banda faz no dia do show com a equipe, pelo que é possível ver nos especiais dos atuais DVDs/blu-rays.
      – sim, ver o MetallicA e o Iron Maiden em um intervalo de apenas 3 dias será algo sensacional e já lhe adianto: o show do Maiden é algo histórico, espetacular, você vai gostar bastante. Será seu primeiro e fará você pensar que perdeu tempo ao não ver os passados, mesmo que não seja uma banda de tanta apreciação sua como MetallicA, AiC e PJ. E que o MetallicA traga mesmo esta variação, afinal, tocaram aqui em 2011…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Eu tenho certeza que o show do Iron vai ser ótimo. E vou me redimir de nunca ter ido ao show da Donzela. O único ponto triste por enquanto é a ausência de Powerslave no setlist desta tour. Essa não pode faltar! Mas espero ansioso o próximo setembro.

        – Este show de 1989 deve ter sido demais, e me lembrei de algo que tinha visto há um tempo e achei e mostro no vídeo abaixo. Na abertura, a vibração é tanta que o Jason quase cai na galera. E por volta de 2:45 a correia da guitarra do James arrebenta e fica um tempo sem guitarra e perde-se um pouco da letra. Lembra um pouco a última Fade to Black em solo brasileiro….

        – Em 1999 foi muito bom, apesar que os 2 últimos aqui foram melhores. Gostei de abrirem com Breadfan e emendarem com Master.

        Aí vai:

        Abçs!

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        • Olha, cara, Powerslave seria mesmo uma música fixa em um setlist Iron Maiden para mim, mas ela não faz parte do original “Maiden England”, tema que será trazido pelo Rock in Rio 2013. Claro que seria INFINITAMENTE melhor ter ela do que Afraid To Shoot Strangers ou Fear Of The Dark, músicas que ma existiam à epoca, ou Hallowed Be Thy Name não ter sido tirada, mas é como a banda anda fazendo agora – e não creio que teremos qualquer mudança neste sentido.

          – show de 1989: sensacional o vídeo que você trouxe de Blackened, apesar das trapalhadas da dupla Hetfield e alguns errinhos aqui e ali do Lars, mas a energia disso até me emociona, fica tudo irrelevante… nossa, fiquei aqui batendo cabeça sozinho curtindo… demais, demais…só a entrada da banda no palco já vale o vídeo…

          – 1999: também gostei da abertura e Master caiu bem na emenda, concordo 100% contigo. Foi um show excelente, ainda que a banda já desse sinais dos problemas que viriam a se concretizar nos anos seguintes.

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

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  1. Discografia MetallicA – parte 3: [Pré-MetallicA] James Hetfield « Minuto HM

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