Discografia-homenagem DIO – parte 15 – álbum: Killing The Dragon

ÁLBUM: KILLING THE DRAGON

Killing+the+Dragon+Cover

  • Gravação em 2002 – Total Access, Califórnia, EUA.
  • Produtor: Ronnie James Dio.
  • O álbum vendeu 48.000 cópias.
  • O álbum atingiu apenas a 18a posição nas paradas independentes da Billboard.

Faixas :

1.  Killing The Dragon – 4:25

2.  Along Comes A Spider – 3:32

3.  Scream – 5:02

4.  Better In The Dark – 3:43

5.  Rock & Roll – 6:11

6.  Push – 4:08

7.  Guilty – 4:25

8.  Throw Away Children – 5:35

9.  Before The Fall – 3:48

10. Cold Feet – 4:11

Faixas- bônus – gravadas com o Deep Purple e Orquestra em 30/10/2000, em Rotterdam, Holanda

11.  Fever Dreams

12.  Rainbow In The Dark

Com o fim dos shows de promoção do álbum Mágica, ainda no primeiro semestre de 2001, a banda se prepara para compor para um novo trabalho e Dio junta-se a Jimmy Bain e Craig Goldy para buscar um direcionamento mais tradicional, nos moldes dos primeiros trabalhos da banda, no início da década de 80. A turnê de Mágica havia recebido boa repercussão de público, mas o álbum fracassou em vendas, assim o grupo abandona temporariamente a ideia da continuação do álbum e da forma conceitual de trabalho. Ao buscar o formato dos anos 80 de sua banda, Dio acaba seguindo em direção ao que pouca gente fazia na época, um retorno ao que se fazia no estilo quase 20 anos antes.

A fase de composição sofre no entanto com um desfocado Craig Goldy, às voltas com um recente casamento e nascimento de seu primeiro filho. Assim, as ideias surgem basicamente de um esforço durante cerca de 4 meses entre Ronnie e Bain, que trabalhavam nas canções todos os dias por 8 a 12 horas em estúdio. Craig acaba contribuindo em três canções mas, segundo Dio, além de demonstrar pouco interesse no trabalho, se apresentava com muito pouca disponibilidade de tempo na ocasião.

Com o início de 2002, fica claro que Craig não seguirá em viagem com a banda para a promoção de Killing The Dragon, e Dio opta por substituir o guitarrista, trazendo Doug Aldrich. O novo guitarrista havia trabalhado nos anos 80 com a banda Lion e durante os anos 90 com o Bad Moon Rising, além gravar faixas em projetos de tributos a artistas como Van Halen, Metallica, Ozzy entre outros. Doug também trabalhava como professor de guitarra e em 1997 lançou uma vídeo-aula, intitulada The Electro Lesson. Em janeiro, já com a nova formação, o grupo continua os trabalhos em estúdio, com a quase totalidade das canções prontas, mas Aldrich ainda ajuda nas composições de duas faixas: Along Comes A Spider e Scream.

A banda em estúdio, sem Scott Warren

Desta vez, os teclados estão restritos a uma mixagem mais básica entre uma ou outra introdução mais contundente e tudo que se refere ao instrumento é gravado por Jimmy Bain. A banda levaria Scott Warren para a tour, mas suas contribuições no novo disco se resumem a um solo em Before The Fall, a penúltima faixa do álbum. Além de contar com o baterista Simon Wright, o novo CD traz a participação de um coral de crianças, o King Harbour Children’s Choir, em uma das faixas que foram compostas com a participação de Craig Goldy, Throw Away Children. O então ex-guitarrista contribuiu também como compositor em Rock & Roll e no novo single, Push. A escolha de Push como single se resume a gravação da faixa em formato de videoclipe, o primeiro desde Wild One, de 1990, e inclui a participação dos atores Jack Black e Kyle Gass, que faziam uma espécie de dupla de hard rock voltado para a comédia desde 1994 nos EUA, chamada Tenacious D. A partir de 1999, o Tenacious D atingiu uma boa popularidade, tendo inclusive um programa próprio de TV e utilizou-se de sua repercussão para apoiar bandas como o próprio Dio. Cabe aqui ressaltar que Jack Black é notoriamente um fã do gênero, tendo protogonizado inclusive o filme School Of Rock em 2003, que teve boa aceitação do público, tocando várias faixas conhecidas de bandas de metal e hard rock. Na verdade, antes de Push, a banda chegou a gravar um vídeo para Evilution em 1993, que não foi veiculado ou lançado oficialmente. O videoclip é lançado em formato MPEG na versão bônus de Killing The Dragon, que ainda traz duas faixas ao-vivo, gravadas com o Deep Purple e Orquestra em 2000 para o álbum Live At The Rotterdam Ahoy, CD duplo da banda inglesa lançado em 2001.

Em maio de 2002, o novo CD é lançado, contendo uma bela capa a cargo de Marc Sasso, mas fracassa totalmente nas paradas, chegando apenas ao 199º lugar nas paradas principais da Billboard (atinge o 18º em paradas específicas). O álbum seria relançado em vinil apenas em 2011, em vendagem limitada, conforme já detalhado aqui no Minuto HM. A banda começa os shows de divulgação do trabalho abrindo para Deep Purple e Scorpions, que se revezam como headliners em shows em solo americanos, todos com ótimas vendagens. Os shows atravessam os Estados Unidos e Canadá desde o fim de maio até o início de agosto de 2002, com cerca de 1 hora de duração apenas, quando o grupo segue para a Europa ainda naquele mês.

Em solo europeu, abrem algumas datas para o Deep Purple, até seguirem como headliners durante boa parte do continente, como países escandinavos, França, Espanha, Alemanha, Itália e Grã-Betanha, onde tem como opening-act o projeto Oliver/Dawson Saxon, onde os ex-integrantes da banda revivem os clássicos do Saxon. Graham Oliver junta-se à banda para tocar Rainbow In The Dark em Portsmouth, assim como Mikkey Dee do Motörhead toca Neon Knights em setembro na Suécia. O repertório traz três faixas do novo álbum, com os shows abrindo com a faixa-título, além de tocarem o single Push e Rock & Roll. O grupo segue então para datas em novembro e dezembro nos EUA e gravam para lançamento em DVD o show do dia 13.12.2002, em Nova York, que é a antepenúltima data de Doug Aldrich na banda. Convidado por David Coverdale, Doug participa em 2003 dos shows do Whitesnake, deixando o posto de guitarrista vago no início daquele ano. Em maio, Dio anuncia o novo membro da banda: o ex-Ratt Warren DeMartini, que curiosamente também havia tocado no Whitesnake durante 1994.

Warren De Martini utilizando um Charvel com pintura alusiva ao Whitesnake, em 94

Warren De Martini utilizando um Charvel com pintura alusiva ao Whitesnake, em 94

Os ensaios com Warren não correm como esperado, e após cerca de três semanas no posto, e vislumbrando uma série de shows em conjunto com Motörhead e Iron Maiden para os Estados Unidos a partir de julho daquele ano, a banda sofre nova alteração na formação, com a volta de Craig Goldy para as seis cordas. Naquele momento, a posição de Goldy é temporária, pois Dio espera contar com Doug Aldrich de volta para a sequência da carreira.

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Doug Aldrich ao vivo em 2002

Em julho, Evil Or Divine, que contempla o show de Roseland, Nova York, é lançado exclusivamente em DVD, contendo o clip Push e galeria de fotos, além de 15 faixas, entre elas as três músicas do novo trabalho. O conteúdo seria lançado em CD posteriormente, em 2005. Com o retorno da formação que gravou e divulgou Mágica, o grupo segue para shows na Europa, notadamente tocando em vários festivais durante o mês de junho e início de julho. A banda é headliner em quase todos os shows, exceto pelo show de 12.07, onde abrem para o Iron Maiden no terceiro dia do festival Metal Mania Festival, na Espanha. O repertório traz entre 17 e 19 canções, com shows de maior duração. No setlist, a banda exclui Push definitivamente, mantendo as outras duas canções, e traz de volta músicas da fase de Goldy na banda, além de Stargazer, do Rainbow.

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Dio, Bain e Goldy ao-vivo

Alguns outros festivais trazem o grupo fechando uma noite, enquanto por exemplo o Twisted Sister se encarrega do outro dia. As datas com o Iron Maiden e Motörhead em solo americano tem ótima lotação e duram dois meses, encerrando em 30.08, na Califórnia, mas a banda toca apenas cerca de 9 ou 10 canções, às vezes tocando apenas Rock & Roll do novo álbum. O retorno de Aldrich acaba não acontecendo, em função das melhores condições financeiras oferecidas por Coverdale e Cia, e o grupo segue para um novo trabalho de estúdio, não sem antes efetuar uma nova mudança na formação, nas 4 cordas. Esse e outros detalhes serão trazidos no próximo capítulo do baixinho de grande voz.

N.R.:

“…It was a conscious decision, just as it was a conscious decision to release the current album, Killing the Dragon. Both of these albums encompass the strengths of Dio. In the case of Magica, from the fantasy perspective. From Killing, from the old Dio perspective. In both projects, we’ve gone back to what Dio has been and what Dio fans expect…”

Trecho da entrevista para a rádio KNAC em 2002.

Conforme as palavras do próprio Dio acima, o que se percebe em Killing The Dragon é a clara intenção de retomar o som clássico do início da carreira de sua banda. Desta vez inclusive sem direcionamentos sob forma de história para desencadear o trabalho, como em Magica, que já trazia uma retomada da antiga sonoridade, ainda que um pouco mais lento que o observado nos primeiros CDs, parecendo-se mais com Dream Evil, até pela escolha do guitarrista. Em Killing The Dragon, Ronnie busca a época de Vivian Campbell, que tanto sucesso fez para o conjunto. O chamariz para o trabalho sob forma de faixa-título remete diretamente a Sacred Heart e o dragão Denzil, mas consideramos que o restante do álbum tem uma proximidade sonora que tem mais relação com The Last In Line, já que Holy Diver tem certamente maior agressividade do que todos os outros trabalhos da banda.

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A contracapa de Killing The Dragon

O álbum, no entanto, se traz boas canções, como a própria faixa-título, merecidamente vencedora da pesquisa aqui no Minuto HM, não decola, pois seu conjunto se situa entre faixas competentes aliadas a momentos de clara falta de inspiração nas composições.

A falta de um guitarrista no processo inicial, pois Craig Goldy se encontrava desfocado em virtude de seu casamento e nascimento do primeiro filho, é no nosso entendimento o grande problema do álbum, pois mesmo com o esforço de Bain, o que se percebe é que as faixas poderiam ter tido uma melhor qualidade se tivesse Dio a companhia de um guitar-hero. Doug Aldrich entrou no fim desse primeiro momento e deve ter contribuído com algumas frases e licks, mas certamente deve ter encontrado as canções em estágio final de composição. Aldrich tem sido peça-chave junto a David Coverdale nas composições dos dois últimos álbuns do Whitesnake, que têm muita qualidade.

Se Doug não pode contribuir muito nas composições de Killing The Dragon, por outro lado o trabalho do músico estritamente como guitarrista é brilhante e nos faz lembrar os melhores momentos do instrumento na banda, com Campbell e Rowan Robertson, o guitarrista-prodígio de Lock Up The Wolves. O álbum traz faixas de andamento rápido, principalmente Better In The Dark, onde o guitarrista se mostra à vontade e que é no nosso entendimento o melhor solo do guitarrista. A canção também é o melhor momento de Jimmy Bain no trabalho, que mantém a consistência de suas perfomances anteriores na banda, com linhas simples, mas de importante patamar para as construções de Doug. Há outros momentos de extrema categoria de Aldrich, que é sem sombra de dúvida um dos melhores guitarristas dessa atual geração; assim ,podemos destacá-lo já em Killing the Dragon, mas também Along Comes A Spider ou em Scream (com um belo uso do pedal Wah-Wah), que chegou à final da pesquisa aqui do Minuto HM.

O solo cadenciado de Throw Away Children lembra seus momentos mais harmoniosos que Doug faria no Whitesnake e nos traz à memória também o timbre de outro excepcional ex-guitarrista da banda de Coverdale: John Sykes. O solo é outro ponto forte de Doug, que no seu único trabalho junto a Ronnie deixa claramente a impressão de que a dupla poderia ter composto e gravado canções de grande potencial no futuro. A canção traz em seu arranjo um coral de crianças que faz referência à sua letra, com temática no abandono das mesmas pelos seus pais. Esse arranjo pode soar piegas para alguns fãs e ao mesmo tempo soar emocionante para outros. No nosso entendimento, ainda que associando à letra, ficou um pouco forçado, mas entendemos que Dio vinha fazendo um trabalho assistencialista com seu projeto Children Of The Night, que certamente o motivou nas linhas escritas para a canção.

Também é interessante notar que ouvimos em Killing The Dragon, talvez pela primeira vez em estúdio, alguma mostra que a voz de Dio (então na faixa dos 60 anos) apresentava seus iniciais sinais de desgaste. Isso é  algo percebido na primeira frase de Killing The Dragon, quem puder preste atenção nos vocais de Ronnie logo no ínicio da canção, mais precisamente nas frases: “Silence, we hunt for the queen. Sign of the cross, and pray in-between”. É importante ressaltar, no entanto, que o vocalista continua brilhando em suas interpretações, e que as variações em seu vocal são sutilmente notadas no álbum. Sutil também é a presença de Simon Wright em todo o trabalho, algo que não tem qualquer referência quando entendemos que Dio buscava retomar a sonoridade de seus primeiros discos. Vinnie Appice sempre deixou sua marca na fase de ouro do grupo, seja com suas intervenções, seja com o som singular de sua bateria. Esse é outro ponto fraco do álbum e a banda sempre sentiu a falta de Appice desde sua saída, independente de considerarmos Scott um baterista competente.

Outra grande diferença entre os primeiros trabalhos e o álbum de 2002 está no uso dos teclados, extremamente discretos e fazendo de uma forma quase geral a introdução da maioria das canções onde é ouvido. Os teclados foram feitos por Jimmy Bain, assim como em Holy Diver, e tem esse approach mais discreto, como no histórico álbum. Podemos considerar que Scott Warren faz na verdade em Killing The Dragon uma participação especial, pois só toca no único solo de teclado do disco, na faixa Before The Fall. O solo, usando timbres de órgão, é o que se salva da faixa, uma das mais fracas do CD.

O álbum tem uma notada queda de consistência em seu final, como na já citada Before The Fall. Outras canções sem qualquer inspiração são Guilty, de refrão repetitivo e interminável e Cold Feet, que destoa inclusive da característica mais “metal” que se encontra nas demais músicas de Killing The Dragon, apresentando um estilo que lembra faixas de pegada mais rock’n’roll da carreira do baixinho e é outro momento de pouca qualidade no álbum. As três faixas mencionadas estão entre as 4 músicas finais do álbum, o que comprova a queda de rendimento do mesmo em seu fim.

Por consequência, as canções de destaque em seu geral se situam no início da bolacha, além da faixa-título encontramos bons momentos em Along Comes A Spider, Better In The Dark e Scream. Consideramos que Rock & Roll tem uma boa construção de pegada mais “doom” em suas estrofes iniciais (cujos riffs trazem ligeira lembrança aos de Kashmir, do Led Zeppelin), incluindo um bom efeito vocal que traz o clima mais soturno para a canção, mas tem um refrão manjado, simples e repetitivo. Algo que nos remete a pelo menos outra canção do baixinho no passado, que tem a mesma característica: Sunset Superman.

O single Push, que nos trouxe a banda Dio de volta e pela última vez ao mundo dos vídeoclipes, é um momento competente e apropriado para o fim de ser o carro-chefe do álbum. Notadamente a canção tem um arranjo mais leve, como o escolhido em outros singles da carreira da banda (Mystery, do The Last In Line ou Rainbow In The Dark, do histórico Holy Diver, para citar alguns exemplos), mas fracassou em levar Killing The Dragon em ter  qualquer repercussão nas paradas da época. Assim, concluímos que o álbum é uma boa pedida para os fãs mais assíduos da banda, por tentar trazer as características dos primeiros clássicos de Dio e Cia., mas embora eficiente, falha em não surpreender-nos com alguma faixa espetacular, como por diversas vezes aconteceu naqueles memoráveis momentos do início da carreira do grupo.

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Novamente Dio se vê às voltas com novas mudanças de guitarrista, e desta vez o que dá a entender é que primeiro ele preferiria seguir com Aldrich, que retornou para o Whitesnake principalmente por uma questão financeira. A ótima escolha de Warren DeMartini era por nós aguardada com ansiedade, visto o talento do guitarrista, mas ao que parece o que tinha grandes possibilidades ficou restrita a decepção dos ensaios não terem produzido o que se esperava dessa formação. A alegação por parte de Ronnie para DeMartini não ter ficado na banda é de que o guitarrista não tinha noção prévia do material da banda e estava demorando a tomar total domínio de cada sequência que precisava ser tocada, demandando inclusive cuidados dos outros integrantes do grupo para que estivesse tudo perfeito.  Dio acabou então buscando a solução mais caseira em trazer de volta Craig Goldy, visto que a tour com o Iron Maiden e Motörhead já tinha todas as datas agendadas e ele certamente precisou correr para deixar tudo pronto. A sequência mostra que a banda Dio vai se firmar com Goldy, mas uma mudança no posto de baixista vai acontecer antes do próximo e penúltimo capítulo dessa discografia.

dio killing 2002

Até lá,

Alexandre Bside e Flávio Remote



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17 replies

  1. Que época dificil para o Dio, hein! Nada é tão ruim que não possa piorar… Shows de 1h de duração… Ainda bem que logo mais a frente as coisas melhorariam um pouco e DIO voltaria a sua posição de headliner.

    Sobre o disco, acho que foi acertada a decisão de fazer um album que não seguisse a temática conceitual de Magica. Embora Killing the Dragon não tenha sido um sucesso de vendas, considero-o superior ao anterior e a milhas de distância de Angry Machines e Strange Highways, ficando no nível de discos mais medianos como Dream Evil e Lock Up The Wolves.

    Agora meu entendimento do disco foi bastante complicado. Pela primeira vez, desde que comecei a acompanhar toda a discografia aqui no blog junto com as pesquisas e os posts, minha predileção por determinadas faixas foi mudando durante a votação. Porem em nenhum momento Killing The Dragon, a música, ficou sequer entre as minhas 4 favoritas! Pior!! Ficou junto com Before the Fall, Cold Feet e Guilty entre as 4 que menos gostei… E nem da pra falar que não me esforcei porque ouvi o disco várias vezes!! Lendo aqui este excelente texto feito por vocês, talvez eu tenha encontrado o motivo da minha estranheza com relação a faixa-título: a falta de um guitar-hero acompanhando Dio durante o processo de criação de um álbum. Para mim, essa falta se refletiu de forma mais marcante nesta faixa. A impressão que fica é que a música fica o tempo inteiro esperando um ápice, que poderia ser um refrão forte ou um solo marcante, mas que não chega nunca. E para o caso do DIO em que normalmente as faixas-título são geralmente os destaques dos seus discos, neste caso chegou a ser frustrante. Mas isto parece ter sido frustrante só para mim porque ela foi a campeão aqui da pesquisa, rs.

    A minha preferida nem na final estava: Better In The Dark. No início da pesquisa ela estava em 3º na minha preferência e acabou no fim em primeiro lugar. Outro que também gostei bastante, embora piegas, foi Throw Away Children, só que lendo o post não ficou muito claro para mim quem gravou o solo, se Goldy ou Aldrich.

    Scream, Push e Rock N Roll tambem são bem legais. No fim das contas, o saldo foi bastante positivo pra mim com relação a este disco. Pena que esta consistência não repetiu no disco que veio a seguir…

    Parabéns por mais um excelente post-resenha, pessoal!

    Abraços,

    Su

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    • Suellen, pra esclarecer, não há uma nota de guitarra de Craig Goldy em todo o álbum. Os solos e bases são todos de Doug Aldrich , que fez um excelente trabalho, em minha opinião. A falta de um guitarrista ( ainda mais do quilate de Doug) na quase totalidade do processo de composição atrapalhou demais o álbum, sempre na minha opinião , pois em vários momentos entendo que ele ficou ” sem sal” ..
      A faixa título não é um primor de composição, mas eu gosto da música. Concordo que ela não tem a força das demais faixas-titulos, é bastante apropriada essa sua colocação. Mas gosto da faixa.
      Eu também tenho preferência no álbum por Better in the Dark, mas na verdade a essa preferência se divide com a faixa 2, Along comes a spider, que teve vida curta nessa pesquisa.
      Scream vale mais pelo solo do que por seu total, e as demais faixas não me agradam tanto , se situam entre medianas ( como Throw away Children) e fracas, como a maioria das faixas finais .
      Assim, eu prefiro os outros álbuns que você citou, o Dream Evil e o Lock up the Wolves . Na verdade, também gosto mais do Mágica que deste, mas por pouca margem.
      Ou seja, a participação de Doug que era esperada com ansiedade no álbum deixou, pelo menos em minha opinião, uma sensação de que faltou alguma coisa, e que o álbum não decolou.
      Mas, sem dúvida, é muito melhor que os álbuns com Tracy G, disso poucos vão discordar.

      Obrigado pelas palavras elogiosas

      Alexandre

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  2. B-Side e Remote, mais um brilhante post de vocês por aqui.

    Uma informação que já salta aos olhos é o número de vendas: 48 mil discos, apenas. É uma marca ínfima comercialmente, pífea, é uma pena – mas justificada quando se pensa no ano, no momento do mundo, com a explosão do compartilhamento de MP3s via internet + iPod.

    Inclusive, falando em tecnologia, esse é justamente o tema do nome do álbum – o “dragon” é a tecnologia – foi a analogia que Dio encontrou com seu lado místico em explorar desta vez a tecnologia como um dragão que ameaça a sociedade do futuro. E sim, como ameaça, cada vez mais… a explicação original, para que não se perca nada na tradução, é: “Dio elaborated that the title track refers to “those who perpetrate injustices and what the world is doing to stop them. In fantasy tales, dragons were notorious for stealing children and feeding them to their babies. During the first part of the song, I sing ‘Someone has taken a child.’ The second part is about a cruel feudal lord. The third part is about ‘electronic serfdom.'” He also expressed belief that the computer has become a god in modern society. “It is a small god with an electrical heart. . . It is time to rebel against it.” – fonte: Ronnie James Dio USA Today (June 17, 2002). Retrieved on April 20, 2008.

    Agora, falando do momento e do disco, mais uma vez a teoria que trago que Dio realmente só se dá bem ao lado de um grande guitarrista fica provada, como o texto também bem explorou – neste caso, pelo menos no começo. É duro ver Dio se sujeitando a fazer shows de 1 hora com um repertório que tem em sua carreira.

    A entrada de Doug Aldrich recupera Dio e faz a banda crescer muito, inclusive ao-vivo, dado ao talento inegável deste guitarrista sempre disputado também do lado do Whitesnake – em ambas bandas, Aldrich sempre deixou suas marcas – ótimas marcas – e continua assim fazendo.

    Apesar do Evil Or Divine nem sempre ser bem aceito pelos fãs, eu curto muito tanto o DVD quanto o CD. Apesar de já dar os primeiros sinais de desgaste de sua voz, Dio não faz feio em nenhum momento e, com Aldrich ao lado, a coisa volta a funcionar bem ao-vivo, e o repertório é muito bom.

    Sobre o álbum, eu estou com os autores, o que me deixa muito orgulhoso… para mim, o que se ouve até a faixa 5 é muito melhor do que a sequência que, olhando faixa a faixa, é dispensável para mim se pensar “no todo”, salvos raros momentos. Minhas duas prediletas são mesmo a faixa-título, apesar de achar que falta um certo “quê” nela em alguns momentos, e a simples mas boa Rock & Roll. Mas Better In The Dark e Scream cresceram muito no meu conceito após ouvir o disco algumas vezes esperando pela resenha.

    Concordo que o trabalho do lado das baquetas é simples e sem inovar ou trazer nada que pudesse ter um destaque, ou ainda melhorar a qualidade das músicas. É um arroz-e-feijão muito bem feito, mas faltou a carne para acompanhar… do lado dos teclados, também há este aspecto de previsibilidade, longe dos melhores momentos dos anos 80.

    Em geral, um bom disco, melhor que talvez seus 3 anteriores, ou seja, melhor que desde que Dio voltou a ter sua banda após o épico e fundamental Dehumanizer, mas também nada que se compare aos anos 80, principalmente Holy Diver ou The Last In Line. Como já bem comentado pela Suellen aqui, algo em torno do Lock Up The Wolves, mesmo.

    Estamos chegando ao fim da discografia-homenagem, salvo alguma surpresa que poderá vir, e infelizmente o próximo capítulo, sem querer me adiantar, fecha a carreira solo do baixinho de maneira, digamos, bem longe do que ele merece. Mas ainda teremos outro depois do próximo para que o nível seja novamente elevado (e como foi). Mas vamos deixar isso para depois.

    Aos mestres Remote e B-Side, mais uma vez todos as honrarias pela ótima resenha.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Eduardo, muito interessante a inclusão do texto , realmente o dragão aqui era uma alusão à tecnologia , que talvez trouxesse em sua maior ameaça para o cantor a questão que envolvesse o visível despencar das vendas de todos os músicos . Assim como Lars, talvez Dio tenha buscado esta forma para protestar, mas de forma mais sutil e ” poética “, digamos .
      Eu também gosto muito do Evil or Divine, que aliás tem o nosso amigo Luciano nas fotos dos extras junto ao baixinho, algo sensacional.
      Agradeço por se considerar orgulhoso de concordar com as análises das faixas, mas gosto é gosto,não se deve criticar alguém que simplesmente não concorde com o exposto, não é ?
      Agradeço novamente pelas palavras e realmente só vamos ver a coisa melhorar a nível de qualidade, já me adiantando, quando Dio encontrar novamente seus parceiros do Sabbath.
      Mas isso é pro último capítulo, antes disso vamos ver com detalhes esse Master of the Moon.

      Alexandre

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  3. Discordo de quem fala aqui do Simon, é um baterista muito bom e deu novo alento a banda, mesmo tendo estilo diferente do Appice de quem também gosto mas já não funciona bem pois parecia meio entediado tanto que preferiu ficar no banco de reservas… O problema do Dio realmente é falta de grana pois se tivesse ficado com Doug teria um disco bem melhor desde Magica, o que se viu foi um guitarrista no Magica dominado por Dio e ai faz a diferença um Iommi e quem tem personalidade como Simon pois da sua direção musical a banda e isso é notado principalmente no último CD Master of que fica no meio do caminho…

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  4. Wellington, obrigado por comentar por aqui.
    Concordo inteiramente com você na questão que envolve o fato de Appice ter ficado entediado durante seus anos na banda Dio. Ele mesmo afirmou que não encontrava mais razão de trabalhar na banda ao ver que as vendas em especial dos shows não atingiam uma capacidade plena e que a banda cada vez tocava em locais melhores. Não adianta mesmo ter um grande baterista na banda, se ele mesmo não deseja ficar nessa função.
    Quanto ao Simon Wright, entendo que o trabalho dele na banda Dio é competente, embora mais sutil, mas um dos pilares desse blog é o respeito pela opinião de todos, assim que bom que você goste do trabalho dele, é ótimo ter opiniões diferentes por aqui.
    Outro ponto em que concordamos plenamente é a questão que envolvia o Doug Aldrich, ao ter saído da banda por uma proposta mais interessante financeiramente junto a banda de Dave Coverdale. Tivesse Aldrich ficado mais tempo na banda Dio e provavelmente teríamos mais ganho em qualidade musical.

    Saudações e continue participando

    Alexandre

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  5. É impressionante o nível do aprofundamento dos textos aqui no minuto. Coisa que não se vê em nenhum site ou blog. E o negócio avança com os comentários. É realmente uma enciclopédia do rock and roll. Algo a se consultar sempre.
    Eu considero o trabalho do Dio entre os meus preferidos. Acompanhei os lançamentos e curti muito o trabalho solo até os quatro primeiros que foram ouvidos exaustivamente.
    No entanto, ao voltar ao mundo do rock e conferir o que havia sido feito senti um algo a menos ao que veio na sequência . Pode ter sido pelas mudanças na formação, inspiração, contexto em geral universo do rock and roll ou simplesmente devido ao simples fato dos dois primeiros álbuns serem (na minha opinião) a essência do rock and roll. Evitar situar o restante da carreira comparando com o início não é algo fácil. Isso também acontece com outras bandas. Bandas e carreiras longínquas tem fases e direções que mudam com o passar do tempo. Alguns gostam outros não. Penso que sempre vamos ter nossas preferências em épocas e formações e fatalmente existirão as comparações.
    Mas com certeza a leitura inebriante dessa discoanálise abre a minha mente e os meus ouvidos para uma nova visita ao trabalho de um dos ícones do rock and roll.
    É isso aí meus amigos. Como sempre um ótimo trabalho.
    🤘🏻Long Live Rock and Roll 🤘🏻

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