Rock In Rio V corre o “risco” de ser o melhor de todas as edições

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Desculpe atrapalhar o silêncio da sua viagem. Aqui no Rio é assim que entram os ambulantes nos ônibus para venderem seus produtos e oferecerem o que de melhor existe no mercado dos salgados, biscoitos, descascadores de frutas, isqueiros infinitos, palavras-cruzadas e outras preciosidades ao preço que só o vendedor possui.

Comemoramos 4 anos de existência do Minuto HM com pompa e circunstância, afinal de contas não é todo dia que um blog com muito garbo e elegância se mantém na internet, desde o início fazendo postagens de qualidade, prestando um serviço de utilidade pública aos amantes de heavy metal. Tudo 0800.

… E neste ano tão especial teremos o retorno do velho Macca ao Brasil, neste final de semana teremos mais uma edição de Lollapalooza, com cobertura deste blog – que tem entre outros convidados Tomahawk e Pearl Jam – e em setembro teremos a quinta edição do Rock In Rio, que durante este mês de março anunciou boa parte do seu line-up, com destaque absoluto para as atrações do Palco Sunset.

O RIR é uma marca cuja a credibilidade está pau a pau com Petrobrás, Baú da Felicidade e o Teste de Fidelidade :). Credenciado evento que já rodou o mundo (como Madrid e Lisboa), a cada edição Medina e companhia se esmeram na organização e na interatividade com os fãs do festival. Desde novembro do ano passado colocou as manguinhas de fora, organizando a venda de ingressos, anunciado nomes importantes (confirmação de Metallica e Iron Maiden, por exemplo) e aumentando a força de um dos maiores eventos de rock (?) do planeta.

Óbvio, o mimimi é livre e depois da criação dos campos de comentários não são poucos que querem assistir as bandas de coração que NUNCA participaram de alguma edição. Quem é que não tem sua lista particular do RIR perfeito, aquele em que Rihanna arderia nas mais abissais mármores do inferno ao som de “Hells Bells”? Pois é, mas como os mais velhos (ops, eu) sabem, ter gente que não tem nada a ver com o riscado da roupa de couro e do amplificador no talo, é uma tradição desde a criação da “festa”, lá pelos idos de 1985. Ou ninguém se lembra que Alceu Valença, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Eduardo Dusek, Baby Consuelo e Pepeu Gomes pisaram no palco sagrado e destilaram seus clássicos como “Menino do Rio”, “Pombo Correio” e “Barrados no Baile”?

Passados 28 anos e quatro edições a organização acerta no cast. Querendo ou não (mais querendo do que não) não é todo dia que vemos em terra brasilis – especificamente na Cidade Maravilhosa – artistas do calibre de George Benson (que esteve na primeira edição), David Guetta, Living Colour, Marky Ramone, Muse, Justin Timberlake (ui), Ivan Lins, Metallica, Rob Zombie, Alice In Chains, Ghost B.C, Bon Jovi, Sebastian Bach, Bruce Springsteen, John Mayer, Iron Maiden, Slayer e outros.

Os nomes do parágrafo anterior, cada um no seu nicho, ou já escreveu ou com tintas muito fortes, vem assinando seu nome na história musical. Podemos questionar, sob o nosso ponto de vista, o que um ex-N´Sync está fazendo ali, mas se levantarmos as antenas, veremos que hoje ele é um dos mais bem sucedidos artistas do show business e não é isso que interessa à família Medina? Fazer um best of do que tá rolando ao redor do mundo? Neste aspecto, com toda modéstia, acredito que é um dos mais belos line-ups feitos por estas bandas com estas bandas.

Improdutivo o papo de que trazer Lacuna Coil, Cradle of Filth, Dimmu Borgir, Megadeth, Black Sabbath, Deicide, Disturbed, Grave Digger (para citar alguns) faria de qualquer festival o melhor dos cenários. Um baita papel de parede para qualquer evento musical é gente de tudo que é tipo, uma democracia musical saudável, na qual todo mundo respeita o gosto alheio e aplaude seu ídolo na maior paz.

A diversidade do time, desta vez, trouxe uma hibridismo muito salutar. Afinal de contas quem estiver na cidade e comprar os ingressos terá chance de assistir artistas de primeira classe a preços que se compararmos com os valores dos tickets no Brasil não estão tão caros assim. Se tudo funcionar como se espera, entra fácil fácil, na lista dos melhores eventos culturais feitos no país.

Com todo o respeito ao Whitesnake, Queen, Ozzy Osbourne, James Taylor, Nina Hagen, AC/DC, Rod Stewart… mas acho que teremos a melhor das edições do Rock In Rio. Por enquanto é uma expectativa, que tal a gente pagar para ver?

E por falar em ver, que tal dar uma olhada no novo single do Ghost B.C. (que na verdade é a banda Ghost mas que por motivos judiciais teve que alterar o nome) “Year Zero”, que fará parte do novo disco do grupo sueco graciosamente intitulado Infestissumam? Taí.

Eu volto semana que vem com resenha do EP do ano…

Daniel Junior



Categories: AC/DC, Alice in Chains, Ghost, Helloween, Iron Maiden, Living Colour, MetallicA, Pearl Jam, Queen, Scorpions, Sepultura, Slayer, Whitesnake

15 replies

  1. O post é sensacional e bem polêmico, afinal para os velhos que nem nós – o primeiro parece imbatível para sempre – mas quem sabe o V destroí o mito – e pagar (e bem) para ver, ainda duvido, mas quem sabe????

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  2. Daniel, antes de tudo é muito bom ver a qualidade comum aos seus textos do aliterasom também encontrando o ótimo e sempre democrático daqui do MInuto HM para atingir àqueles que procuram por material como esse acima. Independente do questionamento acerca do ” risco”, a matéria é muito agradável de ler , com as associações super divertidas ao Sr Silvio Santos, por exemplo, entre outros…

    Falando do tema desse post, a minha opinião é ainda menos otimista que o meu irmão, pois para considerarmos esse o melhor de todas as edições do festival eu incluiria como rival não só do Rock in RIo 1, mas também o 2.
    Em relação aos mais recentes RIR 3 e 4, entendo que, vendo o line-up que se anuncia, e fazendo uma menção especial à várias atrações que estarão , até injustamente, se apresentando no Palco Sunset, como o Living Colour, banda que eu incluo entre o meu top qualquer coisa entre as apresentações que mais me marcaram ( cito aqui o show do Circo Voador, em 2007), o RIR 5 já sai muito na frente e se a “maionese não desandar” , ganha com folga dessas duas edições anteriores supramencionadas.

    Eu só preciso ser um pouco saudosista em lembrar, principalmente falando do gênero de predileção deste blog, que o dia 23 de janeiro de 1991 trouxe o Megadeth numa transição entre o importante Rust in Peace e o consagrado Countdown to exctinction, O Queensryche no seu melhor momento, pelo menos comercial, na tour do Empire, o Judas trazendo talvez a sua melhor formação, pelo menos para os mais tradicionais, ao juntar os quatro integrantes quase originais ao espetacular baterista Scott Travis e na tour do Painkiller, outro clássico da banda. Pra mim foi o melhor show do festival . Ah, ainda teve o Guns…O Guns and Roses tinha acabado de lançar seus Use your Ilusions, e ainda tinha quase a banda original toda ( exceto o batera, que já era o Matt Sorum). A banda não tinha ainda aqueles 500 integrantes extras no palco, exceto pelo tecladista convidado. Ainda teve o Sepultura que estava num ótimo momento da carreira, embora eu não seja o mais indicado a falar da banda, por falta de conhecimento mesmo e o controverso episódio do Lobão. Ou seja, foi uma data que entrou para a história dos RIRs.

    Juntemos essa data histórica à quase todos os históricos momentos do RIR 1 e chega-se a conclusão que a galera que vem pro RIR V vai ter de suar a camisa para buscar esse ” risco ” do brilhante texto acima.

    Eu, pra ninguém achar que sou do contra, estou mais torcendo é que role!! Minha vaguinha já está reservada !

    Por último, eu vi essa relação de bandas que você sugeriu no fim do texto e preciso aproveitar esse post em dizer que o Lacuna Coil me decepcionou um pouco recentemente ao trazer sua bandas aos pedaços pro Circo Voador. Estive lá, foi um show correto, mas eu não consigo me acostumar a ver um show de Metal ( ou qualquer outro gênero) sem baixista. Pelo jeito fui o único, isso deve ser coisa de velho….

    Voltando à torcida pelo risco e como supostamente disse Julio Cesar há trocentos anos atrás,

    Alea jacta est !!

    Parabéns Daniel, pelo ótimo texto!

    Saudações

    Alexandre.

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    • Fala BSide! Certamente que nenhum texto ultrapassará a verdade de quem testemunhou alguns momentos excelentes na história do festival. Os shows citados por você não são suposições e sim fatos. Quando eu me refiro ao risco de ser o melhor desde a criação do evento é porque eles chamaram, desta vez, os artistas top de cada estilo. É muito difícil que exista um festival com alcunha de rock que promova no mesmo calendário o que há de melhor no r&b, no hard pop, no rock extremo e no jazz classudo do Benson… Mesma as outras edições pecavam por trazer ao palco principal artistas de valores duvidosos como Nina Hagen ou o esquecido Al Jarreau. Para mim, o “senão” é a escolha de alguns artistas para um palco secundário, que, me parece, é secundário pra gente “de fora” mas importante para aqueles que aceitaram o convite.

      Estou muito afim de aparecer por lá para ver, se ao menos no dia que eu escolher, essa expectativa se cumpre.

      Abraço,

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      • Seu raciocínio é pertinente , Daniel. E o palco Sunset pelo jeito vai repetir em algumas atrações o que aconteceu ano passado. Não dá pra entender por exemplo a Keisha no palco principal e a Joss Stone no chamado secundário…
        Tem muita coisa interessante no palco Sunset, é uma pena que vários não estarão nas noites em que lá estarei. O jeito é acompanhar de longe..

        Alexandre

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        • Vi o show da Joss Stone, que estava super a vontade no Sunset – realmente merecia esta no principal, mas não sei se o clima seria o mesmo, o intimismo (se é que se pode falar) de um palco menor foi fator ajudador, acho. Mas por merecimento não há dúvidas, houve aquela famoso quesitonamento , mas que jabá é este? Vide os casos evidentes como o Glória, ou mesmo Maroon V, Detonautas – acho que aqui eu posso criticar, não?

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        • Remote e B-Side, creio que as atrações que as vezes se “confundem” entre palco principal e secundário, ou seja, aquilo que podemos chamar, com todo respeito, de artistas de portes “pequeno e médio, podem valorizar o espaço do secundário. Explico: uma mistura de “não colocar todos os ovos em uma cesta só”, já que há a possibilidade de valorizar o outro palco fazendo uma inversão como esta.

          Esta foi uma conclusão que cheguei analisando os últimos palcos de festivais assim. Você joga um artista para valorizar um palco, atrair o público para ele também, e inverte com outro em um palco que o jogo já está ganho…

          A vantagem de se fazer isso? As vezes, pelo horário, pode seer vantajoso, inclusive pensando em direitos de transmissão de TV.

          Bom, estou tentando aqui justificar algo com base em uma opinião minha, apenas…

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

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      • Daniel, bem legal essa sua visão dos “artistas top” em seus diferentes estilos…

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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    • Eu estou tentando manter o otimismo, mas o que o Ale colocou e apenas da cena HM, fez me lembrar do grande desafio desta quinta edição – proposto pelo Daniel. Continuo, porém na torcida!
      Ah, um senão no excelente comentário – eu sem olhar o wikipedia ou semelhante, arrisco dizer que o Guns tocou várias musicas do Use your ilusion, veio com Izzy Stradlin, mas lançou o album meses depois, já com o Gilby Clarke, é isso?

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      • Flávio, parcialmente certa sua afirmação:

        O álbum tinha o Izzy, o Gilby seguiu na tour. Mas realmente ele foi lançado depois do RIR 2 , em setembro daquele ano.

        Desculpe , mas os neurônios já não são os mesmos e isso já tem tempo, né?

        Alexandre

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  3. Daniel,

    o post é interessantíssimo e tem um inteligente tom apimentado, no melhor dos sentidos – e o título traz, creio que propositalmente, um tonzinho de dúvida, já que as ótimas discussões nos comentários anteriores já mostraram isso. Além disso, é muito bom de ser lido, com as analogias e brincadeiras.

    Falando em brincadeira, eu vou aqui falar sério: em termos de palco alternativo (Sunset), creio que este RiR já se consolida como o melhor mesmo. De forma justa ou não, estratégica por parte de Medina e CIA ou não, é muita gente boa vindo para este palco.

    Já no Palco Mundo, como eu, Eduardo, posso aqui dizer que meus 2 nomes prediletos – Iron Maiden e MetallicA, MetallicA e Iron Maiden – não são escolhas que realizam meus sonhos? Afinal, em um intervalo de HORAS, poderei ver ambas bandas. Que mais eu quero?

    Outro ponto que você aborda muito bem é que, dada a característica do festival, que é a de trazer bandas “fora do riscado de couro”, também creio que o festival esteja bem servido, apesar que talvez nomes como Britney Spears e outros também possam duelar com os deste ano. Talvez se uma Madonna da vida viesse, ia ficar “complicado” para as outras edições.

    Agora, fica difícil, cara, a gente querer comparar com as duas primeiras edições do festival – ainda mais a primeira. E falo isso também pensando como o B-Side: o momento de cada banda. Não é querer ser saudosista, ficar “preso” ao passado”, mas há coisas que realmente não voltam mais. O MOMENTO e os grandes nomes das duas primeiras edições são, para mim, praticamente insuperáveis. Além do que já foi comentando aqui, poxa, e o Queen? O QUEEN, for God’s sake!!! Como superar aquilo? Difícil… mas vamos sim pagar para ver – e minhas 3 vaguinhas (19, 20 e 22) também já estão confirmadas.

    Mas, sem dúvida alguma, esta edição não está ficando para trás e realmente cabe seu questionamento. O tempo nos dirá a resposta – e creio que não é logo após o festival, não. Os ANOS dirão. Eu hoje já vejo o RiR 2011 diferente do que vi logo após seu término, assim como o RiR 2001, meu primeiro presente, com o Iron Maiden tocando novamente no Brasil com Bruce e Adrian de volta.

    O festival também enorme agora, consolidado, mas de maneira inversamente proporcional, o público total está despencando edição a edição. Quer queiramos ou não, isso faz a diferença no final, não faz?

    Novamente: excelente o post, que dá já ajuda a inflamar a expectativa… eu não vejo a hora, e ainda estamos começando o mês de abril!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • A discussão tá ficando boa e tá longe de terminar! Madonna está em evidente decadência na carreira. Por incrível que pareça seu último bom disco (resgatando boas melodias e ótimas tiradas é o Hard Candy de 2008). Mesmo não gostando, acredito que Beyoncé é uma clara representante da cultura pop mais contemporânea. Madonna optou em acreditar ser um diva dance, mas como o debate não é sobre Lady Ciccone…

      O primeiro é histórico em vários sentidos. Coincidiu com a fase que as bandas citadas no “desafio” passavam. No entanto eu acredito que essa geração verá shows sensacionais por conta do carisma gerado entre público e artistas (casos de Iron e MetallicA). Temos ótimas alternativas ultrapesadas (como o Slayer e o Destruction) e menos som “emo”, o que já qualifica o evento pela presença da ausência destes “artistas”.

      Assim que der vou garantir meu ingresso. Acho que será um momento muito especial.

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      • Daniel, sem dúvidas estamos em uma fase no país que devemos nos considerar privilegiados. Quem diria, nos anos 90, que teríamos TANTOS e TANTOS show por aqui? Eu mesmo já vi minhas bandas e artistas preferidos várias vezes, ainda que não em suas melhores fases / momentos ou ainda separados (casos de membros do Sabbath, Guns, etc) sendo poucos possíveis gaps – o maior deles é, como sempre repito, o Van Halen – assim como este é para a grande maioria.

        Também estou preferindo o lineup deste do que das outras edições que fui, sem dúvidas – mas muito pelo fato de ter minhas duas bandas de coração presentes.

        Boas compras, está na hora, não? Dia 4 agora, para quem ainda não conseguiu comprar…

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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  4. IMPOSSÍVEL alguma edição ser melhor do que a primeira. Pelo simples fato que alguns monstros sagrados que participaram do RiR 1 não estarem mais na ativa. E estou falando de lendas do HM, e não de bandinhas com 1 hit.

    Deixei meu depoimento no artigo sobre o RiR 1, com uma informação acredito que inédita.

    Abraços e UP THE IRONS!!!

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