Ozzy põe o mito em risco por conta da vida

ozzy-osbourne

Um tal de Paul McCartney contou em depoimento para o excelente Anthology que compôs “Yesterday” após um sonho. Ele ficou tão bolado com a recém canção que foi perguntar ao pai, sr. McCartneyzão, se aquela canção já não existia. O beatle walking dead fez uma letra bizarra que entre outros versos dizia principalmente: Scrambled Eggs/Oh My Baby How I Love Your Legs, algo como Ovos Mexidos/Ó como eu amo suas pernas. Óbvio que para não ficar mal na fita e perder seu estigma de doçura, o canhoto em uma das suas viagens para Portugal, terminou a canção emblemática com uma letra longe do livro de culinária exótica.

Eu sonho pouco mas em um destes momentos pré-sono, carcumido pelos meus pensamentos, fiquei imaginando porque alguns hábitos que eu tinha há 20 anos ainda figuram nas mais pedidas pela sociedade roqueira, sem perder o cheiro de naftalina. Top 3: a veneração dos clássicos. Grandes discos não receberam substitutos à altura e continuam recebendo homenagens de todas as gerações. Ok. Muito em função de bandas classudas não produzirem discos com tais adjetivos. Nem digo que eles deveriam ficar datados (afinal são clássicos) mas poderiam ser apenas citados como fundamentais e, se as bandas não tivessem tantas mudanças, produziriam discos inesquecíveis que nos deixariam loucos nos podcasts na escolha dos nossos preferidos.

Outra coisa que ainda não saiu da moda assim como calça boca de sino e a velha mania de bater na madeira três vezes para açoitar o azar, é movermos nossos desejos na direção das reuniões de bandas que já acabaram. Ora, BANDAS QUE JÁ ACABARAM JÁ ACABARAM. Rola um faniquito ou uma coceira psicossomática na galera por revivals das mais diversas naturezas. Querem que o Dire Straits, o Oingo Boingo, o Pink Floyd, o Guns N’ Roses (formação bomba nuclear super junkie/drunkie), o Poison, The SmithsAs Frenéticas, As Patotinhas e o Meia-Soquete, façam o Festival da Saudade e realizem o nosso fetiche de vê-los mais uma vez no palco. O assunto sempre vem à tona especialmente quando não há nada de novo a ser dito, nenhum disco ou show pintando, nenhuma polêmica para ser explorada. Tudo bem também. Não dá para ser egoísta e não querer (nem que seja um pouquinho) que uma geração que não viu o Roger Waters de mãos dadas com o Dave Gilmour não caia no choro de alegria ao vê-los dividindo os vocais em “Money”.

… Porém, apelando pro lado mítico e místico do Mundo Olimpiano da Guitarra Distorcida, fico sempre com a impressão que certas questões são sagradas e, se sagradas, imaculadas e , se imaculadas, imexíveis. Não se devem levantar outras bandeiras. Certas horas a saudade deve ser colocada numa gaveta onde a chave deve ser dada para Stevie Wonder, onde estará segura sem que se corra o risco de ser encontrada proporcionando 10 segundos de prazer e 10 mil anos de arrependimento.

No meu íntimo nunca fui a favor do reencontro do Black Sabbath formação titular. Egoísmo meu? Pode ser. Talvez por entender que a sacralidade que une este time está reservada aos oito primeiros discos da banda, todos devidamente amparados nos corações e ouvidos dos amantes de metal como grande acervo de uma época em que a inspiração (ou seja que nome você quiser dar) estava muito a frente de outros interesses como advogados, direitos autorais, divisão de royalties e outras babaquices que acabam com bandas e destroem sonhos. Perto da casa dos setenta, mesmo sem duvidar do talento do quarteto, sabia que como músicos o expertise estava intocável, mas as percepções a respeito de sua música hoje não seriam mais as mesmas. Seria doloroso ler a crítica de um babaca dizer que o “encanto se partiu” ou “som está distante dos primórdios” ou “este não é mais um Sabotage”, constatações óbvias para qualquer um que sabe que as mudanças acompanham os homens como as pulgas acompanham os cães. Nenhum dos quatro precisava por à prova o que já era incontestável: Black Sabbath é a banda mais importante do heavy metal. Tal relevância pode ser medida, por exemplo, na adoração que todo guitarrista de metal tem pelo dom gratuito de Tony Iommi, o homem cujo os riffs são frutos infindáveis dos seus cotocos de dedos.

Passado o frenesi do anúncio já no distante 11/11/11 e diante de algumas mudanças de trajetória, como a confirmação da presença da ausência de Bill Ward, a doença de Iommi e a convocação de Brad Wilk para gerenciar as baquetas, por incrível que pareça, o que pode tornar esta reunião um pesadelo para os fãs (e para própria banda) é como Ozzy administra suas crises fora das quatro linhas.

Nem vou perder meu tempo (e você nem perca o seu) querendo discutir o indiscutível. Este espaço é democrático mas não é burro. Se você quer entender um pouco sobre os problemas e dilemas etílicos de John Michael Osbourne assista “God Bless Ozzy Osbourne” ou leia as dezenas de biografias já publicadas no exterior e em terra brasilis.

Ozzy quando faz opção em se retratar aos seus fãs pelas decisões que tomou põe em xeque a continuidade salutar da maior notícia dos últimos 10 anos; o retorno do Sabbath, mesmo que capenga, era sonho (in)consciente de 10 entre 10 amantes de rock e uma vez iniciado, incluindo tour americana, datas no Brasil (embora não haja confirmação dos locais dos shows) e lançamento do disco em 11 de junho, poderemos ver tudo se desmoronar com requintes de crueldade em um reality bastante conhecido pelo mundo do entretenimento: a via crucis de um rock star.

Permitam-me o eufemismo, já que “rock star” aqui é significado para qualquer celebridade que faz escolhas arriscadas e depois saca o saldo de anos ou décadas de descaso consigo mesmo. Ozzy parece viver um momento pessoal muito ruim, justamente quando sua saúde não tem as baterias novas (ou ironicamente falando, infinitas) de tempos atrás. Se a recaída for pungente, pode melancolicamente partir para uma despedida que incluiria barba, cabelo e bigode e vendas absurdas do que ficaria.

Pergunta que não quer calar: precisava disso? Ozzy tem uma carreira solo estável que lhe rende alguns milhões de dólares desde o Blizard, Iommi é modesto em seus desejos mas não fica atrás quando o assunto é grana e Geezer faz o que quer, quando quer e com quem quer. E olha que eu não estou nem citando o caso da doença do Iommi, que nitidamente o debilitou, colocando em risco qualquer tipo de planejamento.

Eu ‘num’ sei não. Mais do que nunca, meu, resta-nos a torcida. Agora não adianta chorar o leite derramado e além de todas as rezas e patuás, é bom ficar de olho no Prince of Darkness, porque escuridão é o que não falta.



Categories: Artistas, Black Sabbath, Curiosidades, Resenhas

21 replies

  1. Daniel e suas viagens em palavras, hehehehe :-).

    O post traz pontos de reflexão para todos, com certas doses controversas – doses polêmicas que vão afetar cada um de um jeito aqui…

    Um dos pontos que não vai gerar tanta polêmica por aqui é seu comentário sobre não ser a favor do retorno do Black Sabbath original. Sei que os gêmeos nunca foram a favor, ainda mais dadas as consequências diretas e indiretas de se ter Ozzy reunido novamente – sem contar o fator técnico, vocal. Creio que somos todos muito mais fãs de Dio do que de Ozzy, não?

    A veneração aos clássicos é algo normal mesmo para caras como o B-Side. Afinal, atingir um estágio onde algo é considerado clássico não é a toa… o clássico é um grande momento da banda. Para mim, clássicos são insubstituíveis – a única coisa que pode acontecer é algo ser somado. Uma vez clássico, sempre clássico. Afinal, como o Mob Rules perderá este status? Como o Volume IV deixará? Jamais. A questão não é essa para mim, e sim se fechar somente aos clássicos – erro que eu cometo muitas vezes, confesso, mas com vocês neste blog, automaticamente aprendo muito a lidar com esta questão…

    As bandas que já acabaram, já acabaram… quase todas as vezes, essa afirmação é correta. E fora da música, vemos ex-jogadores ou ex-pilotos de F1, por exemplo, voltando e normalmente se dando muito mal – veja o Schummy, que piada foi o retorno dele… no caso do Sabbath com Dio, no retorno da formação com Dio, fizeram o Dehumanizer – uma obra-prima que fica na parede de um quarto da casa do Rolf e que mora nos corações de todos por aqui. O Iron Maiden estava praticamente com a luz apagando com Blaze e o Virtual XI e, com o retorno de Bruce e Adrian, ressurgiu ao seu posto de liderança. O MetallicA e o St. Anger praticamente decretaram um caminho de destruição de tudo, mas aí estão os caras… o Alice In Chains voltou e, pelo que se ouve do material deles, a coisa vai muito bem, obrigado. O Van Halen voltou com um grande disco, correto? O Judas voltou e fez um ótimo disco conceitual também. Então, o “faniquito” as vezes vale a pena, hehehe…

    Lhe pergunto: o que você achou do último retorno de Dio ao Sabbath?

    Coloquei tudo isso acima porque o ponto comum da turma aqui é o Ozzy, sempre foi o Ozzy. Mais recentemente, começou com o problema de naming rights da banda com Iommi… depois, esse lance com Bill Ward, na provável triangulação com Ozzy e Sharon… eu fiz aquele post do “dinheiro é tudo ainda?”, bem linkado no seu texto, justamente questionando o que você bem trouxe aqui: 70 anos de idade, todos com seu dinheirinho, ninguém passando fome ou apuros… precisava tudo isso? Mas o ponto é que existe uma engrenagem de tamanho desproporcional por trás desta turma, principalmente por trás de Ozzy. Nunca será como foi no passado – e isso vale para todas as bandas.

    Leremos, sim, críticas como as que você mencionou – ainda mais se der “pageviews”. Resta a nós o de sempre: filtrarmos e debatermos…

    Quero esperar o disco para poder falar mais. São 16 músicas, pelo que entendi, que sairão de maneiras diversas ao público, não somente no álbum (http://blabbermouth.net/news.aspx?mode=Article&newsitemID=188949). Iommi e Geezer juntos, com certeza, não farão feio. A primeira música já dá esta letra, com a dupla se destacando na música. Mas ao-vivo, quero ver como isso vai ficar…

    E quanto ao tema do post e a declaração de Ozzy: já disse que espero que certas coisas não sejam puro marketing. Essa teoria minha parece absurda, mas eu não desprezaria por completo. De resto, não cabe julgar mesmo: ozzy, seus programas de reality… como você disse, ele não terá a mesma capacidade de recuperação que tinha, apesar de entender que ele é incrivelmente poderoso nisso, até hoje. Nos resta torcer para que ele tenha tido uma recaída pontual, como ele comentou, desde que tudo seja verdade.

    Falei tudo isso acima com amor, que fique claro… eu sou daqueles que ficou com “faniquito” pelo retorno deles, confesso. Para mim, será legal ver a linha histórica de frente reunida, sim. Quero e muito! Mas é claro que há muitas restrições, infelizmente.

    Se eu preferiria que a coisa fosse o Heaven & Hell, com Appice na bateria ainda por cima? Sem dúvidas… mas isso, infelizmente, ficará apenas nos corações – nos clássicos eternos, acima mencionados.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Confesso que estou um pouco decepcionado com o homem e não com o artista, Dudu. Mas deixa isso pra lá… Não quero do alto dos meus 60 e poucos anos ser menos inteligente do que sou hoje, mas sim, melhorar, me parece que Ozzy se entregou, mas enfim, tudo já está dito no texto e você abriu outras janelas para interpretações diversas sobre as questões periféricas que envolvem a banda.

    Com relação ao Dio, não. Eu prefiro ele no Rainbow ou mesmo com a banda. Talvez porque eu tenha sido influenciado diretamente pela fase que eu considero emblemática para o desenvolvimento de um estilo. Dio sempre terá minha reverência, mas por mais paradoxal que seja, Ozzy tem uma importância muito sentimental pra mim. Assim como Stanley e Simmons, coisa de infância mesmo, sem aferir juízo de valor.

    Exceção de retornos mal sucedidos na F1 é o homem de gelo, que está no meu top 3 de várias listas, mas deixa isso também pra depois…

    Quero acreditar amigo, que veremos a banda em outubro, mas isso é mais torcida do que realidade na minha mente, tenho enormes temores e já os compartilhei com você e com a turma. Acho que são os seus também.

    No mais, espero estar servindo (ao menos) de link para as discussões que considero relevante para família do heavy metal. Ajudam a diluir todas as expectativas em torno do disco que vem por aí. Tem o Purple também (não sei como não vazou ainda…)

    See u

    Daniel Junior

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    • Daniel, ficou claro e compartilho dessa decepção contigo do homem do morcego com você.

      Sobre Dio, o que ele fez com Blackmore é indiscutível, ali tem grandes clássicos da história do nosso metal, Stargazer está por ali e só essa carta de apresentação já mostra o quanto é indiscutível – sem contar The Last In Line, Holy Diver (os discos). Não é brincadeira.

      Mas quando Dio se juntou a Iommi, o encontro com o porteiro, o metal mudou. Os 2 primeiros e depois os 2 reecontros uma década depois e depois quase 2 depois desta foram mágicos. Mas entendo o lance sentimental que você comenta e aí não cabe discussão…

      Bem lembrado o retorno do Homem de Gelo da F1. Ótimo exemplo e igualmente compartilho pela sua admiração. Acho ele melhor que a maioria que está ali e nível top da F1 dos últimos anos, além de gostar do estilo dele.

      Também torço muito para outubro chegar logo. A banda me parece em uma corrida contra o tempo atualmente, o que me deixa em um mistura de alegria por as coisas estarem saindo, mas tristeza pelo evidente fim que se aproxima – seja qual for o motivo (e são muitas coisas para darem errado). Espero que chegue logo e que eu esteja errado!

      As discussões são sempre ótimas, elevam o nível da barra do blog, que já é muito alto. E sem dúvidas nos ajudam a diluir as expectativas, perfeito.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Que bom conseguir comentar por aqui, com um pouco mais de calma, esperemos que o celular morra, ou no mínimo fique mudo, já seria um bom alento e me permitiria estender um pouco este momento de relaxamento, fazendo uma das coisas mais legais que me permito: Ouvir boa música, seja neste vinil do Purple ou em qualquer outra forma, e ler um texto desafiador no nível que já nos acostumamos a ter por aqui. Afinal isso aqui oooh, é um pouquinho de HM yaya (Y=english version), aliás é o que o espaço do MHM nos traz constantemente, não é?
    Passado esse pré-comentário, gostaria de dizer nesse novo pré, que o Daniel assinou o post com a singela nota – by danijr742013 on Thursday, April 18th, 2013. É claro que eu no meio do post já percebi que era o Mestre Daniel, podia apostar minhas fichas, meus vinis, peraí, meus vinis não, meus cds… aí sim.
    Então é como ouvir o Led IV, você ouve o começo, não tem nome o disco, não tem o nome da banda (acho que não tinha), mas é o Led, de cara, mostrando quem manda as cartas, e aqui o Daniel manda muito bem.
    Precisa comentar alguma coisa do Ozzy? So mesmo o Daniel, o Eduardo, a galera do MHM para me incentivar a fazer isso….mas salve esse momento de relaxamento, afinal o celular continua mudo (e lá vão as 3 batidas na madeira, Daniel)
    Eu também torcia para ficar nos tais 8 albuns, é engraçado, com o Dio no Sabbath eu nunca torci para ficar nos 3 ou 4 (H&H). Continuo achando que a melhor banda do Dio foi o Sabbath e o melhor Sabbath foi com o Dio. Anyway, acho que teremos algo interessante, principalmente se o Madman não resolver aparecer novamente nas manchetes dos jornais virtuais da internet ou TV com um novo reality, ou com o making of do reality, ou se parar de processar os parceiros, ou se entregar as idéias de sua Madwoman, ou mandar algum da banda para casa, acho que pode vir coisa interessante, afinal temos Mr Iommi e Mr Geezer – dificil sair coisa ruim daí. Só acho que cai no risco de ser uma caricatura do old Sabbath, e aí vai para a mesmice das poucas inéditas que esses três (+ Mr. Bill) fizeram lá nos anos 90: não lembro nem do nome das tais “novas” musicas do Reunion – não fizeram diferença, não é?
    Se não for a tal caricatura, pode ser interessante, podia até ser diferente, podia nem parecer com o Sabbath dos anos 70, poderia até ser diferente da fórmula esgotada dos albums solo de Osbourne. Seria bom, um som novo, acho que estou sonhando demais, acho que isso não cabe para Mr. Osbourne, a não ser que Mr. Porteiro esteja dando as cartas – como o Led gostava de fazer, nos surpreendendo a cada disco – aí eu seria o primeiro a dizer que adorei a volta da banda, Será?
    Abraços Daniel e viva o MHM!

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    • Pois é, Remote… Achei God Is Dead (new song), uma cover do Sabbath, isso pode ser bom ou ruim de acordo com o nível de expectativa em relação ao trabalho.

      Muito feliz por gerar o debate. Por mim tinha podcast toda a semana, com uma duração mais saudável.

      See U

      Daniel Junior

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      • Daniel, todas as vezes que os gêmeos e eu nos reunimos no Skype para “falarmos rapidinho, 3 minutinhos”, a coisa fica do tamanho de um podcast. E isso pode ser qualquer dia, qualquer hora, e não importa se já falamos recentemente n vezes.

        Isso é para te dar um pouco de histórico meu, que são aí uns 9, 10 anos já, certo, gêmeos? O Rolf pode te dar um histórico de 30, é isso mesmo? 🙂

        Acho que duração mais saudável não existe com eles – e ainda bem! 🙂

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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        • Realmente não dá para saber quando se começa a falar, quando vai acabar, principalmente e quase que sempre exclusivamente se fala sobre música, esta história de 6a feira o Podcast ainda tende a alongar o bate papo – talvez até por isso está indo para este dia….
          É mesmo, são nove ou dez anos com o Edu, os tais 30 com o Rolf, uns 2 com o Daniel e a Su, agora tem o JP, ta cada vez mais dificil de ser saudável…

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    • Daniel comparado ao Led IV? Isso que eu chamo de elogio, hehehe.

      Remote, todo seu comentário acima é o que você realmente diz há muito tempo – você e seu irmão – e pelo jeito, tudo vai se confirmando. Sua conclusão é o que todos esperamos: que todos concordem que o retorno tenha sido legal. Todos nós queremos, eu sei, mas cada um com seu nível de receio dada às condições…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. O texto é excelente, com as tiradas do Daniel que sempre me fazem no mínimo esboçar aquele leve sorriso de aprovação, sensacional mesmo
    Concordo com o Flávio, nem precisa assinar, é o LED IV ( que aliás, a despeito do meu apelido , é o meu favorito do Zepp- bem , a minha música favorita dele não é nem Black Dog, ou Rock and ROll ou ainda Stairway to Heaven, ela está no lado B do álbum- agora o apelido voltou a fazer algum sentido..)
    Deixando o Led IV e sua marca registrada de lado, o assunto aqui é o Ozzy e seus abusos de substância ilícitas e mais do que ilíicitas, muito nocivas à saúde do madman. Bem, essa deve ser a milionésima vez que leio isso.. E se o BS hoje não sabe mais se Deus está morto ou não, eu sei que o Ozzy não morreu, mas essa é a única certeza que tenho dele. Por que do resto, tudo pode ser estratégia de marketing , assim eu não acredito em nada disso, e também não deixo de achar que pode ser verdade, ou seja, agora eu vou ser duro, eu não ligo mais pra isso. Sabem por quê? Por que se eu ligar, menos ainda eu vou gostar do cara.
    Assim, espero , Daniel, que você não fique triste comigo, e pelo seu belo texto eu entendi o motivo de sua preocupação: O cara tem uma história na sua vida, é uma coisa emocional, tá aí o seu motivo de trazer todos esses sentimentos no texto. Percebo principalmente uma sensação de indignação, o cara poderia ter aprendido ( se é que tudo o que tem sido falado seja verdade, deixemos claro isso) com os anos , e convenhamos, realmente são muitos… Mas para mim tudo que o Ozzy significa precisa ser resumido unicamente à questão musical. O restante eu tenho que desopilar.Senão eu não ouço mais nada que ele gravou. E isso é ruim,por que ele fez muita coisa boa, e espero que continue fazendo.
    Assim, eu estou preocupado com a saúde sim , mas é do Tony Iommi. Parece que esse tratamento que ele vem fazendo é meio pioneiro, e esse treco de pioneirismo pode significar que o negócio mais tradicional não está resolvendo. E dá pra perceber que ele mesmo fala apenas o mínimo necessário, até pra justificar uma sequência menor de shows,ou até mais espaçados. E com ele eu tenho essa relação emocional que você tem com a banda original.
    Aliás, já que o lance é a questão do original, vamos deixar claro que se tudo correr bem eu estarei no fim do ano vendo Iommi, Butler e Ozzy ao vivo , mas Black Sabbath original é com o Bill Ward, assim o que vem aí não pode ser chamado de Black Sabbath, pelo menos não podemos considerar que o original voltou. A banda, aí sim eu concordo com você, acabou. E a gente imagina bem de quem é a culpa disso….
    Agora falando da junção de Ozzy com seus antigos companheiros da seção de cordas do Black Sabbath, eu acho essa nova música a melhor coisa que eles fizeram juntos pelo menos desde que o primeiro lado do Never Say Die acabou.. Talvez até antes disso. O lado B dele de algo próximo do razoável só tem duas tentativas de soar como o Renaissance, principalmente a Air Dance ( a Over to you pode ser uma viagem da minha cabeça..) . E convenhamos, o Ozzy não é a Annie Haslam .
    E isso significa o que : No meu entender, God is dead? é muito melhor do que as duas inéditas do live Reunion de 1996 ( que aliás é teoricamente onde a última vez se ouve o original do Sabbath todo junto numa gravação , e mesmo assim somente na Psycho Man , pois a Selling my Soul traz a tal bateria eletrônica), mas evidentemente que fica com esse questionamento acerca de ser um auto-plágio, ou um auto cover do que já foi feito.
    Daniel, pelo que sei , isso é só o começo, pro bem ou pro mal . E alguns vão gostar, outros não . Dessa primeira faixa, eu gostei, no sentido que eu essa satisfação vai de encontro principalmente do trabalho de Geezer e Iommi. Ozzy está marcadinho na música toda, até no ” right ” aos 7.22 minutos.
    Agora, se essa é um cover ou auto-plágio, o que dizer de End of Beginning, que foi tocada hoje na Nova Zelândia?

    Passo a palavra pra vocês, por que pra mim agora a ” coisa” pegou definitivamente..
    E eu por enquanto vou engrossando o coro de que com Dio e Appice eles poderiam ter gravado muito mais do que os 4 que ficaram..

    Alexandre Bside

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    • B-Side, caramba, que comentário fantástico! Neste momento agradeço ao Daniel por proporcionar esta discussão que, além de tudo, faz gerar estas observações do mestre Alexandre, sem contar o que o Remote também trouxe de maneira excelente por aqui.

      Especificamente sobre a saúde de Iommi, eu também ando bem preocupado com ele. O silêncio do tratamento é assustador e os sinais físicos e mesmo indiretos, como a gente vem falando – tour espaçada, voltar para casa para fazer tratamento e tudo mais – e esse pioneirismo de tratamento – preocupam mesmo, ainda mais eu, que sou, confesso, muito negativista quanto a esta doença. Claro que existe a vertente da idade, mas é claro também que o fato dele a todo instante ter que retornar para o tratamento dá o tom da situação.

      Assim, o que nos resta é torcer, e muito. E mesmo com as imbecilidades de Ozzy, caso verdadeiras, eu obviamente torço muito por ele também.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Se o mr. Madman estiver usando sua própria vida para fazer publicidade do “13” tem dúvidas sobre a qualidade do mesmo, o que seria antagônico. Não consigo acreditar nisso embora possa ser tangente, real. Me lembro em um dos podcasts “pequenos” da qual participávamos que o Bianchi foi claro ao dizer que essa era uma realidade dura que deveríamos começar a nos adaptar desde a despedida do Dio: nossos ídolos estão envelhecendo. Isso, certamente, doi muito em mim. Quero que meus brinquedos sejam eternos, porque minha infância não é mais. O que diremos quando soubermos que Dickinson, Stanley, Bach, Tyler, Gillan, McCartney, não estão mais entre nós… Soturno, não?

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    • Daniel, é muito ruim pensar nisso, fui eu mesmo que disse, é algo que sei que o Rolf também compartilha… e é por isso que quando Black Sabbath “pousar” por aqui, temos que “voar” para ver o show (ou os shows). Está muito claro que a banda também está acelerando um pouco as coisas, dentro do possível, e ísso é um claro sinal do que está acontecendo. O sinal é duro, triste, mas está aí e precisamos encarar…

      E é justamente por isso que eu aproveito tudo que é possível e muitas vezes impossível para muitos, fazendo loucuras de logística, de grana, porque a verdade é que tem prazo de validade… ou será que um dia faríamos algo maluco para vermos algo por alguma banda não-clássica?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  6. Acabo de concluir a audição do último podcast do MHM e resolvi entrar no blog para registrar este fato: cheguei ao fim de mais de oito horas de duração do podcast. Admito que ouvi-o em partes: baixei o mesmo num pendrive escutei no som do carro enquanto percorria as ruas da capital gaúcha, onde moro. Bem, ao tentar fazer isso me deparo com este provocativo post do Daniel (e perdoem-me a intimidade – ouvir “trocentas” horas de conversas entre vocês fazendo uma das coisas que mais gosto, conversar sobre musica de qualidade, resulta nisso).
    Vou confessar que estas informações sobre a recaída do Ozzy só me geraram um pensamento: Será que ele vai chegar bem aos shows do Brasil (que pretendo assistir todos)? Posso soar um pouco egoísta mas estou sendo sincero. As desventuras pessoais de “rock stars” faz muito deixaram de me preocupar. Estas pessoas vivem vidas tão díspares das nossas que fica difícil avaliar a distância. Pode ser até mesmo que seja um golpe de marketing. Seria típico de Sharon Osbourne,não é mesmo? Quanto a questão do retorno do Black Sabbath, ou se preferirem Iommi+Butler+Osbourne, sempre me coloquei a favor por três motivos:
    1 – Um lançamento deles seria uma esperança de um novo álbum recheado de riffs magníficos e músicas de qualidade, artigo um tanto raro hoje em dia. Obs: God is Dead? me agradou.
    2 – O agito de mídia em torno disso daria alguma maior visibilidade ao metal, o que poderia contribuir numa maior rentabilidade de todas as bandas do gênero e que resultaria em novos lançamentos para o gênero. Em tempos de mp3 e lojas do Paul Torrent nunca se sabe quando secará a fonte de novos lançamentos.
    3 – Me daria a chance de assistir a estes ídolos de infância ao vivo e à cores. Seria isto saudosismo? Pode ser, mas não isso não me incomoda.
    Então, somente torço que todos permaneçam em boa saúde (só posso acreditar que o tratamento do Iommi vai bem, uma vez que ele está enfrentando as durezas de uma turné) e que isso se mantenha, no mínimo até os shows do Brasil.
    sds
    Eduardo Schmitt

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    • Oi Eduardo. Antes de mais nada quero lhe dizer você é o nosso heroi por ser corajoso e ter tempo suficiente para ouvir TODO o nosso podcast que tem no mínimo 6 horas de duração. Em segundo lugar fico feliz que você tenha participado do debate com suas opiniões. Não co-aduno com esta ideia de que isso seja um golpe de marketing. Se olharmos a vida do Ozzy – de maneira simples – seus últimos 40 anos seriam um enorme ‘pulo’ publicitário negativo. É como pegar o Adriano (ex-Corinthians e Flamengo) e colocá-lo como garoto propaganda do Ministério da Saúde. Se existe marketing é completamente negativo. Pela expectativa gerada em torno da volta da (quase) banda, como assim criar mais hype para algo que já nasceu com todo o potencial para ser um campeão de vendas em qualquer lugar? Acho sim, que foi uma tremenda bola fora dar satisfação ao público dos seus problemas de cunho particular.

      Por outro lado este texto não-conciso concorda com você sobre o temor de realmente vê-lo no Brasil. Sabemos o quanto Ozzy tornou-se dependente do Tony (seu assistente pessoal) mas principalmente de Sharon. Se de fato tentar vencer esta luta sozinho irá perder, assim como perdeu algumas dezenas de vezes. Comungo dos mesmos temores.

      Agora fica a torcida de que ele ainda tenha resistência e um fiapo de saúde para dizer não a todos os apelos que seu corpo recebe.

      Fico muito feliz de tê-lo como leitor e ouvinte e espero que você volte sempre por aqui.

      See U.

      Daniel Junior

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    • Eduardo, xará: primeiramente, agradeço pela preocupação em registrar aqui o seu feito… e que feito: ouvir essa looooooooooooooooooooonga maluquice que chamamos carinhosamente de podcast não é tarefa trivial :-). Obrigado por acompanhar a gente.

      Sobre o seu questionamento, eu tenho uma opinião: ele não está bem há muito tempo e, com o desgaste da tour atual e com a possibilidade desta “novidade” do retorno às substâncias, é grande a chance dele chegar mal. De verdade? Para mim, os olhos e ouvidos estarão dedicados a Iommi e Geezer pelo menos 90% do tempo… sobre o golpe que eu trouxe aqui, pois é, apesar de ser algo forte, é interessante notar que ninguém nega com certeza, ou seja, todos nós temos uma certa dúvida, não?

      Ainda do seu comentário

      1) Sem dúvidas a dupla Iommi e Geezer é o grande atrativo e o que mais interessa no retorno.
      2) Também concordo, e acho que o metal nunca teve tanta evidência como está tendo no momento – até grandes portais de notícia, como o G1, agora tem área praticamente dedicada ao nosso gênero predileto. Sem contar que todos os que estão envolvidos com música de alguma forma perceberam a fidelidade do público do metal, mesmo com tantas barreiras que temos. Exemplo recente? Pista VIP para o Iron Maiden em SP já esgotou – e olha que muitos estarão no Rock in Rio…
      3) Mais um ponto que concordo. Apesar de já ter visto eles “separados”, ver a clássica linha de frente do Sabbath será algo histórico. Estamos todos na torcida para que eles se mantenham bem – principalmente o tratamento de Iommi que, infelizmente, é pouco divulgado e faz a gente ficar desconfiado…

      Por fim: se você se interessar, seria muito bem-vindo no nosso podcast. Você deve ter percebido que não há qualquer regra, é bom um papo de amigos. Se você se interessar, basta adicionar a conta “minutohm” no Skype. Nosso próximo papo será dia 17/maio/2013, a partir das 21h00.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  7. Ficaria muito honrado de participar do podcast. Já adicionei a conta do minuto HM no skype. Não tenho certeza em que medida poderei contribuir (espero que não com o som do meu ronco a ser incluído em um futuro teaser) mas me esforçarei. Aguardo a data.

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