Seeds Of Change: Dio cantando no álbum solo de Kerry Livgren (Kansas)

Já que estamos em uma boa fase prog no blog – que tem sido ótima para trocarmos ideias do gênero e preenchermos alguns gaps que temos por aqui – trago abaixo um pouco de uma rápida história que tive conhecimento recentemente envolvendo Ronnie James Dio e Kerry Livgren.

Após a saída do Rainbow e prestes a lançar seu primeiro disco de estúdio com o Black Sabbath, o clássico Heaven And Hell, Dio fez uma participação em duas músicas do primeiro álbum solo de Livgren, que ainda era membro do Kansas, intitulado Seeds Of Change, que foi gravado em 1979 e lançado no ano seguinte. Vale ressaltar que o Kansas já havia lançado o álbum Point Of Know Return (que conta com o hit máximo Dust In The Wind, com versões por tantas e tantas bandas, como dos alemães do Scorpions).

Livgren-SeedsOfChange_cover

Havia toda uma questão religiosa envolvida neste caso. Ainda no início de 1979, Livgren começou a se mostrar interessado pelo The Urantia Book que, entre outros assuntos, aborda o sobrenatural. Tal influência pode ser conferida no disco do Kansas deste ano, Monolith. Durante a tour do Kansas deste álbum, entretanto, Livgren passou a rejeitar a doutrina Urantia e se converteu ao cristianismo. Isso se deu quando com a relação entre ele e Jeff Pollard, da banda de abertura Le Roux, se intensificou, especialmente quando as bandas estavam reunidas nos trajetos de ônibus entre um show e outro. Livgren então se convenceu que é a Bíblia, e não os ensinamentos do Urantia Book, que está o verdadeiro registro de Cristo.

Mas por que este parágrafo acima é relevante nesta relação? Porque Ronnie James Dio era enxergado pelos mais à época como satânico, o que incomodava alguns fãs de Livgren. Dio, entretanto, comentou que sua participação no álbum era “apenas” um favor a Livgren e que não considerava Seeds Of Change um disco cristão. Em 1983, Dio voltaria a se manifestar em uma entrevista dizendo que trabalharia sem problemas com Livgren novamente, se surgisse uma oportunidade.

Seeds Of Change foi inicialmente lançado com 7 músicas e, em 1996, relançado com um bônus de uma entrevista de mais de 21 minutos de Livgren. O saudoso baixinho, em um grande momento de sua voz, participou em duas destas músicas, em um álbum que contou com outros convidados, inclusive 3 membros do Kansas. Ambas contam com Dio em grandíssima fase vocal e o resultado, instrumental inclusive, é excelente:

“Mask Of The Great Deceiver” (faixa # 2): bateria – Barriemore Barlow ; baixo – Paul Goddard; vocal – Ronnie James Dio ; guitarra e sintetizadores – Kerry Livgren.

“To Live For The King” (faixa # 5): bateria – John Thompson ; baixo – Gary Gilbert ; vocal principal – Ronnie James Dio ; background vocals – Joey Jelf, Steve Walsh e Donna Williams ; guitarra – Kerry Livgren.

Haja saudade desta poderosa voz…

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Artistas, Curiosidades, DIO, Discografias, Músicas, Off-topic / Misc

4 replies

  1. Eduardo, eu já conhecia a segunda faixa, To live for the King, mas reconheço meu anterior desconhecimento à Mask Of The Great Deceiver. Achei bastante interessante essa incursão do baixinho de grande voz em uma área que definitivamente fica bastante distante do restante de sua carreira, em especial se considerarmos que a partir dali o grande Dio foi fazer história no Black Sabbath. Na faixa subsequente do post, há uma maior aproximação com o estilo de Dio, em especial talvez no Rainbow.

    O vocal , no fim da década de 70, é pra mim talvez onde o baixinho se encontrava na melhor forma. fase que seguiu pelo menos até o Holy Diver.

    Gostei de tudo que ouvi, e como complemento informo que o baterista Barrie “Barriemore” Barlow, que toca na Mask… também foi conhecido por estar em vários dos álbuns clássicos do Jethro Tull e também no primeiro e excelente álbum de Yngwie Malmsteen, Rising Force.

    Aliás, o sueco e temperamental guitarrista se uniu ao Dio algum tempo depois para uma versão sensacional de Dream On, do Aerosmith, mas isso é papo para outro post…

    Entre as duas faixas, não há dúvidas, prefiro a poderosa balada To live for the King, onde Dio transita com uma maestria ainda maior.

    Excelente post, Eduardo!

    Alexandre Bside

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    • B-Side, obrigado e para mim é uma honra poder trazer algo “inédito” do Dio para um mestre como você. Assim como você, minha preferência entre as duas também ficou para a To Live For The King, mais calcada mesmo no que o Rainbow vinha fazendo – dá até para imaginar Blackmore colocand um “pequenino solinho” de 15 minutinhos nela…

      Sobre o complemento, é daqueles que ratificam que as vezes os comentários são mesmo ou melhores ou elevam o post a outro nível. Excelente observação. A versão de Dream On do Aerosmith com Dio e o temperamental guitarrista sueco é de meu conhecimento e admiração eterna mas, talvez em uma raríssima exceção, se eu tivesse que colocar uma PENA para desempatar qual prefiro entre a original e ela, eu iria para a original. Por uma PENA, repito.

      Será que há mais faixas com Dio “perdidas” por aí, principalmente neste “auge do auge” vocal?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Eduardo, as do projeto do Roger Glover são interessantes, mas lembram mais algo do Elf ou do início da carreira no Rainbow ( primeiro álbum, ainda com o cast do Elf) do que qualquer outro momento do baixinho de grande voz.
    São duas faixas, Love is All -” meio Beatles All you need is love” e Sitting In a dream, que eu gosto bem mais. O vocal é como sempre , excelente:

    Quanto a Dream On, valia uma enquete entre as versões, por mim a coisa fica também muito apertada, eu realmente não sei neste momento qual prefiro…

    Alexandre Bside

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    • B-Side, realmente os vocais, para variar, excelentes, como você disse, algo mais para Elf, lá do início, sem a “agressividade” que veríamos a partir dos anos 80, principalmente.

      Sobre Dream On, vamos deixar para depois esta enquete, até para não atropelarmos as pesquisas atuais do Dio. Mas realmente é algo que pode inclusive variar “pelo dia”. Eu já fiz várias reflexões das duas…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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