Direto do Túnel do Tempo – Capítulo 5 – KISS em 1994 – A origem da frase “I’m afraid”

Amigos do Minuto HM:

Considerando que o blog ultrapassou recentemente os 5 anos de vida, é natural que os integrantes mais próximos acabem por desenvolver as chamadas ” internal jokes” (piadas internas).

As frases e jargões vão aos poucos sendo incorporadas ao cotidiano dos habitantes do blog e passadas entre todos por aqui. Assim, temos o Abílio sempre terminando seus comentários e post com o ‘Keepin’ …”, temos o Rolf com a célebre frase: “Aonde isso aqui vai parar?”, enfim, os jargões e “internal jokes ” aos poucos vão tomando forma.

Quem já ouviu os podcasts volta e meia se depara com um dos integrantes citando a palavra “Cuidado!!” ao trazer alguma afirmativa mais polêmica e que eventualmente iria ferir os sentimentos dos demais participantes.

Nos mesmos podcasts, recentemente tivemos, criada pelo Rolf, a célebre frase “Vamos blindar os clássicos”, quando ousamos criticar alguma música das mais famosas de um determinado repertório. Da mesma forma, recentemente recebemos do Marcus Batera o seguinte adjetivo composto, para ilustrar alguma obra prima em formato musical: “Estrondosamente fantástica”.

Bem, o assunto é grande e não iria acabar mais, mas o objetivo deste texto é trazer a origem da frase ” I’m afraid”, tão usada nos podcasts, comentários e também nos e-mails que trocávamos antes e também depois da existência do blog.

O “I’m afraid” é normalmente usado quando um tem dúvidas se determinado assunto terá a sequência imaginada por outros, normalmente quando um de nós acha difícil cumprir tal tarefa, ou que outro de nós venha a cumprir tal tarefa. Trocando em miúdos (como dizia Chico Buarque), podemos adaptar a frase de origem inglesa para o bom português, significando: “Não sei, não…”.

Eu, que normalmente mais utilizo a frase, trago abaixo alguns exemplos colhidos dos e-mails trocados desde 2007 para facilitar (ou não!??!!) o entendimento da frase :

Exemplo 1: Dúvidas a respeito da qualidade  do próximo álbum do Metallica, ainda em 2007:

——————————————————————————

From: “Alexandre Teixeira Pontes” > > > > >s > > > > >To: eduardo.rolim, > > > > >flavioteixeirapontes, > > > > >Claudio.Machado, arturcirio, > > > > >marcosdmustaine, rneubarth > > > > >CC: rolf.neubarth > > > > >Subject: RE: Minuto HM > > > > >Date: Thu, 08 Mar 2007 00:20:00 +0000 > > > > > > > > > > > > > > >

Cara….Metallica….sei não, tem quinze anos que tá > > > > >dificil….I’m afraid….. > > > > >e o negócio do Gene Simmons segue o lance com o Ozzy , ou seja, > > > > >faturar, faturar, faturar….. > > > > > > > > > >Alexandre

—————————————————–

 Exemplo 2 : Brincadeira com o vocal do Cláudio, de Curitiba, no show do Queensrÿche, em 2008:

—–Original Message—– > > > From: Alexandre Teixeira Pontes > > > Sent: sexta-feira, 27 de junho de 2008 17:21 > > > To: Machado, Claudio Marcos Villanova; Neubarth, Rolf; andre luis oliveira cavaignac; Flavio Pontes; arturcirio; mleoncini; Magalhaes, Wagner; sanctus_mori; luizfernandoaugusto; andradeimperador; Rolim, Eduardo; Abilio Abreu; Marcos Mustaine; archangel…. > > > Subject: RE: DIO e etcs…. > > >

OU seja, o Geoff Tate teve um backing vocal from Curitba…..Será que está afinado?…I’m afraid…..

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Exemplo 3 : Insistência do Eduardo para que publicássemos uma resenha sobre o show do Black Sabbath, em 2013:

RE: mais um item para a resenha

Alexandre Teixeira Pontes

16/10/2013

Para: Eduardo Bianchi Rolim, Flavio Pontes

Resenha , não sei não … I’m afraid….

From: Eduardo Rolim To: flavioteixeirapontes; alexandreteixeirapontes Date: Tue, 15 Oct 2013 14:40:03 -0300 Subject: mais um item para a resenha

https://twitter.com/GZRMusic/status/

———

Exemplo 4 : Dúvidas sérias minhas sobre o término da coleção de vinis do Flávio:

RE: Grande e Imperdível Chance….

Alexandre Teixeira Pontes

08/01/2014

Para: Eduardo Bianchi Rolim

Cc: Flavio Pontes

I’m afraid…

From: dutecnic@ Date: Wed, 8 Jan 2014 20:42:01 -0200 Subject: Re: Grande e Imperdível Chance…. To: alexandreteixeirapontes CC: flavioteixeirapontes

Diz ele que sim… dá pra por uma fé? Ele mandou eu acreditar!

2014/1/8 Alexandre Teixeira Pontes <

O que eu acho é que esses 8 não serão 8……

From: Eduardo Date: Wed, 8 Jan 2014 20:24:24 -0200 Subject: Re: Grande e Imperdível Chance…. To:

To: alexandreteixeirapontes CC: flavioteixeirapontes

B-Side, vc acha que ele está sem paciência? Seria paciência ou tremedeira?

2014/1/8 Flavio Pontes

Vamos às considerações:

4 vêm daqui do Brasil e devem chegar um a um em até 1 semana – 10 dias máximo. O problema não é chegar, é estarem bons.

4 vêm de fora – 3 foram comprados em novembro e 1 em dezembro. Sabe quando chegam? Nem sei se chegam… mas vou até o fim…

Deu para ter uma idéia? Se vocês já estão sem paciência, imagina eu…

Flavio

————————–

Bom, os exemplos são inúmeros, mas aí vem a questão: de onde surgiu este jargão ?

Bem, eu trago aqui, Direto do Túnel do Tempo, o vídeo onde o repórter do SBT , entrevistando Paul Stanley em 1994, pronuncia a frase, temeroso de falar a palavra “bunda”, que Paul não se lembrava em português e pedia ajuda. O vídeo, do programa “Aqui Agora”, da referida emissora, é aquilo que poderíamos todos imaginar: uma bizarrice só, conteúdo próximo ao zero. O repórter cobria os bastidores do Programa Livre, de Sérgio Grossman, onde o Kiss se apresentaria, na época do Monsters of Rock, em São Paulo. Mas vale pela curiosidade. Quem não tiver paciência de ver o vídeo todo, basta ver o primeiro minuto.

Segue aí para os comentários de todos. Fica aqui mais um resgate efetuado, Direto do Túnel do Tempo.

Saudações,

Alexandre Bside



Categories: Backstage, Bandas Independentes, Black Sabbath, Cada show é um show..., Curiosidades, Kiss, Minuto HM

22 replies

  1. B-side, excelente. já usavamos isso em 1994.
    outro jargão sensacional aqui da galera, que eu me lembre, foi quando fomos assistir o Monster of the Rock em 1994 e no ônibus de vinda, falando do Tony Martin, saiu o tradicional “vamos dar um força”.
    no mais esse post aqui foi sensacional. muito bom termos isso aqui registrado agora no post

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    • Rolf, a série ” direto do túnel do tempo”, uma incrível sincronia de idéias entre eu e o Abílio, tem realmente este propósito. Resgatar situações vividas no passado e que fizeram alguma base para o momento presente ou que simplesmente são memórias inesquecíveis.
      Aqui, um exemplo clássico da primeira opção. o I’m afraid é praticamente uma figura obrigatória em todos os podcasts e papos que nem sempre ficam aqui registrados.
      Resgatar e trazer a explicação para um jargão que até a minha esposa usa frequentemente aqui em casa era um dever.
      Dever este cumprido agora.
      Em relação ao “vamos dar uma força”, eu daria o crédito para esta frase ao Luciano, que volta e meia habita o blog por ser tão presente junto aos nossos ídolos ( em especial o saudoso Dio).
      Acho que ele realmente queria dar um crédito para a formação com o seu ídolo Tony Martin, à frente dos demais membros originais da banda no mesmo Monster de 1994.

      Enfim, que bom que você gostou da idéia de trazer isso de volta aqui!

      Alexandre Bside

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  2. Realmente um clássico !
    o Kiss em 1994 estava em excelente forma, e no Monsters em SP , com certeza o melhor show que fui dos caras.
    O Rolf relembra outro jargão e o “vamos dar uma força” vem da mesma época. Aliás pelo que lembro nem o Rolf gostava da fase Martin do Sabbath e junto com o Bill Ward 22 Rpm, uma formação 3/4 oriiginal e inusitada num show bem fraco de abertura para o Kiss. Realmente tinha que dar uma força, não é?
    Já o Reporter do SBT traz um inglês “macarrônico” – o Paul chega a “estranhar” a pergunta tendo que “traduzir” o que era a pergunta sobre tocar perto do público.
    E o I´m afraid ficou marcado, nesta bizarra entrevista…
    E ainda tivemos o caso do “chefe” da escursão do RJ para SP voltando de “olhos roxos” para casa, inesquecível.
    Bons tempos…

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  3. B-side, este post está ótimo, realmente trazendo um pouco deste espírito coletivo que motivou o nascimento, e ainda preserva vivo e cada vez mais forte o Minuto HM.

    Só você mesmo pra tirar esta do baú, ou melhor, do nosso túnel do tempo… Gostei muito de saber, pois mesmo sendo participante dos tempos do email, não tinha idéia da origem do “I’m afraid”.

    Não posso deixar de citar o mais novo, e não menos pertinente, jargão de nosso mestre Rolfdio: “Keep calm e não pára de escrever”… Priceless! Tem coisas que só o Minuto HM é capaz de proporcionar…

    keep gettin’ afraid…

    Abilio Abreu

    Like

  4. Keep gettin’ afraid…sensacional mesmo…

    Abílio, que bom que você gostou do post, que é algo muito diferente do que estou acostumado a escrever, mais para a linha bem humorada e com um tom de besteirol.

    Valeu!

    Alexandre Bside

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  5. O post é legal e eu voltarei por aqui, mas gostaria de adicionar à lista uma “expressão” minha, que é a “não é música para todo dia” quando se trata de algo que tem valor, seja o grau ou tipo que seja, mas não é o que dá para considerar “música de cabeceira”.

    Exemplo: não é todo dis que dá para ouvir as músicas “indianas” dos Beatles, portanto, “não é música de todo dia”. Já “Powerslave” do Iron Maiden é outra conversa…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  6. Eduardo, perfeito. Em um cenário normalmente dominado pelo Rolf, essa frase tem muita aplicação e precisa ser necessariamente creditada a você .
    Lembrei de outra, do Rolf : ” Madura, colhida do pé ” . Quer dizer, por essência , que tem todas as definições do que significa a palavra. Aliás, cairia como uma luva no post publicado hoje .

    Alexandre

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  7. Primeiramente, muito legal a série, trazendo mais um “clássico” que finalmente entendi claramente a origem, e com o perdão do termo, me cag* de rir aqui sozinho…

    Ver um post mais bem humorado do B-Side também é difícil, não por não ser um cara divertido, mas sim pela seriedade que sempre temos nos maravilhosos posts dele aqui. E tal lado também está aprovado…

    Foi legal ainda rever os e-mails, coisa de 7 anos atrás, incrível como o tempo passa…

    E o “I’m afraid” é o grande clássico e ganhou seu merecido registro por aqui – esse sim, “é jargão de todo dia”.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  8. B-Side, lendo o para-lá-de-excepcional post da resenha do show do Marillion no Rio, lembrei de mais uma: “reloginho”, que começou comigo usando a definição para o Iron Maiden e sua rotina previsível de gravação, lançamento, tour, setlist sem alterações ou surpresas, disco ao-vivo e intervalo para retorno às gravações.

    Hoje o “reloginho” já vem sendo adotado quando queremos tratar de algo previsível ou algo preciso pelo blog.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

    • Mr. President,

      Então seria algo interessante se conseguíssemos encaixar nossas discografias do MetallicA e Rush no conceito “reloginho”…

      keep timely…

      Abilio Abreu

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      • Abilio, minhas dúvidas aqui aumentam exponencialmente… a Discografia MetallicA até dói, eu sei…

        Agora, encaixar as nossas é difícil, além da maestria e nível de detalhes da do Rush que você vem nos brindando, seria quase uma overdose mortal termos ao mesmo tempo 2 capítulos ao mesmo tempo por aqui, hahaha…

        De qualquer forma, obrigado sempre pelo incentivo, eu sei que devo… eu sei… e eu avisei que não era para eu começar isso… hahaha… “eu te disse, eu te disse”… opa, isso vai para o outro post!

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

        Like

    • Este post vai então virar uma coleção de jargões ? Poxa, nunca pensei nesta intenção, mas isso é sensacional , não ?
      O reloginho = A rotina, o set list que não muda, o estilo que persiste, a sequencia estrofe+refrão+ etc… que sempre continua.

      Excelente o resgate, Eduardo !

      Alexandre

      Like

  9. Há ainda o “eu te disse, eu te disse”, inserido pelo próprio autor deste post, e que eu deixarei para ele falar mais…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  10. Vamos lá, mas uma vez eu ” traduzindo” os jargões, mas este ” Eu te disse ” tem a origem em um célebre desenho animado que a turma da minha idade certamente vai lembrar.
    O “Eu te disse” é simplesmente utilizado quando existe um conselho de alguém discordando de determinada atitude de outro a ser seguida, e este outro ainda assim resolver persistir.. Elucidado e “traduzido” este novo jargão…

    Ah….O desenho animado ( Carangos e Motocas ), é claro ( direto do túnel do tempo – lá no fundo dele):

    Alexandre

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