Cobertura Minuto HM – Ringo Starr & His All-Starr Band em SP – parte 2 – resenha



O relógio mal marcava 22h00 quando a All-Starr Band ganhou o palco sob aplausos de um HSBC Brasil com, chuto eu, 60 a 70% de sua capacidade preenchida. Todo o ritual de entrada, bem conhecido, era para que Ringo tivesse a esperada atenção dos presentes, para aparecer mostrando sua força como ícone, como um daqueles que um dia esteve com Lennon, McCartney e Harrison.

RingoStarr_SP_26fev2015_06

Crédito da foto: Charles

 

É um momento interessante de ser observado, esse do início do show do Ringo. Temos que considerar que pelo menos 95% dos presentes não estão muito lá interessados na carreira solo dele e, pelo menos metade das 4 gerações que estão ali mal estão interessados em saber um pouco mais da tal All-Starr Band, que conta com músicos de altíssimo calibre. A grande verdade é que estão ali para presenciar algo mais que música – é difícil de explicar em palavras – estão ali pela áurea sem igual dos Beatles. É aquele sabor único, é a história falando na frente de tudo.

Dado esse cenário, esperar relativamente bastante no show para ouvir uma do Fab Four é realmente algo a ser considerado. Nem todos sabem reagir a isso, curtir ótimos sons estilo “Antena 1 / Alpha FM” que passam pelo palco muito bem representados por músicos originais que, ao longo de suas carreiras, puderam estourar, mesmo que no esquema de “one-hit-only” (as vezes mais, é claro).

Ringo e sua banda preferem abrir o show com 2 músicas de facílima assimilação: o clássico do final dos anos 50 de Carl Perkins, Matchbox, chamam It Don’t Come Easy, solo de Ringo e também uma das mais conhecidas da “econômica” carreira solo do batera. Há de se destacar que o som do HSBC Brasil estava ótimo, alto e bem equalizado, e assim ficou até o final do show. O ar condicionado, que as vezes não é ideal na casa, também estava ótimo na oportunidade.

Os olhos de quem nunca viu Ringo vão automaticamente para ele. Mas é preciso confessar: para quem gosta mesmo de música, dá para ter pelo menos um olho no gato, outro no peixe. Afinal, temos a guitarra de Steve Lukather (Toto, Michael Jackson), teclados por Gregg Rolie (Santana, Journey, entre outros), Todd Rundgren (Meat Loaf, Grand Funk Railroad, Badfinger, entre outros), Richard Page (Mr. Mister), o sax do competente Warren Ham e, na bateria em todas as músicas, Gregg Bissonette (David Lee Roth, Joe Satriani, Spinal Tap, Steve Vai)…

Assim, de verdade, com um olho as vezes mais no peixe, é de se apreciar coisas como Rosanna, do Toto, que viria como o primeira mega hit do show, com destaque para Lukather, mas sem tirar o brilho do restante do restante da banda nos vocais e teclados:

O show vai passando com cada um dos músicos se revezando na condição de protagonista, ainda que sempre Steve e os “Greggs” acabem chamando a atenção pela excelência em seus instrumentos. E, claro, Ringo na bateria dá todo o charme, aquela tal “áurea Beatles”, ainda que ele faça apenas o tal “acompanhamento” (com muito luxo) para Bissonette.

Mas a atração é o Ringo, e estão todos lá por ele. Quando chega a hora de se destacar, ele “ataca” logo com um power trio: Boys, música que ainda que não original dos Beatles, foi imortalizada na voz do baterista no primeiro álbum de estúdio dos Beatles. Na sequência, um lado B, Don’t Pass Me By, música que está no White Album dos Beatles e que é preciso sair mesmo do trivial dos Beatles para conhecer. Por fim, ele faz as pessoas colocarem as mãos para o alto para trazer aquela que é a mais conhecida música cantada por ele nos Beatles e que emociona aos presentes: Yellow Submarine.

Abaixo, Don’t Pass Me By, em um vídeo “da casa”:

E agora Yellow Submarine, com Ringo chamando todos a cantarem juntos, antecedido pelo dono da noite mandando dois corinthianos soltando o famoso “Vai Corinthians” calarem a boca – mesmo eu sendo corinthiano, foi mais que merecido. A destacar também a homenagem do público na pista VIP com bexigas amarelas:

E antes de voltar a atacar com outra que fez muito sucesso com os Beatles e que foi muito cantada pelos presentes (Honey Don’t, do mesmo gênio de Matchbox), a banda traria a irrepreensível marca do Santana à prova com Black Magic Woman/ Gypsy Queen. Outro grande momento instrumental da noite… assim como seria um pouco depois com Africa, novamente com o Toto sendo homenageado. Oye Como Va e Love Is The Answer marcam mais momentos clássicos até o público ser presenteado com I Wanna Be Your Man, outro grande sucesso reconhecido pelo vocal (e bateria) de Ringo nos Beatles.

Broken Wings, o grande hit do Mr. Mister, é outro momento ótimo da noite e que faz muitos dos presentes ter reações interessantes, do inesperado, de agradável surpresa. Lembro que foi assim comigo no primeiro show que vi, e notei isso em alguns dos presentes.

O show, que conta com Ringo saindo do palco algumas poucas vezes, novamente se encaminhava para um animado final, e como curiosidade adicional, é um dos raros shows de rock sem que a banda saia do palco para o “bis”. Mas os presentes já sentiam que o show estava indo mesmo para sua conclusão, e a banda prestaria a última homenagem ao Toto com a excelente Hold The Line e a carreira-solo de Ringo traria seu hit maior, Photograph.

Era hora de Act Naturally. Conforme ouvia Ringo cantando a letra da música, fiquei pensando em uma idea que tenho de post exatamente sobre o que a letra fala. Quem sabe não sai por aqui logo mais? Mas é outro hit que Ringo, pelos Beatles, ajudou a consagrar a original do Buck Owens. O público cantou algo e dançou com um sempre animado e energético Starr, mesmo neste final de show.

Para terminar, Ringo traria as duas últimas emoções da noite: a primeira, com With A Little Help From My Friends que, assim como Yellow Submarine, são as grandes identidades vocais de Ringo nos Beatles. Ringo dá o que o povo quer, que é o tal gosto dos Beatles, mais uma vez, para um mundo cada vez mais carente de músicas de tamanha expressão. Para o beatlemaníaco, é impossível ficar indiferente ao fechar os olhos e “ouvir Beatles ao vivo”. Cada música conta, cada momento conta. E que venham outros.

E antes de sair do palco, sem muita cerimônia, sem mal se despedir (não é novidade, mas é curioso sempre), Ringo, assim como Macca também faz, presentearia a Liverpool da noite com Give Peace A Chance, a obra-prima de Lennon e que traz o que o baterista sempre prega: vamos dar uma chance à paz e ao amor. As lágrimas são inevitáveis.

Galeria de Fotos – agradecimentos ao Charles e principalmente ao Marco Souza:

Ringo Starr & his All-Starr Band Setlist HSBC Brasil, São Paulo, Brazil 2015, 13th All Starr Band

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Artistas, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Journey, Músicas, Resenhas, Setlists, The Beatles

5 replies

  1. Sempre é bom um senhor da idade do Richard em atividade, mesmo que amparado por um backstage com uma história bem paralela a sua. Um show mega interessante onde a diversão é o que dá o tom.

    Para todo mundo ouvir. Para todos os gostos.

    E pelo que você escreve, o “velhinho” também se diverte e isso é extremamente gratificante: um artista do calibre dele, que não fica (apenas) contando suas libras como o Tio Patinhas, mas que sai da toca e vai ao encontro do seu público que o reverencia há mais de 50 (!) anos.

    Sobre a banda, o que dizer?

    Eu que curto o som de TODOS os integrantes em suas carreiras oficiais, fico babando, de por exemplo, ouvir “Broken Wings” com seu arranjo muito próximo do original. Um clássico do pop farofa do Mister Mister. Digo próximo porque o Lukather acaba fazendo sua própria versão da canção.

    O show acaba se tornando uma Festa Ploc de luxo, sem qualquer delírio ou conotação negativa. O público – por suas informações – recebeu uma boa infra-estrutura (som, ar, limpeza e espaço), o artista estava confortável e os hits são “jogos ganhos”. O que mais desejar?

    Que ele volte, alegrando seus súditos e colocando no chinelo alguns cinquentões/sessentões que não conseguem mais soltar a voz.

    Abraço,

    Daniel

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    • Fala Daniel, ótimo seu comentário e é bem por aí mesmo. Um show que acaba não tendo um “compromisso” – os presentes vão pela “áurea Beatles”, essa que é a verdade (eu me incluo nessa) e que, dessa forma, tudo que acompanha acaba sendo legal.

      E com a banda que o acompanha, o trabalho fica mesmo facilitado, especialmente ao ver grandes clássicos de outras bandas sendo tão bem representados.

      Ringo e CIA realmente “descobriram o Brasil” e ano sim, ano não, andam batendo o cartão por aqui. E que continuem na labuta por mais e mais anos.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Eduardo, primeiro, um milhão de desculpas eu peço. Logo eu , que pedi pela segunda parte, demorei tanto a comentar.
    Agora, o mais importante: Resenha padrão MHM de qualidade, aliás, já era esperado.
    Vi os vídeos, as ( ótimas ) fotos, o excelente texto.
    Parei em Lukater no vídeo de Broken Wings e fiquei boquiaberto com a perfomance do guitarrista. A música é ótima, mas ficou ainda melhor com o gênio das seis cordas.
    Dali, segui para as músicas dos Beatles e, confesso, algumas eu passei. Ringo é pra mim ( e para o mundo todo) aquele privilegiado que subiu ao palco com os demais três gênios. Não é pouco, mas é isso.
    Salvei with a little help from my friends, a síntese de seu status nos Beatles, de forma bem humorada e totalmente moderada. Afinal, little help ele nunca teve , a música deveria talvez chamar-se with a big help from my friends . Mas valeu assistir o clássico.
    A grande sacada é utlizar-se da sua all star band e desfilar os clássicos pertencentes a tais músicos, já que ele provavelmente não teria um fôlego maior para sustentar no palco se ficasse só com suas canções. A idéia é ótima e funciona muito bem, vide a Broken Wings.
    A banda dispensa comentários e vi um RIngo com muito domínio do palco , inclusive no shut up .

    Termino o comentário dizendo que demorei , mas valeu cada segundo que passei por aqui.

    Que tenhamos mais coberturas como essa!

    Alexandre

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    • B-Side, não precisa se desculpar, afinal, estamos todos correndo atrás do tempo cada vez mais… o importante é estarmos por aqui sempre que possível!

      Muito obrigado pelas palavras e realmente Broken Wings é um dos grandes momentos, ou mesmo “o momento” em termos musicais.

      Concordo com você quando comenta sobre a sacada de Ringo, aliás, uma sacada de décadas atrás quando formou suas primeiras bandas com grandes nomes. Mas falta, sim, Ringo sair da zona de total conforto e inovar um pouco – e nem é uma “inovação”, já que o que gostaríamos era ele arriscando coisas como Octopus’s Garden, por exemplo. Quem sabe em uma próxima?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Um bom artigo que fala da indução de Ringo Starr ao famoso e comercial RaRHoF. Paul McCartney ficará a cargo de introduzir Ringo.

    Melhor que isso, é a análise da garota que vai ao encontro com a minha opinião. De qualquer forma, fica sempre a esperança de ver os 2 beatles no palco juntos, que sempre é algo que temos que valorizar, e muito. Espero poder fazer um post interessante – e sempre histórico – quando isso rolar.

    http://juliapetit.com.br/musica/rock-and-roll-hall-of-fame-anuncia-quem-sobe-no-palco-de-sua-festa-de-2015-cerimonia-de-inducao

    Tks Alê pela dica.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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