Qual o recado que as bandas passam no palco?

Sei lá se isso será uma “viagem” minha, mas a ideia por aqui é pensar no recado (ou recados) que um artista / banda quer passar no palco – ou se não quer, o que acaba passando… eu nem sei se isso vai sair como um verdadeiro post, mas tentarei algo…

Claro que nós, como seres humanos, tendo culturas, experiências e passando por momentos diferentes da vida, sem contar o fator idade, vamos entender cada “mensagem” de forma diferente, e isso tem a ver com um tema tão filosófico que nem daria para entrar aqui, mas de uma maneira geral, normalmente dá sim para se ter uma percepção.

Vamos a alguns exemplos pontuais do que quero dizer:

  • AC/DC: ao pensar em AC/DC (e tendo a oportunidade de ter visto um show dos caras), o recado para mim é mais que claro: ENERGIA – talvez a maior que se possa sentir em um show de rock – abaixo um vídeo da mesma tour que passou pelo Brasil e que deixa claro o tal recado / sentimento:
  • Iron Maiden / MetallicA: aqui eu entendo que são vários os recados aos seus fãs, que aproveitam os shows para extravasarem… mas talvez o grande recado que a banda entrega e o fã espera é aquela sensação de ENTREGA com muito de fidelidade, de dedicação, comprometimento, família, como se fosse mesmo uma religião:
  • Guns N’ Roses: aqui o recado é (era) “perigo”, característica que moldou o explosivo início da banda até seu auge antes do início da metade dos anos 1990:

(Ok, eu escrevendo isso cheguei a conclusão que é uma viagem mesmo, mas vou em frente mais um pouco)…

  • Black Sabbath / Judas Priest: independente da questão Ozzy x Dio ou em menor proporção Halford x Ripper, o recado principal é simples: AUTORIDADE. O público entende que está recebendo ali a aula dos mestres.
  • Mötley Crüe, Van Halen, Kiss: aqui é fácil… DIVERSÃO. Ela (diversão) varia dependendo da música, mas no fim, é tudo festa – as vezes imprópria a menores de 18 anos…
  • Dream Theater / Rush: PRECISÃO MÁXIMA!

E antes de abrir o espaço para comentários de vocês (e imagino que possam vir mais viagens e exemplos):

  • Paul McCartney: shows do Paul McCartney são inexplicáveis. O recado, quer Paul queira ou não, é de CHORO. Tal choro é engraçado, pois vem do avô para o pai, do pai para o filho, e até mesmo do filho. É impossível passar ileso em um show de Macca sem se emocionar de alguma forma. Claro, desde que você não esteja “perdido” em um show, não há nada igual…

Eu fico por aqui, talvez com o “recado de sempre” – temos de aproveitar tantas “mensagens” que essas grandes bandas – ou pelo menos a maioria delas – ainda nos passam ao vivo.

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: AC/DC, Black Sabbath, Cada show é um show..., Deep Purple, Dream Theater, Faith No More, Guns N' Roses, Iron Maiden, Judas Priest, Kiss, Led Zeppelin, Mötley Crüe, Rush, Sepultura, The Beatles, Van Halen

6 replies

  1. Estranho, não achei nada “viagem” estes comentários, talvez por pensar algo similar. Muitas vezes, no entanto, a mensagem passada pela banda depende de interpretação (além do gosto musical de quem presencia a performance).

    Existem também fases. Acho que o melhor exemplo, pra mim, é o Deep Purple. Já estive em seis apresentações, e a primeira de todas, em 19 de março de 1999. Nesta apresentação no saudoso Via Funchal a mensagem foi similar à que você citou sobre o Sabbath e o Judas Priest, acima. A banda, ainda com John Lord, parecia dizer “aprendam como se faz”. Autoridade é a palavra certa, além de um bom tanto de precisão.

    Não pude ir na apresentação com a orquestra, em 2001, mas estive no Pacaembu para o show de 2003 (com abertura do Sepultura). Ali, já com Dan Airey nos teclados durante a tour do Bananas, a banda pareceu mais “solta”, mais espontânea e mais a vontade no palco. Eu diria que a própria banda se divertiu mais ali. E a interação com o público foi bem maior (principalmente em Space Truckin e em Knocking At Your Back Door). Não saberia dizer qual foi o melhor, mas foram dois shows distintos de uma mesma banda, em um intervalo relativamente curto.

    Claro que podem ter sido dois momentos isolados. As exceções acontecem, mas a bandas tendem a ser mais consistentes em suas apresentações. Ainda assim eu diria que o Deep Purple passa hoje algo entre “autoridade” e “diversão”, já que seus set-lists são praticamente 100% clássicos.

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    • Oi Caio, excelente comentário, especialmente considerando o que você fala ali das fases das bandas. Realmente, tem tudo a ver. E a fase as vezes está ligada a fatores que a banda efetivamente direciona seu som, mas muitas vezes o direcionamento tem uma pressão financeira externa e isso, claro, influencia em tudo que permeia desde as primeiras ideias para estúdio até o maior show da tour.

      Eu estive neste show do Deep Purple no Pacaembu também, de 2003. Levei meu pai neste show, estávamos na arquibancada, ali onde ficam os organizadas nos dias de jogos (lado do portão principal). Foi uma baita show mesmo, me lembro que estava com medo daquelas cadeiras todas no gramado durante o Sepultura…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Concordo plenamente com a leitura das mensagens dos artistas feitas por você
    Só acho que o Kiss desde a década de 70 esta numa categoria a parte. Eles entregaram o que há de melhor que um artista pode fazer durante décadas…eles sempre buscaram – e se posicionaram como tal – em dar o melhor show em termos de apelo visual, pirotécnica, performance e hits possível. Pra mim, antes de entrar no automático, eles eram a melhor banda ao vivo considerando que havia explosões, fogo sendo cuspido, gente pendurada em tirolesa, solos individuais de todos os integrantes, hits matadores, fantasia, personagem, maquiagem, músicos que possuíam uma performance inigualável…………então pra mim, a mensagem do Kiss é o clichê you want the best you got the best……eles são uma categoria a parte …………

    Rolf

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    • Rolfístico, como disse o B-Side abaixo, ponto para você neste comentário-aula do Kiss… não há como não concordar com absolutamente tudo que você trouxe nele. A banda sempre primou mesmo por isso, e entregava.

      Sem contar que estava sempre a frente também nos quesitos de tecnologia.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Post muito legal, concordo inteiramente com as escolhas do Eduardo. Em relação ao KISS, no auge, ponto para o Rolf. Em alguns momentos , no entanto, eles atiraram pra fora, vide a fase meio deslocada que Gene Simmons viveu nos anos 80.

    Eu penso em Led Zeppelin , penso em autoridade, como Purple e Sabbath, mas acrescentaria uma palavra : Maestria.

    Eu me lembro do Faith no More, e mesmo sem entender direito a banda, eu sugeriria a palavra : Inusitado.

    Afinal, que outra banda abriria os shows da sua reunião com a faixa Reunited, do duo vocal Peach & Herb ?

    Pra quem não sacou e quiser ter uma idéia do que é isso, seguem original e o ” live ” do Faith no More, na tal tour reunion – detalhe para a entrada ” Willy Wonka na fantástica fábrica de chocolates (versão original) ” de Mike Patton.

    Que tal outros exemplos ?

    Alexandre

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