Cobertura Minuto HM – Iron Maiden e Anthrax em Santiago (Chile) – parte 3: resenha

Ver o Ed Force One 3 dias (pois o vi neste dia e também na sexta, bem como já dentro do avião – comercial – voltando para São Paulo) e ter uma correria danada para fazer dar certo não eram coisas que eu esperava fazer. Aliás, ter a chance de ver um show desta tour fora do país, muito menos. Bom, duas coisas muito boas, outra que foi o “meio” para “os fins”, e acabou tudo dando certo!

Como já contei, só escute o The Raven Age do lado de fora e, do que ouvi, não me chamou a atenção. Vamos ver se será possível assisti-los em alguns dias mais, em São Paulo, já que a agenda com os amigos do blog promete, e bastante, neste dia, com as atividades pré-show.

Mas foi sim possível ver os dois shows principais na íntegra e abaixo fica o registro do rápido show do Anthrax e o primeiro show da perna sulamericana da The Book of Souls World Tour.

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Anthrax

O Anthrax é outra banda que “worship” (entenderam?) a América do Sul. Prova disso é que existe, inclusive no Chile e assim como o Iron Maiden, registro ao-vivo no catálogo oficial da banda. Os chilenos são, sim, um show à parte, especialmente na “cancha” (pista).

Estádio Nacional e meu local aproximado na arquibancada

Estádio Nacional e meu local aproximado na arquibancada

O Anthrax com sua For All Kings Tour subiu ao palco alguns minutos antes da previsão inicial das 19h45, com o sol começando a se por. Com tempo mais que limitado e controlado, optou por um setlist seguro de 8 músicas, trazendo duas faixas do disco de trabalho, uma do Worship Music e o restante que fez a galera bater-cabeça e literalmente incendiar a pista que enchia a cada minuto durante o show.

Há de se comentar dos 3 nomes mais marcantes da banda: Belladonna cantou bem durante o show, ainda que sua vez já não seja a mesma de antes e mesmo em um set curto, dê sinais claros disso mais para o final. Scott Ian estava alucinado como sempre com sua Jackson e é o grande líder da banda e no quesito de agitar com o público – é contagiante ver sua animação anos a fio com o thrash metal. Charlie Benante é Charlie Benante: junto com Lombardo, esse que é uma verdadeira máquina precisa de tocar bateria thrash metal continua preciso e com um vigor impressionante. Já Jonathan Donais, o “novato” da banda, também segurou bem e parece adaptado ao lineup.

A abertura com Caught In A Mosh fez rodas gigantescas se abrirem na pista, bem como o aparecimento dos primeiros sinalizadores, algo que é permitido e que se vê muito em shows sulamericanos. É realmente um choque ver isso ao vivo pela primeira vez em um show, o efeito é legal, mas faz uma fumaça impressionante quando que chega a atrapalhar a visão para o palco. Enfim, é cultural a coisa e eu diria emblemática em shows sulamericanos excluindo Brasil, especialmente em Santiago.

O público estava totalmente “conectado” com a banda, o que sabemos o quão difícil é quando se tem o Iron Maiden fechando uma noite. O respeito era verdadeiramente mútuo.

Got The Time seguiu animando o público que delirou com o clássico cover da banda francesa Trust que possui letras alternativas, Antisocial. Realmente a música (que é dedicada a Bon Scott que havia falecido recentemente quando do seu lançamento) funciona muito bem ao-vivo, com seu forte refrão:

Scott falou bastante com o público e com a relação boa que tem – só uma hora que soltou um “obrigado, Chile” (em Português mesmo) que não sei como “pegou”. Eu dei risada :-).

A banda seguiu apostando na mescla de músicas clássicas e outras que vão se consolidando na discografia da banda, sendo Medusa outro grande momento com Belladonna agitando o público com a clássica do Spreading the Disease. Para finalizar, uma performance como sempre para lá de energética com Indians, clássico absoluto do Anthrax e thrash em geral, com direito a Charlie fazendo rapidamente a intro de Run To The Hills, música que está fora do set atual do headliner mas que já deixou os presentes com a expectativa ainda maior – além de ser uma forma de homenagear e agradecer pela oportunidade da tour conjunta.

A banda deixou o palco rapidamente, antes também da previsão das 19h45. Um show curto mas matador, com gosto de “quero mais”. E provavelmente os chilenos terão isso, pois a banda prometeu retorno para 2017.

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Iron Maiden

Ah, o Iron Maiden…

Antes, a PA brindava os ansiosos presentes: Still Of The Night, Ram It Down, Rapid Fire, Highway Star… ao meu lado, um fã chileno do Maiden que os veria pela primeira vez. O cara tinha lá seus 45, 50 anos e olhava para o palco como se fosse uma miragem. Ao perceber meu sotaque, perguntou da onde eu era e se era minha primeira vez para um show da banda também. Ao responder que não, o papo foi bem bacana até momentos antes do show efetivamente começar, enquanto anoitecia também na cidade. Mas a conclusão é o que justifica eu escrever esse parágrafo: apesar de já ter visto a banda tantas e tantas vezes, cada show é como se fosse o primeiro.

Não sei ao certo quantas pessoas finalmente estavam no estádio. Bruce, no meio do show, falou “SIXTY THOOUUUSAND”. Eu acho que deveria ter um pouco menos, mas foi impressionante ver a pista estando TOMADA. Portanto, eu creio que 50.000 é um número bastante seguro.

Início de show! Com atraso, pequeno, de 11 minutos. A PA traz novamente Doctor, Doctor, que transformou a música do UFO praticamente em música do Iron Maiden. A tour traz um novo vídeo muito legal para abrir o show, e o foco continua sendo o avião. A banda está sabendo realmente explorar sua “marca” atrelada ao avião, uma cortesia obviamente liderada por Bruce. O vídeo destaca ainda o Eddie “maia” do álbum em questão na interação com o avião, lançando-o para o mundo, para a tour. E lá vem o Nicko para delírio dos presentes junto com os “três amigos”, o “chefe” e Bruce.

Apesar de eu ter conseguido não ver o setlist antes, era para mim mais que óbvio que a band usaria as duas primeiras faixas do disco para iniciar o show. O que me surpreendeu mais que positivamente foi ver, ou melhor, ouvir Bruce fazendo o início “Here is the soul of a man… here in this place for the taking… innnngg, ingggg“… ao vivo, ou seja, NO PLAYBACKS AT ALL. E que voz! Já choro aqui mesmo. Aqui a alegria foi dupla ao ouvir sua voz em grande estado após tudo que passou e por ouvir tudo ao vivo, como se deve fazer um artista que sobe no palco. Do local que estava, infelizmente não dava para ver detalhes do palco, ainda que consegui ver de longe a temática maia. O instrumental ao vivo desta música ficou fantástico, Bruce sobrando, uma abertura tão boa que ouso dizer que é a melhor abertura desde o uso das músicas dos anos 1980 da banda.

Vem a esperada emenda com o single do trabalho, Speed Of Light. Bruce saúda o público com um “Good Evening, Chile”. Confesso que não consegui ver na batera do Nicko há o uso do cowbell que se ouve em estúdio. Bruce, entretanto, não decepcionou no esperado grito inicial da música, o que arrancou um sorriso imediato meu. O videoclipe da música acompanha a performance, ainda que da minha posição esse tipo de detalhe não estava em destaque. Aqui a banda mostra seu encaixe e entrosamento total, especialmente com a “divisão de tarefas” na guitarra. Bruce continua com tudo, correndo para lá e para cá.

“Hola Chile”, saúda novamente Bruce, aos gritos de “olê, olê, olê, olê… Maiden, Maiden”… aquela troca de gritos estilo sulamericano, ainda que ache que na Argentina e no Brasil os gritos são mais fervorosos. Bruce anuncia então a tour e que na noite veríamos mais músicas do novo álbum, mas isso é interrompido com um clássico oitentista, Children Of The Damned. Aqui se nota novamente como Bruce está bem, diria que em nível bastante parecido com as tours anteriores. O público dá outro show na pista, e agora a coisa vira um jogo de futebol, é muito legal ver a verdadeira rendição do público aos clássicos.

Para minha surpresa e satisfação, achei que Tears Of A Clown não fosse prioridade para entrar no setlist. Mas com a banda colocando tantas músicas do disco novo (foram 6, no total de 15, ou seja, mais de um terço do set é baseado no novo álbum), essa era uma candidata natural. Foi uma enorme satisfação quando Bruce disse “this is a sad song of a very funny man”, referenciando a Robin Williams, enquanto saudava os diferentes setores do estádio. Eu voei para filmar o novo som e uma das minhas prediletas do TBoS – grande melodia e letra fenomenal.

Achei que a música foi se encaixando durante sua execução, ainda que tenha achado que ao vivo não soou tão bem quanto em estúdio. A convenção que remete aos tempos de Holy Diver, entretanto, ficou muito legal ao vivo e é algo que se pode fazer uma brincadeira tipo “Kiss” também. O destaque aqui fica para Adrian, de longe o grande guitarrista do Iron Maiden hoje, o que é uma mudança para mim, sempre com sua preocupação de fidelidade ao som em estúdio. Já o solo de Murray também é bom, mas cumprindo tabela – ele não parece ter mais a motivação que tinha em tours anteriores. Como eu não filmei olhando para a tela, e sim para o show, peço desculpas pela péssima qualidade e por minha voz de pato Donald que ficou cantando no sereno na noite anterior – vale pelo som.

Era hora do chefe mostrar que ainda é o chefe da banda. Só pode ser por isso, além do esperado “ohhh, ohhh, ohhhh” ao vivo que a banda inseriu The Red And The Black no repertório. Uma música de quase 14 minutos, com relances de bons momentos instrumentais, ainda que a letra seja boa. Olhando o que “sobrou” do TBoS, fica difícil também não ser ela a escolhida, já que The Great Unknown e The Man Of Sorrows são outras músicas que não tem qualidade, embora não empolguem ; Shadows Of The Valley “conflita” com a que fecha a noite ; When The River Runs Deep “conflita” com a outra rápida escolhida, Death Of Glory ; e quanto ao petardo absoluto que fecha o disco, já se era sabido que não seria executado.

Assim, esse foi o momento que aproveitei para analisar a performance individual, curtir o som sem compromisso, olhar a galera e prestar atenção no palco, telão, etc. Afinal, tempo tinha para isso. A música não anda, nem ao vivo. É batida demais na “fórmula”. Quando ela ganha o fôlego, logo perde com o retorno do “oohhhh, ohhhh, ohhh”, mesmo ao vivo. A galera, lógico, adora e quem não conhecia a música, tratou de aprender a “entrar” nesta parte. Aqui senti que o chefe poderia ter escolhido tantas outras que ele também é autor exclusivo, mas é óbvio que ele ainda quer mostrar seu momento atual. Se o show teve um momento menos importante, para mim foi neste. Destaque, entretanto, para as luzes vermelhas que dão um clima para a música e que chegam depois de um momento de escuridão no palco.

Lá vem a mudança de cenário, de roupa do Bruce, chega a bandeira britânica e é a representante do Piece Of Mind e uma das representantes da banda. Uma performance boa da banda, com Murray novamente sendo o ponto questionável em seu solo para lá de “economizado”, versão 2016. Os sinalizadores e os enormes moshes foram aparecendo na pista e nas arquibancadas, dando o clima. Adrian preciso em seu solo, Nicko segurando tudo lá trás, Steve se conectando com o público, Gers encorpando o som com suas participações pontuais na divisão de tarefas que a banda criou desde que ficou com 3 guitarristas. O celular estava por perto, não peguei o começo, e as desculpas pela qualidade se mantém:

Aí veio algo que nunca mais esperava ver o Maiden tocar ao vivo depois das tours que celebraram aquele setlist mágico dos anos 1980. Powerslave, a música. Uma emoção única. A volta… o milagre do retorno. Um dos auges da noite, sem dúvidas. Bruce mostra aqui sua cartada também como influenciador em tudo que acontece na banda. A performance veio com tudo, com o fogo (sem falhas), e Bruce com a esperada máscara. Duas bandeiras chilenas na pista se agitavam, assim como Bruce e Steve se encarregavam dos olhares e aquela conexão única com a gente. O baixo de Steve estava alto, e muito obrigado por isso, pessoal da mesa e quem estiver envolvido com isso. Aqui vou aliviar minhas críticas a meu querido Murray, que foi muito bem e é fundamental para o som deste verdadeiro clássico. O “acompanhamento” – playback –  do “ahhhhhh” no refrão também foi bastante marcante. Muito obrigado, Iron Maiden, por justificar todo e qualquer sacrifício em se assistir um show hoje em dia.

A banda volta ao TBoS para sua última “duplinha” de músicas do set, com a rápida Death Or Glory que, assim como tantas outras como The Wicker Man, Wildest Dreams, etc, mostram ser extremamente funcionais ao vivo. Uma boa música que poderia inclusive abrir o show ou ser a eleita para o retorno do bis, mas que encaixou bem também neste ponto do set. Guitarras impecáveis, diga-se de passagem. Boa escolha da banda tanto no álbum quanto para a tour. O público, entretanto, claramente ainda desconhecia a música, fazendo Bruce se esforçar bastante pedindo para a galera se agitar e gritar.

Por fim das novas, a faixa-título do disco e da tour. Bruce trata de introduzir a música com comentários sobre como era bom estar de volta e que ao longo do tempo se passam coisas… impérios, civilizações que chegam e depois caem, e que a história é algo cíclico. Aí ele faz a “ponte” com uma destas civilizações, dizendo que inclusive é perto da gente, a maia, que, com seus mistérios, passou a interessá-lo bastante. Bruce então faz a analogia com nossos amigos, que nós realmente só descobrimos quem são quando caíamos. Para mim, isso está totalmente relacionado com a recente situação de saúde que Bruce passou e que com certeza deixou minimamente marcas emocionais. Uma salva de palmas ao maior vocalista vivo do heavy metal foi merecidamente dada.

Tudo funcionou muito bem, desde a intro acústica de Janick. Aqui o destaque para mim fica tanto para Bruce, quanto para força do baixo galopante. Bruce cantando o “fino” e se esforçando e conseguindo atingir as notas mais altas, ainda que possa ter variação no tom – isso eu deixo para os especialistas. Isso sem contar sua performance “corporal” e de passar o significado do que estava cantando. Outro bom momento, boa música que vem crescendo comigo cada vez mais. Gers também tem seu destaque na música, pois a música tem momentos que se encaixam para o estilo de tocar dele. A parte instrumental que remete bastante à (totalmente instrumental) “Losfer Words (Big ‘Orra)”, de 1984, também é outro momento que me emocionou muito. Uma música com variações interessantes e que ao vivo funcionou bem.

Ahhh, como não falar dele? Merece seu parágrafo a parte. Eddie com seu machadinho e seus, sei lá, 4 metros de altura, imagino, dá as caras por aqui. Me dói um pouco dizer isso, mas achei esse Eddie “feio” (entendem o contexto, né?). Não é nem de perto um Eddie como os anteriores. Mas é sempre divertido. E para compensar, Bruce, desta vez, arranca o coração dele, coloca-o em um local esfumaçado, que depois pega fogo, o espreme e o atira ao público, em performance teatral que me fez lembrar até da fase final da primeira passagem de Bruce pela banda, naquele vídeo Raising Hell com Simon Drake. Bom, nada a ver, deixa para lá – foi só uma lembrança pelo fato teatral da coisa. O que importa é que o público tem o coração do Eddie, talvez como mais uma metáfora do Maiden, vai saber.

Parou, parou, PARA TUDO. Por favor, leve sua mão direita ao coração. Mão no peito! Momento daquela que NUNCA deveria sair de um setlist do Iron Maiden. É o hino, é minha faixa predileta da banda. É o hino do metal. É o que separa o Iron Maiden de outras bandas. “When you know that your time is close at hand, maybe then you’ll begin to understand, life down here is just a strange illusionnnnnnn”…

Há uma performance legal de Bruce agora: centralizado na parte mais alta do palco, acima do Nicko, Bruce mostra a corda, ameaçando colocar-la no pescoço, afinal, “at 5:00 o’clock, they’ll take meeeee, to the gallows pole…. yeah…”. Destaque para Gers que coloca umas notinhas dando um clima para a intro da música. Sinalizadores e rodas para todos os lados. Lágrimas do meu. Bruce, com a corda em mãos, está se esforçando na música, sinto que ele já está “sentindo” cantá-la. Momento que a linha de cordas da banda se une à frente do palco. E depois, a troca de posições na famosa corrida Gers x Harris. Harris também vai tocar com Nicko, naquele momento para lá de old school da banda. Bruce brinca de tentar “enlaçar” um parte da batera de Nicko. Nada como Hallowed Be Thy Name. Nada. Choro até escrevendo aqui.

O show vai se desenhando para o final. Vem Fear Of The Dark e aqui há de se destacar apenas a importância que a música tem para quem a vê pela primeira vez ao vivo. Mas essa, assim como a próxima, entendo eu que a banda nunca vai tirar dos setlists. O impacto no público a justifica. E eu paro de falar dela por aqui, o resto foi o de sempre.

Final de show, de primeiro ato… scream for me Santiago, scream for me Chile… Iron Maiden, gonna get you, no matter how far. Spots de luzes brancas para a divisão inicial de guitarras. No meio da música, Eddie ressurge, desta vez de forma gigantesca atrás de Nicko. Esse “meio corpo” de Eddie maia sim, esse eu gostei!!! Agradecimentos de Bruce e dos “boys” já com alguns sinais de desgaste em sua voz, mas nada há se destacar mais. Guitarras sendo rodadas, atiradas ao alto… Harris atirando com seu baixo… são os momentos que credenciam o Iron Maiden. 

O bis é praticamente imediato, com a besta aparecendo no fundo do palco e com a voz do falecido ator Barry Clayton identificando outra faixa que se mistura com a história da banda. Uma galera antes tenta cantar um parabéns a Steve Harris, com Bruce sendo irônico, já que o aniversário do chefe, que mudou de casa e chegou aos 60, era no dia seguinte. Bola fora para os chilenos. A faixa de 1982 é executada com o merecido destaque a Adrian.

BBandera Mapuchesruce então diz que estamos em um estádio que a história não é tão boa assim, mas faz então sua argumentação dizendo que é incrível como um grupo pode se unir e não haver qualquer tipo de racismo ou discriminação, e que o Iron Maiden é como um ponto de equilíbrio, para simplificar as palavras. Vamos a Blood Brothers e um rápido acionamento à minha irmã via celular. Jogam no palco uma bandeira que desconhecia totalmente, e que quando Bruce a exibe meio rapidamente e totalmente desconfiado ao público, causa comoção geral. Pesquisa daqui, pesquisa dali, e a encontrei: trata-se da “wenufoye“, a bandeira mapuche, usada como símbolo por comunidades e organizações destes povos de origem aborígene e que é usada tanto no Chile, especialmente ao sul, quanto na Argentina. Bruce mostrou seu lado desconfiado e tratou de não dar muita atenção, pois nunca se sabe se há alguma menção política ou posicionamento rival, ainda mais depois do discurso dado para a música, de união total, sendo um momento no mínimo curioso do show desta única representante da fase mais recente da banda (sem contar o novo disco, claro). A voz do Bruce deu sinais de cansaço aqui, é necessário comentar.

O que viria para fechar? Mais uma surpresa para lá de agradável. Foi muito legal ver a banda movendo faixas como fez neste set, invertendo candidatas a fechamento para o maio e trazendo a inesperada Wasted Years para este papel – faixa esta que, como que Powerslave, jamais imaginei que veria novamente ao vivo. Genuinamente um final inesperado e que garanto que nenhum fã apostaria antes de saber. Nova e última mudança no palco, Adrian fazendo o início de Shadows Of The Valley da música de maneira brilhante, além do backing vocals que tomou certa altura, talvez ficando mais alto que a primeira voz de Bruce. Fim de show, e que show… permitam-me o trocadilho para lá de brega e batido: o Maiden vai marcando os livros de NOSSAS almas…

Com o fim do show, preciso destacar que o estádio tinha várias saídas e que em cerca de 20 minutos, estava bastante vazio. Eu tinha combinado com um taxista que estava longe ao final do show, portanto, fiquei sentado dentro do estádio acompanhando a saída e curtindo o momento, sem pressa, ouvindo Always Look On The Bright Side Of Life de Monty Python, outra que parece que vai ficando a cada fim de show.

Fui educamente “convidado a me retirar” do estádio por um policial mais velhinho, realmente muito simpático, e ainda bati um rápido papo com ele e com uma pessoa da limpeza. O palco foi desmontado em grande parte nestes 30 minutos que ali permaneci, é impressionante a logística.

Ao sair, um clima super tranquilo, BEM DIFERENTE do que se vê em saídas de shows em estádios brasileiros. Vai entender isso aqui – brasileiro é um povo muito “confuso”, para ser educado. Encontrei com o taxista na avenida na esquina do estádio (coisa que estranhei, achei que ele estava maluco ao pedir o encontro ali), entrei no carro e fim de uma noite sensacional.

Iron Maiden_Chile_2016_BookOfSouls

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Fotos do La Cuarta e Las Últimas Notícias, jornais locais, no domingo, dia 13 (valeu, Caio!):

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Eduardo.



Categories: Anthrax, Backstage, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Entrevistas, Iron Maiden, Músicas, Resenhas, Setlists, UFO

17 replies

  1. Dias depois, em Córdoba (Argentina), o coitado do Eddie, depois ter seu coração arrancado, ainda escorregou e caiu :-).

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Eduardo,muito bom ter este post chileno trazendo um pouco da atual tour para os leitores. Sobre o set, que já não é mais uma surpresa, tem , pra mim, boas surpresas da fase clássica, Children of the Damned ( que é uma música de difícil vocal) e Powerslave, em especial, essa por que é a minha favorita ” all time ” da banda. Por outro lado, tecendo comentários estritamente pessoais, três faixas , se pudesse, eu trocaria :A inevitável Fear of the Dark, a nova flamenguista ( logo eu, rubro-negro de coração..) e blood brothers ( qualquer outra do Brave New World me bastava).
    Sei da dificuldade de filmar os vídeos, ainda mais considerando que é o primeiro show do Maiden que você viu dessa tour ( imagino a emoção), mas algo bem legal é a qualidade do áudio, já nos primeiros se percebe a fase excelente do vocal do Belladona, no Anthrax.
    Algo também a destacar nos vídeos é o panorama do estádio e como ele lotou na atração principal.
    Eu ainda estou terminando de ver os demais que estão no post, mas é sempre um privilégio ver uma resenha de quem realmente entende do que está escrevendo. Coisa rara, hoje em dia…
    Ah…e eu sempre destaco : um belo punhado de guitarras, até o Gers resolveu empunhar uma Les Paul linda nessa tour, isso realmente é bem inusitado…

    Alexandre

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    • B-Side, obrigado por enriquecer o post por aqui, detalhe para o comentário da Les Paul do Gers, que realmente até no visual causa uma “boa” estranheza. Será um patrocínio?

      Das duas músicas, eu certamente entendo o motivo de Fear Of The Dark estar presente, especialmente quando vejo um “novato” vendo. Mas que o desejo pessoal é outro, isso é certo. Já a nova flamenguista podia passar longe do set, mas se a banda quer valorizar o material novo, a música tem o tal “ohhh, ohhh, ohhh” e ainda é uma questão de “marcação de território” do chefe Steve, é outra que fica “justificada”, ainda que para lá de dispensável do gosto pessoal. Já Blood Brothers é o caso que encaixou ao vivo em termos melódicos, abre a oportunidade do discurso de união do Bruce e tem bonitas melodias. É a exceção, se olharmos ao set, de tudo da “nova fase”, já não tão nova assim. Assim como você, também gostaria, entretanto, de ver outra faixa, já que esta já está devidamente registrada em materiais ao vivo da banda – mas não me incomoda, pelo contrário, ter-la presente.

      O Anthrax é uma escolha interessante para o suporte, creio que funciona para os 2 lados tal relação, e fica entre as bandas que tem poucas restrições em termos gerais para exercer a difícil tarefa de tocar antes do Iron Maiden. Combinar, de verdade, não combina tanto, temos que ser realistas. Mas eu gostei de ter a oportunidade de ver a banda de novo.

      Sobre os vídeos, é muita generosidade sua, esses talvez sejam os piores que já fiz, tanto pela posição que estava, tanto pelo meu total descaso com eles. Só os publiquei realmente como lembrança e um registro até pessoal, estão de qualidade para lá de péssima e ainda tem minha voz, minhas cantorias de brincadeira, enfim, é o registro de um momento. Não dá para justificar mais que isso.

      Falta pouco para o show em São Paulo – antes a banda segue para a tumultuada capital do país (que momento para Bruce dar seu discurso de Blood Brothers por lá!) e para Fortaleza. Depois, estaremos reunidos para o fechamento da leg brasileira!

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      Eduardo.

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  3. A riqueza de detalhes, os aspectos culturais, a verificação da bandeira Mapuche, a comparação com a cultura brasileira, o conhecimento do set list
    Ce é loko, cachoeira

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    • Rolfístico, obrigado pelas exageradas palavras, nada que todos vocês por aqui não fariam também, tenho certeza.

      Temos o Maidem viajando para cima e para baixo em nosso país, logo veremos a banda juntos, mais uma vez, e que ainda tenhamos muitas mais pela frente!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. Olha, não sei se é porque já vi várias vezes o Iron, mas esse set list tá fraquinho heim?
    Essa If Eternity should fail não é para abrir show e Blood não era para estar no bis. No bis tem que ter os clássico, não pode inventar muito.
    Speed of light é legal pro começo, para agiar a galera.
    The Red and the Black no começo lembra a Perfect Strangers.
    Hoje, vou no show aqui em SP, mas não estou nem um pouco empolgado. A gente paga caro para ouvir somente 15 músicas de um banda que tem pelo menos 35 anos?
    Não acontece só com o Iron, o Sabbath com essa turnê The Final End tour também está tocando apenas 15 músicas.
    Eles teriam que tocar pelo menos de 25 a 30 músicas. Aliás, eu não sei se alguém poderia me explicar: para tocar mais de 2 horas, teria que pagar um cachê maior?
    Esse shows que duram em torno de 1 hora e 40 minutos, dependendo do set list é o maior me engana que eu gosto.

    Abraços Up the Irons

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    • Olá Julio, primeiramente, seja bem-vindo ao Minuto HM e obrigado pelo comentário e por compartilhar a sua opinião.

      Democraticamente, gostaria de discordar dela. Também já vi o Maiden algumas boas vezes – não sei se tanto como você, mas vi a banda por 18 vezes em diferentes cidades e países.

      O set é do disco de trabalho e dele, a minha única restrição é a fraquíssima “flamenguista”, que nem ao vivo se mostrou capaz de empolgar. Eu entendo que ela está presente por ser a única inteiramente escrita por Harris e o tal “ohhh ohhh ohhh” deve forçar a situação. Dispensável. Todas as outras do set que são do disco novo são mais que justificáveis: a abertura, a segunda que é o single do trabalho… a música-homônima, que agora tem todo um lado teatral estilo oitentista por parte do Bruce e a retirada do coração do Eddie, além da mensagem de oferecimento dele ao público… Tears Of A Clown, uma agradável surpresa de uma boa música, e a rápida Death Or Glory, que sempre o Iron Maiden faz a cada álbum e a coloca em sets.

      Não consigo ver qualquer semelhança entre The Red And The Black com Perfect Strangers. Que parte seria isso?

      Quanto a quantidade de músicas, creio que a conta não é essa, e sim o TEMPO do show, que é padrão, de quase duas horas, sendo que o BIS é super rápido, praticamente o show não tem intervalos. Não é questão de cache, é questão de idade e desgaste também. Isso o Iron Maiden anunciou que faria já há algumas tours, reduzindo para 18 músicas, depois 16, agora 15…

      Veja bem, não estou “defendendo” a banda, apenas citando a minha opinião e análise. Por mim, é óbvio que um show maior, com mais músicas, sem Fear Of The Dark e essa “flamenguista” (seriam 20 minutos só nas duas), ou talvez a retirada de Blood Brothers que já estava na tour anterior… enfim, cada um vai querer um show de um jeito, e a banda parece adotar o caminho do que “funciona entre o grande público”.

      Up The Irons!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  5. Agora, após o show de SP. li todo o review feito pelo presidente. O show foi idêntico ao de SP e as emoções tb foram semelhantes.
    Tenho uma pergunta: Fear Of The Dark, em Santiago, é também a música mais comemorada pela média do público?

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    • Fala, xará, que também se juntou a mim na iniciativa de não ver o setlist antes, coisa difícil e que eu mesmo quase estraguei com você, hehehe.

      Valeu pelo comentário!

      Sim, Fear Of The Dark também causa a mesma “comoção” na média do público. Foi assim na Argentina e Estados Unidos, outros países que também tive a oportunidade de ver o Maiden. E é exatamente por isso que a música fica onde está: no set.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Então fu… mesmo não é Rolf?

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        • Remote, o Iron Maiden é talvez a única banda no mundo – veja bem o que eu estou falando, meu com um vinho ou outro aqui na cabeça agora – que é uma GRANDE banda em todos os sentidos – e que AINDA possui gente que não conhece NADA da banda. NADA, NADA, por não ser nada popular.

          Fear Of The Dark entraria para muitos – veja, nem é para todos – como a “música conhecida”.

          Dificilmente teremos um set sem ela. É justificável. Não para nós, mas para a galera em geral.

          O que falta? A banda pegar um espaço no set para tocar algo para os fãs “opostos” – que somos nós – e nos surpreender. Músicas para isso não faltam… só umazinha… um Alexander The Great, que tal?

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

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  6. Scott Ian no Wikimetal falando do momento da banda e desta tour como supporter para o Maiden: http://www.wikimetal.com.br/site/263-scott-ian-anthrax-no-wikimetal/

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. Já em Tóquio, faltou um “pequeno detalhe” durante The Trooper para Bruce: um negócio chamado microfone… e ele depois não se aguenta e literalmente ri demais, assim como eu por aqui…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  8. Fazendo história: o Maiden fez sua primeira aparição na China, com algumas restrições…

    Apesar de não haver nenhuma mudança no setlist, a banda teve que fazer diversas pequenas alterações em sua performance para ter aprovação do Ministério da Cultura do país, que fiscalizou as letras e o show da banda:

    – Não houve pirotecnia durante o show
    – Durante a performance de The Trooper o vocalista Bruce Dickinson não segurou a bandeira do Reino Unido (mas o vocalista fingiu estar segurando a bandeira durante a performance, como se pode ver no vídeo abaixo)
    – A letra de Powerslave teve que ser alterada: ao invés de “Tell me why I had to be a Powerslave” Bruce cantou “Tell me why I had to be a Wicker Man”
    – A banda não pôde jogar presentes (bandanas, baquetas e etc.) no público
    – Bruce Dickinson não pôde falar palavrões

    Obs.: em Powerslave, Bruce fez a troca apenas no primeiro refrão… vai saber…

    Fonte: http://www.wikimetal.com.br/site/o-que-o-iron-maiden-mudou-no-show-para-poder-tocar-na-china/

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  9. Vídeo interessante de como o atual palco da banda é montado – “Mayan temple expert and Killer Krew member Ash explains how the set gets built”:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  10. O Maiden vem lançando vídeos promocionais da tour, desta vez um chamado “Backstage” que, convenhamos, não ficou nada de outro mundo do que poderia ser o tema… mas fica o registro.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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