Cobertura Minuto HM – The Winery Dogs em Brasília – parte 2 – O Show (resenha)

The Winery Dogs em Brasília

Fazendo um pequeno complemento e dando continuidade ao post anterior, ao chegarmos no local, uma meia hora antes do inicio do show, verifiquei um público bem discreto nas dependências do Clube do Congresso.

A casa que também tem dimensões modestas trazia a divisão pista premium, comum e camarote. A pista premium era quase 70% do espaço para toda a pista, numa total desproporção em comparação com outros shows com esse tipo de “conveniência”.

A vinda do The Winery Dogs a Brasília e ainda mais em local tão modesto me causou surpresa. Fico até agora a perguntar como um evento desses funciona.

E por falar em surpresa, ou melhor: na falta dela, ao se aproximar o horário do show, a casa foi enchendo (brasileiro sempre deixa para a última hora), e chegou a uns 80% da lotação – algo em torno de 1300 pessoas, sendo que a pista premium era a mais cheia.

A meu pedido, nos posicionamos levemente a esquerda (observando-se da plateia para a palco) de forma a acompanhar o trabalho de Mr. Billy Sheehan, o mago das 4 cordas.

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Com uma meia hora de atraso a banda entra e já ataca com Oblivion, a “opening track” do ótimo último disco Hot Streak (2015). Com um som muito bem equalizado, fica bem fácil acompanhar o trabalho do power trio com detalhes.

Ritchie Kotzen e sua guitarra estão um pouco predominantes, mas a sensação é de uma banda bem coesa onde todos participam e se fazem perceber de forma muito aproximada. A segunda música (também 2ª faixa do atual disco) é emendada muito rapidamente, e Captain Love (a predileta de Rolf?) faz a alegria da galera, que mostra conhecer o trabalho do trio nos detalhes, cantando a música de fio a pavio.

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As inserções de Billy Sheehan chamam à atenção, sempre muito participativo, o baixo sobressai nos momentos certos, e consegue facilmente manter a base necessária para uma banda com apenas dois instrumentos de cordas. Billy ainda apresenta duas funções fundamentais que são as eventuais ações no “foot pedal” ajudando a base com sons de teclado e também como backing vocal principal.

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Seguindo o repertório a banda traz We Are One do disco anterior (o homônimo The Winery Dogs – 2013)

A seguir, performa a faixa título do disco atual, capturada e mostrada aqui abaixo por quem vos escreve (desculpem os tremiliques no solo de Sheehan, sabem como é…):

Na sequência, a banda continua a mesclar faixas do disco novo (predominantemente) e do primeiro com perfeitas execuções de How Long, Time Machine, Empire, Fire, Think It Over (com Kotzen no teclado), que dá a linha para entrada do solo de bateria de Portnoy.

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E como é bom rever Portnoy num Kit que dá possibilidades ao explorar da sua técnica. Desde o Cowbell tocado com pé, a presença de ton-tons mais agudos e com dois bumbos, um retorno a uma bateria mais apropriada, já que na primeira tour o Kit era muito reduzido.

No meio da faixa seguinte, há a brincadeira de Portnoy, usando as baquetas para tocar tudo que há por perto, desde o chão, os suportes laterais do palco, até mesmo o contrabaixo de Sheehan.

Depois de um inspirado solo de Kotzen, vem o esperado solo de Mr Sheehan e são mais de 6 minutos de uma performance que só mesmo Billy Sheehan pode fazer e justificadamente assim é apresentado no final do solo por Kotzen: “The one and only Billy Sheehan”.

A seguir, a mediana Ghost Town (o ponto fraco para mim do show) e a linda balada I’m No Angel cantada em plenos pulmões pela galera do Congresso Hall e para finalizar o set o já clássica single do primeiro disco da banda – a excelente Elevate.

A galera pede incessantemente o retorno e o trio vem com mais dois petardos: a linda balada blues Regret, onde Mr Sheehan utiliza o seu Foot Pedal, enquanto Kotzen toca piano elétrico para no final assumir a guitarra num lindo solo e o segundo single do primeiro disco, Desire, que fecha o show em módicos 90 minutos aproximados e com gosto de quero mais.

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O que posso afirmar aqui é que assisti um excelente show, com ótimas músicas e impecável performance de toda a banda. Fica a impressão de que todos estão bem à vontade e gostam do que estão fazendo e me parece que Portnoy conseguiu finalmente se encontrar após a saída do Dream Theater; deu para perceber sua satisfação com o show e a participação da galera, mas isso só o tempo dirá.

Enfim, para os que acham que o Rock N’ Roll está acabado, o The Winery Dogs vem para os contradizer e traz um repertório autoral dos seus dois discos que mistura várias influências de blues ao hard rock com muito bom gosto e muito agradável de assistir.

Como disse no fim da resenha, ficou o gosto de quero mais, e espero que voltem à Brasília, certamente estarei presente.

The Winery Dogs Setlist Clube do Congresso, Brasília, Brazil 2016, Double Down World Tour

Remote



Categories: Cada show é um show..., Curiosidades, Instrumentos, Resenhas, Setlists, The Winery Dogs

9 replies

  1. Sim meu amigo remote
    Captain love é a minha preferida
    Eu ainda não consegui rodar os vídeos.
    Flavio seus textos tão fluindo fácil. Leitura fácil
    Ta muito bom
    Eu não sei expressar mas desde o último Post eu venho percebendo isso
    Sobre o Portnoy ter se achado em de certa forma concordo. Ele bateu uma cabeça forte e agora, pelo menos, se não se achou ele ao menos esta tocando com músicos a altura. Todo mundo ganha com esse encontro. Acho válido que ele agora passe por isso. ele apostou que a banda não seguiria sem ele, que seria difícil arrumar um substituto e agora a vida ensina que ninguém é insubstituível. Acho que ele só vai se achar se um dia ele voltar pra banda. Até lá ele deve realmente se contentar aonde está.
    Eu quase teci um comentário sobre o “rock estar morto” mas isso poderia deixar uma impressão errada em cima de um post tão bom. Eu confesso que não sei o que é pior. O termo “rock pauleira” eu alguém dizer que o “rock morreu”. Nós sabemos que a frase não é sua e você está justamente criticando isso – nos dois provavelmente concordamos e muito sobre essa frase ser um engodo bostejado por entre outros pessoas idiotas do naipe do Gene Simmons – mas blindemos os clássicos e o rock roll sempre. Eles merecem mais respeito e a sua crítica é válida. Bandas como o TWD são a prova disso como você disse. Muito obrigado pelo post
    Pelo visto eu sou o único que tira fotos “excelentes”

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    • Rolfistico,
      Excelente comentário – a parte do “engodo bostejado” por idiotas do naipe de Gene Simmons – sensacional. O Gene devia ficar limitado ao que faz de melhor que é tocar, compor e cantar – seria um idiota sábio desprovido da oratória desnecessária, enquadrado corretamente.
      Eu vi o Portnoy muito á vontade. A relação dele com Sheehan já vem de longa data, e o Kotzen encaixou como uma luva na banda. Em pensar que seria o John Sykes… não durou poucos meses, acho que saimos ganhando fácil com o Ex Mr Big.
      Sobre as fotos, ainda chego no seu nível…

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  2. Antes de comentar – onde será o registro oficial desta tour:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Aqui é concordar com o primeiro comentário do Rolf e dizer que se o show foi perto do que esta resenha está, que bela noite! Uma resenha sem delongas mas ao mesmo tempo com aquela capacidade incrível que só os gêmeos possuem de sintetizar sem perder detalhes – pelo contrário, com detalhes que só por aqui a gente lê.

    Obrigado Remote por nos brindar com o texto. Me falta ainda ver esta super banda ao vivo, este verdadeiro power trio.

    Gostei muito dos vídeos e fotos, claro que não chegam no nível que o Rolf entrega. Hahahaha.

    Concordo ainda com o questionamento de como esse show se paga com esse público – deve ser ali no limite e com alguns outros shows suportando eventuais “zero a zero” ou até prejuízos. Por isso que estes caras quando vem, tocam em tudo que é possível de lugar.

    Sobre a parte final do comentário, a única coisa que eu inseriria na variável da pergunta é: não está morto, nunca estará, mas aqui estamos falando dos “velhos” fazendo coisas “novas”, não? Os novos também fariam o que este trio faz? Fica este questionamento eterno e sem resposta. Mas não está morto, claro.

    Remote, se você tivesse que apontar uma música destaque do show, qual seria?

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Eu gostei de várias – além dos solos – posso destacar oblivion, regret, elevate, captain love e how long talvez nessa ordem
      Quanto aos velhinhos. Acho que o som da banda é diferente do que faziam antes, e portanto um novo projeto, é uma nova banda e com ótimas músicas.

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  4. Ótima resenha, ótimas fotos, acho que eu entraria na categoria “Rolf” de fotógrafo também. Já o Flávio sabe bem como registrar esses momentos, já tendo me salvado em outras coberturas conjuntas. O texto nos transportou para o show, lembro de tê-los visto aqui no Rio na primeira tour e como a banda funciona bem ao vivo, onde o destaque acaba sendo Kotzen simplesmente por que ele é aquele que traz a caracteristica principal da banda, um hard super bem executado com influências de blues, ou seja, a cara do guitarrista/vocalista. Mas a opção de ficar próximo ao Sheeham é sempre indicada,por seu virtuosismo que o destaca dentro de uma banda de gênios dos instrumentos.
    Eduardo, se tivesse de indicar alguma faixa para você começar, eu iria de Elevate ou Regret, a primeira mais straight foward hard rock e a segunda um belo blues balada.
    Eu ainda preciso conhecer o segundo álbum, ouvindo e vendo os vídeos acima ainda me conecto mais com as faixas do primeiro trabalho, o qual gosto bastante.
    No mais , torço para que a banda consiga cada vez mais repercussão e quem sabe torne-se uma casa definitiva para Portnoy, mesmo que eu ache que o batera pertence de verdade ao Dream Theater ainda.

    Excelente post !

    Alexandre

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  5. Excelente resenha. Tão excelente, mas tão excelente que desisti de fazer a minha, vai ficar como um comentário, aqui neste post mesmo, hehehe
    Fui ao show de Curitiba com um amigo meu, tarado por Rush e grande apreciador de Led Zeppelin, Rock progressivo em geral e metal tb. Ele não conhecia a banda, indo em virtude da minha indicação e gostou bastante da banda. Eu também. O show flui muito bem e, como no show da primeira turnê, que assisti em Porto Alegre os 3 componentes da banda se mostram bem a vontade no palco, parecendo estar se divertindo. O personagem mais fechado é mesmo o Kotzen, que se comunica pouco com o público, mas faz um trabalho impecável, sempre destacando o estilo de tocar com os dedos, sem palheta.
    O público em Curitiba surpreendeu positivamente. Apesar do dia frio e chuvoso, estimo em 80% da belíssima Ópera de Arame (em que cabem 2100 pessoas).
    Em Curitiba chama ainda mais atenção a questão da viabilidade econômica, pois o show do TWD teve a abertura da banda S.O.T.O. com o indefectível Jeff Scott Soto, que por sinal fez um show interessante, com bons músicos (dois brasileiros, um espanhol e outro britânico) em que todos sabiam fazer bons backings vocals. Imagine: um público de menos de 2000 pessoas para pagar duas bandas, estrutura, deslocamentos, etc…
    Sempre me perguntei quem dava o direcionamento musical da banda e talvez possa se dizer que ele é dado pelo Kotzen. Adoro a TWD, mas se fosse pra escolher um ponto fraco da banda, eu diria que são as composições. Me parece que falta um algo qualquer, pra transformar as músicas da banda em clássicos. Ou o problema sou eu mesmo, hehehe.
    Mais adiante comento outros pontos.

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    • Mas Schmitt, um ponto adicional: transformar músicas em clássicos leva tempo… tempo esse que hoje em dia “anda” muito diferente para as pessoas do que andava dos anos 1990 para trás… e ninguém tem paciência para mais nada…

      Esse tipo de banda / projeto não costuma crescer muito mais que isso… talvez em gosto das pessoas, mas não em termos de tamanho… veja, se o próprio Dream Theater com Portnoy antes não é banda de encher um local com mais de 10.000 pessoas em média, que chances teria esta banda? Digo em termos de tamanho e fama, não qualidade…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  6. Schimmit, eu concordo com o Presidente – acho que se não rolar aquela baladinha chiclete – aliás nem sei se isso pega hoje em dia – os clássicos já estão ali: Elevate, Desire e até a tal Captain Love. Como eu não gosto só das clássicas – elejo facilmente Oblivion e Regret (blues meio chiclete essa..) Eu venho ouvindo quase diariamente os discos e realmente só vem ganhando mais o meu apreço. Recomendo os dois.
    Quanto ao tamanho que o TWD vai chegar – realmente acho que não deve avançar muito mais do que já chegou, inclusive acho o ultimo disco menos “pro mercado’ do que o primeiro, a não ser que tenhamos a tal balada (To be with you…..?)
    O DT realmente tinha mais fãs do que o TWD, mas já perdeu pelo menos um (Eu) para o TWD…
    E essa escapada da resenha? a lá Leão da Montanha…. saída pela direita…
    Remote

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