Consultoria do Rock – “Melhores de Todos os Tempos: 2006″, com participação do Minuto HM

Galera,

o ano é 2006 e novamente com nossa participação no Consultoria do Rock na série “Melhores de Todos os Tempos“, os consultores, com Flavio Remote nas fileiras, nos trazem as resenhas das escolhas individuais.

“Ler e comentar nós vamos”, já nos diria um certo mestre de um filme idolatrado por muitos deste blog…

[ ] ‘ s,

Eduardo.

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Amy-Winehouse-01

AMY WINEHOUSE EM 2006

Por Diogo Bizotto

Com Alissön Caetano Neves, André Kaminski, Bernardo Brum, Christiano Almeida, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, Flavio Pontes, João Renato Alves, Leonardo Castro, Mairon Machado e Ulisses Macedo

Participação especial de Jefferson Garcia, editor do blog Crítica Persona

Por mais que tentem nos empurrar goela abaixo supostos talentos musicais que não honram a exposição que recebem, de vez em quando surgem verdadeiros fenômenos que justificam os elogios da crítica e a expressiva vendagem de seus discos. Amy Winehouse foi um desses casos em que talento, timing e exposição entraram em conjunção de maneira invejável, fazendo de Back to Black um dos álbuns mais vendidos e aclamados nas duas últimas décadas. Com justiça, ocupa o posto mais alto nesta edição, acompanhada de velhos conhecidos e de algumas surpresas. Como sempre, lembro que o critério para elaborar nossa listagem final, baseada nas listas individuais, que podem ser conferidas mais abaixo, segue a pontuação do Campeonato Mundial de Fórmula 1.


01 Back to Black

Amy Winehouse – Back to Black (115 pontos)

Alissön: Provavelmente este já seja um clássico. Indiscutivelmente influenciou muitos a voltarem suas atenções para o r’n’b quando o estilo já não voltava seu foco principal para seu formato mais clássico. A própria Adele é cria direta dos dois ótimos discos que Amy lançou em vida. A musicalidade elegante e a voz distinta de Amy são atrativos imediatos para o ótimo catálogo de canções contidos aqui, quase um best of com várias faixas que tocaram sem parar quando de seu lançamento. Deixo a dica para que vão conferir o relegado Frank (2003), tão bom quanto Back to Black, obscurecido pelo sucesso monstruoso de seu irmão mais novo.

André: A música de Amy Winehouse e suas polêmicas pessoais de sua curtíssima carreira nunca me disseram nada. Mesmo assim, porém, eu tenho uma certa admiração por ela como musicista. Amy compôs as próprias canções e ainda faturou em cima disso com um sucesso estrondoso. Os arranjos soul em suas composições soam diferenciados e originais. Sua voz, com um timbre muito parecido com o de cantoras negras norte-americanas também é algo a se destacar. Não sei explicar por que a cantora não “casa” com os meus ouvidos. Talvez porque não rola uma “química” e tal entre a gente…

Bernardo: Incontestável! Não é o meu preferido do ano (coloquei Tom Waits e Bob Dylan à frente), mas este é aquele disco Clássico com letra maiúscula, que pela colocação eu aposto que é igualmente bem quisto entre os editores. Mesmo caso do System of a Down reinando na outra edição, esse é o tipo de música que une todas as tribos (numa vibe Dinho Ouro Preta e Norvana (sic)). O segundo álbum da cantora conta com uma produção primorosa da dupla Mark Ronson e Salaam Remi, que faz com que o seu estilo soul não seja só derivativo e com cheiro de mofo, mas também com gosto de novidade, com toques de jazz, blues, r ‘n’ b e ska. Amy foi uma intérprete primorosa e uma letrista fantástica, como dá para ver na abertura “Rehab”, na qual mistura autodestruição com autodepreciação de maneira irônica, no soul sombrio de “Back to Black” e o refrão upbeat da agridoce “Tears Dry on Their Own”. Faz por merecer o status de neoclássico. Amy foi um artista única de nossa era e merece todas as homenagens possíveis.

Christiano: Um disco que teve um enorme impacto em toda a indústria musical, influenciando vários artistas e servindo de referência para uma infinidade de artistas. Tudo isso em uma época de declínio de gravadoras e do mercado de discos. Não há dúvidas de que Amy Winehouse, com a ajuda do produtor Mark Ronson, registrou um daqueles discos consagrados dentro um determinado estilo. As referências são muitas, passando pelo jazz, pela soul music e pelo r ‘n’ b. Tudo isso, com a colaboração de uma ótima equipe de músicos e a bela voz de Amy. Hoje em dia, escutar Back to Black é como colocar para tocar uma coletânea de hits de uma grande cantora, tamanha a quantidade de faixas consagradas presentes no álbum. Sem dúvida, um dos melhores discos dos anos 2000.

Davi: Um dos últimos álbuns da música pop a conseguir, realmente, causar um impacto na indústria (depois dele só me vem à cabeça o segundo disco de Adele). Back to Black traz um som meio retrô, com forte influência da música soul, um toque, de leve, de hip hop, mas sem deixar de ser pop. Amy tinha um timbre de voz agradável e singular. O trabalho é bem bacana e traz grandes hits como “Rehab”, “Tears Dry on Their Own”, “Back to Black” e “You Know I’m No Good”. Primeiro lugar merecido!

Diogo: É uma pena, mas uma pena mesmo que a trajetória de Amy Winehouse tenha sido marcada mais pelas tragédias pessoais do que pelo grande sucesso experimentado em sua curta vida. Por mais que a quantidade de hits empilhados na forma de Back to Black seja enorme, sobressaíram-se as hienas que riam de sua situação como se a vida de Amy fosse um circo, e ela, o palhaço mais estrelado de todos. Admito que, no início, resisti ao hype que surgiu em torno da cantora, mas a audição de Back to Black não deixa dúvidas: Amy tinha voz, boas referências, sabia compor e não soava como um simples requentar do passado. Claro, ajudou muito o fato do álbum ter sido produzido pelo excelente Mark Ronson e ter contado com uma banda gabaritadíssima, que contribuíram com arranjos de supremo bom gosto, mas o talento estava todo lá, e é uma pena que tenha sido desperdiçado em um espaço tão curto de tempo. Acho apenas que a valorização das letras de Amy é um pouco excessiva, mas em um mundo no qual a média nesse quesito é de média para baixo, isso não chega a incomodar. O álbum todo é digno de nota, mas “Tears Dry on Their On” precisa ser ouvida por aqueles que, como eu, necessitam superar a desconfiança.

Eudes: Um disco para a gente ter fé na música! Quando a música pop, inclusive o rock, já não nos prometia mais nada, no ano da graça de 2006 me aparece Amy Winehouse com um álbum atemporal, inclassificável, moderno e muito, muito tradicional (o que apenas parece confirmar que a o último desdobramento da modernidade ocorreu décadas atrás), cutucando nossa memória afetiva, mas sendo ao mesmo tempo brutalmente original. Como cantora, Amy estava muitos furos à frente da concorrência, só encontrando páreo na era clássica da soul music; como compositora, revela-se uma alma ancestral, capaz de melodias que se pensava não existirem mais; como música, nos brinda com arranjos de estremecer as almas mais insensíveis. Back to Black traz uma coleção irretocável de… canções! E apesar da banda nota dez e das molduras ultraemocionais que cercam as músicas, são as canções que impressionam pela pungência, pela fluência melódica, pela dramaticidade, todas arrancadas do fundo de um espírito velho que, como se viu depois, não tinha lugar neste mundo sem coração. Falou-se muito em Motown quando o álbum saiu, mas a sonoridade que ouvimos é muito mais ríspida, embora doce. Se fosse para comparar, o disco parece mais saído das gravações da Stax-Volt e dos estúdios de Memphis no fim da década de 1960. Entretanto, tons jazzísticos dos anos 1950 assombram também vários momentos do CD. E Amy está em casa em meio a esses estilos. “Rehab” obviamente é uma faixa excelente, mas sua repercussão maciça acabou por esconder outros momentos espetaculares do disco, como o soul tradicional de “Me & Mr. Jones”, a sôfrega “Just Friends” e a desesperançosa “Love is a Losing Game”. Mas não adianta ficar destacando faixas em um daqueles raros discos em que você tem de ouvir tudo, sem exceção! Um dos primeiros lugares mais merecidos de toda esta série, o que mostra, afinal, que os consultores não estavam, ao contrário de todas as expectativas, completamente surdos de tanto ouvir guitarras distorcidas.

Fernando: Amy será lembrada para a posteridade muito mais por sua vida bagaceira do que pela música, e isso é uma pena. O grande problema é que o acervo deixado por ela, apesar de excelente, é pequeno e a quantidade de confusões foi enorme.

Flavio: O segundo disco de Amy mistura elementos de soul/jazz com pop/standards dos anos 1950/60 e traz as consagradas faixas “Rehab” e “Back to Black”, entre outras. O álbum é muito bem produzido, tendo como acerto a boa colocação em sutil destaque da voz de Amy, acompanhada com o estilo retrô dos instrumentos acústicos e semiacústicos, pianos elétricos, orgão, orquestrações (metais, cellos, violinos) e o som da bateria muito bem encaixado com a proposta. Posso destacar também as faixas “Love is a Losing Game” e “Addicted”. Se ao mesmo tempo é de se elogiar a qualidade e fidelidade com uma retratação de estilo consagrado nos anos 1950/60 (que, deixo claro, me agrada) é importante sublinhar que, ao ser premiado como disco número um desta edição, mostra um pouco de ausência de perspectiva em um estilo mais novo em pleno ano de 2006, o que não diminui os méritos do bom álbum. Enfim, um disco agradável, que passa sem dificuldades pela audição em seus menos de 35 minutos.

Jefferson: A melhor canção dela, “Tears Dry On Their Own”, está presente neste álbum; todavia, fora essa (e os outros singles), pouca coisa se destaca, apesar da poderosa voz da moça – que, se talvez tivesse ficado em primeiro plano para a humanidade, ainda estivesse por aí. De modo geral, acho o disco anterior bem mais refinado.

João Renato: Amy trouxe um sopro de novidade, mostrando que qualidade e popularidade podem, sim, andar de mãos dadas. Soou vintage sem parecer deslocada. E mostrou que álbuns com títulos que começam em “Back” e terminam em “Black” aumentam as possibilidades de sucesso.

Leonardo: Agradabilíssimo disco de uma cantora sensacional. A mistura de jazz, soul e música pop flui com leveza, e a performance de Amy Winehouse é sempre impressionante. Um dos poucos casos em que música de extrema qualidade atingiu até as rádios mais populares.

Mairon: O que, uma mulher não metálica conquista a primeira posição nas listas da Consultoria? Que façanha. Minha vida com Amy Winehouse foi conturbada assim como a vida da cantora. A maioria do pessoal sabe quem foi e pelo que passou a britânica, então não vou entrar em detalhes pessoais, mas sim, concentrar-me apenas na obra-prima que é Back to Black. Este é um disco que deve ser proibido para uma pessoa que quer cometer suicídio, por conta da sua alta dose emocional nas letras, e musicalmente, retorna aos anos 1950/60 usando deste emocional abalado de uma pessoa desgastada pelo uso de drogas e com um relacionamento conturbado com o seu namorado Blake Fielder-Civil, cuja relação foi uma bomba atômica implodindo rapidamente dentro de seu corpo através de muito álcool e o quíntuplo de entorpecentes, e largando tudo isso em faixas que fizeram um mundo inteiro ouvir sua dor, e admirar talvez a última grande cantora do soul em pelo menos 20 anos. Envolta por uma banda extremamente competente, Amy fez do simples sua marca registrada. Ela não tinha a explosão vocal de uma Tina Turner, a avassaladora presença de palco de Janis Joplin, a beleza de Debbie Harry, a sensualidade de Madonna ou a sutileza musical de Elis Regina, mas como que contando para amigos, em uma mesa de bar recheada de garrafas de uísque, Amy exalava sentimento em letras construídas em sua maioria por ela mesma, narrando as histórias pessoais de sua vida com uma paixão que é rara de se encontrar na música de hoje em dia, ao ritmo, principalmente, de um jazz rock dançante e envolvente. Ouvir a baladaça ska “Just Friends”, a suavidade de “Me & Mr. Jones”, ou a acidez vocal de “Some Unholy War” é certeza de que estamos escutando uma pessoa mostrar todos os seus sentimentos através da música, enquanto “Wake Up Alone” e “He Can Only Hold Her” nos remetem às tristes canções de amor da década de 1950, sendo que a última apresenta um riff de metais para sair cantarolando pela casa. Além delas, temos as clássicas “Rehab”, “Love Is a Losing Game”, “Tears Dry on Their Own” e “You Know I’m No Good”, que tocaram à exaustão nas rádios de todo o planeta Terra. Encerrando o álbum, surge a maluquete “Addicted” e, cara, sinceramente, ouvir e ver o clipe de “Back to Black” e não sentir pelo menos um arrepio com essa música fantástica é tarefa para quem não tem coração. Foi uma cantora que se sabia seu fim, mas que deixou como herança para os fãs (ela buscava os fãs??) um disco atemporal e inigualável. Resumindo Back to Black através de canções planejadas para tocar a alma do ouvinte, Amy misturou ritmos como jazz, gospel, soul, funk e, por que não, rock ‘n’ roll, como quem mistura uma sopa com veneno, e, não satisfeita, afiando as facas para cortar os pulsos. Parabéns Amy. Onde quer que você esteja, você superou o machismo da série e mostrou que mulheres também têm talento.

Ulisses: Entrada óbvia e primeiro lugar merecido. Amy foi um furacão em seu tempo e, em Back to Black, isso se deve à sua paixão pelo som dos anos 1960, que ela emula aqui com propriedade, mas dá um toque pop contemporâneo e autêntico que a levou para o topo das paradas, com letras pessoais, atitude despojada e canções grudentas.


02 Live to Win

Paul Stanley – Live to Win (81 pontos)

Alissön: O Kiss é um exemplo de grupo formado por músicos medíocres que compõem boas músicas apenas em conjunto (e não estou entrando nos méritos de não gostar de Kiss). Já havíamos visto as atrocidades que eles compuseram quando se arriscaram em voos solitários, como os ridículos discos solos lançados por Gene Simmons. Live to Win não foge nem um pouco dessa máxima. Hard rock “água de batata” com incrementos sinfônicos para tentar dar uma grandiosidade às canções. É tudo tão patético e unidimensional que se torna difícil até para criticar.

André: Confesso que não esperava muito deste disco, achei que seria um trabalho solo bem comum e no máximo razoável. Mas não é que o Senhor Estrela me surpreendeu? Hard rock ótimo, com uma produção moderna e canções cativantes, lembrando muitos bons momentos do Kiss oitentista. Gostei muito da energia de “All About You” e da linda balada “Second to None”, contando com o bônus de belos arranjos orquestrados. Audição muito recomendada e merecidamente entre os dez melhores.

Bernardo: Segunda empreitada solo de Stanley depois do álbum de 1978. Um disco digno de Kiss: hard rock cheio de riffs e chavões do gênero. Assim como a banda de origem, você ouve os singles e esquece o resto…

Christiano: Juro que, ao escutar este disco, tive a impressão de que o Creed havia contratado um vocalista de voz muito conhecida. Paul Stanley tentou gravar um disco com sonoridade mais moderna e conseguiu. O resultado é mediano, mas vale pela tentativa. Claro que não foi um dos melhores discos do ano, e creio que sua entrada aqui só aconteceu por conta da grife “Starchild”.

Davi: Este é um trabalho de Paul Stanley que sempre dividiu opiniões. Em 1978, os quatro integrantes do Kiss lançaram um álbum solo cada simultaneamente. Os de Ace Frehley e Paul Staney sempre foram os mais aclamados. Live to Win representou a primeira vez em que ele trabalhou em um álbum solo desde então e foi esperado com muita ansiedade. Muitos torceram o nariz, justamente por não soar como Kiss. Achei um acerto. Quem me conhece, sabe que o quarteto mascarado sempre foi minha banda do coração, mas se é para gravar um álbum solo enquanto o grupo ainda está na ativa, que faça algo diferente. Caso contrário, não há razão de ser. Live to Win traz o músico fazendo um som contemporâneo. Mostrando que, apesar de estar com 54 anos (a época), estava bem ligado no que estava acontecendo. Em um detalhe ele seguiu o seu grupo principal: a ideia de fazer canções com arranjos simples e melódicos. Live to Win é um trabalho com uma produção moderna, mas repleto de refrãos fortes e um trabalho vocal bem elaborado. Há vários momentos brilhantes, como “Lift”, “Everytime I See You Around”, “Bulletproof”, “Where Angels Dare” e “All About You”. Não esperava vê-lo por aqui. Feliz com sua aparição!

Diogo: Ouvir Live to Win pela primeira vez foi aquele tipo de supresa boa, daquelas que a gente sente em relação a algo do qual não esperava muita coisa. Não me entendam mal: adoro Paul Stanley, meu integrante favorito do Kiss, mas nos idos de 2006 eu não estava esperando nada de novo em relação aos integrantes do grupo, nem como Kiss, nem em carreira solo. Aí apareceu Live to Win, que não soa como um álbum do grupo, mas traz composições contagiantes e que colocam em evidência o talento de Paul, sem se amarrar ao hard rock pelo qual o quarteto ficou inicialmente famoso. O disco é pop rock mesmo, moderno e brega, pesado e mela-cueca, tudo ao mesmo tempo. Uma verdadeira explosão de boas melodias, que tem cara de fast food mas estimula os sentidos de modo que a experiência não seja mais esquecida. Quando a gente menos espera, também surgem lampejos daquilo que fez Paul ser o que é, como os vocais de evidente inspiração soul em “Everytime I See You Around”, mas isso é algo que apenas os mais atentos vão notar. Não vou gastar meu português citando faixas de destaque, pois o álbum é cheio delas, mas a canção que dá o nome é um pequeno monumento, que ainda apareceu em um dos melhores episódisos produzidos pela série animada “South Park”.

Eudes: Realmente, esse ano de 2006 deve ter sido fraquinho na área heavy & hard, porque apelar para Paul Stanley a essa altura do campeonato… O Kiss nunca foi grande coisa em termos estritamente musicais (sim, eu sei, o rock não é exatamente sobre música), mas esta investida de Paul no estilo “ao sucesso” dos anos 1980 é realmente bem chatinha.

Fernando: O primeiro disco solo de Paul Stanley foi feito sob o nome Kiss e cercado de um clima de quase separação da banda e muita competição entre os músicos. O álbum dele era o que tinha tudo para dar certo, mas acabou ficando abaixo da expectativa, sendo ofuscado de certa forma pelo disco de Ace Frehley. Agora não. Já sem a sombra de sua banda principal Paul fez o que bem entendeu e se saiu muito bem. Ele poderia ter tido uma carreira solo bem sucedida desde os anos 1980 se não tivesse se preocupado e trabalhado duro para manter o Kiss vivo e em alta, afinal, Gene Simmons praticamente só aparecia para os shows. Hoje sua voz já está bastante desgastada, mas em Live to Win ela estava no seu auge.

Flavio: Live to Win é, sem dúvida, um trabalho que deve agradar aos fãs do Kiss, principalmente pelas boas composições que nele se encontram. É certo que Paul deu uma modernizada no som, incluindo elementos de riffs de guitarra utilizados na atualidade de seu lançamento, alguns sons eletrônicos de bateria e uma economizada nos solos de guitarra, bastante enxutos durante todo o álbum. Algumas faixas lembram mais o Kiss tradicional, como “Bulletproof”, cujo refrão remete diretamente aos momentos de Stanley junto à banda. Outras, como “Lift” e “Wake Up Screaming”, têm uma característica mais moderna, em especial as guitarras, mas também agradam, são faixas de qualidade, que se destacam. A faixa-título está no meio-termo entre as duas características acima mencionadas e também é outro ponto positivo. Talvez fosse melhor haver menos baladas no álbum (são três em dez canções), mas se lembrarmos do álbum solo de 1978, também havia três. O disco não promete o que não cumpre: traz exatamente aquilo que Paul Stanley sempre fez durante seus anos no Kiss: são dez faixas diretas, todas bem curtas. O álbum acaba tendo pouco mais de 30 minutos de duração, mas sem “encher linguiça”, tornando-se bastante constante em seu conteúdo.

Jefferson: A faixa-título até passa (apesar de cafona pra burro), o resto é uma dose saturada de água de salsicha convertida em música. Temos dois “extras”, pra ficar ainda melhor: a participação do talentoso guitarrista John 5 em uma das faixas, que sequer é perceptível, e a capa, que deve ser usada pra espantar mosquitos por quem comprou o disco por se tratar do vocalista do Kiss.

João Renato: Mais moderno do que se poderia esperar de um álbum do Kiss, Live to Win mostra que é possível acrescentar novidades sem perder a principal característica. Mesmo buscando um caminho contemporâneo, Paul não perdeu aquilo que o consagrou, criando um disco cheio de melodias pegajosas.

Leonardo: Ótimo disco do principal compositor e cantor do Kiss. Deixando as guitarras um pouco de lado e apostando em uma sonoridade mais alternativa, Stanley mostrou que, quando as composições são boas, nem o formato tem como estragá-las. Destaques para a excelente faixa-título, para a pegajosa “Lift”, a ótima “Wake Up Screaming” e a sensacional “Bulletproof”, que poderia estar facilmente em qualquer disco de sua banda principal.

Mairon: Lembro do impacto de ouvir Live to Win pouco depois de seu lançamento. Acredito que foi um dos primeiros álbuns que baixei para ouvir quando inventaram o 4-shared e o .rar. É um álbum pesado, mesclando elementos do Kiss oitentista com novidades que não conhecemos nos discos dos famosos mascarados norte-americanos. Da parte Kiss, é impossível ouvir “Second to None” ou “Everytime I See You Around” e não lembrar de “Forever”, enquanto ouvir “Where Angels Dare” e “It’s Not Me” é tentar identificar qual é a banda de novatos que chamou o veterano Stanley como convidado especial, já que sua sonoridade é moderna e muito similar ao que era feito na época. A faixa-título logo se tornou um sucesso, assim como outra que rodou nas FMs foi a balada “Loving You Without You Now”, mostrando todo o lado apaixonado de Starchild. Acho que a voz de Stanley derrapa um pouco em “Wake Up Screaming”, e os vocais femininos no repetitivo refrão de “Bulletproof” são os piores momentos. Por outro lado, grande destaque para a pancada “Lift”, o ritmo contagiante de “All About You”. Acho que entrou pelas cotas de dinossauros, mas é um bom disco.

Ulisses: Hard rock genérico. O mais próximo que chegou de me empolgar foi em “All About You” e “Where Angels Dare”. Veja bem, não é um álbum ruim, mas está longe de ser um dos melhores dos anos.


03 Monotheist

Celtic Frost – Monotheist (79 pontos)

Alissön: Tomas Gabriel Fischer estabeleceu novos parâmetros de excelência para o metal extremo com este disco, em um momento em que a credibilidade do Celtic Frost já havia ido para a lama com dois lançamentos abomináveis. A voz de Fischer está mais ameaçadora e as músicas tornaram-se tão – ou mais – sombrias quanto os discos clássicos. Nessa mescla de death, black, doom e gótico, o resultado final é um disco sublime e relevante não apenas para o próprio Celtic Frost, mas para todo o metal do período.

André: Lembro-me perfeitamente de quando escutei “A Dying God Coming Into Human Flesh” pela primeira vez, inclusive vendo o videoclipe pelo YouTube. Uma sensação de incômodo, um arrepio, uma agonia, um desconforto e inquietação me ocorreram. Era a coisa mais pesada que eu já havia ouvido em minha vida. E não me venham com Slayer ou qualquer podreira goregrind que eu duvido que me causariam a mesma sensação do que o Celtic Frost fez em Monotheist. A banda já tocou de tudo um pouco e nesse seu último disco após anos separados, usam de um estilo gothic/doom como base principal de suas composições além do seu já conhecido black metal. E o fez brilhantemente. Dá para perceber com clareza toda a emoção de Tom Fischer e Martin Eric Ain em composições que destilam raiva, melancolia, agonia, tristeza e decepção. Não vou citar mais faixas porque todas elas merecem a atenção dos seus ouvidos. Um dos maiores destaques dos anos 2000.

Bernardo: Já haviam sido black, já haviam sido death, até mesmo glam. Agora apostam pesado no doom. E como usual, não caiu no meu gosto.

Christiano: Não dá para dizer que Monotheist é um disco ruim, mas não me causou nenhum tipo de impacto positivo. O Celtic Frost foi uma grande banda que conseguiu gravar clássicos como To Mega Therion (1985) e Into the Pandemonium (1987), álbuns com sonoridades muito originais e inventivas, e sempre marcados por uma certa tosqueira que combinava muito bem com a proposta da banda. Monotheist é muito certinho, com produção muito limpa… E perfeitamente executado. Para piorar, as músicas são extremamente arrastadas e repetitivas. Enfim, um disco genérico.

Davi: Nunca fui um fã do Celtic Frost. Tentei mais uma vez e, novamente, não me cativou. Nitidamente, são bons músicos, mas sei lá, não conseguiu me emocionar. Sem contar que há alguns fatores que me incomodam. O estilo vocal não está entre meus preferidos, os músicos atacam para diferentes lados na construção dos arranjos, falta criatividade nos riffs. O riff inicial de “Progeny”, por exemplo, é roubado descaradamente de “Orgasmatron” (Motörhead). Não foi desta vez…

Diogo: Quando estava recebendo as listas que formaram esta edição, cheguei a cogitar fortemente a hipótese de que Monotheist ocupasse o lugar mais alto, dado o prestígio que observei destinarem ao álbum. No fim das contas, Amy Winehouse se sobressaiu, mas, para mim, foi o Celtic Frost o responsável não apenas pelo melhor disco lançado em 2006, mas por uma das obras mais sensacionais da década passada. Como grande fã do grupo desde 2002, foi com muita expectativa que encarei o fato de que Thomas Gabriel Fischer e Martin Eric Ain haviam se reunido e estavam para lançar um novo álbum. E, como grande fã do grupo, não fiquei nem um pouco supreso com o fato deMonotheist não ser sequência natural de nenhum outro disco da banda. Trata-se de uma obra com alma própria, digna da história de uma formação que transitou pelo que de melhor o metal extremo poderia oferecer e o fez com dignidade, mesmo que sua história tenha sido arranhada com uma época confusa. De cabo a rabo,Monotheist envolve o ouvinte com uma sonoridade arrastada, difícil de rotular – uma mescla entre o doom e o gótico talvez seja o mais próximo da realidade, mas isso não define a totalidade do disco. A cada audição, descobre-se um novo destaque, um novo elemento que faz com que cada canção se sobressaia. Uma das curiosidades em relação aos lançamentos anteriores do grupo é ouvir, pela primeira vez, os vocais de Martin em “A Dying God Coming Into Human Flesh” (um dos singles mais anticomerciais de que tenho notícia) e na assombrosa “Tryptich: Totengott”. A cada audição minha faixa favorita do álbum pode variar. Desta vez, aponto “Ain Alohim” e “Os Abysmi Vel Daath” como as mais arrasadoras, mas isso pode mudar amanhã. Quem gostar precisa ouvir a sequência do trabalho de Tom no Triptykon.

Eudes: Apesar da boa promessa de “Ground”, uma faixa pesadona e lenta em que a banda mostra substância, o resto do disco não corresponde à expectativa que ela promete. Mais baterias desembestadas, mais vocais guturais, mais guitarras padronizadas. O próximo…

Fernando: Fui conhecer este disco não faz muito tempo. Eu não sou um conhecedor muito profundo da carreira do Celtic Frost, mas depois que ouvi o Triptykon, me interessei pela velha banda de Tom Warrior novamente e acredito que o estilo do Triptykon é justamente o que ele desenvolveu em Monotheist.

Flavio: Último disco da banda, Monotheist traz um som escuro e pesado, com uso de afinações baixas de guitarras e bateria com enfase em cadência monolítica. Novamente vou indicar aqui que gosto de um vocal mais apurado, e apesar de estar alinhado com o estilo pretendido, o vocal de Thomas Gabriel Fischer tende a me afastar da audição. Dá para destacar trechos aqui e ali, como um bom vocal feminino na depressiva “Drown in Ashes” ou no bonito e triste refrão de “Obscured”, mas, após bons minutos de audição, fica a sensação de base melancólica com poucas variações (o que, inclusive, é característica do estilo proposto), que também me faz não o entender como um disco merecedor de estar nesta lista.

Jefferson: Pra mim, o melhor disco da banda. Possivelmente serei esquartejado vivo por dizer isso, mas, nos discos mais clássicos do Celtic Frost (de importância e influência inegáveis, óbvio), me incomodava a pouca expressão das linhas vocais de Warrior. Aqui isso não existe, e ainda temos uma perfeita combinação de traços do doom clássico com uma roupagem modernizada. O Triptykon até tenta seguir a mesma linha, mas o canto do cisne do Celtic Frost permanece superior – especialmente por ser mais enxuto.

João Renato: Um exemplo de como retornar após anos e ainda se manter relevante. O Celtic Frost, banda que mais pessoas pronunciam o nome de forma errada em todo o Brasil metálico, conseguiu agradar a maioria dos fãs antigos e conquistar novos emMonotheist. Infelizmente, as divergências venceram e não houve prosseguimento. Mas talvez até isso dê uma aura quase mística a este reencontro.

Leonardo: Ao contrário de várias bandas de sua geração, o retorno à ativa do Celtic Frost não apostou em um resgate de sua sonoridade oitentista. Monotheist é mais denso, lento, e, até certo ponto, gótico e melancólico. E o resultado foi excepcional. Apesar de serem um pouco parecidas entre si, todas as canções são marcantes, com riffs monstruosos. Para quem espera o death/thrash do inicio da carreira, o disco é decepcionante. Mas para quem o escuta como uma obra nova, sem expectativas, há muito a ser descoberto.

Mairon: Disco de heavy metal com mais de uma hora de duração tem que ser muito bom para poder ser legal de ouvir. Não é o caso aqui. O álbum começou com momentos interessantes, até chegar na agonizante “A Dying God Coming Into Human Flesh”. A partir de então, caiu vertiginosamente de qualidade, tornando-se muito arrastado e cansativo. Suportar o álbum a partir de “Drown in Ashes” foi sofrível. A coisa melhora um pouquinho em “Ain Elohim”, com certeza a melhor música do disco, e na sequência da suíte “Triptych”, cuja primeira parte é de borrar as cuecas, enquanto a segunda é fraquinha, e a terceira, instrumental apenas com sintetizadores, é apenas um fechamento mais digno para um disco meia-boca. Os caras fizeram um LP emblemático na década de 1980, To Mega Therion (1985), que eu não gostei. Esse então, é pior ainda. Nada a ver sua presença aqui.

Ulisses: Poderia muito bem se chamar “Monótono” ao invés de Monotheist. Não, sério! O disco consegue ser arrastado e agoniante quando quer (“A Dying God Coming Into Human Flesh”, “Synagoga Satanae” e, especialmente, a ótima “Drown in Ashes”), mas o restante do tracklist se resume a uma barulheira moída, repetitiva e insuportável.


04 Ys

Joanna Newsom – Ys (55 pontos)

Alissön: Ys é uma mostra magnífica do que o folk pode entregar de mais grandioso, contemplativo e belo. A voz angelical e cheia de sentimento de Joanna encaixa-se habilmente nas composições de levada bucólica e medieval, jogando o ouvinte em um transe difícil de se expressar em palavras. É mais justo ouvir o disco para entender perfeitamente do que ele é capaz.

André: Aí o pessoal elegeu um disco folk, algo que de fato fazia falta na série e tudo mais. Aí você tem esse instrumental maravilhoso, algo fantasioso e mágico, parecendo uma trilha sonora da Disney. Tudo o que o Kaminski adora… Mas aí entra Joanna Newsom cantando depois de engolir um balão de gás hélio. Que decepção…

Bernardo: Acompanhada de orquestra, a cantora/pianista/harpista Newsom faz miséria neste disco, ricamente arranjado e belamente interpretado. O que chamam de freak folk, espécie de folk psicodélico, coisa criada ainda nos anos 1970 e revisitada nos anos 2000, não figura aqui apenas como “música bonitinha” por uma suposta leveza instrumental; é música rasgada, com belas harmonias, agudos doídos, forma bastante livre e com um quê de onirismo. Catártico que só, Newsom provou como a leveza pode machucar, como as nuances podem ter um impacto inesquecível. Não, não vou destacar em particular porque este é o tipo de álbum que, assim como In the Aeroplane Over the Sea (Neutral Milk Hotel, 1998), só ouço de uma tacada só. Sempre acabo mexido quando termino de ouvir.

Christiano: Conheci Joanna Newsom na época do lançamento de Ys. Inicialmente, achei bastante agradável, mas, depois de umas três músicas, tudo começa a soar meio repetitivo e monótono. Claro que algumas canções são bem agradáveis, pelo menos em seus primeiros minutos. Aliás, um dos pontos fracos é a duração das faixas, que têm em média uns dez minutos. A moça tem uma bela voz, toca harpa e compõe bem, mas precisa de alguém para podar sua megalomania.

Davi: O instrumental até que é bonito. Lembra aqueles arranjos dos desenhos da Disney. Em especial o de “Monkey & Bear”. O problema é aguentar ela cantando. Em alguns momentos, parece que está fazendo voz para alguma animação, em outros parece um gato gripado. Se fosse um disco instrumental, seria uma audição até que bonita. Singela, delicada, com um ar de inocência. Mas a voz dela me cansa. Razoável!

Diogo: Das duas uma: ou meus colegas – que votaram neste disco – estão prestando atenção demais nas listas do site Rate Your Music (Ys aparece como segundo lugar em 2006), ou realmente estão antenados no trabalho da moça pelo mérito demonstrado nesta e em suas outras obras. Não conhecia a artista e nunca havia travado contato com um álbum como este. A audição foi no mínimo curiosa, e é uma pena que eu tenha tido pouquíssimo tempo nos últimos dias para me dedicar mais atentamente a captar as nuances de sua sonoridade. Foi o suficiente, porém, para afirmar que se trata de uma adição muito rica à série, certamente mais especial que tantas outras encaixadas na nossa “cota alternativa” (risos). Não posso deixar de mencionar quão curioso é o fato de Joanna ser casada com Andy Samberg, responsável por músicas singelas como “Dick in a Box”, “Jizz in My Pants” e “I Just Had Sex”, com seu grupo The Lonely Island.

Eudes: Adorei a harpista Joanna, que só vim a conhecer graças a esta série. Belíssimas canções, combinação de banda e orquestra em altíssimo nível e Steve Albini provando que não pode ser estigmatizado como produtor grunge. Longas e comoventes faixas para recuperar nossas oiças da barulheira das mídias. “Emily”, por exemplo, não é para muitos ouvidos! Quero mais Joanna Newson!

Fernando: Não consegui prestar atenção nas letras, mas nos lugares que li esse é o principal elogio para a obra da moça. Apesar da produção das músicas nota-se que os protagonistas são o violão e a sua bela voz.

Flavio: Não conhecia a artista e fui ouvir com bastante curiosidade. Ao perceber o vocal com sotaque interiorano, soando frágil (em linha com o estilo folk medieval, bem retrô) e permeando de falsete em modulações exageradas já comecei a me afastar da apreciação do disco. As músicas são longas e sem um marcação ritmada ou grandes variações (dá uma aceleradinha perto do fim da quarta música, “Only Skin”), soam um pouco lentas e entediantes, um bom convite para o sono. Ainda bem que quando o ouvi era meio-dia, depois de uma boa noite de sono, senão eu iria sucumbir. Cinquenta e cinco minutos depois, a impressão inicial não se modificou e, independentemente da qualidade artística da vocalista/harpista Joanna Newsom, e do bom gosto no arranjo orquestral do disco, achei este Ys chato para caramba.

Jefferson: Após uma estreia muito acima da média, esta musicista de mão cheia tomou novos rumos; a harpa agora é protagonista, as composições são longas e o lirismo tem tons mais surrealistas, remetendo a antigas lendas (como bem ilustra a capa). A audição não é simples, mas é deveras recompensadora. Mais um ponto altíssimo na discografia da moça – que até o instante, permanece irretocável –, que, sem exagero algum, nada deve a Bob Dylan ou a qualquer “cantautor” vaca sagrada de décadas atrás.

João Renato: Talvez se as músicas não fossem tão longas tivesse me agradado mais. Não dá para negar a criatividade. Mas, após um tempo, acaba se tornando cansativo para ouvidos não acostumados, como os meus.

Leonardo: Difícil ouvir o disco até o fim. O instrumental, uma mistura de música folk com melodias meio esotéricas, dá um sono incontrolável, enquanto a voz da cantora dá vontade de jogar o rádio, ou o computador, na parede.

Mairon: Disco extremamente surpreendente. Nunca havia ouvido falar nessa menina, e sequer imaginava que um disco com harpa estaria presente na série. Surpresa agradabilíssima, apesar de às vezes achar que Joanna comete alguns deslizes vocais, mas nada que venha a prejudicar a sutileza de “Emily” (que música bela), o empolgante ritmo de “Cosmia”, o dedilhado hipnótico de “Sawdust & Diamonds”. Ponto de destaque máximo para a longa “Only Skin”, que deve ter feito Bob Dylan vibrar de emoção em sua cadeirinha de descanso. Gostei da capa também, e, apesar de ser um pouquinho cansativo durante sua segunda metade, até por não apresentar mais surpresas, os ouvidos saem da audição satisfeitos de modo geral. Parabéns para quem o colocou entre os dez mais, uma verdadeira façanha, e obrigado por me apresentar esta bela obra.

Ulisses: Certamente um dos álbuns mais únicos e charmosos que já ouvi. A loira tem o poder de sugar o ouvinte no seu estranho mundo particular, com sua vozinha singela (e um tiquinho irritante), arranjos belíssimos de harpa e orquestra e um lirismo absurdamente criativo – mesmo quando se põe a narrar um urso dançante e seu companheiro macaco. Sério, ouça Ys acompanhando as letras! Ainda assim, a hipnose do CD teve sobre mim um efeito limitado, não me levando a um sonambulismo tão enfeitiçador quanto a beleza estampada em sua estética. Bem, talvez eu devesse ouvi-lo enquanto caminho descalço e reflexivo por um bosque – desses que o folk da moça evoca com facilidade – e não em um quarto escuro e estéril, mas o fato é que não consegui extrair das audições de Ys algo tão profundo assim. É de uma doçura que, aos poucos, demonstra que excede a gentileza desarmante de sua estadia, visto que o instrumental faz pouco além de suportar a prosa de Newsom. Entretanto, volto a enaltecer a singularidade do registro e ressalto que ele faz bem a esta lista. Foi bom ter conhecido.


05 On an Island

David Gilmour – On an Island (52 pontos)

Alissön: O que se espera de uma música de Gilmour está seguramente presente aqui. Não que tenha me provocado a mesma experiência sonora de seus tempos de Pink Floyd. Muito longe disso, pra dizer a verdade. Mas, de qualquer forma, apreciar a habilidade de Gilmour e sua guitarra sonoramente distinta é sempre um ato prazeroso.

André: Esse britânico é o meu guitarrista favorito de todos os tempos. On an Island é o melhor disco de sua carreira solo. Mas isso não quer dizer muita coisa, ao menos para mim. Talvez por me maravilhar tanto com a guitarra de Gilmour no Pink Floyd, isso faça com que minhas expectativas sobre os trabalhos solo dele sejam altíssimas. E nunca sinto a mesma coisa. Daqui gosto de duas faixas: “On an Island” devido a uma doçura inexplicável na sempre bela voz de Gilmour junto a um instrumental bonito, e “Smile”, uma música em sua maioria acústica, que resgata o belíssimo folk europeu ideal para ser tocado em volta de fogueiras com os amigos, em acampamentos. Todas as outras me soam no máximo medianas. Já havia dito há algum tempo, mas talvez Roger Waters e Richard Wright tenham sido mais importantes para a carreira de Gilmour do que supostamente pensamos.

Bernardo: Primeiro disco solo de Gilmour em mais de 20 anos. Quem admira sua técnica certamente vai amar. Ah, e vale notar ele arriscando no saxofone em “Red Sky at Night”.

Christiano: David Gilmour é tipo Midas. Tudo em que coloca a mão vira ouro. On a Island marca sua volta aos estúdios depois de mais de uma década após o último registro do Pink Floyd, o ótimo The Division Bell (1994). Considerando seu legado, Gilmour não precisaria gravar mais nada em sua carreira, mas resolveu nos presentear com um disco tranquilo, contemplativo e extremamente bonito. Para ajudá-lo nessa empreitada, chamou alguns amigos, como Richard Wright, David Crosby, Graham Nash, Robert Wyatt e Phil Manzanera. Não tinha como dar errado.

Davi: Lindíssimo álbum do David Gilmour. Esse é um artista com um estilo bem característico. Tanto no seu estilo de tocar quanto de composição. O timbre inconfundível de guitarra já surge com tudo em “Castellorizon”. Gilmour continuava com seu estilo calmo, sutil, viajado. Quem sente saudades do Pink Floyd irá às lágrimas em “On an Island”, “Take a Breath” e “Where We Start”. Outros momentos de destaque ficam por conta de “This Heaven” e “Smile”.

Diogo: David Gilmour é um guitarrista formidável, que consegue transmitir, em forma de música, os mais belos e convincentes sentimentos. O problema é que, na ausência de seus ex-companheiros de Pink Floyd, dificilmente esses sentimentos são transformados em canções verdadeiramente memoráveis. Nem mesmo a presença de Richard Wright em “The Blue” (uma das melhores do álbum) e de outros músicos de gabarito, como Robert Wyatt, David Crosby, Graham Nash e Phil Manzanera, fazem theOn an Island um grande álbum. É um bom disco? Sem dúvida! É belo, evoca paisagens musicais interessantes e apresenta o velho conhecido tino melódico de Gilmour. Mas não é um grande disco, daqueles para ouvir fissurado, com empolgação. Assim como “The Blue”, há outras canções acima da média, como a faixa-título e “Take a Breath”, e se você é um grande entusiasta do Pink Floyd sem Roger Waters deve gostar muito do resultado, mas esse não é bem meu caso. Mesmo The Division Bell, que conta com duas canções magníficas (“Take It Back” e “High Hopes”), não chega a provocar minha paixão, e On an Island está bem abaixo dele.

Eudes: Sem sacanagem, que fixação é essa de Gilmour com essas capas estilo “Sentinela” e “Despertai”? Bom, mas ninguém ouve capa de disco! A bolachinha mesmo é assim mais ou menos. David continua um mestre da elegância “arranjística” e instrumental, com lânguidas conduções e solos agradáveis, mas… Cadê as canções? Fazem falta a parceria com Waters e, principalmente, a destreza melódica de Rick Wright. Participações como as de Graham Nash e David Crosby, ou Phil Manzanera não trazem grande novidade. Para não dizer que não falei de flores, “Red Sky at Night” é uma faixa excepcional e “This Heaven” é uma ótima e inesperada incursão no blues. Não é ruim, vamos convir, mas também não chega a empolgar. Vamos concordar, Gilmour nunca fez grandes discos solos.

Fernando: Disco solo do Gilmour do qual eu mais gosto e o único que eu não tenho. As músicas dele, porém, são muito melhores ao vivo, como podemos ouvir no fantástico Live in Gdansk (2008). Seria uma continuação de The Division Bell (1994), já que o estilo das músicas é bem parecido. É o primeiro álbum solo dele já com o Pink Floyd acabado.

Flavio: Um álbum que coloco entre os 20 melhores do ano, que peca apenas pela falta de vigor. Vamos elogiar a guitarra de Gilmour, o que é obvio. O disco é permeado de lindos solos, como na faixa-título e “The Blue”, ou mesmo de inserções de banjos, violões muito bem colocados. O álbum, que começa muito lento, ganha um pouco de dinâmica em “Take a Breath” e no groove blues “This Heaven”. Em geral, porém, é carente de aceleração, o que entendo que pode agradar aos fãs do guitarrista e do Pink Floyd, mas senti falta de um aspecto mais animado.

Jefferson: O senso melódico que o tornou famoso permanece, e a audição é bastante agradável – interessante notar que alguns trechos remetem aos ótimos Bark Psychosis e Flaming Lips, bandas claramente inspiradas pelo Pink Floyd. Todavia, por se tratar de um sujeito que já assinou obras do quilate de Meddle (1971) e The Dark Side of the Moon (1973), este aqui não dá a impressão de ser algo a que retornarei com frequência. Mas tem qualidade. Dos “tradicionais” desta lista é, de longe, o melhor.

João Renato: O grande Davi Gilmar oferece, aqui, um trabalho que poderia muito bem ter levado o selo de sua antiga banda – sim, o Pink Floyd é pretérito no aspecto existência, embora alguns se recusem a acreditar. Quem gostou dos discos que o grupo lançou após Roger Waters puxar o barco não terá do que reclamar. A diferença fica mesmo na abordagem, mais intimista, que deixou alguns atributos ainda melhores. De resto, a voz enigmática e a guitarra singular continuam fazendo a diferença.

Leonardo: Disco bastante suave e melódico do guitarrista do Pink Floyd. A audição flui sem maiores problemas, mas também sem maiores destaques. As melodias e o trabalho de guitarras são belíssimas, mas não chega a impressionar.

Mairon: O retorno de David Gilmour aos estúdios, 12 anos após The Division Bell e 22 anos após About Face (seu segundo álbum solo), era figura certa na minha lista de melhores de 2006, só não sabia a posição. Várias são as qualidades deste belo disco, que, se fosse lançado sob o pseudônimo de Pink Floyd, estaria no mesmo patamar do álbum citado acima. Afinal, olha a banda que acompanha o guitarrista inglês: Guy Pratt (baixo e vocal), Rick Wright (teclado e vocal), Jon Carin (teclado e vocal) e Dick Parry (saxofones), ou seja, quatro membros do Pink Floyd pós-Waters juntos, além de Phil Manzanera (guitarras). As canções instrumentais fortalecem a imagem de Gilmour como o mais soberbo dos guitarristas no quesito arrancar emoção de seu instrumento com poucas notas e muitos vibratos e bends. Aqui estão “Castellorizon” e “Then I Close My Eyes” para falar, ou melhor, vibrar seus tímpanos com isso. Por outro lado, o próprio Gilmour nos surpreende ao ser o centro das atenções com o solo de saxofone em “Red Sky at Night”. Já as canções com vocais são comandadas por um ritmo suave, com vocalizações e belos solos de Gilmour, ou seja, aquilo que nos acostumamos a ouvir com o Floyd depois que retornaram sem Roger Waters, e que estão presentes na faixa-título, “Smile” – uma pequena ode ao violão – “The Blue” e na singela “A Pocketful of Stones”, esta com a marcante presença do piano de Wright. Até mesmo “Take a Breath” nos remete ao Floyd, porém aquele do final dos anos 1960, início dos 1970, quando a psicodelia e a criatividade comia solta. Diferente de todas as demais, “This Heaven” é um blues moderno e bem encaixado entre as envolventes faixas de On an Island, um dos grandes discos dessa década. Ouvindo ele novamente hoje, talvez o tivesse colocado em uma posição mais superior. De qualquer forma, é muito bom vê-lo por aqui, Mr. Gilmour.

Ulisses: Introspectivo e pessoal, On an Island é um prato cheio para quem curte o estilo de tocar de Gilmour. Em “Red Sky at Night”, o cara até arrisca no saxofone, apresentando um ótimo resultado, fazendo no sax o que faz na guitarra: tocar a alma do ouvinte. Em “Then I Close My Eyes”, brinca com a guitarra turca. E no restante do sólido tracklist, seja pelo lado suave (“The Blue”) ou roqueiro (“Take a Breath”), Gilmour não decepciona.


06 A Matter of Life and Death

Iron Maiden – A Matter of Life and Death (43 pontos)*

Alissön: Gosto de várias coisas deste disco. A produção é afiada, com timbres mais moderados que os dois anteriores. Mas boa parte das canções são arranjos redundantes e melodicamente exagerados, especialmente a interpretação vocal de Bruce. Guardo boas recordações da direta “Different World”, da tensa “Brighter Than a Thousand Suns” e da ótima “Out of the Shadows”. O restante sofre dos problemas que citei ou não dizem lá muita coisa a mim.

André: Enfadonho. A palavra que melhor descreve este álbum. E eu nunca pensei que diria isso alguma vez na vida quando se trata de Iron Maiden. Vocês podem até dizer que Virtual XI (1998) é ruim ou que No Prayer for the Dying (1990) é um disco pouco inspirado, mas nenhum deles é enfadonho. Este é. Só há uma música aqui que vale a pena ser ouvida: “The Reincarnation of Benjamin Breeg”, com uma historinha toda bolada em torno da faixa. Trata-se de uma canção que lembra grandes momentos da velha donzela. Posso dizer que o Iron só tem dois discos ruins, e este é um deles.

Bernardo: Setenta minutos de Iron Maiden que, após terminar a audição, eu só lembrava mesmo de “The Reincarnation of Benjamin Breeg”, longa porém interessante. O Iron Maiden sempre teve essa inspiração épica, então até demorou para eles puxarem uma veia assumidamente “progressiva” para si. Mas eu definitivamente prefiro o Maiden mais enérgico e menos pomposo.

Christiano: Eu juro que fico chateado quando tenho que assumir que o Iron Maiden, após a volta de Bruce Dickinson, não gravou nenhum grande disco. Aliás, Bruce vinha gravando ótimos álbuns em sua carreira solo. Dos registros após a volta de Bruce, talvez A Matter of Life and Death seja um dos piores: músicas desnecessariamente longas, Bruce Dickinson insistindo em cantar em tons muito mais altos do que naturalmente consegue, Nicko McBrain investindo em viradas altamente previsíveis e por aí vai. Claro que a memória afetiva pesa quando escutamos o Maiden, mas não a ponto de considerar este disco como um dos melhores do ano.

Davi: Essa foi uma das bandas responsáveis por me introduzir ao heavy metal. Isso ainda nos anos 1980. Lá por 1987/88. Entretanto, quando ouvi este disco na época de seu lançamento, foi uma decepção. Havia o achado um trabalho sem sal, embora mantivesse seus elementos principais nos arranjos. Reouvindo agora, consigo assimilar melhor este trabalho e encontrar algumas faixas fortes que haviam passado batidas na época. Para ser mais exato: “These Colours Don’t Run”, “For the Greater Good of God”, “The Reincarnation of Benjamin Breeg” e “The Pilgrim”. O single “Different World” também é bacana. Ainda não consigo considerá-lo um clássico, como muitos fãs dizem, mas foi bacana reescutá-lo. Up the Irons!

Diogo: A Matter of Life and Death representa um caso interessante para mim. Não raro vejo pessoas declarando que se trata, no mínimo, do álbum mais fraco feito desde a volta de Bruce Dickinson e Adrian Smith; que suas canções são enfadonhas e cansativas. Pois eu vejo justamente o contrário: A Matter of Life and Death é muito provavelmente meu favorito desde o retorno desses dois integrantes. Mais curioso ainda: em alguns momentos, a insistência de Bruce em esgoelar-se mais do que deveria acaba sendo justamente um ponto mais fraco. Por mais que falte o punch de outrora, os músicos executam um trabalho bem satisfatório, jogando pro time e ajudando a moldar canções com início, meio e fim, que conseguem contar histórias que se encaixam com aquelas relatadas nas letras. A segunda metade do álbum, em especial, desperta a vontade de ouvir mais e prestar atenção de um modo que os discos posteriores não conseguiram. A escolha de “The Reincarnation of Benjamin Breeg” como primeiro single, ao invés de uma faixa mais curta e direta, foi bem positiva para mim, ajudando a baixar a guarda e a receber com menos desconfiança o então novo lançamento do Iron Maiden, considerando que Dance of Death (2003) apresentou alguns aspectos controversos, especialmente em relação à produção – melhor executada neste caso. Ah, mais alguém sentiu a citação a “22 Acacia Avenue” em “Lord of Light”?

Eudes: Aqui vale o jargão: quem nunca se impressionou com o Iron Maiden não vai ser arrebatado por este disco, e quem é macaca de auditório (dedico a expressão a Marco Gaspari) vai continuar se descabelando. Em geral, este álbum, terceiro da retomada da formação mais querida da banda, tende, como os anteriores, a voltar a certas sonoridades que remetem aos discos da era Paul Di’anno, mais melódicas, mais referenciadas no hard dos anos 1970. Mas uma parte das faixas é realmente fraca, como a de abertura “Different World”, uma melodia quase infantil. De “These Colours Don’t Run” em diante, o fã estará no seu habitual jardim das delícias. Sem novidade, mas, para os fãs, novidade pra quê?

Fernando: Talvez o mais progressivo dos discos do Iron Maiden. Não é à toa que este é o único álbum da história da banda que já foi tocado ao vivo na íntegra. “For the Greater Good of God” é a sua faixa mais característica, que serviria como um resumo de tudo o que temos no álbum.

Flavio: Um dos meus escolhidos para esse ano, AMOLAD tem alguns elementos que chamam mais minha atenção do que o mediano lançamento anterior. Ao iniciar a audição de AMOLAD, em “Different World”, parece que o estilo consagrado e acelerado da banda está de volta, porém, com o avançar da bolacha vamos entendendo que o Iron Maiden, além de trazer composições mais inspiradas, trouxe um tom mais progressivo nas suas longas músicas. Nesse aspecto, AMOLAD traz superioridade e um ar de novidade (na época) para o álbum. Posso destacar as ótimas “Brighter Than a Thousand Suns”, “The Longest Day”, “The Reincarnation of Benjamin Breeg” e “For the Greater Good of God” como exemplos dessa boa e positiva mudança. Recomendo o disco para os fãs de rock em geral que não têm preguiça de realizar algumas audições do disco (que é longo), da banda e do estilo (como eu). Ótima presença.

Jefferson: Como todo play da Donzela desde Virtual XI, considero-o um disco sem sal e requentado, digno de, no máximo, duas ouvidas.

João Renato: Apesar de não ser o pior, A Matter of Life and Death é o disco do Iron Maiden que menos gosto de escutar. Longo e previsível, repetindo clichês à exaustão. Melhor que No Prayer for the Dying e Virtual XI. Porém, esses dois são mais curtos, fato que, em álbuns ruins, faz uma diferença e tanto.

Leonardo: Na época de seu lançamento, A Matter of Life and Death não me impressionou muito. A insistência em músicas longas, com introduções cansativas e refrãos repetitivos, acabava minando minha paciência, e a audição acabava sendo prejudicada. Contudo, de alguns anos para cá, voltei a ouvi-lo, desta vez com mais atenção, e ele se tornou bastante interessante. Sim, as músicas são longas, mas funcionam bem, principalmente na segunda metade do álbum. Não é um dos melhores discos do ano na minha opinião, mas entre os trabalhos mais recentes do grupo, certamente é um dos mais inspirados.

Mairon: Um dos piores e mais chatos discos do Iron Maiden em toda a sua história. Os caras fizeram 72 minutos de canções em que NENHUMA se destaca. Tudo já foi ouvido antes, tudo já foi produzido antes, tudo já foi um sucesso antes ou um fracasso antes. Ouvir o refrão de “These Colours Don’t Run” nos remete a Brave New World (2000), enquanto “The Piligrim” tem um pouco de Powerslave (1984) na sua base central, algo de Seventh Son of a Seventh Son (1988) no seu solo, enquanto “Out of the Shadows” é uma mistura de “Wasting Love” com várias outras canções mais leves do Iron que parece mais um sampler da própria banda. Esses são alguns dos vários exemplos de que tudo o que ouvimos já foi feito antes. O álbum é tão fraco que eles decidiram fazer turnê voltando no tempo, enaltecendo as músicas antigas e sequer divulgando com uma turnê longa o álbum, conhecido como AMOLAD – a turnê durou menos de um ano, e ainda, para piorar, tocavam-no na íntegra, daí incluíram canções de The Number of the Beast (1982) para complementar o show, por conta do aniversário de 25 anos do disco, e então criaram a “Somewhere Back in Time Tour”. Fora que aguentar as introduções longas de baixo dedilhado que brotam nas quatro últimas faixas é dose para cavalo. Entra porque os fanáticos não enxergam ou não querem ouvir essas repetições insossas, mas, sinceramente, o Iron acabou com o retorno de Bruce. Tivessem encerrado suas atividades após o show do Rock in Rio, ainda teriam respeito na minha vitrola.

Ulisses: Ô disco chato da bobônica. E ainda dizem que os álbuns com o Blaze é que é são os piores… Há alguns bons momentos, como na abertura, com a direta “Different World”, e uma boa parte de “Brighter Than a Thousand Suns”, mas é daqueles discos que entram por um ouvido e saem pelo outro. Não consigo gostar de muita coisa do Maiden pós-Brave New World.


07 Donuts

J Dilla – Donuts (43 pontos)*

Alissön: O último suspiro criativo de J Dilla antes de sua morte prematura – morreria pouco tempo depois do lançamento do disco – é um dos trabalhos mais ricos e influentes da história do hip hop e da música eletrônica, por tabela. Pode parecer que se trata de um epitáfio em forma de música, mas o registro esbanja riqueza e surpreende o ouvinte por toda sua plenitude. Aos que querem entender os rumos do hip hop dos anos 2000 em diante, Donuts é mais que recomendado, é obrigatório.

André: Mais um hip hop experimental, que há algum tempo vem ocupando as cotas que eram reservadas a punks/indies/alternativos. Eu estava até animado com a faixa “Waves”, logo no início, que surpreendentemente era até legal. Mas aí começou uma salada de samples estranhos e músicas desconexas, todas com menos de um minuto e meio de duração. Há ainda algumas bacanas, tais como “Bye” e “Dilla Says Go”, mas é só também. Pelo que eu pesquisei, este disco é considerado um dos suprassumos do gênero e o sujeito estava para morrer quando o gravou. Triste, mas creio que só agrade mesmo quem gosta desse estilo. Mais uma amostra que eu devo continuar a ser um metaleiro acéfalo ainda por um bom tempo.

Bernardo: Segundo e último álbum de Dilla, lançado dias antes de sua morte em decorrência de uma rara doença no sangue. Este álbum de hip hop instrumental nitidamente abriu portas para muita coisa que se pratica hoje, em que as texturas foram catapultadas à uma relevância artística inédita. Donuts é uma viagem assim: sombria, humorada, esquizóide, com melodias comoventes, samples criativos e batidas pra lá de bem pensadas; música autenticamente contemporânea em sua plena maturidade. Falando nisso, o fato de entrar sem eu ter votado mostra que os meus meninos da Consultora estão crescendo (coração ésse dois).

Christiano: Até então, ninguém havia tido a brilhante ideia de lançar um disco todo arranhado para ser vendido. Ao apertar o play, a sensação de angústia é indescritível. Não recomendo.

Davi: Mais um disco experimental de hip hop feito em cima de samplers. Há alguns momentos interessantes, como quando ele resgata “You’re Gonna Need Me”, de Dionne Warwick, em “Stop”, ou ainda quando se utiliza de “All I Do Is Think of You”, do The Jackson 5, em “The Donut of the Heart”, mas há outros momentos viajados que acho bem chatos, como “Airworks”, no qual parece que você está ouvindo um disco riscado. De modo geral, achei interessante, mas não achei genial.

Diogo: Ao menos uma coisa precisa ser dita a respeito de J Dilla: a coleção de discos desse rapaz devia ser extensa e de muito bom gosto. Além disso, seu conhecimento a respeito dela também devia ser absurdo, dada a quantidade de colagens por ele executadas ao longo das curtas 31 faixas de Donuts. Não é de se admirar, inclusive, que a carreira de Dilla tenha se focado mais na produção, pois sua habilidade em extrair sonoridades e mesclá-las a outras é admirável. Olha só: disse que tinha uma coisa a ser dita sobre ele, mas acabei dizendo bem mais. Donuts não é o tipo de álbum que escuto com grande prazer, mas seu experimentalismo tem muito mérito.

Eudes: Sou da opinião de que álbuns de rap/hip hop, por mais inventividade nas mixagens e samplers que tragam, e este é inegavelmente criativo, terminam sendo discos de poesia falada. Quem não domina o inglês urbano e étnico que predomina não é capaz de usufruir suficientemente. Sobre este disco, devo dizer que simpatizei com ele, principalmente pelas referências à guitarra psicodélica (a primeira faixa é bem legal) mas me sinto despreparado para emitir uma opinião que tenha alguma utilidade. Como bom dino, em termos de black music (seja lá o que isso queira dizer), ainda estou no samba e no soul (aliás, em “Light It”, J Dilla não deixa de homenagear os velhos soul men and women).

Fernando: Colagens sonoras em faixas super curtas. Não vi muito sentido.

Flavio: Ao ouvir as 31 faixas deste disco Ctrl+C/Crtl+V perfazendo mais 44 minutos de aperfeiçoamento no conhecimento do estilo, identifico que há bons Ctrl+C vocais masculinos/femininos nas faixas “Stop”, “Lightworks” (“The name of the game is Lightworks!” Manhattan Research) e “Two Can Win”, tudo em um Ctrl+V, como o resto dos elementos também Ctrl+C nas faixas. No geral há uma provavelmente considerada genial, desconcatenação rítmica/repetitiva descoordenada nas colagens e é razoavelmente interessante pesquisar e saber do que o tal Roland/Boss Dr. Sample SP-303 é capaz, junto com J Dilla, de fazer as 29 das 31 faixas. Ctrl+Z, passo…

Jefferson: As composições por si só já bastariam para justificar os elogios, mas um disco não se resume apenas à música (por mais contraditório que isso possa soar). De maneira similar ao último álbum de David Bowie, Donuts foi criado por um artista bastante respeitado, vale frisar em seu leito de morte, em um quarto de hospital (Dilla também morreria alguns dias após o lançamento do play). Desse modo, o álbum torna-se praticamente uma jornada conceitual dividida em pequenos flashes: vida, morte, recortes, groove, música. Honestamente, não confio na índole de quem ouvir e não sentir nada.

João Renato: Li a história do cidadão e é comovente. De se admirar sua dedicação, luta e obstinação para concluir o disco, mesmo sucumbindo aos problemas de saúde. E isso é tudo que posso elogiar.

Leonardo: Na boa, isso é insuportável para mim. Deixo para os colegas mais familiarizados com o estilo a tarefa de comentá-lo.

Mairon: Disco de hip hop pseudoinstrumental, com diversos samplers, conforme o estilo pede. Não foi uma tortura ouvir, ainda mais com passagens interessantes dos metais em “The Difference”, os vocais de “Don’t Cry” e da lembrança de Zappa em “Mash”, e outra aqui e acolá, mas, sinceramente, isso não é música, são SAMPLERS de várias canções unidos para formar faixas de pouco mais de um minuto. O que isso tem de bom ou novidade? Discordo totalmente da presença disso aqui na lista. A sorte é que o álbum é relativamente curto

Ulisses: Vai ser dose comentar este disco, mas tenho que tentar. É daquela coisa que se chama hip hop instrumental, com a qual não estou acostumado. Trinta e uma faixas que são vários beats curtinhos (só “Workinonit” passa dos dois minutos), sampleados de fontes diversas o foco parece ser no soul que o Dilla vira de cabeça para baixo e transforma em algo totalmente diferente. A duração curta das faixas trabalha a seu favor: quando aquele beat começa a querer cansar, o ouvinte já está em outro, com um feeling diferente às vezes mais relaxado, às vezes mais animado, ainda que isso não seja suficiente para realmente prender a atenção. O resultado não é daqueles que me pegam “de jeito”, mas é bastante interessante, e mais legal do que registros similares que já deram as caras por aqui, como Endtroducing… (DJ Shadow, 1996) eMadvillainy (Madvillain, 2004).


08 The Open Door

Evanescence – The Open Door (34 pontos)

Alissön: Nada soa tão indigesto quanto música datada. Se na época do lançamento, quando era maluco por nu metal, o som já não me dizia muita coisa, hoje a coisa só ficou ainda pior. Som completamente insípido e sem propriedade, não representa o melhor de sua época, muito menos mostra força fora de sua época de lançamento.

André: Já tive lá meus preconceitos com relação ao Evanescence. Hoje tenho uma opinião mais favorável para com Amy Lee e companhia. Embora Fallen (2003) tenha mais hits e canções memoráveis, acho The Open Door superior e um tanto mais interessante em termos de composição. A banda continua a apostar naquele metal que às vezes soa pop e às vezes alternativo, cujas músicas tratam basicamente das visões e relações pessoais da vocalista e principal compositora e os acontecimentos que a rodeiam. Destaco principalmente “Lithium”, “The Only One” e a minha favorita, “All That I’m Living For”, cujo instrumental e vocais soam cativantes e originais. Hoje gosto do disco e dou mérito para a atualmente rechonchuda vocalista e líder da banda.

Bernardo: Quando o Evanescence, na crista da onda, teve carta branca para ser mais Evanescence do que nunca. Particularmente, só achei melhorzinha a música de trabalho, a dor de cotovelo “Call Me When You’re Sober”. Aliás, êta álbum doído. Um verdadeiro clichê do rock gótico.

Christiano: Tentei escutar, mas essas vozes tipo Sandy com guitarrinhas pesadas não me descem. O Evanescence pegou todos os clichês das bandas de gothic metal, misturou com alguns elementos mais modernos, como afinações baixas, e gravou um ótimo disco para as crianças que cresceram ouvindo Sandy & Junior.

Davi: Sempre gostei do Evanescence. Gosto da voz da Amy Lee e acho que eles conseguiram fazer um som comercial, pesado e com personalidade. Pena que tenham gravado pouco. Embora sua discografia seja curta, é bem consistente. Em The Open Door, os músicos seguiram os passos do seu bem-sucedido Fallen (2003). Ou seja, voz forte e melódica, guitarras sujas, teclados e programações. Acredito que “Call Me When You’re Sober” seja a faixa que tenha ficado na cabeça daqueles que viveram o período.Mas The Open Door tem outros momentos de enorme destaque, como “Sweet Sacrifice”, “Weight of the World”, “Lithium”, The Only One”, “All That I’m Living For” e a lindíssima “Good Enough”. Belo disco!

Diogo: Do início dos anos 2000 pra cá, época em que o nu metal estava em alta (e eu o odiava), perdi o ranço com o estilo e passei a apreciar muito do que foi feito naquela época, sejam coisas explicitamente ligadas ao subgênero ou algumas que tangenciavam com ele. Com o Evanescence isso não mudou. Continuo achando a banda insípida, de um lirismo plastificado, incapaz de provocar alguma reação em mim que não seja indiferença. A interpretação de Amy Lee chega a incomodar em alguns momentos, em uma oscilação entre o popular e o erudito que muito dificilmente me agrada. Isolados individualmente, os elementos que formam a sonoridade do Evanescence até que não são ruins, mas a união de todos eles faz com que eu me mantenha bem afastado do grupo. Em se tratando de álbuns mais pop, seria muitíssimo melhor ver por aqui o estupendo Beautiful World, do Take That.

Eudes: Fiquei feliz em saber, por coincidência, no dia em que escrevo estas mal traçadas linhas, que Amy Lee resolveu fazer na carreira solo o que sempre fez na banda, discos infantis. Vá com deus, Amy. Este disco é aquele mais do mesmo, faixas que beiram o brega vestidas em arranjos que vão de homenagens involuntárias a Liberace ao heavy fake, para impressionar meninas de 16 anos. Vá lá, “Sweet Sacrifice” e simpática, mas é pouco para tornar o disco um dos melhores de todos os tempos.

Fernando: Lembro bem quando o Evanescence surgiu. Tratávamos eles como uma mistura de Korn com Nightwish. Acredito que a baixa avaliação que as pessoas em geral têm com eles seja o preconceito com as duas vertentes que essas duas bandas representas, o nu metal e o metal sinfônico. Até estranhei a presença deles aqui, mas não achei um despropósito. Eles não são uma maravilha, até tenho um CD deles, mas estão longe de ser uma porcaria.

Flavio: A sequência do consagrado disco de estreia. O Evanescence incorpora alguns sutis elementos em The Open Door, inclusive que não me agradam muito, como elementos de symphonic metal ou de bateria soando como samplers, mas, como dito acima, são sutis variações. Num geral, entendo The Oper Door como um álbum forte, com novos clássicos incorporados ao repertório da banda, como “Call Me When You’re Sober”, “Sweet Sacrifice”, “Lacrymosa”, “Lithium” e “Your Star”. Aproveito também para dizer que o timbre de Amy Lee é um dos pontos que me aproximam de gostar da banda, e novamente ela está muito bem neste segundo disco. Se você gostou do primeiro e não tem preconceitos com a sutil incorporação de elementos um pouco mais modernos, deve gostar também deste álbum, um bom representante para o ano.

Jefferson: Costumo defender este disco, muito mais maduro que a choradeira insuportável de Fallen, mas nem de longe merece estar entre os melhores do ano.

João Renato: Tá aí uma banda que nunca me atraiu. A abordagem lírica, a musicalidade, tudo soa um tanto quanto plastificado e genérico.

Leonardo: Não conhecia o disco, e confesso que me surpreendi. Boas melodias e riffs de guitarra, e orquestrações na medida certa. E bem menos influência de nu metal em relação ao seu disco anterior, Fallen. Não compraria, mas também não me incomoda.

Mairon: Lembro do Rock in Rio de 2011, quando o Evanescence abriu para o Guns N’ Roses, e fez um belo show. Naquele dia, busquei a discografia da banda e ouvi todos os álbuns lançados até então, que se constituíram até hoje nos únicos três discos do grupo. Gostei do que ouvi, principalmente porque acho a interpretação vocal da Amy Lee muito boa e sensual, sem exageros. Principalmente, sabendo dosar os lados sopranos na medida certa com as guitarras ou com o piano, como enaltece o grande sucesso do disco, “Lithium”, e faixas que ficaram obscuras no álbum por conta do seu sucesso, como a bela “The Only One”. Além disso, como as canções são curtas, não dá tempo de se irritar ou tornar a audição maçante. Várias faixas são interessantes, com destaque total para a empolgante distorção de “Weight of the World”, a receita certinha sutileza + peso em “Your Star”, o encantamento da gigante “Good Enough”, com um show de piano e orquestração, e a clássica faixa de abertura, “Sweet Sacrifice”. As demais também têm seus méritos, seja pela boa harmonia instrumental de “Call Me When You’re Sober”, a presença marcante das cordas em “Cloud Nine” e o coral estourando em “Lacrymosa”. Confesso que não vou muito com a cara da percussão moderna de “All That I’m Living For”, “Lose Control”, “Snow White Queen” e “Like You”, faixas menores de um disco muito bom, que ficou bem para representar 2006, talvez a melhor lista apresentada aqui desde 1991.

Ulisses: Eu não esperava ver o Evanescence por aqui, até porque o arrasa-quarteirãoFallen não apareceu em 2003. Rodeada pelo fantasma da saída do guitarrista Ben Moody, a banda procurou emplacar um som mais encorpado e ligeiramente mais experimental em The Open Door, mas sem entregar hits tão potentes como “Bring Me to Life” ou “My Immortal”. Ao invés disso, a parceria de Amy e Terry Balsamo aposta em canções de clima ainda mais gótico (“Lacrymosa”), uso eficiente de corais (“Weight of the World”) e letras mais pessoais (“Call Me When You’re Sober” e “Snow White Queen”). O resultado é bastante aceitável, maduro, e chega mesmo a impressionar em vários momentos, especialmente ao ouvir Amy se esgoelando bonitamente em “Sweet Sacrifice” e “The Only One”.


09 Speak of the Dead

Rage – Speak of the Dead (31 pontos)

Alissön: Dia desses estava ouvindo At the Edge of Time (2010), décimo disco da banda alemã Blind Guardian. Na hora, eu lembro de ter pensado: é desse jeito que se faz metal sinfônico. Equilibrado, natural, harmônico e com grandiosidade, uma verdadeira experiência sonora, sem nenhum exagero. O que aquele disco tem a ver com Speak of the Dead? Nada. A produção deste é horrorosa. As partes sinfônicas parecem feitas digitalmente (isso se, de fato, não tenham sido feitas) e inseridas das formas mais previsíveis e robóticas possíveis. Musicalmente isso não tem nada de relevante a oferecer, além de ter me proporcionado uma das piores experiências sonoras que eu tive o desprazer de desfrutar.

André: Os discos anteriores do Rage que entraram aqui até são bons, mas se ficassem de fora da série não fariam aquela falta. Mas este aqui é diferente. Speak of the Deadé o melhor álbum lançado pelo Rage. Orquestrado mas ao mesmo tempo pesado, o disco já chacoalha tudo com a “Suite Lingua Mortis”, o principal destaque do disco. Fico me perguntando por que Peavy Wagner não continuou com a banda nessa linha do metal sinfônico (usou também em Strings to a Web, de 2010), pois achei que se encaixa perfeitamente com o estilo dele. Depois, o disco cai para um padrão mais “velho Rage”, mas mesmo assim agrada com “Full Moon” e a faixa-título. Feliz por ter entrado entre os dez melhores.

Bernardo: Quando eu acho que vocês elegem muita banda genérica e parecida, vão vocês e elegem várias vezes o Rage. Bem, tem seus momentos.

Christiano: 2006 foi um ano que teve vários discos ótimos. Infelizmente, muitas coisas interessantes foram preteridas e deram lugar para mais um disco do Rage. Speak of the Dead é um pouco diferente dos discos anteriores da banda, pois conta com arranjos de uma orquestra. “No Regrets” utiliza alguns recursos de música eletrônica, que soam meio deslocados. “Kill Your Gods” e a faixa-título apostam naquela velha história de pedais duplos o tempo todo, riffs mais rápidos etc. Enfim, mais um disco do Rage…

Davi: Este álbum é dividido em dois momentos. A primeira parte é, mais uma vez, com uma pegada sinfônica, tendo uma orquestra por trás, seguindo a trajetória iniciada emLingua Mortis (1996). O segundo momento é um heavy metal mais direto, mais tradicional. Gosto muito das experiências do Rage com orquestração – XIII (1998) eGhosts (1999) ainda são meus álbuns preferidos do trio germânico. Contudo, neste disco, achei as composições da segunda parte mais fortes. As características se mantêm. Peter Wagner entrega um vocal forte e bem agradável. Victor Smolski demonstra ser altamente criativo nas guitarras e Mike Terrana o monstro de sempre na bateria. Na primeira parte, a melhor composição é “Innocent”. Já na segunda etapa, temos “No Fear”, “Full Moon”, “Kill Your Gods”, “Be With Me or Be Gone” e “Speak of the Dead” se destacando. Bom álbum!

Diogo: Alerta! Cuidado com participantes que dedicam dezenas de linhas para desmerecer o heavy metal ao longo desta série mas, contraditoriamente, cantam loas a álbuns como Speak of the Dead. Brincadeiras (ou não) à parte, quem leu as edições anteriores sabe que não sou muito chegado no Rage e expressei isso em relação aos dois discos do grupo que já deram as caras por aqui. Admito, porém, que em Speak of the Dead as coisas deram uma melhorada. O trio foi mais criativo tanto no segmento orquestrado quanto naquele voltado ao heavy metal sem aspirações sinfônicas, trabalhando melhor as melodias de uma maneira que os vocais de Peavy Wagner soam mais aceitáveis. Dentro da proposta do grupo, acho muito, mas muito difícil mesmo que consigam oferecer algo melhor que Speak of the Dead, ainda mais na atualidade, sem contar com a destreza de Victor Smolski e Mike Terrana, dois músicos com cancha suficiente para tocar em formações de primeiro escalão.

Eudes: Quem precisa de uma banda cover do Faith no More, ainda mais sem o talento do “homenageado”?

Fernando: O Rage passou de uma banda de power metal vigoroso e bastante pesado para o que podemos chamar de metal sinfônico. O álbum é dividido em duas partes: na primeira todo o lado sinfônico foi explorado nos oito segmentos da “Suite Lingua Mortis”, em que eles são acompanhados por uma orquestra. A segunda parte do álbum é de músicas mais tradicionais do grupo. Discão!

Flavio: Os músicos do Rage têm inegável competência em seus instrumentos, com o vocal (como dito anteriormente) no limite do agradável. Neste album há novamente a mistura de heavy metal, thrash metal, power metal, symphonic metal e progressive metal. Há, no entanto, a predominância do power metal, além de alguma ênfase em toques sinfônicos e coros, em um arranjo proximo ao operístico. Há um pouco de mistura também, com elementos alternativos (como sons e efeitos sampleados), como na música “No Regrets”, que é uma das que menos aprecio. A faixa-título é uma das que mais gosto, há nela mais elementos de prog e heavy, enquanto o single “Full Moon” e “No Fear” são mais calcadas em um heavy tradicional. Outra faixa interessante é “Kill Your Gods”, transitando entre power, prog e heavy metal, e com um solo com ótima dobra de guitarra e baixo, além do refrão bem pegajoso, no bom sentido. No geral, é um bom disco, com momentos que menos aprecio e outros que funcionam muito bem. Vale a pena conhecer o trabalho do Rage em Speak of the Dead, principalmente para os adeptos do estilo.

Jefferson: Típico power metal palhetado, de refrãos “emocionantes” e com uns arranjos orquestrados pra dar ainda mais pomposidade em um gênero já saturado. O diferencial deste disco em relação aos trocentos outros que infestam um GetMetal da vida me parece ser esse mascote da boca-serrote, porque olha…

João Renato: Trabalho muito exaltado à época de seu lançamento, o último com a formação mais técnica do Rage conta com a sublime “Suite Lingua Mortis”. Não é o que fizeram de melhor, mas possui qualidade. Se as outras músicas não oscilassem tanto, seria ainda mais valoroso.

Leonardo: Depois de três dsicos mais voltados ao heavy metal clássico da banda, o Rage retomou sua veia sinfônica no ótimo Speak of the Dead: A primeira parte do disco, intitulada “Suite Lingua Mortis”, funde como poucas vezes foi visto o heavy metal à música clássica, com resultados excelentes. Não se trata de apenas ter uma orquestra acompanhando a banda, como Metallica e Scorpions fizeram, com resultados bem abaixo do esperado, mas composições que fundem os dois estilos de maneira perfeita. Na segunda metade, o grupo apresenta canções no seu estilo mais tradicional de metal clássico, mais uma vez com resultados excelentes. Altamente recomendado!

Mairon: Esse álbum é daqueles em que poucos minutos já são suficientes para que o coloquemos no patamar das grandes bandas. Em especial, a “Suite Lingua Mortis”, com suas oito partes, foi o que me chamou atenção. Não toda a suíte, mas as partes instrumentais (“Morituri Te Salutant”, “Prelude of Souls”, “Depression”, “Confusion” e”Black”) fazem um casamento perfeito entre orquestra, guitarra veloz, bateria impecável e a criação de um marco no metal. Os discos anteriores do Rage já flertavam com algo similar, mas a forma como fizeram em Speak of the Dead faz parecer que o Dream Theater finalmente havia achado um jeito de compor prog metal com qualidade suficiente, só que são apenas três músicos e a orquestra detonando com tudo. Mesmo “Innocent” e “No Regrets”, outras duas partes da suíte, têm seus atrativos vocais, e somente “Beauty” não exala a beleza que a criação dos alemães apresenta no título, sendo a mais fraquinha das canções. Depois do tour de force que é a suíte, responsável por abrir o álbum, temos “No Fear”, que se tornou um clássico na discografia da banda, carregada por seu impressionante videoclipe de divulgação, e outro grande clássico, “Full Moon”, com mais um videoclipe que marcou época. Acho que neste registro o Rage chegou no seu auge, com sua melhor formação, tendo Victor Smolski nas guitarras, Mike Terrana na bateria e “Peavy” Wagner no baixo e nos vocais. Aliás, como tocam Smolski e Terrana, puta que pariu! O que eles fazem na veloz “Soul Survivor”, na pancada/intrincação de “Kill Your Gods” e na porradaria ostentação da faixa-título é para liquidar com os pescoços. Já “Peavy” destaca-se em “Turn My World Around”, curiosamente uma das faixas mais fracas do álbum, junto de “Be With Me or Be Gone”, essa em um nível acima por conta do peso estabelecido na sua introdução e pelo solo cirúrgico de Smolski. Baita disco, disparado o melhor do Rage, apesar de eu talvez ter que reconsiderar sua posição em minha lista.

Ulisses: A primeira parte do CD, orquestral, é bem legal, sendo uma suíte dividida em oito partes que cumpre bem o papel de unir heavy metal com música clássica. Após a suíte, o trio retoma sua sonoridade power metal. Nada particularmente digno de nota, mas consegue divertir um pouco. Preferia mesmo que a união com a orquestra dominasse o álbum inteiro.


10 IV

Winger – IV (30 pontos)

Alissön: Um retorno que ninguém pediu, de uma banda para a qual ninguém mais dava a mínima. Quer saber como funcionaria um Bon Jovi com pedal de drive? Aí está o resultado.

André: Gosto do velho Winger, não conhecia ainda este álbum deles, e apesar da estrutura hard rock, o peso de muitos riffs é praticamente heavy metal. Porém, achei este disco padrão demais. Tem algumas boas faixas, sendo a balada “On a Day Like Today” a melhor, mas a audição do disco todo deixa apenas a sensação de um hard/heavy comum. Acho o hard/glam do Wig Wam (a já encerrada banda de Trond Holter, músico que lançou recentemente Dracula: Swing of Death) e seu ótimo Wig Wamania mais digno de ocupar este posto.

Bernardo: Bem qualquer coisa. Só tinha ouvido uma ou outra coisa posterior da banda, e este disco não faz muito meu gênero não.

Christiano: O Winger era uma banda de hair metal nos anos 1980. Felizmente, depois de um bom tempo de carreira, começaram a lançar bons discos e deixaram os clichês de lado. IV marca o renascimento da banda e traz ótimas composições de Kip Winger e cia. A abertura com “Right Up Ahead” surpreende aqueles que estavam acostumados com as farofas do passado. “Blue Suede Shoes” é uma balada muito bonita, sem exageros. “Disappear” traz um refrão planejado para ser executado ao vivo e animar a galera. Ótimo disco.

Davi: Assim como o Europe, muitos ainda insistem em olhar para o Winger como uma banda poser. Em ambos os casos, erroneamente. O Winger já havia demonstrado que era muito mais do que isso no pesado (e fantástico) Pull (1993) e mostra excelência, mais uma vez, em IV. O peso foi mantido, mas juntos vieram as orquestrações e os violões, características que já haviam aparecido nos álbuns solo de Kip Winger. Vieram também as quebras de tempo com pegada prog, provavelmente inspiradas nos trabalhos que o baterista Rod Morgenstein realizou ao lado do Dixie Dregs. O resultado foi um álbum com uma sonoridade única e composições inspiradas. “Right Up Ahead”, “Four Leaf Clover”, “Your Great Escape”, “Generica” e “Disappear” se destacam.

Diogo: Só quem nunca prestou muita atenção no que o Winger havia feito em sua primeira encarnação ficou realmente surpreso com o caminho tomado em IV, disco que marcou a retomada de suas atividades. Desde 1988, canções aparentemente bobinhas, como “Seventeen” e “You Are the Saint, I Am the Sinner”, mostravam nas entrelinhas um grupo muito acima da média, com um domínio dos seus instrumentos capaz de fazer com que a banda alçasse voos altos e colocasse em prática a sonoridade que bem entendesse. Se nem o seriíssimo (e magnífico) Pull fez com que o preconceito se quebrasse, não vai ser com IV que isso vai acontecer. O foco no progressivo, que já havia aparecido de maneira mais tímida no passado, dessa vez tomou conta, em algumas ocasiões passando por cima do hard rock, como é o caso de minha favorita, “Blue Suede Shoes”, e de “Generica”. Em outras, a simbiose desses subestilos é perfeita, como em “Four Leaf Clover”, “M16” e “Right Up Ahead”. O heavy metal mais direto tem espaço na forma de “Your Great Escape” e “Short Flight to Mexico”, enquanto as baladas – e não são power ballads no molde oitentista – também marcam presença: “On a Day Like Today” e “Can’t Take It Back”. Falar que Rod Morgenstein e Reb Beach estão tocando absurdamente bem é atestar o óbvio, mas ainda reservo mérito a Kip Winger, que produziu o álbum de forma surpreendente (o som de seu baixo está ótimo), toca melhor do que nunca e canta tão bem quanto. Adoro o caminho mais pesado que a banda seguiria em Karma (2009), mas IV só não é seu melhor álbum pois Pull é uma das obras mais injustiçadas da década de 1990.

Eudes: Hard agradável, embora sem face, cor ou cheiro, tocado por músicos de boa cepa. O que se ouve ao longo do CD é uma combinação hábil dos clichês convencionais do heavy e do hard rock, em execuções irretocáveis, mas carentes de inventividade. Não achei nem ruim nem bom.

Fernando: Fico contente do Winger ter entrado com este disco. A banda não é lá uma unanimidade, mas sempre produziu coisa boa. IV é o disco mais trabalhado dos norte-americanos. Alguns até dizem que é o disco progressivo do Winger, o que é obviamente um exagero. O álbum também marcou o retorno do grupo, que não lançava um álbum desde o ótimo Pull.

Flavio: O disco começa de forma excelente, com a pesada “Right Up Ahead”, e cabe aqui destacar o excelente trabalho vocal de Kip Winger, principalmente no lindo refrão. A partir da segunda música, porém, há a presença de violões e um tom bem mais leve na bolacha, mais alinhado com o estilo tradicional da banda. O hard rock característico e bem sólido do Winger está presente em todas as músicas, já que o álbum é bem coeso. Há baladas, como “One Day Like Today”, músicas mais aceleradas, como “Short Flight to México”, e outras ótimas composições, como “Four Leaf Clover” ou “Your Great Escape”. Enfim, um bom representante do hard rock é sempre bem vindo.

Jefferson: O auge da carreira desses caras foi mesmo levar dardos em um videoclipe do Metallica.

João Renato: Para ser sincero, este é o disco do Winger de que menos gosto. Boas músicas, técnica indiscutível, mas faltou algo mais. Os que vieram depois me cativaram bem mais.

Leonardo: Belo disco do Winger! Hard rock vigoroso, técnico, com riffs certeiros e solos impressionantes, além do vocal correto de Kip Winger.

Mairon: Disco surpreendente. Pesado e bem trabalhado, mas carregando uma pomposa sonoridade inimaginável para uma banda que marcou época como símbolo do hard farofa oitentista, como atestam “Blue Suede Shoes”, “Can’t Take It Back” e “M16”. A farofice se apresenta timidamente em “Four Leaf Clover”, “Short Flight to Mexico” e na balada “Disappear”. Destaques negativos para “Generica”, faixa chata, tentando criar um funk/swing que não diz nada aos ouvidos, e positivos para “Your Great Escape” e “Right Up Ahead”, que se sobressaem na audição geral de um álbum legal, mas que não é nada de mais.

Ulisses: Esse hardão aqui é um pouco melhor. Digo isso tanto em relação ao outro álbum de mesmo estilo dessa lista (Live to Win) quanto em relação ao que conheço do passado do Winger. Pesado, variado, com ótimas guitarras e algumas ótimas composições (especialmente “Four Leaf Clover” e “Your Great Escape”).


* A Matter of Life and Death (Iron Maiden) ficou empatado com Donuts (J Dilla), ambos com 43 pontos. Como não foi possível aplicar nenhum critério de desempate, a decisão a respeito do sexto colocado foi tomada através de uma enquete na qual participaram todos os colaboradores da série.


Listas individuais

Alissön Caetano Neves

  1. Joanna Newsom – Ys11 Ashes Against the Grain
  2. J Dilla – Donuts
  3. Agalloch – Ashes Against the Grain
  4. Brand New – The Devil and God Are Raging Inside Me
  5. Meshuggah – Nothing
  6. Sunn 0))) & Boris – Altar
  7. Tool – 10,000 Days
  8. Converge – No Heroes
  9. Peste Noire – La Sanie des Siècles: Panégyrique de la dégénérescence
  10. Negură Bunget – OM

André Kaminski

  1. Celtic Frost – Monotheist12 Rodrigo y Gabriela
  2. Rodrigo y Gabriela – Rodrigo y Gabriela
  3. Legion of the Damned – Malevolent Rapture
  4. Rage – Speak of the Dead
  5. The Flower Kings – Paradox Hotel
  6. Wig Wam – Wig Wamania
  7. Sepultura – Dante XXI
  8. Heavenly – Virus
  9. Hammerfall – Threshold
  10. Peter Frampton – Fingerprints

Bernardo Brum

  1. Tom Waits – Orphans, Brawlers, Bawlers and Bastards13 Orphans, Bawlers, Brawlers and Bastards
  2. Bob Dylan – Modern Times
  3. Amy Winehouse – Back to Black
  4. Joanna Newsom – Ys
  5. TV on the Radio – Return to Cookie Mountain
  6. Muse – Black Holes and Revelations
  7. Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not
  8. Justin Timberlake – FutureSex/LoveSounds
  9. Panic! At the Disco – A Fever You Can’t Sweat Out
  10. The Long Blondes – Someone to Drive You Home

Christiano Almeida

  1.  Amy Winehouse – Back to Black
  2. David Gilmour – On an Island
  3. Midlake – The Trials of Van Occupanther
  4. The Raconteurs – Broken Boy Soldiers
  5. Zero 7 – The Garden
  6. Isobel Campbell & Mark Lanegan – Ballad of the Broken Seas
  7. My Brightest Diamond – Bring me The Workhorse
  8. Charlotte Gainsbourg – 5:55
  9. Von Hertzen Brothers – Approach
  10. The Gathering – Home

Davi Pascale

  1. Amy Winehouse – Back to Black15 Rise
  2. Evanescence – The Open Door
  3. Paul Stanley – Live to Win
  4. The Answer – Rise
  5. Winger – IV
  6. Roadstar – Grand Hotel
  7. Sammy Hagar – Livin’ It Up
  8. Red Hot Chili Peppers – Stadium Arcadium
  9. Muse – Black Holes and Revelations
  10. Pearl Jam – Pearl Jam

Diogo Bizotto

  1. Celtic Frost – Monotheist
  2. Take That – Beautiful World
  3. Richie Kotzen – Into the Black
  4. Winger – IV
  5. Dissection – Reinkaos
  6. Paul Stanley – Live to Win
  7. I – Between Two Worlds
  8. Krisiun – Assassination
  9. Meat Loaf – Bat out of Hell III: The Monster Is Loose
  10. Europe – Secret Society

Eudes Baima

  1. Amy Winehouse – Back to Black17 Universo ao Meu Redor
  2. Marisa Monte – Universo ao Meu Redor
  3. Gotan Project – Lunático
  4. Paul Simon – Surprise
  5. Elton John – The Captain and the Kid
  6. The Raconteurs – Broken Boy Soldiers
  7. Beirut – Gulag Orkestar
  8. Caetano Veloso –
  9. Scott Walker – The Drift
  10. Yo La Tengo – I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass

Fernando Bueno

  1. Iron Maiden – A Matter of Life and Death18 With Oden on Our Side
  2. David Gilmour – On an Island
  3. Celtic Frost – Monotheist
  4. Amon Amarth – With Oden on Our Side
  5. Von Hertzen Brothers – Approach
  6. Violator – Chemical Assault
  7. Winger – IV
  8. Pagan Altar – Mythical & Magical
  9. Trivium – The Crusade
  10. Witchery – Don’t Fear the Reaper

Flavio Pontes

1. Jorn – The Duke19 The Duke

2. Iron Maiden – A Matter of Life and Death

3. Paul Stanley – Live to Win

4. Evanescence – The Open Door

5. Michael Schenker Group – Tales of Rock ‘n’ Roll

6. Queensrÿche – Operation: Mindcrime II

7. Europe – Secret Society

8. Lacuna Coil – Karmacode

9. Winger – IV

10. Audioslave – Revelations

Jefferson Garcia

  1. J Dilla – Donuts20 The Devil and God Are Raging Inside Me
  2. Joanna Newsom – Ys
  3. Brand New – The Devil and God Are Raging Inside Me
  4. Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not
  5. Time Hecker – Harmony in Ultraviolet
  6. Cult of Luna – Somewhere Along the Highway
  7. Mastodon – Blood Mountain
  8. Sibylle Baier – Colour Green
  9. Agalloch – Ashes Against the Grain
  10. Celtic Frost – Monotheist

João Renato Alves

  1. Lordi – The Arockalypse21 The Arockalypse
  2. Paul Stanley – Live to Win
  3. Brother Firetribe – False Metal
  4. Richie Kotzen – Into the Black
  5. Matanza – A Arte do Insulto
  6. Sodom – Sodom
  7. David Gilmour – On an Island
  8. Rage – Speak of the Dead
  9. Meat Loaf – Bat Out of Hell III: The Monster Is Loose
  10. Celtic Frost – Monotheist

Leonardo Castro

  1. Paul Stanley – Live to Win22 World Upside Down
  2. Amon Amarth – With Oden on Our Side
  3. House of Lords – World Upside Down
  4. Celtic Frost – Monotheist
  5. Riot – Army of One
  6. Chrome Division – Doomsday Rock ‘n Roll
  7. Sunstorm – Sunstorm
  8. In Flames – Come Clarity
  9. Jon Oliva’s Pain – Maniacal Renderings
  10. Europe – Secret Society

Mairon Machado

  1. Amy Winehouse – Back to Black23 The Sane Day
  2. Beardfish – The Sane Day
  3. Rage – Speak of the Dead
  4. Isis – In the Absence of Truth
  5. Rodrigo y Gabriela – Rodrigo y Gabriela
  6. Glenn Hughes – Music for the Divine
  7. J. Cale & Eric Clapton – The Road to Escondido
  8. David Gilmour – On an Island
  9. Slayer – Christ Illusion
  10. Sir Lord Baltimore – III Raw

Ulisses Macedo

  1. Wolf – The Black Flame24 The Black Flame
  2. Aghora – Formless
  3. Diablo Swing Orchestra – The Butcher’s Ballroom
  4. Killing Joke – Hosannas From the Basements of Hell
  5. Angra – Aurora Consurgens
  6. Yui – From Me to You
  7. David Gilmour – On an Island
  8. Evanescence – The Open Door
  9. Delain – Lucidity
  10. Motörhead – Kiss of Death


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11 replies

  1. Me parece um ano muito fraco o de 2006, quem sabe os habitantes destes comentários ( em especial o JP e o Kelsei) nos tragam boas dicas entre álbuns que acabamos por esquecer.Entendo que o Flávio deve ter tido dificuldade uma lista final, e ter tido arrepios em ter de resenhar álbuns como o de J DIla e o de Joanna Newsom.
    Em um ano onde talvez indicasse o álbum solo de Stanley como vencedor e que até também consideraria colocar o Operation Mindcrime II (que é um arremedo do clássico e original Operation: Mindcrime , de 1988, numa clara tentativa da banda em arrematar umas verdinhas)na lista final é chegar a conclusão que o trabalho aqui é dureza mesmo.
    A lista de 2007 anda em curso neste momento, me parece o ano menos árduo do que esse.
    Aguardo, quem sabe, boas dicas dos especialistas do Minuto HM.

    Alexandre

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  2. O post da lista de 2006 chegou junto com o post de 2005. Foi muito junto que não deu tempo de “trabalhar” na de 2006 – nem para um pitaquinho meia boa.

    Eu até cheguei a falar “beleza, vamos lá fazer 2006” em um rascunho que eu tenho aqui onde armazeno coisas legais pra ouvir, mas aí eu resolvi parar, sentar e chorar um pouco.

    Tá muito ruim esse ano! Preciso estudar! Volto em breve!

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    • Bem, eu já informei aqui que fazer uma lista para esse ano foi algo realmente difícil. Os consultores fazem isso de uma forma extremamente profissional e eu aqui, como amador que sou, faço na brincadeira. Eu encorajo todos a “brincar” disso também pois você vai ouvir muita coisa boa (e muita coisa ruim), mas que, no final das contas, você não conhece e vai aprender (e isso é o mais importante).

      Esse ano tinha tudo para citar bandas como o Hammerfall, Lacuna Coil, Blind Guardian, Dragonforce, Almah e Edguy, mas todos fizeram álbuns fracos, perdendo uma grande oportunidade de aparecer em um ano fraco musicalmente.

      Segue a “mardita”:

      #1. Manchester Orchestra – I’m like a virgin losing a child
      #2. Muse – Black Holes and Revelations
      #3. Snow Patrol – Eyes Open
      #4. Jorn – The Duke
      #5. Keane – Under the Iron Sea
      #6. Agalloch – Ashes Against The Grain
      #7. Slayer – Christ Illusion
      #8. Iron Maiden – A matter of life and death
      #9. Angra – Aurora Consurgens
      #10. Mastodon – Blood Mountain

      A minha lista foi, inclusive, claramente influenciada pelo Remote, onde o The Duke do Jorn Lande, que não conhecia, entrou fácil (ui!) nela.

      Abraços!

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      • Kelsei – que legal ter gostado do Jorn – eu também não conhecia até começar a elencar os desse ano. E você colocou-o num honroso 4o lugar já de cara, o que mostra que a bolacha é realmente um petardo.
        Abraços
        Remote.

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  3. Não tenho como ler tudo
    Leio apenas os comentários do Remote – aliás precisa avisar que Flávio Pontes é o nosso Remote
    Os comentários do Winger, do Rage do Paul e a lista dele foram muito coerentes e eu me identifiquei totalmente
    Agora eu ri bastante com o comentário da tal YS. A forma como se deu o que foi escrito combinado com a análise técnica foi sensacional. Tem outras também nesse mesmo estilo

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    • Esta série (muito legal da Consultoria) traz momentos bem inusitados. Nesse caso pelo menos o YS e o Donuts são aquela coisa, tipo, o que estou fazendo aqui. Eu achei o YS chato pra caramba, mas o Donuts é hors concours.
      Em compensação, aparecem várias coisas interessantes para conhecer, e os caras conhecem bastante do riscado.
      Para 2006, eu vou reforçar o ponto que fiz para o Kelsei: Ouve o Jorn – mas larga essa P… de coletânea no sopafy e vai ouvir os albuns. A coletânea serve depois (só depois) que a gente já conhece a discografia, até para “malhar’ as cambalhotas de charisma, entre outras.
      Abraços
      F.R

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  4. De fato, Amy foi uma lenda viva. Dizem que para ser um artista de verdade, se precisa ter uma vida fracassada, mas Amy foi muito bem sucedida, uma pena que essa mesma fama a destruiu. E eu adoro esse disco do Evanescence ❤

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