Série Novidades HM – Ano 2001

E após o nosso debut, começamos 2020 com as análises do ano de 2001. Inclusive, no nosso quadragésimo podcast comentamos a dureza que seria esse início de década, principalmente porque o “novo” era muito baseado em estilos musicais que não agradam a maioria dos colaboradores desse blog. Mas não se engane, pois sempre aparece algo bom!

Participe pelos comentários, debatendo os álbuns escolhidos e com sugestões de álbuns que deveriam estar aqui, especificamente para o ano de 2001.

Lembrando que os álbuns estão ordenados por ordem alfabética (a banda é apresentada antes apenas por referência).


Alien Youth

Skillet – Alien Youth

Sugestão de: Flávio Remote

Ouça você também:

Alexandre: Um desafio ouvir isso, uma verdadeira tortura musical, os minutos intermináveis não acabavam. O disco traz vários elementos que abomino, recheado de bateria e demais sons eletrônicos,  vocal analasado e/ou cheio de efeitos, backings inssosos, excesso de caminho para o pop e pouca energia de verdade para uma banda de rock. Os ruidinhos de cunho industrial indesejáveis surgem a qualquer momento, fazendo parte dos arranjos que talvez funcionassem numa rave. Lá pela quinta música surge a primeira tentativa de solo de guitarra, algo constrangedor. Quando a tortura quase acabou, surge uma balada (A DÉCIMA PRIMEIRA FAIXA!!!) – “Will You Be There”, com um dueto trazendo um belo vocal feminino, no caso da esposa do cantor e participante da banda. A música poderia ter uns 2 minutos a menos, aliás refrãos repetitivos sobram no álbum todo, mas não faria feio num single lançado pela Cristina Aguillera e Justin Timberlake. O disco termina com outra balada em sequência, algo inexplicável, mas essa é melosa demais, com ou sem explicação não dá mesmo. Esse é o tipo de banda que eu espero honestamente nunca mais ouvir falar.

Eduardo Schmitt: Lamento dizer: desde os primeiros acordes da música que abre este que é o quarto trabalho da banda Skillet, tive uma má avaliação pessoal. Considerando que a música dá título ao ábum e que ela foi lançada como single e teve vídeo, meu temor era que a primeira música simbolizasse bem o que viria no decorrer do álbum. E eu estava, lamentavelmente, correto. Mas como desgraça pouca é bobagem, na quarta faixa do álbum, “You are My Hope”, minha única esperança era que o álbum terminasse logo. Porém, a bolacha possui intermináveis e sofridos 53:14. Posso entender que para o que a banda possa querer fazer, ou seja, atender um público que seja apreciador de um “alternative pop rock” a produção atenda seus fins. Do meu conservador ponto de vista musical, são tantas camadas de tratamento, tantos efeitos em todos os instrumentos e vozes que fica difícil observar a essência dos músicos. Algumas canções mostram alguns flashes de bons riffs – tome-se por exemplo “Kill Me, Heal Me” – mas logo essas iniciativas isoladas são soterradas por efeitos os mais diversos que parecem ser dispostos de forma a desviar qualquer atenção que se possa tentar focar na música. Não é que nenhum dos músicos seja expressamente ruim, apenas que as decisões de arranjo soterram qualquer possibilidade de suas habilidades serem demonstradas. Mas compreendo que essas decisões de produção do álbum não sejam mal atendidas, apenas que as decisões são equivocadas. Não preciso dizer que o álbum não me agradou e fico tentando imaginar, sem sucesso, que tipo de força terrena me faria ouvir novamente esta obra musical.  

Flávio: A banda apresenta um som calcado em uma espécie de hard eletrônico industrial, misturando elementos como vocais com efeitos (pedais, distorção e afins) e efeitos menos tradicionais (à época) para a guitarra (pelo menos para um estilo mais pesado).  Se por um lado o instrumental se apoia nos efeitos para não transparecer uma composição muito limitada e repetitiva (aspecto típico de estilo eletrônico), pelo menos o vocal não é desafinado e, por vezes, é harmônico. A coisa dá uma desandada às vezes (começo de “Kill me, Heal me”) e destoa na música óbvia “You Are My Hope”, num pop insonso e as “fillers” duas últimas (baladas mais do mesmo)Num geral, apesar de trazer um quê de inusitado, não é a minha praia, abusa nos elementos eletrônicos industriais e cansa nos seus cinquenta e tantos minutos. Ah, e esqueci: a temática é cristã, no meio dessa mistura toda…

José Paulo: Mais um grupo de Rock Alternativo ou algo parecido. Não sou a pessoa certa para comentar este tipo de som, pois conheço pouquíssimas coisas do estilo. Acho que tem uma pegada meio Godsmack ou Green Day, sei lá… parece tanta coisa que saiu dos E.U.A. Às vezes as guitarras mais sujas lembraram Nirvana, já em algumas músicas o Skillet apela para algo bem pop, talvez para cativar outro tipo de público ou tocar nas rádios. Quem sabe estou interpretando tudo errado nesse disco. Porém a única coisa que tenho certeza é que se depender de mim, não ouvirei mais nada vindo de tal banda.

Kelsei: O som feito pelo Skillet em Alien Youth é um retrato do que a juventude dos anos 2000 ouviu em termos de “rock”. Não que isso seja um elogio. Rebeldia rígida como isopor, bateria eletrônica e o mizão descido em um tom para o guitarrista só ter o trabalho de fazer uma pestana. As canções têm efeitos carregados ao extremo, tanto nos vocais, como com um daqueles “DJs” que o Linkin Park popularizou, cuja função é apertar um botão e fazer barulhinhos futuristas. Pesquisando um pouco sobre o álbum, tudo se encaixou quando li que o guitarrista solo tinha 16 anos. “Rippin’ Me Off” foi, de longe, a pior coisa que ouvi em 2019! Se você tem espinhas na cara e é virgem, pode ouvir sem medo!


Awakening The World

Lost Horizon – Awakening The World

Sugestão de: José Paulo, o JP – A Enciclopédia

Ouça você também:

Alexandre: Um Power metal entre a crueza dos anos 80 (Grim Reaper, Helloween e até o Manowar, pelo menos na capa) e o melódico posterior (Stratovarius, Malmsteen) sem muitas novidades, mas ao mesmo tempo muito bem executado por excelentes músicos. O vocal lembra o Michael Sweet do Stryper, um pouco mais rasgado, com a mesma qualidade e agudos inacreditáveis. Outro ponto favorável é ser um trabalho enxuto: sete faixas entre algumas vinhetinhas. O baterista, em alguns momentos, consegue acompanhar as rápidas palhetadas de guitarra, algo quase sobrenatural.  Gostei do trabalho de baixo nas últimas duas faixas, seja em alguns momentos acompanhando as linhas aceleradas de guitarra (na faixa mais longa) ou até lembrando o atual estilo do Iron Maiden na introdução acompanhada de teclados de “Welcome Back”, uma das melhores faixas. E aí está minha maior  reclamação: a banda não tinha à época tecladista – poderia deixar o instrumento mais em segundo plano. Quando o faz, soa mais cru e mais energético, fugindo um pouco do metal melódico mais comum. Uma pena que o conjunto está sem lançar nada desde 2003, só tendo apenas dois álbuns. Aprovei.

Eduardo Schmitt: Dois fatos logo surgem nos primeiros acordes de “Heart of Storm”, primeira música deste álbum desconsiderada a faixa introdutória (e desnecessária), “The Quickeining”: 1- A aceleração do andamento da música, capitaneada por uma bateria igualmente acelerada e calcada no uso contínuo do bumbo duplo. 2 – a qualidade vocal de Daniel Heiman. No decorrer das canções desta bolacha, as impressões iniciais, que por vezes podem enganar, desta vez se confirmam. Como exceção, diminuta, a regra deste álbum, “The Song of Air”, está pílula de menos de um minuto, parece querer oferecer um momento para que o ouvinte dê uma respirada, antes do próximo petardo. É preciso destacar a faixa “Perfect Warrior”, em que a banda relaxa um pouco de sua excessiva velocidade, deixando os músicos respirarem melhor e mostrarem suas habilidades. Outro bom momento da banda se encontra em “Welcome Back”, que mostra belas linhas de baixo na introdução e um riff “cavalgado” que traz uma energia diferente. Infelizmente, os momentos inspirados são minoria nesta bolacha. A bateria tende a se focar preponderantemente no bumbo duplo, imprimindo uma velocidade exagerada na maioria das músicas, que se torna cansativa após algum tempo. Ainda que possa se destacar a performance de Daniel Heiman, o disco, que não me “disse” nada de especial, é correto para o gênero Power Metal que se propõe.  

Flávio: Opa, lá vem o metal capa e espada florestal trazendo o poder metal sonoro para nós, berros agudos alegres e coros machos, teclados orquestrais, com os seus la la la à vontade e os mistérios da Terra Média, naquele ritmo acelerado que precisamos para ser felizes. Há, porém coisas não tão obvias, tem uma música meio que perdida (a média “Perfect Warrior”) e opa!  São apenas 42 minutos, que passem tão rápido como as palhetadas das bases …

José Paulo: No início dos anos 90 existia uma banda sueca com o sugestivo nome Highlander, que por alguns anos tentou sem sucesso gravar algum material. Desiludidos e sem perspectiva de um futuro promissor, decidem encerrar as atividades. Pouco tempo depois, o vocalista resolve ingressar em um grupo que estava prestes a gravar o seu primeiro álbum, seu nome: Joacim Cans; o grupo: Hammerfall. Cans ainda iria indicar mais dois ex-companheiros de Highlander para ingressarem no Hammerfall, o guitarrista Stefan Elmgren e o baterista Patrik Räfling. O sucesso meteórico do Hammerfall fez com que os outros membros que ficaram esquecidos no Highlander decidissem montar um novo grupo e nos mesmos moldes da atual banda de Cans. Para o posto de vocalista chamam Daniel Heiman, que anteriormente havia passado brevemente pelo Destiny e então em 1998 surge o Lost Horizon. Bom, o estilo musical do Highlander eu não faço a mínima ideia, mas se você quer ter uma ideia do que é o Lost Horazon a receita é simples: imagine o som do Hammerfall, misture um pouco de Manowar, melodias do Heaven´s Gate e pitadas de Iron Maiden em alguns andamentos, ou seja, o Power Metal europeu mais clichê que pode existir, mas que eu gosto demais!!! Como ponto negativo, o uso de pseudônimos pelos músicos, como Cosmic Antagonist e Transcendental Protagonist e a capa até certo ponto bastante piegas. De resto, para aqueles que gostam dos grupos citados acima, creio que será uma ótima audição.

Kelsei: Quando eu vi a capa e lembrei do Manowar subiu até um frio na espinha. Amém que o som não é o mesmo, apesar desses caras do Lost Horizon se darem pseudônimos de personagens místicos (como Transcendental Protagonist – eita coisa ridícula!). O álbum tem um bom vocal, muito uso de bumbo duplo (o que sempre é um imã para mim), solos bem encaixados e aquele ritmo musical que levanta o astral sem soar enfadonho ao longo da audição, com palhetadas muito velozes. Power Metal né: gostei e recomendo! Pena só haver dois álbuns da banda, mesmo estando até hoje na ativa.


Beyond Abilities

Warmen – Beyond Abilities

Sugestão de: Alexandre B-Side

Ouça você também:

Alexandre: Comi mosca” ao indicar esse, que é prioritariamente um side-Project de Janne Wirman, do Children of Bodom, e tem nomes no vocal de convidados do calibre de Timo Kotipelto, do Stratovarius, ou Kimberly Goss, da banda Sinergy. Não entendo ser exatamente o propósito desta série, ainda que Janne atualmente venha sendo mais associado a este trabalho,  uma vez que saiu do Children of Bodom. Assim, o que se ouve aqui é um meio a meio entre canções instrumentais e outras cantadas pelos convidados, o que é até coerente e justificável, considerando a busca por maior liberdade e desprendimento de fórmulas que pode ser tocar um side-project.  O som traz todas as habilidades dos extraordinários músicos, mas não foge ao lugar comum do metal neoclássico,  principalmente nas canções com Timo.  Falta um pouco de originalidade, inclusive na boa cover do Heart, “Alone”. Está ótima a versão,  um pouco mais pesada, mas bem parecida com a original e não acrescenta. Em suma, o disco me agradou. Até funciona e se justifica como um side-project, mas não chega a empolgar. Indico pros fãs dos envolvidos.

Eduardo Schmitt: Warmen é uma banda paralela do tecladista do Children of Bodom, Janne Wirman. Este é o segundo álbum da banda, contendo 6 músicas com letras/vocalista, diferentemente do primeiro álbum que tinha somente 2 músicas com vocais. Percebe-se uma diversidade nas composições que faz bem ao trabalho. Músicas mais “mid-tempo” alternam-se com outras mais rápidas. A bolacha inclui um cover da banda Heart(!!!), chamada “Alone”, na qual, me parece, foi esticada em demasiado a corda desta diversidade. Não me parece combinar com o restante das faixas. Já em “Confessions”, encontra-se uma peça de muita qualidade, um solo de piano, “salpicado” por citações do filme Amadeus. “Salieri Strikes Back” é um petardo instrumental, recheado de solos alucinantes de teclado e guitarra. “Dawn” possui uma linha de baixo muito interessante, no entanto, a música é desperdiçada pelo vocais guturais. Com exceção de Pasi Nykänen, com seu vocal gutural, que não me passa bem, todos os músicos fazem um belíssimo trabalho. Em resumo, a bolacha é uma grata surpresa que, com exceção do deslocado cover, agrada, e muito. 

Flávio: Voltamos ao power neo classic metal, com os talentosos irmão Wirman, que trazem tom erudito à bolacha.  Então, já misturei tudo aí: neo power classic erudito, e, de vez em quando, tem até vocal (eles tem chance de expor os seus lálálás e grunhidos). Uma bonita e óbvia cover de Alone (“Heart”) e canções com menos de cinco minutos trazem as melodias tipicas do estilo, não cansam muito, mas também não acrescentam ao já esperado, desde o entendimento dos primeiros minutos de execução.  A única diferença talvez seja a média música “Dawn”, grunhida, num andamento mais cadenciado e fora do estilo tão predominante. No mais, bom os adeptos do tal estilo…

José Paulo: Confesso que não fiquei muito empolgado quando vi que este disco era uma das escolhas. Realmente o projeto solo do tecladista do Childrem of Bodom nunca despertou minha curiosidade, mesmo que Janne Warman tenha participado da fase mais criativa da banda finlandesa. Porém, quando comecei a ouvir Beyond Abilities tive uma agradável surpresa, pois ao contrário do que imaginava, não é aquele típico disco cansativo de se ouvir. Os temas instrumentais me lembraram alguns daqueles discos de guitarristas virtuosos dos anos 80, como os primeiros do Vinnie Moore e Joey Taffola. Outro ponto positivo e que não deixa que Beyond Abilities não se torne um disco tedioso são as participações dos vocalistas convidados, as duas músicas em que Timo Kotipelto participa (“Spark” e “Singer´s Chance”) estão bem na linha do Stratovarius, o que é compreensível, já que Warman toca em sua banda solo. Outra participação interessante foi da ex-vocalista do Sinergy, Kimberly Goss, inclusive no cover “Alone”, que não chegou a comprometer negativamente o álbum e mostrou toda a eficácia da sua voz, deixando a música bastante agradável. Em minha opinião, os pontos fracos são as chatas “Dawn” e “Confessions”, porém no final das contas, dá para dizer que Beyond Abilities não é nenhum clássico, mas de forma alguma chega a ser um trabalho desprezível. Uma boa audição!

Kelsei: Tá aqui algo que a gente não ouve todo dia: um projeto paralelo legal de um instrumentista de uma banda chata (Children of Bodom não me desce)! Praticamente metade das canções são instrumentais, mas a grande maioria delas (inclusive as cantadas) tem um pé dentro do Power Metal e outro dentro do operístico: prato cheio pra mim. Quando a segunda faixa, a excelente “Sparkle”, começou, eu tomei um choque – “peraí, mas é o Kotipelto cantando” … Stratovarius puro! Temos até Lauri Porra, o atual baixista da banda filandesa. O projeto tem vários álbuns e eu vou atrás deles!


Mutter

Rammstein – Mutter

Sugestão de: Eduardo Schmitt

Ouça você também:

Alexandre: Eu tenho até de admitir que o Kiss quase sempre acerta ao escolher suas bandas de abertura nas tours. Maiden, Rush, Queensryche, várias promessas tornaram-se realidade.  Eu vi o Rammstein abrindo a tour mascarada de reunião da formação clássica em São Paulo; achei horrível, mas não há como questionar que hoje eles são uma realidade. Apesar do atual reconhecimento, nunca me agradou esse approach eletrônico,  nem o vocal mais grave. Durante os anos que se passaram desde o show do Kiss em Interlagos em 1999, já me deparei com a banda alemã; ouvi alguns álbuns, mas continuei sem ter uma apreciação maior, ainda que a horrível sensação do visto naquele show tenha dado uma amainada. Nada tenho contra o idioma e vejo uma nítida inspiração de seus contemporâneos mais famosos, os Scorpions, ao buscar refrãos assimiláveis e até na estrutura dos riffs (mas o som deles é  uma mistura do bom hard alemão dos 80’s com o eletrônico do infame álbum Eye to Eye). Convenhamos, o Eye to Eye é disparado o pior álbum de Klaus Meine e Cia. Até acho esse Mutter com boas ideias e ótima produção, embora não haja o mísero solo de guitarra. De resto, algumas lembranças de “Kashmir” (Led Zeppelin) pela orquestra de “Mein Herz Brennt” e o riff principal de “Spielurh”, que me lembrou a excelente “Orion” do Metallica, mas eu passo novamente o Rammstein sem muita dificuldade.

Eduardo Schmitt: Até onde vai meu conhecimento musical, Rammstein tem uma identidade musical somente sua, como que criando um sub-gênero específico para a própria banda. Somente este fato é digno de nota e respeito. Pesada presença de teclados com objetivo de criar paisagens sonoras e efeitos especiais, vocal “tratado” e músicas que alternam momentos de peso com passagens mais amenas, são algumas características presentes nesse álbum. Curiosamente, a canção que inicia de modo mais “corriqueiro” é a música título, “Mutter”, que inicia como uma balada. Cabe dizer que essa música consegue transmitir um grau de emotividade bastante efetivo. Em “Nebel”, é perceptível a escalada que a música apresenta, num crescente que chega ao seu ápice, apenas na parte final da mesma. As performances individuais me parecem todas corretas, mas não transparece nenhum destaque maior, o que pode ser considerado “em linha” com a proposta do grupo de criar paisagens sonoras. Rammstein é uma banda que consegue marcar sua presença, mas o uso importante de teclados pode ser um desafio, um tipo de gosto adquirido, para ouvintes mais acostumados com metal tradicional, como eu.

Flávio: Eu tinha visto o Rammstein abrindo para o Kiss em 1999 e para mim já era o suficiente, até que …  reouvindo a banda e num momento posterior tanto do disco, como meu, percebe-se o apego ao forte estilo que mistura elementos pesados com percussão eletrônica e sintetizadores, num tom como do inicio da new wave lá dos anos 70.  O efeito new metal wave (inventei isso aqui) traz aquela emanação dançante modernizada com base mais pesada.  E no meio disso tudo, temos o forte idioma alemão trazendo cadência marchante bélica às músicas. Bom para os amantes do estilo, apenas…

José Paulo: Conheço algumas pessoas que acham o Rammstein a oitava maravilha do mundo. Até entendo, pois a banda faz uma música muito bem produzida, com um estilo musical bastante peculiar e acima de tudo tem uma qualidade de gravação estupenda. Algumas boas ideias deixam os temas bem acessíveis e pesadas ao mesmo tempo, vídeos bem feitos e até certo ponto interessantes. Tentei ouvir algumas vezes, inclusive esse Mutter, mas cheguei à conclusão que não dá para mim, não tem jeito mesmo. Algumas vezes até achamos que vai vir alguma coisa que possa nos interessar, como no início de “Adios”, por exemplo, mas essa boa impressão acaba após 40 segundos de música. O Rammstein não é ruim, tudo é muito bem feito, mas volto a dizer, não é para mim. Prefiro continuar longe, bem longe!!!

Kelsei: Meu irmão ouve muito esses caras e, mesmo com certo contato indireto, nunca tive curiosidade de ir a fundo em algo do Rammstein. Achei interessante o que ouvi. Mutter tem um som hipnótico, muito pelo uso de sintetizadores (bem colocados), misturado com uma atmosfera sombria e pesada que perpetua na maioria das faixas, que não tem solos ou fraseados nos instrumentos de corda. Gostei das faixas “Mein Herz brennt” (que me peguei cantarolando “My Best Friend”), “Sonne” (achei o videoclipe sensacional), “Mutter” e “Ninel”. Eu busquei algumas coisas na internet e gostei dos videoclipes – muitos são bem fortes e cheios de críticas. Vou me aprofundar na banda, mas iniciando pelos hits e estudando as letras para o inglês, pois não saber o idioma nativo acaba afastando um pouco o ouvinte que quer entender tudo o que a música passa (e convenhamos que a vida é muito curta para se aprender alemão).


Sanctus Ignis

Adagio – Sanctus Ignis

Sugestão de: Kelsei

Ouça você também:

Alexandre: Desta amostra de álbuns, é certamente o que mais me agradou. Grupo afiadíssimo, supercompetente e bastante virtuoso. O som transita entre o metal neoclássico desenvolvido por Malmsteen e o prog mais contemporâneo do Dream Theater. Como bem nem tudo são flores, eles pecam em originalidade, principalmente na parte neoclássica. Ainda que o vocalista cante horrores, a voz é muito genérica ao estilo desenvolvido pela maioria dos vocais do estilo, vários deles habitam os álbuns do sueco guitarrista temperamental. A faixa que mais me chamou a atenção e deu vontade de ouvir mais vezes é “The Stringless Violin”, que certamente não faria feio num álbum como o Images and Words (Dream Theater).  O refrão é o que me pareceu mais genérico, tendendo novamente para o estilo neoclássico sem novidades, mas a parte instrumental é exuberante e final de vocal inacreditável. A faixa seguinte, “Seven Lands of Sin”, é a mais ambiciosa, com mais de 11 minutos, mas não me agrada tanto, em especial por terminar em um fade out. Acho meio incoerente uma faixa que tem tanto espaço para desenvolvimento não se preocupar em efetuar um fechamento que funcione com todo o tempo disponível para as demais partes. Também achei abaixo do trabalho, e desnecessária, a versão instrumental de “Immigrant Song” que fecha o álbum. Independente do virtuosismo empregado na cover, no meu entender não faz sentido e não acrescenta nada à versão original.  Outra faixa que beirou o exagero (em especial no vocal e no andamento super acelerado de cunho neoclássico) é a faixa “Orden of Enlil”. As demais faixas funcionam melhor, em especial pelo instrumental quebrado que volta e meia habita os arranjos e a indiscutível qualidade vocal, exageros aqui e ali à parte. Da seleção de 2001, é o único álbum que me despertou um real desejo de entender como a banda se portou dali em diante.

Eduardo Schmitt: Álbum inteiramente escrito por Stephan Forté, guitarrista do grupo nascido em Montpellier. A banda se considera de “metal sinfônico” e não dá pra dizer que eles estão errados, graças a quantidade de referência barrocas e românticas que se encontra neste álbum, mas deve-se observar que há boas porções de riffs pesados, e de boa qualidade, presentes. Logo vem a cabeça, ou aos ouvidos, uma semelhança com a sonoridade “malmsteeneana”. Os solos do tecladista, Richard Andersson, são animais!!! O vocalista, David Readman, que tem uma longa carreira com o Pink Cream 69, faz um excelente trabalho, destacando-se em “The Strigless Violin” e “Seven Lands of Sin”. Entendo que a banda consegue manter uma boa intercalação entre os trechos mais “instrumentais”, leia-se baixo-bateria-guitarra e as camadas sintetizadas. No entanto, por vezes, há algumas inclusões esquisitas, como o solo de cravo em “Second Sight”. Pro meu gosto pessoal, não precisaríamos também de alongamentos exacerbados de canção como em “Seven Lands of Sin”. Ela caberia muito bem em enxutos 6 minutos. Os duelos entre a guitarra e teclado realmente chama a atenção.  Concluindo, tirando-se alguns exageros típicos do gênero, aqui e acolá, a performance dos músicos do grupo fazem a experiência de se ouvir este álbum muito agradável.

Flávio: Santus Ignis traz um competente clone da banda de Yngwie Malmsteen, lembrando mais o inicio da carreira do guitarrista, principalmente o segundo (pelo similaridade com o timbre vocal de Jeff Scott Soto) e o terceiro disco do sueco original.  Diferenciações aparecem de forma muito sutil, quando se percebe uma mixagem que traz para frente um pouco mais o teclado e o vocal, sem detrimento da maior predominância da guitarra – lembremos que o (novamente) sueco original já dava maior tom vendável desde o segundo disco dando maior atenção às linhas vocais. Enfim, quem não estiver satisfeito com a abundância “guitarrística” do sueco em seus 21 álbuns (so far…) pode complementar sua sede neoclássica com este aqui.  Ah, e há a tradicional bola na trave (talvez imposta pela gravadora), como trazer apenas os vikings de “Immigrant Song” e esquecer o Zeppelin …

José Paulo: O debut do grupo francês de Symphonic Power Metal já começa acertando na bela produção gráfica de Sanctus Ignis e principalmente na escolha de David Readman, particularmente acho que ele é um dos grandes vocalistas de Hard/Heavy que estão por aí nos últimos vinte anos. Falando em músicos e como é característico do estilo adotado pelo Adagio, são todos instrumentistas muito acima da média. Além dos dois franceses Franck Hermanny (baixo) e Stéphan Forté (guitarra), estão o baterista Dirk Bruinenberg que anteriormente tocou em todos os álbuns, com exceto o primeiro, da excelente e “finada” banda holandesa Elegy. Já o tecladista Richard Andersson antes de entrar no Adagio gravou, com o sueco Majestic, o ótimo Abstract Symphony. Na primeira vez que ouvi Sanctus Ignis, a banda que me veio à memória instantaneamente foi a americana Artension, apesar desta ser mais progressiva que sinfônica, o quesito qualidade dos músicos envolvidos, além de algumas passagens instrumentais me fizeram lembrar da banda do tecladista Vitalij Kuprij. Os destaques, além das habilidades dos instrumentistas e do excelente vocalista, vão para as músicas The Inner Road, In Nomine…. e para a faixa título, um clássico do estilo!!! Já o cover para Immigrant Song ficou apenas interessante. Para quem gosta desse tipo de música e de grupos como Artension, Symphony X ou Balance of Power, esse Sanctus Ignis é altamente recomendado, porém se você que está lendo prefere um som mais simples e direto, creio que o disco deva ser um pouco enfadonho.

Kelsei: O que mais me chamou a atenção da Adagio quando os ouvi pela primeira vez é que esses caras são franceses. Fala aí?! Quantas bandas legais você conhece vindas da França?! Tudo bem que  as músicas são calcadas em inúmeras ideias retiradas de Bach, Chopin e Malmsteen, mas o som é muito competente e a produção, para um debut, é muito boa. Tem horas que, realmente, hei de concordar que há um exagero em solos de guitarra e teclados. Algumas canções poderiam ser um pouco mais curtas. Ah sim, desconsidere o cover do Led Zepellin, porque não teve pé nem cabeça. Deve ter sido ideia da gravadora. Uma ideia besta, inclusive, já que o cover não trouxe nada da identidade da banda e a música original foi estragada.


sinner

Drowning Pool – Sinner

Sugestão de: Eduardo Rolim

Ouça você também:

Alexandre: Ainda que não seja um entusiasta do som da banda, na minha concepção um Nu-Metal bem comum ao que se desenvolvia na época, confesso ter ficado agradavelmente surpreso com a qualidade deste disco e também com certa dúvida de eventualmente ficar propenso a entender o restante da discografia. Vou citar alguns elementos que me ajudaram a ter um bom conceito desse trabalho: as melodias das linhas vocais  são cativantes, não me cansaram; A curta duração do álbum ajudou muito para que o mesmo não cansasse, seria muito mais comum em 2001 um disco que passasse dos 60 minutos. Acho que a banda soube com maestria fugir dessa perigosa estratégia. O vocal é o destaque, pois, apesar de agressivo, não é puxado para o gutural. De fato, uma ótima pedida, excelente indicação. O disco é muito forte até o seu meio, o “groove” de “Bodies”, a força da faixa título, o vocal de “Tear Away”. O único senão é a insistência dos wah-wahs  nas bases de guitarra e a quase ausência de solos. Entendo, no entanto, que é característica do estilo.

Eduardo Schmitt: O álbum inicia com um riff impactante, uma pedrada mesmo. O som da banda me parece típico do “alternative metal”. Impossível falar desse álbum sem lembrar que seu vocalista, Dave Williams, faleceu durante a tour desse álbum de uma doença cardiopática. Sua performance no álbum é impecável, para os parâmetros do sub-gênero. Para mim, ocasionalmente, a agressividade do vocal passa da medida. A cozinha de banda faz um trabalho seguro, mas sem maiores destaques, majoritariamente, apenas marcando, com força e precisão, o ritmo das músicas. Fato curioso é que “Sermon”, ao seu final tem um trecho “tocado” invertido, em homenagem aos “mitos urbanos” que diziam que haveriam mensagens satânicas. Pra quem duvida, sugiro que toquem, no sentido invertido, a música Guerra dos Meninos, do Roberto Carlos, logo após o trecho “… já marchavam mais de cem…” Por fim, o guitarrista C.J. Pierce apresenta um trabalho também sólido, com bons riffs, que representam perfeitamente o estilo musical. De se lamentar a ausência de solos. Mas, para quem é fã do chamado Metal Alternativo, é uma grande pedida.

Flávio: Outros filhos dos anos 90, uma mistura de Pantera suavizado com uma especie de pós-grunge, Drowning Pool se perde numa tentativa gritada pseudo gutural ritmada com apelo comercial, como na contagem 1, 2, 3… da segunda música que leva a mais um refrão grudento.  Ah, não podemos deixar de lembrar o forte toque nu metal que permeia o disco todo com insistência em refrões berrados e repetitivos… É cliché um atrás do outro e o bom é que o disco não dura mais de trinta e alguns minutos.

José Paulo: Particularmente nunca tinha ouvido nada dessa banda e também nem sabia da sua existência. É o típico grupo americano do chamado Nu Metal, Metal Alternativo ou seria o tal Metal Moderno? Não saberia rotular. O som dessa banda me lembrou outras que são figurinhas carimbadas em festivais do tipo OzzFest ou Lollapalooza, pelo menos acho que seja nessa linha aí. Mas voltando ao Sinner, o que posso dizer sobre esse disco? Acho que a primeira frase que me vem à mente é: nossa… como foi difícil de ouvir isso aí até o final!!! A única certeza que tenho é que não aprecio em nada esse tipo de música. E por isso mesmo fica muito difícil rotular ou classificar o Drowning Pool, pois me parece muitas coisas que já ouvi antes, mas que nunca me agradou.  

Kelsei: Responda rápido: o que é pior que o Papa Roach? Resposta: uma cópia! E uma cópia piorada, inclusive, já que o Drowning Pool é especialista em pegar uma frase e ficar repetindo ela quarenta e cinco vezes por refrão, só aumentando o grito do vocal. Ainda bem que o álbum é curto. Quando li a lista inicialmente, fiquei feliz achando que esse era um álbum solo do Matt Sinner, baixista do Primal Fear, mas quando vi que Sinner era o título do álbum, o tiro saiu pela culatra!


Até o ano de 2002 pessoal! E que os amigos que estão faltando apareçam! E se você quiser fazer parte da bancada de comentaristas (ou dar seus pitacos), coloque nos comentários que entraremos em contato!

Beijo nas crianças!

Kelsei



Categorias:Artistas, Curiosidades, Músicas, Resenhas

2 respostas

  1. Bem , 2001 “has gone”…. Não vai deixar muita saudade. Melhores são os comentários e boa parte do “sofrimento” em ouvir essa relação. Em verdade , tem muita coisa óbvia, sem novidades. O meu senão maior está aí.
    Mas vamos firmes na busca, torcendo para melhorar nos próximos anos.

    Alexandre

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