Os Rótulos e Estigmas do Metal

Após assistir a uma matéria da antiga VH1 americana que mostrava a tentativa de um VJ da MTV tentando reagrupar o Extreme e sendo mal sucedido em tentar reunir a banda, ali me caiu uma ficha sobre o que os estigmas das grandes mídias podem ser tóxicos paras as bandas. Sem muito rebuscar aqui, o que eu gostaria de trazer vou ilustrar os tais estigmas para ficar mais claro.

Extreme e a sua eterna balada More Than Words: bastou essa música ser tocada exaustivamente em grandes veículos de massa para simplesmente isso acabar com a banda. O Extreme ficou desgastado e estigmatizado por esse hit. A banda fez sucesso devido ao hit, mas as mídias não perdoaram e a banda não conseguiu se desassociar da imagem desse único hit. Essa matéria da VH1 foi ao ar e mostrou que Nuno Bettencourt não queria mais trabalhar na imagem da banda que era associada ao hit, e, com isso, perdemos essa excelente banda.

NWOBHM: acho que só o Iron Maiden e o Def Leppard que conseguiram se livrar desse rótulo. O Judas foi rotulado e conseguiu ser bem sucedido comercialmente após a onda. Pyromania desbancou Thriller do Michael Jackson e as bandas dessa época foram bem sucedidas pelo rótulo que serviu para “classificar” as bandas na época, mas é visível que o rótulo não ajudou as bandas após a década de 1980, pois ficaram estigmatizadas.

O maior exemplo disso foi o Saxon. Uma banda extraordinária mas que não obteve o sucesso comercial devido. Dá pra imaginar os empresários tentando trabalhar comercialmente as bandas e tendo que ouvir que elas eram da tal NWOBHM. Adoro o metal anos 1980, mas quando veio o grunge ali no início da década de 1990, certamente o estigma não ajudou.

Winger foi estigmatizado pelo Beavis and Butt-Head. Uma pena. Uma excelente banda, mas que não resistiu ao estigma da MTV.

Graças a Deus, o Queensrÿche não sofreu esse estigma com Silent Lucidity. Ainda bem! A música ganhou prêmios e fez sucesso, mas não afetou a banda por pouco.

Aqui, no Brasil, o termo “metal farofa” chegou a ser bastante usado, mas obviamente isso não mudou nada mas falava-se muito aqui.

Ah, faltou Cherry Pie, que estigmatizou uma banda… e seu vocalista dizia odiar ass músicas em seus últimos dias de vício.

Caso lembrem de estigmas, avisem.

É isso aí.

Rolf “Dio” Henrique



Categorias:Artistas, Curiosidades, Def Leppard, Discografias, Extreme, Iron Maiden, Judas Priest, Músicas, Queensrÿche, Resenhas, Saxon

12 respostas

  1. Cara, e o Mr Big e seu “one hit wonder” To Be With You? De longe uma das faixas mais fracas da banda. O Quiet Riot ficou em Cum om Feel the Noize e Metal Health, e lamba os beiços… Isso afetou banda demais daquela geração. E acho que o QR também foi afetado pela Silent Lucidity sim. Eles tiveram a pressão de vender tão bem quanto o EMpire no álbum seguinte e não rolou. Acho o Promised Land um grande álbum, mas a banda foi pro espaço pela questão do estigma de lançar outro hit a qualquer preço.

    Seria esse o ponto, Rolf ?

    Alexandre

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    • A questão do QR eles ficaram em primeiro no ranking da billboard então não chegou a ser um estigma
      O problema veio depois
      Sempre depois que a conta chega
      Nos pontos que colocamos não era possível prever o que viria depois
      Ainda é que vem os estigmas

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  2. Rolf, muito legal você ter escrito este post!!! Afinal de contas, nunca tinha pensado nisso.
    No meu caso fica meio difícil comentar sobre o Extreme, pois não tenho conhecimento suficiente para tanto, possuo os dois primeiros CDs da banda, mas acabaram não me chamando a atenção.
    Porem quanto a chamada NWOBHM, por muito tempo, pelo menos pra mim, foi sinônimo de grupos de qualidade e me fez pesquisar e procurar muitos discos desse movimento. Hoje penso que são apenas rótulos que imprimimos, pois ao contrário do que imaginava há 30 anos atrás, tem muita porcaria nisso também. Porem acho que o maior problema da NWOBHM nem foi o rotulo/estigma, mas sim o grande sucesso do Def Leppard e a sua conquista da América. Pois tínhamos grupos fantásticos como Tygers of Pan Tang, Demon, Tokyo Blade, Samson, etc. Que a partir do bem sucedido Pyromania deixaram seus estilos musicais de lado para tentar trilhar o caminho do Def Leppard, acho que até o Saxon tentou isso em alguns álbuns, principalmente em Innocence Is No Excuse e Destiny. Virou uma tendência na época.
    Realmente é muito pertinente esse post e pretendo pensar mais sobre o assunto ouvindo melhor o Extreme e o Winger.
    Um abraço.

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  3. Eu acho que isso vai de encontro com o que tínhamos na época. More Than Words por exemplo é do início da década de 90 e os produtores e empresas tentavam trazer maneiras novas de emplacar as bandas que eram patrocinadas por eles. No caso de quem entrou do final da década de 80 para 90 então, pegou o vibe dos video-clipes e aí ainda mais a indústria audiofônica tentava criar esses hits.

    Eu li a biografia do Anthony Kiedis por exemplo, e ele relata que isso era muito comum, mostrando os bastidores da importância de Give It Away. O problema é que isso não vira um estigma, mas uma pressão para que a banda crie novos hits que atinjam grandes massas – e isso não ocorre na maioria das bandas, e nem é a intenção delas na maioria das vezes. Essa era uma realidade muito grande de muitas bandas que eram refens de gravadoras e produtoras e quem não acompanhava o ritmo ficava fadado há “grupo de uma música”.

    Hoje em dia isso é mais difícil de acontecer, e acho que não volta mais.

    Se bem que o pessoal do calibre do blog não é afetada por esse tema, pois nós não começamos pela frase “me dá uma música” quando não conhecemos um grupo, mas sim por “me dá uns dois álbuns sem ser coletânea”.

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  4. Kayleigh foi um estigma para a banda Marillion. Depois do sucesso de 1985, estavam pressionados a repetir, o que nunca fizeram, ainda mais com o Fish. O resultado: A banda com Fish (haviam outros problemas, é claro), durou apenas 2 a 3 anos depois da balada….

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  5. Muito interessante esse tema.
    Por um lado bandas como Kiss e Europe sonhavam no início de suas carreiras em emplacar um grande hit, um hino, algo grandioso o que efetivamente o fizeram em seus terceiros álbuns respectivamente com Rock and Roll all Nite e Final Countdown. Por outro lado isso até ajudou a alavancar suas carreiras, apesar do Europe não ter ido muito longe depois disso.
    Então… se manter no topo realmente é algo muito difícil. Se a banda é longínqua como Kiss, Iron Maiden, MetallicA, etc é natural que haverão ondas ascendentes e descendentes.

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