Discografia HM – [Resenha] Rise Radiant consolida o Caligula’s Horse no atual cenário do Metal Progressivo

Rise Radiant

Sim! É tudo isso!

Atenção: as linhas que se seguem afloram Metal Progressivo de excelente qualidade por todas as suas letras, acentuação, pontuação, imagens e vídeos. Avisei…

Existem dois álbuns que são cruciais na carreira de qualquer banda: e debut e o terceiro. O primeiro vai mostrar a identidade nua e crua do porquê a banda veio ao mundo; é o cartão de visitas de uma empresa que ainda não tem fluxo de caixa, clientes, ações ou visibilidade ao nível regional / mundial. Já o terceiro álbum vai indicar se tudo o que foi construído até então é o “fim do começo” ou o “começo do fim”.

E quando os australianos do Caligula’s Horse lançaram Bloom, em 2015, o terceiro álbum  da banda, mostraram que muita água ainda estava por passar debaixo da ponte. Tanto que no Podcast 40 eu sugeri a audição do até então mais recente trabalho, In Contact, de 2017, que deu visibilidade além das fronteiras europeias e preparou o terreno para a primeira turnê norte americana, que foi atrapalhada, literalmente, por um vírus que está rolando por aí…

E no dia 22 de Maio desse virulento 2020 é lançado Rise Radiant, o quinto álbum de estúdio, que já vinha com uma missão difícil antes mesmo de existir: conseguir superar a qualidade de seu antecessor e manter o alto nível de um dos holofotes mais promissores do metal progressivo da cena atual.

Se conseguiu ou não, ainda é muito cedo para um vereditcto (os próximos meses ainda serão marcados por mais euforia do que pés no chão, como é todo lançamento de um álbum – lembram do Omni?!). Mas uma coisa é certa: Rise Radiant é um seríssimo candidato à melhor álbum de 2020, carimbando ao Caligula’s Horse o título de melhor banda de metal progressivo contemporâneo, desafiando nomes mais estáveis no mercado, como Haken ou Leprous, que tem mais tempo de estrada. Óbvio que quem diz isso sou eu, e não a mídia especializada. Ainda.

Gostei tanto do álbum que na minha primeira audição emendei mais duas vezes. Nunca me ocorreu de ouvir um álbum todo três vezes, em sequência. Um álbum relativamente curto, com oito faixas que se mantém estáveis e acima da média:

I. The Tempest: uma canção curta que traduz a alma do Caligula’s Horse – o ritmo e a distorção das guitarras ditam uma energia muito forte, com a voz de Jim Grey caindo como uma luva, em uma estrutura de composição que já foi utilizada em outros momentos em álbuns anteriores.

II. Slow Violence: outra canção curta e talvez a canção mais acessível do álbum, com uma constante quebra rítmica no acompanhamento dos instrumentos de corda, mas com um refrão com elementos mais voltados para o comercial. Também é a primeira canção com vídeo já planejado:

III. Salt: talvez a preferida entre os fãs, pelo que eu acompanhei até o momento, a terceira faixa já tem um tempo mais adequado para o tipo de som que a banda propõe. Com um início mais cadenciado e trabalhado, mas com um solo de guitarra muito curto, a música passa rápido.

IV. Resonate: uma canção acústica (eles sempre fazem isso), com um groove que transcende o significado do substantivo “calma”. À princípio achei muito curta, mas agora acho que o propósito foi acertado.

V. Oceanrise: começamos a senoide alta do álbum. Essa faixa tem todos os elementos que gosto, com uma base sólida e sombria e um solo de guitarra, que deveria ser um pouco mais ofensivo.

VI. Valkyrie: excelente canção. Voltamos a ter a estrutura da base montada com uma vertente mais complexa e volúvel (o que é muito usado nas músicas do atual metal progressivo), com um maior número de alternâncias de ritmo.

VII. Autumm: melhor canção do álbum, trabalhada dentro de um vertente mais acústica e com um baixo lindo de chorar. O final dela emenda na próxima final, o que cria, na verdade, uma música de pouco mais de 18 minutos (e se você não prestar atenção, vai achar que está na mesma música).

VIII. The Ascent: a canção mais longa do álbum fica melhor se ouvida com sua antecessora. Essa faixa mostra, para mim, um poder de composição muito mais elevado alcançado por Jim Grey e Sam Vallen, os principais compositores da banda. Os mais de dez minutos passam voando.

O álbum vem com duas faixas bônus: covers de Peter Gabriel (Don’t Give Up) e Split Enz (Message To My Girl), um grupo de rock setentista da Nova Zelândia. A única coisa que senti muita falta no álbum nessa primeira semana foi uma maior presença e agressividade da guitarra solo. No mais, um álbum que, repito, entra fácil na lista dos melhores de 2020.

Eu considero o Caligula’s Horse a melhor banda que apareceu nessa planeta na última década.  O novo trabalho consolida ainda mais essa afirmação. Estou longe de mudar de opinião…

Convença-me!

Beijo nas crianças!

Kelsei



Categorias:Artistas, Discografias, Músicas, Resenhas

8 respostas

  1. Depois de ler a resenha, entrei na hora pra ouvir………por**, Kelsei, melhor do planeta nos últimos 10 anos foi quente hein

    Rolf Henrique Neubarth

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    • Talvez uma questão de estilo, Rolf, mas eu confesso que mesmo tendo ouvido bastante o In Contact , ou a parada não é isso tudo ou eu não achei o caminho das pedras mesmo…. Como temos uma prorrogação no podcast até o dia 19/06, vamos dar mais maturação pro negócio. E aí, acho melhor não misturar as coisas, por enquanto.
      De qualquer forma, muito bom o Kelsei ou qualquer apreciador sério do gênero estar se motivando com sons novos.
      Isso é muito bom.
      Eu confesso ter até uma saudável invejinha….

      Alexandre

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    • Eu não sei se isso foi irônico ou não, mas pega aí de 2010 pra cá …. pega qualquer banda da nova geração:

      Haken
      Leprous
      Hemina
      Ne Obliviscaris
      Jinjer
      Devin Townsend (que já nem é mais tããão nova geração assim)

      Escolhe aí! Escolhe outra que não esteja aí e me fala uma banda que seja melhor e eu topo ouvir numa boa (vou até agradecer rs)!

      Hoje em dia o Metalcore e o Gjent estão dominando a cena! O Caligula’s Horse resgatou o vocal limpo com distorção de cordas, voltou o progressivo com o pé mais no chão, sem aquela viagem que o europeu tá acostumado a criar (ouça o The Sea Within para entender o que estou falando).

      De 2000 para cá a Riverside seria a campeã, mas com a morte do guitarrista da formação original, a composição caiu absurdamente! Wasteland, último álbum da banda, é muito fraco! O Caligula’s Horse é o respiro que precisava no mundo atual, para que a nova geração de bandas que vem por aí possa se inspirar sem precisa copiar medalhões que crescemos ouvindo!

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  2. Ainda não tinha ouvido nada do Caligula´s Horse, que por sinal tem um nome bem interessante. Mas tive o primeiro contato com a Inside Out Music quando adquiri o primeiro CD do Presto Bullet há uns 15 anos atrás e de lá para cá nunca tive a curiosidade de ver como estava o cast da gravadora. Então depois de ler essa excelente resenha entrei na página oficial e fiquei surpreso com a quantidade de grupos que ouço há muito tempo e que agora fazem parte do time. Entre tantos, fiquei surpreso em ver o Banco Del Mutuo Succorso, nem sabia que ainda estavam na ativa e pra mim é um dos melhores do progressivo italiano. O Fates Warning e Steve Rothery já sabia que tinham lançado pela gravadora, mas o King´s X foi uma grata surpresa, pois achava que a banda havia acabado. Assim como o Kino que lançou um disco que gosto muito chamado Picture.
    Mas voltando ao álbum da resenha, mesmo eu não sendo muito simpático a escutar um álbum pela internet, gostei muito de Rise Radiant. Realmente uma grata surpresa! Salt, Oceanrise e The Ascent foram as que mais gostei.
    Kelsei, agradeço muito por trazer o Caligula´s Horse ao blog, com toda certeza ouvir a banda foi um momento bastante agradável.
    Um abraço.

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  1. 1 ano sem André Matos e as homenagens que estão por vir – Minuto HM

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