Living Colour: a contínua luta contra o racismo

Desde a morte de George Floyd em uma visível situação de racismo do policial branco que atuou na ação de prisão com a imobilização que acabou por fim levando a uma tragédia, repetindo a mesma situação de uma outra ação policial que matou mais uma pessoa por asfixia, e, com a deflagração de ações de vandalismos em muitos lugares nos EUA, venho buscando acompanhar o Living Colour em suas postagens no Twitter.

Aqui todos sabem que eu considero o Living Colour como a melhor banda de hard que já pisou na face da terra. Descobertos por Mick Jagger na década de 1980, o Living Colour sempre se posicionou – como muitos artistas negros americanos – contra questões raciais que infelizmente parecem situações pontuais para nós aqui que estamos distantes, mas é difícil acreditar que sejam mesmo pontuais. Isso muito nos entristece. Repúdio é a palavra nesse momento para qualquer tipo de racismo. Qualquer! Inaceitável!

Funny Vibe traz na letra muito do que vimos recentemente em situações absurdas em relação a atitudes de pessoas que externam esse “medo” de pessoas comuns e que acabam se tornando talvez a forma mais cruel desse maldito racismo persistente.

No entanto, nesta última terça-feira (2), artistas de todo o mundo realizaram a campanha “Black Out Tuesday” como forma de apoio nessa conscientização. A ação defendia 24 horas sem publicações nas redes sociais como forma de protesto contra a violência policial e o racismo.

O movimento, motivado pela morte George Floyd por um policial branco nos Estados Unidos e os protestos antirracistas ocorrendo ao redor do mundo, foi encampado por figuras do rock. Dale rock and roll!

Entre elas, o Living Colour que sempre levantou a bandeira contra o racismo. Sempre!

Além da publicação do quadrado todo preto, símbolo do #BlackOutTuesday, os membros da banda se posicionaram através do Twitter. O mais eloquente foi um dos melhores guitarrista da sua geração, Vernon Reid.

Em uma das publicações, Reid, quando perguntado por um seguidor sobre o que ele deveria falar para seu filho sobre a morte de Floyd e a sequência de acontecimento, diz:

Não vou mentir. Essa situação angustia, gera raiva, deprime. É hora de ser honesto. É hora de não ser intimidado. É hora de fazer sua voz ser ouvida. É hora de perguntar ao filho como ele está se sentindo, como ele está vivendo esses eventos. É hora de ouvir. É hora de dividir perspectivas e percepções com ele. Seu filho precisa saber que você está ali por ele, para ajudá-lo a se preparar a lidar com o racismo como um sistema institucional de muitos níveis e, acima de tudo, a ter uma bela vida. Em total desafio aos objetivos do racismo.

Uma lástima. Um absurdo termos que ler algo assim. Acho que posso falar por todos o quanto é desolador esse tipo de depoimento.

Estive pessoalmente com o Living Colour por três vezes, falando com os caras e buscando observá-los ali fora do palco e sei o quanto eles são pessoas da mais gentis que pude conhecer do meio artístico. Ler essa declaração… foi muito desconfortante, mas devemos sempre lutar contra isso.

Sempre. Todos os dias se possível.

Sempre.

Que possamos ter mais Living Colour no Brasil. Sempre!

Que eles sempre saibam que são muito aguardados aqui e bem-vindos e que há fãs que os aguardam aqui sempre para vermos uma banda que considero ser a melhor banda de hard que já existiu.

Torcendo por dias melhores.

Rolf “Dio” Henrique.



Categorias:Letras, Living Colour, Off-topic / Misc, The Beatles

4 respostas

  1. Muito legal a postagem, oportuna e precisa no ” timing”. Gostei bastante do tom de que as coisas precisam realmente mudar, mas com otimismo. É dificil ser otimista com tanta barbaridade acontecendo, parece que a humanidade está retrocedendo na capacidade argumentativa e cada vez mais temos exemplos de pessoas fechadas em suas convicções, nós deveríamos ter de pelo menos ouvir a opinião dos outros sem partir para a ignorância que tanto estamos vendo.
    Sempre aproveito o assunto para Living Colour para enfatizar que a banda fez um um dos maiores shows de todos os tempos que eu pude presenciar , no Circo Voador, aqui no Rio.
    Sempre diversão garantida.

    Torçamos para o mundo melhor, algo precisa realmente ser feito.

    Obrigado, Rolf

    Alexandre

    Curtir

  2. Belo post, Rolf.

    É uma luta contínua e os recentes acontecimentos só mostram a necessidade de seguirmos – todos – lutando e repudiando o tema. Sempre, de qualquer tipo e tamanho, camuflado ou não.

    Me incomoda quando vejo textos como “make time to speak to this community”. Não é isso. Não temos que “criar tempo” em nossas agendas. É algo único, somos todos seres humanos, não temos que “criar tempo”, temos que simplesmente viver de uma maneira igual – é mais fácil, simples, eficiente e… deve ser o normal. Sem desculpas.

    Acho que o heavy metal, em sua essência, ensina muito neste momento. Quem gosta de metal, gosta de metal e é azul, verde, amarelo, feio, magro, gordo, bonito, pobre, rico. Não importa. Não estou falando de “grupo” ou “comunidade” agora, estou falando puramente do conceito que deveria ser normal.

    Deixo, por fim, essa postagem.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Curtir

Leave a Reply

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: