Desvendando “When The Wild Wind Blows”

É duro dar sequência à série “Desvendando”, criada pelo meu grande amigo Caio aqui no Minuto HM, com um dos melhores posts daqui, o “Desvendando Paschendale”. O que vou tentar abaixo, mesmo que ainda seja recente (ouvi a música poucas vezes), é tentar destacar alguns trechos da música e a mensagem que ela REALMENTE tenta passar, de acordo com minha interpretação.

Vamos lá: hoje pela manhã dei atenção à última e talvez mais comentada na internet música deste disco, a When The Wild Wind Blows. Estava me preparando para fazer um comentário no último post, mas a coisa foi ficando grande e resolvi fazer este post…

When The Wild Wind Blows (Steve Harris)

Apesar de ainda ser recente, acredito que minha opinião abaixo não deva mudar, mesmo depois: a música é sim épica, mas as comparações com o mito Rime Of The Ancient Mariner são um pouco exageradas.

Como fator principal, Rime é baseada em um poema. Já WTWWB é baseada em uma estória e, como veremos mais abaixo, em uma crítica indireta. Apesar da música seguir uma linha não-padrão do Maiden, quase sem qualquer repetição de estrofes e praticamente sem refrão, eu descarto a uma profunda comparação com Rime.

Comentários postos, a melodia da música é de regular para bom, nem surpreendente / extraodinário, mas longe de ser fraca. Aliás, para meu gosto pessoal, é bastante agradável, mas realmente não chega a ser um clássico do heavy metal em termos de guitarra, baixo e bateria.

Outro ponto mais particular é que eu tendo a torcer o nariz para músicas que tem “barulho de vento”. Então, quando vi que esta começa e termina com uma ventania, já falei “oi” para a pulga que fica atrás da orelha…

Entretanto, desta vez, o tal “vento” não atrapalha em nada e realmente dá um clima para esta longa música.

Os pontos fortes da música são, em minha opinião, são 2: a interpretação e a voz de Bruce – aliás, como venho cada vez mais notando neste disco – como ele é a cara de Bruce, até mais que Steve, algo no mínimo curioso de se ver ao longo da discografia da banda. E olha que, sobre esta música específica, ela leva a assinatura de Steve…

Mas além dos 2 pontos acima, a letra da música também é interessante, cria um clima como se você estivesse lendo um livro.  E é aqui que começa de verdade a brincadeira…

Logo de cara, as “pontadas” na mídia tradicional, aquela mesmo que o Maiden sempre esteve distante… a fonte da estória da música são as notícias que estão chegando para a população. Depois, no desenvolvimento dela, a música se “fecha” para uma família em específico, como vocês verão mais para frente…

Have you heard what they said on the news today

Have you heard what is coming to us all?

That the world as we know it will be coming to an end

Have you heard, have you heard?

(…)

They said there’s nothing can be done about the situation

They said there’s nothing you can do at all

To sit and wait around for something to occur

Did you know, did you know

There will be a catastrophe the like we’ve never seen

There will be something that will light the sky

That the world as we know it, it will never be the same

Did you know, did you know?

(…)

Can’t you see it on the T.V.?

Don’t believe them in the least bit

(…)

O pavor vai tomando conta dos personagens da estória. E interpreto isso como ultimamente as coisas vem acontecendo mesmo: cada vez mais, temos mais e mais notícias, via TV, internet, Twitter… é algo exponencialmente incontrolável… basta sair uma notícia em algum canal que se inicia um flood sem fim em todos os meios de comunicação.

As he stares across the garden looking at the meadows
Wonders if they’ll ever grow again
The desperation of the situation getting graver
Getting ready when the wild wind blows

E o pior de tudo: com a ganância de ter um conteúdo novo, mais exclusivo ou personalizado, as vezes, a notícia começa a ficar distorcida, maior do que é realmente, ou ganhando um tom mais drástico do que realmente seria. Fora quando a notícia que era um rumor acaba virando verdade absoluta… ou ainda quando a notícia não é verdadeira. Cada vez mais, se notarem, estamos sendo bombardeados (quem tem Twitter, sabe exatamente o que estou falando) pelas mídias.

A concorrência faz com que uma fique de olho no que a outra fala e, muitas vezes sem ao menos checar a procedência ou veracidade da informação, o meio publica, apenas para não perder espaço para o adversário. A coisa vai tomando uma proporção gigantesca, ainda mais quando a notícia tem tom de desgraça.

Então, neste clima de dúvida e pavor, os personagens começam a se preparar para o pior, sem nem saber exatamente o que, nem por quanto tempo, eles sofrerão com a anunciada catástrofe:

He carries everything into the shelter now, but first
Getting ready when the moments comes
He has enough supplies to last them for a year or two
Good to have because you never know

Claramente, a letra anuncia que não devemos confiar em tudo que lemos, em tudo que eles (os canais de comunicação) QUEREM que acreditemos…

They tell him nothing that we don’t already know about

They tell us nothing that is real at all

They only fill us with the stuff that they want

Did you know, did you know?

Eles (os personagens) estão quase prontos, aguardando algo que nem sabem direito que será… e COMO será… estou usando tudo no plural “eles” pois no final da música, vocês verão que não é apenas o “ele” da parte abaixo:

He’s nearly finished with the preparations for the day
He’s getting tired; that’ll do for now
They are preparing for the very worst to come to them
Getting ready when the wild wind blows

Também é criado todo um cenário ao se contar a estória. Particularmente, gostei muito da parte onde há um jogo de palavras muito interessante na letra e que reforça como Bruce se destaca na interpretação (em termos de interpretação, ok, podemos até fazer um paralelo com Rime Of The Ancient Mariner). E de volta a catástrofe que a mídia vai anunciando, lá estão eles, vendo as coisas acontecerem:

He sees the picture on the wall, it’s falling down
Upside down
He sees a teardrop from his wife roll down her face,
Saying Grace
Remember times they had, they flash right through his mind
Left behind
All we laughed and spent together long ago
Will be gone

Começou a acontecer. O quadro da parede cai, a esposa chora e reza. As memórias da vida começam a vir à tona, as coisas boas, enquando eles esperam pelo pior acontecer. Agora, tudo ficou para trás.

E assim chegamos ao final do épico som, quando eles são encontrados. Mas será que eles realmente perderam a vida através da catástrofe tão amplamente anunciada / divulgada? Ou não aguentaram todo o pavor e clima criado pela mídia e, literalmente, resolveram dar fim a essa dor e agonia, praticando suicídio? Confira:

When they found them, had their arms wrapped around each other

The tins of poison laying near by their clothes

The day they both mistake an earthquake for the fallout,

Just another when the wild wind blows…

Pela minha primeira interpretação deste último parágrafo da letra da música, eles se envenenaram, provavelmente uma reação ao pânico que fora causado por todas as notícias, por não aguentarem a expectativa de ter de ficarem presos, sem saber até quando… eles não aguentaram a espera pelo pior, claramente visto neste dois trechos, se voltarmos mais para o meio da música:

He carries everything into the shelter now, but first

Getting ready when the moments comes

He has enough supplies to last them for a year or two

Good to have because you never know

He’s nearly finished with the preparations for the day

He’s getting tired; that’ll do for now

They are preparing for the very worst to come to them

Getting ready when the wild wind blows

Se a música não é brilhante instrumentalmente, a mensagem passada, e toda a interpretação dada por Bruce, é…

Claro que, com o passar do tempo, posso enxergar novas coisas, tanto na letra quanto na música quanto um todo. Por enquanto, é isso aí…

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Curiosidades, Iron Maiden, Letras, Músicas, Off-topic / Misc, Resenhas

29 replies

  1. Sensacional, Eduardo.

    Ótima análise!

    Eu realmente gostei dessa música, por achá-la bem coesa: instrumental, letra e melodia. Acho que ela está mais para ‘The Clansman’ do que para ‘RotAM’, o que já seria um exagero incrível, o instrumental não chega nem perto da clássica faixa do ‘Powerslave’.
    Mas o que a deixa especial é a atmosfera que ela cria perfeita para a letra.
    Confesso que não eu ainda não havia esmiuçado a letra e ouvindo ainda não tinha conseguido entendê-la completamente.
    Agora já tenho tudo de bandeja…

    Parabéns!

    Abraços.

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    • Marco, obrigado, cara. É que vi muita gente comparando esta faixa com RoTAM e, de verdade, achei um grande exagero – o que também não quer dizer, como disse no post, que a música é ruim… não achei ela nada excepcional instrumentalmente mas, em conjunto com a letra e interpretação / vocais do Bruce, ela ganha um ar de respeito.

      Porém, não é, como gosto de dizer, “uma música de todo dia”. Não é direta e reta, entende? Mas é sim é ótima canção.

      Obrigado novamente.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Da Metal Hammer:
    WHEN THE WILD WIND BLOWS

    Based on author Raymond Briggs’ grim post-nuclear fallout graphic novel (When The Wind Blows), the final track on Maiden’s 15th album is every bit as bleak and unnerving as its subject matter would seem to demand, and yet this is as musically fascinating and lyrically brave as anything the band have recorded. Densely-layered and uncompromising, this one will take a few listens to sink in, but there is an insane amount of atmosphere and countless inspired melodic touches on display here. A stunning finale.

    Mais: http://en.wikipedia.org/wiki/When_the_Wind_Blows_(film)
    Plot summary

    When the Wind Blows depicts a nuclear attack on the UK by the Soviet Union from the viewpoint of a retired couple, Jim and Hilda Bloggs. The Bloggs live in rural Sussex and are confused regarding the nature and seriousness of their situation. This confusion is sometimes used to generate gentle comedy as well as darker elements. As the film progresses, things become steadily more hopeless as the couple suffer from the effects of radiation sickness. The film ends on an extremely bleak note, with them praying in their fallout shelter as death approaches.
    At the very end of the closing credits, a morse code can be heard, spelling “MAD”.

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    • Leandro, boa, valeu pelo contexto histórico.

      Quando eu fiz este post, na verdade, era para ser apenas um comentário. Me empolguei e vi potencial para virar uma análise mais profunda, aí saiu o post mesmo… mas não fiz qualquer tipo de pesquisa antes de fazê-lo, pelo contrário, até por ser um som novo, tentei fazer sem qualquer vício ou influência do meio externo… foi pura interpretação de texto.

      Valeu pelo link!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Eu gostei da música, apesar de longa,em momento nenhum me soou cansativa. O vocal de Dickinson está muito bem mesmo, é uma das grandes perfomances no cd que já traz Bruce em ótima forma num todo. Não dá pra comparar com Rime of the Ancient Mariner a principio, acho a comparação com The Clansman, que considero a grande faixa do Virtual XI, mais próxima e adequada. Musicalmente, The Clasman é mais acelerada, aí talvez a comparação com Rime of The Ancient Mariner tenha mais sentido, porém na questão do estilo e não na qualidade, pois a clássica do álbum Powerslave é um destaque num álbum maravilhoso.
    Não havia reparado na letra, mas lendo os trechos acima a música ficou ainda mais legal. Foi ótimo o Leandro ter trazido o “X” da questão em relação ao tema, um tema muito sério e bem desenvolvido e interessante ver também que numa interpretação mais livre, como fez o Eduardo, podemos ter outro entendimento ( também perfeitamente encaixado) do que a letra diz.
    Por fim, o elogio tem de ser dado ao autor( um tal de Steve Harris, aliás…) pois o conjunto letra e música ficou muito bem “amarradinho” e tais análises que vocês mostraram me fizeram admirar ainda mais a música.

    Ah… a questão do “vento” levantado no inicio do post me fez lembrar algumas músicas clássicas que possuem tal introdução, realmente nunca tive nenhuma “pulga” ao ouvir este tipo de começo…Lembrei algumas de cabeça :Alexander The Great (do próprio Iron) e Egypt (the chains are on) e Holy Diver, do saudoso Dio , todas excelentes canções!!!. Vamos deixar o vento soprar, Eduardo….

    Alexandre Bside

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    • Grande B-Side, hoje mesmo ouvi Alexander The Great e Holy Diver, no assunto “vento”. Em nenhuma das duas, o “vento” atrapalha. Sei lá, deve ser um trauma meu de alguma outra música… ou filme… vai saber!

      Falando de letra, desta música e do álbum em geral, temos outro excelente disco do Maiden neste sentido. Ao longo dos anos, meus ouvidos se desenvolveram bastante na questão de ouvir a voz do Bruce (falando ou cantando), então logo de cara já sentia que tinha coisa boa. Não tenho o hábito de ficar lendo as letras, mas quando dou uma espiada, é sempre uma surpresa agradável.

      Nova campanha, então? Let the wind blows…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. Galera,

    Acompanhem no Omelete as repercussões sobre os novos discos do IRON MAIDEN e do Blind Guardian.

    Simplesmente hilário!!!

    http://www.omelete.com.br/musica/novidades-musicais-do-metal-18-de-agosto/

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  5. Muito bom, e a cada vez que ouço, aprecio ainda mais a música

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  6. Boa, Eduardo!
    Disco sensacional, música sensacional, e sua análise está bem bacana!
    Apesar de não ser tecnicamente brilhante (apesar de lindíssima), a junção da melodia com a interpretação fazem essa música bater muito fundo. A atmosfera criada é coisa de gênio!!
    Acho que só faltou um ponto na sua análise: o casal da história estava preparado para um bombardeio nuclear, mas na verdade era um terremoto acontecendo. Apavorados, eles se mataram. Isso dá um toque ainda mais triste pra história.
    Você repara que a música dá uma mudada… Representando o começo do terremoto, o quadro caindo e tal… toda vez que ouço essa parte eu arrepio fud$%$%!
    COISA DE GÊNIO. PUT$% QUE PA%$# COMO É BOM TER IRON COMO BANDA FAVORITA!! TO EM ÊXTASE MUSICAL HÁ DUAS SEMANAS E SÓ ESCUTO ESSE CD!

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    • Olá, Marcel. Primeiramente, seja bem-vindo ao blog do Minuto HM.

      Obrigado pelos elogios. Sobre sua importante observação do item que não coloquei, realmente, até porque fiz uma interpretação totalmente livre de fontes ou consultas, me baseei apenas na letra e esse ponto passou.

      Há um comentário do Leandro neste post neste sentido, que traz este ponto e a origem realmente de tudo: http://minutohm.com/2010/08/18/desvendando-when-the-wild-wind-blows/#comment-2805

      Também estou curtindo bastante o disco, como fã do Maiden. A música que não paro de ouvir é a faixa Isle Of Avalon… estou adorando a letra e interpretação desta música, sem contar o final anos 80 que me arrepia toda vez que ouço…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  7. Estava ouvindo essa música hoje, acompanhando a letra com atenção e de repente me veio uma coisa à mente, pode ser loucura da minha cabeça, mas pra mim ela se encaixa perfeitamente com os acontecimentos no Japão atualmente.
    Terremoto, risco de acidente nuclear, população apavorada, mídia explorando o assunto sem parar. Tá tudo aí!!!

    Até o vento se encaixa no contexto se compararmos com o “vento radioativo” que sopra da usina de Fukushima. Bizarro!
    To viajando muito?

    Steve Harris ē um profeta!!!!

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    • Suellen, apesar dos (tristes) acontecimentos no Japão não serem totalmente inéditos, é muito interessante que você tenha associado a letra da música ao que está acontecendo por lá.

      Realmente a letra da música é atualizada e muito adaptável ao que está acontecendo lá do outro lado do mundo. Parabéns a você por essa observação…

      Sobre Steve Harris ser “The Clairvoyant”, digamos assim para maidenizarmos ainda mais o comentário :-), eu fico mais com o termo “gênio”. :-) . Hehehehe.

      E o Iron Maiden continua sobrando…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  8. Ainda existe essa mania saudosista de achar que tudo que é mais velho é melhor… essa música é sim superior melodicamente à Rime of the Ancient Mariner… tem uma crítica embutida na parte lírica, em vez de uma letra baseada num conto-poema, como a outra… eu li em uma resenha que ela é “como se fosse os beatles tocando metal” e concordo… muito bem arranjada e o cuidado com a melodia é fenomenal, além de não “forçar” nenhum elemento arbitrário em sua estrutura

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    • Olá, Rodolfo, primeiramente, seja bem-vindo ao Minuto HM. Aproveite o espaço.

      Valeu pelo comentário. Eu particularmente não gosto de comparar músicas neste sentido. Eu acho que as duas têm coisas muito interessantes e nós somos privilegiados por, após tantos anos, termos a oportunidade da banda nos entregar outra maravilhosa música épica. Tem também o gosto pessoal envolvido, que normalmente não vale a pena se discutir.

      De qualquer forma, prefiro mesmo pensar nas duas do que escolher uma… cada uma a seu tempo, com seu propósito, qualidade e suas especificidades.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  9. muito boa a analise.sempre tenho a curiosidade de discutir as letras do iron .continue assim

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  10. Muito boa a análise. Indiquei-a no meu blog, http://quadrinhopole.blogspot.com/2011/10/talisman-iron-maiden.html, quando fiz algo parecido com “The Talisman”. Abs e sucesso!

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  11. Agradecimentos do Minuto HM pela referência ao nosso post. Obrigado!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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