Cobertura Minuto HM – MetallicA em SP – parte 1: a banda Raven

Provavelmente os mais conhecedores da cena oitentista do metal e/ou os mais atentos à Discografia MetallicA que vem sendo a passos de tartaruga manca e bêbada feita aqui no blog já devem pelo menos ter ouvido falar da banda de abertura do esperado show desta noite de sábado em São Paulo. E foi logo no início da discografia, no capítulo sobre o Lars Ulrich, que o Raven foi brevemente citado.

Estes britânicos de Newcastle, Inglaterra, criaram a banda em 1974 e possuem uma sólida carreira, mesmo com diversas variações em seu lineup de 1974 a 1987, quando a formação com os irmãos John (baixo e vocal) e Mark Gallagher (guitarra e backing vocal), além de Joe Hasselvander (bateria e backing vocal) se estabilizou.

Uma das marcas desta banda de hard rock / heavy metal com flertes com progressivo desde o início eram os elementos visuais trazidos de esportes como hockey e baseball, como capacetes, e também usados em seus instrumentos – joelheiras e cotoveleiras sendo usadas para tocar bateria enquanto a banda veste capacetes de hockey durante as performances.

Raven entre 1985 e 1986, com Rob "Wacko" Hunter na bateria

Raven entre 1985 e 1986, com Rob “Wacko” Hunter na bateria

Com uma postura sempre mais que energética, esta banda, apontada inclusive como uma das precursoras da NWoBHM, frequentemente chegava ao final de seus shows com os equipamentos destruídos. O primeiro single da banda, Don’t Need You Money, de 1980, ajudou a banda a conseguir sucesso rápido, começando a fazer tours com os nomes consagrados, como Ozzy Osbourne (que acabara de sair o Black Sabbath) em sua tour de estreia para a sua carreira solo com Blizzard Of Oz. O debut de estúdio do Raven, Rock Until You Drop, saiu em 1981 e o segundo, Wiped Out, no ano seguinte, trazendo o grupo aos charts ingleses e fazendo-os figurar como expoentes no Reino Unido. Tudo isso renderia a eles a oportunidade de tocar ainda com Motörhead, Whitesnake e a então explosão da NWoBHM, Iron Maiden.

Inclusive, reparem, neste primeiro single, a partir dos 3:17, e pense em Lars e o MetallicA tocando Hit The Lights hoje em dia. Alguma semelhança?

raven_band

Com a repercussão acima, a Megaforce Records resolve firmar contrato com a banda, que grava All For One já nos EUA em 1983 e sai em tour como abertura de uma fresquíssima promessa do cenário de thrash metal da época, o MetallicA – a famosa “Kill ‘Em All For One”. A banda atingiria seu ápice comercial em 1984, quando assinaria seu contrato com a Atlantic, porém, bandas como o próprio MetallicA e o Anthrax começariam a traçar suas discografias de sucesso, direcionando o foco da industria como um todo para as carreiras dos americanos.

Portanto, quem assistir ao show de hoje a noite no Estádio do Morumbi, o único que a banda Raven tocará com o MetallicA nesta também já histórica By Request tour, estará automaticamente consumindo e vivendo a história do thrash metal e das bandas envolvidas se repetindo, 31 anos depois.

Don’t take this for granted… é história purinha.

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Agenda do Patrãozinho, Anthrax, Artistas, Black Sabbath, Cada show é um show..., Curiosidades, Def Leppard, Discografias, Iron Maiden, Mötley Crüe, MetallicA, Motörhead, Quiet Riot, Raven, Resenhas, Whitesnake

5 replies

  1. Eduardo, o Raven era outras dessas bandas que passaram ” ao largo ” durante os anos 80. E pelo jeito, ficaram mesmo em escalões intermediários.

    Ouvi de forma pouco pretensiosa os links acima e confesso que esperava menos. Não que seja algo que me chamou a atenção, mas a impressão que eu tinha era de uma banda com menos qualidade em relação por exemplo a vocais e guitarras.

    O que ficou dos anos 80, pelo menos nas publicações da época ( a falada revista Metal) foi o momento em que eles assinaram com uma grande gravadora ( Atlantic) após terem chamado a atenção da Megaforce para a gravação deste All for One, de 83. O álbum anterior é bem mais rápido e de produção mais pesada . Neste All já se encontra espaço para os riffs mais grudentos da década de 80 e uma produção mais voltada para a sonoridade meio exagerada da época, ainda que não esteja totalmente inserido no contexto mais ” glam ”

    A coisa ficou pior como imagem para a banda ao terem sido acusados de largarem suas raízes em 85 com o álbum seguinte, o tal com a Atlantic : Stay Hard. O clip abaixo mostra sim que a banda procurou , como várias da época , seguir a tendência do momento:

    E ainda foi mais longe , no álbum seguinte, que mereceu severas críticas de quase todos que o ouviram , inclusive o pessoal da revista Metal já citada, a começar pela capa rídicula. O detalhe é que o álbum foi produzido por ninguém menos que Eddie Krammer

    A banda ensaiou ao que parece um retorno às origens , mas a tendência seguida após 83 ( buscando algo entre o Quiet Riot, Motley Crue ou Def Leppard- aliás, sempre eles) não trouxe para banda retorno financeiro e deve ter acabado com qualquer imagem positiva deles. Assim, o óbvio é que a banda ficou sem qualquer base de fãs por ter traçado um caminho que não lhe rendeu os frutos esperados , provavelmente pressionados também pela gravadora, imagino. O vocal , embora bom tecnicamente, sempre meio soou um tanto enjoativo, mas eu confesso que esperava menos da banda quando ouvi os links acima, pois o que ficou foi a tal ” traição” ao movimento inicial. Imagino, no entanto, que talvez ao vivo a coisa fosse sempre melhor e aí eu pergunto:

    Como foi o show por aí , Eduardo ?

    Alexandre

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    • B-Side, muito obrigado pelo complemento mais que importante da trajetória oitentista deles. Realmente ajuda a entender as consequências da carreira deles, que foi perdendo exposição em detrimento aos nomes tanto citados no post quanto no seu excelente comentário.

      Sobre o show, infelizmente, por problemas de som (algo como no Rock in Rio de 2013, no Iron Maiden), o resultado ficou comprometido. Falarei um pouco mais na próxima parte desta cobertura – mas realmente, foi uma lástima…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  2. O show é do Metallica e a cobertura começa com uma aula sobre Raven. Aumentei bastante meu conhecimento sobre esta curiosa banda.

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    • Xará, fico feliz que tenha gostado da pré-cobertura. Pelo que notei na época, poucos (ninguém, na verdade) se aventuraram a falar da banda de abertura com um pouco mais de profundidade, banda esta que foi uma parte importante no período que o MetallicA ainda estava nascendo.

      Enfim, é por isso que existe o Minuto HM, não é mesmo?

      Esta noite em São Paulo fez história com relação a isso, sendo uma forma de homenagear aqueles irmãos que se perderam em termos de carreira nos anos 80, assim como tantas outras bandas. Então, tocar para tanta gente e rever o MetallicA realmente emocionou-os (uma pena que o som do palco estava horroroso, não por culpa deles).

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

Trackbacks

  1. Cobertura Minuto HM – MetallicA (e Raven) em SP – parte 4 – resenha (em andamento “ao vivo”) « Minuto HM

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