“Vírus U2”: sendo obrigado a ter o suposto maior lançamento da história de um álbum

Aos que acompanham este espaço mais de perto, sabem que eu tenho uma grande paixão por tecnologia e uma específica bastante antiga, que é pelos produtos e serviços oferecidos pela Apple Inc (e também pelo Apple Records, hehehe).

Mas como este blog não é de tecnologia, então não faz sentido eu me prolongar no tema (afinal, isso é um post, e não um dos nossos podcasts onde não há mesmo freios). Mas como a Apple mudou o mercado fonográfico em 2001 com o lançamento da dupla iPod / iTunes (a última revolução em música desde o fabuloso walkman, da Sony) e “música está no DNA da Apple”, como Steve Jobs sempre disse e o atual CEO Tim Cook sempre reforça, em setembro é hora de parar e ver o que a empresa vai (ia?) tentar entregar para o mundo, apesar de silenciosamente ter feito isso:

Na última terça-feira, dia 09, Tim Cook subiu aos palcos para a mais que aguardada atualização da linha do iPhone. De quebra, o mercado também esperava pelo lançamento do antes chamado “iWatch”, que se consolidou sob o nome “Apple Watch”.

Sem surpresas e sem querer me alongar sobre estes produtos aqui no blog, os lançamentos mais uma vez mostraram como a Apple perdeu totalmente a capacidade mágica que tinha de segredo industrial e acabou revelando produtos que todos que acompanham tecnologia já esperavam: iPads mini mini iPhones gigantes que além de apenas evoluírem em termos de aperfeiçoamentos e atualizações de hardware, ainda fazem o que antes faziam com os produtos Apple: eles se rendem ao que o mercado está fazendo, ou seja, telas grandes, NFC, a moda mais que besta ‘selfie’ e afins. Steve Jobs sempre DITOU o mercado, reforçando que “as pessoas não sabem o que querem até elas terem”. Hoje, como o CEO é um cara (fantástico) de Operações (ou seja, não um gênio criativo), a Apple está aos poucos (nem tão pouco mais assim) administrando seu império financeiro.

Daria para escrever mais uns 10 parágrafos sobre a Apple e o mercado, mas quero iniciar de uma vez o tema do post. Após a apresentação dos produtos no keynote, Tim Cook chamou o U2 ao palco. A banda (que já trabalhou com a Apple no passado, com a linha “red” de produtos, que continua ativa até hoje em certos produtos e principalmente acessórios) tocou uma música horrorosa chamada “The Miracle (of Joey Ramone)”, que foi anunciada como o primeiro single do novo álbum “Songs Of Innocence”, o primeiro deles em 5 anos. Bono fez questão de reforçar que haviam rumores que a banda não estava gravando nada neste intervalo, mas que na verdade gravaram “vários discos”, apenas ainda não os lançaram. Sinceramente, mesmo não sendo um fã de Ramones, creio que os fãs não vão conseguir gostar do tal tributo…

Com o velho discurso que todo artista usa quando de um lançamento (“o melhor que já fizemos”, blá-blá-blá – até aí, tudo bem), Bono e Tim Cook foram preparando o terreno (sem nem perto ter a antiga magia do Reality Distortion Field) para então a notícia chegar. Fazendo literalmente um “teatrinho infantil” ensaiadinho, Cook perguntaria à plateia sobre aquele ser “o melhor single que já escutaram” e que “poderíamos ter um disco inteiro daquilo”. Bono então seguiu o script marketeiro, coisa que ele faz até melhor que Cook, perguntando como eles poderiam disponibilizar isso ao maior número de pessoas possível – tipo meio bilhão de pessoas (que é o atual número de contas que a Apple tem no iTunes). Cook respondeu que daria para fazer, se fosse “de grátis”, como se diz por aí. E assim, nasceria o suposto “maior lançamento de um álbum da história da música”.

Naquele momento, assistindo ao keynote, fiquei me perguntando qual era a dessa frase, já que “disponibilizar um disco gratuitamente” não era verdadeiramente “o maior lançamento”, afinal, o conceito para mim é o usuário ir atrás , procurar algo (como se fosse um vinil ou CD), achar para finalmente fazer o download para sua biblioteca. Para mim, “disponibilizar” e “adquiri” são coisas bem distintas.

Eu não gosto do U2, muito pelo Bono, que acho um dos caras mais falsos do mundo da música. Isso não quer dizer que estou certo ou que ele não tem um lugar cativo na história, é só a minha opinião. Por não gostar da banda, não tenho em meu iPhone um disco da banda. Assim como não ia fazer um post disso tudo, mas sem deixar de comentar pelo nosso Twitter algumas coisas que aconteceram desde esta apresentação e que já trazem um pouco dos planos comerciais de ambas as partes sobre o tal “lançamento free”:

Até vendo tudo isso, eu mais que entendo a parceria e o que a reclamar sendo apenas um espectador? Baixo um álbum DE GRAÇA apenas se eu quiser (e problema da Apple que pagou 100 milhões de doletas para o “álbum grátis” do U2, assim como compra quem quiser os álbuns antigos com desconto e acessa quem quiser a loja que está infestada de U2 para lá e para cá). Afinal, é uma parceria, é o mercado, é assim mesmo. Aliás, façamos as contas: o U2, “bonzinho”, vendendo por apenas 100 “milhõeszinhos” para um mercado de 500 milhões de contas?

Acontece que os números de downloads grátis foram isoladamente legais mas no contexto de contas, ridículos. Até quinta-feira a noite, “apenas” dois milhões de downloads, que se é um número estrondoso em termos absolutos, representa patéticos o,4% das contas. “Ah, mas calma também, está cedo”. Não, não está cedo. Quando de um lançamento da Apple, como a nova versão do iOS, os servidores simplesmente “morrem” de tanta gente baixando. O mundo inteiro está vendo o keynote, e desta vez com o suporte de todos que acompanham o mundo da música além do de tecnologia. E é “free”! O que é mesmo é um belo de um fiasco!

Mas o que me revoltou DE VERDADE não foi NADA disso. Eis que a Apple fez um “push” do álbum para as tais 500 milhões de contas. O que isso significa? Que eu, que NÃO quero essa porcaria nem de graça, sou OBRIGADO a ver isso meu iPhone:

Não, Apple, eu não quero o álbum (a culpa aqui é da Apple, e não do U2). Mas também não U2, eu não quero o seu disco “na força”, e isso, se eu fosse da banda, seria um alerta, pois para mim, “queima” o filme da banda.

E antes que alguém comente que isso só está ali como um “atalho”, ou seja, não foi “baixado” para meu celular: sim, eu sei e entendo como funciona o conceito de nuvem. O que está ali é, na verdade, um atalho mesmo, as músicas não foram BAIXADAS para meu celular, ocupando assim um espaço relevante. Mas o ponto é outro: eu me sinto INVADIDO desta forma, afinal, eu não optei em receber o “push” disso. Se tivesse uma pergunta “sim” ou “não”, eu até entenderia. Tem um iPhone, iPod, iPad e uma conta na Apple ativa e conectada? Olhe aí, seu celular também deve ter recebido o tal “vírus”.

Assim como quando se baixa uma vez uma música da loja, ou mesmo outra coisa, como um livro, os atalhos ficam ali disponíveis para você baixar de novo caso tenha deletado o conteúdo, trocado de aparelho, etc. Qual a diferença? Eu OPTEI uma vez na vida por aquele conteúdo! Neste caso, meus queridos da Apple e U2, eu não optei pelo disco.

Antes de terminar, uma utilidade pública – diversos sites já estão ensinando como tirar o disco de nossas bibliotecas – veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui para achar sua situação caso tenha clicado (ou não) para fazer o download. E preste atenção no procedimento (de remoção INDIVIDUAL de músicas), pois senão o disco pode reaparecer para você, como um verdadeiro vírus  de computador mesmo.

Que vergonha. Que lixo, U2. Que lixo maior ainda, Apple. Nada mais justo do mercado já estar chamando tudo isso de “vírus” e “Tuesday Blood Tuesday”.

Resumindo: “maior lançamento da história da música?”. Conte outra. Aqui, não.

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Artistas, Entrevistas, Off-topic / Misc, Tá de Sacanagem!, The Beatles

44 replies

  1. Fui deletar uma música e acabei clicando para baixar… acho que consegui cancelar… parece um “phishing” de internet – eu mereço…

    Ah… antes que eu esqueça… o negócio está mais para “malware” do que para “vírus”, eu sei… de qualquer forma, caso você ache isso malicioso como eu acho, a definição de “vírus” também fica perfeita…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  2. O maior site brasileiro sobre o mundo Apple divulgou (RT) o post do Minuto HM via Twitter. Agradecimentos ao pessoal do excelente MacMagazine e também parabéns a eles pela imparcialidade de sempre.

    Agora, o interessante seria este cara responder – quem sabe?

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  3. Eu acho que sou a pessoa que mais ODEIA o U2 (e a pessoa do Bono) no mundo! Não poderia ter ficado mais put*! A ponto de ter desespero para tirar isso do meu iPhone! Enfim tirei e me sinto muito melhor (olha a que ponto cheguei). A dica do terceiro “aqui” do post foi a que resolveu, além do que o cara aparentemente também não gosta dessa bandinha da Irlanda…

    Feito o desabafo, independente de ser essa bandinha aí, a atitude da Apple também não tem minha aprovação. Como disse o Eduardo, independente de ser grátis ou não, eu não escolhi o conteúdo da banda/disco no MEU dispositivo móvel… mesmo se fosse uma banda que eu gosto eu não aprovaria o aparecimento do “atalho” no meu celular. Se eu quiser o conteúdo gratuito, ótimo, eu que vá atrás dele!

    Abraços!

    Like

    • Bom, eu realmente entendo o tal desespero… é muito decepcionante ter de chegar ao ponto de ficar “satisfeito” em ter “conseguido” se livrar de algo não solicitado – isso vale para qualquer tipo de serviço, mas a que ponto chegamos…

      Tudo teria sido ok se fosse disponibilizado gratuitamente, com larga divulgação, mas que o usuário que “fosse buscar”, não é? Mas essa forçada de barra para ganhar um record a ambos lados deu no que deu…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  4. Será que a merd* do meu iphone do trampo tem esse treco? vou ter que conferir…
    Achei incrivel essa historia, imaginem o novo da Anita, Madonna, Naldo, Cristina Aguillera,Latino, Taylor Swift, e por ai vai … vai… vai …. vai ser f….

    Like

  5. Amigos,

    mais uma voz o blog sai na frente num debate tão importante sobre os modelos de mercado e como eles se deslocam no espaço-tempo; suas relações e envolvimentos e como os percebemos.

    Sem dúvida, colocar goela abaixo do usuário qualquer tipo de produto que não seja escolhido pelo mesmo é um passo comercial que esbarra em vários pontos, inclusive éticos. Tão evidentes, que da minha parte não merecem maiores detalhes, especialmente porque o texto já o fez muito bem.

    No entanto, uma questão me incomoda:

    Tuítar o “Bono” 3 vezes e misturar a pessoa física com a jurídica não é melhor forma – a meu ver – de vislumbrar qualquer tipo de discurso que não pessoal. Não, não é o “marketing do Bono” e nem é a “máquina do Bono” e não há nenhuma “bononização” nisso. Não estamos vendo ele fazendo alusões a perdão de dívidas de países de terceiro mundo e nem pedindo donativos para suas inúmeras empresas filantrópicas.E caso fosse, seria digno de aplausos tamanho altruísmo, mas isso é subjetivo, inequívoco e desnecessário discutir.

    Os interesses envolvidos pertencem à banda U2 e à sua obra e mais uma vez (como já fizera em outras situações artísticas) (a banda) usou as ferramentas disponíveis para fazer com que sua música pudesse chegar ao maior número de pessoas. Se eu sou artista e faço música, essa é a minha premissa. Não componho para tocar para as paredes. Essa é a paixão no coração de “porcarias” como U2 ou de qualquer artista que queira dar seus primeiros passos ou manter o seu predomínio cultural.

    A banda vendeu música, não botons. Apresentar seu novo trabalho musical junto com um celular aguardado é tão marketing quanto tocar na Antártica ou fazer caixões, caximbos e merendeiras com o nome da banda.

    Estabelecer juízo de valor empobrece o debate porque não é relevante.

    Não consigo me indignar com o evento porque vejo apenas a substituição do varejo físico (loja de disco) por um nome forte e imponente na indústria da tecnologia (Apple), que mudou a maneira como milhões de pessoas no mundo consomem música. Antigamente o artista levava seu álbum até as lojas, elas compravam os discos e vendiam ad eternaum. E os números que eram vendidos pela indústria fonográfica eram consignatórios.

    Exemplo:

    Se o Kiss distribuía pela Casablanca 30 milhões de álbuns, o interesse da gravadora era fazer com que este trabalho pudesse chegar a um número x de lojas, que comprariam o álbum (ou não). Uma vez nos balcões e prateleiras, eles já estavam “vendidos” dependendo apenas do fator tempo para que pudessem receber novas edições, gerando ao redor do mundo, discos iguais com faixas diferentes. No blog também temos ótimos textos falando sobre isso, em vários aspectos.

    O U2 vendeu seu disco para Apple. A Apple comprou e “deu” para o público sem perguntar a ele se era isso que ele queria.Golpe baixo.

    Do ponto de vista do artista este é um grande passo na mudança de um modelo engessado e obsoleto da compra de conteúdo. No Brasil, especialmente no mercado underground, já existem formas interessantes de adquirir material do seu artista favorito. No rock – não sei o porquê – ainda se engatinha para que medidas corajosas, possam aos poucos aperfeiçoar a máquina que está enferrujada ou substituí-la permanentemente.

    Observação: Mesmo que timidamente, a Nokia e Motorola fizeram o mesmo com o disco How To Dismantle In A Atomic Bomb (2004), logo, o modus operandi não é tão novo assim e carece muito de ser aperfeiçoado.

    Daniel

    Like

    • Daniel, por aqui no Brasil, eu fiz o post sem qualquer pesquisa e sem saber que já tinha muita gente falando disso. Quando cheguei no final do post, percebi que seria interessante tentar achar algo para as pessoas interessadas em remover o disco. Foi quando me dei conta do “barulho” que já estava rolando… mas aqui, pelo Brasil, apenas os sites especializados em tecnologia e em Apple que mencionavam, de passagem, sobre este novo “recurso”, pois também não era foco deles falar disso em pleno lançamento de novos modelos de iPhone, iOS 8 e os novos Apple Watch e Apple Pay.

      Sobre a questão do nome Bono, tenho de discordar, e fortemente. Neste caso, misturar pessoa física com jurídica é mais do que certo, em minha visão. Há, sim, “bononização” nisso, e muita. Oras, é ele o porta-voz da banda, é ele a imagem da banda (GARANTO por experiência própria que a GRANDE MAIORIA das pessoas MAL SABE os nomes dos componentes do U2), foi ele que falou no palco, foi ele que, junto a Tim Cook, falaram da novidade. A gente faz isso automaticamente, como falamos do “chefe Steve Harris”, de Gene e Paul no Kiss, Lars no MetallicA, e tantos e tantos outros exemplos. É óbvio que a culpa é do Bono no caso do U2, sem a aprovação dele, imagino que nem um fósforo queimado deva ser negociado na banda… assim como disse no texto que a culpa maior, para mim, neste caso, é da própria Apple – o U2, representado em tudo pelo Bono, está “na sua”, se é que temos de comparar a mportâncias / relevância de quem é mais culpado… ao mesmo tempo, ele não está preocupado (ele = Bono = U2) com nada pois ganhou 100 milhões de verdinhas americanas pelo disco da Apple… para ele, nunca tem nada de graça, não…

      Sobre o uso de ferramentas, aí sim, o ponto é relevante e concordo contigo, o que eu não concordo é como a ferramenta é USADA. É como no Facebook: tenho dó de quem fica usando aquilo, perdendo preciosos minutos (horas?) da vida por dia com… nada. A culpa é da FERRAMENTA? Não. Mas de como é usada. Mesmo caso aqui: a culpa não é do iTunes, e sim da FORMA com a Apple acordou com a banda (Bono, U2).

      Não entendi o lance de “juízo de valor”. Se for ainda quanto a ter citado claramente o nome daquele que é o representante maior de algo, como é o Bono para o U2, creio que já expliquei acima e no texto.

      Sobre a parte final do comentário, ali no exemplo do Kiss, eu entendo e concordo com o que você diz, mas o post aqui discute a FORMA adotada, e não os canais. Quem sou eu aqui para não defender a tecnologia? Estamos aqui, em um blog, e praticamente todos que participam se ligam em tecnologia ou dependem dela em seu dia a dia pessoal e profissional.

      Por fim, excelente lembrança da época da Nokia, mas muito diferente do caso aqui, nem cabe qualquer comparação.

      Valeu por deixar o papo aqui mais interessante!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

      • Eu acho que de uma maneira geral, entendemos que o método de propagação de um modelo adotado pela Apple não é o ideal especialmente pela forma negativa que foi recebida…

        MAS…

        Quando eu e você adquirimos um pacote de TV a cabo, recebemos em meio ao combo canais que sequer assistimos e que muitas vezes (ou em sua maioria), ignoramos veementemente porque não está integrado aos nossos interesses de gosto.

        A tv é nossa, o pacote pago foi escolha nossa e no entanto o que foi entregue não foi exatamente o que desejávamos, por isso, no meu entendimento, este método não é novo e só causou mais bla bla bla por ser a gigante Apple.

        O mesmo vale para o rádio, que é um device dos mais antigos e que não entrega tudo o que desejamos. Pode parecer um exemplo esdrúxulo, mas eu estou partindo da premissa que você mesmo utiliza no texto:

        “Mas o ponto é outro: eu me sinto INVADIDO desta forma, afinal, eu não optei em receber o “push” disso.”

        Quando você comprou seu Iphone, junto com o SO, vieram apps nas quais você também não tem interesse (ou tem, se tem, retifico meu discurso) e eu – ao menos em nossas conversas – nunca ouvi você dizer se sentiu ‘invadido’ por ter recebido algo não ‘acordado’ com aquela que te vendeu o produto.

        Isso quer dizer que não mereça um alerta, um texto, um ensaio?

        Merece mas desde quando isso já acontece em outras formas de ‘ter’?

        O carro é seu, você paga por ele e quantos impostos você paga A MAIS como se jamais ele fora seu? O imóvel é seu, você pagou por ele e quantos tributos você paga anualmente como se ele pertencesse ao Estado?

        Eu poderia adentrar sobre as questões sociológicas sobre a questão “pertencer” dentro da produção industrial e ainda mais dizer que o mimimi foi mais motivado por ter mexido com um brinquedinho que ganhou status de deus: Iphone e seu olimpo.

        “Não entendi o lance de “juízo de valor”. Se for ainda quanto a ter citado claramente o nome daquele que é o representante maior de algo, como é o Bono para o U2, creio que já expliquei acima e no texto.”

        Quando escrevo uma crítica de cinema não faço observações do objeto de crítica a partir dos meus conceitos pessoais sobre A ou B. Isso invalida minha crítica porque o ponto de partida do meu olhar foi os termos que eu criei entre a minha percepção de mundo com relação ao outro.

        Em letras miúdas: achar o Bono o cara mais falso da história da música, ok, mas inserir isso em um contexto onde não é a falsidade ou a honestidade o ponto relevante, trouxe para o se discurso muito mais rancor por ter sido a banda do que pelo modo ditatorial que a Apple utilizou de fazer marketing.

        Os comentários que faço aqui em relação a uma retórica mais limpa não tem a ver com o personagem mas com a história, isso é bom para discussão, não o que pensamos se o irlandês é ou não aquilo que aparenta ser, sempre lembrando que as pessoas que colocam o rosto a tapa são as que mais sofrem julgamentos da nossa parte sem que tenhamos nós qualquer tipo de prova a respeito do que avaliamos. Apenas a ideia de que quem se expõe o faz para aparecer. Isso é tacanho, reducionista e até banal.

        Eu só quis ser sutil ao invés de fazer uma carta sobre como defender uma ideia sobre ética sem ferir a própria.

        E não: isso eu discordo, o papo só está interessante porque essa bagaça se chama MHM, o lugar onde a gente pensa ouvindo música. 😉

        Daniel

        Like

        • Daniel, mas aí a argumentação é pela linha do que é “embarcado” ou “streaming”, e não “push”. Aí não vale, é lógico que colocar tudo no mesmo bolo facilita a justificativa das coisas… não podemos confundir jamais as coisas…

          Agora, concordo contigo que o burburinho aumentou por ser a Apple a envolvida, não pelo “produto queridinho”, mas muito mais pelo modelo que a empresa possui, que sempre foi fechado, graças ao que Steve Jobs criou e que funcionou tão bem. A partir do momento que se abre e se força as coisas para as pessoas, tudo mudo de figura. Isso vale inclusive para as “novidades” do sistema, ainda que eu esteja apenas falando de abertura, e não do que eu ESCOLHO ter.

          Sobre o lance do carro ou imóvel, aí eu acho que não tem nada a ver com a discussão aqui… são modelos diferentes…

          Eu não concordo ainda sobre a questão de conceitos pessoais A ou B. Para mim, tudo é feito (ainda) por seres humanos, e as críticas (ou elogios) podem ser direcionadas desde que claramente identificadas. Invertemos a proposta: eu se falasse bem de A ou B, neste caso, do Bono, estaríamos comentando sobre isso? Creio que não.

          Sobre a parte dos que colocam a cara a bater, sim, perfeito, concordo plenamente e em nenhum momento isso deve ser perdido de vista, mesmo.

          Viva o MHM!

          [ ] ‘ s,

          Eduardo.

          Like

          • Eduardo,

            a questão é justamente esta: o que você pensa sobre o Bono pessoalmente não corrobora para o principal motivo do texto. E o que você falou é a pura verdade: se você falasse bem também não faria sentido.

            A questão é o mote principal e quando você veicula o que você pensa da pessoa (Bono) para falar da banda e a apple, você trouxe a tona um tema irrelevante – preste bem atenção – para o post.

            Simples: porque você gostar ou não, não muda a *agada da Apple.

            Desculpe o meu preciosismo – minha formação é em cima do que se lê e do que se fala – mas o texto, pra mim, tem que ter coerência e ele tem total coerência até que você diga o que pensa do seu objeto, o que não te dá distanciamento suficiente para validar o seu argumento.

            Como estamos em um blog, bastante informal e divertido (ninguém duvida disso), até acho que eu deveria pegar leve com relação à forma como você incorporou o seu gosto pessoal à crítica feita.

            Como o espaço é seu você pode e deve se expressar da melhor maneira que você acha. Eu possuo outros critérios para escrever e nele incluo não misturar o que eu penso (não interessa dizer o nome ou não) dos princípios de uma defesa impessoal. Afinal, não foi apenas o Eduardo o invadido (acho o termo exagerado, mas vai lá) mas todo mundo que tem um Iphone ou outros dispositivos.

            Eu usei os exemplos esdrúxulos – que eu mesmo classifiquei assim – porque estas são as relações de mercado em que somos convidados a acreditar que temos posse das coisas e as coisas pertencem ao todo (quase um marxismo)e não, neste mundo “matrix”, nada é meu e seu, mas deixo isso para uma discussão bezuntada a horas de insônia você sabe onde.

            Abraço,

            Daniel

            Like

            • Daniel, para mim a mudança da discussão foi causada justamente por aprofundarmos o tema, e aí é claro que vamos saindo do tema. Até seu primeiro comentário, eu não tinha saído do tema, a discussão foi em cima da atitude principalmente da Apple como maior culpada, e não do Bono / U2, apesar de entender que a banda também tem sua boa dose de culpa em todo o processo.

              Em nenhum momento falei de gosto pessoal, tanto da Apple, quanto do U2 / Bono, em relação ao tema principal do post. Se fosse o Iron Maiden fazendo algo do tipo com a Microsoft, eu faria exatamente a mesma crítica, e olha que eu gosto muito de Iron Maiden e gosto muito menos da Microsoft do que da Apple… em nenhum momento, falei de gosto por aqui, afinal, não era o alvo. O que falei foi de modelo de negócio, de business, e citei nomes que entendo serem os responsáveis (Bono e Tim Cook, este último o maior culpado para mim, afinal, eles são os cabeças de seus respectivos grupos).

              E eu continuo não acreditando que um modelo de negócio deste tipo é interessante, e esta é uma opinião que parece ter chegado à Apple inclusive, já que ela lançou uma ferramenta oficial para desassociar o disco da conta dos usuários. É isso que eu procurei trazer no texto, seja no post ou nos comentários.

              O texto inclusive traz links de outros lugares, e agora com link direto para a Apple nos comentários, para quem quiser alterar essa situação do “push”. Ninguém é obrigado a fazer tal tarefa, a informação está presente para quem quiser fazer. Agora, para mim, ninguém deveria ser obrigado a ter de fazer isso, ou seja, fazer “pull” do disco. A opinião é que deveríamos ter a OPÇÃO das coisas

              [ ] ‘ s,

              Eduardo.

              Like

              • Eduardo, perfeito – a questão aqui é o push enfiado em nossa goela e ter que fazer o pull back. Acho que tanto faz se é o U2, U3, UX, XX, temos direito de escolher o que queremos no nosso playlist. Simples assim.

                Like

              • “Eu não gosto do U2, muito pelo Bono, que acho um dos caras mais falsos do mundo da música. ” – ao que se refere este parágrafo, ao tema do texto?

                Eu não estou discutindo o indiscutível e nem defendendo a banda, que é percussora dessa atitude surreal, mas você foi amplamente pessoal no seu texto, inclusive chamando a música produzida de “porcaria”.

                Ora bolas, se isto não é uma questão pessoal, é o que?

                Foi apenas eu quem li este parágrafo?

                Repito o exemplo que eu usei: não posso fazer críticas de produções cinematográficas a partir do que eu acho sobre os atores (pessoalmente). A distância para o objeto de crítica é que legitima as observações.

                Não começo um texto sobre Waterworld (1995) dizendo o seguinte:

                “A produção de 195 milhões de dólares do filme do antipático Kevin Costner, só poderia ter como resultado o fiasco que foi na bilheterias”

                É tão somente isto: minha crítica não é a sua crítica mas à construção dos argumentos.

                Não vou mais tocar neste assunto porque você já contribuiu muito com o enriquecimento do tema mas como parte da família acho que posso sair das respostas mais monotônicas e apresentar um outro ponto de vista.

                Abraço,

                Daniel

                Like

                • “Isso não quer dizer que estou certo ou que ele não tem um lugar cativo na história, é só a minha opinião. Por não gostar da banda, não tenho em meu iPhone um disco da banda.”. Essa é a sequência do texto, ou melhor, da introdução do paráfrafo, que você isolou aqui como se fosse apenas isso o lado pessoal. Eu terminei a argumentação dizendo que “não tenho em meu iPhone um disco da banda”, ou seja, não tenho porque não quero e não quero ser forçado a tal. ESSE é o tema.

                  Daniel, na boa… me parece que você concorda com a argumentação do erro da Apple e da banda, mas acha que fui pessoal na minha crítica e que isso está a frente. Não está.

                  Meu foco é claro, que foi o push indesejado, encabeçado pela Apple com o desejo do U2 – Bono mesmo disse que queria isso, a entrevista está mais acima.

                  Você fala de ponto de vista, e o meu é único: não gostei de ter um conteúdo forçado e não acho que é assim que se marca “o maior lançamento da história”.

                  Eu acho Bono mega hipócrita, sim. Essa é a minha opinião, sou o autor do texto. ELE, BONO, é o representante da banda. Se a ideia não foi dele, ou ele não mandar nada na banda, então que todos leiam “quem manda e quem é o porta-voz do U2”. Mas como disse no texto e repito, acho a maior culpada na história a Apple mesmo, afinal, é ela que manda na parte tecnológica do caso.

                  Seu ponto de vista está aceito, que foi uma crítica em como redigi uma introdução de um parágrafo do texto. Lido e respeitado. Agradeço o feedback.

                  [ ] ‘ s,

                  Eduardo.

                  Like

  6. Correções:

    Primeiro parágrafo: voz = vez
    Segundo parágrafo: abaixo = a baixo

    😉

    Like

  7. Bem, lendo os comentários e o excelente texto que traz a tecnologia como principal assunto ( ligado à musica, é claro..) me vi aprendendo ( mais uma vez ) por aqui e tentando não ficar tão deslocado com vários destes termos técnológicos que eu pouco domino.

    No fim, independente de alguma divergência aqui ou ali, o que fica claro é que eu também não gostaria de ter qualquer aparelho de uso pessoal sendo invadido por atalhos ou propagandas de conteúdo ( musical, principalmente, mas não somente) que eu não pedir para ali ver. Assim, como os anúncios de prêmios falsos que volta e meia habitam o ambiente de um não nerd como eu; Assim também como as tais promoções que eu não pedi para serem oferecidas neste formato.

    E aí eu concordo que “vírus” é a palavra mais adequada a ser empregada a esta estratégia de divulgação/venda do álbum do U2. Embora não saiba se é a mais correta, do ponto de vista tecnológico, o que para mim também não importa, já que sou leigo. Eu não tenho nada da Apple, mas aqui em casa os outros habitantes tem uma coisinha aqui ou ali que talvez tenham sido ” invadidos ” da mesma forma . Ou não, eu não vou me dar a este trabalho de ver…

    Eu não concordo com a estratégia e me incomodaria demais ver bandas ou artistas utilizarem-se deste artifício para empurrar goela abaixo a veiculação de seus produtos.

    Assim, fecho no mesmo sentimento do conteúdo do post, incomoda mais ainda a questão envolvendo o tal ” politicamente correto” que Bono sempre traz como imagem e seria interessante que os fãs da banda ( e da Apple) tentassem colocar suas idolatrias de lado e passar a enxergar e avaliar tal estratégia de uma forma criteriosa.

    Mas aí talvez seja pedir demais….

    Alexandre

    Like

    • B-Side, o ponto é exatamente este: a forma como fomos “invadidos” – por isso o título com o termo “vírus”, apesar que o termo técnico correto para o post devesse ser “malware” mesmo. Foi um “SPAM” forçado, aquele que não tive chance de dizer “quero ou não que isso esteja em MEU dispositivo”. Louvável para o usuário sempre ter as coisas facilitadas, preferencialmente free, desde que ele ESCOLHA se quer. Mais nada.

      Sobre o “politicamente correto” do Bono, e sem querer ofender o fãs dele ou do U2, basta observar como as ações não condizem com os bastidores. E isso não é reconhecer apenas nele isso: ninguém vive de vento, todos querem dinheiro neste meio e muito dos artistas e banda que apreciamos e resenhamos por aqui são EXATAMENTE assim… a diferença é que Bono prega por um papel mais político muitas vezes, envolvendo questões humanitárias e tudo mais, que são bonitas, mas ao mesmo tempo, “deixa eu fazer meu showzinho caríssimo aqui com 40 milhões de lâmpadas” e tudo bem. No fim, este debate é mais que polêmico, difícil de se concluir e não é foco do post…

      Sua conclusão é perfeita: temos de deixar os fanatismos de lado – seja pelo lado Bono / U2 ou Apple, neste caso – e falarmos com critério. E eu, que sou fã da Apple, acho ela a maior culpada nesta história toda e não é porque gosto da marca que vou ficar cego… assim como os produtos e serviços de hoje em dia, que estão longe do talvez agora ex-DNA da empresa, vendo a empresa ceder para o mercado como cedeu com estes últimos lançamentos… vejo muitos sites especializados em Apple (e que VIVEM dela) criticarem quando necessário, inclusive neste caso. O mundo dos fãs de música tem de aprender com isso lá fora…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  8. Pois é, Mestre B-Side! Tem toda a razão, e talvez seja realmente pedir demais para algumas pessoas. Mas assim como o Eduardo (autor do post), também sou um fã dos produtos da maçã e nós em nada concordamos com esta ação da empresa. Não da pra aceitar isso! Todos os termos cabem aqui, “invasão”, “vírus”, etc. Mas a definição do Daniel talvez seja a melhor: “golpe baixo”.

    Ainda como disse o Daniel, o modo como se comercializa música mudou. E a mudança começou (até onde sei) com a própria Apple e o lançamento do iPod, o que já tem mais de uma década! Mas aí é inevitável. Nas palavras de Belchior e na voz de Elis Regina, “o novo sempre vem”! E de novo, a ação “condenável” (posso usar esse termo?) aqui é a da Apple. O U2, e não o Bono, entrou pra fazer marketing mesmo. Ponto final!

    Mas é aí que o negócio se agrava pra mim, pois surge o gosto (ou desgosto no meu caso) pessoal. Eu não suporto U2! Acho que o Bono (sim o Bono, que querendo ou não faz diversas coisas “politicamente corretas” pra promover o U2!) é um dos seres mais hipócritas (se não O mais hipócrita) da historia da música! Acho ele mais falso que nota de R$ 3,72! Além disso, a bandinha dele é de medíocre pra baixo…

    Como eu disse antes, me deu DESESPERO pra tirar isso do meu iPhone! Acho que se a ação fosse feita com a Beyoncé eu ficaria put*, mas não tanto! 😀

    Abraços

    Like

  9. Mais uma boa matéria de como se livrar do indesejado álbum “top goela down” (e de futuros que sigam o mesmo caminho): http://bit.ly/1qVqYri

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  10. Concordo com toda a questão ética envolvida e o imperialismo capital. Não sou fã do U2 mas como me assustei com o álbum na minha discografia e acabei ouvindo. Considerando coisas bem piores que sou “obrigado” a ouvir, posso dizer que (nivelando por baixo) até agradou aos meus ouvidos.

    Like

    • Fala, Claudio! Sempre bom te ver comentando por aqui, no blog!

      Sobre a questão, acho que já ficou bem debatida mesmo, e o ponto “ético”, que tanto o Daniel quanto você trouxeram aqui, é outro aspecto relevante. Da minha parte, eu ouvi o single não pelo iTunes / celular, mas “ao vivo” no próprio keynote da Apple, com a banda mesmo. Achei a música bem sem graça, não vi nenhum destaque em nada, e falo isso musicalmente, sem relação com o assunto principal do post. Sobre o álbum como um todo, não ouvi e como não gosto, não deverei ouvir, mas o espaço está aberto a todos que quiserem também aproveitar e comentar sobre o disco…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  11. Quem deu a entrevista não é referência para o Minuto HM de forma alguma, mas achei uma boa definição: “novo disco do U2 ‘é como acordar com herpes'”: http://www.nme.com/news/u2/79754

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  12. Cara, você não percebeu que essa estratégia de marketing é brilhante. O mundo da música, e quando falo de música me refiro a música de verdade, estava por um fio, com o fim do lucro dos artistas devido ao pirateamento de tudo hoje em dia. Não sou fã, mas reconheço que o U2 amado ou odiado é uma das 5 maiores bandas de todos os tempos, e para quebrar este pirateamento, eles revolucionaram mudando o jeito de lançar álbuns, eles não se contentaram em ficar escondidos como todas as bandas, e lançaram um álbum pra repercutir, para que sites de tudo quanto é jeito como este, estivessem falando do U2 na semana de lançamento do disco.

    Like

    • João, primeiramente, quero lhe dar as boas-vindas ao blog Minuto HM e agradecer por colocar este comentário por aqui.

      Eu sinceramente não vejo nada de “brilhante” neste estratégia. Vejo algo invasivo. Não é, ainda, uma estratégia nova, sendo que outros players já haviam adotado em menor escala, mas sem o “push” sem ao menos perguntar se o usuário queria ou não tal conteúdo.

      Veja: se eu recebesse um notification no meu celular PERGUNTANDO se eu queria ou não o disco, eu acharia interessante. Para mim, como consumidor, pouco importa se a Apple pagou 1 milhão, 100 milhões, 1 bilhão ao U2. O que incomoda, e muito, é COMO foi feito a tal estratégia.

      Não estamos tratando se o U2 é ou não uma boa banda, se é odiada ou não (aliás, qual banda não tem amor e ódio andando junto?), pirataria, nada disso.

      Sobre repercussão, note que no post eu não coloquei o single, o disco, não fiz nada para repercutir. Aliás, poucos sites especializados fizeram isso. Repercussão negativa do tipo “falem mal, mas falem de mim”, isso sim, você tem razão, tem acontecido. Mas para uma banda e para um líder que se julgam politicamente corretos e “sustentáveis”, é uma boa estratégia?

      E, como comentei no post, a maior parte da culpa para mim é da Apple, e não do U2.

      Enfim, respeito seu ponto de vista, mas acho que não gostaria de ficar agora recebendo discos de bandas que não quero em meu celular sem ser questionado, ou mesmo propagandas de qualquer tipo. Isso é como aquela ligação de telemarketing, inconveniente demais.

      Por fim e falando de música, eu escutei o single na própria keynote da Apple. Achei uma música sem qualquer destaque, em absolutamente nada (letra, vocal, melodia, nada). Mas aí sim, é algo discutível e de aliada ao gosto pessoal.

      Agora, no MEU aparelho, eu acho que as pessoas tem o direito de usar e ter o que quiser. Não é mesmo?

      [ ] ‘ s e continue participando por aqui!

      Eduardo.

      Like

  13. “Fale mal, mas fale de mim” não é a filosofia da Apple. Ela reconheceu o erro (na verdade, quer que parem o burburinho criado) e criou uma opção para exclusão do disco: http://itunes.com/soi-remove

    Mais informações: http://blogdoiphone.com/2014/09/apple-da-opcao-para-usuarios-removerem-o-album-do-u2-de-sua-conta-caso-desejem/

    Que tenha entrado nos “lessons learned” deles.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

    • Uma dica aos que usarem a ferramenta da própria Apple para remover os discos (SOI Removal): se você tiver mais de uma conta no iTunes, é necessário repetir o processo para todas que você possuir, pois o disco é associado a cada conta (endereço de e-mail). Caso contrário, ao mudar de conta, você verá o disco novamente por ali…

      Ao final do processo, para cada conta, esta deverá ser a mensagem recebida:
      ____________________________________

      Songs of Innocence Has Been Removed from Your Account

      Your devices and computers should automatically update to reflect this. If you have already downloaded the songs to iTunes or an iOS device, you will now need to delete them manually. If you still see the album in your library or iTunes purchases, sign out of iTunes and then sign back in.
      ____________________________________

      Por aqui, tudo funcionou como esperado.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

    • Agora falando da banda, e não da Apple, com Bono como porta-voz (como sempre), ele afirmou sobre as críticas do modo de distribuição do álbum: “That’s always been the way. It was the same on our first album. That was kind of why you got into a band, to stir things up and annoy people. That’s the whole punk rock thing… the only thing that could have gone wrong would have been being ignored.”. Fonte: http://www.nme.com/news/u2/79854#WXz2DogPwDLaIDYU.99

      Ou seja, não dá nem para discutir mesmo, não tem nada de polêmico… basta ler, e vale ler o artigo inteiro, pois a frase não está fora do contexto, foi exatamente isso, mesmo…

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  14. Tweet recebido do amigo Ricardo – clique na imagem para ampliar:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

    • Daniel, isso foi mesmo uma das coisas comentadas durante o keynote da Apple, que esta atitude de disponibilizar este disco gratuitamente seria apenas uma primeira ação de uma “longa parceria com o U2”.

      Vale lembrar ainda que a Apple comprou a Beats, famosa por seus fones de ouvidos de boa qualidade, especialmente no meio da música eletrônica, mas que também possui serviço online de música e que muito interessa à Apple e, com a parceria, provavelmente aos propósitos do U2 (Bono). Isso sem contar a dupla iTunes Radio e iTunes Match, serviços que ainda não decolaram mas que a Apple está dando foco nos últimos meses.

      Tim Cook é um cara de operações e está fazendo a roda do dinheiro hoje quase infinito da Apple rodar, ainda que, como comentei, cada vez mais longe do que me fez (ainda faz muitas vezes) admirar a empresa por tantos anos. Com certeza, veremos novidades deste trio comercial – Tim Cook e a gama de integração de serviços e do ecossistema Apple, além dos acordos com gravadoras e selos ; Dr. Dre e time com a experiência de fones de qualidade e repercussão comercial (além do serviço digital), e Bono / U2, com… bem, só esperando para ver neste caso.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  15. O começo de post, dá uma boa conversa no podcast mesmo. Sou um crítico feroz da Apple e do Steve Jobs em especial (ohhh não se pode criticar os mortos… wtf). Tenho dois motivos principais. Destesto a estratégia “proprietária” (experts: confiram se está palavra é a correta) uma chatisse e babaquice. Òtimo pra empresa e horrível para os clientes. Não permite a troca entre tecnologias semelhantes e de se aproveitar o conhecimento e desenvolvimento geral. É tudo trancado, vejam os IPADs, não tem uma porta externa pra se trocar arquivos pra dentro e pra fora. Por que isso? Porque devo usar a nuvem, com sua velocidade baixíssima enquanto poderia transferir arquivos por cabo de maneira bem mais rápida? Só pra dificultar a vida das pessoas? Por quê? Alguém me explique por favor.
    Mas o pior não é isso. Esse tal de Reality Distortion Field, é um dos golpes mais baixos que a indústria pode impingir a seus clientes. De novo, pode ser ótimo para os lucros da empresa (daquelas que tem uma montanha de dinheiro para gastar em marketing), mas para os clientes (respeitando quem pensa em contrário) é muito bom para criar necessidades inexistentes e esvaziar os bolsos. Acredito que as empresas devem fazer o máximo para atender e até superar as expectativas e necessidades dos clientes, mas passar disso criando necessidades para faturar, considero antiético. Lembro que a Apple não é a única a fazer isso. A Coca-Cola e o McDonald’s também o fazem – com a campanha massiva de marketing transforma produtos medianos (coca cola) ou fracos (big mac e afins) numa coisa de outro mundo, blaaarrgghh. Mas o ramo da tecnologia é uma beleza para criar necessidades. Sempre podem ser criados badulaques novos
    Até acho (somente acho porque nunca tive um) que os produtos da Apple tem grande qualidade mas não acho que deva se pagar a diferença de preço que eles apresentam, ainda mais considerando as limitações impostas com o lance “proprietário” e de conexão por cabo.

    Quanto ao fato de a Apple ter mudado o formato de se consumir música acho equivocado. O que mudou o mercado da música foi a criação do “.mp3”, isso sim virou o mercado musical de cabeça pra baixo. O napster foi criado antes do Ipod, ou seja, foi só uma consequência.
    Outra questão é esta tal de nuvem ou (icloud). Nunca ouvi música através de nuvem mas “duvide-o-dó” que vá funcionar com esta terrível cobertura de internet que as operadoras nos oferecem. E wi-fi, quase que somente em casa, e aí, pra que usar a nuvem? Help dos craques em tecnologia.

    Sobre a posição da Apple na questão do lançamento: acho que ninguém discorda que a estratégia foi tecnologicamente invasiva e estrategicamente errada. Um legítimo gol contra.
    Sobre a posição do U2 na questão do lançamento: entendo que as bandas se veem numa posição difícil quanto a lançamentos de álbuns, que hoje não alcançam uma fração do retorno financeiro que alcançavam a alguns anos. Se foi oferecida a banda, pela Apple, esta quantia de 100 milhões de doletas, efetivamente fica difícil discutir, mas pelo que li em algumas matérias este valor seria referente ao que significaria este lançamento via Apple em uma campanha de marketing, ou seja, o U2 não recebeu em din-din, mas somente como campanha de marketing. A se ver se a questão da “invasão” vai repercutir negativamente para a banda. Mas nós do minuto HM, não somos um bom exemplo de como isso pode vir a ser avaliado. Gostaria de saber se alguém que é fã da banda, ou ao menos alguém que não gosta, nem desgosta da banda, se sentiu com relação a este lançamento.
    Compartilho o receio do Remote, quanto a “moda” pegar e termos pérolas como Anitta, Naldo, Taylor Swift, Beyonceé (é assim que se escreve) e outros que tais usarem esta estratégia.
    Por fim, minha mágoa não é tão grande quanto ao acontecido. Primeiro porque não sou consumidor da Apple, como já disse, e também porque entendo que as bandas estão com este desafio em sua frente porque corremos o risco que as bandas não lancem mais álbuns novos, ao menos no formato que estamos acostumados e elas precisam descobrir novas estratégias de faturamento. Foi uma tentativa, que deu errado. Vamos ver o que se vai tentar no futuro

    Like

    • Xará, quero agradecer pelo comentário por aqui que estimula ótimas discussões, ainda que eu tenha algumas reservas. Vamos lá…

      1) estratégia proprietária: você detesta e eu adoro! Não pela minha formação em TI, mas por trabalhar com temas relacionados à segurança há muitos anos. O modelo da Apple é seguro e confiável, e a integração entre hardware e software é inigualável e invejada por todas as empresas, inclusive principais concorrentes, como Microsoft / Nokia, Samsung, Sony, etc. Eu entendo que “aberto” é bom também, entretanto, no sentido do cliente “mais entendido”. Ao mais leigo, o modelo fechado funciona muito melhor. Veja, foi a Apple que fez coisas mirabolantes e apostou alto em várias coisas que temos hoje. Por exemplo, tirar o drive de disquete dos computadores. Quando ela fez isso, na época que fez, ela foi tachada de doida, maluca, mas foi graças a isso que evoluímos e a porta USB ganhou a vida que tem hoje. Ela fez o mesmo com o drive de CD e, em menor proporção e graças a isso, a internet melhorou. Agora, a questão da cloud é mais que polêmica, eu particularmente concordo plenamente que as pessoas NÃO devem ser obrigadas a usar isso. A Apple há cerca de 2 anos desabilitou o recurso de sync entre iTunes e iPhone para algumas funções, como contatos (!), “obrigando” o uso do cloud para sincronismo. Achei isso um golpe mais que baixo, um absurdo. Ela voltou atrás recentemente com o recurso. A questão de segurança na cloud daria um podcast exclusivo… agora, sobre a porta externa em iPad, eu realmente não vejo qualquer utilidade hoje em dia. A troca de arquivos hoje em dia é digital, não por nuvem necessariamente. Se nossos serviços no Brasil são caros e lentos, é OUTRO problema. E existem adaptadores para esta transferência, se quiser te dou umas dicas.

      2) Reality Distortion Field – é, realmente aqui é uma questão complicada. Realmente eu “entrei” nisso a primeira vez quando vi o iPhone original, em 2007. Aquilo do “pinch to zoom” e mudar a foto com o dedo era muito futurista. Era de outro planeta! Isso sim é um bom uso disso. Agora, o exagero, “forçar a barra” como vem fazendo hoje, eu acho lamentável. Isso morreu com Steve Jobs, não há dúvidas. Realmente, hoje se vê evoluções mais que quebras de paradigmas do lado deles. Eles tentaram, sem sucesso, aplicar o RDF com o relógio. Não funcionou e o motivo é simples: o diferencial que fazia o campo ser ativado simplesmente não existe. Existiu quando Steve Jobs tirou o iPod nano do bolsinho do bolso da calça jeans, existiu com o iPod original e as tais “1.000 músicas”, funcionou com o Macbook Air sendo tirado de um envelope, entre outros. Mas agora, não funciona mais. Eu tenho muitos produtos da Apple e enquanto forem os melhores, porque cara, ainda são, continuarei tendo. Nos anos 90, eu só tinha coisa da Sony, e onde a Apple não opera, eu tenho Sony. Essa é minha dupla e eu acho particularmente nojento a Samsung e sua estratégia de cópia. Mas, vejamos, após tantas cópias, hoje em dia é a Apple que andou copiando a Samsung, e isso realmente me deixa triste… agora, sou fã de Android, ainda que ache inseguro demais.

      Sobre o .mp3, concordo com você em partes. Sabe o que faltava na época? O que Steve Jobs fez: transformar o .mp3 em algo portátil de verdade. Eu tinha o discman da Sony que tocava CD-R com .mp3 ou mesmo .wav, mas era limitado aos 650 MB de um CD. E tinha de carregar CDs, e era grande. Steve Jobs sempre via esses gaps em produtos que as vezes já existia, mas que não eram os ideiais – e fez isso com a loja virtual também. Mas sim, foi o .mp3 que transformou o mundo. Eu mesmo, em 1998, me lembro que meu sonho era ter um Motorola que tivesse de toque um .mp3 (Master Of Puppets). Mal sabia que isso aconteceria… agora, não foi “apenas consequência”… veja, é fácil falar hoje, mas temos que entender que não era na época…

      Sobre ouvir música na internet, nuvem ou não, eu escuto. É o ideal? Não. Mas uso. A culpa é dos serviços, das operadoras, e não dos aparelhos e serviços da empresa, Apple ou não…

      Sobre o U2, finalmente: cara, a banda recebeu USD 100 milhões sim pelo disco, mas também fará novos trabalhos em parceria com a Apple. Não foi tudo por marketing. A Apple e o U2 já tiveram juntos no passado, em 2004, com uma versão exclusiva de iPod e as campanhas de produtos “red”.

      E sim, o espaço está aberto sempre aos fãs de U2 sobre tanto a forma de distribuição, quanto à qualidade do álbum. Sobre o receio, é compartilhado entre todos, creio.

      Muito obrigado por proporcionar este papo, xará!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

      Like

  16. Aqui como poderia ter sido feito esse lançamento: a Apple está distribuindo gratuitamente um EP com 4 músicas das carreiras solo de cada um dos membros dos Beatles. Pega quem quiser, sem obrigações, sem associar ao ID e sem aparecer “magicamente” nos dispositivos:

    Sobre a iniciativa dos Beatles, achei, entretanto, que a divulgação não foi muito legal desta vez, e o timing foi estranho devido a este “conflito” com o lançamento do disco do U2 também “grátis” para o consumidor final. De qualquer forma, fica a dica aos interessados – desta vez, eu fui um deles.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

    • “…cometeu “uma gota de megalomania e um pingo de autopromoção”….”reproduzindo as palavras da próprio do texto ( da Uol), vejamos:

      -Uma gota de megalomania até vá lá …

      -Agora um PINGO (!!!!) de autopromoção não seria muita ” modéstia ” ?????

      Em situações como essa , talvez o silêncio fosse o melhor dos remédios…Acho que o Bono perdeu novamente a oportunidade de ficar calado… Ou no máximo, deveria apenas pedir desculpas….

      Alexandre

      Like

      • Pelo jeito, Daniel, B-Side e galera, ele viu que neste caso a publicidade barata negativa soou pior do que não ter algo assim, ou seja, não foi no esquema Kiss do tipo “falem mal, mas falem de mim”.

        Eu pouco acredito inclusive neste pedido de desculpas, afinal, até nele Bono, pelo jeito o único porta-voz mesmo da banda, mostrou-se honestamente arrependido… para mim, PESSOALMENTE, eu achava que não dava para gostar MENOS dele… bom, eu vi que dá…

        De novo, eu acho que a maior culpa aqui é da própria Apple, mas já que Bono tomou a frente e isso é uma parceria, vejo que a tentativa de remendo saiu ficou ainda pior mesmo…

        Em resumo: Bono, U2, passar bem… bem longe de mim!

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

        Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: