The Endless River: Pink Floyd anuncia novo disco após 20 anos de hiato

Uma das bandas mais geniais de todos os tempos está prestes a lançar material novo. Ou quase isso. O repertório foi concebido em 1994 durante as gravações do The Division Bell. Segundo David Gilmour, foram muitas horas extraindo canções para The Endless River, o primeiro inédito do Pink Floyd em 20 anos.

“Ouvimos mais de 20 horas nós três tocando e escolhemos que tipo de música trabalharíamos no novo álbum. Durante o ano passado, nós adicionamos novas partes, regravamos outras e aproveitamos a tecnologia do estúdio para fazer um Pink Floyd do século 21.”

A música progressiva, um dos elementos mais ricos na construção do repertório do grupo inglês, anda mal das pernas. Soando datado e empoeirado, os representantes do estilo ou já penduraram as chuteiras ou se escondem em seus guetos fazendo shows para seus seguidores.

Uma pena. Pois foi justamente o estilo que mesclou rock com música erudita quem trouxe um ar absolutamente menos “cru” para o rock and roll, o ritmo a qual possui inúmeras derivações para todos os gostos. Recentemente, não mais que os 20 anos da ausência da banda, o progressivo fez um crossover com o metal gerando o prog metal: bandas que fazem um som calcado em grandes representantes do metal mas acompanhado de suítes gigantescas, com temas sofisticados (tanto musicalmente como liricamente). Symphony X, Pain Of Salvation, Opeth, Stratovarius (em alguns discos) e Dream Theater sejam talvez os nomes mais relevantes do cenário.

theendelessriver1

Essa é a imagem de uma edição especial, em vinil, de The Endless River, o novo disco do Pink Floyd

Compositores de um dos discos mais cultuados de todos os tempos (ouçam nossos podcasts e vocês saberão minha opinião pessoal), “Dark Side of The Moon” e talvez um dos mais influentes bandas, no mesmo patamar que Beatles, Rolling Stones (Ah! Blindemos os clássicos) e tantas outras bandas britânicas (uma feliz coincidência), o Pink Floyd dá um passo arriscado e comemorado por seus fãs, uma vez que os novos trabalhos serão inevitavelmente comparados aos grandes petardos musicais/filosóficos lançados pela banda especialmente nos anos 70.

Mesmo com um teor que envolve uma homenagem (mais uma) – as faixas ainda contavam com a presença do tecladista Rick Wright, morto em 2008 – o disco só terá uma faixa cantada: “Louder Than Words” teve sua letra escrita pela sra. Gilmour, ou se você preferir, Polly Samson. Teremos um álbum instrumental dividido em quatro partes, ou seja, é som pra quem curte mesmo.

Outro fator que merece observação é a quantidade de músicas liberadas para o novo release, uma vez que economia sempre foi uma das peculiaridades da banda. Assim como em The Division Bell, não haverá participação do elegante membro Roger Waters, que segue fazendo suas múltiplas leituras de The Wall, o disco a qual esteve intimamente envolvido, em toda a sua concepção.

Confira a capa do disco e o tracklist. Previsão de lançamento mundial dia 10 de novembro de 2014.

theendelessriver

Things Left Unsaid
Its What We Do
Ebb and Flow
Sum
Skins
Unsung
Anisina
The Lost Art of Conversation
On Noodle Street
Night Light
Allons-y (1)
Autumn68
Allons-y (2)
Talkin Hawkin
Calling
Eyes to Pearls
Surfacing
Louder Than Words

Daniel Junior é membro da família MHM, colunista do site Seriemaníacos e colaborador cultural do site Eu Escolhi Esperar . Vem aí o melhor site de reviews de cinema do sistema solar …The Crow e o primeiro lançamento literário do colunista em breve nas lojas digitais.

Revisão: Eduardo.



Categories: Agenda do Patrãozinho, Artistas, Curiosidades, Discografias, Dream Theater, Pink Floyd, Rolling Stones, Stratovarius, The Beatles

24 replies

  1. Bom, aqui ainda não dá para saber o real objetivo do lançamento. O que soa como um alívio aos fãs que sempre aguardam tanto por novidades envolvendo a banda também soa como uma forma de movimentar o label da banda e, assim, seu caixa…

    Claro que é sempre um prazer ter material “fresco” para ouvir, mas novamente temos a ausência do “arroz” nessa feijoada, que seria, claro, Roger Waters. E também é mais uma homenagem ao Richard, sendo que a anterior havia sido o reencontro da dupla Waters – Gilmour, conforme linkei no texto.

    Sobre a capa, ainda que possa ter uma mensagem envolvida (paz / tranquilidade, destino final, solidão… e, até, uma representação de Richard nos céus, remando para seus próximos passos – coisas que passaram pela minha cabeça), me pareceu bem simples. Mas até aí, a capa de um “muro branco”, isoladamente, nada significa perto do que hoje sabemos, então é melhor aguardarmos…

    E, claro, esperarmos para conferirmos a qualidade do som, que é sempre o que interessa de verdade.

    Valeu pelo post, Daniel. E talvez seja uma boa pedida para a lição de casa do primeiro podcast de 2015…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. obrigado por nos trazer
    sim, vamos blindar!
    no próximo podcast ja temos então uma pauta definida, by the way

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  3. É bastante estranho a questão do álbum ser puramente instrumental, ou melhor quase isso . A única coisa que temo, até também pela quantidade de músicas, é que o mesmo seja um ” colcha de retalhos”, ou seja, algo puramente de sobras , sem soar como faixas realmente acabadas.
    Não sendo isso, há uma boa espectativa em torno do que vem por aí.

    Mas o jeito por enquanto é aguardar, não ?

    Alexandre

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  4. Daniel,

    Em primeiro lugar, agradeço bastante pelo post, o qual me fez impensada-compulsiva-imediatamente entrar no iTunes e já comprar a versão Deluxe em pré-venda.

    Quanto ao material que será incluso no disco e a possível “colcha-de-retalhos” que o mesmo possa vir a ser, devemos relevar que, de acordo com entrevistas que li do Gilmour já há muitos anos, o mesmo conta que o próprio “The Division Bell” foi feito praticamente no mesmo sistema; ou seja: o trio central Gilmour-Wright-Mason trazia suas idéias para o estúdio e, com a excelente banda de apoio da tour anterior (Delicate Sound of Thunder), realizavam jams, e dessas jams nasceram as faixas do TDB (a faixa 3 – “Poles Apart” do TDB é um bom exemplo disso – tem uma seção central muito maluca, uma colagem muito interessante que lembra um “estado de sonho”).

    Eu, que sempre acompanho o Gilmour, já estava ficando bem chateado com o “sumiço” dele nos últimos tempos – nada de Cds solo ou tours desde 2008 – e agora, fechando as peças do quebra-cabeça, entendo: após a morte de Rick Wright – que ocorreu justamente no lançamento do excepcional “David Gilmour Live in Gdansk”, que traz um documentário que registra de forma magistral toda a relação musical e de amizade verdadeira dele com Rick Wright, Gilmour resolveu fazer A “homenagem” para seu companheiro, buscando neste trabalho as “canções perdidas”. Portanto ele já deve estar internado no estúdio há algum tempo com Nick Mason e os produtores Phil Manzanera, Youth e Andy Jackson.

    Se levarmos em consideração o bom gosto do meu mestre Gilmour, o que vem aí será imperdível e mais uma vez eterno!

    keep pink floydin’

    Abilio Abreu

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  5. Direto do YouTube oficial da banda, David Gilmour e Nick Mason comentam o novo álbum (e vale muito a pena ver):

    Como é bom ver a dupla e como o tempo está agindo… será que ainda dá tempo de vermos especialmente Gilmour em nosso país? É um sonho… OUVIU, MEDINA? MEDINA?

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • O vídeo é emocionante por trazer um conceito que ao que parece principalmente evoca e presta homenagens ao que o saudoso Richard Wright fazia enquanto parceiro de Gilmour e Mason.
      Muito bom ver o vídeo, definitivamente, esperamos que o álbum acrescente a uma carreira que é tão genial.

      Alexandre

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      • Pois é, Bside,

        Não consegui conter o choro assistindo este video, pensando em tudo o que estes caras fizeram juntos, num passado mais que glorioso… E graças a tecnologia moderna, o legado de Rick Wright será justamente enaltecido neste lançamento…

        O trecho em que GIlmour canta “Louder than Words” me emocionou muito, uma melodia típicamente floydiana, com o característico piano de Rick Wright bem na frente da mixagem sendo permeado pelas inconfundíveis frases de guitarra… E como disse o Eduardo, o tempo é cruel, porém ele enobrece o artista…

        keep it endless…

        Abilio Abreu

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  6. Minute-men,

    O single “Louder Than Words” (a única faixa cantada do novo CD) foi disponibilizado via Soundcloud, segue o link (que inclusive tem o download habilitado):

    Eu apenas ouço, e choro…

    keep floydin’

    Abilio Abreu

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  7. E vejam a letra que emocionante:

    “Louder Than Words”

    We bitch and we fight
    Diss each other on sight
    But this thing we do
    These times again
    Rain or shine, stormy weather
    This thing we do
    With world weary grace
    We’ve taken our places
    We could curse it or nurse it and give it a name

    It’s louder than words
    This thing that we do
    Louder than words
    The way it unfurls
    It’s louder than words
    The sum of our parts
    The beat of our hearts
    Is louder than words
    Louder than words

    The strings bend and slide
    As the hours glide by
    An old pair of shoes, your favorite blues
    gonna tap out the rhythm
    Let’s go with the flow wherever it goes
    We’re more than alive

    It’s louder than words
    This thing that we do
    Louder than words
    The way it unfurls
    It’s louder than words
    The sum of our parts
    The beat of our hearts
    Is louder than words
    Louder than words

    É… realmente é “louder than Words”…

    keep wordin’

    Abilio Abreu

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    • Também achei boa composição com trechos muito bonitos, de extremo bom gosto, e vai agradar aos fãs com certeza.
      É uma ótima noticia o lançamento e vou aguardar com expectativa para ouvi-lo
      O video acima é emocionante e nos traz realmente para o ambiente de companheirismo e admiração que existia entre os membros da banda, acaba fazendo a musica soar mais emocionante ainda.
      A guitarra de Gilmour, indefectível, está bem presente e também garante o tom alto da música.
      Vale e vale muito o que vier por ai.

      Like

  8. Ouvi de forma pouco atenta a canção, achei a mesma com o DNA das últimas músicas do Floyd, mas confesso que não me entusiasmei tanto assim como o Abílio. A parte que mais gostei é a final, com um belo solo de Gilmour e o coro no tipo gospel. A letra é muito bonita, mas não achei a interpretação tão emocionante. A emoção parece ter ficado para a hora do solo, indefectivelmente floydiano.
    Vou ouvir mais, maturar a avaliação, por enquanto uma boa canção, essencialmente para os fãs do Pink Floyd, o que aliás, não é pouco,.,,

    Alexandre

    Like

    • Olha Bside,

      Quando o assunto é Pink Floyd, dificillmente sou imparcial… A emoção fala muito alto, Gilmour é meu “pai” guitarrístico, num degrau um pouco mais alto até que Page, Blackmore e Lifeson.

      “Brevemente” analisando a faixa, foram os detalhes que me cativaram: o comecinho com os sinos tocando, a intro que mescla elementos da “Hey You!” (arpegios na guitarra e violão de 12 acentuando) e “Echoes” (o piano característico de Wright); os arpegios da parte pré-estrofe que lembra bastante o refrão de “Comfortably Numb”, assim como a levada da bateria durante a faixa toda… A harmonia da estrofe é extremamente simples (Ré maior e Lá menor apenas), com uma melodia característica floydiana, e que deságua num refrão com uma mudança harmônica surpreendente (Sí maior, Lá maior e Dó sustenido menor).Os precisos e preguiçosos bends de Gilmour e as viradas signature de Nick Mason rolam por toda parte, assim como o poderoso de hammond e outros timbres inexplicáveis de Rick Wright… no “final após o final”, a dinâmica cai e uma gutarra com delay sutilmente vai desaparecendo em fade-out… ou seja, tem tudo que se espera em uma faixa lançada com a marca Pink Floyd da fase pós-Waters.

      A letra e voz me transmitem uma emoção velada, e aí me identifiquei bastante: assim como Rick Wright faleceu e o trabalho atual é uma grande homenagem a ele, sendo que a letra faz referências a “esta coisa que a gente faz… é mais alto que as palavras…”, tive recentemente a perda de um grande companheiro, o multi-instrumentista curitibano Emerson Antoniacommi, com o qual justamente tive o prazer de participar nos anos 90 em um projeto musical/teatral em Curitiba, a remontagem do “The Wall” (que infelizmente nunca se concretizou – mas a gente chegou a ensaiar uns 3 lados inteiros antes de abandonarem o projeto), portanto, pensei muito nele e em todos os meus amigos que já compartilhei ensaios/palcos/gravações… Realmente a relação entre band-mates é algo como um casamento, aonde os filhos são as canções que ficam para a posteridade…

      Fico agora esperando o disco inteiro, que sendo 95% instrumental, promete muito…

      keep the river flowin’

      Abilio Abreu

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  9. Bem, Abílio, algumas audições a mais e continuo achando a faixa agradável, mas por enquanto é só.
    Agora, com uma justificativa dessas acima, dá pra entender que o errado aqui sou eu….tranquilamente….

    Alexandre

    Liked by 1 person

  10. Uma semana antes do lançamento oficial de “Endless River”, foi liberado via iTunes hoje, dia 03.11.2014, a faixa instrumental “Side 3, pt. 4: Allons-y (1)”, com 1:42 de duração.

    Uma levada uptempo floydianamente falando, começando com a característica levada com delay na guitarra, e Gilmour solando a partir dos 0:45 em sua melhor forma, aumentando as expectativas pro full release programado para dia 10.11.2014.

    keep waitin’

    Abilio Abreu

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  11. Pink Floyd completará reedição de seus álbuns em vinil em janeiro (2017): http://cultura.estadao.com.br/noticias/musica,pink-floyd-completara-reedicao-de-seus-albuns-em-vinil-em-janeiro,10000094876

    Remote, está na regra? Aliás, que regra?

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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