Cobertura Minuto HM – Paul Simon em Madrid (Espanha) – parte 3: resenha

ingresso-paul-simon_madrid_18nov2016

Qual é a chance? A chance de ver ao vivo tal lenda, de estar dentro? Se me perguntassem um mês atrás, eu diria: ter a sorte de estar em NY e tentar algo, com ingressos disputados a prováveis tapas doídos, durante uma improvável tour. Então, novamente quero abrir um post dizendo que foi um enorme privilégio literalmente estar no lugar certo e na hora certa!

img_0236

img_0241

O público puxava, claro, para uma idade mais avançada. O clima era familiar. Vi muito raramente pessoas na casa dos 30 sem os pais ou avós juntos. Menos que isso, então, creio que não tenha visto. O show começou com 15 minutos de atraso. Paul não entra de imediato no palco, sendo sua (atenção ao pleonasmo) competente banda responsável por entrar e dar os primeiros sons ao público. Mas logo após a primeira faixa instrumental do show, Simons sobe ao palco causando uma verdadeira comoção com efusivos aplausos mesmo para pessoas com características mais “frias” como os europeus. “Bienvenidos todos”, fala com sua característica voz Paul Simon aos espanhóis – e a este brasileiro – para receber ainda mais aplausos e gritos.

O som estava muito bom e gostei muito mais do que da vez do Elton John, talvez inclusive por estar mais próximo ao palco e mais longe do teto, como disse.

img_0238

A banda que subiu inicialmente ao palco estava com 8 músicos. Durante o show, cheguei a contar 9 (sem contar a grande atração). Ao longo do show, este número variava, sendo que sempre tinham 8, 9 ou 10 músicos no palco (contando com Simon).

Estes fantásticos músicos se alternavam nos mais diversos tipos de instrumentos existentes – e sei lá, toda hora aparecia alguma coisa diferente no palco e no som. Foram usados muitos metais, que justificaram todos os experimentalismos que marcaram – e continuam marcando – a carreira de décadas de trabalhos de Paul Simon. Este novo álbum de 2016 e que fez Paul sair em tour pela Europa para divulgação – Stranger To Stranger – também é recheado de sons alternativos e experimentalismos.

A voz de Paul merece destaque absoluto neste post. Eu sinceramente não tinha ideia do que esperar ao vivo. A última coisa que acompanhei dele ao vivo foi na homenagem lá do RnRHoF de 2009 – junto ao seu eterno parceiro e que faz uma falta danada – Art Garfunkel. Ali a voz estava ótima. Mas e agora, 7 anos depois?

E agora, meus caros, CONTINUA ótima. Simon não se limitou, não se escondeu, e atingiu com certa facilidade os tons necessários para encantar o público. A voz estava ótima, mesmo este sendo o penúltimo show da tour. Sim que mais para o final do show – e bem mais para o final – senti certo desgaste, especialmente no clássico mundial Bridge Over Troubled Water, que o “ainda louco depois de tantos anos”, como ele mesmo se classifica, em deixar tal música para o encerramento. Enfim, a voz é de emocionar e tirar lágrimas dos fãs, algo que vi – e também senti – por todo o desfile de clássicos da noite. Bom, eu chorei para caramba, isso posso afirmar, sendo que nem vi e nem lembro dos primeiros segundos do show com ele no palco. Uma emoção muito bonita para uma lenda que merece a admiração de todos que gostam verdadeiramente de música.

O show teve 29 músicas, sendo que Paul não economizou no Graceland, trazendo logo 7 músicas do clássico. Do novo álbum, foram 3 músicas. Ainda sobre todos os experimentalismos, o uso do playback mesmo com 9 músicos o acompanhando foi largamente visto, sendo sons dos mais diversos (animais como cachorros e galos, sons de campainha, assobios, etc). Mas é importante registrar que o uso do playback foi feito apenas para estes efeitos: Simon cantou absolutamente tudo ao vivo.

Aqui uma pausa para lamentar uma besteira da vida que fiz: ao usar um outro celular para tirar fotos e filmar algumas músicas do show, deixei este “material” isolado. No meu retorno do Brasil, ao puxar o backup do celular antigo para este novo, o idiota aqui se esqueceu de extrair as fotos e vídeos do celular. Resultado: perdi uns 7 vídeos e algumas 30 ou 40 fotos tiradas. Uma lástima – fiquei um dia inteiro me xingando. Para vocês, creio ser uma vantagem, pois eu devo ter cantado muito nas gravações… e as fotos que aqui estão foram feitas com o celular antigo.

Mas voltando, Simon e seu violão fez o público ficar de pé de vez quando soltou o primeiro medalhão, America, música que tem coautoria de Garfunkel.

Paul fez questão de parar o show várias vezes para conversar, para interagir com o público. Disse que fazia muito tempo que não vinha à cidade de Madrid. Mandou todo mundo se levantar (o show era inteira com cadeiras, inclusive na pista) para dançar. No começo do show, poucos o fizeram – naturalmente, com o desenvolvimento e chegada dos clássicos, os espanhóis se soltaram um pouco mais.

O fim do primeiro terço do show trouxe um clássico e uma das minhas músicas favoritas, top 5 pelo menos – Me And Julio Down By The Schoolyard. Os primeiros e facilmente reconhecíveis acordes do violão de Simon colocou a galera de pé para cantar:

Na sequência, em Spirit Voices, Simon contou a história da “inspiração” da música, e começaria a contar sua relação neste e na próxima música com a Amazônia e especialmente com o Brasil. Basicamente, a hisória de quando ele passou um dias na floresta (não contou se do lado brasileiro ou não, mas pela letra da música, sabe-se que era aqui) e toda a história de um “brujo” e suas “magias” e “hervas milagrosas”. Tal “viagem” – entenda como quiser – o levou a escrever a boa música, que possui, como disse, várias partes em Português em sua letra. Infelizmente com a perda do vídeo não posso “provar”, mas ao final da música gritei um “come back to Brazil” em um momento que o ginásio estava bem silencioso. Minha voz ecoou naquilo – mas não tive qualquer resposta, a não ser alguns olhares assustados dos espanhóis mais perto, hehehe.

Mantendo o Brasil em evidência, Paul introduziu sua história de quando conheceu o Olodum em Salvador, Brasil, e gravou The Obvious Child, outra que gosto muito. Claro que sem o “poder” de uma bateria do Olodum a música mudou bastante do que se ouve na versão do Central Park, por exemplo, mas ainda sim ficou muito legal. Novamente gritei a mesma coisa em outro momento de relativo “silêncio” e novamente tive resposta zero, hehehe. Mas sinto que a missão foi cumprida pois estou certo que ele me ouviu.

O show continuou com a faixa-título do novo álbum que contou com um show de sapateado. Imaginem: sapateado na terra do flamenco, e ainda de uma música nova! Obviamente os aplausos foram contidos. O rapaz do sapateado – Sérgio Martinez – voltou ao palco e fez mais um solo, desta vez desconectado de sua “função” na música. Aí sim os aplausos foram mais fortes. Eu achei bom, ainda que não seja lá algo que eu ligue muito, apesar de respeitar o talento indiscutível.

Falando-se em “solos”, vale comentar que Simon dá espaço para todos terem seus momentos ao longo do show, com as luzes apontadas para cada um mostrar o seu talento. Em muitos momentos, Paul não apenas sai do plano de evidência para reverenciar pessoalmente seus músicos de suporte.

Homeward Bound e o trecho inicial de El Condor Pasa, ambas da parceria com Art, fizeram novamente o público saudar Simon. Vieram mais 4 músicas até (outro) clássico com You Can Call Me Al, que fez a banda se despedir pela primeira vez do público e deixar o palco, em algo que Simon – para alegria de todos – repetiu mais algumas vezes na noite – foram 4 encores, todos com saídas “formais” de todos da banda do palco e retorno de acordo com a “necessidade”. O show antes de seu primeiro bis durou precisamente 1 hora e quarenta minutos.

A partir daí ficou a “cama” montada para Paul despejar seus clássicos absolutos, clássicos estes atemporais da música. O primeiro retorno trouxe a instrumental Proof e mais três medalhões absolutos: Wristband, Graceland e Still Crazy After All These Years.

Já o segundo segundo bis acabaria com The Boxer, outra faixa que emocionou a todos os presentes… tente não cantar o “lá-lá-lá” se for capaz:

No terceiro e penúltimo bis, “apenas” Simon voltou ao palco. O que ele tocou efetivamente dispensa comentários e apresentações – mão no peito antes do dar play, por favor:

No último retorno da banda ao palco e com gente não acreditando que haveria outra volta já deixando o ginásio (e alguns voltando correndo), o fechamento de ouro com I Know What I Know – desta vez com ninguém mais guardando seu lugar – e a esperada e lindíssima Bridge Over Troubled Water, outra que a mão no peito é necessária.

Aqui foi o único momento que posso afirmar que Simon realmente “não foi” em uma parte vocal, que é o final dela e que sabemos que Garfunkel sempre o fez com a maestria devida – Simon “parou” no último “water” e o esticou um pouco, nada mais – e ficamos sem a parte mais alta do “I will ease your mind, ah, ah, ahhhhh”. Mesmo assim, foi lindo poder ouvir isso ao vivo – um encerramento perfeito de uma noite de música excepcional e lembranças que ficarão para sempre em minha memória.

Lamentações? Injusto reclamar de algo. Kodachrome, talvez. Não ter tido o que ele talvez seja mais famoso de tudo, de 1968? É, Mrs. Robinson… eu não sei se ele “pode” tocar isso sem Garfunkel. Claro que essas e outras fizeram falta. Mas é justamente isso que mostra que uma carreira dessas deve ser celebrada para sempre por todos nós. Simon tem um legado como poucos e ainda continua se apresentando ao vivo.

Fica minha torcida para ele ter meu ouvido e voltar ao Brasil. Quem sabe com Garfunkel? Sonhar é bom e não custa absolutamente nada. E pode dar certo.

Paul Simon Setlist Barclaycard Center, Madrid, Spain 2016, Stranger to Stranger

E apenas para fechar o registro: ao final do show, fiquei usando o “wi-fi” do ginásio por mais uns minutos. Eu olhei no relógio: nem 10 minutos e todo mundo já havia saído do Barclaycard Center (Palacio de Deportes de la Comunidad de Madrid). Eu fui literalmente “expulso” com os seguintes dizeres diretos e típicos da cultura espanhola: “o show já acabou, você poderia por favor sair porque não pode ficar aqui a noite toda”? Juro, nem 10 minutos depois do término do show. Ri e resolvi sair por uma porta lateral, diferente da que tinha usado para entrar e que usei em 2014.

Para minha total surpresa, saí na Plaza Dalí, uma praça revitalizada que homenageia Isaac Newton e Salvador Dalí – algo que não estava em meu roteiro e que “tive” que passar por. Fica esta dica a quem um dia estiver em Madrid, indo ou não ao ginásio…

img_0242

Obs.: se um dia Paul Simon voltar ao Brasil, por favor lembre-se deste post  🙂 .

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: Artistas, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Letras, Músicas, Resenhas, Setlists

2 replies

  1. Impressionante teu conhecimento. Muito bom o relato.
    Quanto as fotos, só faltou uma com a camisa do Minuto HM!!!

    Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: