Barão Vermelho: a já aguardada saída de Roberto Frejat

Bom, eu sou um grande fã de rock nacional e sempre expus isso aqui no blog com muito orgulho. Gosto de rock nacional e ele fez parte da minha história de vida mesmo com todos os seus erros e acertos.

Dentro dessa cena de bandas e artistas nacionais que foram rotulados de BRock (rock em português), inegavelmente eu tenho o Barão Vermelho como o principal expoente de rock & blues do Brasil de todos os tempos. Seja pela importância da década de 1980 no “start” do rock nacional, seja pela continuidade que a banda deu ao legado e as inovações sonoras existentes com registros primorosos ao longo das últimas décadas, seja pela evolução musical da banda principalmente pelas suas excelentes apresentações ao vivo, agregando excelentes músicos em suas formações, mantendo uma energia incomparável, dinâmica, repertório transitando entre o popular e o “lado B” como nos caso dos blues que já foi tema de um outro post aqui… enfim… destaco para este início de post o eterno registro Carnaval lançado em 1988 que marca a saída de um dos membros fundadores da banda, Mauricio Barros, tornando o Barão um “power trio”.

Maurício voltou a banda merecidamente. A música de trabalho de Carnaval é Pense e Dance que tem um riff matador. Destaco também o álbum Na Calada da Noite de 1990. Este último oficializando a formação que se seguiu aos longo de anos com Fernando Magalhães na guitarra e Peninha na percussão que já haviam tocado em outros trabalhos da banda e agregando especificamente nesse registro o baixista Dadi que ainda é um dos melhores baixistas da música popular brasileira em atividade no Brasil tendo tocado com Jorge Ben Jor, Marisa Montes, Cor do Som e Caetano Veloso e outros trabalhos. Dadi depois seria substituído por Rodrigo Santos que já era um veterano na época onde já havia passado por uma formação sensacional com o Lobão em sua fase mais “hard”, digamos assim.

A saída de Roberto Frejat do Barão Vermelho era uma questão de tempo e não me surpreende em absolutamente nada esse anúncio. O rumo que sua carreira solo assumiu não era esperada e isso decretou há tempos uma potencial separação que veio a se consumar agora. Convenhamos que foi uma trajetória muito bem sucedida tanto comercialmente quanto artisticamente da carreira solo de Frejat. Os últimos registros não agradam ao meu gosto mas todos nós temos que reconhecer que ele firmou seu espaço, manteve seu público com apresentações em relevantes espaços como o Rock in Rio, por exemplo, o que mostra o quanto Frejat está produtivo e bem sucedido na sua empreitada solo.

Já o Barão ficou em compasso de espera e deixou de ser o plano A para vir a ser o plano B. Quem diria! Eu sinceramente acredito que isso já tenha durado demais. Para um fã xiita como eu ter uma espera tão grande como essa era algo que parecia interminável. É lógico que o Barão perde e com certeza não foi uma decisão fácil para o Barão. Acredito piamente que tenha sido bem mais fácil de ver Frejat tomando essa decisão cômoda para ele do que para os demais. Para vocês terem uma ideia, eu fui a um show do Barão Vermelho instrumental. Sem o Frejat. Isso mesmo. Era uma inauguração de uma boite em Jacarepaguá (zona oeste do RJ – lembrando que o RJ é a única cidade que só possui 3 pontos cardeais) no Rio de Janeiro, haviam umas 500 pessoas e a banda tocou o repertório do Barão Vermelho fazendo a linha vocal com o instrumentista Serginho do trompete que havia sido barrado na porta do lugar por não ser reconhecido. Uma noite de sucessivos constrangimentos para a banda. Eu havia entrevistado o Fernando Magalhães dias antes para a Malfadada Rock’N Roll e ele havia me informado sobre esse ‘show”, digamos assim. Ao final da apresentação fui visitá-los no camarim e o clima não era dos melhores. Eu fui testemunha do quanto o Barão na década de 1990 já não se mostrava feliz dessa situação que perdurou até ontem com a imprensa divulgando a saída oficial de Roberto Frejat do Barão Vermelho. Portanto, nenhuma surpresa.

Eu não conheço a banda Suricato ou o seu vocalista Rodrigo Suricato mas mesmo ele tendo expressado que seria “honroso e desafiador” em alguma rede social uma coisa para mim não me agradou: o fato do músico convidado não se dedicar à banda e reforçar que nada parou com a sua banda original deixando claro que irá se dedicar aos seus dois trabalhos.

Eu particularmente, de novo, como um fã xiita que sou, acho que o Barão merecia um músico que, pelo menos, mostrasse primeiramente um profundo reconhecimento da importância que ele esta assumindo na história do rock and roll nacional deixando claro que ele assume a partir de agora uma responsabilidade imensa de levar a frente o nome da banda substituindo um artista importantíssimo como Frejat e deixando claro que isso seria a sua vida agora dada o quanto a banda merece importância. Não. O que me pareceu – ao menos pelo que vi na imprensa – foi algo assim “ó pessoal eu vou mas a banda XPTO – não importa qual seja – continua em paralelo, ok?”. Particularmente, achei que isso não me passou uma mensagem de que o Barão foi devidamente substituído por alguém que definitivamente entende o que o Barão Vermelho com suas guitarras com riffs, solos muito competentes e sua trajetória de rock and roll vai ser substituída por alguém que será muito difícil substituir. Definitivamente isso não me soou bem porque eu acredito que os músicos do Barão estejam sedentos por recolocar o Barão de novo no grau de importância merecido e isso – penso eu – deveria requerer alguém mais fixo e dedicado ou que pelo menos demonstrasse isso.

Começar avisando que vai substituir ninguém menos que Frejat e manter a sua banda atual me deixou decepcionado. Nenhuma culpa para Rodrigo Suricato pois afinal isso pode estar envolvendo aspectos contratuais, por exemplo. Sei lá como adjetivar isso, mas esse início não me pareceu bom. Devo confessar que essa postura de cara não me agradou mas é cedo para qualquer julgamento. Talvez eu esteja sendo retrógrado como aquele torcedor de futebol que acha que o jogador de hoje joga por amor à camisa. É possível sim que eu esteja sendo velho na minha angular mas é isso que eu penso. Paralelizar o Barão com alguma banda nova é para mim uma demonstração clara se que há alguma coisa errada nessa escolha. Isso não deveria ser assim. É cedo pra criticar algo.

Espero que Rodrigo Suricato assuma esse posto com competência e que consiga alavancar a banda de forma a podermos todos nós que estamos aqui órfãos do Barão termos novamente ver a banda na estrada e fazendo seus shows com altíssima qualidade musical e artística. Vamos dar uma força, como diriam aqui no blog.

RolfDio



Categories: Artistas, Curiosidades

7 replies

  1. Como é bom ver o Rolf parando para escrever algo e com esta propriedade de sempre, e mais que isso, colocando claramente uma opinião bem fundamentada, não aquele negócio de hoje em dia que todos tem uma opinião e que é a verdade.

    Valeu Rolf e agora é torcer para o novo “contratado” – porque a mim me pareceu bem isso essa história, ainda mais sem saber detalhes contratuais – dê conta do recado de maneira mínima a respeitar o legado de onde está entrando.

    Se pensarmos um pouco nisso, parece uma tendência, não? Vide Kiko no Megadeth. Enfim, é meio complicado o técnico ser de clube e seleção, mas só o tempo realmente dirá…

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Excelente o post, de um profundo entendedor só poderia vir isso mesmo. A saída do Frejat, até eu que não acompanho a carreira da banda, já esperava. Aliás esperava que a banda fosse mesmo acabar. Essa questão dos shows sem voz é constrangedor mesmo. E isso da banda não acabar se tornou em verdade um ponto super positivo, eles querem seguir e pelo menos tem este monte de música boa para fazer qualquer show ter um repertório matador.

    Em relação ao Suricato, pouco conheço, mas em uma pesquisa tola na internet vi que eles participaram de um programa de bandas da Globo e o vocalista em questão já andou participando de músicas com o Lulu Santos. O cara já tem ” entrada” , pro bem ou pro mal, mas na verdade o que vale não é nada disso. O que vale é a coisa ficar boa. A voz me pareceu não ser problema, o Frejat tem uma boa voz, mas nunca foi um Dio. Longe disso. A questão é mais , muito mais, em relação à interpretação do que propriamente acerca da potência vocal. Pelo menos eu acho, na minha quase completa ignorância em relação ao Barão.

    O ponto que envolve não se dedicar integralmente ao Barão é complexa. Mas é também um reflexo do que acontece hoje no cenário da chamada música de qualidade no Brasil. Todo mundo tem de jogar de todos lados para garantir o seu, por que o que faz sucesso é porcaria. Uma atrás da outra. Tirar um trocado fazendo música decente tá cada vez mais difícil….

    Que o Barão possa lhe fazer sorrir de novo, Rolf. Se isso acontecer, a tarefa foi cumprida.

    Alexandre

    Liked by 1 person

  3. Nota na “imprensa especializada”, dizendo muito pouco, ou nada (ainda mais perto deste post excelente), mas vindo do próprio: http://virgula.uol.com.br/musica/atracao-da-arena-banco-original-frejat-fala-de-saida-do-barao-nao-teve-briga/#img=1&galleryId=1181675

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

    Like

  4. Rolf, como mesmo dizemos por aqui: Excelente!!! Seu texto impecável, e o posicionamento “Off the Wall”. A mudança de um vocalista, ainda mais o/um líder e guitarrista da banda é sempre complicada. Lembrar do Barão (pelo menos para os menos ligados no aspecto musical) era associar ao Cazuza e depois e muito mais firme e longamente ao Frejat. A nível de influência e participação na banda a saida, comparativamente falando, seria pior do que a saida do Dickinson do Iron. Comparações são ingratas e peço muita desculpa por aqui, mas com um bom vocalista no lugar do Dickinson e com Harris e a cabeça no lugar, a coisa poderia até ter rendido frutos. Desculpem me novamente vou tirar o Iron e o ex-caso do Dickinson da jogada, até porque está resolvida. Voltando ao Barão, só o tempo dirá, e concordo que a divisão treinador/jogador com outra banda fica esquisita, mas novamente concordo com o Ale, pode inevitável e ser o sinal dos tempos….
    E pensando no lado comercial, há uma expectativa na participação de Suricato, de “uma espécie de Brazillian Idol” com talento atestado pelo programa (o que não me importa em nada, aliás, a parte comercial normalmente é o que menos nos interessa). Esperamos que o lado artístico ganhe um sopro, o Barão merece um ressurgimento.
    Caso dê tudo errado, sempre há aquela volta milionária como carta na manga….

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  5. Sou daqueles que cresceu e tomou gosto pela música e pelo rock em paralelo ao desenvolvimento do BRock. Titãs (do Iê, Iê, Iê), Paralamas (do Sucesso), Kid Abelha (que na época eram os Abóboras Selvagens), Plebe Rude, Legião (sim, Legião tb), RPM e os gaúchos Engenheiros do Havaí, TNT, Cascavelletes e, por fim, Barão Vermelho. Esta sempre foi minha banda preferida, e esta preferência foi destacada com a saída do Cazuza, deixando o Barão mais hard, apesar de u m pouco menos poético. Tenho todos os albuns deles, seja em bolacha ou em cd. Vi com tristeza a decolagem da carreira solo e (bem mais) pop do Frejat. Vou dizer, eu achava que a banda já tinha terminado por ausência de novos trabalhos e shows. Talvez a saída do Frejat seja uma maneira de tentar reanimar a banda. Não conheço o tal Suricato. Pra mim suricato é o apelido do time de futebol do Criciúma, ao menos na minha roda de amigos. Mas, se como se disse aqui, ele é um cara novo, trazido a mídia por um destes reality shows, vamos dar uma força. Pior do que tristemente morto como meu admirado Barão estava, não pode ficar, não é? Ou será que pode…

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