Discografia Scorpions – [CAPÍTULO 26]

Para trazer a banda Scorpions ao atual cenário, este capítulo 26 comprova que a despedida ficou pra trás definitivamente e após ter ensaiado um “Comeblack” em 2011, o retorno é para sempre. Com este emblemático título, o futuro da banda fica por conta do destino. Para este retorno, o grupo optou por buscar faixas que haviam sido deixadas de fora dos álbuns anteriores, em especial a partir dos anos 1980 e trazê-las de volta. A banda alega que a falta de espaço durante as gravações que foram registradas inicialmente em vinil acabou por deixá-los com uma espécie de arquivos de boas ideias, algumas ainda inacabadas, que acabaram por fazer a imensa maioria do conteúdo deste Return To Forever.

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O lineup da banda manteve-se para as gravações do álbum, mas James Kottak acabaria por ser substituído por Mickey Dee em 2016. A situação de Kottak, na banda desde a tour do álbum Pure Instinct (lançado em 1996), complicou-se duramente após incidentes envolvendo intolerância preconceituosa política/religiosa gerados pelo baterista em um voo da Rússia para Dubai em abril de 2014. James, que havia bebido em excesso durante o percurso, xingou diversas pessoas, fazendo gestos obscenos com os dedos e tirando as calças, o que acabou por deixá-lo preso por cerca de um mês. Como consequência, durante a tour de 2014, a banda acabou por utilizar bateristas convidados (Mark Cross e Johan Franzon). Kottak participa das gravações de Return To Forever, e participaria de todos os shows da então turnê de 50 anos da banda entre 2015 e no início de 2016.

Seu último e melancólico show na banda do dia 21 de março, na Alemanha, acabou por ser interrompido na quinta música por problemas de saúde com Klaus Meine. A informação oficial do motivo da saída do baterista é que Kottak, alegando que como parte do processo de completa reabilitação de seus problemas químicos, não poderia seguir suas atividades profissionais no grupo. Dee entrou na banda no restante da turnê em 2016 e foi confirmado como membro oficial em setembro do mesmo ano.

Lineup:

Klaus Meine: Vocal

Matthias Jabs: Guitarra, backing vocal

Rudolph Schenker: Guitarra-base, backing vocal

Pawel Maciwoda: Baixo, backing vocal

James Kottak: Bateria, percussão

Faixa Título Compositor Duração
1 Going Out With A Bang Meine, Martin Hansen, Mikael Andersson 3:47
2 We Built This House Meine, Hansen, Andersson 3:53
3 Rock My Car Meine, Schenker 3:20
4 House Of Cards Meine, Schenker 5:05
5 All For One Meine, Hansen, Andersson 2:58
6 Rock’n’Roll Band Meine 3:54
7 Catch Your Luck And Play Meine, Schenker, Hansen, Andersson 3:33
8 Rollin’ Home Meine, Hansen, Andersson 4:03
9 Hard Rockin’ The Place Meine, Schenker 4:06
10 Eye Of The Storm Meine, Hansen, Andersson 4:27
11 The Scratch Hansen, Andersson 3:41
12 Gypsy Life Meine, Schenker 4:51

Há diversas outras versões do álbum, com até 19 músicas. A versão japonesa do album, por exemplo, ainda traz ainda as faixas The World We Use To Know, Dancing With The Moonlight, When The Truth Is A Lie, Who We Are, One And One Is Three e Crazy Ride, todas ineditas. A versão Deluxe lançada nos EUA ainda é mais completa, contendo também a faixa Delirious. 

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Tour:

A turnê do retorno da banda alemã chamou-se 50th Aniversary World Tour e seguiu até o fim de 2016, com 5 shows no Brasil, em setembro, e contou com “Cobertura Minuto HM” em data paulista. Na tour, três faixas do novo álbum são tocadas (Going Out With A Bang, We Built This House e Rock’n’Roll Band), além de Eye Of The Storm, que vem incluída em um medley acústicos com faixas antigas. De resto, como esperado para um repertório que comemorou os 50 anos da banda, é um set recheado de clássicos, incluindo outro medley da fase do início dos anos 1970, quando a banda contava com Ulrich Roth nas guitarras. Com a entrada de Mickey Dee, além do esperado solo do novo baterista, a banda incluiu uma homenagem ao Motörhead e Lemmy Kilmister ao tocar Overkill antes do momento solo de Dee.

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Avaliação:

O retorno da banda para o fã da banda é, antes de tudo, um grande bônus. Ainda que o álbum não seja todo regular, qual fã da banda não gostaria de ouví-los em faixa inéditas novamente? Qual apreciador não gostaria de ouvir a voz de Klaus Meine em tão boa forma? A cotação mais correta deste álbum fosse algo entre 2 e 3 estrelas, mas somente o fato deles estarem de volta já credencia Return To Forever para atingir as 3 estrelas. 

O álbum começa muito bem, em especial por 3 das primeiras 4 faixas; são 2 belas baladas (We Built This House, o primeiro single, além de videoclipe, teve alguma rotação nas rádios mais especializadas, inclusive no Brasil, quando da vinda deles em setembro) e uma faixa inicial como um começo meio estranho para abrir o álbum, mas que se torna um ponto forte do álbum.

A melhor faixa, em minha opinião, é House Of Cards, que entraria na imensa maioria dos álbuns da banda. Trata-se de uma balada com a categoria e interpretação vocal que poucos grupos conseguem fazer como os alemães. O resto do álbum, recheado de sobras dos discos anteriores, é açucarado em excesso, com uma produção que deixa as guitarras um tanto comportadas demais, carregando as faixas em backings vocals que passam do limite comercial, em especial para os fãs mais antigos. A faixa Rollin’ Home passa do ponto e aponta para a fase mais comercial do grupo. Eu não indicaria as versões bônus, a não ser para fãs mais ardorosos, pouca coisa está no nível médio do álbum em sua versão standard.

A faixa composta por Mathias Jabs, When The Truth Is A Lie, é a exceção entre as bônus. Voltando ao conteúdo principal, há outros bons momentos, como Hard Rockin’ The Place (ressuscitada do início dos anos 1980) e The Scratch. 

Assim, Return To Forever é altamente indicado para os fãs assíduos do grupo, certamente terão muitos motivos para sorrir. Para os demais, é separar “o joio do trigo”, mas convenhamos, a essa altura do campeonato, os alemães não precisam provar mais nada.

Premiações:

O álbum atingiu a posição 65 da top 200 da Billboard e conseguiu um disco de platina (10.000 cópias) na Rússia. 

Para seu iPod:

Avaliação do álbum: 3 estrelas ( * * * )

Ouça: Going Out With A Bang, We Built This House, House Of Cards e The Scratch.

[ ]’s

Alexandre Bside

Contribuiu: Eduardo [dutecnic]



Categories: Curiosidades, Discografias, Músicas, Motörhead, Resenhas, Scorpions

2 replies

  1. Interessante a ideia de prensagem com número diferente de faixas dependendo dos países.
    Não fazia ideia de que isso ainda era algo que existisse nos dias de hoje considerando que a venda de material em CD foi considerado por bandas e pela indústria fonográfica como algo não prioritário
    O texto do B Side está com uma didática profissional eu diria.
    Eu e o Schmitt fomos as show – link no post – e vimos um excelente show. Destaque para a visível tensão entre Rudolph e Mathias no palco. Nas fotos eu reparei que eles sempre estão em lados opostos
    Quando estive em Berlim vi os cartazes da turne que foram muito bem produzidos.
    Muito obrigado por manter esse legado do Julio Bertocco que também é um grande conhecedor de metal.

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  2. Rolf, obrigado pelos elogios. Eu optei por seguir a linha tão bem delineada pelo Julio. Não vejo como comparar o trabalho dele com esses que fiz no intuito de deixar a discografia atualizada. E nem é o propósito, aliás, nunca tive essa pretensão, o Julio é um grande conhecedor da banda, uma pena que suas mais recentes atividades não o permitam seguir por aqui.
    Mas vale sem dúvida por deixar o tal legado completo.

    Alexandre

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